7.7.18

Capítulo 11 - Parte II/II


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Quando Demi virou as costas depois de pegar a mochila, Joe respirou fundo e caminhou atrás da namorada porque deveria existir algo que ele poderia fazer para reverter a situação.

   - Joseph? Ainda bem que você está acordado. Eu queria mesmo falar com você, urgente. – Foi no momento errado. O mundo estava tramando contra ele? Joe franziu o cenho e respirou fundo porque não dava para acreditar que tinha que acontecer logo naquela hora. Demi estava subindo a escada e ele prestes a subi-la... E quem tinha surgido para piorar a situação para ele, era Rose, que nem mais o olhava..

A menina media Demi de cima a baixo, que não fazia diferente com ela. Era basicamente como dizia a lei de Murphy: tudo que tem para dar errado dará, e da pior forma. Podia ser mais estranho? Joe engoliu em seco porque ele sentia que poderia apanhar a qualquer segundo, mas não sabia de quem.. Demi ou Rose?

   - Hum.. – Murmurou Joe umedecendo os lábios. – Demi, essa é a minha prima Rose. Ro.. Essa é a Demi, minha namorada. – Não era como se elas não se conhecessem. Bem pelo contrário! Joe esperou Demi gritar com ele e confessava que também esperava ouvir os sermões e lamentações de Rose sobre como ele não correspondia aos sentimentos dela, porém tudo foi muito diferente do imaginado.

   - Ah! Você é a famosa Rose? Todos estavam surpresos, e Demi era quem se sentia mais surpresa com a própria atitude, tinha decidido que não desceria ao nível de Rose, porque só de olha-la, era claramente perceptível que se tratava apenas uma adolescente. É um prazer conhecê-la. – Descer alguns degraus e cumprimentar Rose oferecendo a mão para que a menina apertasse foi apenas uma estratégia para que Demi pudesse estuda-la melhor.

   - O prazer é todo meu. – Rose estava tímida, fato comprovado porque ela não tinha conseguido olhar nos olhos de Demi enquanto apertava a mão da mesma. – É.. – Murmurou olhando de Demi para Joe se sentindo deslocada e sem saber o que dizer. – Está começando a chover, os cavalos estão lá fora assustados, eu queria que você me ajudasse urgente a leva-los para um lugar seguro. – Disse a menina a Joe, que franziu o cenho porque a chuva seria muito devastadora pelos clarões e o barulho dos trovões.

   - Tem alguém para ajudar? – Perguntou Joe preocupado pela primeira vez pensando em algo diferente da situação com Demi.

   - O tio Jon está tentando, mas sozinho será complicado. – E novamente Rose olhou para Demi que tinha se aproximado de Joe para abraça-lo de lado. Era muito estranho ver Joe com uma garota, e depois da noite da formatura, Rose se sentia completamente diferente em relação a ele. – Por isso vim pedir ajuda. – Explicou-se observando detalhadamente as roupas que Demi vestia e todas as curvas. Em comparação a namorada de Joe, Rose era completamente o oposto. Ela era levemente mais alta, muito mais magra e morena. Já Demi era baixa, tinha muitas curvas bonitas, a pele clara e parecia muito mais experiente. Uma adulta que sabia exatamente o que queria da vida, enquanto ela era apenas uma adolescente que tinha acabado de concluir o ensino médio.

   - Eu vou ajudar. Você fica aqui, está frio e perigoso. – Disse Joe a Rose, e Demi sentiu uma pontada de ciúmes que a deixou incomodada, mas sequer demonstrou. – Eu já volto. – Disse olhando para uma para depois para outra antes de virar as costas.

   - Joe! – Demi o chamou e quando Joe a olhou, ela mordeu o lábio inferior. – Você está esquecendo o meu beijo. – Aquilo era mais confuso do que parecia. Joe franziu o cenho, mas se aproximou na inocência que as coisas estavam melhorando entre eles, enquanto na verdade era só uma estratégia para mostrar a Rose que ela não significava nada e não podia abala-los. – Eu amo você querido, tenha cuidado. – Não era mentira. Demi espalmou o peito largo com as mãos e tinha o olhado nos olhos e até sorriu quando foi beijada delicadamente nos lábios, sentindo o coração covardemente doer ao se lembrar de tudo que tinha descoberto na noite passada.

   - Eu também amo você, gatinha. – Murmurou depois de beijá-la na testa. Ele ainda era tão inocente! Quando Joe saiu sorrindo, Demi quis franzir o cenho porque ele era devagar demais para entender que ela só queria implicar com Rose sem revelar as reais intenções.

   - Ele é um amor. – Disse Demi à menina a olhando fixamente e Rose piscou algumas vezes sem entender o que estava acontecendo.

   - Eu vou ajudá-lo, está uma bagunça lá fora. – A voz soou tão cheia de medo e insegurança. Demi sorriu quando olhou para Rose e no mesmo instante a menina desviou o olhar, desconfiada e apreensiva.

   - Não vai, eu ficarei sozinha e tenho medo de trovões. Quando o Joe está comigo, ele consegue me acalmar, agora que ele está lá fora, eu estou preocupada, acho que nós duas, não? – O plano era: manter a firmeza e mostrar toda segurança. Rose já tinha falhado em intimida-la, não passou de o primeiro olhar que elas trocaram na escada.

   - É.. – Murmurou envergonhada e Demi sorriu adentrando os bolsos do moletom com as mãos.

   - Vamos para sala? Nós temos muito para conversar. – Aos pouquinhos Demi conseguiria encurrala-la, era só uma questão de tempo. Era fácil demais entender garotas como Rose porque quando tinha os dezesseis anos, Demi era como a garota: apaixonada e se jogava de cabeça nos relacionamentos. – Então, o Joe me disse que você terminou a escola. Quais são os seus planos? – Perguntou Demi acomodada ao mesmo sofá que encontrou Joe deitado enquanto era importunado por Lucas. Já Rose preferiu sentar noutro por segurança.

   - Eu tenho duas bolsas: uma para direito e outra para veterinária em Austin. Ainda estou escolhendo. – Depois da fala da menina, o silêncio entre elas só não foi constrangedor porque a sala ficou muito clara para depois o barulho assustador dos trovões soar furioso.

   - Eu estou preocupada com o Joe. – Demi deixou escapar porque quando olhou pela janela e viu o estado céu, assustou-se porque nunca tinha enfrentado uma chuva com tempestades de raios. O que mais a preocupava era que Joe estava lá fora sozinho. Ele poderia passar mal a qualquer momento e tudo ficaria complicado com aquela chuva. – São profissões distintas, o que os seus pais acham? – Perguntou Demi cruzando as pernas e se acomodando mais ao sofá enquanto observava Rose deslizar o dedo pela tela do smartphone como se tivesse algo realmente interessante ali.

   - Eles preferem veterinária, então eu vou poder continuar o negócio da família e ficar por aqui. – Explicou sem deixar de mostrar como parecia um pouco irritada com a ideia de cursar medicina veterinária e Demi se lembrou de quando ela tinha dito a mãe e avó que iria cursar Web Designer, algo que Dianna e Amélia nem mesmo imaginavam do que se tratava, elas prefeririam que Demi continuasse dentro de casa cuidando do corpo e da beleza para conquistar o mundo através de noitadas de sexo como elas com homens ricos. – Eu estou quase optando por direito. Sinto que vou ter muitas oportunidades de conhecer outros lugares, e darei um rumo diferente a minha vida. – Disse Rose a olhando e Demi quase sorriu porque ela conhecia aquele coração sonhador perfeitamente porque Rose era como ela quando adolescente.

   - Você tem razão. Mas você ainda é uma criança, tem muito para acontecer na sua vida. – Demi sentiu que o comentário não agradou, deveria ser pelo fato de ter a classificado como uma criança. – Como foi na formatura? – Perguntou segundos depois sustentando o olhar de Rose que dessa vez não ousou em desvia-lo, porém tinha ficado sem jeito e corada.

