18.9.17

Capítulo 48 - Parte 2/2


Depois que tinha lido as informações mais importantes, a assinatura por completa estava nos campos necessários. Com o trabalho que fazia todos os dias na área de design, o tempo era o suficiente. Então com mais atividades ficou complicado organizar o que faria primeiro. Antes de tudo Demi preferiu checar o celular com a finalidade de ter notícias de Joe, e ele tinha deixado uma mensagem.

“Meu anjo, já estou em casa com muito sono e vontade de dormir abraçado com você. Ansioso para vê-la. Podemos almoçar juntos?” – Joseph. Era de cinco minutos atrás. Demi ficou com receio de responder, mas quando viu que Joe estava online, ela agilmente digitou uma mensagem para ele:

“Como foi no trabalho amor? Eu quero almoçar com você, mas as coisas aqui estão complicadas. Posso ligar?” – A mensagem foi visualizada no mesmo instante que enviada e a resposta de Joe foi afirmativa.

   - Oi princesa. – A voz dele soou feliz, apesar de também cansada e sonolenta.

  - Oi amor. Como você está? – Perguntou Demi esboçando um sorriso imaginando como Joe deveria estar lindo acomodado a cama e debaixo da coberta como ele gostava.

   - Com saudade de você. E você, princesa?

   - Também estou com saudade de você. Muita. Mas também estou atolada de trabalho. O Marcus esteve aqui tem poucos minutos. Terei que trabalhar em outro setor e ser responsável pela contratação de novos funcionários. – Disse tão entediada relaxando o corpo na poltrona. – Eu terei que viajar ainda hoje.

   - Viajar? – Ele estava mal humorado. Toda vez que Joe ficava com cara de poucos amigos, a voz tímida passava a apresentar uma tonalidade mais grave e tediosa.

   - Baltimore. Três horas de carro. Vou palestrar sobre tecnologia gráfica para universitários. – Resmungou porque ela não gostava da ideia de ficar sem Joe.

   - Você volta que dia?

   - Ainda hoje provavelmente às onze da noite.

   - Eu vou sentir sua falta.

   - Eu também vou sentir a sua. Era o nosso horário... Eu não pude fazer nada, o Marcus não me deu opção.

   - Tudo bem, anjo. Eu não vou poder te ver hoje?

   - As três eu estou saindo da empresa, você pode ficar comigo no meu apartamento enquanto arrumo as minhas coisas. Vou viajar as quatro.

   - Tudo bem amor, eu posso busca-la?

   - O Marcus disse que um carro me buscaria, mas posso dispensá-lo e ir com você.

   - Três em ponto eu estou aí.

   - Eu vou esperar. Você chegou que horas?

   - Não tem muito tempo... Há quase uma hora.

   - Tudo tranquilo por lá? Eu acabei dormindo.

   - Sim. Eu ainda estou me acostumando. Você tinha que dormir. Ficar sem dormir à noite é horrível, parece que a hora não vai passar nunca.

   - Você não precisa ficar sem dormir à noite...

   - Dem, nós já conversamos sobre isso.

   - Eu sei. Nós perdemos alguns funcionários.. Hoje vai ter seleção, posso falar com o Marcus sobre o seu caso.

   - Eu não quero trabalhar na Gyllenhaal. Sei que meu novo emprego não é o melhor do mundo, mas é o que eu tenho, princesa.

   - O seu sonho era trabalhar aqui.

  - Meu sonho era trabalhar com o Jason.. Eu não posso trabalhar mais aí.

  - Joseph.. Tudo bem, entendi. Diga oi para Lucy. – Disse quando ouviu a cadelinha latir.

   - Ela está mandando um oi para você e disse que está com saudade. – Demi riu e quando os imaginou, o coração transbordou de amor pela pequena família que ela tinha.

   - Eu também sinto saudade dela. – Disse toda sorridente. – Amor, eu tenho que desligar, estão batendo à porta. Nos vemos mais tarde, amo vocês.

   - Nós também amamos você. Até mais tarde.

   - Até mais tarde, bom descanso.


O resto da manhã se resumiu em analisar documentos e visitar os outros departamentos para realizar as atividades que Marcus tinha pedido. E Selena estava ao lado de Demi na maior parte do tempo. O clima entre elas estava um pouco estranho, mas uma cuidava da outra como deveria ser. O ruim era a expectativa de topar com Jake saindo do elevador ou em qualquer lugar dentro daquele prédio. E sinceramente, se elas o encontrassem, a reação seria de desespero.  

   - Você ficou responsável pela entrevista? – Mal tinha dado tempo de engolir o bolinho de arroz. Demi limpou os lábios com um guardanapo para fitar Mary parada ao seu lado naquele mesmo estilo comportadinho de sempre. Roupa social, sapatilhas, batom vermelho e o cabelo com um lacinho vermelho.

   - Eu e a Selena estamos responsáveis pela entrevista. – Disse Demi colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha e fitando brevemente Selena e Ed que estavam sentados a mesa com ela para o almoço.

   - Então vocês estão atrasadas. A pré-reunião com o Marcus começou tem dez minutos. – Demi franziu o cenho e Selena também.

   - Pré-reunião? Ninguém avisou nada. – Disse Ed cobrindo a mão de Selena com a dele para enlaçar os dedos transmitindo a segurança que ele sabia que a namorada precisava.

   - Nós sabemos que sempre há pré-reunião antes de qualquer contratação. – Disse Mary ao rapaz e Ed assentiu começando a concordar com Demi sobre Mary.

   - Ela tem razão. Temos pré-reunião. Eu esqueci completamente. – Disse Demi. Ela estava cansada e chateada com tudo que tinha para fazer. O tempo parecia escorrer entre os dedos e ela mal podia respirar que já tinha algo a ser feito. Assim tinha sido com o horário de almoço que não durou nem dez minutos.

   - Então? Vocês vão ficar aí paradas? O tempo está passando! – Disse Mary. Não teve como fazer nada a respeito. Demi se levantou a pulso e ignorou quando Ed e Selena trocaram um beijo longo e intenso. Não era que tinha a incomodado e nem nada... Só que era estranho. E Selena tinha percebido porque quando olhou para Demi, preferiu desviar o olhar para outro ponto.

   - O que eu perdi? – Comentou Ed esboçando o sorriso brincalhão e as duas desconversaram no mesmo instante.

Infelizmente Mary estava a uma posição acima da de Demi nas atividades extras. Era ela quem estava coordenando tudo! Então as coisas tinham que ser feitas do jeito dela. A reunião com Marcus foi breve, mas durante o tempo que ficou acomodada a cadeira tomando chocolate quente, Demi percebeu que o homem era inteligente e queria que a Gyllenhaal crescesse ainda mais. Marcus era objetivo, inteligente e profissional, diferente de Jake. As outras pessoas que estavam na reunião eram as responsáveis pelos demais departamentos e cada um tinha uma tarefa importante que somaria para o bem da Gyllenhaal. Pensar que estava ajudando também a fez pensar em Jason e como ele estaria orgulhoso de ver todos unindo forças para melhorar o patrimônio que ele tinha construído com tanto amor e esforço.

Não era fácil entrevistar. Cada pessoa era um caso particular e que exigia jogo de cintura e paciência. Alguns candidatos eram brilhantes e souberam conquistar Demi. Mas existiam aqueles que preferiam buscar outros meios de conseguir a vaga. Foi irritante e complemente desapropriado quando um homem tentou seduzi-la. Demi ficou tão irritada que se não fosse por Selena, ela teria passado mal de nervoso. O resultado tinha sido uma dor de cabeça horripilante e o processo de entrevista precisou ser interrompido por dez minutos para que Demi pudesse relaxar e comer. Quando retomou, ela já não era mais a mesma. Foi difícil identificar um bom perfil e por algumas vezes, Demi se repreendeu por ser dura e um pouco mal humorada. No final da entrevista, ela tinha conversado com cerca de trinta pessoas enquanto Selena tinha conversado com vinte e cinco.

   - Lovato, a reunião de estratégia foi remarcada por sua causa para amanhã às sete da manhã em ponto. – Demi, que organizava as fichas com as referentes anotações franziu o cenho quando ouviu a voz de Marcus que estava em pé na entrada da sala.

   - Eu projeto e desenho as interfaces dessa empresa. – Começou a dizer buscando pelas pastas para colocar os documentos. – Eu sou apenas uma Designer, não é a minha praia participar de reuniões voltadas a administradores e profissionais desse ramo.

   - Você é a nossa Designer. Mas também é a pessoa que tem o cargo mais alto do seu apartamento. – Disse Marcus adentrando a sala e Demi não se intimidou quando ele se aproximou para ajuda-la com as pastas. – Eu tenho trinta anos e estou no cargo de presidente dessa empresa porque a minha irmã não quis assumir quando o Jake foi preso. – Disse fitando os olhos dela brevemente. – Eu conheci o Jason. E aquele homem era espirituoso. Se você está como diretora do departamento de Designer, é porque você tem potencial para fazer muito mais que desenhar. Então amanhã as sete em ponto você estará na sala de reuniões entre administradores, engenheiros e empresários.

   - Dem, eu já terminei. – A voz de Selena quebrou a troca de olhares entre Demi e Marcus. Não era uma paquera ou algo do tipo, estava muito longe daquele patamar. Só era impessoal e mais profissional.

