18.7.17

Capítulo 44


  - Então vocês brigaram? – Uma hora Demi ronronava um sim e noutra um não. Aquele pijama estava um pouco desajeitado, aliás, ela usava uma calça de moletom e regata. Estava deitada no sofá entre as pernas da mãe que deslizava os dedos pelo cabelo castanho. Ela estava tão feliz que parecia ter ganhado na loteria! – Demetria, você está quase dormindo. – Disse Dianna parando com o carinho para que Demi finalmente abrisse os olhos toda manhosa para saber o porquê que a mãe não a mimava.

   - Mãe, faz carinho. – Dianna arqueou uma sobrancelha quando Demi levou a mão dela à cabeça praticamente a obrigando mimá-la. – Nós não brigamos, ainda não. – Disse fitando os olhos de Dianna. – Conversamos brevemente sobre o que aconteceu, mas concordamos que ainda vamos conversar mais sobre. – Ela acabou se levantando quando se lembrou da mensagem de Rose. Dianna tinha lido todas as mensagens e escutado a mensagem de voz.

   - O que está te deixando tão para baixo? – Dianna perguntou levando a mão a de Demi quando ela se sentou ao sofá e fitou o nada parecendo tão triste. Apesar dos pesares, Demi sempre sorria feliz e tinha uma energia tão positiva.

   - O Jake, a Rose, as pessoas do meu trabalho. – Comentou observando a mão de Dianna sobre a dela. – Eu estou com tanta vergonha. – Disse finalmente depois de olhar brevemente para os olhos da mãe. – Quando eu comecei a sair com o Jake, realmente eu não tinha ideia de que ele era casado, nunca me passou pela cabeça... Ele soube exatamente como me enganar. Então eu conheci o Joe. De certa forma, acabei ficando com os dois ao mesmo tempo, até que o Jake descobriu e publicou os vídeos. – Dianna deitou a cabeça na almofada do sofá e observou a filha. Demi era uma mulher independente, mas também era tão menina e completamente inocente.

   - Eu também tenho culpa, e muita. Confesso que eu não sabia que ele era casado, mas não levou muito tempo para descobrir. É só que.. eu estou tão acostumada com esse tipo de coisa. – Demi a olhou por alguns segundos e assentiu. Ela tinha que se lembrar daquele detalhe: Elas eram completamente diferentes quando se tratava de relacionamentos. – Eu sei que nós enxergamos essas coisas de uma forma bem diferente, mas nós podemos entrar num bom senso, certo? – Disse esboçando um pequeno sorriso e Demi franziu o cenho, mas assentiu também sorrindo.

   - Isso é tão louco. – Murmurou olhando para mãe. – Posso perguntar uma coisa? – Dianna pensou em negar, pois Demi poderia perguntar tantas coisas que a colocaria em uma péssima posição, mas aquele momento com a filha estava sendo especial. Elas tinham deixado às diferenças e magoas de lado para tentarem se entender.

   - O que você quer perguntar? – Perguntou Dianna levando a mão à bochecha de Demi para acariciá-la, e foi tão fofo quando ela corou e logo a olhou toda apaixonada, os olhos marrons como os do pai chegavam a carregar um brilho especial.

   - Por que você dormiu com o Jake? – Era óbvio, mas mesmo assim Demi queria ouvir as palavras da boca de Dianna. – Eu estava com ele, não te incomodou? Digo, você está acostumada a dormir com caras casados, e eu tenho pavor só de pensar em me relacionar com pessoas compromissadas.. Eu acho que estou embolando as coisas. – Ela estava tão vermelha que Dianna riu a achando ainda mais fofa.

   - Demi, no dia que eu contei sobre o seu pai.. – Ela fez uma breve pausa desviando o olhar de Demi. – Eu não queria te apresentar para nenhum amigo. Não combinei nada com o Jake sobre as noites de vocês dois, e eu o conheci primeiro. – Demi franziu o cenho porque ela não gostava do fato de ter compartilhado um namorado com a mãe, mesmo ele sendo Jake. – Diríamos que foi uma mera coincidência o caso de vocês. - Dianna pensou muito no que diria porque tinha coisas que Demi não poderia saber. - De certa forma, quando descobri que você estava dormindo com o mesmo cara que eu, resolvi continuar com ele porque eu precisava de dinheiro e porque eu poderia garantir que ele não iria te machucar. O Jake é um homem perigoso, principalmente quando se trata do que é do interesse dele. E ele estava obcecado por você e pela Selena.