   - Eu.. Estou muito feliz porque terminei a escola. – Disse Rose logo umedecendo os lábios. – A festa foi.. legal até certo ponto. Drogaram o Joseph e nós tivemos que leva-lo para o hospital. Ele ficou fora de si e ficou tão estranho. – Rose desviou o olhar do de Demi para fitar a vista além da janela. Durante todos aqueles anos, Joe tinha sido especial para ela de um jeito que Rose ficava emocionada apenas em pensar. O rapaz sempre tinha um sorriso, conseguia fazer tudo ser melhor e era uma companhia agradável. Talvez com a chegada da adolescência, os sentimentos ganharam outro significado além da cumplicidade e amizade, algo que Rose pensava ser amor, o mesmo amor de ter um companheiro ou companheira, mas que tinha descoberto ser tão insignificante na noite que foi beijada pela primeira vez pelo então amor de toda a vida: Joseph. Foi estranho. O coração bateu mais rápido apenas com a emoção inicial para depois Rose não saber o que estava acontecendo entre ela e Joe, e o coração.

   - Ele me contou o que aconteceu. – Demi foi séria o suficiente para criar uma tensão entre elas, enquanto Rose engoliu em seco e se acomodou melhor ao sofá pensando no que aquilo significava.. Ela tinha percebido que Joe e Demi eram unidos apenas por fotos, e quando os viu, descobriu que eles eram muito mais que um casal.. E agora com aquela revelação, a menina não sabia como se comportar perto de Demi e diante ao namoro do primo. – Você pode me contar exatamente o que aconteceu naquela noite? – Não soou tão ameaçador como Demi queria, ela apenas focou em olhar para Rose e tentar entender quem a menina era.

   - Nós dançamos juntos, na verdade eu, o Joseph e o Derick. Eles estavam bebendo bebidas com álcool e eu optei por refrigerante porque sou menor de idade. – Explicou-se envergonhada sem conseguir olhar para Demi. – Eu sempre o amei e... Eu queria que o Joseph fosse o meu namorado, mas você tomou a minha frente.. Eu o levei para um lugar mais privado e longe da música alta. Nós trocamos alguns beijos, mas ele passou mal começando a vomitar e falar coisas sem sentido. – Rose sustentou o olhar de Demi, sendo firme em cada palavra.

   - Não passaram de beijos? – Perguntou Demi se sentindo aliviada porque Rose não parecia estar mentindo.

   - Apenas beijos. – Confirmou a menina de bochechas coradas porque ela jamais se esqueceria de como Joe tinha a apertado no bumbum e como foi estranho.

   - Eu não estou com raiva. – Disse Demi minutos mais tarde e Rose umedeceu os lábios e arqueou uma sobrancelha a olhando. – Pensei que você era diferente por conta do que conheci via internet, mas pelo que estou conhecendo, você é apenas uma garota que está começando a viver agora. – Palavras erradas! Rose quase riu do comentário de Demi.

   - Garota ou adulta, uma coisa é certa: quando eu beijei o Joseph, descobri que não o amava da forma que eu pensava, mas ainda sim eu o amo, ele é a pessoa mais importante da minha vida e vou mover céus e terras para ele ficar bem e feliz. Não me importo se você está feliz, triste ou com raiva. A única coisa que eu quero de você é distância dessa família e principalmente do Joseph. Ele merece uma mulher honesta, limpa e de uma família decente, não você. Você é suja, não tem princípios e não engana ninguém com essa cara de boazinha. – Era claro que faltava alguma coisa. Rose não ousou em desviar o olhar do de Demi, que franziu o cenho e sentiu o coração encher de raiva e tristeza. Os olhos marejariam se não fosse a petulância e arrogância estampadas na voz da menina.

   - Você não me conhece. – Mesmo que as palavras de Rose a afetaram de certa forma, Demi sabia que não era verdade. Durante toda vida, ela lutou para ser uma mulher com princípios, honesta e que conseguiu conquistar os objetivos através do caminho mais difícil: trabalho e estudos. Nunca foi fácil e por mais que havia Dianna e toda aquela sujeira, ela não deixaria ninguém dizer o contrário de quem ela era. – É melhor você pensar duas vezes antes de falar o que não sabe, você não conhece a minha história e o fato de ficar acreditando em tudo que encontra por aí só confirma a minha teoria que você é uma obcecada e sem princípios. – Ela não tinha dito alto demais e não mostrava como estava chateada, mas quando Derick adentrou a sala logo arregalando os olhos porque ele não podia acreditar que as duas estavam compartilhando o mesmo ar, o rapaz arregalou os olhos. – E pode ficar despreocupada, eu não sirvo para namorar um mentiroso, você pode ficar com ele todinho para você. – A frase foi o suficiente para deixar um silêncio desconfortável com muitas dúvidas no ar. Demi umedeceu os lábios e respirou fundo logo olhando para Derick que estava até pálido de tão sem graça. – Você pode me ajudar com as minhas malas? – Perguntou educadamente o olhando e o rapaz piscou algumas vezes um pouco confuso.

   - O Joseph sabe que.. Tudo bem. – Ele não iria interferir. Derick olhou brevemente para Rose que o fuzilou com um olhar, que o fez franzir o cenho. Por que diabos ela sempre tinha que fazer aquilo para intimida-lo? – Está começando a chover, não quer esperar um pouco? – Perguntou educadamente olhando nos olhos de Demi.

   - Você deveria obedecê-la, Derick. – Disse Rose lançando o olhar mais carregado de ódio na direção de Demi e Derick. E foi horrível quando Demi devolveu o olhar de dentes cerrados porque a vontade era de dar boas palmadas na menina. – Já vai voltar tarde pro puteiro. – Por que diabos ela tinha dito aquilo? Derick arqueou as sobrancelhas arregalando os olhos azuis quando Demi avançou na direção de Rose, elas só não trocaram tapas e Deus sabe lá o que porque o barulho da chuva junto às trovoadas foi alto junto ao da porta sendo bruscamente aberta.

   - Você vai tomar um banho quente e fazer massagem nessa perna. – Era a voz de Jon, e quando eles ouviram um murmuro de Joe, caminharam a encontro dos dois encontrando Joe e Jon completamente encharcados, mas o que de fato assustava era o fato de Joe estar apoiado nos ombros do tio e mancando.

   - O que aconteceu? – Perguntou Rose preocupada e Demi a olhou de cenho franzido. Menina maluca!

   - Escorreguei e bati o tornozelo numa pedra. Não esfolou, mas está doendo quando ando. – Resmungou Joe olhando para namorada. Será que Demi poderia cuidar dele? Seria tão bom receber os carinhos dela e apreciar a companhia.

   - Derick, ajude o tio Jon com o Joseph. Eu vou preparar uma compressa com gelo. – Disse Rose logo saindo em direção à cozinha mostrando como ela estava preocupada e era autoritária.

   - Segure firme. – Disse Jon a Derick porque subir a escada seria péssimo, mas tudo que Joe fazia era olhar para Demi esperando que ela tomasse alguma atitude para falar com ele, ou até mesmo ajuda-lo. Mas infelizmente foi todo o percurso de degrau por degrau sem uma palavra dela.

Quando Joe já tinha subido degrau por degrau da escada com a ajuda de Derick e Jon, Demi respirou fundo desviando o olhar do namorado. Ex-namorado. O que ela faria? Estava chovendo tanto que parecia que sentir um pingo grosso de chuva poderia feri-la. Joe estava com o tornozelo machucado e certamente não poderia dirigir enquanto não melhorasse, e também a chuva com certeza os limitaria. Era uma droga! E quando Rose passou carregando uma compressa de gelo, a vontade de Demi era de dar bons tapas na menina só porque ela era malcriada e completamente absurda. Sozinha, Demi ficou sem saber o que fazer, e acabou subindo a escada porque ficaria pior se ela topasse com uma das primas de Joe ou até mesmo o maldito Lucas e aqueles garotos que viviam grudados nele.

   - O Joe está bem? – Não fique constrangida! Ela pedia a si mesma porque jamais esperava topar com Jon.

