14.5.14

Mini Fic - Capítulo 23

Uma coisa era fingir quando estava sozinha; outra completamente diferente era fingir na frente de Summer, especialmente quando a pergunta favorita da filha parecia ser “Quando podemos ver Joe de novo?”. Felizmente, ela sabia que ele estava ocupado com seu turno de vários dias. A cada dia que Summer pedia para ir até o quartel do Corpo de Bombeiros, Demi mantinha-se firme.
— Se ele não está trabalhando, provavelmente está dormindo. Não podemos incomodá-lo. - Summer voltava à escola quando Sophie ligou para Demi marcando um almoço. Claro que ela queria ver a amiga, mas temia que seu disfarce, que já estava muito difícil com Summer, se provasse impossível com a irmã de Joe. Por sorte, o sorriso largo de Sophie dando as boas-vindas do lado de fora do pequeno bistrô foi tudo o que Demi precisou para deixar o nervosismo passar.
— Você está linda.
— Você também. - Apesar disso, Demi desejou ter o estilo simples e sofisticado de Sophie. Em vez de usar um jeans e suéter, como todo mundo no bistrô, a amiga dela vestia uma saia longa de lã que farfalhava em volta dos tornozelos enquanto caminhavam até a mesa. Ela pensou na conversa que tiveram na casinha de jardinagem, quando Sophie estava chateada por causa de alguém. Um homem. Assim que fizeram o pedido, Sophie perguntou:
— Fez alguma coisa legal com a Summer durante o feriado de inverno? - Demi mal conseguia não arregalar os olhos, em alerta. Ela não poderia, de jeito nenhum, mentir para a amiga, mas, ao mesmo tempo, não sabia o que dizer sobre Joe à irmã dele. Não quando os sentimentos dela estavam todos enroscados em um grande nó naquele momento.
— Passamos uns dias esquiando e depois voltamos para casa e fizemos umas caminhadas, alguns projetos de artesanato e decoramos a maioria dos episódios de I-Carly na TV a cabo. E claro que ela ganhou presentes demais dos avós. E você? Por onde andou nas duas últimas semanas? - Sophie tirou um livro de dentro da bolsa.
— Acabei de juntar tudo isso. É o arquivo fechado, antes de mandarem o pedido final para a gráfica. - Demi leu o título em voz alta:
— “As melhores histórias de amor de todos os tempos: uma bibliografia comentada. Agora disponível em uma livraria local. Compilada e editada por Sophie Jonas.” — Ela sorriu para a amiga. — Isso é fantástico. Parabéns!
— Obrigada. — Sophie fez uma cara estranha. — Estou realmente feliz com o livro, apesar de achar que o título seja um pouco equivocado.
— Por quê?
— Nem todas as histórias têm um final feliz. Mas isso não é motivo para torná-las menos interessantes.
— Só mais reais — Demi acrescentou, baixinho. Sophie guardou o livro de volta na bolsa.
— Você deve sentir saudades dele. - Desta vez, Demi não conseguiu impedir que seus olhos se arregalassem. Ah, meu Deus, Sophie sabia sobre Joe! Ela abriu a boca para dizer algo, para tentar explicar a Sophie que não estava tentando magoar o irmão dela. Mas, antes que pudesse encontrar quaisquer palavras que fizessem sentido, a amiga continuou a dizer:
— Gostaria de ter conhecido seu marido. - Uma sensação de alívio tomou conta de Demi tão rapidamente que ela, de fato, desmoronou de volta sobre sua cadeira. Mas Sophie interpretou mal a reação de Demi:
— Me desculpe. Não deveria ter falado nele. Afinal, minha mãe nunca amou ninguém além do meu pai. - Demi franziu o cenho.
— Mas seu pai não faleceu quando você ainda era criança? - Sophie concordou. 
— Eu tinha 2 anos. - Demi fez as contas rapidamente. Mais de duas décadas. Isso era muito tempo para ficar sozinha. Tempo demais, especialmente depois que o último dos filhos de Mary Jonas tinha crescido e se mudado há pelo menos cinco anos.
— Com certeza sua mãe deve ter namorado, não?
— Ela namorou alguns homens ao longo dos anos. Alguns deles eram realmente muito legais. — Sophie deu de ombros. — Mas, honestamente, não acho que ela tenha se deixado envolver muito com qualquer um deles.
— Por que acha isso? Seu pai não iria querer que ela encontrasse o amor de novo?
— Não sei — Sophie respondeu, suavemente. — Mas pelo jeito que Nick e Smith falam dele, não acho que ele era esse tipo de homem. — A amiga olhou para ela com uma expressão tão parecida com a de Joe que Demi quase derrubou o garfo. — Acho que ela tinha medo. Medo de amar e de perder de novo.
— Mas ela parece tão corajosa com todos vocês. Até mesmo com Joe, que tem uma profissão tão perigosa. - No entanto, ao dizer isso, Demi entendeu por que Mary Jonas deixou seus filhos viverem as próprias vidas. — Eu costumava observar Summer no parquinho e rangia os dentes quando ela subia na grade de um brinquedo em direção ao topo. Ela era tão menor do que as outras crianças, mas não tinha medo nenhum. Ela ainda não tem; e todos os dias eu me preparo para o momento em que ela me disser que quer ser uma francoatiradora ou uma piloto de carro de corridas. Sophie riu com o comentário e, mesmo Demi sabendo que corria o risco de mostrar seus sentimentos por Joe, que cada dia aumentavam mais, ela precisava saber.
— Como você lida com a ideia de que Joe possa não voltar para casa um dia, depois de um incêndio? - A amiga dela pensou por um momento.
— Nick provavelmente poderia cultivar maçãs em vez de uvas. Kevin poderia pintar em vez de tirar fotografias. — Sophie balançou a cabeça. — Mas, quando éramos pequenos, nas brincadeiras de Halloween, Joe sempre queria ser bombeiro. - Demi arqueou a sobrancelha diante do comentário da amiga.
— Verdade? Todo ano? - Sophie sorriu.
— Ele é muito determinado. - Demi sentiu-se enrubescer. Ela sabia, em primeira mão, o quanto ele era determinado. E quão maravilhoso era ser a mulher que ele estava determinado a ter. Ela olhou para cima e viu Sophie lhe dando um sorrisinho de lamentação.
— E, honestamente, isso pode soar mal, mas tento me lembrar de que, estatisticamente, ele está mais propenso a morrer por atropelamento do que no trabalho. E todos nós entramos em carros sabendo do perigo, não é?
— Acho que sim. - Todos os argumentos de Sophie faziam sentido. Mesmo assim, havia uma desconexão entre o que a mente de Demi entendia e o que o coração dela acreditava. Sophie não tirou os olhos dela.
— Posso perguntar uma coisa? - Demi tentou não ficar nervosa. 
— Claro.
— Você encontrou com Joe de novo? Desde a festa, quero dizer.
— Sim — ela respondeu, com honestidade. Sophie sorriu. 
— Que bom. - Demi torceu para a amiga fazer mais perguntas, para tentar descobrir os “quando” e “como”. Em vez disso, Sophie simplesmente disse:
— Quer dividir um pedaço de bolo de chocolate comigo?
— Claro que sim. - As duas mulheres sorriram uma para a outra e, assim que Sophie levantou a mão na direção do garçom, ele correu para ver o que a mulher mais linda do restaurante queria. Mesmo assim, Demi tinha a sensação de que Sophie não fazia a menor ideia de quanto os homens à sua volta prestavam atenção nela. Por alguns minutos, ela ficou pensando se deveria ficar fora da vida amorosa da amiga. Mas, desse jeito, que tipo de amiga seria? Além disso, Sophie já tinha tateado as coisas entre ela e Joe, não tinha? O bolo veio rápido e, enquanto as duas pegavam os garfos para começar a comer em lados opostos, Demi perguntou:
— Teve sorte com aquilo que fez você ir até a casinha de jardinagem duas semanas atrás? - Sophie olhou para Demi, surpresa.
— A casinha de jardinagem? — Um momento depois, as bochechas dela ficaram vermelhas e ela balançou a cabeça. — Não, não acho que a sorte em relação a esse assunto estará nas cartas algum dia. - Demi franziu o cenho.
— Você está namorando alguém? - De novo, Sophie balançou a cabeça.
— Não de verdade. Uns caras ficam ligando, mas não estou muito interessada. - Obviamente, a amiga de Demi estava se guardando para alguém. Mais uma vez, Demi sabia que a coisa mais fácil a fazer era se afastar desse assunto. Seria mais seguro falar sobre o clima ou sobre os planos para o fim de semana. Entretanto, Demi estava cansada de só ter conhecidos. Ela queria amigos de verdade, mulheres com quem pudesse chorar e rir, mulheres em quem pudesse confiar. Talvez tivesse chegado a hora de sair do limbo.
— O cara em que está interessada vale a pena, Sophie? - A amiga cobriu os olhos com a mão livre e fez um som que era uma mistura entre riso e choro. Ela olhou para Demi com olhos tão tristes a ponto de causar-lhe um nó no estômago.
— Às vezes, tenho certeza que sim, mas, outras vezes... Bem, me pergunto se estou enganando a mim mesma por não querer enxergar quem ele realmente é. - Demi ficou com o coração partido por Sophie aparentemente ter se apaixonado loucamente por um homem que não a merecesse. Enquanto empurrava o pedaço de bolo um pouco mais perto de Sophie e as duas alimentavam seus estados emocionais carentes com chocolate e carboidratos, Demi não conseguia fazer outra coisa a não ser pensar em Joe. E no fato de que ele, definitivamente, valia a pena. Summer pulava no playground enquanto esperava Demi vir buscá-la na escola.
— Está feliz por ter voltado para a escola, hein? — ela disse, bagunçando os cabelos louros da filha.
— Adivinha onde fomos passear com a escola hoje? - Demi tentou lembrar-se do que a autorização dizia quando a preencheu alguns meses antes. Mas, antes que tivesse chance de adivinhar, Summer abriu a mochila e puxou um chapéu de bombeiro de plástico.
— Ah! — Demi exclamou, com a boca subitamente seca. — Nossa, que legal.
— Joe estava lá e foi tão maravilhoso mostrando tudo. Pudemos escorregar pelo mastro que vinha dos alojamentos de cima, passamos um tempo na ambulância e sentamos nos bancos de trás do caminhão. - Durante o bate-papo até o apartamento, Summer contou a Demi as histórias do Corpo de Bombeiros. E, quando começou a cortar queijo e maçãs para o café da tarde, ela não conseguia parar de pensar em uma palavra. Destino. Ela nunca acreditou muito em coisas desse tipo; sempre acreditou que decisões sólidas e trabalho duro eram o que tinha valor. E tinham mesmo. Mas, realmente, estava chegando ao ponto em que todo o Universo parecia gritar para ela: preste atenção!
— E, mamãe, ele me perguntou se você gostava de montanhas--russas tanto quanto eu. - Demi emergiu de seus pensamentos estranhos quando percebeu o que Summer tinha acabado de dizer.
— E você disse o quê?
— Disse que sim. Que você não tinha medo de nada. - Demi abaixou a faca de corte e foi até a filha para lhe dar um abraço.
— Obrigada, meu amor. - Quando Summer a abraçou também, tão forte a ponto de seus bracinhos tremerem, ela ergueu os olhos e perguntou:
— Obrigada por quê?
— Por ser você. E por acreditar em mim quando, às vezes, eu mesma não consigo acreditar. - Alguns minutos depois, enquanto Summer tomava seu café da tarde e pintava sobre a mesa da cozinha, Demi pegou o telefone sem fio e foi até o quarto, fechando a porta. Ela forçou-se a não desligar o telefone quando a secretária eletrônica atendeu.
— Oi, Joe. É a Demi. Sei que ainda está trabalhando, mas, quando voltar para casa e tiver descansado, gostaria... — Ela teve de parar, teve de respirar, teve de se lembrar de Summer dizendo “Você não tem medo de nada”. — Gostaria de ver você de novo. Talvez pudéssemos nos encontrar para almoçar durante a semana. Logo, logo, eu espero — ela acrescentou, antes de desligar o telefone.