   - Peça aos assistentes para levar as pastas para minha mesa, Srta. Gomez. – Disse Marcus a Sel que assentiu prontamente. – E a senhorita, amanhã às sete. Eu quero ao menos o esboço da nossa atualização do último smartphone ainda essa semana, até porque os programadores não farão nada sem você dar partida. Faça algo inovador e que conquiste o público.

   - O meu namorado vem me buscar as três. – Disse Demi sustentando o olhar de Marcus que apenas assentiu até que ele saiu daquela sala a deixando sozinha com Selena. Será que ele tinha ideia do que era reestruturar e inovar na atualização de um celular dentro de uma semana? O que Marcus queria era um projeto que levava meses! Sem contar que ela tinha que estar trabalhando com o pessoal da programação por vinte e quatro horas por dia.

   - Eu até gosto dele, mas está começando a ficar sufocante. – Disse Demi se sentando à cadeira branca.

   - Será que ele sabe alguma coisa sobre o Jake? – Perguntou Selena com um pouco de receio quebrando o clima estranho entre elas.

   - Com certeza. A irmã dele é casada com o Jake. – Murmurou Demi lançando um breve olhar para Selena. Foi horrível o silêncio que veio depois. Horrível e desconfortável. E as duas tentavam parecer bem e alheias ao que acontecia, mas estava impossível! Até mesmo o som dos movimentos se destacava em meio ao silêncio. – Você tem horas? – Perguntou e as bochechas coraram porque ela usava relógio no pulso esquerdo.

   - Cinco minutos para as três. – Murmurou Selena sem comentar a gafe que Demi tinha cometido o que fez com que o clima entre elas piorasse um pouco mais.

   - O Joe vem me buscar. – Comentou ainda envergonhada checando mais uma vez se tudo estava correto com as informações sobre os candidatos. E como Selena só tinha assentido, Demi umedeceu os lábios e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha fitando a mesa. – Então, você vai subir? Eu só vou pegar a minha bolsa no meu escritório. – Era óbvio que Selena iria subir! Era hora para ela fazer papel de idiota?

   - Estou esperando você. – Murmurou sem olhá-la e aquilo incomodou tanto a Demi.

Ao sair da sala, Demi avisou ao pessoal que eles poderiam levar as pastas para o escritório de Marcus e a pior parte foi ficar sozinha no elevador com Selena. Era castigo, só podia ser! Geralmente o elevador era o pior lugar a estar porque o fluxo de pessoas era grande, só que agora não havia ninguém para compartilhar o cubículo com elas.

   - Você precisa de ajuda com a roupa? – Perguntou Selena a Demi quando elas saíram do elevador com cara de poucos amigos.

   - Pensei em usar o meu conjunto novo de saia e blazer. – Disse Demi colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha e arriscando olhar para Selena brevemente enquanto elas caminhavam para dentro do departamento.

   - Eu acho que pode ficar bom. Você pode me mandar foto. – Demi assentiu mais focada a Ed que se aproximou delas assim que as viu.

   - Como foi, garotas? – Perguntou puxando Selena para os braços como sempre fazia e foi desagradável para as duas amigas, porém passou despercebido para o rapaz que beijou a namorada e a envolveu num abraço caloroso.

   - Foi complicado. – Disse Demi fitando os olhos de Ed. – Eu vou buscar as minhas coisas, o Joe já deve estar chegando. – O sorriso forçado não passou despercebido por Selena, que preferiu desviar o olhar de Demi e repreender Ed com um tapinha no peito quando ele tentou beijá-la de novo quando Demi já tinha adentrado o escritório.

   - O que aconteceu com vocês? – Ed perguntou franzindo um pouco o cenho conforme apertava a cintura da namorada observando como ela era bonita. E Selena negou balançando a cabeça. – Eu já disse que você está linda hoje, Selena? – Ele era mais alto que ela e tão apaixonante que Selena não conseguiu fitar um ponto que não fosse os olhos verdes de Ed que tinha o olhar fixo ao dela.

   - Você não disse, querido. – Acariciando a barba escura, Selena fechou os olhos sem se importar se estava ou não no departamento cheio de mulheres curiosas e deixou que Ed a beijasse na boca com selinhos molhados e um breve roçar de lábios que a fez sorrir feliz por estar nos braços dele. – Mais tarde Jesse. – Os dois sorriram em meio ao roçar de nariz. Assim que se separaram Demi abriu a porta do escritório e franziu o cenho quando encontrou Ed e Selena no mesmo lugar que ela tinha deixado antes de adentrar o escritório.

   - Eu vou descer. O Joe já chegou. – Disse Demi arrumando a bolsa ao ombro e focando mais em Ed do que em Selena.

   - Vamos descer com a Dem? Eu quero cumprimentar o Joe. – Disse Ed a Selena e ela não pode negar.

Com Ed, o clima não ficava tão estranho entre elas até porque o rapaz tentava puxar assunto a todo instante e comentava sobre tudo aos arredores. O tempo que passaram no elevador não foi longo e diferente de mais cedo, havia algumas pessoas ali para compartilhar o transporte com eles. Ao chegarem ao hall, Demi se sentiu ansiosa e de estomago “remexendo”. Sempre acontecia quando ela estava prestes a encontrar Joe. O sorriso ia de orelha a orelha e não foi diferente daquela vez. Ela sorriu lindamente quando o viu parado vestindo jeans, moletom e usando boné. E ele também sorriu ao vê-la caminhar a passos largos até que o abraçou calorosamente.

   - Eu senti saudade. – Murmurou Demi feliz por estar nos braços do homem que amava. Ali, ela o beijou no peito e foi a melhor sensação de estar em casa quando o perfume leve invadiu-lhe as narinas e os braços fortes a apertaram exageradamente como Joe sempre fazia.

   - Eu também senti saudade. – Ele disse com os lábios encostados a testa dela e Demi fechou os olhos descansando a cabeça no peito por algum tempo. Ela só precisava acalmar o coração porque agora ela estava com Joe, estava nos braços dele e não poderia ser melhor. – Gatinha? – Chamou-a afrouxando o abraço repousando as mãos um pouco acima do bumbum dela.

   - Não ganho o meu beijo? – O verde dos olhos dele era de tirar o fôlego. Aos arredores da pupila o verde era mais claro, então até que chegasse a borda da íris, o tom variava do mais claro até o mais escuro concentrado na borda. Demi os fitou maravilhada até que a respiração dele se misturou a dela, o nariz foi roçado pela ponta do dele e tudo que ela fez foi fechar os olhos para sentir os lábios macios selarem os dela devagar iniciando o beijo molhado e envolvente.

   - Amor, eu sei que já disse isso. Senti sua falta. – As bochechas dele coraram quando Demi o olhou e sorriu apaixonada se erguendo para beijá-lo na boca brevemente o fazendo sorrir tímido.

   - Eu também senti, Joe. – Ela fitou os olhos dele sempre ousar em romper a conexão. E Joe também não o fez. Ele sorriu levando a mão para acaricia-la na bochecha e assim foi até que Ed os interrompeu.

   - Quanto tempo! – Ed riu apertando a mão de Joe com força, então eles se abraçaram naquela brincadeira de mostrar quem era mais forte. – Que dia a gente vai jogar futebol? – Perguntou depois que Joe cumprimentou Selena com um abraço.

   - No final de semana seria bom, você não trabalha à tarde e nós podemos marcar esse horário. Se for à noite eu estou fora porque é cansativo e depois eu vou trabalhar, então será horrível. – Mesmo que estava focado em conversar com Ed, Joe puxou Demi para os braços e da forma que conseguiu, acariciou-a na cintura e no braço direito.

   - Nós podemos jogar nesse sábado à tarde. Depois nossas princesas podem preparar o melhor lanche da tarde para nos esperar. – Selena revirou os olhos e a única coisa que Demi fez foi olhar para Joe com os olhos brilhando em carência.

   - O que foi gatinha? – Joe perguntou aproveitando que Ed e Selena trocavam algumas farpas apenas na implicância.

   - Sábado a gente podia fazer sexo da hora que você acordar até a hora de sair. – Sussurrou apenas para ele e Joe engoliu em seco sentindo os arrepios que não deveria sentir em público. – E no domingo também. Eu estou carente, amor.

   - Nesse sábado não vai dar. – Comentou Joe coçando a nuca e Demi se controlou para não rir. – Se você sair da empresa as quatro na sexta, nós podemos jogar até as seis e ainda terei tempo para descansar antes de ir trabalhar.

   - Está combinado. – Disse Ed entusiasmado e Joe trocou um rápido olhar com Demi.

   - Nós temos que ir. Não quero atrasar a minha gatinha. – Disse ao amigo e Ed revirou os olhos, mas riu.

   - Faça uma boa viagem, gatinha. – Disse Ed a Demi logo a envolvendo num abraço apertado e Joe fuzilou o amigo quando ele o olhou para pirraça-lo. – Sexta-feira! – Joe tornou a assentir trocando um aperto de mão com Ed.

A vez era de Selena. Demi a olhou com um pouco de receio, mas o sorriso que elas trocaram, mesmo sendo sem muita vontade, ajudou a quebrar o clima estranho.

  - Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, é só me ligar. – Disse Selena envolvendo Demi num abraço apertado. – Faça uma boa viagem e não fica tensa, você vai se sair bem.

   - Obrigada, Sel. – O sorriso forçado estava lá novamente. Separaram o abraço e se olharam com uma certa curiosidade. – Se você precisar de alguma coisa também, é só falar. – Quando Sel assentiu, Demi fitou o chão um pouco envergonhada e segundos depois ela fitou os olhos da amiga se preparando para a verdadeira despedida. – Até amanhã. Eu te amo. – Não doeu. O coração acelerou só um pouquinho e os braços envolveram a cintura de Sel.

