30.9.16

Capítulo 24

A cor azul na maioria das vezes era escolhida para garotos, mas Demi gostava daquela cor, era tão suave e de alguma forma lhe trazia paz. Era o único ponto positivo do antigo quarto de adolescente cheio de pôster de bandas e prateleiras com bonecas. Aquele cômodo pequenino era tão sombrio e cheio de lembranças terríveis. Ela ainda podia se lembrar como se fosse ontem de quando usou as economias para comprar uma lata de tinta e pintou as paredes cor de rosa do quarto de azul claro. Céus! Dianna e Amélia quase enlouqueceram, as duas ficaram pelo menos um mês sem dirigir a palavra a ela.  Ah como tinha sido difícil ser uma adolescente naquela casa! Tudo que Demi queria era ter uma vida normal, comer besteiras, ir à faculdade e namorar muito, mas as suas ideias sempre se chocavam com as da mãe e as da avó que queria que ela agisse como uma princesa.

 À noite parecia ter demorado um século para chegar depois daquele dia desastroso de trabalho. Primeiro tinha sido Selena, depois Joseph e o incrível pé na bunda que ele havia lhe dado, e bem, Jake a perturbou tanto que Demi estava farta! Jake estava cheio de desculpas e depois que ela tinha dito que Jason não tinha contado exatamente nada sobre as contas da empresa ele simplesmente ficou estranho, aéreo e calado.

 Sentada à cama de solteiro Demi tentava a todo custo organizar os seus pensamentos para finalizar os seus projetos pessoais de designer de interiores no notebook, mas aquele ambiente a incomodava tanto, o quarto era desconcertante. Se levantando, Demi calçou as sandálias e sem jeito tirou o notebook da tomada. Talvez conversar com Dianna ajudaria um pouco.

   - Mãe? – Demi sorriu um tanto sem jeito quando Dianna se levantou assustada do sofá. – Eu não quis assustá-la. – Ela disse mordendo o lábio inferior, mas acabou rindo da careta de Dianna. – Não consigo me concentrar no meu quarto. – Demi se acomodou no sofá da sala com o notebook no colo, ligou a televisão e colocou os fones de ouvido para escutar música num volume bem baixinho. Aquela mania de música e TV era terrível.

   - Você é tão desorganizada. – Reclamou Dianna e Demi revirou os olhos, mas logo sorriu para a mãe. Ela só não gostava de ficar em silêncio.

   - Como você consegue ficar sozinha? É tão ruim. – Comentou voltando a trabalhar no notebook. Por mais estranho que fosse, os projetos decolavam quando Selena estava a perturbando na sala com histórias sem sentido, já quando ela estava sozinha até as paredes pareciam mais interessantes que o conteúdo do notebook.

   - Estou acostumada. – Murmurou Dianna mais concentrada em digitar rapidamente no celular a conversar com a filha.

   - O que acha de uma pizza? – Perguntou tentando preencher aquele silêncio chato, mas pelo olhar que ela recebeu de Dianna pizza estava literalmente fora de cogitação. Como alguém não poderia gostar de pizza? Demi franziu o cenho fitando brevemente o noticiário que passava na televisão. Dianna não gostava de pizza, hambúrgueres e nem nada que envolvesse massa. Ela também não gostava de conversar e odiava desenhos animados. 

Observou a mãe por alguns segundos e pensou em como elas eram diferentes. Dianna vestia um hobby de seda de cor preta, tinha os cabelos loiros presos num coque casual e usava brincos que Demi suspeitava ser de brilhantes já que eles eram chamativos demais. Já ela vestia shorts de dormir e camisa baby look branca com o desenho do Pernalonga. Mesmo assim Demi conseguia ser mais sexy que Dianna, as bochechas coradas, os lábios avermelhados e os olhos castanhos eram de enlouquecer qualquer homem. Ela não precisava de nada para ser uma mulher que fazia muitos homens se sentirem sufocados pelo jeans repentinamente apertado. Era natural e bonita. Deveria ser a cópia do pai, pensou Demi já que ela não tinha nenhum traço de Dianna e muito menos da falecida avó. Talvez fosse aquele o motivo para tanta rejeição materna. – Tem certeza que não vai querer? – Demi arriscou a perguntar mesmo cheia de receio.

   - Você sabe que eu não como essas porcarias. – O tom que Dianna usou não foi rude, mas foi o suficiente para Demi entender que ela não queria conversar e muito menos uma bela fatia de pizza. Bem, quem estava perdendo era ela.

O número da pizzaria ainda era o mesmo e a pizza com certeza era a melhor da cidade. Demi discou o número e pediu a mesma pizza que pedia quando era adolescente. Com muito queijo, calabresa e tudo que ela tinha direito. Foi inevitável não pensar em André e no sorriso dele. O ex-namorado que tinha a deixado completamente louca quando ainda era uma menina inocente e apaixonada. Era simplesmente maravilhoso pedir pizza e ainda por cima passar boa parte da tarde namorando no sofá de Dianna e na dispensa debaixo da escada do prédio.

   - Você está assistindo? – Com muito custo Demi desviou o olhar da tela do notebook para olhar para a mãe e logo para a televisão.

“- No mês passado, no interior do estado da Pensilvânia duas mulheres fugiram do hospital psiquiátrico central, uma delas foi presa na divisa do estado e a outra continua foragid..”

Demi franziu o cenho quando a televisão foi desligada bruscamente por Dianna. Céus! Ela não estava mesmo de bom humor.

   - Está tudo bem? – Arriscou a perguntar abaixando a tela do notebook já que ela não conseguiria se concentrar para trabalhar.

   - Estou com um pouco de dor de cabeça. – Dianna umedeceu os lábios com a língua, massageou as têmporas e colocou uma mecha do cabelo loiro que saia do coque atrás da orelha. Como ela iria controlar Jake? Precisava de dinheiro e ele era a única saída. Com o dinheiro que ganharia quando tudo desse certo poderia viver a vida luxuosa que sempre viveu sem precisar do pouco que Demi poderia lhe dar. Mas Jake estava uma fera e ela não podia fazer nada. – Por que você não vai deitar? – O olhar de Demi ainda era o mesmo de quando ela ainda era uma garotinha inocente. Os olhos castanhos femininos e cheios de receio. Era uma mulher bonita e Dianna sabia que Demi poderia conseguir o mundo sem fazer muito esforço, qualquer homem ficaria louco por ela em questão de segundos. Era só uma pena que Demi não se aproveitava daquela dádiva.

   - Acho que eu vou esperar a minha pizza. – Murmurou Demi forçando um sorriso e Dianna respirou fundo se sentando ao lado da filha. Ser mãe não era nem de longe uma característica de Dianna, até porque ela nunca teve uma. Mas estava se esforçando para conseguir se aproximar de Demi como Jake tinha sugerido, e ao mesmo tempo se sentia estranha por sentir aquela agitação estranha no coração toda vez que ela olhava para aquela mulher que a sua menininha tinha se tornado.

   - Está tudo bem? – Perguntou depois de muito tomar coragem e Demi a analisou bem. Dianna parecia preocupada e pensativa. Parecia com alguém que se importava. O que era estranho, mas Demi interpretou aquela pergunta como algo bom. Já era uma tremenda evolução Dianna deixá-la ficar no apartamento por alguns dias, ela tinha a acolhido e Demi sentia que elas, aos pouquinhos, estavam melhorando a relação de mãe e filha.

   - Meu dia foi cheio. – Disse relaxando o corpo no sofá e então forçou um sorriso que se mostrou cansado e triste. – Literalmente cheio. – Demi respirou fundo e se virou para fitar os olhos da mãe.

   - Problemas no trabalho? – Perguntou, mas ela já sabia de tudo que tinha acontecido com Demi naquela tarde na Gyllenhaal.

   - Eu deveria ter acreditado na Selena quando tive a chance, ela mal consegue olhar na minha cara. Me sinto péssima, e o pior é que eu não estou apaixonada pelo Jake. Eu pensei que eu gostava dele, mas... Eu não me sinto viva quando nós estamos juntos, acho que é apenas atração física ou era... – Era mil vezes melhor confessar em voz alta. Ela não estava apaixonada por ele, não mesmo. Dianna estudou bem o próximo passo que tomaria, levou a mão à da filha para enlaçar os dedos aos dela.

   - Independente de você estar ou não apaixonada por ele, você viu a Selena o agarrando. – Demi mordeu o lábio inferior e assentiu a contra gosto. Parecia estar funcionando. – Eu sei que é difícil, mas nós temos que aceitar que as pessoas não são quem elas mostram ser. Acredite em mim, o que uma mulher não faria para ter um homem poderoso como o Jake? – Aquela última frase era realmente voltada para ela. Dianna esboçou um sorriso sedutor logo mordendo o lábio inferior. Ela faria tudo para ter pelo menos um pouquinho do poder bilionário de Jake. – O dinheiro é uma arma muito poderosa Demi, você deveria aprender a valorizá-lo. Não é toda mulher que tem a mesma oportunidade que você teve. – Dianna tornou a sorrir e olhou para a filha. – Você acha mesma que o Jake escolheria uma mulher como a Selena para colocar no seu lugar? Você é simplesmente linda, delicada e elegante. Não existe uma mulher mais adequada para estar ao lado dele, não seja idiota de desacreditá-lo. Você não pode jogar essa oportunidade no lixo. – Será que Dianna sabia o valor de uma amizade? Demi tinha certeza que não. Ela não trocaria Selena por Jake.