   - Eu jurava que ele estava pagando para dormir comigo. – Murmurou a olhando e Dianna negou.

   - Você não é mais adolescente. – Foi o suficiente para que Demi entendesse o que Dianna queria dizer. Quando ela era mais nova, Dianna podia muito bem fazer o que queria as escondidas da lei. – Ele pagava muito bem, então.. – Demi assentiu e Dianna desviou o olhar. – Ele estava interessado em você e atrás da senha do cofre do avô, e você era a melhor amiga do Jason.

   - Eu disse a ele que eu não tinha acesso a esse tipo de coisa. – Demi colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e deitou a cabeça na almofada do sofá como a mãe. – Acho que o Jake tem algum problema, digo, acho que ele é alguma espécie de psicopata sexual. Quando fui à delegacia, o detetive comentou que mesmo se o Jake não for condenado pelo assassinato do Jason, ele será por filmar as meninas da empresa.. Você sabe.. Sem a permissão delas, incluindo a minha. – Os ombros chegaram a amolecer de desanimo. Ela simplesmente gostaria de poder voltar no passado para impedir que Jake a filmasse. – O Joe tentou tirar os vídeos do ar, alguns saíram, mas ainda tem sites que não responderam.. E a internet é um mundo infinito, ele não vai conseguir tirar tudo do ar nem mesmo com a ajuda da polícia.

   - E você está morrendo de vergonha. – Disse enlaçando os dedos aos dela e Demi corou bruscamente assentindo.

   - Não tenho nada contra a filmar, fotografar ou o que for. – Disse fitando o veludo da almofada com tanto desinteresse. – Eu só me senti violada, exposta e como uma qualquer. Ele poderia ser casado ou o que for, mas eu confiei nele e ele deveria ter me respeitado. Eu sei que ele expos os vídeos como uma forma de vingança porque eu estou com o Joe. Ele é tão baixo e doente. – O pior de tudo e para o azar dela, Jake era uma figura pública, o que acontecia na vida dele estava estampado na capa do jornal, e não foi diferente quando os vídeos “caíram” na rede.. O que ganhou mais fama. – Isso não é bom para a minha carreira. As pessoas estão comentando no trabalho e fazendo piadas, é tão constrangedor. Não posso pedir férias e muito menos alguns dias de folga porque com a saída do Jake da presidência, muita coisa mudou e nós estamos trabalhando duro para colocar tudo no lugar, de novo.

   - Ignora. Se nós sempre considerarmos a opinião do próximo, as coisas quase sempre tendem a piorar. – Disse fitando os olhos de Demi. – Você já parou para pensar que tem muitas mulheres que queriam estar no seu lugar? Você é inteligente, muito bonita e tem um bom emprego. E o Jake era o presidente, as mulheres devem ficar loucas de inveja só de pensar que você esteve com ele, e elas não. Sei que é sujo para você porque ele é casado, mas é uma boa forma de pensar sobre essas pessoas que estão tirando a sua paz. – Demi não tinha pensado daquela forma, e de certa forma era verdade. Antes de o mundo descobrir que Jake era casado, até mesmo as funcionárias da Gyllenhaal olhavam para ele com muitas intenções mesmo ele estando comprometido com ela. – E agora você está com o Joe. Ele é um sonho de tão lindo, mais um motivo para elas estarem mordidas de inveja. – Demi riu assentindo. Se Jake chamava atenção, Joe matava as mulheres daquele departamento de calor. Não tinha uma que não tinha o olhado.

   - Ei! – Disse brincando e Dianna arqueou uma sobrancelha. – Ele mandou um oi para você. – Comentou apaixonada pensando no que Joe estaria fazendo naquele exato momento.

   - Você pode mandar um oi de volta. – Dianna sorriu a olhando e Demi sorriu de volta quando percebeu o olhar da mãe. – Eu gostaria de conhecê-lo, acho que não fui muito gentil com ele. – Disse se lembrando da vez que tinha o chamado de menino e lançado a Joe um olhar duro.

   - Podemos marcar um jantar ou qualquer coisa. – Comentou mais centrada em pensar em Joe. – O que você acha dele? – Perguntou curiosa para saber a opinião da mãe.

   - Eu acho que ele ainda é um garoto. – Demi arqueou as sobrancelhas e mordeu o lábio inferior para não sorrir. – Pelo menos quando eu o conheci algumas semanas atrás, ele parecia completamente inexperiente em todos os aspectos. Na última vez que eu o vi, ele estava tão calado que eu não sei o que dizer. Mas levando em conta as outras vezes, ele não tem a malícia de um homem. – Dianna conhecia muito bem os homens a ponto de saber tudo sobre eles apenas dando uma bela olhada.