   - Eu também te amo. Até amanhã, vá com Deus. – Disse Sel. Demi murmurou um amém e o tempo que ficou nos braços da amiga, aproveitou para absorver a energia positiva de Selena. Despediram-se com um breve sorriso e cada uma seguiu um caminho. Selena com Ed para a Gyllenhaal e Demi e Joe de mãos dadas.


   - Ei, para onde nós estamos indo? – Perguntou Demi estranhando a direção que eles caminhavam. Era completamente oposta a direção de onde moravam.

   - Eu estou de carro. – Disse Joe mais focado em olhar para os lados antes de atravessar a rua a olhá-la nos olhos.

   - Amor, que carro? – Perguntou curiosa o olhando e Joe só a olhou quando eles estavam seguros caminhando em direção ao carro.

   - O Sr. Peter pediu que eu fizesse um serviço extra hoje à tarde, e como eu não tenho carro, ele emprestou o da empresa. – Demi arqueou as sobrancelhas ao fitar a pick up zerada e na cor preta. Combinava com Joe e ela não pode deixar de pensar em como o namorado deveria ficar bonito trabalhando na fazenda da família.

   - O que você tinha que fazer? – Perguntou respirando fundo quando Joe se aproximou para abrir a porta do carro para ela. Ele era grande e tão estonteante que Demi o olhou com curiosidade.

   - Algumas entregas. – Percebendo o olhar dela, Joe se curvou para dar um breve beijo nos lábios da namorada antes de Demi se acomodar ao banco do carona. – Nós conversamos muito hoje. Ele disse que às vezes precisa de alguém livre para fazer entregas da empresa já que eles não têm funcionários fixos para essa tarefa. Então como eu estou livre à tarde, não vi problemas.

   - Você só precisa descansar. Nada de ligar direto, ok? Quando você sair do trabalho pela manhã, é para ir para casa comer e dormir. – Ela era tão preocupada e mandona que Joe sorriu a olhando antes de dar partida na caminhonete. – Vou tentar deixar o seu almoço pronto, então na hora do almoço é só esquentar.

   - Você não vai almoçar comigo? – Joe perguntou cobrindo a mão esquerda dela com a dele.

   - Não todos os dias. O importante é você se alimentar, amor. – Demi o observou girar levemente o volante apenas com a mão esquerda focado no trânsito. E ele estava tão bonito de boné que ela teve que esticar o cinto de segurança para conseguir dar um leve beijo na bochecha morena naturalmente corada.

   - Nosso tempo está uma bagunça. – Ele a olhou brevemente deixando transparecer como estava preocupado e receoso. Então Demi franziu o cenho colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha. – Eu não quero ter que ficar um dia todo sem te ver. – Completou acariciando a mão dela com a dele.

   - Com as nossas rotinas sempre desencontrando, vai acontecer uma vez ou outra. – Demi umedeceu os lábios e fitou os dedos dele abraçando os dela. A aliança prata ficava muito bem no dedo de Joe, e ela a tocou pensando em como conhecê-lo tinha sido a melhor coisa que já tinha acontecido. – É normal. – Disse atraindo o olhar de Joe que franziu o cenho.

   - Não consigo imaginar o meu dia sem você. Tudo que eu faço é pensando no nosso relacionamento. – E de tão grudado que eles eram, Joe passou a marcha ainda com os dedos enlaçados aos de Demi. – Até mesmo o meu trabalho que eu sei que você não é completamente a favor.

   - Joseph. – Murmurou um pouco sem graça e ele deu de ombros.

   - Tudo bem, princesa. Você não precisa esconder. – Ao menos o tom de voz dele estava calmo demonstrando que Joe não estava bravo. – Confesso que eu não gosto de você na Gyllenhaal, e assim como você pensa sobre o meu trabalho, eu queria que você arrumasse outra coisa.

   - Não vejo problemas com a Gyllenhaal. Foi onde comecei a exercer a minha profissão e graças a empresa, consegui comprar o meu apartamento.

   - Não. Foi graças a você, amor. Se você não fosse inteligente e dedicada, você não teria o seu apartamento e nem a sua profissão. Em qualquer empresa que você trabalhar, vai se destacar. É uma característica sua.

   - Eu nunca pensei em sair da Gyllenhaal. Quando eu estudava, sempre tive vontade de trabalhar numa empresa grande.

   - Você pode trabalhar em qualquer uma delas. Acho que você já tem a sua marca no mercado. – Joe aproveitou que o sinal estava vermelho e sorriu quando fitou os olhos de Demi. – Você não seria chamada para palestrar numa faculdade se não fosse boa.

   - Eu só queria poder dizer não para ficar com você embrulhada na coberta e assistindo desenho. – Os dois sorriram imaginando a cena e então Joe se curvou para beijá-la na boca. – Hum.. eu te amo, Joseph. – Ronronou nos lábios dele aproveitando para dar uma série de selinhos fazendo Joe sorrir.

   - Eu também amo você. – Infelizmente o sinal mudou para o verde. O único fator que os impediram de chegar ao apartamento de Demi mais cedo foi o trânsito. Mas ainda sim de carro era mais rápido. Joe estacionou no estacionamento subterrâneo e o elevador os levou para o andar onde Demi morava. – Tem tanto tempo que eu não fico aqui. Ultimamente estou passando mais noites com você e minha mãe do que no meu próprio apartamento. – Comentou Demi assim que destrancou a porta e adentrou o local com o namorado logo atrás.

   - Ficar sozinha aqui para que? – Ela não esperava que Joe praticamente a imprensasse contra a porta que mal tinha sido fechada. Olhando para cima Demi mordeu o lábio inferior para conter um sorriso, levou as mãos aos músculos dos braços fortes e pôs-se na ponta dos pés para beijar a boca do namorado que a segurou pela cintura e aprofundou o beijo roçando incansavelmente a língua a dela. – Eu estava louco para te beijar e tocar assim desde que te vi saindo da Gyllenhaal. Você está linda com essa roupa e eu gostei dos seus brincos e das suas unhas. – Demi tinha os lábios avermelhados, os olhos com o olhar fixo ao de Joe e a respiração ofegante. Ela sorriu porque era muito difícil um homem fazer um tipo de elogio como aquele. E o engraçado era: os brincos eram pequenas argolas cor de ouro e o esmalte nas unhas um preto básico.

   - Humm. – Murmurou porque o lábio inferior dele estava entre os dentes dela. – Obrigada, querido. – Concentrada, Demi deslizou as mãos dos músculos fortes para os ombros e o peito largo. – Você está um amor de boné. – Jor fez careta porque ela tirou o acessório o jogando no sofá e adentrou o cabelo dele da nuca com os dedos para puxá-los. – Mas você fica muito melhor com o cabelo bagunçado. Você quer tomar banho comigo? – Ela sorriu quando ele também sorriu um pouco corado porque a mão dela o abraçava lá embaixo..

   - Você acha que vai dar tempo? – Joe tornou a sorrir quando os lábios de Demi beijaram o peito dele sobre o moletom e a mão o apertou um pouco mais.

   - Vai ser uma rapidinha, ok? Nós temos que caprichar para ser gostoso e intenso.

   - Então vamos, nós ainda temos que organizar a sua viagem. – Demi riu alto quando ele a pegou de surpresa nos braços estilo noiva caminhando em direção ao banheiro a passos largos. – Gosto do seu cabelo solto. – Comentou Joe tirando o moletom para depois  a camisa, porém ele estava mais focado em observar Demi se despir assim como ela não conseguia parar de olhá-lo reparando em cada detalhe do corpo dele.

   - Eu não posso molhá-lo, vai dar trabalho para arrumar. – Comentou fitando o peito largo para então o volume na cueca quando Joe tirou a calça jeans. – Você não vai molhar o meu cabelo, ok? – Pare de olhá-lo! Demi tentou, mas não conseguiu. Ela fitou o membro ereto sentindo arrepios por todo corpo o imaginando preenche-la como ela precisava.

   - Não vou molhá-lo. Prometo que vou te dar amor e que vou cuidar de você, pequena. – O apelido a fez sorrir e corar. Joe estava mais próximo do que antes e ele a ajudou a se livrar da regata e do sutiã. – Prende o cabelo, princesa. – Ele até tentou prender a cabeleira dela, o que fez Demi sorrir e beijá-lo cheia de carinho no peito.

   - Só não tenho chinelos que servem para você. – Ela alcançou um elástico na gaveta do armário da pia e sorriu quando fitou os pés de Joe. Eram grandes em comparação aos dela. – Você é todo grandão, Joseph.

   - Não tem problema. A vovó disse que eu sou do tamanho do papai. – Ele disse a puxando para dentro da área do box. – Mas eu acho que você é que é muito baixinha. – Ele sorriu para pirraça-la e Demi revirou os olhos girando o registro do chuveiro.

   - Eu só vou levantar a bandeira branca porque a única coisa que eu quero no momento é você. – Joe sorriu a observando beijá-lo no peito de olhos fechados como se saboreasse a comida mais deliciosa do mundo.

   - Trégua aceita. Amanhã nós brigamos muito só para fazermos o melhor sexo de reconciliação. – Demi assentiu esboçando um pequeno sorriso porque Joe tinha a erguido pela cintura a ajudando enlaçar as pernas à cintura dele. – Eu amo você. – Sussurrou no ouvido dela quando a penetrou devagar sentindo o corpo todo entrar em êxtase só porque ele estava acolhido e com a amada nos braços.