   - Ele está, o Derick está o ajudando no banho. – Jon era simpático e tão bonito quanto Joe com aqueles olhos verdes característicos da família Jonas. Sem contar que ele era bem mais velho.. E Demi ficava involuntariamente com vergonha. – Vai ajuda-lo, a Rose é antipática quando o assunto é o garoto, mas é você quem é a namorada dele. – O que aquilo significava? Ela ficou corada a ponto de sentir as bochechas esquentarem mesmo quando Jon desceu depois de sorrir para ela.

 Adentrar o quarto dele ou não? Demi franziu o cenho e se sentiu tão ansiosa. Ela deveria estar com raiva de Joe, não considerando a ideia de cuidar dele e se esforçar para vê-lo bem. O coração falou mais fácil quando ela ouviu os múrmuros que vinham do quarto. Quando estava doente, Joe era manhoso e todo sistemático.. Ao adentrar o quarto, Demi ignorou o olhar feio de Rose e procurou por Joe ou Derick, que estava parado em frente à porta do banheiro de cenho franzido.

   - O que está acontecendo? – Perguntou Demi ao rapaz, que corou ao olha-la nos olhos.

   - Deu muito trabalho para ajuda-lo no banho e agora ele não me deixa ajuda-lo com a roupa. – Explicou Derick. Só Demi sabia como Joe conseguia ser tímido quando o assunto era o próprio corpo. Quando estava excitado, Joe ficava com vergonha até mesmo de Lucy e sempre a mantinha longe só para não correr o risco de ela o ver.

   - Eu vou ajuda-lo. – Disse Demi a Derick sabendo que Rose teria um ataque de inveja, mas ela não tinha dito para atingi-la. – Joe, sou eu. – Avisou antes de adentrar o banheiro sobre o olhar atento de Joe. Ele até segurava a toalha contra o corpo todo envergonhado. – Tudo bem? – Perguntou o olhando nos olhos quando começou a ajuda-lo com o corpo molhado.

   - Estou com muito frio e isso está doendo. – Murmurou mostrando o tornozelo direito. Não estava inchado e não havia feridas expostas, mas ainda sim doía. Joe esperou ansiosamente que Demi dissesse alguma coisa enquanto ela o secava como se ele fosse uma criança. Foi decepcionante não ouvi-la dizer com aquele sorriso sapeca que o ajudaria a ficar quentinho debaixo da coberta pesada como deveria ser para sempre.

   - Sua prima está com uma compressa com gelo esperando por você. Depois peça alguém para enfaixar, vai ajudar. – Disse Demi assim que o vestiu com o calção de dormir evitando todo contato visual porque ela sabia que não resistiria e acabaria o beijando.

   - Dem, obrigado. – Joe não a deixou partir. Esforçou-se mesmo sentindo o tornozelo doer e antes que Demi pudesse sair, ele a tocou gentilmente no ombro. – Eu vou pedir para eles saírem, fica comigo? – Pediu quando ela o olhou nos olhos. – Nós podemos conversar, por favor. – Tornou a pedir de cenho franzido e Demi o olhou no peito nu.

   - Nós já conversamos tudo que tínhamos para conversar, Joseph. – Quando a luz piscou, Demi franziu o cenho porque sabia que aquela chuva a deixaria confinada por mais tempo ali junto com Joe. – Eu só vou esperar essa chuva passar para voltar para Nova York. Bem, você está em boas mãos, não vai precisar de mim. – Disse o olhando nos olhos odiando como Joe estava lindo. As bochechas dele às vezes ficavam coradas normalmente, a barba que tinha sido feito na noite passada já começava aparecer numa leve sombra escura. O cabelo curto estava úmido e todo bagunçado espetado para todos os lados. E aqueles olhos verdes eram demais. Não existia homem mais lindo que aquele e a vontade de Demi era de mimar Joe e ama-lo com todas as forças ignorando tudo que tinha acontecido.

   - Vai demorar muito para chuva passar. – Disse Joe sem conseguir esconder como estava triste. – Eu só.. Só quero conversar com você, por favor, dê mais uma chance para nós dois. – Pediu a puxando para os braços e foi muito bom poder abraça-la e ter o abraço correspondido. – Ei, eu amo você e sou um idiota, mas fica comigo mesmo assim. Prometo que tudo vai ficar bem, que nós vamos ser felizes e vamos construir nossa família juntos. – Disse secando uma lágrima de Demi para depois beija-la na boca sendo correspondido com a mesma paixão e intensidade. – Só fica comigo, meu amor. – Pediu nos lábios dela e Demi nada disse, devolveu o beijo um pouco desesperada para depois se aninhar ao peito de Joe deixando muitas lágrimas rolarem quando ela ouviu o coração dele batendo.

   - Vamos.. Está ficando frio e você precisa de uma blusa. – Demi evitou o máximo contato visual possível porque sabia que iria chorar caso fizesse. – Vamos cuidar desse pé, ok? – Ela não o olhou nos olhos nem quando Joe limpou as lágrimas e a acariciou no rosto.

   - Eu vou ficar bem, não precisa chorar. – Pediu pacientemente e Demi desfez do abraço para limpar as lágrimas e se recompor.

   - Vamos. – Como ela era baixinha, não ajudava em nada ajudar Joe a caminhar, mas mesmo assim tentou e quando a porta do banheiro foi aberta, Demi se perguntou do porque que Rose ainda estava naquele quarto e a olhava feio. – Consegue terminar de vestir a roupa sozinho? – Perguntou a Joe e ele fez aquela carinha de cachorrinho carente a olhando.

   - Não, eu preciso da sua ajuda gatinha. – Ele conseguia se vestir sozinho, mas não iria desperdiçar a oportunidade de ficar com Demi por nada! – Vocês podem ir, a Dem vai cuidar de mim. – A vontade de gargalhar da cara de poucos amigos de Rose foi tanta, que por um pouco Demi o fez da forma mais debochada e zombeteira possível encarando a menina.

   - Joseph, eu trouxe a compressa e foi enfaixar seu tornozelo depois. – Explicou-se Rose intrigada olhando para o primo, que deu de ombros prontamente.

   - Obrigado, Ro. Mas a Dem vai cuidar de mim, vou ficar bem. – Joe virou as costas para prima e quando adentrou o closet, chamou por Demi todo manhoso para que ela o ajudasse a vestir uma roupa de frio.

   - Obrigada. Eu vou cuidar bem do Joe. – Ah! Ela não conseguiu evitar o sorrisinho de lado quando olhou para Rose, que bufou irritada saindo do quarto deixando a compressa sobre a cama. – Daqui a pouco vou descer para buscar o café da manhã dele. – Disse a Derick que assentiu deixando o quarto. – Encontrou uma camisa? – Perguntou adentrando o closet e Joe negou balançando a cabeça.

   - Eu estava esperando por você. – Disse um pouco envergonhado. Era que ele gostava muito de quando Demi cuidava dele, era tão bom ter a atenção dela toda pra ele. Na chegada do inverno em NY, ficar resfriado foi inevitável, mas por um lado tinha sido tão bom porque Demi era paciente e sempre cuidava dele o mimando e o enchendo de atenção.

   - Esse suéter vai te aquecer bem. – Deu trabalho escolher uma peça de roupa, mas quando viu o suéter cinza de lã, Demi soube que seria perfeito para aquecer Joe depois daquele banho de chuva gelada. – Joseph, colabora. Você pode muito bem vestir a parte de cima sozinho. – Resmungou porque ela não era alta o suficiente para auxilia-lo com o suéter.. – Tomou insulina? – Perguntou toda autoritária o olhando e ele apenas negou balançando a cabeça.

   - Está na gaveta, pode pegar para mim? – O movimento brusco feito por Demi para abrir a gaveta indicada por Joe resultou no movimento dos pertences guardados lá dentro, e coincidentemente as camisinhas saíram do saquinho de papel. Demi não comentou sobre o ocorrido, nem mesmo que elas eram de sabor, o sabor preferido que ela sempre pedia Joe para comprar.