Continua... Oi! Desculpem a demora, eu estava tão envolvida com o outro capítulo de LSS, mas ele já está pronto e já vou postar. Beijos 

11.5.14

Mini Fic - Capítulo 22

Descubra como lidar com os inevitáveis altos e baixos.
~ Manual 101 de Combate a Incêndio ~

Joe adorava ver Demi dormir tranquilamente, com um sorrisinho nos lábios, enquanto se achegava mais perto dele. Com a luz do dia começando a brilhar em um novo ano, ele sentia-se satisfeito e feliz por estar assim com ela. No entanto, apesar de suas irmãs o chamarem de idiota pelo menos umas mil vezes ao longo dos anos, Joe sabia que ainda que Demi tivesse falado sobre novos recomeços e sobre deixar o passado para trás, as chances de ela ficar irritada por ter acabado na cama com ele eram grandes, como tinha acontecido na primeira vez em Lake Tahoe. Só porque ele estava com a cabeça feita sobre o que queria, isso não queria dizer que ela também estava. Ela se esticou de novo e abriu os olhos lentamente.
— Bom dia, minha linda! - Joe ficou muito feliz ao ver que, dessa vez, os olhos dela não se arregalaram de horror. Em vez disso, ela levantou o braço para passar a mão no cabelo dele.
— Oi. - Mas, antes que pudesse ter esperanças, ela se levantou da cama.
— A Summer volta para casa hoje e preciso ajeitar umas coisas para ela. - Joe queria puxá-la de volta para a cama com ele, mas sabia que deveria considerar isso um passo à frente com relação ao que acontecera no quarto do hotel. Ela não correu para o canto do quarto; não estava mencionando a palavra “nunca” pelos quatro cantos. De fato, tinha sido pura sorte ele não ter sido chamado para voltar ao quartel dos bombeiros no meio da noite. Seu turno oficial começava em algumas horas, tempo suficiente para fazer amor com ela de novo, para passar a língua sobre cada centímetro da pele dela... Siga o plano, bonitão. Resolvendo ouvir a voz em sua cabeça, que até agora estivera certa sobre tudo, ele perguntou:
— Por que não toma uma chuveirada enquanto vou lá em cima buscar suas roupas? - Ela ficou muito surpresa por ele ter concordado tão rápido com o plano dela de continuar o dia. Longe um do outro.
— OK. — Ela fez uma pausa e deu um sorrisinho bobo. — Obrigada. - Ele sorriu de volta enquanto Demi, maravilhosamente nua, caminhou até o banheiro e fechou a porta atrás de si com um barulhinho suave. Se Deus quiser, ela levaria um bom tempo para tomar banho, sem se lembrar de cada detalhe que tinha acontecido na banheira ao lado, algumas horas antes. Ele vestiu um jeans surrado, subiu para pegar as roupas dela e deixou-as em cima da cama, antes de se dirigir até a cozinha para fazer o café da manhã. Minutos depois, ela caminhou na direção dele, o cabelo molhado sobre os ombros, a expressão levemente envergonhada.
— Dava para sentir o cheiro do bacon do banheiro. - Joe não queria abusar da sorte, mas algumas coisas são incontroláveis, como puxá-la para si e beijá-la. Quando os dois estavam ofegantes, ele se afastou um pouquinho.
— Gosto de acordar com você na cama. — Ele pegou a mão dela e puxou-a até a cadeira da mesa da sala de jantar. — Também gosto de ficar olhando você comer. - No entanto, antes de conseguirem dar a primeira mordida, o celular dele tocou. Rapidamente, ele olhou para o código no visor. Demi franzia o cenho quando olhou de volta para ela.
— Você precisa ir?
— Não, ainda não. Daqui a umas horas eu começo meu plantão. Era só uma mensagem de um dos colegas para eu cobrir o turno dele também.
— Quanto tempo leva o seu turno?
— Geralmente fico quarenta e oito horas. Mas este será de setenta e duas. - Ela ficou chocada pela quantidade de horas.
— Você dorme no quartel?
— Quando dá. - Demi estava tão séria como ele nunca viu antes.
— Gostaria que as coisas fossem diferentes, Joe, mas não são. A noite passada foi fantástica, mas... — Ela respirou fundo e olhou bem nos olhos dele.
— Nada mudou. - As palavras dela caíram feito cimento sobre as entranhas dele, e não foi fácil manter a voz relaxada.
— Você está tomando café da manhã comigo. Isso é uma mudança. Uma grande mudança, para melhor. - Ela se afastou da mesa, colocou o telefone no bolso e pegou a bolsa de cima do sofá, indo em direção à porta.
— Preciso ir. - Joe queria implorar para que ela ficasse, queria forçá-la a confrontar os sentimentos que tinham um pelo outro, queria fazê-la admitir que aqueles sentimentos não iriam desaparecer só porque ela tinha medo que o passado se repetisse. Em vez disso, ele levou o prato até a cozinha, pegou uma folha fina de papel-alumínio, acomodou a comida dela sobre o papel e pegou as chaves da caminhonete:
— Eu levo você para casa.
— Prefiro ir andando. - Pela expressão teimosa do queixo dela, Joe podia dizer que ela estava determinada a sair dali — e se afastar dele — o mais rápido possível. E, apesar de toda a falta de jeito masculina, ele sabia que era melhor não fazer nada que piorasse ainda mais aquela teimosia.
— Obrigado por passar o Ano-Novo comigo, Demi. - Ela piscou, parecendo quase surpresa por ele não insistir em levá-la embora. Ou, ele pensou, quando a expressão dela mudou novamente, será que ela estava esperando que ele a beijasse de novo ou tentasse fazê-la ficar para o café da manhã? Será que estava decepcionada por ele não fazer isso? Será que ela não percebia que ele não poderia forçá-la a fazer nada? Que ele não queria deixá-la chateada com ele, por fazer tanta pressão em tão pouco tempo? Finalmente, ela disse tão baixinho que ele quase não teria ouvido se não estivesse tão atento a cada respiração dela:
— Eu me diverti muito. - Ela virou-se para sair, mas, de repente, no último momento, voltou na direção dele. Dessa vez, foi ele quem ficou surpreso quando ela pegou o papel-alumínio ainda morno, ficou na ponta dos pés para dar um beijo rápido no rosto dele e completou:
— Obrigada pelo café da manhã. - Nada mais fazia sentido. Demi era madura o suficiente para discernir o certo do errado, para saber quando estava se preparando para cair em um buraco. Então, o que estava fazendo, dormindo com Joe toda vez que havia uma cama por perto? Ela estava ciente de que não havia nenhuma mulher no mundo forte o suficiente para resistir ao seu charme. Não conseguia imaginar alguém não gostar dele. Mas gostar de alguém, admirar uma pessoa pelas suas qualidades, rir com ele, compartilhar uma refeição, tudo isso era muito diferente de implorar para que ele a beijasse. Pior ainda, ela foi além de implorar. Muito além. De fato, tinha arrancado as roupas dela e, depois, as dele também. Mas tudo bem, talvez fazer amor no terraço da casa dele tivesse sido inevitável, já que a semana toda havia sentido a falta dele, pensado nele toda vez que seu cérebro não estava ocupado com o trabalho ou com Summer. O que aconteceu na banheira, porém... Ela perdeu o fôlego só de pensar naquilo, lembrando-se do quanto tinha sido direta ao pedir a Joe que realizasse sua fantasia com ela. E como ele tinha sido maravilhoso. Demi estava subindo uma ladeira íngreme, mas, sob a luz de um novo dia — e de um novo ano —, ela simplesmente não podia mais mentir para si mesma. Ela não estava sem fôlego por causa da ladeira; estava sem fôlego por pensar em Joe. Porém, esta não era a única coisa que não podia mentir para si mesma. Ela estava se apaixonando por ele, não conseguia fazer outra coisa a não ser se entregar cada vez mais fundo àquele feitiço que lhe envolvia o corpo... e o coração. Demi apertou ainda mais forte o café da manhã embrulhado no papel-alumínio enquanto subia até o pico da ladeira. A vista desse bairro sempre lhe tirou o fôlego e, quando parou para descansar um pouco, ela desejou poder dividir com alguém aquele momento da luz do sol brilhando sobre a água azul da baía. Com Joe. Um caminhão de bombeiros passou e ela olhou minuciosamente para os bombeiros, como nunca tinha feito antes. Será que eles tinham esposas? Irmãos? Como todas aquelas pessoas que os amavam lidavam com o perigo, com a possibilidade de perdê-los para a fumaça, as chamas e vigas despencando? Quando tinha 20 anos e namorava David, seu grande choque foi saber que estava grávida. Ela não sabia como lidar com os perigos inerentes à profissão dele, como piloto de guerra. Estava muito preocupada pensando na gravidez, em dar à luz, em ter um bebê que dependesse dela. E, claro, também tinha de lidar com a ideia de que ela e David iriam se casar. Ela pensou, como todas as garotas de 20 anos, que teria tempo de encontrar seu príncipe encantado, que namoraria vários homens até o encontrar. Nada saiu conforme o planejado. Ela não contava que ia perder aquele marido inesperado. Não esperava curtir tanto o fato de ser mãe. E nunca pensou que fosse encontrar seu príncipe encantado durante o pior momento de sua vida, encolhida dentro de uma banheira com Summer, enquanto as labaredas queimavam ao redor dela; o último lugar no mundo onde esperaria encontrar o amor. Amor. Santo Deus. O embrulho de papel-alumínio escorregou das mãos dela e caiu na calçada com um barulho abafado. Ela sabia que era completamente louca pelo jeito que Joe ria, como a beijava, como as mãos dele tocavam a pele dela. Mas amor? Não, ela pensou, enquanto se agachava para pegar o pacote de comida do chão. Ela não queria mentir para si mesma, queria realmente começar o ano do zero. Mas agora ela sabia de algo mais, algo que nunca poderia entender quando tinha 20 anos e não queria deixar passar as oportunidades da vida. Às vezes, quando as coisas ficavam muito difíceis, o melhor a fazer era deixá-las de lado. Porque, às vezes, fingir era a única maneira de continuar vivendo.