   - Ele só é tímido. – Murmurou manhosa porque estava com saudades do namorado. – Bem, ele ainda está aprendendo.. – As bochechas coradas dela diziam tudo. Dianna riu alto e Demi escondeu o rosto com a almofada.

   - Ele tem quantos anos? – Perguntou curiosa e Demi murmurou um vinte e três ainda com o rosto na almofada. – Eu não acredito que ele esperou até agora, ele deveria entrar para aquele livro de recordes. – Demi riu do comentário de Dianna. Ela tinha percebido que Joe era virgem! Diabos. – Geralmente os meninos perdem a virgindade primeiro. – Concluiu e Demi assentiu corada.

   - O Joe é diferente. Ele passou a adolescência estudando e trabalhando na fazenda da família, e a timidez não permitia que as garotas se aproximassem dele. – Comentou se lembrando das coisas que Joe tinha contado sobre a adolescência. E no fundo Demi suspeitava que Rose também espantava as garotas que tentavam se aproximar de Joe. – Eu o amo e ele me faz feliz. – Disse quando Dianna tocou o anel de compromisso logo o tirando para analisá-lo.

   - Foi você quem escolheu? – Perguntou analisando as pedras e tudo que Demi disse foi que Joe tinha escolhido o anel. – É uma peça muito bonita e delicada, combina com você. – Disse devolvendo o anel.

   - Ele comprou as alianças e me levou para jantar. Ele disse que era para ter sido um pedido romântico. Ele acabou desmaiando e o resto da história você sabe. – Dianna assentiu enlaçando os dedos aos de Demi e retribuindo o sorriso.

   - É o que importa. Você está feliz. – Disse ainda sorridente e Demi assentiu se deitando no sofá para que pudesse deitar a cabeça no colo da mãe.

   - Ele mudou todas as minhas perspectivas. – O olhar dela era tão sonhador e apaixonado que Dianna a observou com curiosidade deslizando os dedos pelas mechas de cabelo marrom. – Antes eu não queria ter filhos e casar, agora toda vez que eu penso no meu futuro, eu imagino o Joe ao meu lado e uma criança nossa. – Aquilo era definitivamente estranho para Dianna, mas ela sorriu feliz porque Demi estava radiante falando sobre o namorado. – Eu só estou com um pouco de medo. Não imaginei que as palavras da Rose me afetariam tanto. Ela me preocupa, tenho medo da família dele não aprovar o nosso relacionamento por culpa dela.

   - Essa menina está apaixonada. E nós duas sabemos como as mulheres podem ser perigosas e venenosas quando querem conseguir um homem. – Demi arqueou uma sobrancelha, mas assentiu porque Dianna tinha razão. – Ela criou todo um cenário perfeito para depois tentar manipular o Joe contra você. – Dianna tinha uma forma tão diferente de enxergar as coisas. Demi não tinha imaginado nada daquilo, mas quando ela parou para analisar, fazia sentido. Rose falou sobre as estrelas, os vagalumes e as vezes que Joe dormiu na casa dela para envolvê-lo e depois o atacou verbalmente.

   - Eu sei o que ela estava tentando. – Disse fitando o teto com pesar. – Eu a entendo, ela está apaixonada por ele, e de certa forma, ela está certa sobre tudo que disse sobre mim. – Murmurou e Dianna negou balançando a cabeça.

   - Demetria, ela está tentando roubar o seu homem! Tudo bem que ela o conhece há mais tempo, mas ele escolheu ficar com você. – Disse Dianna chamando a atenção de Demi. – Ele esperou até agora para ter a primeira vez com você. Se ele fosse como os outros homens, ele teria ficado com essa menina por sexo e a descartaria logo em seguida. A Rose sabe que o Joe é especial, por isso que ela está tão desesperada para queimar o seu filme. – Talvez Demi fosse realmente inocente, ou talvez Dianna neurótica demais. Porém uma coisa era certa, Rose tinha tentado acabar com aquele relacionamento de todas as formas.

   - Eu só me sinto horrível com tudo isso. – Ela tornou a se erguer e antes de desabafar, abraçou uma almofada menor para deitar a cabeça na maior. – Eu não sei como conviver com o fato de que eu dormi com um homem casado, não só por uma noite. E o pior de tudo é que todo mundo sabe e está me julgando.