  - Aplica e enquanto esperamos o tempo de fazer efeito, vou colocar a compressa no seu pé. – Disse o entregando a injeção de insulina para Joe aplica-la no músculo do braço sem grandes problemas. – Está tudo bem para andar? – Ele não podia ser tão dependente dela. Demi franziu o cenho porque nos poucos segundos que ela foi ao banheiro descartar a injeção, Joe continuou parado no mesmo lugar a esperando.

   - Só se você me ajudar. – Não era manha. O tornozelo realmente doía e mesmo quando Demi o ajudou o abraçando de lado na tentativa de sustentar o corpo dele, deu muito trabalho para chegar à cama e para se deitar. – Acho que isso queima. – Murmurou minutos mais tarde porque a compressa de gelo encostada ao tornozelo o deixava desconcentrado e com muito frio no pé direito.

   - Não queima, é uma bolsa térmica adequada para compressas. – Comentou Demi porque ela conhecia muito bem compressas, pois quando era mais nova sofria com cólicas menstruais e Selena a socorria com uma compressa quente, cobertores e uma xícara do chá peculiar de orégano. – Vamos fazer uma pausa. Você está sentindo dor ou algum incomodo? – Perguntou o cobrindo com a coberta depois de tirar a compressa porque no tempo que estava sentada na cadeira que tinha puxado para perto da cama, observou que Joe tinha espirrado indicando que tomar um banho gelado de chuva não o fez bem.

   - Não está doendo tanto, acho que quando enfaixar vai ajudar. – Disse Joe a olhando. Ele estava ansioso para que Demi conversasse com ele sobre qualquer assunto porque era ruim ficar em silêncio. – Não estou sentindo mais nada, aliás, só um pouquinho de frio. – Resmungou puxando as mangas do suéter para cobrirem as mãos.

   - Ótimo. – Foi apenas um murmuro. Demi cruzou as pernas e preferiu voltar a atenção para o aparelho celular. Só que era uma pena que a internet não estava funcionando devido à chuva estrondosa que caía lá fora. Um pouco um paciente, Demi olhou na direção da janela do quarto e a viu cheia de gotículas de água e o céu numa mistura de lilás com cinza.

   - Oi. – Murmurou Joe a olhando todo curioso com aqueles lindos olhos verdes a olhando fixando e Demi arqueou uma sobrancelha. – Nós estamos sozinhos... Por que não podemos conversar? – Perguntou ainda a olhando e Demi esboçou um pequeno sorriso de lado.

   - Eu estou apenas sendo solidária porque eu me importo com a sua saúde, nada mais. – Disse clara e objetiva o olhando nos olhos. – O que aconteceu hoje não muda a minha decisão. Você é apenas o meu ex-namorado e eu vou cumprir com a minha palavra: vou fazer o melhor possível em prol da sua saúde, apenas isso. – Era horrível ter que ser dura com ele. Demi sentiu o coração doer quando Joe desviou o olhar cabisbaixo. Mas era preciso ser dura, porque ele precisava saber que não era porque ela tinha o deixado beijá-la mais cedo que as coisas tinham voltado ao normal.

   - Sabe.. – Começou a dizer olhando para o teto do quarto observando que os adesivos fluorescentes brilhavam clarinho. – Eu errei com você apenas uma vez e foi o suficiente para que tudo que nós vivemos juntos nesses seis meses fosse jogado no lixo como se não tivesse nenhum valor. Isso me machuca tanto. – Disse deixando uma lágrima rolar e Demi franziu o cenho indignada com as palavras que ouviu.

   - Você não errou comigo apenas uma vez. Se esqueceu de quando você omitiu sobre os meus pais? E a droga do quase beijo com a sua amiga? Fora a sua prima de brinde, que além de querer roubar você de mim, é uma cobra venenosa e sem educação que veio para cima de mim cheia de desaforos como se ela tivesse algum direito de me julgar. Além de me sentir traída por você, eu também me sinto humilhada, e não só pela Rose, também tem o seu tio e primos. – Demi colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha quando fez uma pausa, mordeu o lábio inferior e olhou Joe nos olhos. – Sinceramente, eu poderia até relevar tudo isso, mas o que você escondeu durante meses não tem justificativa boa o suficiente para limpar a sua barra. Eu sempre fui tão verdadeira com você em todos os aspectos. Sempre contei o que me agradava e o que me desagradava mesmo sendo motivo de brigas entre a gente. Você acha que quando eu estava com você e o Jake eu estava satisfeita de estar com dois caras? Claro que não, me senti tão mal por te colocar naquela situação, que tentei resolver da melhor forma possível. É isso o que mais doí, essa traição. – Talvez não restassem mais lágrimas. Demi sentiu o coração gritar de dor no peito, sentiu um nó na garganta e um tremendo frio na barriga. – Eu teria medo de perder você, teria medo de não encontrar um doador, teria medo de que tudo desse errado, teria um momento que nós pensaríamos que não existiriam mais esperanças, mas nós enfrentaríamos tudo isso juntos como um casal. Seria sofrido, eu sei como seria.. E o mais importante, seria real, nós iríamos vencer tudo juntos. E mesmo que não desse certo, eu ficaria satisfeita de ter lutado com você. Me sentiria.. Me sentiria honrada de ter amado você nessas circunstâncias, seria um amor que eu jamais esqueceria. – Ela não cedeu às lágrimas de Joe, desviou o olhar do dele para um ponto qualquer, mas quando o ouviu soluçar e começar a chorar alto, os olhos marejaram e Demi se levantou porque não ficaria mais ali, iria embora para longe daquele homem e sofreria o que tinha que sofrer até o coração se recuperar, se é que aconteceria...

   - Você por acaso acho que tudo isso foi fácil para mim? – A voz soou um pouco alterada por conta do choro e a dor no tornozelo não era maior que a dor no coração, jamais! E era um absurdo compara-las porque Joe se sentia quebrado, fraco e tão desnorteado. – Por acaso você acha que tudo isso foi fácil para mim? – Repetiu em pé logo atrás de Demi. – Você acha que é fácil receber pratica..praticam..praticamente uma sentença de morte? – Gaguejou deixando as lágrimas rolarem. – Não foram escolhas simples, nenhuma delas. Eu fiquei assustado e sem saber o que fazer, só achei que levar mais problemas enquanto a sua vida estava desabando não seria bom. Eu fui um burro, tomei muitas decisões erradas, mas todas elas foram baseadas em ver você bem e feliz porque eu te amo e é insuportável te ver triste. – Ainda havia tanta coisa para dizer, Joe queria que Demi o entendesse e o perdoasse, e acabava se desesperando com as palavras dizendo apenas o que era de fato importante se esquecendo dos detalhes, que na cabeça dele não faziam diferença.. Já na de Demi, era outra história.

   - Pelo amor de Deus, agora a culpa é minha? – Perguntou assim que se virou para olhá-lo. – Você fez e decidiu tudo sozinho. Eu fui a sua companheira e merecia saber, merecia ter tido a chance de cuidar de você. – O fato de Demi conjugar o verbo ser no passado com tanta certeza o matava. Antes que ela pudesse abrir a porta do quarto, Joe a puxou pelos ombros e a olhou nos olhos.

   - Por favor, me perdoa. – Pediu a olhando nos olhos sentindo que sem ela, ele não conseguiria vencer.

Não era uma situação simples e o perdão não viria com tanta facilidade, não quando algo chamado confiança estava estraçalhado e não se reconstruiria apenas com palavras. Demi queria dizer que o perdoava, mas não conseguia porque estava magoada. Com Joe, ela teve o relacionamento mais profundo e intenso de todos os outros, ele foi o homem que ela mais amou em toda vida. E ser machucada por ele era uma grande surpresa desagradável onde não existiam palavras capazes para mensurar a dor. Só que ao olhar nos olhos de Joe, pareceu que nada tinha acontecido. Num impulso, Demi se aproximou guiando as mãos para os braços onde tocou como se através daquele contato pudesse gravar cada detalhe da estrutura dos músculos e da maciez da pele morena clara.