Não tinha como ficar melhor. A água morna caía nas costas de Demi e foi complicado não molhar o cabelo, acabou que ela mesma o molhou quando tombou a cabeça para trás e o elástico desprendeu o coque. Os movimentos de Joe não eram rápidos como deveriam.. E nem os dela. Ambos estavam de olhos fechados, vez ou outra trocavam beijos intensos e apreciavam o atrito dos corpos que se friccionavam a cada movimento involuntário. O calor entre eles era delicioso nos beijos, no roçar de pele principalmente nas pernas de Demi onde Joe não ousava em tirar a mão a apertando das coxas até o traseiro que chegava estar rosado, e a melhor parte era a conexão que compartilhavam com tanto amor e paixão.

   - Eu te amo Joseph. – Ela murmurou em meio aos gemidos e de olhos fechados sentindo os beijos que recebia no pescoço e nos seios enlouquecê-la de prazer junto aos movimentos dele.


***


   - Vai princesa, troca de roupa. – Joe era tão carinhoso e Demi tão apaixonada por ele, que ela não queria soltá-lo por nenhum segundo. Eles tinham caminhado para o closet em meio aos beijos, estendendo os carinhos que tinham trocado no banheiro. – Você tem que correr para não atrasar, ok? Nós vamos namorar mais amanhã. – Ele riu quando fitou os olhos dela brilhando em carência. – Não faz essa cara. – Ele sorriu a segurando pela cintura e se curvou para beijá-la no pescoço. – Quer ajuda para escolher a roupa?

   - Eu tenho um conjunto social novo. – Disse Demi toda manhosa se afastando de Joe contra vontade porque precisava terminar de se secar para começar a se vestir. – A mamãe me deu umas peças bonitas. – Joe a olhou vestir a calcinha e logo o sutiã e quando percebeu que ela o olhava com uma sobrancelha arqueada, ele sorriu envergonhado. – Você ouviu o que eu disse? – Perguntou caminhando até que estava em frente às roupas perfeitamente organizadas que ela lutava para mantê-las daquela forma já que ficava mais fácil para se organizar para o trabalho.

   - Que é uma droga o seu cabelo está molhado? – Ele tinha vestido a box e arqueou uma sobrancelha a olhando, e Demi revirou os olhos.

   - Não, Joe. Eu disse que a minha mãe me deu umas peças de roupa. – Comentou focada em procurar pelo blazer que ela mais gostava, o blazer que era de Dianna. – E você sabe, a mamãe só veste roupas bonitas. – Murmurou concentrada nas roupas e não demorou muito para achar o blazer perfeitamente dobrado num cabide. – Eu tenho que ligar para ela avisando que vou viajar. – Joe franziu o cenho e não disse nada. Ultimamente ele estava tentando ser o mais neutro possível em relação a Dianna, tinha desistido até mesmo da ideia de estudar o que ela tinha aprontado e o porquê da mentira porque Dianna era traiçoeira e o colocaria num problema ainda maior. O ruim era a verdade sobre Inácio que até então ele tinha decidido não contar para Demi.

   - Você precisa comer antes de sair. Vou providenciar certo? – Perguntou tentando não soar indiferente, e como Demi estava envolvida separando as melhores peças de roupa e as da mãe, ela apenas assentiu. – Vou ao mercado, não demoro. – Ele disse se aproximando e Demi o olhou nos olhos. – O Sr. Potter pagou o serviço extra. – Explicou-se envergonhado.

   - Amor, você não precisa gastar comigo. – Disse arrumando a camisa dele aos ombros e logo espalmando o peito largo. – Posso comer no caminho. Será a minha primeira viagem, mas eu vou ficar bem. – Joe arqueou as sobrancelhas e Demi assentiu.

   - Então a dica para a sua primeira viagem: não coma nada na estrada. É tiro e queda se você quiser passar mal. – Ele disse e se curvou para dar um selinho nos lábios dela. – A segunda e melhor dica é: deixe o seu namorado cuidar da sua comida que você ficará bem. – Demi sorriu fitando os olhos lindos dele e em troca ganhou outro selinho. – Não vou demorar. Nós ainda temos meia hora para arrumar tudo. – Ele só saiu depois que Demi assentiu e o beijou.

Quando saiu do apartamento Joe quase perdeu o elevador, sorte foi que a senhora que morava no mesmo andar que Demi impediu que as portas se fechassem colocando o braço para que então os sensores detectassem matéria.

Na área onde Demi morava, o que não faltava era comércio de todas as categorias. Então encontrar um mercado não levou nada mais que cinco minutos e não precisou de carro. Joe aproveitou o percurso para analisar o tempo climático e pensar no que poderia comprar. Não estava chovendo como tinha acontecido nos dias anteriores, o que era bom já que Joe não gostava da ideia de pegar estrada chovendo.

Chocolate parecia uma boa distração e ajudaria Demi a relaxar. As maçãs eram vermelhas e ele tinha certeza que uma fruta não faria mal. Então ele completou a compra com biscoitos, barra cereal e água mineral. Eram alimentos simples e não prejudicariam.

A conta foi paga com a única nota que ele tinha: cem dólares. Foi o suficiente e ainda tinha restado uma boa quantia. Joe organizou as sacolas e como estava complicado olhar a hora no celular, ele resolveu que era melhor andar rápido para não arriscar atrasar a namorada. Porém imprevistos aconteciam. A cidade era grande e a mais falada de todo o mundo. Justamente naquela área de Manhattan, uma grande quantidade de pessoas de várias etnias estava concentrada. Ouvia-se do velho e informal inglês norte-americano a idiomas que Joe nem mesmo sabia que existia. E de tantas faces diferentes, Joe tinha que fitar logo a dele, que quase o derrubou com um esbarrão proposital.

   - Jonas, Jonas.. – Jake mordeu o lábio inferior, mas logo esboçou o sorriso que enlouquecia as mulheres e surtia um efeito completamente diferente em Joe que fechou a cara e estava rígido pronto para devolver qualquer agressão. – É uma coincidência encontrar logo você. – Ele não tinha perdido o jeito debochado e os dias de prisão não surgiram efeito. – Cadê a sua namorada gostosa? Estou louco para comê-la de novo.

   - Se você respirar perto da Demi, eu te mato. – O coração estava acelerado, o cenho franzido e Joe nunca tinha sentido tanto ódio como sentia. E o sentimento era tão angustiante. Ele fitou os olhos de Jake que continuava sem perder a pose e pensou bem nas palavras que tinha dito. Não se sujaria por causa dele, era só um jeito de falar..

   - Sabe, Joe. – Jake se aproximou ficando próximo o suficiente para que Joe pudesse sentir a respiração dele e o calor o envolvendo. – A Demi é uma prostituta interesseira igual a mãe. Você acha que ela é santa e vai ficar vivendo de migalha? Não dou um mês para ela voltar rastejando para mim. Ninguém merece um pobretão que se veste mal, anda a pé e trabalha de domingo a domingo vigiando as cargas que chegam ao porto.  Deixe-a ficar comigo? Ela terá tudo que quiser e eu prometo que vou fodê-la todos os dias por nós dois e.. – Alto piedade. Para que ouvir as baboseiras de Jake? Joe se controlou para não fazer uma besteira. Mas foi inevitável não esbarrar usando toda a força em Jake e caminhar a passos largos para longe.

Ultimamente o que Joe mais queria era ter estabilidade emocional no relacionamento com Demi. Então evitar Dianna, Inácio e Jake era o melhor que ele poderia fazer. Já bastava os conflitos que às vezes ele tinha com a namorada! Não era necessário procurar mais problemas. Só que era complicado para que uma parte do cérebro entendesse. O lado racional estava de acordo, mas o emocional enfurecido! A vontade de Joe era de voltar até onde Jake estava e descontar toda a raiva em forma de agressões físicas e verbais. Desejar o mal a Jake o deixava mal. E era tão ruim. O coração estava acelerado de uma forma estranha e desconfortável, o cenho franzido e os sentidos apurados mais que o normal. O nervoso foi tão grande que a súbita tontura e mal estar o obrigou a parar de caminhar, recostar-se numa parede e respirar fundo enquanto fazia uma contagem mentalmente. Não era hora para desmaiar.

Pense, pense, pense em coisas boas. Disse baixinho para ele mesmo. O sorriso de Demi, Lucy correndo no parque, as fotos dos pais. Foram as melhores lembranças que Joe conseguiu reunir e aos pouquinhos o coração voltou a bater normalmente e a tontura era uma leve sensação. Para fitar a hora no relógio de pulso, Joe teve que arrumar os óculos de grau ao rosto e se concentrar muito. Faltava pouco tempo para Demi viajar. Pouco menos de quinze minutos. Os passos tiveram que ser mais ágeis e a atenção redobrada para atravessar a rua e não esbarrar nas outras pessoas. Ele chegou intacto e ofegando, por isso esperou pelo elevador e foi simplesmente horrível a sensação de subida até o andar onde Demi morava.