   - Vamos lá. – Disse Dianna arrumando a camisola de cetim ao corpo e por alguns instantes Demi a olhou. Ela era uma mulher bonita e muito sexy. – Quem agiu de má fé foi ele, não você. A culpa não é sua, meu amor. Eu sei que todo mundo sabe, e que é difícil administrar esse tipo de situação. Vai ser chato ouvir o que as pessoas têm a dizer, e elas vão continuar opinando e comentando o tempo todo só para tirar a sua paz. Você sabe tudo que aconteceu, e principalmente que o Jake te enganou. Ficar com a consciência pesada não fará bem para você, não nesse caso que a culpa não é sua, tenta pensar pelo lado positivo. Você descobriu que ele era casado antes que acontecesse algo pior como, por exemplo, se apaixonar por ele ou engravidar. Agora você tem o Joe, e tudo que você deve fazer é focar no seu relacionamento com ele.

   - Eu só queria que todos soubessem da verdade. – Disse segundos depois e Dianna assentiu.

   - Às vezes nós temos que passar por esse tipo de coisa, não por castigo, é só para aprender. A vida tem dessas coisas, e nós temos que ser fortes e determinadas para dar a volta por cima. – Demi sorriu quando Dianna secou a lágrima que rolava pelo rosto dela. Aquela estava sendo definitivamente a melhor noite de todas. Demi nunca tinha conversado tão abertamente com Dianna, e nem mesmo ganhado carinho no cabelo. Atrás daquela máscara de arrogância e ganância, existia uma mulher inteligente e carinhosa. – Você é uma boa menina, sempre foi e não deixe que as pessoas digam o contrário, e mesmo se elas disserem você sabe quem você é. – As duas sorriam e Demi abraçou Dianna deitando a cabeça no peito dela. – Você promete que vai pensar no que eu te disse? – Quando Demi a olhou, Dianna sentiu o coração disparar no peito e por muito segundos ela fitou os olhos da filha. Aquela era a sua menina! A única coisa boa que realmente tinha feito em toda a vida.

   - Prometo. – Demi sorriu feliz por ter o sorriso retribuído. Ela tornou a deitar a cabeça no peito da mãe satisfeita por tudo estar bem entre elas. – Eu te amo! Não importa o que aconteça, às vezes eu fico tão brava com você, mas sempre vou te amar. – O que ela diria? Dianna não soube o que fazer e muito menos o que falar. Os olhos estavam marejados e ela teve medo que Demi ouvisse o coração bater super acelerado contra o peito. O que ela sentia por aquela menina? Dianna não sabia ao certo, só sentia que era algo muito forte e devastador. Para proteger Demi, ela era capaz de fazer qualquer coisa.

   - Mesmo com todas as barbaridades que eu fiz. – Comentou e Demi assentiu no mesmo instante. – Eu.. – Ela começou a dizer emocionada e quando Demi a olhou, doeu, como doeu!

  - Não precisa dizer, juro que eu entendo.. Eu já estou feliz por nós estarmos juntas. – As lágrimas rolaram ferozmente pelo rosto de Dianna. Será que Demi a perdoaria? Ela nunca tinha chorado tanto como chorava. Aquela menina era demais para ela, Demi era tão boa e tinha uma alma linda e pura por amar uma mulher como ela. – Mãe, não chora, eu juro que entendo. – Ouvir a palavra mãe era ainda mais doloroso. Dianna abraçou Demi contra o peito e deixou que as lágrimas rolassem como nunca tinha acontecido.

   - Você é a melhor coisa que já me aconteceu. – Alguns minutos tinham se passado e quem derramou lágrimas foi Demi ao ouvir aquelas palavras. Era tão confuso. – Eu não mereço você. – Demi fitou os olhos da mãe e quando Dianna a beijou na testa, ela fechou os olhos se sentindo honrada e especial. – Espero que um dia você me perdoe. – Quando ela descobrisse a verdade sobre o pai, as coisas não seriam as mesmas e Dianna sabia que corria o risco de perdê-la para sempre. Tudo era complicado porque no dia que o pai de Inácio lhe corrompeu a alma, as coisas não eram mais as mesmas.

   - Eu já te perdoei, está tudo bem. – Murmurou e Dianna a abraçou com mais força arrancando um sorriso de Demi.

   - Está tarde, e a senhorita tem trabalho amanhã cedo Demetria. – Disse minutos depois e Demi resmungou porque ela não queria ir trabalhar. – Quer dormir hoje comigo? – Aquilo era uma pegadinha? Demi fitou os olhos da mãe com bastante atenção para tentar descobrir o que estava acontecendo. Quando pequena, ela sempre quis dormir com Dianna, mas a resposta era a mesma: não. E às vezes ela apanhava.