~PLAY~

Joe foi quem fechou os olhos primeiro para sentir as mãos de Demi o tocando nos braços, espalmando o peito e quando elas subiram do pescoço para nuca onde as mechas curtas de cabelo foram puxadas, ele se curvou para sentir os lábios de Demi se encaixarem aos dele num beijo que o fez encostar a namorada contra a porta do quarto e ofegar quando rapidamente se cansou de empurrar a língua contra dela.

   - Você está bem, querido? – Perguntou Demi preocupada porque Joe estava parado de olhos fechados respirando fundo se recuperando.

   - Por favor, tenha um pouquinho de paciência comigo. – Pediu esboçando um pequeno sorriso e Demi franziu o cenho de olhos marejados porque ela não tinha gostado nada do que aquilo poderia significar.

Quando o beijo aconteceu novamente, foi calmo, porém intenso e apaixonado a ponto de os dois sentirem o coração disparar no peito. Demi ainda derramava lágrimas e Joe interrompeu o beijo só para limpa-las com beijinhos e olhar a namorada nos olhos fazendo-a desabar no choro a ponto de soluçar e ter as mãos tremulas o tocando como se fosse a última vez que eles ficariam juntos. E para Demi, era.

   - Não chora, linda. Por favor, eu prometo que sempre vou estar com você. – Demi se agarrou a Joe e chorou por alguns minutos. Por que tudo tinha que ser daquela forma? Será que ela não podia ser simplesmente feliz sem complicações? – Eu sinto muito, eu não queria que fosse assim. – Disse ao olha-la nos olhos e Joe quis se xingar porque o coração doeu. Ele nunca tinha visto Demi naquele estado de tristeza, e não era a primeira vez que ela desabava nos braços dele.

   - Você só tem que me prometer que vai lutar até as suas últimas forças, independente do que aconteça. – Disse o olhando nos olhos e Joe assentiu prontamente. Por ela, ele faria o impossível sem pensar em desistir. – Só me prometa que você não vai morrer. – Pediu o olhando nos olhos mostrando como estava devastada com a ideia e Joe franziu o cenho, era algo que não estava no controle dele e de nenhum ser humano, mas assentiu porque faria o que podia para se manter vivo.

   - Eu prometo. – Disse sem ousar em interromper a troca de olhares e para selar a promessa, Demi o beijou na boca o empurrando na direção da cama.

A última coisa que Joe esperava era que Demi se levantasse para trancar a porta e que tirasse as roupas da parte de cima em frente a ele o olhando nos olhos. E como sempre, quando acontecia ele perdia o fôlego! Beijaram-se com paixão e as mãos masculinas estavam felizes por trocarem cada pedacinho da cintura delicada para logo se instalarem sobre a parte favorita, mesmo estando protegidas: os seios.

Era uma droga tudo estar acontecendo rápido demais. Enquanto Joe queria que fosse devagar, Demi o empurrava e o puxava para se livrar das roupas dele até que o tinha completamente nu e corado nas bochechas enquanto ela o levava para dentro do corpo com certa pressa. Era apenas nervoso e ansiedade. Joe conhecia muito bem a mulher que amava, e foi por isso que ele gentilmente a beijou nos lábios e a deitou na cama a enchendo de beijos no torso e nos seios procurando sempre ser carinhoso. De joelhos, ele tinha a melhor vista do mundo. E ao encontrar os olhos marrons o olhando, sorriu apaixonado e admirou cada pedacinho do corpo de Demi sem pressa desde o rosto livre de maquiagem mostrando as sardinhas, os lindos olhos marrons, o nariz suave e aqueles lábios que exibiam o sorriso mais lindo que um dia ele já viu. Os seios eram sempre lindos e Joe sempre amaria como eles eram médios arredondados e de mamilos marrons que se ressaltavam na pele alva. E aquela barriga? Quando a vontade veio, ele a beijou e mordeu na curva da cintura e ao se erguer, sorriu fitando o pequeno paraíso por entre as pernas. Sempre seria o melhor lugar de todo o mundo. Deitando-se sobre Demi, uma mão a acariciou no bumbum e a outra na coxa quando ele a penetrou um pouco sem jeito e tentando organizar o pé direito de uma forma que não sentiria tanta dor no tornozelo.

Durante o tempo que ficaram juntos, os dedos estavam enlaçados e as mãos descansavam acima da cabeça de Demi em meio a cabeleira castanha que vez ou outra era puxada quando aumentavam o ritmo.. Os lábios sempre estavam roçados e Joe impunha o ritmo devagar e apaixonado fazendo daquele momento algo muito maior e especial que sexo.

   - Você nunca fica quietinha. – Era um fato incontestável. Sorrindo, Joe se acomodou a cama deixando que Demi tomasse partida como ela gostava. Acolheu-a sobre o corpo e quando ela o levou para dentro de olhos fechados, ele a puxou para se deitar sobre o corpo e a beijou na boca empurrando contra ela devagar e todo apaixonado fazendo a namorada gemer baixinho e se agarrar a ele.. – Ei, você é linda, princesa. – Elogiou quando envolveu a cintura dela com um braço, e com a mão livre ele tocou o cabelo castanho colocando algumas mechas atrás das orelhas de Demi. – Não quer ficar quietinha deitada? – Perguntou minutos mais tarde de cenho franzido porque queria que Demi dissesse alguma coisa para interagir com ele. Em todo momento ela estava quieta sem fazer muitos barulhos, só sabia que estava bom para ela porque Demi o olhava nos olhos e retribuía os beijos na mesma intensidade enquanto ele a abraçava pela cintura e movimentava o corpo contra o dela. – Dem? – Chamou se erguendo um pouco para olha-la nos olhos porque Demi tinha a cabeça deitada no peito dele.

   - Continua Joe, eu estou quase lá. – As bochechas dele coraram muito com a forma como Demi se agarrou a ele e gemeu baixinho o abraçando apertado.

   - Quero que você olhe nos meus olhos. – Pediu adentrando o cabelo da nuca dela com os dedos para massageá-los quando Demi o olhou nos olhos de cenho franzido e quieta deixando que apenas ele se movesse. – Princesa, eu amo muito você. – Quem chegou ao ápice foi Demi, mas quem estava mais que satisfeito era Joe por ver a namorada relaxar nos braços dele se entregando ao prazer e murmurando um eu te amo toda manhosa e apaixonada. – Ei, eu quero um beijo seu. – Disse Joe brincando com a ponta dos dedos no cabelo da nuca de Demi enquanto ela murmurava baixinho descansando o corpo sobre o dele. – Amo você. Sempre vou amar. – Olharam-se por muitos segundos até que trocaram um beijo simples.

   - Eu também amo você e sempre vou amar, não importa se vamos ou não ficar juntos. – Era assunto para mais tarde, e Demi mordeu o lábio inferior se repreendendo por ter tocado no assunto.. – Desculpa, agora tudo que eu quero é sentir como você me ama e mostrar como eu amo você. – Disse se erguendo para beijá-lo na boca. – Eu nunca amei alguém como amo você, Joe. – Demi respirou fundo e não deixou de observar como Joe era lindo e simplesmente beijável quando estava nu. Ele tinha a deitado na cama e a olhava atentamente nos olhos. – Meu bebê. – Comentou sorrindo das bochechas coradas dele. Era fofo e absurdamente sexy! A íris dos olhos dele eram de um verde tão magnífico, a pele morena clara era exclusiva e combinava com a cor do cabelo castanho escuro e com a sombra da barba que começava a nascer. – Vem, bebê. – Chamou o empurrando na cama pequena para se deitar com as costas para cima ainda observando como Joe a olhava. Era como se ele pudesse enxergar a alma dela e aquilo tornava tudo mais intenso e fora do comum.

   - Eu sempre soube que fazer amor com você nessa cama seria sensacional. – Comentou Joe deslizando a ponta dos dedos pela coluna de Demi para depois morde-la no ombro esquerdo. – Amor, você sabe que essa é a minha posição favorita, mas hoje eu só quero algo mais calmo e apaixonado como um papai e mamãe... – Demi riu do jeitinho de menino dele e se deitou de barriga pra cima levando a mão para toca-lo no peito nu gostando de sentir a textura macia da pele e os pelos escuros do peito.