   - O Joe acabou de chegar. – Demi abriu a porta assim que ele bateu, e ela conversava ao celular. – Não mamãe, ele não vai comigo. Ele trabalha à noite. – Ela disse franzindo o cenho levemente observando como Joe estava pálido e conforme o guiava para cozinha, conversava com a mãe. – Obrigada. Sim, prometo que vou avisar. Também estou com saudade. Beijo, amo você. – Joe acomodou-se a cadeira e se sentiu péssimo em todos os aspectos. Havia o sentimento de ódio por Jake, a frustração por Demi ter que viajar de última hora e o que mais tinha o incomodado naquele momento era o fato de Dianna fingir na maior cara dura que Demi tinha sido fruto de um estrupo. Aquilo era simplesmente um absurdo! E ele sabia e deveria contar para ela, não deixa-la fazendo papel de boba como estava acontecendo. – O que foi, amor? Está tudo bem com você? – Ela perguntou com tanto carinho o acariciando nos ombros até o rosto.

   - Eu estou cansado. – Murmurou a olhando e quando Demi franziu o cenho sem entender, ele a abraçou e descansou a cabeça um pouco abaixo dos seios já que Demi estava escorada a mesa e ele sentado a cadeira.

   - Você não está bem. – Disse quando puxou o cabelo da nuca dele e Joe a olhou aparentemente preocupado.

   - Você tem mesmo que ir? – Perguntou por que Jake estava solto. E a viagem de última hora parecia tão suspeita, a tentativa perfeita para Jake conseguir tirar a paz de Demi.

   - Eu não quero ir, mas terei. – Disse arrumando o cabelo dele e como o carinho era bom, Joe fechou os olhos mesmo de cenho franzido.

   - Vai ter mesmo essa palestra? – Ele abriu os olhos e sustentou o olhar dela que não soube exatamente o que dizer já que o tom de Joe tinha soado estranho.

   - Vai, Joseph. Eu não estou inventando uma desculpa para fugir de você. – Defendeu-se e ele se ajeitou a cadeira a olhando nos olhos. – Se você não estiver bem, por favor, fale, eu darei um jeito de ficar.

   - Eu estou preocupado. – Disse coçando o queixo e então arrumou os óculos ao rosto. – O Jake está solto. Eu estou com medo dessa palestra ser alguma armadilha dele para te humilhar ou fazer Deus sabe lá o que.

   - Eu sei, mas ele não vai fazer nada para nos prejudicar. Liguei para o detetive Pine antes de ligar para mamãe. Ele me garantiu que o Jake tem que manter distância da Gyllenhaal e das garotas que ele filmou. – Joe a observou arrumar o cabelo atrás da orelha e morder o lábio inferior. Demi sempre fazia aquela sequência quando estava nervosa. – Então não é coisa dele, digo, essa palestra. Pesquisei na internet e realmente eles estão me esperando.

   - Eu não gosto daquele detetive. – Murmurou Joe de cara fechada e Demi mordeu o lábio inferior novamente sem saber o que dizer. Ela gostava do detetive, aliás, achava-o bonito. – Ele olha para você de um jeito estranho. – Disse a olhando e ela deu de ombros envergonhada com o olhar duro que Joe mantinha sobre ela. – Não sou do tipo de namorado que proíbe, acho isso ridículo, mas não gosto de você com aquele cara. Você está linda, princesa. – O sorriso charmoso dele a fez sorrir aliviada. Demi se curvou e depositou um selinho molhado nos lábios de Joe sentindo o coração acelerar. – Acabei encontrando o Jake, e fiquei nervoso. Ele disse coisas sobre você. – Murmurou tornando a abraça-la.

   - Você o encontrou onde? – Perguntou atenta o observando franzir o cenho e morder o lábio inferior claramente aborrecido.

   - Aqui perto. – Joe umedeceu os lábios e se levantou. – Vamos organizar o que você vai levar? Daqui a pouco o carro chega e eu não quero que você vá sem comer.

   - Eu vou ficar bem, amor. – Ela o abraçou de lado e pediu por um beijo que aconteceu assim que Joe se curvou e roçou os lábios nos dela. – Só estou preocupada com você. Promete que vai comer antes de sair e que levará comida para o trabalho?

   - Prometo, princesa. – Ele sorriu e como desejava, beijou os lábios dela novamente. – Então, nós temos chocolate, biscoitos, maçãs, barra cereal e água. E não faz careta, é para o seu bem. – Demi revirou os olhos, mas sorriu porque gostava de ter atenção do namorado. – Nada de exagerar no chocolate. Deixe para comer apenas um pedacinho antes da palestra. Durante a viagem você pode comer a barra cereal, um pouco dos biscoitos e uma maçã. Acredito que seja o suficiente. Não exagere na água. Onde está a sua bolsa? Nós temos que organizar essas coisas antes de o carro chegar, princesa. – Ele pegou as maçãs para lavá-las e Demi aproveitou para buscar a mochila no quarto onde organizou os alimentos que Joe tinha comprado com mais alguns que ela tinha. Não era uma viagem longa, mas Demi confessava que estava nervosa com a ideia de sair de Nova York mesmo que fosse para pouco menos de dez horas.

   - Amanhã nós almoçamos juntos. Não vamos deixar nada nos atrapalhar, ok? – Disse a Joe. Os dedos estavam enlaçados aos dele. Tinham acabado de sair do elevador e caminhavam para fora do prédio. Demi se sentia tão nervosa e ansiosa que a barriga estava dolorida. – Obrigada por cuidar de mim. – Disse assim que chegaram a calçada do prédio. Joe a olhou depois de observar o movimento da rua e ela forçou um pequeno sorriso. – Eu agradeço muito por ter a Selena para cuidar de mim. Até então ela era a única que se preocupava se eu chegaria inteira em casa, se eu me alimentei.. Agora eu tenho você. Isso é tão importante para mim, sempre fui muito sozinha e.. Você sabe. Foi difícil crescer sem atenção da minha mãe e descobrir que meu pai é um monstro. Obrigada Joe. – Joe sorriu a olhando, colocou uma mecha longa do cabelo atrás da orelha e a abraçou contra o peito mesmo que o travesseiro que Demi segurava os atrapalhando.

Enquanto a abraçava, ele pensou em como Demi precisava de toda aquela atenção. Aliás, todas as pessoas necessitavam de acolhimento, carinho. Sensação de pertencimento. Porém a mulher que ele amava era especial naquele aspecto. Toda forma de carinho, não importava de onde surgia, conquistava um sorriso feliz de Demi. Pensar naquilo o fez repensar, novamente, sobre a verdade que escondia. Era errado e desumano que Demi continuasse privada de ter uma família.

   - Ei, princesa. – Chamou e Demi que ainda o abraçava, olhou para ele. – Eu sempre vou cuidar de você. Tudo bem? – Quando ela assentiu, o coração dele apertou porque os olhos marrons brilhavam em carência e amor. – Amanhã.. Amanhã.. – Começou a dizer um pouco nervoso. Ele estava decidido em contar a verdade sobre Inácio. Iria acabar com o sofrimento de Demi e encerrar a história de ter segredos. – Eu vou.. – Porque estava difícil para sair? Joe franziu o cenho e se preparou mentalmente para colocar o que tinha em mente em prática, que era contar a namorada a verdade sobre o pai. Só que o celular de Demi começou a tocar e a buzina do carro preto desviou toda a atenção que ela tinha na conversa para envolvê-la na viagem.

   - Tudo bem querido? – Perguntou mais focada no carro do que em Joe, então só restou a ele assentir.

   - Tudo bem. – Ele disse de cenho franzido quando ela o olhou e voltou a olhar para o carro.

   - Promete que vai ficar bem? – Disse Demi depois de acenar para o motorista para que ela pudesse se despedir de Joe.

   - Prometo. E você? – Joe colocou a mochila onde estavam os pertences de Demi no braço e envolveu a cintura da namorada da melhor forma que podia. A sensação era a melhor de tê-la tão próxima a ele compartilhando do calor e do sentimento que os envolviam.

   - Prometo. – Demi sorriu o olhando nos olhos. Levou as mãos para nuca de Joe podendo enlaçar os dedos nos cabelos da nuca dele e puxá-los gostando de como as mechas de cor castanho-escuro estavam grandes e levemente bagunçadas. – Eu te amo. – Ela disse as três palavrinhas que Joe mais gostava o olhando nos olhos. Será que era coisa de despedida? Demi franziu o cenho porque estava com vontade de chorar. A saída foi envolver Joe num abraço de urso e murmurar manhosa contra o peito dele não querendo soltá-lo por nada.

   - Eu te amo. – Ele disse erguendo gentilmente o rosto dela. E Demi fez a melhor cara de cachorrinho que conseguiu com direito em franzir os lábios num biquinho e tudo mais. – Sucesso na sua palestra. Tenho certeza que você se sairá muito bem, meu anjo. Vou ligar daqui a pouco para saber como você está. – Demi assentiu, porém ela estava mais interessada nos lábios de Joe. As mãos abraçaram os músculos dos braços e os lábios foram roçados com tanto calor e desejo que Joe teve que segurá-la com firmeza contra o corpo, caso contrário Demi despencaria no chão. E o beijo foi longo, intenso e Demi tinha certeza que tinha sido o mais intenso que ela já tinha trocado em toda a vida! As bochechas chegaram a corar e foi tão bom quando Joe a abraçou com mais possessão a apertando na cintura com uma mão e a outra deslizava pelas costas.

   - Vou sentir saudades, amor. – Ela acariciou o peito dele com a palma das mãos e mordeu o lábio inferior antes de selar os lábios novamente numa série de selinhos molhados. – Me acompanha? – Sussurrou no ouvido dele quando Joe a abraçou aproveitando a proximidade para plantar um beijinho inocente, que teve um efeito imediato em Demi, na região do pescoço. Ela podia sentir os mamilos túmidos contra o sutiã e o íntimo pronto para acomodar Joe mais uma vez.