Continua.. Como vocês estão? Desejem feliz dias das mães para suas mamães por mim! Mais tarde, talvez, eu posto LSS, claro, se eu consegui escrever. Beijos e muito obrigado pelos comentários, e vou respondê-las no poste de LSS :) 

10.5.14

Capítulo 38 - Parte 1/3

Alguns meses depois...
Nada se compara a uma manhã de novembro. Lá fora a neve começa a cair timidamente pelas ruas de Los Angeles anunciando a chegada do inverno. Não há como recusar uma cama quente, uma bela xícara de chocolate quente e folhear um livro de romance inglês. Mas estar acomodada em uma cama macia envolvida por braços fortes e um corpo quente debaixo das cobertas é surreal. Acomodou-se mais a ele e suspirou totalmente satisfeita, e muito feliz. Joe a abraçou com mais força apertando-a carinhosamente contra seu corpo. Minutos mais tarde o toque sutil do despertador a acordou. Preguiçosamente Demetria Jonas levou a mão até o criado-mudo e desligou o despertador. Mais um dia que seria completamente conturbado de tarefas e mais tarefas.
   - O que foi? – A voz dele soou quase macia. Cheia de afeto e compreensão. Eram três meses completamente diferentes desde o aniversário de Demetria. Sem brigas ou discussões. Joe estava diferente, diferente para melhor é claro. Ele parecia ter amadurecido em um piscar de olhos.
   - Você sabe que dia é hoje? – Demi sorriu timidamente ao olhá-lo. Era tão feliz por dormir e acordar ao lado dele. Simplesmente por viver com ele.
   - Acho que é um dia muito importante para os meus amores. – Joe a puxou para o peito e a abraçou fortemente. – Hoje Daniel faz um ano. – Demi ergueu-se e o olhou com um pequeno e feliz sorriso nos lábios que lhe aqueceu o coração.
   - Eu sei. – Sorriu viajando no tempo, para ser exata, há um ano. – Nós temos tantas coisas para fazer hoje. – Disse enquanto brincava com a barba dele.
   - Sim. Mas não podemos dormir nem mais uma hora? – Os olhos dele brilhavam em puro divertimento. Ergueu-se para olhar a hora no pequeno relógio digital que estava sobre o criado-mudo juntamente com o abajur e um livro de Demetria. – Demi! São cinco da manhã. – A repreendeu.
   - E nós temos uma festa para organizar. – Deitou-se sobre ele e ficou a sustentar o olhar divertido e preguiçoso de Joe.
   - Amor. – Virou-se habilmente a pressionando contra o colchão. – Nós contratamos profissionais há um mês. Já repassamos detalhes e mais detalhes. Está tudo pronto, Demi. – Joe não entendia o porquê de acordar às cinco da manhã.
   - Não é justificativa para acordar mais tarde Joseph. – Rebateu enquanto suas mãos deslizavam pelos músculos dos braços dele. – Eu vou precisar que você cuide de Dan e supervise todos os preparativos da festa. – Demi o distraia com suas pequenas mãos femininas deslizando-as pelo seu corpo.
   - Pensei que você iria cuidar de tudo. – Murmurou pressionando o corpo contra o dela.
   - Eu preciso resolver um assunto. – Desviou o olhar dele. – Não é nada do trabalho. É apenas algo que eu realmente tenho que fazer. – Demi espalmou o peito de Joe sobre a t-shirt branca e fixou os olhos aos dele.
   - Não é nada sério? – Murmurou tenso.
   - Não meu amor, mas é muito importante para o nosso pequeno. – Disse com certo receio.
   - Não vai me contar o que é? – Esboçou um sorriso para ela. Um sorriso cheio de segundas e até milésimas intenções. – Você sabe é muito simples o que vou fazer. – Demi suspirou pesado quando os lábios de Joe alcançaram seu pescoço o beijando carinhosamente. – É só você abrir as pernas e.. – Joe pôs-se entre as pernas de Demi o pressionando contra ela.
   - Joseph. – O empurrou. Droga! Ele era pesado. – É surpresa. – Gemeu sentindo a intimidade ser roçada pelo membro, já duro, sobre as calças de moletom de ambos.
   - Você não vai mesmo me contar. – Suspirou frustrado. Seu corpo estava enroscado ao dela, suas mãos cobriam os seios e seus lábios quase roçavam os dela.
   - Você sabe que não. – Demi sorriu para ele. – Sr. Jonas, você poderia deixar os meus seios livres? – Sorriu divertida.
   - Eu adoro apertá-los Sra. Jonas. – Sorriu safado os apertando.
   - Eu sei que adora. – Demi roubou um selinho e o empurrou para o lado. – Nós podemos fazer isto mais tarde. – Piscou para ele e Joe riu.
   - Mas tarde quando? – Perguntou enquanto envolvia o corpo dela com os braços e roçava os lábios aos dela.
   - Nós podemos fazer depois que a festa acabar. – Demi deu um beijo estalado na bochecha de Joe e levantou-se e praticamente correu para o banheiro o deixando com um sorriso divertido nos lábios.
   - Mulheres. – Sorriu olhando para a porta do banheiro.
...

   - Tem certeza que não quer comer nada? - Perguntou novamente. - Lá fora está frio, tome pelo menos uma xícara de chocolate quente. - Joe levantou-se da mesa e caminhou até a ilha da cozinha. Demi vestia seu trench coat burberry, as meias finas pretas com a bota montaria de cano baixo. E mexia no iphone enquanto esperava o chocolate quente.
   - Obrigada. - Sorriu quando ele lhe serviu. - Está muito bom. - Sorriu de volta depois de bebericar a bebida.
   - Você volta para casa que horas? - Joe estava sentando de frente a ela. Ele estava realmente fofo vestindo uma camisa simples de estampa miliar e calça de moletom preta. Os cabelos bagunçados o deixava sexy.
   - Humm.. Eu não sei. - Demi corou pelo olhar de Joe.. O que ela iria fazer era realmente importante..
   - Como não sabe? - Joe apoiou os cotovelos na mesa e ficou a fitá-la.
   - Amor, eu não sei. - Suspirou frustrada. - Talvez no final da tarde. - Sussurrou e Joe arregalou os olhos.
   - Demetria! A casa já vai estar cheia. Fora que Dan vai sentir sua falta. - Daniel não aguentava ficar longe da mãe. Quando ficava, passava a maior parte do tempo perguntando sobre ela. - E não tem como organizar uma festa sem você. - Murmurou. Mulheres eram complicadas demais para cabeça de Joe. E Demi era mais ainda. Se ele queria preto, ela queria branco. Mas se ele mudasse para o branco, ela optara pelo preto.
   - Você vai conseguir. - Demi sorriu fraco e levantou-se. - E eu prometo chegar cedo. - Demi sentou-se no colo de Joe e começou a distribuir beijos pelo pescoço dele.
   - Eu não deveria deixá-la sair assim.. - Murmurou entredentes. Joe envolveu a cintura de Demetria com os braços apertando-a contra seu corpo. Ela ficava tão sexy de batom vermelho.
   - Você deveria parar de ser tão ciumento. - Demi deu um selinho nos lábios dele e ficou a observa-lo.
   - Você também. - Joe roçou os lábios aos dela. As testas coladas, ofegavam...
   - Eu tenho que ir.. - Depositou mais um beijo nos lábios dele. - Cuide do nosso pequeno Joseph. - Suspirou cansada. Ficava tão preocupada. Daniel com seus doze meses de vida completos era a coisa mais danada e teimosa da face da terra. Na semana passada ele quebrou um vaso de cristal enquanto tentava ficar de pé apoiando nos móveis. Na hora de comer, ele gargalhava mais do que comia, adorava pirraçar a mãe e principalmente quando ela esbofeteava o pai, ele gargalhava gostosamente.
   - Tenha cuidado pequena. - Joe beijou a testa de Demi e levantou-se com ela. - Eu vou cuidar do nosso bebê. - Sorriu enquanto caminhavam de mãos dadas até a garagem. - Posso ligar mais tarde? - O carro já estava a espera de Demi. Lá fora nevava e neblinava.
   - Claro que pode, coloque Dan para falar comigo. - Demi sorriu e o abraçou. - Cuide de tudo, ok? Eu te amo. - Joseph simplesmente adorava quando ela olhava em seus olhos e dizia que o amava. Era como se ele se sentisse o homem mais sortudo de todos.
   - Eu também te amo. - Sorriu todo apaixonado e a abraçou mais uma vez antes de Demi partir. Depois de uma breve caminhava pelo jardim congelado, até porque não tinha quem ficasse exposto a aquele vento frio, Joe sentiu-se mil vezes melhor quando entrou em casa. Lá era quente e confortável. Subiu as escadas, e abriu a  primeira porta do lado esquerdo, a porta do quarto de Dan. O quarto estava tão sereno. O móbile cheio de ursinhos musicais, os olhos de Dan chegavam a brilhar quando Demi ligava o móbile, a música era como uma canção de ninar. Daniel dormia empacotado em suas roupas de inverno exageradas até demais, ele parecia tão sereno. Ajeitou a coberta no corpo dele e acariciou-lhes o rosto. Era tão surreal. Ontem ele pedia Demi em namoro e hoje ele era casado e tinha um filho. Sentou-se à poltrona lembrando-se das tantas e tantas vezes que Demi sentava-se ali, a maior parte das vezes era pela madrugada, Dan acordava chorando esfomeado. Ela ficava horas e horas ali, sentada, esperando o filho mamar. Demi era paciente com o pequeno Daniel. Estava cedo demais, e Joe estava tão curioso para saber o que Demi estava aprontando que acabou dormindo...
Oh meu Deus! Quanto tempo ele tinha dormido naquela poltrona? Abriu os olhos com certa dificuldade, tudo estava embaçado e ele estava meio tonto. Levantou-se sobre o olhar curioso do pequeno Daniel.
    - Daniel! - Joe correu até o berço. Dan queria ser independente, e para conquistar a sua independência com apenas um ano, ele tentava andar. Mas andar era praticamente impossível mesmo segurando naquelas coisas que era bem maiores que ele, acabava perdendo o equilíbrio e caia de bunda do chão. - Papai já disse que não é para apoiar na grade do berço filho, você vai cair. - Joe pegou o pequeno no colo. Era incrível como o tempo passava rápido. Dan estava tão envolvido com sua exagerada mamadeira preparada por Demi e assistia desenho animado na tevê, ele até agora não perguntara nada sobre Demi. Era praticamente um milagre, porque Joe estava tão envolvido atendendo milhares de ligações.
   - Papa. - Dan o chamou entre suas risadas exageradas. Joe desviou a atenção do telefone e olhou para o bebê que apontava para a tevê. - Mama. - Dan riu escandalosamente, ele sabia que era a mãe porque conhecia a voz dela.
   - Esta é a Sonny Munroe, personagem da mamãe. - Joe riu quando Dan gargalhou. Mas ele não ficara muito feliz. Naquela época Demi contracenava com Sterling Knight, e Joe não gostava nada de vê-los juntos mesmo que fosse em uma série de televisão da Disney. Por Deus! Demi não atendia o telefone, onde ela tinha se metido? Não era hora para sumir ou simplesmente não atender ao celular. Como ele iria resolver aquelas coisas? De cinco em cinco minutos a equipe da ornamentação ligava para perguntar onde estava isso e aquilo, fora o pessoal do bufê, iluminação, som, segurança e os fotógrafos. Era coisa demais para um homem só.
   - Daniel! Não grite. - Joe tentou ser o mais suave e amigável possível. Dan simplesmente tentava ficar de pé no sofá e gritava escandalosamente. Um grito agudo e gargalhadas exageradas. - Meu amor, vem aqui. - Joe repousou o telefone no ombro e pegou o pequeno no colo. - Hoje é o seu aniversário, e o papai está tentando organizar as coisas da sua festa para ser a melhor festa do mundo. - Acariciou os cabelos do pequeno, mas Dan estava tão eufórico com a abertura do programa que mal olhava para o pai. - Então você tem que se comportar. - Conforme Joe acariciava os cabelos de Dan e corria os dedos pela barriga dele, o bebê relaxava com a caricia e ria baixinho das trapalhadas do programa, e das caricias do pai em sua barriga.
Daniel era um anjo. Claro, quando Demi estava por perto para repreendê-lo com broncas monstruosas. Fora isto, ele mexia em tudo. Exatamente tudo. E quando ele ficava quieto demais, sem risadas exageradas e gritos, ele com certeza estava aprontando, foi desta forma quando ele quebrou o vaso de cristal. Joe ficara feliz, bastante feliz. A lista estava pronta depois de quase uma hora de ligações e mais ligações. Respirou fundo e passou as mãos pelos cabelos. Daqui a meia hora as pessoas começariam a chegar para organizar a festa de Dan na ampla área de sua casa. Era o espaço ideal para qualquer festa. Sentiu algo chocando contra seu braço e uma risadinha familiar.
   - Papa! - Dan riu quando Joe o olhou. Ele finalmente tinha conseguido chamar a atenção do pai. - Papa. - Dan gritou e o acertou novamente.
   - Oh meu Deus! - Joe sentiu seu coração parar em uma fração de segundos. Estreitou os olhos e conteve-se para não dar belas e merecidas palmadas na bumbum do filho. O que Dan fizera com sua trabalhosa e organizada lista? Bolinhas de papel! Como ele iria sobreviver àquela tonelada de perguntas de onde está isto e aquilo sem a sua abençoada lista-agora-bolinhas-de-papel feitas por seu abençoado e malino filho? Ele precisava de reforços. Oh sim, reforços. Mas como iria ficar bravo com aquele adorável bebê de olhos verdes que brilhavam de inocência. Seu bebê estava a coisinha mais fofa do mundo vestindo um moletom vermelho do Mickey. Dan era danado que só. Entretanto conseguia amolecer o coração do seu pai, realmente muito bravo, com o seu doce sorriso mostrando seus dentinhos que começavam a nascer. Aquele sorriso nunca saia dos lábios dele, chegara a formar leves covinhas nas bochechas coradas. Seus cabelos castanhos caiam graciosamente na testa. Ele era uma gracinha.
   - Papa. - Dan sorriu mordendo a língua e Joe teve a certeza que ele era a copia perfeita mãe. Demi quem sorria mordendo a língua. Demi era danada como Dan, e pelas histórias de Dianna, a esposa já quebrara vários vasos quando estava aprendendo a andar. Como ele iria resistir ao seus amores?
   - Tudo bem. - Joe sorriu para o pequeno e o pegou no colo. - Você sabe que o papai te ama e que nunca vai brigar com você. - Joe beijou a testa de Dan e ele riu gostosamente sentindo a barba roçar sua pele aveludada. - Só a mamãe que é uma brigona. - Dan arregalou os olhos quando escutou a palavra "Mama". - Daqui a pouco ela está de volta. - Joe deslizou os dedos pela barriga de Dan fazendo cócegas e o pequeno riu. Dan estava se acostumando com a ideia de ficar longe, por mais que fosse poucas horas, da mãe. Agora ele gostava de assistir televisão com o pai, dormir aninhado ao peito do pai, comer as frutas amassadas por Demi enquanto Joe fazia suas diversas caretas o influenciando a comer.
Mais tarde, quando tudo já estava nos conformes depois de muita dedicação, a festa estava quase pronta. Estava tudo perfeito e aquela enorme área realmente parecia um circo. Sim, o tema da festa de um ano de Dan era o circo.
   - Sr. Jonas, a Sra. Jonas quer um painel de fotos naquela parede. - A moça apontou para a parde perto da mesa de guloseimas onde tinha um espaço livre. Pelo visto era a única coisa que faltava. - Ela nos informou que as fotos estariam com o senhor. - A moça corou levemente com o olhar intenso de Joe. Ele era sexy..
   - Claro. - Joe aquietou o pequeno nos braços e com um educado "Com licença", adentrou a casa repreendendo o pequeno Daniel com uma bronca. Como ele iria subir as escadas com segurança se o pequeno fazia estripulias em seu colo? - Fotos.. - Murmurou franzindo o cenho. Dan estava aprontando alguma coisa na cama enquanto ele revirava o criado-mudo. Camisinhas, pílulas, chaves, relógios. Calcinha? Iphone, carregador. E as coisas mais improváveis estavam naquelas gavetas, mas não tinha fotos. Olhou rapidamente para Daniel e revirou os olhos. Ele estava deitado com o travesseiro de Demi chupando a chupeta. Ainda bem que não estava aprontando. Caminhou até o closet, e depois de abrir uma das milhares das gavetas de Demi, ele encontrou um envelope grande e pesado onde estava escrito. "Dan's pics". Quando voltou, pegou o pequeno e desceu as escadas. Hum.. Dan estava com sono.
   - Obrigado. - Joe arregalou os olhos conforme a moça começava a montar o painel de fotos. Havia fotos que ele nem sabia que existia. Mas a que mais lhe chamou atenção foi uma de quando Dan era recém nascido. Naquele dia Joe esperava Demi para que eles pudessem ir ao supermercado. Na foto Joe estava deitado na cama sem camisa e o pequeno estava nu e deitado no peito do pai. Eles dormiam. Em outra foto, eles estavam no jardim e Dan olhava atentamente para um passarinho. Tinha fotos de Demi e Dan fazendo caretas, de Dan tomando banho na banheira e brincando com o patinho. Foto de Demi amamentando o pequeno, fotos com os avós, fotos de Dan cochilando agarrado a Demi. E uma épica foto do pequeno todo sujo de chocolate. Aquelas tantas fotos despertou seus sentimentos paternos mais ainda. Abraçou o filho com mais força e com um sorriso educado, voltou para casa.
   - Ei, não dorme. - Joe adentrou seu quarto e deitou o pequeno na cama. - Vamos ligar para a mamãe? - Joe riu quando os olhos de Dan brilharam quando ele escutou "Mamãe".
   - Mama! - Dan sorriu e engatinhou até o pai aninhando-se ao colo dele.
   - Está desligado. - Murmurou franzindo o cenho. Estava começando a ficar preocupado, Demi saíra de casa às seis da manhã e já eram seis da tarde, treze horas sem conseguir contato, toda vez que ele ligava dava desligado.. Daqui à uma hora e meia os convidados começariam a chegar e nada de Demetria...