   - Eu não confio nele. – Se lembrar das fitas escondidas atrás dos livros era de causar arrepios. Demi sentia que tudo que Dianna havia dito estava relacionado ao dinheiro e por mais que doesse, ela conhecia a mãe que tinha. Uma mulher que tinha tentado vender a própria filha para viver uma vida luxuosa. Não valia a pena discutir com Dianna, não quando ela já estava cansada o suficiente para ficar calada quando ouvia um absurdo.

   - E você confia em uma mulher que diz ser a sua amiga, mas que tenta roubar o seu homem quando você vira as costas? – Demi sustentou o olhar de Dianna por alguns segundos. A tensão que se formou entre elas era quase palpável. A situação era tão estranha, pois a mulher que Demi não deveria confiar estava sentada ao seu lado lhe fazendo aquela pergunta.

   - Eu confio na Selena. – Disse depois de minutos em silêncio. – Confio de olhos fechados, ela jamais faria isso. – Demi continuou a sustentar o olhar da mãe de alguma forma a confrontando e enfurecendo. Era isso! Ela confiava em Selena e não estava apaixonada por Jake. Eram duas coisa que Demi tinha orgulho de admitir. – Ela sempre cuidou de mim, sempre me apoiou e estava comigo quando eu mais precisava. – Ela não queria que aquelas palavras soassem acusativas, mas elas tinham soado e Demi esperava que Dianna rebatesse. A reação dela não foi a das melhores. Primeiro os lábios formaram uma linha, os olhos se fecharam e então logo fitaram os olhos dela. – Eu não confio nele, não posso.

   - Isso não tem nada a ver com aquele rapaz? Tem? – Aquele rapaz.. Joseph! Não totalmente... Ela queria dormir e acordar com Joseph a abraçando, queria rir das bochechas coradas dele e da forma atrapalhada que ele derrubava as coisas quando estava terrivelmente envergonhado. Queria mostrar o mundo para ele, mostrar como uma mulher poderia enlouquecer um homem entre quatro paredes. Mas não se tratava apenas de Joseph, se tratava de mostrar a Jake que ela não era idiota, de mostrar a Selena que a amizade que elas tinham valia mais do que qualquer homem do mundo.

   - Não.. – Mentiu e nem sabia o motivo, ela só tinha seguido o conselho de uma voz interior. – Eu só não posso confiar em um homem que não gosta dos meus amigos e que implanta uma câmera no meu escritório sem me consultar. – Demi observou a reação de Dianna e assentiu quando ela franziu o cenho. – Estou sendo vigiada. Tudo que ele me disse foi que a polícia implantou a câmera, e que ele não me contou porque estava com medo. – Demi sorriu balançando a cabeça em negação. A história era estranha e ela se chutaria se não suspeitasse daquela maldita câmera. Aliás, tudo que girava em torno de Jake parecia extremamente estranho depois daquelas fitas e CDs escondidos atrás dos livros. – Eles pensam que eu sei alguma coisa sobre o dinheiro do Jason, mas eu juro, eu não sei de nada! – E mesmo se soubesse não lhe interessava, ela diria a polícia tudo que sabia a respeito de Jason, mas de nada sabia. Apenas que ele era um bom homem e um amigo maravilhoso. Dianna assentiu alguns segundos depois, era uma droga Demi não saber de nada, mas no fundo ela estava feliz.. Jake era perigoso. – Eu não vou perder a amizade da Sel para toda essa bagunça e eu não vou deixar ninguém me enganar. – Dianna desenlaçou os dedos dos de Demi para arrumar os cabelos aproveitando para respirar fundo. Ela poderia reverter àquela situação.

   - Você a viu, você nã.. – Antes que Dianna terminasse a frase na tentativa de convencer Demi, a batida à porta soou baixa e Demi se apressou para buscar o dinheiro e pagar a pizza, que por sinal estava quentinha e o cheiro era estonteante.

   - Você tem certeza que não quer? – Perguntou envergonhada por o estomago estar fazendo barulhos semelhantes a trovoadas. A passos largos Demi foi a cozinha para lavar as mãos e buscar por guardanapos, comer pizza ou qualquer bomba calórica não estava na sua dieta, mas ela simplesmente não conseguia resistir a uma bela fatia de pizza. – Está uma delícia. – Murmurou deixando um pequeno gemido escapar enquanto se sentava no sofá sem pose alguma, era apenas o jeito mais confortável que tinha encontrado enquanto Dianna tinha toda uma postura para se sentar.

   - Você tem sorte de comer essa porcaria e ainda.. – Dianna a olhou de cima a baixo examinando cada detalhe do corpo da filha. – Ficar em forma. – As bochechas de Demi assumiram um leve rosado e aos poucos ela se ajeitou no sofá com mais postura. Tinha que se lembrar de que Dianna não era como Selena, não mesmo, as duas eram completamente diferentes. – Você confia mesmo na sua amiga? – Demi estava tão concentrada em saborear a pizza que tinha se esquecido daquele assunto, tinha se esquecido até mesmo de Dianna que estava a medindo e a analisando.

   - É claro que eu confio. – Murmurou sem jeito cruzando as pernas. Só Deus sabia como ela estava constrangida com aquela mulher a olhando. Já tinha terminado o primeiro pedaço de pizza e a vontade era de comer pelo menos três seguidos sem pausa alguma, mas Demi tinha certeza que Dianna iria fazer um escândalo e quem sabe até mesmo expulsá-la do prédio por comer pizza sentada de qualquer jeito no sofá caro. – Você e a Selena são as únicas pessoas que eu confio com a minha vida. – O olhar estava fixo ao olhar da mulher mais velha. Elas se fitaram por bons segundos com pensamentos completamente diferentes. Demi pensando em como queria consertar as coisas com Selena, beijar Joseph e comer pelo menos metade daquela pizza sozinha. Já Dianna pensava em como ela poderia ser cruel a ponto de enganar a própria filha. Será que valia mesmo a pena trocar a confiança e uma vida feliz ao lado de Demi por alguns dólares?

   - Eu.. eu vou tomar um analgésico e me deitar, tudo bem se você ficar sozinha? – Dianna perguntou umedecendo os lábios e Demi assentiu com um breve “humrum”.

   - Acho que vou dá uma volta, está cedo demais para dormir. – Depois de tudo que tinha conversado com Dianna e do dia turbulento pensar um pouco enquanto caminhava ajudaria a relaxar.

   - Tem certeza? Está um pouco tarde. – Ainda era sete da noite e Demi tinha certeza que não teria problema caminhar um pouco. Alguns dias atrás ela caminhava com Joseph dando várias voltas no mesmo quarteirão. Eles sequer percebiam que estavam andando em “círculos”, até porque a conversa e companhia eram agradáveis demais.

Infelizmente Demi não conseguiu comer a metade da pizza como tinha planejado, não porque lhe faltava vontade, jamais.. A presença de Dianna era intimidante e conforme ela pensava a respeito da bagunça que estava acontecendo com Selena, Joseph e Jake, bem, a fome foi embora e tudo que Demi conseguiu foi comer mais um pedaço da pizza e guardar o resto para mais tarde. Tudo bem, tinha sido um pouco de exagero pedir uma tamanho grande! Como era noite e Demi não queria chamar a atenção de nenhum aproveitador ou Deus sabe lá o que, prender o cabelo num rabo de cavalo, calçar tênis all stars mais as calças jeans e uma blusa de moletom com capuz tinha sido a melhor saída. Estava discreta e confortável.

   - Vou indo, não demoro. – Disse a Dianna sem querer incomodá-la já que a mãe estava entretida com o celular deitada na cama do quarto. – A dor de cabeça melhorou? – Perguntou um pouco sem jeito observando Dianna que se sentou a cama e assentiu esboçando um breve sorriso. – Qualquer coisa pode ligar, tudo bem? – Mais um aceno de cabeça e Demi assentiu se preparando para virar as costas.

   - Tenha cuidado. – Soou baixo e preocupado como uma mãe que se importava, não era como a velha Dianna que mal a olhava. Demi esboçou um sorriso lindo, os olhos brilharam em alegria e ela assentiu caminhando para dentro do quarto da mãe para dar um breve beijo na bochecha de Dianna antes de partir feliz.  

A noite estava bela como sempre. O céu azul escuro estava fantástico limpo e era o palco principal de vários pontinhos brilhantes que eram as estrelas. Adentrando os bolsos da blusa de moletom, Demi esboçou um breve sorriso quando fitou o céu. A vista do Top of the Rock deveria estar magnífica, Demi sentia falta de subir para a cobertura do prédio para ver as estrelas junto com Selena. A conversa entre elas fluía naturalmente e Deus! Elas conversavam sobre tantas coisas, coisas que geralmente simples amigas não discutiam. No final da noite as duas estavam felizes e se sentiam de coração aberto. 