   - É claro que acompanho. – Joe sorriu envergonhado porque Demi tinha o olhado brevemente lá, e ela não fez questão de esconder. Ele se deixou ser guiado por ela até onde o carro preto estava parado.

   - Boa tarde, Tony! – Demi sorriu educadamente para o velho motorista da família Gyllenhaal. Era aquele senhor que sempre estava acompanhando Jason nos compromissos mais importantes e ele tinha levado Demi para casa algumas vezes quando ela precisou.

   - Boa tarde, Srta. Lovato. – Era um senhor de altura mediana e porte físico comum. Demi apertou a mão do homem se lembrando das vezes que ele tinha a levado para casa tarde da noite já que no início do trabalho na Gyllenhaal, Jason exigia muito e o mínimo que ele fazia era arrumar alguém para leva-la para casa. – Joseph, esse é o Sr. Martinelli. Tony, esse é o Joe, meu namorado. – Apresentou-os e os dois trocaram um breve aperto de mãos. Cada qual no seu próprio espaço. Joe estava na defensiva claramente porque não gostava que ela tivesse laços com a família Gyllenhaal. Estava perceptível, ao menos para Demi, porém ela resolveu ignorar e como não havia muitas bagagens, as duas bolsas ficaram acomodadas nos bancos de trás do carro.

   - O Sr. é quem vai leva-la? – Joe perguntou ao motorista sem exibir muitos sorrisos e nenhum pouco de felicidade. Ele fez questão de ser o mais frio possível justamente para intimidar o homem.

   - Sim. A viagem não é muito longa, será melhor de carro a ônibus ou avião. – Disse Tony fitando os olhos de Joe que segundos depois assentiu.

   - Voltam ainda hoje? – Perguntou envolvendo a cintura de Demi com os braços e ela fez careta o abraçando também pela cintura e encostando a cabeça no peito largo.

   - Até meia-noite a senhorita Lovato estará em casa. – Disse trocando um breve sorriso com Demi. – Nós podemos ir? – Perguntou e ela assentiu voltando toda atenção para Joe.

   - Nada de ficar emburrado. – Demi envolveu o pescoço do namorado com os braços e puxou o cabelo da nuca gostando de como as mechas castanhas escuras eram macias e sedosas. – Não fica, ok bebê? – Sussurrou no ouvido dele quando Joe se curvou e o beijou na bochecha. – Tenha um ótimo trabalho e se cuida. Não esqueça a blusa de frio e a comida. Qualquer coisa estranha você liga para polícia.

   - Vou seguir tudo como você disse. – Ele sorriu quando ela sorriu e deu um breve selinho nos lábios femininos. – Eu te amo princesa. Faça uma boa viagem, qualquer coisa, você pode me ligar que eu tentarei te socorrer.

   - Eu também te amo, Joseph. Obrigada. Até amanhã. – Os olhos dela marejaram e Joe sorriu feliz a envolvendo num abraço de urso apertado se atentando em gravar cada detalhe da mulher que ele amava: a cor dos olhos, as sardinhas no rosto claro, o sorriso lindo e o cheiro inconfundível.

   - Até amanhã. – O beijo que trocaram foi breve e o finalizaram com selinhos em meio aos sussurros de “eu te amo”. Demi queria chorar, e por um pouco ela chorou. Os dedos aos pouquinhos se desenlaçavam dos de Joe e quando não teve mais jeito, ela estava acomodada no banco traseiro fitando os olhos do namorado com os dela completamente marejados. O coração estava partido. O carro mal tinha saído do lugar e a saudade já a sufocava. Os olhos verdes de Joe fitaram os dela até que a distância rompeu a conexão.

Demi franziu o cenho porque de certa forma se sentia sozinha. Tony já era um rosto familiar, porém ela não tinha laços com ele. Restou se acomodar com o travesseiro e se organizar para ficar da forma mais confortável possível. As bochechas coraram um pouco e Demi arriscou olhar para o motorista. Ela não gostava de ficar em silêncio e nem de se sentir desconfortável.

   - A viagem não será longa. – Comentou o homem mais velho percebendo a movimentação de Demi.

   - O Marcus só avisou hoje, então foi tudo foi de última hora. – Explicou-se um pouco corada. – E é a minha primeira viagem. Estou nervosa. – Confessou e quando Tony a olhou pelo retrovisor interno, ela assentiu.

   - Nós podemos comprar remédio para enjoos. Algumas pessoas ficam enjoadas ao viajar.

   - Está tudo bem. Se eu ficar enjoada, aviso. – Disse Demi. Selena sempre dizia sobre os cuidados que elas deveriam ter com a ingestão de remédios, pois alguns deles poderiam cortar o efeito do anticoncepcional. E como não tinha costume, Demi preferia evitar porque também não fazia ideia de quais medicamentos a prejudicaria.

O clima no carro melhorou consideravelmente depois das poucas palavras trocadas com o motorista. Pelo curso do trânsito, Demi percebeu que demoraria a sair de Nova York já que naquele horário as ruas estavam literalmente lotadas de carros, pois era quase fim de tarde. O carro ficou parado por alguns minutos no pequeno engarrafamento e como não tinha muito o que fazer, buscar pelo celular foi a melhor alternativa.


   - Faça uma boa viagem. Amo você” – Selena.

   - A Lucy está sentindo a sua falta. E eu também. Vou jogar futebol com o Augusto e os amigos dele, mas ficarei de olho no celular para saber onde você está. Já saiu da cidade? – Joseph.

   - Tenha cuidado. O Jake conseguiu alguns dias fora da prisão... Ele veio me procurar, mas o dispensei. Cuidado querida, sempre fique atenta e não dê nenhuma oportunidade para ele. Queria estar com você para protegê-la. Estou com saudades, faça uma boa viagem. – Dianna.

As três pessoas que ela mais amava em todo o mundo! O sorriso foi de orelha a orelha e o coração disparou a ler cada palavrinha. Primeiro ela respondeu Selena exageradamente dizendo que também a amava. Então lá estava a conversa com Joe.

   - Amor, cuida da nossa menininha e a mime por nós dois. Jogar futebol onde? Tenha cuidado e não exagere! Você precisa descansar para trabalhar. Quero conhecer esses seus amigos, quando você vai nos apresentar? Estarei online na maior parte do tempo, se a minha bateria durar. Nem passamos da Time Square, ou seja, estou perto de casa. Mas também não sei por onde passaremos para sair de Nova York – Demi. Assim que ela enviou a mensagem, Joe a visualizou. O tempo em que ele escrevia ela aproveitou para abrir a conversa com a mãe.

   - Obrigada por avisar. O Joe o encontrou, ele não chegou muito feliz em casa. Liguei para o detetive Pine, ele me garantiu que nos protegerá. E há uma série de condições que não permitem que o Jake se aproxime, e caso ele quebre alguma, pode ferir o acordo que o advogado conseguiu. Também estou com saudade. Nós podemos marcar alguma coisa? Eu, você e o Joe? – Demi.

A resposta de Joe tinha chegado junto com a de Selena enquanto Demi digitava a mensagem para Dianna. E quando ela foi responder o namorado, chegou uma nova notificação. Laura Jonas. Demi ficou sem saber o que fazer quando viu a solicitação de amizade da tia de Joe, porém não tinha como recusar ou ignorar, ela aceitou e como estava focada na conversa com Joe, Sel e Dianna, voltou para o aplicativo para respondê-los.

Ah não! As bochechas coraram e o coração bateu um pouquinho mais rápido quando Laura a chamou no chat. Diabos! Aquilo não deveria acontecer, aliás, não deveria deixa-la envergonhada e muito menos desconfortável.

   - Oi Demi, tudo bem? – Laura. Ela tinha visto a mensagem apenas pela notificação porque não tinha coragem de abrir a conversa. Mil vezes diabos! As bochechas chegavam estar quentes e infelizmente o dedo esbarrou na notificação então abrindo a conversa quando o carro virou numa curva. Agora não tinha mais jeito.        Não responder seria completamente desapropriado.

   - Oi Laura. Estou bem, e você? – Demi. As mãos estavam suadas e o coração acelerado!

   - Também estou bem. – Laura. E agora? Demi mordeu o lábio inferior com tanta força que quase o feriu. Ela nem mesmo tinha coragem para voltar para conversar com Joe. – Desculpe incomodar. Só gostaria de saber se está tudo bem com o Joseph. Sei que tem coisas que ele prefere não falar para não preocupar a mamãe. Eu entendo, mas gostaria saber se está realmente tudo bem com ele. Ele está se alimentando corretamente? Ele tem desmaiado? – Laura.

O que responder? Demi franziu o cenho sem saber o que poderia contar, começou a digitar, apagou e então voltou a digitar decidida em contar a verdade para Laura, até porque ela precisava saber o que estava acontecendo com Joe.

   - Não é incomodo. O Joseph está bem. Ele está se alimentando corretamente, porém às vezes ele acaba abrindo mão da alimentação para se dedicar ao trabalho. Numa dessas vezes que ele acabou desmaiando. Nós fomos ao hospital algumas vezes para ele tomar insulina. Estou sempre o lembrando de comer corretamente, de se cuidar. – Demi. A mensagem foi visualizada no mesmo instante e Demi não soube se estava fazendo certo, mas sabia que não poderia deixar de contar para alguém que se preocupava de verdade com Joe o que estava acontecendo com ele. – Às vezes ele tem tontura. Desde que o conheci, ele desmaiou duas vezes. Nós o levamos para o hospital. Agora está tudo bem.