Continua... Oi! Finalmente consegui escrever um capítulo de LSS, vou dividir o capítulo porque ele ficaria grande demais.. e também porque não consegui escrever o resto. E ai? O que a Demi está aprontando? Beijos! 

Mini Fic - Capítulo 21

Seja honesto.

~ Manual 101 de Combate a Incêndio ~

Ao elaborar o plano inicial, Joe decidiu que, se as coisas dessem certo e ele acabasse tendo a sorte de ficar nu com Demi de novo, em algum momento do futuro, faria devagar. Saborearia cada milímetro do lindo corpo dela e se concentraria em levá-la ao ápice do prazer tantas vezes que ela não seria capaz de negar a conexão entre eles. Entretanto, ele não contava com a ânsia desesperada de ambos para ficarem um com o outro. Joe pegou a camisinha que deixara sobre o cobertor e, antes que pudesse rasgá-la, Demi inclinou-se para colocá-la entre os dentes e rasgou-a. Pegou a camisinha antes que caísse sobre seu peito e então a colocou no membro de Joe, ereto e latejante, deslizando a camisinha sobre ele, e o toque excitante dos dedos longos de Demi fazia Joe ranger os dentes para evitar explodir ali mesmo, nas mãos dela. E as mãos de Demi já estavam nos cabelos dele, e ela lhe puxou os lábios sobre os dela ao mesmo tempo que enroscou as pernas em volta da cintura dele e o recebeu dentro de si. Ela gemeu de prazer, e Joe engoliu o gemido dela, agarrando-lhe os quadris para penetrar mais fundo, mais forte. Por ter um pênis avantajado, Joe sempre tomava cuidado para não machucar suas amantes. Entretanto, quando os músculos internos dela lhe apertaram o membro, o prazer de estar com Demi de novo foi tão intenso que ele não conseguiu pensar em mais nada, não pôde fazer nada além de se entregar à intensidade do desejo pela mulher que se contorcia e gritava de prazer embaixo dele. Ela arqueou-se, e Joe abocanhou um dos mamilos dela, chupando-o com força, degustando o doce sabor da pele dela contra sua língua. No céu, os fogos de artifício continuavam explodindo quando ela gozou; sua pélvis se esfregava nele enquanto Demi chegava ao orgasmo, com as mãos enroscadas nos cabelos dele, segurando-o contra os seios. Ele não conseguiu se segurar nem mais um segundo, especialmente quando os músculos fortes dela o apertavam, sugando tudo o que tinha para dar. Desencostando a cabeça dos seios dela, Joe mudou de posição colocando o peso sobre os joelhos, então agarrou os tornozelos dela e os ergueu até a altura dos ombros. Ele tinha de penetrar mais fundo, tinha de tocar cada parte dela. As mãos de Demi alcançaram os antebraços dele, para que pudesse segurar com firmeza enquanto ele a penetrava cada vez mais fundo e mais forte.
— Ah! — ela sussurrava, com olhos semiabertos. — Isso é tão gostoso. Tão, tão gostoso. — A cabeça dela inclinava-se para trás, as mãos acariciavam os próprios seios enquanto absorvia tudo o que ele estava lhe dando, e implorava:
— Mais, Joe. Por favor. - Ele não achava que alguma coisa pudesse deixá-lo ainda com mais tesão, mas o som da voz meiga dela, implorando daquele jeito, bem como vê-la tocando-se enquanto ele a amava, fazia tudo revirar dentro dele.
— Querida — ele murmurou diante do contato físico selvagem daquele ato de amor criando emoções igualmente selvagens dentro dele —, não me faça chegar lá sozinho. - Mesmo vendo que ela tinha o olhar fixo nele, com a boca entreaberta em um grito silencioso de prazer enquanto atingia novamente o orgasmo, mesmo com o próprio corpo seguindo o mesmo caminho de verdadeiro caos, Joe sabia que não estava só pedindo a ela que gozasse com ele. Não, o que estava lhe pedindo era muito maior do que sexo, muito mais do que o melhor orgasmo que já tinha tido na vida. Joe não queria só o corpo de Demi; também queria seu coração, queria conhecer e amar cada parte dela. A cada momento que passavam juntos, percebia mais e mais o quanto ela era afoita e aventureira. Ela adorava altura e não hesitou uma só vez em transar loucamente a céu aberto, no terraço. Por quanto tempo essa caçadora de aventuras havia deixado de lado a verdadeira pessoa que era? Desde a morte do marido? Ou mesmo antes disso? Demi não tinha condições de fazer mais nada além de pendurar-se em Joe e enfiar o rosto em seu ombro largo. Ela mal conseguia respirar; assim, como seria possível colocar os pensamentos em ordem para analisar o que tinha acabado de acontecer entre eles? 
Ele continuou a segurá-la com força quando mudou de posição para que, em vez das almofadas, seu corpo pudesse proteger o dela. Ela adorava senti-lo inteiro em volta dela, dentro dela, e sabia que, mesmo com 100 anos, nunca se cansaria dele. O choque daquele pensamento, do futuro que jurou nunca ter com ele, a fez abrir os olhos, tentando dissipar a nuvem de luxúria temporária que os encobriam. Ai, ela acabou de transar no terraço. No terraço! Demi não quis pensar muito em quão perigoso era o que estavam fazendo, principalmente se pensar muito fosse atrapalhar o beijo de Joe. Mas agora, ao olhar para cima, para os prédios em volta , sabia que era muito provável que alguém os tivesse visto. Ela puxou o cobertor sobre os quadris e os seios, mesmo com a sensação de estar gostando daquela aventura exibicionista. Joe passou a mão sobre a curva do traseiro dela embaixo do cobertor.
— Acha que fizemos a noite de Ano-Novo de alguém? - Ela ficou surpresa pela maneira educada como ele reconheceu que poderiam ter sido vistos.
— Espero que não! - No entanto, mesmo falando com sua voz mais firme, Demi não podia negar o frio na barriga ao pensar em outro casal se preparando para apreciar a queima de fogos... e, em vez disso, vê-los fazendo amor. Esses eram pensamentos que ela só se permitia ter em suas fantasias mais secretas e pervertidas. Pior ainda, ela nem podia culpá-lo pelo que tinha acontecido. Não quando tinha sido exatamente ela que tinha arrancado as roupas dela diante dos outros prédios e terraços, e ainda pediu para ele se apressar e tirar logo as roupas também. A gargalhada dele foi morna, repleta do calor entre eles que ainda não havia se dissipado.
— Estou só brincando, querida. O prédio mais alto do que esse mais próximo daqui está longe o suficiente para alguém precisar de um bom binóculo para nos ver aqui em cima. — Ele tocou de leve na ponta do queixo dela. — Você diz que a Summer é a única aventureira da família, mas não é verdade. - Fazer amor com Joe era algo absurdamente íntimo. A maneira como ele conversava com ela, porém, como se soubesse os segredos de sua alma, parecia ainda mais profunda. Demi sentia que estava sendo observada muito profundamente, muito além das barreiras com o que tanto havia se esforçado para mantê-las seguras, ela e a filha. Ela tremeu e ele imediatamente a pegou, com cobertor e tudo.
— Hora de esquentar você de novo. - Demi sabia que deveria só dizer “obrigada pela queima de fogos”, mesmo só tendo sido capaz de prestar atenção ao fogo que queimava entre eles naquela noite, e dizer a ele que tinha de ir para casa; mas já tinha quebrado sua última promessa de ficar longe dele. E tinha trabalhado muito desde que Summer foi viajar com os avós. Estava muito cansada. E era tão bom senti-lo segurando-a dessa maneira por alguns segundos a mais. Joe beijou-lhe os cabelos, a testa, o rosto, e ela virou-se para beijá-lo na boca. Quando estavam a meio caminho das escadas para o apartamento, ele parou e se concentrou em acabar de tirar o oxigênio que ainda restava nos pulmões dela.
— Feliz Ano-Novo. - Ela passou a língua sobre os lábios dele antes de dizer:
— Feliz Ano-Novo. - Demi esperava que ele a carregasse até o quarto, mas Joe não parou na enorme cama coberta com uma linda colcha de patchwork azul e marrom. Em vez disso, seguiu para o banheiro.
— Que tal começar o ano-novo com um banho de banheira? - A ideia deliciosamente tentadora de ficar nua, escorregando e deslizando sobre Joe na banheira de hidromassagem, foi quase suficiente para fazê-la aceitar o convite. Mesmo assim, desde o incêndio, ela ainda não conseguia entrar em uma banheira de novo.
— Por que, em vez disso, não tomamos um banho de chuveiro? - Ela ergueu a cabeça para beijá-lo, mas, sendo esperto e mesmo sempre cedendo aos desejos de Demi, Joe enxergou claramente algo além da distração dela.
— Quero tomar um banho de banheira com você, Demi. - Ai, meu Deus. Ela respirou fundo e tentou se recompor. 
— Acho que posso tentar. - Ele tirou uma mecha de cabelo dos olhos dela, mais uma vez enxergando mais profundamente do que ela gostaria.
— É porque esse foi o lugar onde encontrei você? Na banheira? - Se ela fosse mais forte, se estivesse menos embalada pelos braços de Joe, se ele fosse qualquer outra pessoa, ela tentaria negar. Mas como podia mentir para aquele homem?
— Achei que fôssemos morrer lá. Na banheira.
— Eu nunca deixaria isso acontecer. - Ela não conseguiu deixar escapar a pergunta que esteve em sua cabeça nos últimos dois meses:
— Mas e se não tivesse chegado a tempo?
— Nada de “e se”. — Ele pegou uma das mãos dela e colocou sobre o peito dele. — Não esta noite. — Ele inclinou-se e beijou-a suavemente nos lábios. — Não deixe que o incêndio tire de você mais do que já tirou, meu bem. - Mas será que ele não via que ela estava no meio de um turbilhão sem fim de “e se”? Não só o incêndio, mas eles dois, Summer, o futuro dela, e... Ela fechou os olhos com força, odiando cada um daqueles “e se”.