Ah! Mais seria fantástico admirar a vista da cidade com certo sujeito de lindos e hipnotizantes olhos verdes que estava a enlouquecendo aos poucos. Foi só pensar em Joseph que o calor a incendiou e se concentrou em determinado ponto... Umedecendo os lábios e logo os mordendo Demi observou o movimento da rua. Ela não estava muito longe do apartamento de Dianna, o meio urbano naquela região de Manhattan só não era mais movimentado que a Time Square e as ruas principais como a Broadaway ou a Fifth Avenue. As pessoas estavam animadas e algumas que passavam por ela falavam outros idiomas. Era um misto de gente, mas todos pareciam felizes com Nova York e sua beleza exuberante com enormes arranha-céus e o famoso Central Park. Mesmo sendo noite alguns estabelecimentos estavam abertos como cafeterias e pubs. Sem contar os empresários com os seus “estabelecimentos” moveis. Carrinho de cachorro quente, carrinho de pipoca e outros. Quem chamou mesmo a atenção de Demi foi o sorveteiro. Automaticamente ela sorriu se lembrando de Joseph. Foi tão fofo e apaixonante quando ele comprou sorvete para ela.

Joseph. O jeito tímido e atrapalhado dele era simplesmente fofo. Ele era tão lindo e inteligente, um verdadeiro nerd misturado a um Deus grego moreno de olhos verdes viciado em HQ. Ah! Ele a encantava, o sorriso e a forma que ele a beijava era fantástica. Demi nunca tinha conhecido um homem como ele, inocente como um menino e inteligente como um homem. Foi pensando no sorriso de Joseph e no brilho dos olhos dele que ela quase foi atropelada enquanto tentava atravessar a rua sem sucesso em direção ao carrinho de sorvete. Havia alguns trocados nos bolsos traseiros da calça que com certeza pagariam um belo sorvete de chocolate. Iria arriscar tomar sorvete à noite só porque ela se lembraria de como Joseph ficava beijável quando gaguejava ou quando ficava vermelho de vergonha.

 Demi se preparou para atravessar a rua novamente dessa vez prestando a atenção no trânsito, estava louca para pedir por uma casquinha de chocolate, mas a vontade foi embora quando os dois casais se aproximaram do sorveteiro. Selena e Ed, Joseph e Mary. Ela não ousaria em atravessar aquela rua, não mesmo. Preferiu observar de onde estava Selena conversar com o sorveteiro com Ed lhe abraçando carinhosamente por trás, vez ou outra eles trocavam um selinho esperando pelo sorvete. 

A cena que realmente lhe chamou a atenção e a quebrou em milhares de pedacinhos foi quando Mary enlaçou os dedos aos de Joseph e o olhou nos olhos. Uma coisa elas tinham em comum: sempre tinham que olhar para cima para fitar os olhos de Joe. Mary os fitava e Demi sentiu que cada segundo que se passava a torturava de uma forma inexplicável.

Cada segundo daquele clima de Joseph e Mary foi avassalador. E para terminar com chave de ouro Mary ficou na ponta dos pés e Joe envolveu a cintura delicada dela com os braços. Oh! Ela iria vomitar! Demi fez careta quando o beijo aconteceu, se é que aquilo poderia ser chamado de beijo! Agr! Será que Joseph tinha gostado daquilo? Céus! Quando ela o beijou no Central Park pela primeira vez foi com tanta fome e desejo, não era à toa que aquele beijo estava no topo de sua lista. Ora, ora, ora! Aquilo tinha sido.. agr!

Demi respirou fundo sem conseguir parar de se torturar os vendo juntos. Mary estava abraçada a Joseph e Demi não pode deixar de esquecer como ele era quente e a fazia se sentir segura e especial. Por um momento Demi deixou de fitar Joseph e Mary para fitar Sel e Ed, eles conversavam um com o outro alheios ao absurdo que acontecia a poucos centímetros.. Quando voltou a atenção para Joe, ela o viu beijar a testa de Mary e segurando a mão dela Joe se aproximou do sorveteiro. Será que ele também compraria sorvete de chocolate para Mary? Demi os observou completamente aflita, ela deveria ir para casa... Seria melhor. Melhor que se torturar. Era ironia do destino ou o que? Quando o sorvete ficou pronto, pouquíssimos segundos antes dela resolver que já tinha sido tortura demais, Joseph pegou a casquinha de chocolate e o olhar dele foi exatamente de encontro ao dela. Droga! Demi não conseguiu sustentar o olhar dele, não mesmo, mordiscou os lábios e piscou algumas vezes para não começar a chorar. Ir para casa era definitivamente uma boa ideia.


Continua.. Oi!! Tudo bem? Quem tá afim de torturar a Demi? HAHAHA Será que eles vão ficar juntos? Eiii, eu espero que tenham gostado desse capítulo, estou um pouco desanimada e cansada, acho que é por isso que os capítulos estão fracos e pequenos, mas eu estou tentando fazer alguma coisa boa com essa fanfic :/ 
Obrigada pelos comentários meninas, obrigada mesmo! 

20.9.16

Capítulo 23

Fitar os olhos azuis de Jake tinha sido difícil, mas aos poucos, conforme ele a tocava e beijava com carinho, Demi abaixava a guarda se permitindo relaxar e não pensar em besteiras. Deveria ter alguma explicação para aquela câmera em seu escritório. Respirou fundo, aos poucos ela empurrou Jake o distraindo com beijinhos pelo pescoço até que ele estava sentado no sofá de olhos fechados e com um pequeno sorriso nos lábios.

   - Tudo bem? – Demi assentiu forçando um sorriso para Jake. Era só receio e desconforto por estar aos beijos em horário de trabalho, sem contar que ela não entendia o porquê de estar sendo vigiada.

   - Eu.. – Demi se ergueu arrumando a roupa no corpo e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha. – Não me sinto confortável.. Estamos trabalhando, tudo bem? – Jake fez bico, mas acabou assentindo e roubando um breve beijo dos lábios dela.

   - Tecnicamente estamos no horário de almoço. – Disse Jake a puxando para perto e Demi aproveitou para deitar a cabeça no ombro do rapaz o abraçando de lado.

   - O horário de almoço acabou tem.. – Demi olhou a hora no relógio de Jake e arqueou as sobrancelhas ao olhá-lo nos olhos. – Cinco minu..tos. – Ela sorriu entre o beijo apenas porque gostava de como os olhos de Jake eram azuis.

   - Tudo bem. – Eles tinham ficado em silêncio depois que Jake a beijou na testa e Demi resolveu fechar os olhos quando ela se lembrou da conversa com Selena mais cedo. Jake não parecia ser um cara mal, Demi franziu o cenho e abraçou mais o corpo do rapaz escondendo o rosto no pescoço dele. O cheiro do perfume era diferente do de costume, mas ela tinha uma vaga lembrança de conhecê-lo de algum lugar... – Como estão as coisas com o projeto? – Perguntou deslizando as pontas dos dedos pelas mechas de cabelo de Demi.

   - Preciso acertar alguns detalhes, nada demais, o pessoal já desenvolveu boa parte dos hardwares. – Demi enlaçou a gravata preta que Jake usava em seus dedos brincando também com os botões da camisa branca. – Sobrou só a web para mim. – Os olhos de Demi encontraram a estante e automaticamente ela fitou o livro de Beethoven. Porque diabos aquelas fitavas e Cds estavam lá?

   - Nós temos uma conferência dentro de algumas semanas. – Comentou. – O vovô costumava dividir o palco com você. – Jake a olhou com curiosidade e Demi apenas sustentou o olhar dele. – Quer dividir o palco comigo? Eu sou novato nessa área e você já é uma veterana, o pessoal te adora. – Demi umedeceu os lábios e assentiu. As conferências eram simplesmente fantásticas e tão divertidas. Jason a colocava em cada saia curta ao vivo, mas ela era esperta demais e sempre revidava da melhor forma que conseguia. Não era à toa que os dois faziam as melhores conferências dos produtos da Gyllenhaal.

   - Será divertido. – Ela disse sorrindo para as lembranças de Jason e uma plateia de homens e mulheres loucos por tecnologia. – E não pense que eu vou pegar leve com você. – Demi riu da careta de Jake se levantando. – Agora eu vou voltar para minha sala, tenho milhares de coisas para fazer. – Ela lançou um breve olhar para o notebook sobre a mesa de Jake e logo o olhou forçando um sorriso. – Muitas coisas para fazer. – Disse sem jeito enrolando uma mecha de cabelo no dedo. – A gente se vê depois. – Beijá-lo era estranho, mas Demi o fez quando se curvou para pegar o celular.

   - Está tudo bem? Você está estranha. – Jake se levantou também e Demi teve que controlar as batidas descontroladas do coração.

   - Está, a gente se vê depois. – Ela foi rápida demais, beijou a bochecha de Jake e saiu às pressas daquela sala podendo finalmente respirar segura de que nada de ruim iria acontecer.

 Ainda no escritório Jake franziu o cenho estranhando toda aquela situação com Demi, ela costumava ser tão espontânea e risonha. Sem contar que ela tinha fugido dele como o diabo foge da cruz. Intrigado, Jake caminhou até a mesa e verificou o celular que tinha esquecido ali. Milhares de chamadas perdidas de Dianna. Ele se repreendeu para não falar um palavrão, sorte era que o contato de Dianna estava gravado com outro nome. Será que Demi tinha visto? A chamada era de poucos minutos atrás, hora em que Demi estava naquela sala o esperando.

   - O que diabos você quer? – Disse completamente irritado assim que Dianna atendeu ao celular. – Eu já disse que não quero que você me ligue. – Esbravejou se sentando a cadeira presidencial que pertencia a Jason.