   - É claro que sim! – Disse empolgada demais e acabou corando.

   - Eu sei que você tem costume de comer à noite, a cozinha está a seu dispor. – Dianna riu de como Demi estava vermelha e sem jeito. E ela não a julgava porque aquilo era culpa dela por não ter dado carinho suficiente para Demi.

   - Prometo que você não vai se arrepender de comer a minha macarronada. – Tinha como negar? Demi estava tão animada e Dianna curiosa para aproveitar a filha, que ela preferiu deixar Demi tomar conta da cozinha.


A casa ganhou um ar bem diferente daquele de sexo e dinheiro. Demi era divertida e o sorriso dela iluminava tudo. Os minutos que elas ficaram na cozinha foram divertidos e Demi tentou ensinar a mãe como cozinhar já que Dianna não sabia nada sobre aquele assunto, porém não deu certo e elas riram muito. Mais tarde a macarronada estava pronta e realmente boa. Por mais que elas comeram em silêncio, o clima continuava agradável e tranquilo.

   - Você não se importa de dormir aqui? – Dianna perguntou com certo receio. Demi estava logo atrás e carregava o travesseiro e a coberta pronta para dormir. Naquele quarto já tinha acontecido tanta coisa, e só de pensar que a filha dormiria naquela cama, Dianna franziu o cenho porque ela não queria que Demi sequer imaginasse as coisas que ela já tinha feito.

   - Não. – Disse colocando o travesseiro sobre a cama e timidamente ela se sentou sobre o colchão e olhou atentamente para o quarto. Dianna poderia não saber cozinhar e muitas outras coisas que as pessoas normais sabiam, porém não era desculpa para não ter uma casa limpa e impecável. O quarto estava limpo e não tinha nada fora do lugar, nem mesmo a colcha da cama estava desalinhada. Deus! Era tão diferente dela. Demi sentiu as bochechas corarem. Ela nunca arrumava a cama! – Eu sempre quis dormir com você. – Comentou quando olhou para os olhos da mãe que encostava a porta do quarto. – Quando eu era pequena. – Completou e Dianna assentiu.

   - Eu lembro. – Disse se aproximando para puxar a colcha da cama e Demi se levantou para não atrapalhá-la. – Você dormiu comigo até os cinco anos. Você sempre chorava à noite e eu não podia atrapalhar a mamãe.. Com uma criança. – Elas se olharam claramente receosas. Tinha muita coisa que Demi não sabia e às vezes Dianna preferia que as coisas continuassem daquele jeito para não ver a menina sofrer. – Quando você era bebê, eu não conseguia dormir porque você dormia de dia e acordava de madrugada para mamar. – Ela tinha mamado? Os olhos de Demi marejaram e não passou despercebido por Dianna. Ela não sabia nada sobre a época em que era bebê. As primeiras lembranças eram sofridas e pouquíssimas a fazia sorrir.

   - Eu dei muito trabalho? – Perguntou limpando a lágrima que ousou em rolar sem o consentimento dela. Por que tinha que ser difícil? Por que a vida não podia ser como a de Selena ou a de qualquer outra garota? Demi deixou que Dianna a conduzisse para deitar e chorou ainda mais quando a mãe a cobriu depois de apagar a luz e a abraçou por trás.

   - Não Demi, você não deu trabalho. – Dianna tentava a todo custo controlar as lágrimas. Ela queria pedir desculpa por tudo que tinha feito e de alguma forma recuperar o tempo perdido, mas era impossível. – Você sempre foi uma boa menina. – Disse dando um beijo na bochecha de Demi e a abraçou um pouco mais. Naquela noite o interior de Dianna tinha se transformado para algo maior e superior, e toda vez que ela olhava para Demi, ela confirmava mais uma vez que a amava com todas as suas forças.


***

   - Vocês não vão jogar hoje? – Estava tão cedo que o sereno da noite ainda fazia o vento soprar gelado e o sol brilhava timidamente no céu atrás das nuvens. E como era de costume, Joe tinha acordado cedo para caminhar com Lucy e praticar exercícios antes de sair a busca de um emprego.

   - Senta aí. – Disse Augusto a Joe que se acomodou a grama e acomodou as costas ao tronco da árvore. Aquele lugar era estratégico para vigiar Lucy caminhando e se entrosando com os outros animais. – É meio de semana, todos estão trabalhando ou na escola. Naquele dia nós tivemos folga. – Augusto era mais novo dois anos que Joe e o único da turma que já estava na faculdade.