— Sabe de uma coisa?
— Diga, Demi. - Ela respirou fundo e abriu os olhos.
— É ano-novo. Hora de recomeçar. De deixar o passado para trás. - Ela era madura e inteligente o bastante para saber que não podia mudar quem era, nem a forma como seu coração e sua mente estavam conectados, mesmo que fosse por uma noite apenas. Mas poderia dar um pequeno passo na intenção de aliviar o peso de todos aqueles medos de seus ombros. Especialmente se esse pequeno passo envolvesse entrar na banheira com um homem cujos olhos prometiam a ela um prazer imensurável.
— Encha a banheira, Joe. - Ele continuou a segurá-la com força com uma das mãos enquanto alcançava as torneiras com a outra. Enquanto a banheira se enchia de água morna, Demi virou-se, pensativa, para o homem segurando-a no colo e passou a ponta dos dedos sobre a cicatriz levemente aparente na testa dele.
— Gostaria que não tivesse se machucado. — Os olhos dele se fecharam por um momento, enquanto ela passava levemente os dedos sobre a testa dele.
— Aquele dia no hospital... — Ele olhou para ela, a emoção profunda nos olhos dele fazendo-a tremer da cabeça aos pés. — Sinto muito por ter sido um babaca. — Ele pegou a mão dela, colocou-a sobre os lábios e beijou-lhe a palma da mão. — Quando você entrou e vi você sem toda aquela fumaça, sem aquelas chamas, sabia que era especial.
— Você quase morreu tentando nos salvar — ela reconheceu, com uma voz que parecia mais um suspiro. — Tinha o direito de se comportar como bem entendesse. Ele balançou a cabeça. 
— Fiquei admirado ao ver como meus sentimentos por você já eram fortes. Mas isso não serve como desculpa para meu  comportamento. - Dentro de casa, Demi já estava mais quente, mas, agora, com Joe falando de sentimentos e medos, ela sentiu-se gelada novamente, tremendo diante de todas as coisas que não queria encarar. Pelo menos não por enquanto. Certa de que ele podia perceber o quanto aquela conversa a incomodava, Demi observou Joe mudar de assunto quando lhe ergueu a palma da mão novamente até os lábios, mordiscando a pele sensível dela.
— Não levei o tempo necessário para despir você apropriadamente lá em cima — ele disse, começando a tirar as camadas de cobertores.
— Acho que você mandou bem — ela murmurou, enquanto se inclinava para beijar a parte de cima daquele peito maravilhoso e tentador. Demi estava aliviada pela maneira como ele a estava deixando permanecer fora das profundezas de suas emoções, mas, estranhamente, também estava meio decepcionada.
— Só bem? — Com a voz rouca, ele cobriu o seio dela com a palma da mão e acariciou o mamilo com a ponta do polegar. O mesmo polegar que ela tinha chupado e mordido quando estavam no terraço.
— Hum! — Foi tudo o que ela conseguiu exclamar, e então ele tirou todo o cobertor de cima dela e entrou na banheira com ela nos braços. Nada podia ser mais romântico, mais sexy, do que esse banho a dois. Lá fora, no terraço, fizeram coisas arriscadas e excitantes, mas, ao entrar na água morna e descansar as costas e a cabeça sobre o peito de Joe, Demi suspirou fundo diante do prazer de ter todos os seus desejos realizados em uma só noite maravilhosa. Joe encheu as mãos de água e derramou-a sobre a pele dela, molhando cada centímetro de seu corpo, inclusive o cabelo. Era tão excitante ser mimada dessa forma, era mais do que sexo, mais do que necessidade. Ele tinha acabado de possuí-la e com certeza sabia que não precisava fazer nada daquilo para tê-la novamente. Mas, de qualquer forma, continuava fazendo. Ela se aconchegou no bíceps dele e beijou-o, enquanto ele se mexia para pegar o sabonete.
— Está tentando me distrair, querida?
— Não — ela respondeu, com sinceridade. — Precisava te beijar. - Enrolando os cabelos dela no punho, ele lhe virou o rosto, firme, porém gentilmente, e sugou-lhe os lábios em um doce beijo. E esperou um tempo para deixá-la respirar de novo.
— Eu também. - O sabonete tinha escapado dos dedos dele durante o beijo e Joe teve de procurá-lo embaixo d’água, ao passo que suas mãos subiam e desciam na lateral dos quadris dela.
— Não está aqui. — Ele levou os pés até o fundo da banheira, procurando o sabonete. — Nem aqui.
— Acho que sei onde está. - Ele olhou para os lábios dela ao perguntar:
— Onde? - Ela pegou uma das mãos dele e colocou-a sobre sua barriga.
— Está chegando perto. - Ele escorregou a mão um pouco mais para baixo, brincando com ela.
— Quase lá. - Ela segurou a respiração quando ele tirou as mãos dos cabelos e, em seguida, lhe apalpou a vagina, com a palma larga da mão cobrindo cada centímetro daquele calor molhado; a respiração dela saía ofegante, em um espasmo de prazer, e então Demi colocou a cabeça para trás, no ombro dele. Era impossível parar de pressionar os quadris contra os dedos dele, e, Demi soube que ele não estava mais brincando quando dois dedos grossos dele penetraram-lhe a carne sensível e macia enquanto a outra mão deslizava para baixo, concentrando-se no clitóris. A língua e, em seguida, os dentes dele encontraram as orelhas dela e, apesar da água morna, apesar do calor do corpo dele atrás dela, Demi ficou toda arrepiada.
— Você é tão linda, querida. Muito linda. — Joe passou a língua sobre aquele ponto mais sensível atrás da orelha, um milésimo de segundo antes de pedir: — Goze para mim. Quero ver. Preciso sentir. - No entanto, ela já estava gozando, já estava respirando ofegante e montando nas mãos dele quando os tremores dentro de sua barriga se transformaram em um terremoto incontrolável, com força total.
— Joe! - Ele ajudou-a a chegar ao orgasmo, sem tirar nenhuma das mãos, nenhum segundo; quando Demi finalmente voltou a si dentro da banheira, percebeu como ele estava grande e excitado atrás da cintura dela. Felizmente, Joe estava preparado: ela viu uma camisinha em cima do cobertor. Sem dar a mínima sobre o que ele achasse dela naquela noite, Demi inclinou-se sobre a banheira para pegá-la. Ela rasgou a embalagem, desta vez abrindo-a com as mãos, e não com os dentes, ainda que tenha sido divertido e bem louco; então, ele, em silêncio, levantou os quadris para fora da água, para que ela pudesse deslizar a camisinha sobre seu membro maravilhosamente ereto.
— Sei que concordamos em não ter “e se” esta noite, mas não consigo parar de pensar... — Ela fez uma pausa e lambeu os lábios. — E se me ajudasse a realizar minha fantasia? - Subitamente, Demi queria ter a oportunidade de retomar o controle não só da banheira, mas também de sua esperança para o futuro, em vez de continuar agarrada ao medo. Ele passou as mãos sobre as coxas e os joelhos molhados dela.
— Que tipo de fantasia? — O som profundo das palavras dele quase a fez desistir de sua fantasia e, em vez disso, montar no colo dele.
— Até hoje nunca tinha tomado banho de banheira com um homem.
— Que bom. - Ela teve de sorrir diante do prazer ciumento que ele sentiu por ser o primeiro. Ela também estava feliz, feliz por poder realizar essas fantasias pela primeira vez com Joe.
— Mas, às vezes, quando estou sozinha e estou... — Ela parou nas palavras que não estava acostumada a falar em voz alta.
— Se masturbando? - Ela concordou.
— Às vezes, gosto de me imaginar em uma banheira como essa e ter... - Ela mordeu os lábios e ele gemeu.
— Se não parar de fazer isso, não tenho certeza se vamos conseguir realizar sua fantasia. - Os olhos dela se arregalaram e ela soltou o lábio.
— Ah. — Ela quase mordeu o lábio de novo, mas segurou-se no último segundo. — OK.
— Demi. - Ela ouviu o apelo sensual na voz dele, claramente reforçado quando ele insistiu:
— Qual é a sua fantasia? - No entanto, ela já tinha chegado à conclusão de que nunca seria capaz de confessá-la em voz alta. Em vez disso, teria de mostrar a ele. Com a máxima elegância possível, considerando o quanto estava excitada e, ao mesmo tempo, nervosa, ela mexeu o corpo embaixo d’água e virou-se de costas para Joe. Olhando para trás por sobre o ombro, ela ergueu-se lentamente, ficando de quatro para ele.
— Isso — ela disse num suspiro quase abafado pelo som da água mexendo na banheira. — Isso é a minha fantasia. - O gemido dele ecoou pelas paredes azulejadas e então, finalmente, Joe também começou a se mexer, cobrindo o traseiro dela com as mãos enormes. Mesmo se arriscando mais do que jamais tinha feito com um amante, Demi surpreendeu-se quando ele inclinou-se para a frente e a beijou, primeiro de um lado do rosto, depois do outro. Devagar, Joe passou a língua da cintura até o pescoço, acariciando cada vértebra da coluna, até mordiscar a curva do ombro dela.
— É isso, Demi? É esta sua fantasia? - Ela não conseguia falar, somente balançar a cabeça e segurar-se firme na borda da banheira enquanto se encaixava nas curvas dos quadris dele. A água espirrou toda em volta deles quando Joe penetrou-a por trás e, dessa vez, quando ela foi à loucura, ele estava bem ali com ela, gozando, metendo tão forte e tão profundamente que Demi não sabia quando um parou e o outro começou. Com uma das mãos sobre o seio e a outra entre as pernas dela, e os dentes e a língua dele em seu pescoço, Demi entregou-se completamente nos braços de Joe.