   - Não seja grosso querido, você esqueceu a carteira. – Jake embrenhou os dedos nos cabelos e os puxou sem muita paciência. Não tinha sido uma boa ideia se encontrar com Dianna, não quando ela lhe tirava toda a paciência e as notas da carteira.

   - Eu não estou com paciência para o seus joguinhos. – Resmungou irritado com a ideia de ter que encontrá-la novamente. – E é melhor você dá uma prensa no seu filhotinho, não é hora de bancar a super mãe. Eu preciso daquela senha Dianna, se você quiser mais um tostão é melhor começar a agir.

   - Não jogue essa responsabilidade para mim, você pode muito bem conseguir o que quiser da Demi, Deus, você é tão burro! Ela não está falando com a melhor amiga e a culpa é sua. Ela preferiu acreditar em você a acreditar na pobretona.

   - Até que você é esperta para uma vadia. – Jake esboçou um sorriso charmoso pensando no próximo passo que daria. – E não seja invejosa Dianna, a Srta. Gomez é uma delícia. – Deitando a cabeça para trás Jake sorriu com a lembrança da noite do aniversário de Selena, mas o sorriso sumiu ao se lembrar de Joseph e tudo que ele tinha feito para estragar os seus planos. Ele tinha se dedicado tanto para conseguir drogar Selena no curto tempo que conseguiu quando Demi virou as costas com a desculpa que precisava de um pouco de ar. Ed estava envolvido demais conversando no celular e Selena estava sozinha já zonza dançando, mas Joseph apareceu com Demi a sua cola. – Que tal se você trabalhar na cabeça da sua menininha? Ela é tão inocente que nem vai perceber que você está a colocando contra a Selena, pelo menos até eu conseguir o que eu quero.

   - Você só tem que me prometer que não vai machucar a Demi. – Dianna sabia muito bem o tipo de homem que Jake era. Fazia de tudo para conseguir o que queria sem se importar com o que deveria ser feito.

   - Dianna, Dianna. – E novamente aquele sorriso charmoso estava nos lábios de Jake. – Eu não vou machucá-la, jamais. Ela é uma gracinha e tão linda que eu poderia guardá-la num potinho Dianna. – Jake sorriu acariciando o próprio queixo. – Eu não sou um monstro, eu só quero o que é meu por direito, e eu não tenho dúvidas que a Demi sabe onde está a senha do cofre do vovô, ela era a única que ele confiava dentro dessa empresa.

   - Então faça o que deve ser feito Jake, e eu quero a parte que combinamos. – Dianna poderia estar começando a gostar de Demi mais do que deveria, mas ela ainda era uma mulher que fazia tudo por dinheiro, absolutamente tudo.

A ligação foi encerrada e Jake pensou muito a respeito do Dianna havia dito. Ela tinha razão, Demi confiava e acreditava nele, caso contrário ela não estaria brigada com Selena. Talvez ele deveria tentar conseguir alguma informação... Os pensamentos foram interrompidos quando o celular vibrou. Jake engoliu em seco e atendeu a ligação sendo o mais cauteloso possível, sempre respondia a pessoa do outro lado da linha com os olhos fixos a porta... Até que o notebook lhe chamou a atenção e então ele soube o motivo para Demi estar estranha. Ela tinha visto.

   - Eu também querida. – Ele disse baixinho e encerrou a ligação se levantando.


***

Qual era mesmo o problema daquelas pessoas? Umedecendo os lábios, Demi transitou de uma mesa para outra conferindo o trabalho dos seus funcionários. Aquele departamento estava uma bagunça e com a conferência do novo produto da Gyllenhaal tudo teria que estar em ordem.

   - Eu preciso desses dados ainda hoje. – Ela disse fazendo notas na agenda eletrônica enquanto caminhava de uma mesa para outra. Ouviam-se apenas múrmuros por onde ela passava. Ora, o que ela deveria fazer? Às vezes estava tão sobrecarregada com outras coisas que alguns assuntos ficavam de lado, e como Selena estava afastada, não havia sobrado ninguém para ajudá-la. – Algum problema? – De tanto transitar de um lado para o outro Demi acabou por esbarrar em Joseph, e pela cara do rapaz, ele não parecia muito bem.

   - Eu.. Eu estou bem. – Há quanto tempo ela não o via gaguejar daquela forma fofinha? Era só uma pena que Joe não a olhava nos olhos e quando ele já iria virar as costas Demi o chamou.

   - Joseph! Você está bem? – Ela perguntou preocupada e tentando manter a calma. O homem ficava simplesmente lindo vestido com aquela camisa verde xadrez folha, calça e sapatos escuros!

   - Estou. – Ele murmurou a olhando rapidamente nos olhos. – Você precisa de alguma coisa? – Aquele tom profissional a irritou profundamente, Demi cerrou os olhos e segurou-se para não gritar com ele. Porque diabos Joseph não a olhava nos olhos? Porque ele não sorria para ela? Machucava tanto saber que ele estava chateado e a culpa era toda dela.

   - Você mandou um estagiário Joseph. – Disse Demi cruzando os braços observando Joseph adentrar os bolsos da calça com as mãos ainda sem olhá-la. – Pensei que nós fossemos amigos! – Ele ainda não a olhava, preferia ficar cabisbaixo sem dizer uma palavra sequer. – O gato comeu a sua língua? – Ele estava começando irritá-la profundamente com aquele silêncio. Ao mesmo tempo em que Demi queria arrastá-lo para uma sala privada para beijá-lo como se não houvesse um amanhã, ela também queria esbofeteá-lo.

   - Eu tenho trabalho para fazer. – Ah! Aquilo não ficaria assim, quando Joseph começou a caminhar em direção a mesa onde trabalhava, Demi não saiu da cola do rapaz.

   - Que fique claro que eu só vou entregar aqueles documentos para você! – Ela disse um pouco alto demais chamando a atenção de boa parte das pessoas que estavam trabalhando naquela tarde. Selena era uma delas.

   - Tudo bem, eu vou buscá-los. – Quando ele a olhou nos olhos as bochechas de Demi coraram e por alguns segundos ela não conseguiu desviar o olhar do de Joseph por nada, tudo que importava eram aqueles olhos lindos. Caso percebesse que todos estavam os olhando Demi certamente coraria mais do que o normal. E Joseph, bem, ele estava tão envergonhado que acabou se atrapalhando deixando alguns papeis que estavam sobre a mesa caírem. – Eu.. eu.. eu arrumo depois. – Ele murmurou baixinho completamente sem jeito e acompanhou Demi que caminhava em direção ao escritório sem coragem de olhar para os colegas.

   - Você não vai mesmo conversar comigo? – Demi procurou a pasta com os documentos e verificou se tudo estava em ordem.

   - A Lucy sente a sua falta. – Foi tudo que ele disse baixinho mal a olhando.

   - Joseph. – Demi se aproximou deixando os documentos sobre o sofá e o olhou. – Eu sinto a falta de vocês. Não precisa ser assim. – Ele apenas levou a mão à testa e assentiu parado sem olhá-la.

   - Está tudo pronto? – Disse se referindo aos papéis e Demi arqueou as sobrancelhas logo cerrando os olhos.

   - Não vou te entregar nada até que você volte a conversar normalmente comigo. – Ela seria insistente. Não cederia e perderia mais um amigo.

   - O que você quer Demi? – Perguntou cansado daquele jogo. Aquilo nunca acabaria se um deles não cedesse.

   - O meu amigo de volta! – Demi se aproximou mais um pouco e as bochechas de Joe coraram. Ela não fazia de propósito, não mesmo, era só que o corpo queria ficar colado ao dele como um imã. – Quero conversar com você sobre as histórias em quadrinhos, quero assistir desenho animado com você, disputar para ver quem vai levar a Lucy para passear. Dar voltas no quarteirão. – Por alguns segundos ele sorriu, direcionou o olhar ao dela, mas logo ele se lembrou de tudo que tinha acontecido, de como Demi tinha partido o seu coração naquela noite. E de como ele estava decepcionado com ela. – Eu sinto a sua falta Joe, de verdade. – Ela parecia tão sincera, e Joe acreditava nela. Ele a olhou nos olhos se sentindo péssimo por não poder protegê-la em seus braços, por ela não ser apenas dele. O olhar de Demi era tão intenso, ela não dizia nada, só se aproximava perigosamente do corpo dele e por mais que a razão ordenasse que ele corresse dos braços de Demi, Joe deixou que ela ficasse na ponta dos pés para beijá-lo na boca.

O beijo aconteceu com tanta naturalidade, com tanta paixão e precisão. Demi encurralou Joseph contra a porta fechada do escritório pressionando o corpo ao dele necessitando de sentir o calor do copo masculino aquecê-la e envolvê-la com aqueles músculos fortes. E ele não se deixou dominar por ela, estava encurralado, mas não significava que deveria ficar parado e deixá-la fazer tudo. O instinto o guiou e Joe abraçou firmemente o corpo de Demi contra o dele participando do beijo tocando a língua dela com a dele.

   - Se você me quer como amigo, a gente não pode mais faz..ze..zer isso! – Joe estava tão ofegante e atrapalhado com as palavras, tudo por conta da dose de consciência que resolveu atrapalhar o seu momento mágico. – Apenas amigos. – Mil vezes droga! Por que diabos o corpo dele estava tão quente e parecia que esquentava mais? Fitar Demi de olhos fechados o deixava tonto de calor. – Amigos.. – O sussurro escapou dos lábios dele e Joe não pode deixar de beijar a bochecha de Demi, que não perdeu tempo e alcançou os lábios dele com os dela. – Você não pode fazer isso comigo Demi. – Ele disse de cenho franzido assim que eles finalizaram o beijo ofegando. – Você está machucando o meu coração.