   - Você só tem que puxar a coberta para nos cobrir, está frio. – Demi tinha se esquecido de que o mundo se acabava em água lá fora, só se lembrou de quando o relâmpago clareou o quarto num tom de azul claro e o barulho do trovão foi horripilante. – Me abraça Joseph. – Pediu um pouco assustada olhando na direção da janela para depois olhar para os olhos de Joe quando ele se deitou sobre ela conectando os corpos.

Daquela vez foi diferente, não trocaram muitas palavras, pois os gestos, toques e expressões mostravam muito mais do que uma simples frase poderia transmitir. Como Demi tinha sugerido, Joe puxou a coberta para cobri-los. Por todos os minutos, ele estava por cima se movimentando com tanta paciência, amor e cumplicidade sempre olhando Demi nos olhos ou a beijando na boca, mordiscando o queixo e o pescoço enquanto ela era um pouco mais agressiva o mordendo no ombro e no queixo barbado, arranhando as costas largas e o abraçando com força contra o corpo.

Em um momento, quando Demi derramou lágrimas, o coração de Joe doeu tanto. Ele também derramou as dele e fez como o coração pediu: beijou os lábios de Demi como se neles fosse encontrar a cura de toda dor e sofrimento, abraçou-a contra o corpo e se deitou sobre o dela entre os soluços e movimentos vagarosos enquanto o cabelo curto da nuca era puxado pelos dedos femininos.

Aos poucos encontraram o caminho que precisavam com a ajuda da chuva que tinha ajudado tanto a focarem apenas neles e naquele momento. Os olhares foram intensos, os gemidos baixos e íntimos, os toques vez eram ousados e carinhosos, vez eram ousados e quentes. Os beijos mostravam muito de como se sentiam, eram apaixonados, pouco agressivos e intensos num ritmo que só existia entre duas pessoas que se amavam de corpo e alma.

O ápice da tarde foi quando Joe arfou com o rosto encaixado na curva do ombro de Demi, segurou-a pelas coxas sentindo as costas serem arranhadas enquanto ele se derramava de prazer, paixão e amor junto a Demi, que se sentia noutra dimensão murmurando as palavras: eu te amo.

***

 ~Se você está ouvindo as músicas sugeridas, dá play em Fool for you do Zayn ~

Acordar sorrindo só acontecia quando Demi estava aninhada a ele. E não era para menos. A sensação era incrível e Joe se sentia o homem mais feliz de todo o universo. A primeira coisa que ele fez foi deslizar a ponta dos dedos pela linha da cintura e beija-la delicadamente na testa. Estava bom demais para ser verdade. Os dois nus na cama pequena do quarto onde Joe jamais sonhou que levaria uma namorada. Era demais para ele, e foi por isso que o rapaz sorriu enquanto arrumava a cabeleira de Demi. Ela sempre dormia depois que eles faziam amor. Dormia enroscada a ele e era um pecado pensar em acorda-la, então protegê-la com a coberta e deita-la com a cabeça apoiada no travesseiro pareceu justo. Joe se espremeu no restinho de colchão que sobrou e se cobriu com a coberta.

   - Eu amo você. – Disse para Demi observando os traços do rosto e como o cabelo, mesmo bagunçado, conseguia ser atraente com a cor castanha e as leves ondas que formavam nas pontas. – Desculpa por ser tão idiota. Não mereço a mulher incrível que você é, mas não quero que você me deixe. Fiquei apenas três dias longe de você e foi o suficiente para eu me sentir sozinho, estranho e tão mal-humorado. Como vou ficar bem sem você? – Joe a abraçou e a beijou na bochecha se encostando a ela quando Demi murmurou o nome dele toda manhosa. E foi aí que ele não quis solta-la, aninhou-se a ela e acabou adormecendo novamente feliz.

Mais tarde Joe acordou com sutis batidas à porta do quarto. Ele ainda estava tão enroscado a Demi e se dependesse dele, não se levantaria tão cedo daquela cama, mas como tinha que atender a porta e não sabia quantas horas eram, resolveu se levantar murmurando baixinho porque por um momento acabou se esquecendo de que o tornozelo estava machucado.

   - Quem é? – Perguntou Joe de cenho franzido porque deu muito trabalho para vestir a cueca e ele não fazia ideia de como poderia vestir a calça.

   - Sou eu, Joe. A vovó está chamando para comer. – Era a voz de Derick, o que foi um alívio. Joe terminou de vestir a calça com certo sacrifício e mancando entreabriu a porta do quarto.

   - A Dem está dormindo. Eu já vou descer. – Disse ao amigo sem conseguir evitar o sorriso e Derick tão sorriu mesmo estando corado. – Me espera, só vou vestir uma camisa. – Ele fechou a porta porque jamais deixaria outra pessoa ver a namorada nua. Joe arrumou mais a coberta ao corpo dela e sorriu todo apaixonado a olhando se aninhar a cama toda manhosa e preguiçosa como sempre.

   - Não vai acorda-la para comer? – Perguntou Derick observando o amigo trancar a porta do quarto e guardar a chave no bolso do calção de dormir.

   - Eu deixei a cópia da chave no criado-mudo. – Explicou-se Joe um pouco envergonhado porque a última coisa que queria era que Derick pensasse que ele era um obcecado ciumento, a porta estava trancada por segurança e porque Lucas com certeza estava por perto e era muito imprudente e inconsequente. – Vou levar comida para ela no quarto, se ela preferir, descemos para almoçar. Só não a chamei porque ela está cansada e odeia ser acordada enquanto dorme. – Joe sorriu animado ao mesmo tempo em que franziu o cenho porque o tornozelo doeu muito quando ele pisou no primeiro degrau da escada.

   - O que você vai dizer quando perguntarem sobre ela? – Derick ajudava Joe a descer degrau por degrau o sustentando pelos ombros. – Você sabe que vão perguntar. – Disse fitando os olhos do amigo que suspirou.

   - Vou dizer que ela acabou dormindo esperando a chuva passar porque tem medo de raios, o que não é mentira. – Estava longe de ser uma mentira. Joe sorriu com a lembrança de Demi toda quietinha o abraçando enquanto eles faziam amor porque estava assustada com o barulho dos trovões. – E ela também fica toda tímida para falar com o pessoal. – Disse sorrindo pensando em como Demi era fofa e ele um sortudo por tê-la.

   - E vocês estão bem? – Perguntou Derick ajudando Joe a descer o último degrau da escada e o olhando para saber o que o amigo iria dizer. – Vocês ficaram juntos a manhã toda..

   - Nós.. – Era a primeira vez que Joe parava para pensar na questão depois que tinha acordado. Era uma boa pergunta, ele não fazia ideia do que poderia responder. Eles tinham começado a discutir e depois acabaram na cama, disseram palavras bonitas um para o outro que eram mais que verdadeiras. Tinha que significar algo positivo. – Eu acho que sim. Ela não está muito brava com o que contei sobre a Rose e nem sobre a Evelyn.. É outra coisa que ainda não contei para vocês. – Joe sentiu o coração doer com o olhar de Derick.

   - O que você quer dizer? – Perguntou Derick desconfiado e assustado. Para Demi não estar chateada com Rose e Evelyn, o que de fato deixaria qualquer pessoa maluca, teria que ser algo realmente muito grave. Ainda mais porque mais cedo ele tinha ouvido Demi chamar Joe de mentiroso.

   - Nós conversamos sobre isso depois. Eu estou com fome. – Disse Joe o olhando e para quebrar aquele ar sério de Derick, ele o abraçou de lado.

   - Estou preocupado com você desde o dia que chegou. – Disse Derick sem corresponder a brincadeira de Joe. – Você é o meu melhor amigo e eu mal o conheço. Você deveria me contar tudo o que está acontecendo, mas ao invés de contar você só fica cada dia mais estranho e distante. Nós mal conversamos, eu saí de casa para ficar esses dias com você e.. O que está acontecendo? – Derick estudou as feições de Joe e franziu o cenho quando sentiu que o amigo ficou estranho e tenso.