Continua... Então? ok, estou corada de vergonha... bem, está mini fic está quase no final, falta pouquinho.. Ela é uma adaptação, ok? No momento não tem nada melhor do que escutar as músicas antigas dos Jonas embrulhada na coberta </3 Eu realmente espero que vocês estejam gostando das fics em si. E, obrigado pelos comentários e pelos 91 seguidores. Beijos lindas! 

9.5.14

Mini Fic - Capítulo 20 - Maratona 5/5

Às 23h45, eles subiram os degraus que davam para o terraço. Demi parou na passagem da porta diante do terraço completamente vazio, apertando a pilha de cobertores que Joe havia lhe dado.
— Onde está todo mundo? - Ele olhou para ela com estranheza.
— Você achou que haveria outras pessoas aqui em cima conosco?
— É um prédio grande. - Ele concordou. 
— É mesmo, mas sou dono da cobertura. E o terraço é só meu.
— Ah. - Mas que idiota que tinha sido indo lá em cima com ele. Mesmo em meio a uma multidão, ela não estaria a salvo do desejo que sentia por ele. Agora, depois de algumas horas na companhia dele, ela conseguia entender isso. Mas sozinhos? Estava perdida.
— Até agora a noite com você foi ótima, Demi. — Ele a observou, com cuidado, provavelmente esperando que ela se virasse e saísse correndo como uma covarde, a covarde prática e de coração fechado que era.
— Também achei — ela concordou, forçando-se a inclinar-se em direção ao teto. Foi então que ela notou um lindo cordão de luzes e o grande cobertor cheio de almofadas coloridas. Havia uma garrafa de champanhe, duas taças e uma bandeja de morangos cobertos com chocolate. Mas isso não era tudo. Ele também tinha providenciado uma garrafa brilhante com suco de maçã e uma taça de vinho de plástico, para criança, com borboletas desenhadas. O coração dela derreteu-se.
— Você fez tudo isso? — Ela apontou para o próprio peito. — Para mim e para Summer?
— Não consigo imaginar com quem mais gostaria de passar a noite de Ano-Novo. - Ele pegou os cobertores dos braços dela e Demi sentiu-se quase nua sem eles para cobrir-lhe o coração. Como se aquela proteção macia pudesse evitar que ela se apaixonasse por esse homem lindo, gentil e absurdamente sexy diante dela.
— Isso é... — Ela fez um gesto para a linda cena diante deles. — É mágico. - O sorriso dela era divertido, satisfeito... e sensual. Tudo ao mesmo tempo. 
— Venha olhar a vista daqui de cima. É muito melhor do que da janela lá de baixo. - Ela pegou a mão dele, mas, embora ele providenciasse para que ela ficasse em pé na grade e o corpo dele a mantivesse aquecida e segura, ela não olhou para a vista. Em vez disso, virou a cabeça para olhar para ele.
— Você não está jogando limpo, Joe, está? - Demi podia quase sentir o gosto do beijo dele bem ali. Mas tudo o que ele fez foi puxá-la para mais perto dele.
— Obrigado por vir aqui esta noite. E por ficar. - Os lábios dele tocaram a ponta da cabeça dela; e talvez isso tenha sido uma quebra de promessa, mas, ah!, como ela queria que ele fizesse exatamente isso, a ponto de seu corpo estar quase tremendo de tanta vontade de sentir os lábios dele sobre os dela, as mãos dele sobre sua pele. Demi ficou nos braços de Joe, com os olhos fechados, e deixou-se levar pela alegria de estar com ele, tremendo de prazer pelo calor, pela força e pelo jeito como ele a olhava.
— Você está com frio. - Ela não teve nem a chance de dizer que não era o ar que a estava fazendo tremer, e ele a levou para cima de uma pilha de enormes almofadas e a puxou para baixo com ele. Joe cobriu a ambos com cobertores antes de pegar uma garrafa de espumante. Demi se aconchegou embaixo das cobertas, com a coxa de Joe roçando a dela enquanto ele tirava a rolha e servia a bebida.
— Está tentando me deixar bêbada? — ela brincou. Ela adorava o sorriso dele, como era fácil. Joe também a fazia sorrir com facilidade, ela percebeu, de repente. Só Summer a fazia sentir-se assim tão feliz, tão relaxada. Só Summer conseguia fazê-la esquecer de todo o trabalho a fazer, das contas a pagar, da geladeira a encher. Até Joe surgir. Talvez fosse a proximidade física dele embaixo do cobertor, naquele terraço romântico com vista para a cidade, que tornava difícil para ela se prender à ideia de que não era sobre o quanto ela desejava Joe, e aquele beijo! Talvez fosse o fato de que ele sempre fazia planos para três, em vez de tentar fingir que ela não tinha uma filha. Talvez fosse ainda um quê daquela adoração ao herói com o que ele se preocupava tanto, por ter salvado a vida dela. Ou, talvez, fosse simplesmente a pessoa audaciosa dentro dela que estava morrendo de vontade de vir à tona e fazer algo maluco, como fazer sexo ao ar livre, onde haveria uma pequeníssima chance de alguém, em uma janela distante, os observar. Seja lá o que fosse, a essa altura, depois de muitas horas do que pareciam ser as preliminares mais longas do mundo, Demi simplesmente não se importava sobre as razões para sentir o que estava sentindo. Tudo o que sabia era que a contagem regressiva de cinco minutos para o Ano-Novo ainda estava muito longe. A resposta dele para a pergunta brincalhona dela finalmente veio, quando ele lhe passou a taça de champanhe.
— Preciso deixar você bêbada? - Sentindo-se ruborizar enquanto balançava a cabeça, ela colocou a beirada do copo nos lábios e pendeu a cabeça para trás, e o nervosismo a fazia derramar o delicioso champanhe mais no pescoço do que propriamente dentro da boca. Não havia a menor chance de ficar constrangida com a bagunça da bebida, pois o polegar de Joe estava lá, sobre o líquido derramado. Ele estava prestes a colocar os lábios quando ela agarrou-lhe o pulso.
— Alto lá. Essa bebida é minha. - Os olhos deles se acenderam em um fogo tão intenso que quase o fizeram chutar os cobertores. Mal acreditando no que estava fazendo, mas com plena consciência de que morreria se não conseguisse sentir o gosto de alguma parte dele nos cinco segundos seguintes, ela levou o dedo dele até a boca. E chupou-os. Ela não sabia quem tinha gemido primeiro, ele ou ela, enquanto passava a língua sobre a ponta do polegar dele, saboreando não só o champanhe, mas, sobretudo, aquele gosto leve de fumaça da pele de Joe. Um sabor do qual não conseguia se esquecer desde Lake Tahoe.
— Vou manter minha promessa. — A voz dele estava rouca, enquanto baixava a cabeça até o pescoço dela, de onde ele tinha tirado a bebida. — Sem beijos ainda. — Foi a última coisa que o ouviu dizer antes de pressionar a ponta da língua sobre o pescoço dela. Ela murmurou contra os lábios dele, mesmo quando seus dentes lhe morderam levemente a carne da ponta do polegar. Ele ergueu os olhos de volta para ela e, só pelo olhar dele, quase gozou exatamente ali. Ele puxou o dedo de dentro dos lábios dela, devagar, e colocou a mão na curva dos quadris de Demi, puxando-a sobre o colo dele. Ela estava montada sobre o pênis ereto dele, indo para a frente e para trás enquanto ele dizia:
— Ah, como você é gostosa. - Um momento depois, a primeira explosão de cor brilhou no céu acima deles acompanhada pela multidão que comemorava nas ruas, porém tudo o que Demi sabia era que, finalmente — tinha chegado a hora de Joe beijá-la. No entanto, ela nem deu chance a ele, pois suas mãos já estavam nos cabelos dele e ela o atacava beijando-o com uma paixão que jamais sonhou ter. Os lábios de Joe sugavam os dela de volta, as línguas se enroscavam, os suspiros conjuntos do prazer tão esperado se juntavam às explosões dos fogos de artifício e aos sons dos desconhecidos felizes a distância.
— Agora. — Ela tirou os lábios dos dele. — Preciso de você agora. - Demi alcançou a barra do suéter e puxou-o sobre a cabeça, tirando junto sua camiseta de manga longa. Desabotoou a calça jeans, com as mãos tremendo, não de frio, mas de puro desespero para ficar nua com este homem. Quando se mexeu no colo dele para descer o zíper da calça e tirá-la, ela percebeu que Joe estava sentado, olhando fixamente para ela. Ela nunca tinha sido esse tipo de mulher, nunca precisou fazer sexo tão desesperadamente a ponto de estar praticamente rasgando as roupas de tanta pressa para tirá-las. Mas também nunca tinha estado com ninguém como Joe. Além disso, como uma garota em sã consciência poderia resistir àqueles músculos? A toda aquela força mal contida quando ele a segurava? Aos beijos dele? Ao jeito irracional que faziam amor?
— Depressa — ela ordenou, e então ele começou a arrancar as roupas também, a camisa se juntando às roupas dela do outro lado do terraço, onde ela as jogou. Naturalmente, ela esqueceu que Joe, sendo bombeiro, tinha muito mais prática em tirar e pôr as roupas do que ela; assim, Demi ainda estava tirando os sapatos e as meias quando ele tirou.. Tudo.
— Uau. — As mãos dela pararam quando olhou para o glorioso corpo nu de Joe. — As mulheres pagariam uma fortuna para ver isso.
— Vou levar isso em consideração caso resolva mudar de profissão. - Dando-se conta das ideias malucas que tinham acabado de escapar, as mãos dela tornaram-se ainda mais inúteis; mas, nesse momento, Joe estava lá, ajoelhado diante dela, tirando-lhe os sapatos e as meias e jogando a calça jeans para o lado. Ela alcançou o elástico de sua calcinha ao mesmo tempo que ele desabotoou o fecho do sutiã dela e, então, um minuto depois, Demi também estava nua e era ele quem a estava admirando.
— Minha. — Ele veio engatinhando para cima dela, pressionando-a sobre as almofadas. — Você é minha, Demi. - Ela mal pôde suspirar o “Sim”, e os lábios dele já procuravam os dela de volta, beijando-a. Ela pertencia a ele.