   - Joe.. – Demi o olhou se sentindo péssima por vê-lo desanimado. Eles estavam bem e de uma hora para outra as coisas haviam mudado.

   - Acho que não é uma boa ideia essa história de sermos amigos. – Ele disse e Demi não gostou nada do que havia acabado de ouvir. – É melhor a gente esquecer tudo que aconteceu, cada um vai para um lado. Você com o seu na..namorado e quem sabe as coisas não funcionam comigo e a Mary? – Droga! Demi cobriu a boca com a mão logo a levando para a testa.

   - Desculpa, é só que.. – Demi o olhou e não soube o que dizer, mas se afastou de Joe porque se ela continuasse tão próxima dele acabaria fazendo uma besteira.

   - Você não pode fazer isso comigo Demi. – Ele tornou a dizer baixinho e de cenho franzido. – Eu tenho trabalho para fazer, você pode me entregar os documentos? – Relutante Demi assentiu sabendo que não tinha como obrigá-lo a nada, era até confuso para ela, pois Joe tinha razão, ela não poderia machucá-lo.

   - Amigos? – Perguntou assim que buscou os documentos.

   - Boa tarde Demi. – Ele pegou os documentos das mãos dela a olhando nos olhos, desviou o olhar e virou as costas para abrir a porta.

   - Joe? – Ela o chamou e antes de abrir a porta Joe a olhou. Pelo olhar dele, Demi soube que Joe estava tão infeliz quanto ela, ele não disse nada, abriu a porta do escritório e o coração de Demi quase saiu pela boca quando eles se depararam com Jake que se preparava para bater à porta.

   - Posso falar com você? – Ele não parecia chateado. Droga! Demi arregalou os olhos ao se lembrar da câmera que estava dentro daquele escritório. Será que Jake tinha a visto aos beijos com Joseph? Diabos!

   - Claro! – Demi forçou um sorriso para Jake, mas Joseph lhe chamou a atenção quando riu baixinho e balançou a cabeça em descrença.

   - Algum problema? – Ela não iria perguntar, iria deixar Joe voltar a trabalhar em paz, mas Jake tinha o feito. Oh sim, ele abordou o rapaz de uma forma tão arrogante e prepotente que Demi franziu o cenho.

   - Apenas esses documentos. – Joe ergueu a pasta mostrando os documentos e sustentou o olhar de Jake.

   - É melhor você voltar para a sua mesa, sempre o vejo transitando pelos corredores. – Jake não usou o tom rude, mas ficou claro o que ele realmente queria dizer...

   - Ele estava resolvendo algumas coisas para mim. – Demi corou com o olhar que recebeu dos dois homens, ambos curiosos para saber o que ela tinha mais a dizer. – Não vou mais te atrapalhar. – Disse para Joe que franziu o cenho e saiu depois de pedir licença baixinho.

   - Desculpe meu anjo, não é só porque ele é seu amigo que você precisa defendê-lo. – Demi nada disse, Jake fechou a porta do escritório e a puxou para os braços a beijando na testa. – Infelizmente eu tenho que ser duro com o pessoal, sou novo por aqui e muitos não me levam a sério. Não quero destruir tudo que o vovô construiu. – A forma que Jake falou sobre Jason era tão profunda, Demi nunca tinha o visto com aquele olhar e ar triste.

   - Tudo bem, eu entendo. – Ela disse forçando o melhor sorriso que podia. Deus! Ela estava sendo filmada e de alguma forma estar com Jake a assustava.

   - Eu.. eu tenho algo para dizer. – Jake enlaçou os dedos aos dela e a levou para o sofá. – Você estava tão.. tão estranha no meu escritório. – Ele começou a dizer acariciando os dedos dela e Demi preferiu observar aquele ato já que não conseguiria olhar nos olhos de Jake. – Eu deveria ter contado para você, mas eu estava com medo. – Agora ele conseguiu chamar a atenção dela e Demi o olhou nos olhos esperando o que estava por vir. – A polícia esteve aqui no prédio. Eles instalaram câmeras em algumas salas. Eles acham que o assassino pode tentar alguma coisa, eu não sei.. As investigações são confidencias e a polícia mal me dá informações. – Demi assentiu calada. – Demi, você confia em mim? – Jake perguntou a olhando nos olhos e Demi mordeu o lábio inferior e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.

   - Confio. – Custou-lhe dizer aquela pequena palavrinha, pois o que Selena havia dito mais cedo ecoava em sua cabeça “Tudo bem, ele é um bom ator, mas eu não vou mais pagar o pato. Não é a primeira vez que ele tenta me agarrar, naquela noite ele só não teve a chance de me ameaçar como fez das outras três vezes. O Jake não é o que parece, é a última vez que eu estou te avisando. – Selena a olhou nos olhos e respirou fundo. – Tenha cuidado Demi.”.

   - O meu avô já pediu que você guardasse alguma senha ou qualquer coisa relacionada ao acesso das contas bancárias? – Demi não ousou em desviar o olhar do dele, retribuiu o carinho que Jake fazia em sua mão e umedeceu os lábios com a língua.

   - Nós nunca tivemos nenhuma conversa sobre esse assunto. A gente era amigo, costumávamos compartilhar nossas lutas do dia-a-dia, às vezes o Jason tomava café da manhã comigo e com a Sel, ele era tão simpático e humilde que nem parecia que era dono disso tudo. – E era verdade o que ela dizia. Jason era um homem incrível e tinha a acolhido como um pai acolhe um filho.

   - Tudo bem. – Jake adentrou os cabelos com os dedos e respirou fundo. Ele tinha apostado todas as fichas em Demi e tinha sido em vão! – A.. a polícia instalou uma câmera nessa sala. Como você e o vovô eram amigos, eles pensaram que alguém poderia te fazer mal. Só não contei para que você não ficasse assustada, você é um alvo Demi.


Continua... Oiiii! Tudo bem? Tô bem! Então, o que vocês estão achando da história? Sei que está demorando para sair capítulos novos, mas é que eu tenho tantas coisas para fazer que fica complicado para escrever, e quando eu vou escrever às vezes bate a falta de ideias.. O que não ajuda. Por favor, comentem a opinião de vocês, se estão gostando ou não. Enfim. Queria agradecer a Brunna, pseudo Demetria Lovato, que me deu algumas dicas sobre a fanfic e esse capítulo! 
Meninas, obrigada pelos comentários do capítulo anterior, abraço e boa noite! 


11.9.16

Capítulo 22


   - Você vem para casa almoçar? – Aquela frase soava estranha demais para ser dita por Dianna, porém Demi estava feliz com a relação com a mãe para perceber tal coisa. A Dianna de algumas semanas atrás jamais faria o papel de mãe..

Desde a festa de aniversário de Selena, ela tinha passado a maior parte do tempo com Dianna e tudo estava bem. Sem brigas, sem implicâncias, sem resentimentos.. As duas estavam convivendo amigavelmente no apartamento de Dianna e desde então Demi tinha passado todas as noites ao lado da mãe tentando conhecê-la um pouco mais.

   - Nós poderíamos almoçar juntas, o que acha? – Sugeriu Demi em frente ao espelho terminando de se arrumar para mais um dia de trabalho.

   - Não vai dar, eu marquei com um velho amigo.. – Comentou Dianna se aproximando da filha e Demi parou o que estava fazendo para olhá-la com certo receio. – Está tudo bem. – Desde quando Dianna tinha sorrisos e tudo mais para ela? No fundo Demi achava estranho, mas ela tinha esperado durante toda a vida para ter uma mãe que se importasse e a tratasse com carinho. Ser uma criança sozinha e rejeitada era um trauma tão absurdamente grande que às vezes Demi não sabia como agir diante de certas situações.

   - Se a senh.. você precisar de alguma coisa é só falar comigo. – Nos primeiros dias da semana que passaram juntas Demi tinha descoberto algumas coisas sobre mãe, coisas que todo filho deveria saber, coisas como filmes e músicas preferidos, comida e cor favorita. E principalmente que Dianna não gostava de ser chamada de “senhora” e repugnava palavrões.

   - Não se preocupe, é só um velho amigo. – Demi assentiu depois de olhar nos olhos de Dianna procurando por alguma mentira ou qualquer coisa que podia preocupá-la, mas realmente parecia tudo bem. – Coloque esses brincos, você fica linda usando prata. – As bochechas de Demi coraram levemente e ela voltou a se arrumar achando estranho a companhia de Dianna, mas estava adorando tê-la por perto. Geralmente quando ela se arrumava só havia Selena de companhia.

   - Então nós podemos jantar juntas, tudo bem? – Era a melhor coisa que ela havia elaborado para dizer já que ficar em silencio não era algo que Demi gostava de fazer.

   - Contando que não seja fast food ou pizza. – Demi riu da careta da mãe. Desde adolescente os fast foods eram simplesmente a solução para a falta de tempo e de experiência na cozinha. Quando estava na faculdade Demi e Selena abusavam daquele tipo de comida até que Mandy, a mãe de Selena, um tanto preocupada com a saúde da filha e de Demi, resolveu ensiná-las a cozinhar. Em um daqueles dias que estava junto de Dianna, Demi havia apresentado pizza para mãe e bem, ela gargalhou das caretas de Dianna conforme comia a pizza.