   - Eu prometo que vou contar, só que agora é complicado. – Disse Joe se sentindo culpado porque ele sabia que estava estranho, sabia que não tinha sido gentil e nem o amigo de sempre que era para Derick. – Desculpa, eu não queria te deixar de lado e fiquei tão chateado com tudo que aconteceu em Nova York, que acabei guardando tudo para mim. Prometo que nós vamos conversar e vou contar tudo, mas depois. – Ele só fazia carinha de cachorro carente para Demi, e foi muito estranho quando involuntariamente a fez e teve o resultado desejado.

   - Eu vou cobrar. – Disse Derick um tanto sério e Joe sorriu o abraçando de lado. – Você fica todo sorridente quando está com ela. – Comentou e Joe riu todo sapeca porque não negava, Demi o deixava bobo, e ele gostava muito da sensação.

   - Ela me faz feliz. – Comentou cabisbaixo porque estava com vergonha. – Nós conversamos sobre isso depois. – Disse sustentando o olhar de Derick. – Eu realmente estou faminto. – A barriga chegou a fazer barulho. Ele não tinha consumido nenhum alimento durante todo o dia e acabou gastando muita energia com Demi.

   - Cadê a sua namorada, Joseph? – Era um comentário inofensivo de uma das primas mais novas, porém foi o suficiente para Joe ficar corado e todo sem jeito pela quantidade de comida que tinha colocado no prato e a velocidade que comia para poder subir logo para poder ficar com Demi.

   - Ela acabou dormindo mais cedo esperando a chuva passar. – Disse Joe todo coradinho mais focado em olhar pra comida a pequena Beatriz.  – Eu não quis acordá-la. – Murmurou ainda envergonhado porque todos estavam em silêncio almoçando. Joe ainda arriscou olhá-la e fuzilou Lucas quando teve a oportunidade e franziu o cenho ao olhar para Rose que também o olhava. – Com licença. – Disse Joe se levantando e trocando um rápido olhar com Derick.

   - Você não vai comer? – Perguntou Clara se aproximando do neto ao perceber que ele tinha colocado o prato sobre a pia ainda com uma boa quantidade de comida. Antes ela estava tão satisfeita por ver Joe comer com tanta vontade.

  - Vou terminar no meu quarto. – Disse olhando brevemente para avó. – Vou acordar a Dem e levar comida para ela, tudo bem? – Perguntou por que sabia que Clara não gostava que as refeições fossem feitas noutro lugar além da mesa da cozinha.

   - Faça do jeito que você achar melhor, meu amor. – Joe sorriu e antes que a avó pudesse voltar para mesa, ele a beijou na testa.

Demi não era de comer muito, então Joe colocou apenas a quantidade de alimentos que saberia que a namorada iria gostar: macarrão com queijo, bife de carne e bolinho de arroz junto a dois pedacinhos de brócolis, que não fariam mal a ninguém. Depois que esquentou a comida no micro-ondas, Joe fez careta porque era ruim segurar um prato carregado com comida quente, mas mesmo assim ele o fez e com certa dificuldade por conta do tornozelo, caminhou para fora da cozinha.

   - Como está o pé? – A voz de Rose o assustou a ponto de Joe quase derrubar os dois pratos enquanto tentava subir os primeiros degraus da escada vagarosamente.

   - Está melhor. – Disse sem muita vontade porque tinha se lembrado das palavras de Demi mais cedo. – O que você quer? – Perguntou a olhando e Rose franziu o cenho sem entender o porquê que Joe estava carrancudo com ela.

   - Eu só queria saber se você está realmente bem. Você praticamente nos expulsou do seu quarto e depois disso não tive notícias. – Explicou o olhando nos olhos.

   - Eu estou bem. A Demi cuidou muito bem de mim. – Disse a olhando. – O que você disse para ela? – Perguntou sustentando o olhar de Rose porque ele tinha se lembrado do que Demi tinha dito sobre Rose humilha-la e julga-la. – Eu gosto muito de você, mas não quero que você se meta do meu namoro de forma alguma. – Murmurou um pouco sem jeito porque sabia que Demi tinha razão: Rose sempre tentaria engana-lo de alguma forma para ficar com ela, o que não ajudava em nada na situação que ele se encontrava.

   - Não me lembro de você ser tão grosso. – Rose pareceu tão ofendida que por um pouco Joe pediu desculpas, só não o fez porque alguma coisa dentro dele dizia que os beijos na noite formatura tinham partido de Rose, pois ele jamais tinha a enxergado como uma mulher que se envolveria romanticamente. – O que eu disse a ela foi apenas à verdade. Não tenho culpa se ela se ofendeu. Contei o que aconteceu na noite da minha formatura e disse que ela não é mulher suficiente para você. – Disse o olhando nos olhos e Joe franziu o cenho irritado.

   - Se ela não é mulher para mim, você nem mesmo chega perto de ser. – Toda vez que Rose falava daquela forma, ela o irritava. E como irritava.  Joe virou as costas para continuar subindo a escada mesmo com dificuldade, tudo que importava no momento era como ele faria para recuperar o namoro.

   - Eu não quero você dessa fora, tudo que quero é que você fique bem e feliz, seu estúpido! – Por que diabos Rose tinha dito alto demais? Joe franziu o cenho e respirou fundo procurando um pouco de paciência para usar naquela situação. – Como você tem coragem de compartilhar a sua vida com uma destruidora de lares que tem a maior cara de pau de te chamar de mentiroso? – Quando olhou para trás, Joe sustentou o olhar de Rose de cenho franzido. A ideia era melhorar as coisas com Demi, não piora-las drasticamente.

   - Você não sabe o que está dizendo. Vai cuidar da sua vida. Eu já sou bem grandinho para cuidar da minha sozinho. – Por que tinha que ser complicado daquela forma? Joe deixou Rose falando sozinha e terminou de subir a escada o mais rápido possível sem se importar com a dor. Não dava para ser uma viagem tranquila e agradável? Parecia que jamais existiria paz e bons momentos.

Por meses Jake tinha os perturbado junto a Dianna, depois veio Mary, então Inácio e agora era a vez dele e dos parentes. Não existiam grandes complicações em fazer daquela viagem uma lembrança boa, mas tudo estava dando errado e ficando cada vez mais difícil de corrigir. Quando entrou no quarto, Joe trancou a porta e respirou fundo um pouco aliviado. Ao menos Demi continuava dormindo tão serena e linda. Caso tivesse ouvido as palavras de Rose, Demi ficaria triste.

   - Princesinha, acorda. – Chamou-a todo carinhoso dando um beijinho atrás da orelha direita de Demi. – Amor, acorda gatinha. – Joe acabou se deitando quando Demi murmurou o puxando para abraça-lo. – Ei linda, acorda. – Ele sorriu quando ela abriu os olhos ainda sonolenta se aninhando a ele.

   - Oi. – Demi ainda deu um selinho nos lábios de Joe e forçou um pequeno sorriso quando descansou a cabeça no peito largo. – Como está o tornozelo? – Perguntou tímida porque estava completamente nua enquanto Joe vestido.

   - Está melhor, só dói quando ando. – Explicou-se depois que deu um selinho nos lábios dela. – Trouxe comida para você. – Joe franziu o cenho quando Demi se ergueu cobrindo o corpo com a coberta. Se fosse da vontade dele, ela ficaria nua durante todo o dia naquela cama enquanto eles conversavam, riam e faziam amor da forma mais apaixonada.

   - Pega minha camisa? – Pediu um pouco envergonhada porque a camisa estava longe da cama, assim como o sutiã. – É sério, Joe! – Demi acabou rindo do olhar sugestivo dele na direção dos seios, o que resultou num beijo breve e uma troca de olhares apaixonada.

   - Pensei que nós ficaríamos aqui o dia todo namorando. – Disse Joe assim que entregou a camisa a Demi.