   - Eu gostaria que você cuidasse dele, Demi. Ele é um rapaz muito especial e nós queremos o bem dele acima de tudo. De longe fica impossível. Sei que posso confiar em você. – Laura.

   - Você pode. Eu sempre vou cuidar do Joe. – Demi.

   - Joe? Gostei do apelido! – Laura.

   - Joseph é muito formal, então nós o chamamos de Joe – Demi.

   - Entendi. Antes de viajar para Nova York, ele foi hospitalizado porque desmaiou. E não foi o primeiro desmaio. Ele começou a desmaiar e ficar tonto não tem muitos meses. Estou preocupada. Você poderia convencê-lo a procurar um médico? Ele sempre resistiu quando tentamos. E com você, ele pode ser mais flexível. Arcarei com todos os custos. – Laura.

   - Eu não sabia. Ele só contou que passou mal quando estava trabalhando no campo. Vou convencê-lo e nós procuraremos um médico ainda essa semana. Está tudo bem, eu posso cuidar dele. – Demi. A preocupação a atingiu em cheio. Demi tinha o cenho franzido e um nó formado na garganta. Ela olhou para os lados percebendo que estava longe da cidade provavelmente numa rota que levava à estrada.

   - Se precisar de alguma coisa, por favor, não hesite em entrar em contato. O desmaio no campo o levou ao hospital. A mamãe ficou muito preocupada. Foi o terceiro desmaio em dois meses. Sem contar as tonturas. E eu o flagrei várias vezes tendo que fazer pausas para descansar antes de retomar o trabalho no campo e na escola onde ele dava aula, mas ele é teimoso igual a mãe e continua ignorando um problema de saúde que pode ser sério. – Laura.

   - Ele é realmente teimoso, mas vou cuidar dele. – Demi. A vontade era de voltar para Nova York naquele exato momento e levar Joe ao hospital para saber o que estava acontecendo. Laura tinha razão em estar preocupada. Tonturas e desmaios não eram sintomas comuns.

   - Ele foi demitido da empresa que o contratou quando ele ainda estava aqui? Eu vi num blog na internet, mas não sei se é verdade. – Laura. E pensando no bem de Joe, Demi concluiu que era melhor falar a verdade por mais que poderia se complicar. A mensagem de resposta foi digitada com tanto receio, mas ela tinha que o fazer.

   - Aconteceram algumas coisas. Ele foi demitido, mas já conseguiu outro emprego. – Demi. Não era hora para aquilo. Demi franziu o cenho quando apareceu um sinal de exclamação perto da mensagem avisando que não tinha sido possível enviá-la. O celular estava sem sinal. Logo quando ela conversava com a tia de Joe! Diabos. Os olhos pesaram e o cenho foi franzido quando Demi olhou para os lados encontrando só a estrada e a natureza. As árvores eram borrões e o verde estava em todos os lugares onde não havia estrada. Ela olhou para trás e não existia mais a vista dos enormes arranha-céus de Nova York.

O coração acelerou um pouco e o calor se instalou na barriga a incomodando. Então voltou a atenção para o celular para ver se ainda tinha sinal, mas as barrinhas que mostravam a área de cobertura do chip estavam nulas.

  - Amor? Já estou aqui com o Augusto. – Joseph há 40 minutos.

   - Relaxa e faça uma boa viagem. Você já escolheu o que vai vestir? – Selena há 41 minutos.

   - Eu estou indo a delegacia prestar depoimento. Contarei tudo que sei e pedirei para o detetive, de alguma forma, para não deixar o Jake chegar perto de você. Mande notícias quando chegar. – Dianna há 40 minutos.

Não tinha como responder ninguém, porém se pudesse, o primeiro a ser respondido seria Joe. Ele iria jogar futebol! A vontade era de puxar a orelha dele. Com desmaios e tonturas e Joseph inventava de jogar futebol. Era um esporte que sugava muita energia, e depois ainda tinha o trabalho de vigilante praticamente à noite toda! Qual o problema dele? Demi viu-se tão irritada com o namorado que praticamente esmagava o celular com as duas mãos. Joseph teria o dele quando ela voltasse para Nova York.

O celular estava inativo, Tony concentrado na estrada e o carro no meio do nada. Estava ficando sufocante e o calor começava a incomoda-la, aliás, até mesmo a roupa que vestia. Estava tão quente e desconfortável. Não tinha uma posição que dava para ficar confortável. O cheiro dos bancos de couro e do carro sempre foram fortes daquele jeito? Demi abraçou o travesseiro e recostou-se na porta do carro. A porta estava vibrando e o vidro quente. Tudo estava quente e ficar com o travesseiro estava fora de cogitação. O cinto de segurança a apertou e Demi o fuzilou quando o viu atravessando o corpo na diagonal. Que incomodo! O cabelo começou a pinicá-la e ela teve que enrolá-lo num coque alto sentindo-se mais aliviada com a nuca ao ar livre. Restou fitar a estrada. As árvores corriam, o sol começava a sumir no horizonte, mas mesmo assim os raios incidiam intensamente. A tontura veio quando todos os sentidos ficaram apurados. O cheiro do banco de couro, o vibrar da porta do carro que sem querer ela tinha esbarrado e o borrão que eram as árvores. Demi ficou mole, calorenta e enjoada. Resmungou baixinho e quando Tony a olhou, agilmente o carro foi estacionado no acostamento e o homem a ajudou a descer. Foram poucas às vezes que ela tinha vomitado, e em todas elas, a experiência foi horrível! Vomitar não ajudou muito, porém ela ficou bons minutos naquela desagradável situação até que o estomago estava vazio.

O rosto ficou avermelhado, a face perceptivelmente abatida, os olhos cansados e os lábios esbranquiçados. Foi preciso apoiar-se nos braços de Tony e respirar fundo por uma série de vezes. Lavar o rosto com água mineral ajudou, assim como tirar a blusa de frio ficando apenas com a camisa de algodão que vestia. Eles perderam quase vinte minutos naquela pausa. E quando voltaram para o carro, Tony a ajudou a se acomodar e Demi não recusou. O cansaço e o enjoo controlado foi o suficiente para derrubá-la. E quando Demi dormia, bem, poderia estar acontecendo uma guerra que ela continuaria profundamente no mundo dos sonhos.

O que Demi sabia sobre Baltimore era que a cidade possuía um dos principais portos marítimos do país e que lá ficava o famoso Aquário Nacional que abrigava mais de setecentas e cinquenta espécies. O cabelo estava uma bagunça, a cara de sono e a sensação no estomago era estranha, porém Demi estava acordada quando eles chegaram à cidade por volta das seis e quarenta. O carro seguiu diretamente para o hotel, e quando ela desceu do carro sentia-se mole, porém aliviada por estar em meio à civilização.

O quarto era uma das melhores suítes. Tony ficou acomodado em um e ela noutro. Porém Demi não queria saber de luxo, ela se jogou na cama e respirou fundo buscando o celular para conectá-lo no Wi-Fi e a tomada já que a bateria estava pouca.

   - Desculpa a demora, quando nós estávamos conversamos eu estava a caminho de Baltimore para uma palestra e acabei ficando sem sinal na estrada. – Demi. A mensagem foi enviada para Laura alguns segundos depois, mas ela já não estava online.

Demi respondeu Selena, Dianna e depois Joseph que já tinha enviado pelo menos cinco mensagens avisando que já estava em casa e se arrumava para trabalhar. Não deu muito tempo de ficar no celular já que a equipe que Marcus tinha contratado para produzi-la bateu à porta. Ela tomou banho e bem, Demi não gostava muito daquele tipo de coisa, mas enquanto o cabelo era escovado, os pés eram massageados, as unhas pintadas e ela tinha direito a champanhe e petiscos. Não era ruim ser cuidada daquela forma. Então ela aproveitou já que não acontecia muito. Na hora de buscar pela roupa que tinha trago de casa, pelo menos mais cinco opções tinham surgido já que Marcus também tinha providenciado aquele detalhe. A roupa que Demi tinha comprado era bonita, mas os vestidos eram mais elegantes e ela optou por um preto social com detalhe de renda na região do busto.

Ela estava bonita e elegante. Selena aprovou o look quando ela enviou a foto. E Joe também. Demi sorriu quando o namorado enviou muitos emoji com olhos em formato de coração e logo em seguida mandou uma foto dele sem camisa com Lucy. Só era uma pena que Tony bateu à porta do quarto porque já estava na hora da palestra.

Demi não estava nervosa. Geralmente ela não ficava quando iria se relacionar com pessoas desconhecidas. E o que falaria sobre Design estava na ponta da língua, não tinha como não saber o que dizer sobre o que ela mais gostava de fazer. Só que quando chegaram à universidade, a quantidade de carros e pessoas a assustou. Era um evento acadêmico grande e consequentemente estava cheio de mentes intelectuais circulando. E lá estava ela representando a Gyllenhaal. Quando desceu do carro, um fotografo gritou por uma foto e foi estranho sorrir para um anônimo, mas ela o fez e logo o reitor a recebeu com um aperto de mão e a guiou educadamente para dentro do campus. Encaixar-se não foi um problema. Demi conversou com os outros palestrantes e sentou-se numa das primeiras cadeiras do auditório acompanhada dos colegas para assistir o início do evento e as primeiras palestras até que fosse a vez dela. O lugar estava lotado de pessoas, maioria delas com certeza eram estudantes, professores e profissionais.