   - Eu realmente prefiro uma boa pizza a aquelas comidas de rico que eu nem sei pronunciar o nome. – Demi esboçou um sorriso sapeca para a mãe que revirou os olhos, mas acabou rindo junto com a filha. – Vou me trocar. – As bochechas de Demi ficaram levemente vermelhas apenas com a ideia de se despir na frente de Dianna. Ora, ela não tinha dificuldades para ficar praticamente nua na frente de pessoas intimas, Selena era a prova viva.. Talvez fosse um passo grande demais para dar naquele momento. – No closet. – Murmurou ainda avermelhada e Dianna assentiu observando a filha adentrar o pequeno closet um tanto sem jeito.

A princípio ter Demi em casa novamente tinha sido uma ideia assustadora, mas Dianna estava fazendo o máximo possível para conseguir conviver com a mulher que aquela garotinha de grandes e encantadores olhos castanhos tinha se tornado. A sua garotinha. A garotinha que vivia implorando por carinho e atenção. Quando Demi saiu do closet vestida como uma mulher de negócios Dianna sorriu se sentindo estranhamente feliz e orgulhosa por ter uma filha forte o suficiente para batalhar pelo que queria, por ser independente e uma mulher inteligente. Ao contrário dela que preferia enganar, mentir e manipular para conseguir o que queria.

   - Vou tomar café da manhã na empresa, tudo bem? – Demi havia olhado a hora no celular e caso ela não se apressasse chegaria atrasada.

  - Está tudo bem, sei me virar sozinha. – Demi assentiu sorrindo, buscou pela bolsa no cabide que ficava ao lado da cama e se olhou mais uma vez no espelho. Mais um dia!

   - Nos vemos mais tarde. – Ela sorriu sem jeito fitando os olhos de Dianna. – Tenha um bom dia mamãe. – Simplesmente o coração quase saiu pela boca e Demi não resistiu à ideia de abraçar Dianna. O melhor de tudo era ser abraçada de volta.

   - Tenha um bom dia querida. – O beijo que recebeu na testa a fez derreter e sorrir com a alma para Dianna, Demi a olhou nos olhos mais uma vez antes de abrir a porta do apartamento e finalmente partir em direção a Gyllenhaal sentindo uma verdadeira bagunça de sentimentos dentro de si. Estava feliz, mas por outro lado estava caindo em pedaços. No dia passado, quando encontrou Joseph e a pequena Lucy, Demi se sentiu como um lixo ouvindo cada palavra que Joseph havia dito. Ele parecia tão ferido, tão decepcionado. E a culpa era dela. Apenas dela. A sensação era tão horrível de machucá-lo, de não ter os sorrisos de Joseph. Ela sentia tanta falta dele, de como ele corava e ficava todo atrapalhado com as coisas mais simples. Do abraço apertado, do beijo apaixonado. Demi franziu o cenho tentando afastar aqueles pensamentos enquanto atravessava a rua. O que ela faria sobre ele? Joseph estava tão magoado que ele não abriria uma brecha para que ela pudesse entrar na vida dele novamente.

   - Idiota.. – Murmurou consigo mesma. Ainda havia Selena. Era o que mais a destruía. Como ela pode? Se lembrar do olhar de decepção de Sel era de partir o coração todas as noites que a imagem lhe vinha à cabeça. Era Sel, a sua pequena e única família. Selena era a única pessoa que a amava em todo o mundo e Demi sabia que a amiga jamais faria o que ela achava que fez. Era tão contraditório porque ela tinha visto com os próprios olhos a cena real de Selena abraçando Jake e se esfregando a ele. Não fazia nenhum sentido. Selena jamais faria aquilo, Demi tinha certeza que ela não faria.

   - Ei Demi! – Demi tornou a franzir o cenho ao olhar para o outro lado da rua e encontrar Jake acenando para ela de dentro do carro. Desde a festa ela tinha ignorado todas as tentativas de Jake de fazer contato. – Não vai entrar? – Ela não sabia o porquê de se aproximar, era só continuar o ignorando.

   - Jake, eu vou andando. – Disse tentando controlar a bagunça que o vento fazia com o cabelo solto.

   - Até quando você vai continuar me ignorando? – Demi pensou em atravessar a rua para que pudesse se livrar de Jake já que ele não poderia dirigir na direção oposta a dos carros daquele lado da rua, mas já que ele tinha tocado no assunto ela adentrou o carro e o olhou nos olhos.

   - Essa história está muito mal contada. – Disse o analisando e tudo que Jake fez foi esboçar um sorriso cínico.

   - Mal contada? Você viu com os seus próprios olhos! – Ele disse dividindo a atenção entre dirigir o carro e fitar os olhos de Demi.

   - Eu não consigo acreditar que a Selena faria isso. – Ela disse tão frustrada porque pelo o que tinha visto era Selena quem agarrava Jake.

   - Demi, eu estou mais surpreso que você. – Aproveitando o momento de reflexão de Demi, Jake enlaçou os dedos da mão direita aos esquerdos dela os acariciando. – Você não tem noção de como eu estou me sentindo péssimo por ter permitido isso acontecer. – Jake a olhou de relance e respirou fundo continuando com o teatro barato. – A Selena só estava bêbada.. Ela deve ter me confundido com o Jesse quando eu fui te procurar. – Demi não disse nada porque enquanto Jake a esperava naquele pub, ela estava com Joseph trocando beijos e carinhos com ele antes de lhe partir o coração. – Eu não suporto a ideia de ficar longe de você, isso me machuca tanto princesa.

   - Jake, por favor, eu não quero mais falar sobre isso. – Ela disse puxando a mão da dele para arrumar uma mecha do cabelo atrás da orelha. – Será que nós podemos ficar em silêncio? – Jake fechou a cara, mas assentiu continuando a dirigir em direção a Gyllenhaal.

   - Demi? – Chamou-a assim que estacionou o carro no estacionamento da Gyllenhaal. – Olha para mim princesa. – Demi respirou fundo e o olhou nos olhos. – Não fica chateada, eu sinto tanta a sua falta. – O toque dele não causava efeito algum, a sensação era tão estranha. Na noite que o conheceu Jake a hipnotizava com aqueles olhos azuis, mas agora era completamente diferente. – Não gosto de brigar com você, você é tão especial para mim. – Demi fechou os olhos e entreabriu os lábios para que Jake pudesse selar nos lábios aos dela num beijo tão carnal e sem emoção. Parecia tão errado beijá-lo. Tão estranho depois de tudo.

  - Jake.. – Demi terminou aquele beijo com um selinho demorado, pois sabia que estavam em público e as pessoas falariam ainda mais sobre o relacionamento dela com o rico e empresário Jake Gyllenhaal.

   - Você é simplesmente linda, Demi. – Um pequeno sorriso surgiu nos lábios dela quando Jake lhe beijou o pescoço causando arrepios por todo o corpo. – E está maravilhosa vestida com essa roupa sexy de secretária. – Demi riu e o beijou brevemente nos lábios. Aquele era o tipo de comentário que só Jake faria.

   - Não seja bobo. – Ela disse acariciando o rosto dele com a ponta dos dedos. Ela não poderia sentir nada muito forte por Jake, mas toda a beleza dele era assustadoramente quente. – Ainda não sei se devo perdoar você. – O biquinho dele era um golpe baixo. Demi franziu o cenho por conta do beijo que recebeu no maxilar. A barba dele lhe roçava a pele e os lábios quentes eram de tirar o fôlego.

   - Quero a senhorita na minha sala depois do almoço. – Jake desceu os beijos pelo tórax nu e Demi engoliu em seco ao fitar os olhos azuis dele. – Precisamos resolver alguns problemas. – Ele a beijou na garganta e tomou os lábios dela num beijo lento a apertando na cintura. Jake era um verdadeiro manipulador e conseguia tudo que queria com a boa aparência e a sedução.

   - Vou pensar no seu caso. – Demi mordeu o lábio inferior e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha, ela estava claramente envergonhada, o que foi motivo para Jake sorrir de orelha a orelha logo a beijando na boca.

   - Vamos? – Jake a beijou mais uma vez e Demi assentiu ainda sorrindo envergonhada quando ele se apressou em sair do carro para abrir a porta para ela. – Você está corada Demi. – Jake esboçava aquele sorriso sexy para ela lhe segurando a mão. – Está tão linda. – Trocaram outro beijo e Demi se surpreendeu quando Jake enlaçou os dedos aos dela como se eles fossem realmente um casal.

As pessoas olhavam ainda ali do lado de fora do prédio, olhavam com tanta atenção e comentavam. Tudo piorou quando adentraram o hall principal e Jake distribuiu sorrisos e bom dia para os funcionários que trabalhavam ali. Está tudo bem.. Demi dizia a si mesma tentando não sustentar o olhar das pessoas, ou muito menos olhá-las, preferia ficar cabisbaixo esperando pacientemente que eles chegassem logo no elevador.

   - O que foi? – Jake perguntou assim que as portas metálicas do elevador se abriram.