Continua... Eita porra.. Agora a coisa ficou.. foda? Não me matem, ok? Até o próximo capítulo ;)

8.5.14

Mini Fic - Capítulo 19 - Maratona 4/5

Não perca o controle.
~ Manual 101 de Combate a Incêndio ~
Trinta minutos depois, Demi saiu do elevador e entrou no apartamento de cobertura de Joe, em Potrero Hill, e ficou de queixo caído. Ele tirou-lhe o casaco dos ombros, mas ela estava tão entretida assimilando a vista de cada janela que mal percebeu.
— A vista aqui é incrível! — Ela virou-se para ele. — Como consegue fazer outra coisa que não seja ficar olhando pelas janelas?
— Achei que você fosse gostar — comentou, enquanto andava pela sala até ficar em pé ao lado dela. — Geralmente, a vista é nítida assim no inverno, mas no verão...
— Deve parecer que está flutuando nas nuvens. - Ele quis beijá-la pelo menos umas cem vezes desde que ela abrira a porta da frente para ele, e agora, com ela ali na sala de sua casa, observando com olhos sonhadores pela janela, Joe tinha que se esforçar ao máximo para seguir o plano e manter sua promessa. Ela combinava tanto com a casa dele. Tão perfeita. Apesar da grande estrutura do prédio, da vista e da localização, ele sempre achou que estava faltando alguma coisa. Agora sabia exatamente o que era. Como seria diferente se Demi e Summer vivessem ali com ele! Se toda aquela cor do apartamento delas estivesse ali. Se as roupas dela estivessem penduradas no closet e os desenhos de Summer grudados na geladeira.Ciente de que estava se precipitando, que, além da queima de fogos, nada estava combinado, Joe forçou-se a se afastar da única mulher que algum dia já lhe tirara todo o controle.
— Aquele omelete mal deu para matar a minha fome — ele disse a ela. — Comida tailandesa seria bom para o jantar? Tem um lugar aqui perto que faz entrega em domicílio. - O rosto dela se iluminou. 

— Adoro comida tailandesa! - Meu Deus, ele agora não tinha só ciúme de um homem morto; tinha ciúme também até da comida tailandesa.
— Fique à vontade enquanto eu peço uma coisa de cada. - Sem deixar a janela durante todo o tempo em que Joe estava ao telefone, ela riu e disse:
— Parece ótimo. - Joe tinha certeza do quanto ela sentia falta de morar num lugar mais alto para ter a vista da cidade, como tinha no apartamento que havia pegado fogo. Ele desligou o telefone e ela continuava tão encantada pelas luzes da cidade que não percebeu quando ele colocou duas taças de vinho tinto sobre uma prateleira perto deles. Um minuto depois, ele disse:
— Com licença. - Demi ficou claramente chocada ao vê-lo carregando uma poltrona enorme sobre a cabeça.
— O que está fazendo com isso?
— Tentando fazê-la ficar à vontade — ele respondeu, enquanto baixava a poltrona até o chão, devagar. Além disso, Joe teve de admitir: estava se exibindo um pouquinho ao ver os olhos de Demi passarem pelos bíceps dele, que agora estavam saltados por ter levantado a poltrona pesada. Ele puxou a mão dela.
— Sente aqui comigo.
— A poltrona não é grande o bastante para nós dois — ela protestou, mas ele já a tinha a meio caminho do colo, com a mão na cintura dela.
— Para mim, parece ter o tamanho certo. - Meu Deus, ele amava o cheiro dela, uma mistura de flores do campo em botão com uma pitada doce de desejo feminino.
— Joe, não deveríamos...
— Não se preocupe — ele murmurou no ouvido dela —, não vou quebrar minha promessa.- Será que ela sabia o quanto tinha ficado decepcionado quando ela virou orosto para longe dele e olhou pela janela mais uma vez? Joe tentou esconder osorriso enquanto esticava as mãos até a prateleira para alcançar o vinho, e passou a taça para ela.
— O melhor da Vinícola Jonas. - Ela tomou a taça da mão dele e inalou com prazer. 
— Só para deixar bem claro, eu já era uma fã dos vinhos de Nick antes de nos conhecermos.
— É coisa boa — ele concordou. - Ela admitiu, e então continuou:
— E sei que não o conheci, mas seu outro irmão, Smith... — Ela parou de repente, como se tivesse acabado de perceber que não deveria dizer mais nada.
— Deixe para lá. — Tomou um gole do Cabernet. — Isso é muito gostoso.
— O que é que tem o Smith? Também vai me dizer o quanto gosta dos filmes dele? - Ela lambeu os lábios e deu de ombros.
— Você há de admitir que são todos muito bons. — Ela parou de novo, deu outro gole no vinho. — Assim como este vinho. — Ela apontou para a janela.
— Ei, aquele lá não é o estádio de beisebol? - Ele semicerrou os olhos. — Você também é fã de beisebol?
— Culpa da Summer — ela respondeu. — O pai dela costumava levá-la aos jogos quando ela era bebê e desde então ela adora. Ela adorou ter conhecido Ryan na festa da sua mãe. Ele é o lançador favorito dela.  - Por que ele tinha tantos irmãos? O cabo da taça de vinho dele quase se quebrou de tão forte que ele o apertava. Os olhos de Demi dançavam enquanto apontava para uma grande fotografia de um nascer no sol na África, pendurada na parede.
— Tenho que perguntar. Foi Kevin que tirou essa foto?
— Foi. — A resposta veio mais seca do que ele gostaria. - Foi então que ele a pegou sorrindo sobre a beirada do copo e percebeu que qualquer ilusão que ele tivera sobre ter o controle daquela noite era apenas... ilusão. Com apenas algumas frases, Demi o tinha colocado exatamente onde queria: agindo feito um idiota ciumento. De novo. Querendo algum tipo de retribuição, ele puxou-a para mais perto, as costas dela lhe pressionando o peito.
— Estou feliz por você estar aqui, Demi. - Por alguns segundos, ela ficou tensa e ele chegou a pensar que ela se afastaria. Mas, em seguida, sentiu-a aconchegando-se a ele, apoiando a ponta da cabeça no queixo dele.
— Eu também. - Joe poderia ter ficado a noite toda sentado com ela, em perfeito silêncio, vendo os fogos se acenderem e apagarem pela cidade. Mesmo com o autocontrole por um fio, por causa das curvas macias dela pressionando-lhe os quadris, Joe nunca se sentiu tão à vontade com outra pessoa. Nem mesmo com a própria família. Pena que o entregador de comida tailandesa não parava de tocar a campainha. Demi não parecia nem um pouco mais feliz do que ele.
— Acho que um de nós tem de ir lá buscar. - Ele não a beijou, mas enfiou o rosto nos cabelos dela por um milésimo de segundo antes de colocar as mãos na cintura e levantá-la do colo dele. Joe já tinha estado com muitas mulheres que sabiam exatamente o que fazer quando estavam perto de um homem, mulheres que se esforçavam para isso. Demi era pura sensualidade, dos pés à cabeça, sem fazer o mínimo de esforço além de respirar. Ele estava tão enfeitiçado que ela alcançou a bolsa para pegar uma gorjeta antes que ele pudesse perceber. O adolescente olhava para ela tão embevecido que provavelmente teria esquecido do dinheiro se Joe não tivesse pigarreado e mandado o garoto embora. Demi fechou a porta e carregou as sacolas de comida.
— O cheiro está fantástico.
— O pobre garoto mal conseguia balbuciar duas palavras na sua frente. - Ela olhou-o como se Joe fosse louco.
— Do que você está falando?
— De você, Demi. E de quanto é linda. - Ela ficou tão surpresa que ele pegou rapidamente as sacolas de comida das mãos dela antes que caíssem, e colocou-as sobre a mesa. A surpresa transformou-se em timidez. E descrença.
— Você fica dizendo isso toda hora.
— É porque não consigo parar de pensar nisso toda vez que olho para você. Toda vez que penso em você.  - Demi olhou fixamente para Joe, com os olhos dela buscando os dele. 
— Nunca conheci ninguém como você, Joe. — Ela baixou os olhos até as mãos, antes de levantá-los de novo até o rosto dele. — Fico feliz por ter sido você quem encontrou a mim e a Summer. — Ela respirou fundo. — E fico feliz por ela ter insistido em levar muffins para você. — Ela mordeu os lábios. — E até fico feliz por ela ter te convencido a nos ensinar snowboard. - Se ele fosse até ela agora, ele sabia que não só quebraria a promessa de não a beijar, como também a possuiria bem ali, no tapete no meio do chão da sala. Ele puxou uma cadeira para ela, à mesa.
— Venha. Vamos comer. - Pois ele esperava — pelo amor de Deus — que ela ia precisar de todas as suas forças mais tarde. O celular dela tocou no momento em que ela se sentava com o som de “You are my sunshine”, e ele sentou-se enquanto ela tirava o telefone do bolso.
— Oi, meu amor, como vai o Mickey? - Ele adorava ver a maneira como o rosto dela se iluminava quando falava com Summer. A mãe dele sempre esteve presente na vida dele e de seus irmãos e, quando criança, ele achava que era assim que todas as mães deveriam ser. Quando adulto, ele percebeu o quanto tinha sido sortudo. E quanto Summer também era sortuda.
— Uau, isso parece barulho de água e fogos de artifício. Mal posso esperar para ouvir mais sobre como eles fizeram a água de todas aquelas cores, quando você voltar para casa. - Ele serviu-lhes pad thai e salada de pepino enquanto ela ria de alguma coisa que Summer disse. Então, de repente, parou de rir.
— O que vou fazer hoje à noite? — Ela pegou a taça e deu um gole no vinho.
— O mesmo que você, meu docinho, vou assistir um pouquinho à queima de fogos. - Joe parou de servir a comida. Ele queria ouvir o que Demi diria à filha. Será que falaria que estava com ele? Demi ouvia cuidadosamente a voz do outro lado da linha.
— Não, meu amor, sozinha não. Com um amigo. - Joe não gostou do fato de que ela não olhava para ele e teve de lembrar-se de ter paciência. A noite estava indo bem, melhor do que ele esperava. O problema era que, no que dizia respeito a Demi, ele queria mais do que jamais teve com outra mulher. E queria agora. Finalmente, Demi levantou os olhos para encontrar os dele sobre os pratos e as embalagens de comida.
— Vou ver a queima de fogos com o Joe. - Ele conseguiu ouvir os gritinhos de Summer do outro lado da linha.
— Não sei se ele pode falar agora... — Ela parou na metade da frase, quando ele esticou a mão para pegar o telefone. — Na verdade, ele está bem aqui. - Ele não conseguiu decifrar a expressão de Demi ao dizer: 
— Ei, lindinha! Já foi em algum brinquedo assustador hoje? — Ele ouvia, gargalhando das descrições dos brinquedos. 
— Nem mesmo sua mãe já foi nesse aí? — Ele levantou a sobrancelha na direção de Demi. — Uau, você é corajosa mesmo, hein? Aqui está sua mãe de novo. — Ele ainda ria quando passou o telefone de volta para Demi.
— Claro, gostaríamos que estivesse aqui. — Ela virou-se, levemente, deixando o cabelo cair sobre o rosto. Estou com muita saudade de você, meu amor. E estou tão feliz que esteja se divertindo com a vovó e o vovô. Mal posso esperar para vê-la amanhã. — Ela colocou o telefone sobre a mesa, mas não conseguiu tirar a mão de cima dele. Ele queria perguntar por que ela não queria contar a Summer que estavam juntos. Mas ele já sabia da resposta, não sabia? E não queria fazê-la lembrar dos motivos. Além disso, não gostava quando ela ficava triste depois de dizer adeus à filha. Então, Joe pegou o garfo e tentou fazê-la rir da vez em que ele e Ryan resolveram se esconder na Ilha do Tom Sawyer e quase acabaram trancados durante a noite.
— Você devia ter visto o Ryan — ele contou —, feito um bebezinho, chorando pela mamãe. - Ela sorriu diante do comentário. — Não sei por que, mas ele não me parece o tipo bebê chorão.
— Já o viu sendo pego na base de lançamento? — Ele olhou para baixo, para o colo, para garantir que ela entendesse onde a bola tinha caído.
— Isso já aconteceu de verdade? - Dessa vez foi ele que sorriu.
— Mais de uma vez. E, enquanto as ex-namoradas vibravam, pode acreditar que ele estava chorando. - Joe tinha ficado atraído por Demi desde o primeiro momento em que ela entrou no quarto do hospital. Entretanto, por mais que estivesse contando os minutos até poder beijá-la sem ter de quebrar a promessa, adorava ouvi-la rir, sabendo, sem a menor sombra de dúvida, que a conexão deles era muito mais profunda. Era tão profunda que a filha dela ganhou não somente seu coração, mas também sua alma.