A ansiedade foi um sentimento bom quando anunciaram que ela seria a próxima palestrante. Até mesmo um sorriso Demi esboçou animada. Só que o cenho foi franzido quando os olhos encontraram com os dele. Aquelas olhos cor de mel eram familiares, familiares demais. O sorriso mais lindo da faculdade. O coração de Demi quase saiu boca a fora. John tinha sido um encanto na época da faculdade e ela estava perdidamente apaixonada por ele, apaixonada a ponto de ter confiado demais um segredo que não deveria. Não foi à toa que ela tinha ganhado fama de filha de prostituta de luxo.

   - Demetria. – Ele tinha se aproximado sem se intimidar, e o sorriso estava nos lábios perfeitos. – É uma surpresa e um prazer encontra-la aqui. – Disse John sentando-se a cadeira vazia ao lado e quando ele se curvou para beija-la na bochecha, Demi não pode fazer nada além de aceitar o beijo ainda em estado de choque.

   - John. – Não era para soar tão impessoal, aliás, ela tinha o esquecido há anos e estava com Joe! Não era porque nutria alguma espécie de sentimento por John, só era que ele tinha a magoado tanto enquanto ela o amava. E a forma que ela a machucou foi simplesmente baixa porque envolvia o ponto mais fraco de Demi: Dianna.

   - Você está mais linda do que eu posso me lembrar. – Ele disse esboçando aquele sorriso fantástico e as covinhas que ela tanto amava se formaram. – O que você faz aqui, Demi? – Perguntou sustentando o olhar dela e Demi engoliu em seco, franziu o cenho desviando o olhar e respirou fundo sem saber exatamente o que fazer.

   - Eu não quero falar com você. – Não era para ela ter dito aquilo em voz alta enquanto cogitava a ideia de dizer aquela frase. Que droga! John sorriu balançando a cabeça e acariciou o queixo barbado.

   - Você ainda está magoada com uma coisa que aconteceu há anos? – Ele era tão cara de pau. Demi sabia como John podia ser insistente. Ele era um filhinho de papai rico que conseguia tudo que queria, e levar um fora não o agradava. – Poxa Demi, quando eu te vi, pensei que nós poderíamos trocar uma ideia depois da sua palestra. – O olhar sinuoso caiu sobre o anel de compromisso no dedo dela e correu para os seios, os lábios e então os olhos de Demi. – Você foi a melhor namorada que eu já tive. Foram bons tempos na faculdade, tivemos noites incríveis, não concorda?

   - Eu tenho namorado. – Disse Demi desviando o olhar do ex para fitar o palestrante. O que dizer? Foi absurdamente constrangedor sentir o olhar de John sobre ela. Era como se todas as pessoas que a zombaram quando souberam através de John que ela era filha de uma prostituta de luxo estivessem ali se divertindo com o sofrimento dela. A tentativa de ignorá-lo não deu muito certo, John ainda tentou puxar assunto e arriscou até mesmo colocar a mão sobre a dela. Será que ele não percebia que estava a sufocando?

Por que as mulheres tinham que passar por aquele tipo de situação? Demi franziu o cenho quando se lembrou de Dianna e tudo que ela tinha passado para coloca-la no mundo. Um estupro era desumano e Demi não sabia se conseguiria superar caso estivesse no lugar da mãe. Os pensamentos focaram-se naquele ponto delicado e ela se viu perdida em meio há tantas pessoas.

Quando a anunciaram, Demi ficou confusa e a início se assustou quando todos começaram aplaudi-la. Ela sentia as bochechas coradas de tanta vergonha porque tinha sido pega de surpresa, o que mostrava que ela não estava prestando atenção na palestra anterior e o culpado a olhava sorrindo enquanto também aplaudia. Assistir animações não era ruim, e ela se lembrou da épica frase do filme Madagascar: Sorria e acene. Foi o que Demi fez, colocou um dos seus melhores sorrisos no rosto e caminhou para o palco. Ela era uma mulher jovem de vinte e três anos, espirituosa, bonita, inteligente, insegura, carente e com a eterna alma de adolescente. Todas as qualidades e defeitos formavam quem ela era. E ela as usou como arma para conquistar o sorriso de cada um daqueles jovens enquanto falava da Gyllenhall, tecnologia e design. Foi a palestra mais divertida e inteligente que ela poderia ter feito. Demi não esperava que poderia falar tão bem para jovens e que depois do infortuno encontro com John a palestra fosse tão boa. Acabou que ela foi aplaudida de pé e o reitor pediu que ela tirasse uma selfie com a plateia diretamente para o instagram da universidade.

Na saída, ela ouviu tantos “Parabéns Srta. Lovato” e o que não faltava era pessoas para apertar a mão e até mesmo tirar uma foto. Ela não esperava que fosse convidada para a cerimônia que teria depois das principais palestras. E para infelicidade de Demi, John estava presente sempre a olhando cheio de segundas intenções. Restou ignorá-lo enquanto conversava com os professores da universidade sobre o atual mercado e degustava de petiscos deliciosos de aves aos mais refinados peixes.

   - Pensou no que eu te disse? – John se aproximou discretamente com uma taça em mãos e para não chamar atenção, ele olhava para o pessoal enquanto a abordava na saída.

   - Não estou interessada, e sou comprometida. – Disse Demi arrumando uma mecha do cabelo que a incomodava atrás da orelha.

   - Vamos, deixe-me apenas te levar para casa. – Ele tinha conseguido envolver a cintura dela com os braços e apertá-la indelicadamente na silhueta destacada pelo vestido.

   - Eu já disse que não! – Demi sentiu o pânico dominá-la quando em poucos passos forçados ela estava sozinha com o ex-namorado num corredor vazio que cruzava o corredor principal onde as pessoas transitavam. Ele não ousaria, ousaria? Por que era tão desconfortável? Por que alguns homens pensavam que as mulheres deveriam aceita-los de qualquer forma? John não a beijou, ele tentou criar um clima aproximando mais o rosto e a acariciando devagar na cintura. Num momento ela fitou os olhos cor de mel dele e se sentiu enjoada quando ele fechou as pálpebras e tentou beijá-la, e com sorte ela esquivou-se e tentou se soltar.

   - Demi, algum problema? – De onde Tony tinha surgido, Demi não sabia. Só que ela aproveitou para sair dos braços de John e ficar ao lado do motorista de Jason. Era simplesmente nauseante como as coisas funcionavam. Era preciso outro homem para que John não a tocasse. Estavam século vinte e um e aquela barbaridade ainda acontecia.

   - Nós só estávamos conversando. – John disse lançando um olhar duro a Demi que franziu o cenho.

   - Vamos embora. – Disse a Tony porque ela não precisava explicar o que tinha acontecido uma vez que estava bem explícito.

   - Você está bem? – Tony perguntou preocupado e Demi assentiu sem conseguir olhá-lo. Ela estava com vergonha e se sentia vulnerável por ter passado a mesma coisa pela segunda vez.

   - Estou bem. – Tinha soado o contrário. Demi quase chorou quando foi exposta a multidão e recebida por alguns flashes porque ela se lembrou de quando Jake a expos naqueles malditos sites pornográficos. As pessoas sabiam, não tinha como não saber por que foi matéria dos principais noticiários do país. Cabisbaixa, ela passou ao lado de Tony e quando eles adentraram o carro, Demi cobriu o rosto com as mãos e tombou a cabeça para trás.

   - Srta. Lov.., Demi. – Tony foi gentil quando a todo no ombro demonstrando respeito e preocupação. – Ele te machucou? Nós podemos ir à delegacia agora mesmo. – Disse gentilmente buscando por um lenço para secar as lágrimas que Demi começava a derramar.

   - Ele é um idiota. – Demi fungou engolindo o choro e secou as lágrimas pedindo a si mesma para respirar fundo e manter a calma. – Eu só quero ir para casa. – Disse manhosa, mas a vontade de chorar só aumentou quando ela se lembrou de que não teria Joseph para dormir enroscado a ela.

   - Vamos ao hotel buscar os nossos pertences e nos organizar antes de sair, tudo bem? – Ela assentiu prontamente, respirou fundo e tornou a assentir buscando pelo cinto de segurança quando Tony deu partida no carro. – Quer comer em algum restaurante?

   - Acho melhor evitar comer. – Disse Demi fitando a cidade curiosamente. Demorou pouco menos de quinze minutos para chegaram ao hotel e antes de cada um seguiu para seu quarto, eles combinaram que passariam na farmácia para comprar remédio de enjoo.


Demi decidiu que tomaria um banho para se livrar da maquiagem e poder relaxar antes de pegar estrada. Joe tinha deixado mensagem avisando que já estava indo trabalhar, Selena e Dianna perguntavam se ela já estava voltando para Nova York e Laura tinha deixado uma mensagem perguntando sobre o novo emprego de Joe. Demi até responderia, mas o repentino enjoo a obrigou correr para o banheiro e vomitar até que estava pálida.


Continua...  Oi! Tudo bem com vocês? Eu estou bem. Desculpem a demora a postar, acontece que tive uma turbulenta semana  de provas e projetos(ainda não acabaram). Então não tive tempo para escrever, só consegui terminar nesse final de semana, porém não foi tão ruim já que eu consegui encaixar detalhes para fanfic que não fazia ideia de como iria embutir.. está aí, espero que vocês gostem e perdoem a demora. Obrigada pelos comentários! Beijo e até mais