   - Não estou acostumada com tanta atenção. – Murmurou Demi tentando parecer discreta para não chamar a atenção das outras pessoas que também adentravam o elevador. Jake dizia algo que ela nem prestava atenção, e muito menos reagiu ao beijo que ele lhe deu na testa. Não podia, não quando toda a sua atenção estava num certo rapaz moreno de belos olhos verdes que caminhava em direção ao elevador. Joseph. Ele estava tão lindo e Demi não conseguia acreditar que o coração estava quase saindo pela boca só por olhá-lo simplesmente maravilhoso com aquele sorriso arrebatador caminhar em direção ao elevador. Era como se apaixonar pela primeira vez... Ela queria se olhar no espelho para saber se tudo estava nos conformes, estava começando a sentir um frio insuportável na barriga conforme Joe se aproximava distraído e vez ou outra ele sorria e respondia alguém que Demi não conseguia ver quem era, mas certamente era Ed e Selena, o que fez com que o coração dela acelerasse ainda mais só de pensar em encarar a melhor amiga. Ela rezou para que as portas se fechassem antes mesmo que Joe pudesse adentrar o elevador, seria constrangedor demais... Até porque, além dela e de Jake, só havia duas mulheres e um senhor.

   - Obrigado! – A voz não soou tão tímida como o de costume, tinha uma pitada de felicidade e bom humor naquele obrigado. Por diabos seguraram a porta para Joseph? Demi franziu o cenho ao ver quem era a pessoa que Joseph conversava. Mary. Desde quando eles eram tão íntimos a ponto de se tocaram enquanto conversavam? Eles não eram tímidos? Oh droga, ela sentia saudades do Joseph que corava e gaguejava, pois agora ele parecia tão à vontade com Mary trocando sorrisos e risadas deliciosas.

   - Bom dia. – Pelo visto o senhor do elevador e as duas mulheres trabalhavam no mesmo departamento, pois quando o elevador abriu as portas os três desceram sobrando apenas Demi, Joseph, Mary e Jake.

Não demore.. Não demore.. Era pedir demais para que o elevador chegasse logo no departamento de Design? Demi mordeu o lábio inferior e tentava não olhar para Joe enquanto ele conversava com Mary sem notá-la e muito menos notar a Jake, mas infelizmente ele sentiu o olhar dela e a olhou. Toda a felicidade de Joseph parecia ter sumido. Céus! Doeu o coração a forma como ele a olhou sério sustentando o olhar dela sem sequer dizer um oi ou um bom dia. Logo Joe olhou para Jake e Demi percebeu que se aquele elevador não chegasse ao departamento dentro de poucos segundos teria um briga desastrosa entre aqueles dois homens.

   - Demi? – A voz delicada de Mary soou quebrando a tensão entre os três. Demi franziu o cenho, mas logo forçou o seu melhor sorriso ao olhar para Mary. – Acho que eu não te vejo desde o aniversário da Selena. – Pelo visto Mary não tinha a menor ideia do que tinha acontecido naquela festa, pois se tivesse não a citaria na presença de Jake e Joe. – Não pude me despedir porque tive um pequeno contratempo. Deixei recado com o Joe, espero que a Selena não tenha ficado magoada. – Demi olhou para Joe e o viu engolir em seco. Ele não tinha dito nada a ela sobre Mary ter ido para casa mais cedo e também não tinha contado nada para Mary sobre aquela noite.

   - Ele deu o recado. – Disse Demi ainda olhando para Joseph e o silêncio reinou sobre eles naquele elevador. Não era nada desagradável já que os pensamentos de Demi eram o suficiente para ela, mas quando o elevador finalmente chegou ao departamento de Design foi um alivio.

   - Não se esqueça, depois do almoço na minha sala. – Por que diabos Jake tinha que abraçá-la e beijá-la daquela forma? Tudo bem, era apenas um selinho inofensivo, mas Demi se sentiu desconfortável demais na frente de Joseph. – Minha secretária já estará avisada que você vai subir, ok? – Demi assentiu e de despedida beijou a bochecha de Jake e saiu às pressas do elevador, ela estava corada e não seria nada legal se Joseph a flagrasse daquele jeito.

Aquela manhã demorava tanto para passar. Os minutos pareciam horas e tudo tão chato. Demi tentou trabalhar em um de seus projetos, mas estava em dúvida entre formas e cores, o que não a ajudava a progredir em nada, apenas em ficar chateada consigo mesma. Ela precisava de Selena para ajudá-la com as cores, precisava da amiga para perturbá-la enquanto ela tentava se concentrar. Aquele escritório era grande demais para ela. Demi fitou as prateleiras organizadas com os seus livros e pertences, fitou o sofá confortável onde Sel sempre deitava e dizia besteira enquanto trabalhava no notebook.

Ao menos a vista de Nova York não era entediante. O dia estava tão bonito, o sol brilhava no céu limpo e azul. As ruas estavam movimentadas como sempre e os prédios deslumbrantes eram fascinantes para amantes da arquitetura e engenharia moderna. Atrás dos prédios o verde era uma grande extensão que representava as árvores do Central Park. Se lembrar daquele lugar arrancou um sorriso fraco de Demi. Era ali que ela corria com Selena nos finais de tarde, e era a melhor parte do dia. Estar com Sel era tão bom, Selena não a fazia se sentir sozinha e rejeitada, ela tinha a acolhido como uma irmã. E que bela irmã ela tinha se tornado... Impaciente, Demi se livrou os sapatos de salto e caminhou até as persianas as abrindo numa pequena brecha para que pudesse procurar por Sel. Não dava para ver direto, mas Selena transitava na cadeira de rodinhas em direção à mesa de Ed. Ambos pareciam tristes e desanimados, mas trocaram um sorriso fraco e um selinho antes do “eu te amo”. Sel continuou ao lado de Ed, deitou a cabeça no ombro dele e Demi sorriu quando a amiga enlaçou os dedos aos do namorado. Selena era uma mulher forte e fiel, Ed era tão sortudo por tê-la. Na verdade todos que a tinha eram sortudos. Demi se sentiu mal por tudo que tinha acontecido desde que tinha conhecido Jake. Selena não merecia, não mesmo. Foi ai que o coração disparou no peito quando Sel disse alguma coisa para Ed e voltou para a mesa onde trabalhava para buscar pela bolsa. Era a oportunidade perfeita. Demi correu até onde tinha deixado os sapatos de salto e os calçou com tanta pressa que por um pouco não caiu, ela iria consertar as coisas com Selena.

Demi olhou novamente pelas persianas e viu a amiga caminhar em direção ao seu escritório, certamente Selena iria para o banheiro já que caminhava naquela direção. Sentindo um frio insuportável na barriga, Demi pegou a bolsa às pressas, esperou alguns segundos e saiu do escritório discretamente. Sel já estava no final do corredor e não poderia vê-la. Demi umedeceu os lábios e acelerou o passo em direção ao banheiro feminino.

Não ficar nervosa era difícil, pois a cada passo em direção ao banheiro Demi pensava nas possíveis reações de Selena. E ela tinha dito a si mesma que entenderia se Sel ficasse brava.

   - Calma.. – Depois de respirar fundo várias vezes, Demi finalmente adentrou o banheiro tensa, mas ela não viu Selena em frente ao espelho. Certamente a amiga estaria em um dos boxes. – Calma Demi.. Calma.. – Disse baixinho abrindo a bolsa para buscar pelo batom. Rebocar o batom não era a desculpa perfeita já que Sel sabia que ela tinha espelho dentro da bolsa.

O que ela diria? Como iria abordá-la? Demi franziu o cenho nervosa demais para continuar fingindo que estava retocando o batom. Guardou o batom na bolsa e reencostou na bancada onde ficavam as pias. Esperaria por Selena. E foi o que ela fez, cruzou os braços determinada por mais nervosa que estivesse. A surpresa foi tão grande quando ouviu o barulho do trinco da porta se abrindo, não tinha se passado nem um minuto desde que estava parada esperando.

   - Selena... – Até então Sel não tinha a notado, estava cabisbaixo e pelo que Demi poderia perceber a amiga limpava lágrimas suspirando baixinho. – Sel? – Demi não hesitou em se aproximar e abraçar Selena com toda a sua força. Deus! Como ela podia ser tão idiota a pensar que Selena havia feito aquilo? Era a sua Sel, a sua irmã de coração. – Tudo vai ficar bem. – O coração de Demi estava em pedaços por encontrar Selena naquele estado, ela a abraçava com tanta garra e chorava que chegava soluçar. – Tudo vai ficar bem. – Demi não cedeu espaço para que Selena se afastasse, a abraçou com firmeza e deixou que ela chorasse sem dizer nada por bons minutos. – Eu.. Eu não deveria ter feito o que fiz.. – Disse quando Selena já não chorava mais. – Eu.. – Demi desfez o abraço, mas segurava as mãos de Selena e a olhou nos olhos. – Eu fui tão estúpida. – Olhá-la nos olhos era tão torturante. Demi o fez e esperou que Sel dissesse alguma coisa, mas ela estava séria demais para dizer uma palavra. – Eu não sei o que aconteceu na..

   - Você não sabe o que aconteceu naquela noite? – Selena se afastou bruscamente de Demi a olhando incrédula. – Meu Deus Demi! Você realmente não sabe o que aconteceu? – Perguntou forçando um sorriso irônico.

   - Não sei.. Mas eu sei que você não seria capaz. – Demi mordeu o lábio inferior e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha claramente nervosa com a situação.