O que faria? Ao vestir a camisa, Demi se sentou a camisa cruzando as pernas e disse um baixo “obrigada” quando Joe entregou o prato de comida e se acomodou ao lado dela para continuar comendo. O que significava aquela manhã? Alguma coisa tinha mudado entre eles? Discretamente Demi observou o namorado ou ex-namorado saborear uma coxa de frango e ela sorriu quando Joe a flagrou e a beijou carinhosamente mesmo com os lábios um pouco lambuzados na bochecha.

   - A comida é muito boa. – Disse Demi na última garfada do macarrão. Ela não conseguia pensar em algum ruim sobre o Texas. A cidade era pequena, porém tinha uma beleza que a fazia se sentir bem e em paz. O campo era de tirar o fôlego e o céu uma imensidão azul fascinante. A família de Joe era simples, apesar de tudo que tinha. Tirando Rose, Lucas e os primos de Joe, tudo era muito bom e Demi se sentia curiosa para saber mais sobre as histórias de Clara, provar um pouco mais da culinária do Texas e quem sabe ela até poderia aprender a cavalgar com Derick.

   - Eu gosto muito da comida da vovó, é deliciosa. Mas ainda prefiro a sua. – Disse Joe colocando os pratos vazios sobre o criado-mudo.

   - Não tem nada de especial na minha comida. – Disse Demi de cenho franzido. Na opinião dela, a comida de Clara era deliciosa, até melhor que a de muitos chefes dos restaurantes de Nova York. Havia algo fantástico no tempero que destacava o real sabor dos alimentos.

   - Eu gosto porque é sua. É o suficiente para ser especial e a minha predileta. – Ele ainda era tão menino com aquele jeitinho fofo. Lutando internamente contra a confusão de sentimentos, Demi esboçou um sorriso para Joe e resolveu que dar um beijinho na bochecha dele não faria mal a ninguém.

   - Eu te disse que o seu quarto é muito legal? – Foram minutos mais tarde, naquele tempo, Joe tinha segurado a mão direita de Demi com a esquerda e deixou o silêncio falar mais alto.

   - Acho que sim. – Joe sorriu olhando brevemente o quarto. Gostava daquele espaço, era ali que ele passava bom tempo estudando, mas também assustado e reprimido quando Lucas resolvia atacá-lo.

   - Quando você descobriu? – Perguntou Demi muitos minutos mais tarde. A cabeça estava escorada a parede e os dedos enlaçados aos de Joe. – Eu só a última a saber? – Perguntou o olhando nos olhos e Joe negou balançando a cabeça.

   - Descobri uma semana depois do Halloween. Foi através das consultas que você pagou. A médica estava suspeitando, mas só conseguimos o diagnóstico preciso depois de muitos exames. – Explicou de olhos fechados. – Eu fiquei com tanto medo e assustado, só contei para o Steve porque ele.. – Joe franziu o cenho e o massageou envergonhado. – Ele me viu chorando nunca manhã e eu resolvi contar porque não aguentava mais guardar aquilo só para mim. – Foi difícil olhar para Demi, e Joe só o fez porque sentiu o olhar dela o estudando.

   - Ele que deu a ideia você esconder de mim? – Perguntou angustiada e pensando em tantas coisas.

   - Não.. A ideia foi minha. Ele queria que eu contasse para você, mas eu não queria estragar as coisas entre a gente. – Segundos depois Demi assentiu decidida.

   - Eu vou te apoiar e fazer o possível para te ajudar. – Dessa vez ela não o olhou porque o coração doía muito e as lágrimas queriam rolar molhando o rosto e entregando como ela estava frágil e acabada. – Como amiga. – Joe suspirou alto e cobriu o rosto com as mãos enquanto Demi se levantava para terminar de se vestir. – A chuva já passou, as minhas malas estão prontas. Vou para casa. – Doeu tanto dizer aquelas palavras. Demi secou as lágrimas rapidamente e Joe deixou as dele rolarem livremente.

   - Pensei que a nossa manhã tinha significado algo para você. Pensei que nós continuaríamos juntos. – Ele disse chorando e Demi se sentou a cama depois que vestiu a calça.

   - Significou muita coisa. – Disse Demi secando as lágrimas de Joe com tanto cuidado. – Em cada toque eu consegui sentir como você me ama, como você sempre será especial para mim. Significou que eu sempre vou te amar e vai demorar muito para eu te esquecer, talvez eu nunca esqueça ou encontre algum tão especial como você. Mas agora, apesar de todo amor que sinto por você, meu coração está partido, Joe. Eu não consigo mais confiar em você. – Demi acolheu Joe nos braços quando ele chorou desesperado.

   - Descul..pa, por fa..favor, deixa eu con..con..consertar o seu coração. – Pediu a olhando nos olhos e gentilmente Demi o beijou na testa se sentindo péssima por ver Joe naquele estado. – Juro que não foi com má intenção, bem pelo contrário. – Disse mais calmo.

   - Eu sei que não, querido. – Era difícil perdoa-lo, era difícil continuar com algo que nunca foi verdade por mais que a intenção de Joe tinha sido nobre. – Vamos? Eu gostei muito daqui, mas quero ir para casa. – Disse Demi forçando o melhor e mais falso sorriso. – Joseph... – Ela o abraçou de volta sentindo o coração disparar no peito quando Joe a abraçou calorosamente um pouco desesperado.

   - Promete que você vai pensar sobre nós dois? Promete que quando o seu coração estiver bom, você vai me deixar cuidar dele? – Era tão difícil fazer aquelas promessas. Demi fitou os olhos de Joe depois de se concentrar para fazê-lo.

   - Joe.. – Disse baixinho o nome dele o olhando nos olhos. – Eu vou tentar. – Era melhor que uma resposta negativa. E Demi não podia ser hipócrita, pois sabia que seria difícil esquecer Joe, sabia que teriam momentos que ela o desejaria de volta e teria momentos que a ideia seria horripilante. – Eu vou tomar um banho rápido, você está bom para me levar ao aeroporto? – Perguntou olhando o tornozelo direito dele e Joe todo desconcentrado também o fez.

   - Estou.. Eu vou pedir para o Derick descer com as suas mãos. – Foi tão infeliz aquela fala. E o sentimento de Demi não era diferente. Quando ela se levantou, olhou para os lados desconfortável e Joe ficou cabisbaixo porque sentia que o mundo tinha perdido as cores.

   - Então até daqui a pouco. – Disse Demi com lágrimas nos olhos quando Joe murmurou um choroso: até. – Joe, nós somos amigos, não somos? – Perguntou Demi da porta do quarto e Joe se desmanchou em lágrimas quando a olhou balançando a cabeça positivamente.


Continua... Durante todos os dias que escrevi esse capítulo, acabei chorando. Espero que tenham terminado esse capítulo ao som de Don't Cry.. Quem quiser dar uma olhadinha no vídeo no youtube.. :) Oi! Tudo bem com vocês? Eu estou bem e de férias da faculdade!! Améeem! Só continuo com o estágio :/ Enfim... O que vocês acharam desse capítulo? Sei que esperavam uma Rose mais vilã, e uma Demi mais brigona, mas era isso o que tinha para acontecer. O conflito das duas meio que vai só até aqui porque não é o desfeche da fanfic. Acho que com a revelação do Joe, da pra imaginar que as duas personagens vão lutar e sofrer por algo em comum: o Joe... E aí? O que acham que vai acontecer com a volta da Demi para Nova York, falando nisso.. As coisas por lá estão pegando fogo. Nós temos um casal para shippar, ou não, que é o Inácio com a Dianna, as histórias das irmãs da Demi.. O namoro da Anna com o Rick... A gravidez da Selena, o escritório da Demi.. O que acham que vai acontecer? A Demi vai encontrar alguém para tentar curar o coração? E o Joe? Ele ficará no Texas? Voltará para Nova York? Vai cair no mundo e começar a sair com várias mulheres? Quais serão os conselhos do Ed? Tem muita coisa pela frente!! Aahh.. Quero só ver se vocês pegaram os spoilers desse capítulo :) Beijos e obrigada pelos comentários!
ps. atentem-se as palavras em itálico e ao fantástico clipe de Don't Cry.