Continua... Oi! Mais tarde eu posto mais, ok? Beijos

Mini Fic - Capítulo 18 - Maratona 3/5

Demi sabia qual era a resposta certa. Três letras. N-Ã-O. Isso era tudo o que precisava dizer e então ele iria embora. No entanto, depois de dois dias adoráveis — e uma noite maravilhosa — com Joe em Lake Tahoe, estava com muita saudade dele. Tinha saudade do sorriso dele; do aconchego; do bom humor. Ela sentia saudade até mesmo daquela sensação de perigo que pulsava dele, quase imperceptível. E agora, como o melhor presente do mundo, ele aparece bem em sua porta. Ela tentou fazê-lo ir embora sendo impertinente e imprevisível, mas ele simplesmente passou por cima de tudo sorrindo... e então a segurou nos braços enquanto ela colocava para fora a dor de velhas feridas. Foi justo contar a ele sobre David, já que ele havia lhe contado sobre Kate. O problema era que ela poderia só ter contado os fatos, sem deixar escapar o quanto tinha ficado enfurecida — e, para sua surpresa, o quanto ainda estava — com aquilo tudo. Entretanto, quando ele colocou os braços ao redor dela, foi tão firme, tão carinhoso, tão presente, que ela não conseguiu parar de falar. Da mesma forma que não conseguiu parar de fazer amor com ele em Lake Tahoe. Então, ela se perguntou quando olhou para cima e o pegou com o olhar fixo nela, como iria se controlar agora para responder?
— Sim, eu irei ver os fogos de artifício do terraço da sua casa. - Os lindos lábios dele mostraram um sorriso ainda maior. E como ela adorava quando ele sorria assim. Como se ela fosse a única coisa que importasse. Exceto Summer, ninguém nunca a tinha olhado daquela maneira e, à medida que a filha deixava, a cada dia, seus anos de bebê para trás, Demi via cada vez menos aquele tipo de olhar. Terminaram o delicioso omelete sem dizer nada mais, e ela surpreendeu-se de novo quando Joe levou o prato até a pia e o lavou.
— Posso me acostumar com esse tipo de serviço — ela disse sem pensar, o que parecia ser seu modus operandi normal quando estava perto dele. Os olhos de Joe se encheram de calor quando olhou de volta para ela. 
— Pode mesmo? - Demi pressionou os lábios e tentou não acompanhar o movimento das coxas embaixo da mesa, mesmo se sentindo muito quente e incomodada. Não havia como ele ver o que ela estava fazendo. Só que parecia que ele estava vendo tudo quando disse:
— Sabia que em alguns países já é Ano-Novo? - O som profundo da voz baixa dele era uma carícia, quase como se as mãos dele tivessem tocado a pele dela. Pior ainda, ela queria aquele beijo tanto quanto ele. E foi por isso que ela empurrou o banco e lembrou:
— É melhor eu ver se as roupas estão secas. - Ele colocou o pano de prato de volta no gancho.
— Ajudo você a dobrar. - Era tanta coisa de que tinha de escapar. Não havia nada nem remotamente sexy na lavanderia. Então, por quê? — ela se perguntava enquanto voltavam para o pequeno porão — sexo era a única coisa em que ela conseguia pensar enquanto enfiava a mão na secadora úmida para tirar as roupas? Enrubescendo diante da ideia de Joe dobrando a lingerie dela, ela procurou-a com cuidado, mas não conseguiu encontrá-la em lugar nenhum.
— Precisa de alguma ajuda aí? - Ela era capaz de ouvir a diversão na voz dele enquanto continuava com a cabeça enfiada dentro da secadora. Só Deus sabia o que aquilo estava fazendo com o seu cabelo, que era famoso por assustar criancinhas — e homens adultos — quando ficava úmido.
— Não — ela disse, com uma voz mais do que animada. — Só estou procurando uma coisa.
— Isto aqui? - Demi finalmente tirou a cabeça de dentro da secadora e viu Joe em pé atrás dela com a calcinha de renda cor-de-rosa pendurada em um dos dedos. Ao vê-lo acariciar a renda com o polegar e o indicador, ela sentiu-se escaldada por um calor ainda maior do que o que saía da porta da secadora.
— Onde a encontrou?
— Enroscada em uma toalha. — Ele apontou para a pilha que ele já tinha dobrado e colocado no cesto de roupas.
— Ah, a renda de vez em quando faz isso mesmo. - Ela sabia que estava ali em pé como uma idiota de cabelo eriçado, balbuciando alguma coisa absolutamente sem importância. Por que não podia agir normalmente quando ele estava por perto? Relaxada e centrada. Ela sabia por quê. Tudo o que ela conseguia pensar era em beijá-lo. Ou melhor, na dor e no sofrimento de ter de esperar para beijá-lo até a 00h01, para que ele pudesse cumprir a promessa que tinha feito a ela. Ela não ia aguentar até lá. Não se quisesse se manter sã, afinal.
— Estava pensando — ela disse, enquanto dobrava um dos vestidos de Summer, tentando parecer indiferente —, essa coisa toda de Ano-Novo é um pouco demais. As pessoas sempre fazem um “auê” sobre isso, mas é só mais um dia. - Ela podia sentir os olhos dele nela, apesar de ele estar dobrando outra toalha.
— E você está certo — ela continuou, no que esperava ser uma voz suave —, há muitos lugares no mundo onde já passou da meia-noite. Em Paris, por exemplo; eles já soltaram os fogos por lá. - Ela segurou a respiração enquanto esperava que ele a agarrasse, puxasse contra ele e lhe desse o beijo que ela tanto queria. Mas tudo o que ele fez foi tirar o vestido amassado de Summer das mãos dela. Sessenta segundos depois, ele tinha dobrado não só o vestido, mas todo o restante das roupas limpas. Ele cozinhava, limpava, lavava roupas... e sabia exatamente como beijá-la, onde tocá-la, como levá-la ao clímax e ainda repetir tudo antes que ela pudesse ter a chance de se recuperar da primeira onda de prazer.
— Vamos levar isso lá para cima. — Ele pegou o cesto azul, como se ela não tivesse dado nenhuma pista sobre aquele beijo que tanto queria. — E então iremos para minha casa. - Demi estava a um passo de derrubar o cesto de roupas e se jogar em cima dele. Mas uma coisa era Joe a seduzir e ela deixar que ele lhe roubasse um beijo depois da meia-noite para comemorar o Ano-Novo. Outra coisa completamente diferente era ela implorar pelos beijos dele. Ainda mais quando nada havia mudado. Ela continuava incapaz de se deixar apaixonar por ele. E, com certeza, não poderia deixar Summer se afeiçoar a ele. Amar um homem como Joe e depois o perder... Bem, ela não acreditava que algum dia pudesse se recuperar de uma coisa dessas. Independentemente de quanto a mãe dela — e todos as outras pessoas — dissessem que ela era forte. Felizmente, o terraço do prédio dele estaria cheio de outros moradores assistindo à queima de fogos; pois, apesar de saber que era melhor não ir, Demi simplesmente não estava confiante de que conseguiria ser forte quando estivesse sozinha com Joe. Eles assistiriam às luzes brilhantes no céu, se beijariam uma vez no meio da multidão e então ela voltaria para casa. Para sua cama. Sozinha, isso mesmo.

Continua... Oi! Então ai está mais um capítulo.. Amanhã acabo com a maratona e se der posto LSS, tipo, estou sem ideias.. </3 beijos, respondo os comentários no outro post.