   - Eu não seria capaz? Certo! – Selena sorriu balançando a cabeça em um gesto negativo. – Mas você também acredita nele. Então de quem é a culpa Demetria? – A forma que Selena a olhava nos olhos era tão profunda e cheia de dor. – Deus! Você acredita nele Demi! – Disse levando as mãos ao rosto. – Sabe? Eu não vou mais me meter na sua vida, você já é grandinha o suficiente para sofrer as consequências. – Selena arrumou a bolsa no ombro esquerdo se preparando para virar as costas. Não adiantava tentar, Demi nunca a escutaria.

   - Selena! Por favor, eu acredito em você.

   - Mas você também acredita nele. – Demi não disse nada porque ela tinha certeza do que tinha visto naquela noite. – Tudo bem, ele é um bom ator, mas eu não vou mais pagar o pato. Não é a primeira vez que ele tenta me agarrar, naquela noite ele só não teve a chance de me ameaçar como fez das outras três vezes. O Jake não é o que parece, é a última vez que eu estou te avisando. – Selena a olhou nos olhos e  respirou fundo. – Tenha cuidado Demi.

   - Sel, eu sinto muito pelo que aconteceu com a Sophia. – O olhar que recebeu de Selena antes que ela virasse as costas a deixando sozinha naquele banheiro tinha sido tão frio e decepcionado.

Jake estava realmente brincando com ela? Demi se olhou no espelho procurando em si mesma a inocência que as pessoas enxergavam, mas tudo que ela viu foi a mulher independente que sempre lutou para ser. Independente e sozinha. Ela não era boba, Demi franziu o cenho se analisando. A única coisa que ela tinha de inocente eram sardas. Se Jake estava a enganando ela iria descobrir, até porque ela também poderia atuar e ser tão esperta quanto ele.

Quando saiu daquele banheiro atordoada com a conversa com Selena, Demi caminhou diretamente para o escritório sem olhar para a direção onde a amiga trabalhava, definitivamente não valia a pena perder a melhor amiga para um cara que ela nem estava apaixonada. Demi se jogou na cadeira atrás da mesa de vidro tombando a cabeça para trás para que pudesse respirar fundo enquanto tentava reanalisar mentalmente cada encontro com Jake que Selena também estava presente, deveria ter alguma coisa.

   - Entra! – Disse assim que bateram à porta.

   - O Joseph mandou trazer esses documentos. – Demi franziu o cenho ao olhar para o rapaz alto e magro que estava corado de vergonha apenas por estar falando com ela. Por que diabos Joseph mandaria alguém que era mais tímido que ele?

   - Você é estagiário? – Perguntou para o rapaz enquanto checava a pasta com os documentos que Joseph havia mandado. – Só vou assinar depois do almoço. – Disse Demi depois que o rapaz murmurou um tímido sim. Diabos, ele preferia mandar um estagiário a ficar com ela na mesma sala. – E diga para ele vim buscá-los, só vou entregar esses documentos para ele. – O rapaz assentiu e quase tropeçou nos próprios pés quando saiu às pressas do escritório. Agora ela era intimidade também? Demi revirou os olhos checando a hora no relógio, ela realmente não teve tempo para o café da manhã e estava faminta. Ela só não esperava que almoçar sozinha no refeitório daquela empresa fosse tão ruim.

Perder a fome não estava nos planos de Demi, mas foi inevitável quando Joseph e Mary entraram por a porta principal do refeitório trocando sorrisos, pareciam tão íntimos e quando Joe passou por ela, ele não a notou, continuou a conversar com Mary esboçando aquele sorriso lindo que deixava as mulheres encantadas por ele. Ela definitivamente tinha perdido a fome. Primeiro ele mandava um estagiário e agora tinha virado melhor amigo de Mary? Demi revirou os olhos emburrada e para piorar agora era Selena e Ed, a diferença era que Selena tinha a notado e levou Ed para bem longe da mesa onde ela estava sentada.

   - Droga.. – Murmurou mal humorada se levantando para sair daquele refeitório às pressas. O que ela faria para conseguir o perdão de Selena e a atenção de Joseph? Era tão ruim se sentir sozinha, mas a culpa era dela. Demi caminhou sem pressa alguma em direção ao elevador, adentrou-o e esperou pacientemente que chegasse ao departamento onde trabalham, mas a mensagem que recebeu de Jake a fez mudar de ideia e ela foi diretamente para o último andar. Ele chegaria em pouco tempo e quem sabe ela poderia descobrir alguma coisa a respeito do que Jake supostamente havia feito com Selena. – Boa tarde, eu tenho horário com o Sr. Gyllenhaal. – Aquilo foi definitivamente estranho. Sr. Gyllenhaal? Ela o chamava apenas de Jake! A secretária apenas assentiu e abriu a porta do escritório de Jake para que ela pudesse esperá-lo ali.

Aquelas paredes, a decoração, a cadeira presidencial. Demi sentiu um aperto no peito ao se lembrar de Jason. Ele tinha passado os seus últimos minutos sentado naquela cadeira onde foi covardemente assassinado. Era tão desconfortável estar ali. Demi caminhou pela sala e se surpreendeu ao encontrar porta retratos com fotos de Jake e Jason. Eles realmente eram parecidos, os olhos azuis, o cabelo loiro escuro, o sorriso charmoso. Havia fotos de quando Jake era criança nos braços do avô e aquelas foram as fotos que mais a fez sorrir de orelha a orelha ao imaginar Jake criança. Aquela sala era tão grande e cheia de coisas, Demi passou bons minutos olhando as fotos expostas nos porta retratos, olhou alguns livros na estante de madeira escura cada vez mais intrigada com aquele tipo de conteúdo que tinha encontrado. Jake não tinha cara de quem gostava de ler, principalmente se a leitura fosse de livros clássicos, poesias e tudo mais. O nome “Beethoven” lhe chamou a atenção e sem pensar duas vezes Demi puxou o livro de cor pálida da estante, folheou-o e observou algumas fotografias ilustrativas do jovem compositor alemão. Parecia ser um bom livro, não o estilo que ela tinha interesse, mas com certeza o leria para passar o tempo.

Por que diabos ela tinha que ser tão curiosa? Demi não gostou nenhum pouco da sensação de quando ela tentou colocar aquele livro na estante e os outros livros atrapalharam. E se Jake chegasse? Apressando-se, Demi empurrou os outros livros para a esquerda conseguindo espaço para o livro de Beethoven e quando foi colocá-lo no estante ela franziu o cenho ao ver que atrás dos livros que segurava havia algumas fitas de gravação e discos com nomes que ela não conseguia ler, mas que apostava que eram números em letras pretas. Era melhor devolver logo aquele livro.. O coração estava disparado no peito e ela conseguiu respirar fundo quando colocou o livro no lugar como se ele nunca tivesse saído daquela estante.

   - Tudo bem Demi, tudo bem.. – Murmurou olhando para aquela sala. Oh Deus, ela não podia negar que estava com medo e aflita só de pensar que Jason havia sido morto ali. Agoniada, Demi respirou fundo e caminhou em direção à janela, ela tinha aquele defeito de não conseguir ficar quieta por muito tempo.

 A vista da cidade funcionou como um tranquilizante e tudo que Demi conseguiu e se esforçou para pensar foi no sorriso de Jason, o seu velho e bom amigo. Ela só não esperava que o barulho de alguma coisa vibrando quase a mataria do coração. Diabos! Ela engoliu em seco, mas o alivio a tomou assim que ela olhou para a mesa e constatou que era apenas um celular. Por diabos Jake tinha dois celulares? Demi se aproximou da mesa e fitou o Iphone vibrar incansavelmente. Ela não iria mexer nas coisas dele, não iria.. Era invasivo demais. Mas como era curiosa, Demi fitou os objetos da mesa analisando cada detalhe. As canetas de Jake eram impecáveis e pareciam tão caras, haviam papeis perfeitamente organizados em pastas e tantas outras coisas. O que lhe chamou a atenção foi o notebook e o que havia nele.


Demi fitou cada quadro daquela matriz de filmagens. Eles estavam sendo filmados em tempo real? Questionou-se olhando o quadro do refeitório. Oh Deus! Tinha uma câmera até no elevador! Eram tantos quadrinhos para olhar de vários lugares daquele prédio. Mas aquele.. Ela engoliu em seco ao fitar aquele lugar familiar demais, a filmagem era de um ângulo que ela nunca tinha analisado, porém com tamanha certeza aquele era o escritório onde ela trabalha todos os dias. Jake estava a vigiando? Por falar nele ela o viu no quadrinho de filmagens daquele andar. Jake trocou breves palavras com a secretária e Demi se afastou o mais rápido possível daquele notebook para se sentar no sofá fingindo estar envolvida com alguma coisa no celular. Ela estava começando a concordar com Selena..


Continua... Oiiiiiii! Finalmente ein? Tudo bem com vocês? Eu tô bem! Desculpem a demora, fiquei de escrever esses capítulo na última semana de prova, mas não consegui desenvolvê-lo em pouco tempo.. Mas está ai, espero que vocês gostem! Gente, o que vocês estão achando da fanfic? Eu acho que é uma boa história, mas estou em dúvida se estou fazendo o certo nesses capítulos :/
Obrigada pelos comentários, irei respondê-los, beijos e obrigada pela paciência!!! Bom domingo para vcs!