   - Está tudo bem? – Joe perguntou alguns minutos mais tarde. Não que o silêncio fosse ruim, só era estranho. Augusto era um cara comunicativo e estava claro que tinha algo o incomodando.

   - Hannah. – O rapaz olhou para Joe e respirou fundo cobrindo o rosto com as mãos. – A família dela é complicada. – Disse abraçando os joelhos e Joe pensou no que ele poderia dizer para ajudar Augusto. – Não digo as meninas, elas parecem ser gente boa. O problema é o pai dela. Ele não para de pegar no meu pé e proibiu o nosso namoro, nós estamos às escondidas, sabe? Eu não sei o que fazer, quando não é o tio, as irmãs estão por toda parte para vigiá-la. E elas são cinco. Alicia é um bebê, então não conta. Mas tem as primas. – Ao menos ele sorriu ao se lembrar da pequenina que tinha visto apenas uma vez.

   - Você já tentou conversar com ele sobre as suas intenções com a Hannah? – Disse Joe sem saber ao certo se aquilo ainda funcionava nos dias atuais. Era o que ele faria se o pai de Demi os colocasse numa situação semelhante. – Eu faria isso se o pai da Demi proibisse o nosso namoro. – Explicou quando Augusto o olhou de forma curiosa.

   - Já. – O rapaz encostou a cabeça à árvore e suspirou olhando para cima. – Antes da mãe dela falecer, tudo era mais fácil já que ela sempre nos ajudava e o Sr. Lovato era mais maleável. Ele pegava no pé, mas nunca chegou a proibir o nosso namoro. – Tudo que Joe ouviu foi Sr. Lovato, e ele não conseguiu não arregalar os olhos e mapear as possibilidades de ser apenas uma coincidência.

   - Qual o nome do pai da Hannah? – Perguntou tentando não parecer tão assustado com a ideia e Augusto o olhou um pouco irritado.

   - Inácio. Inácio Lovato. – Quantos homens chamados de Inácio poderiam existir com o mesmo sobrenome que o de Demi? Milhares! Isso, milhares! Não era porque o pai de Hannah se chamava Inácio Lovato que significava que ele também era o pai de Demi. Ou significava? Joe franziu o cenho e depois encostou a cabeça à árvore. Era por isso que Hannah parecia familiar. Elas tinham os mesmos olhos castanhos, o tom claro de pele e a cor do cabelo. – Algum problema? – A voz de Augusto o despertou do transe e Joe ficou sem saber se contava para o rapaz sobre Demi, mas depois de pensar, Joe concluiu que era melhor não falar nada.

   - Esse nome é familiar. – Comentou brevemente para despistar o rapaz. – Você já pensou que ele pode ter medo de perder a Hannah? Uma perda muda completamente a cabeça de uma pessoa. – Joe fitou os olhos escuros de Augusto e depois o céu azul claro carregado com algumas nuvens.

   - Nunca pensei nisso. – Disse o rapaz um pouco sem jeito. – Eu não sei o que fazer. Na semana passada a Hannah fez dois teste de gravidez, os dois deram negativo. Ela ficou com tanto medo de contar para o pai ou para uma das irmãs. Eu estou preocupado com o rumo que as coisas estão tomando, e se ela realmente estivesse grávida? Sei que eu estaria ferrado por engravidar uma garota menor, mas o que o pai dela faria? – Quando Augusto abraçou os joelhos e repousou a cabeça entre os braços, Joe levou a mão ao braço do rapaz e umedeceu os lábios.

   - Você deveria levá-la ao ginecologista. A minha namorada toma anticoncepcional e nós nunca passamos por isso. – Bem, não tinha um mês que ele tinha relações sexuais com Demi. Joe corou um pouco e coçou o cabelo da nuca. Augusto não precisava saber daquele detalhe. – E vocês devem usar preservativo. – Disse e o rapaz assentiu esticando as pernas na grama.

   - Nós sempre usamos preservativo, só que não é totalmente seguro. Incidentes acontecem e quando nós percebemos às vezes já é muito tarde. – Joe assentiu um pouco desconfortável. Se Demi engravidasse, ele ficaria feliz, e tinha certeza que ela também ficaria. Porém Augusto ainda estava lutando para ter um futuro e bem, Hannah ainda estava terminando a escola. – A Hannah vai surtar, mas você tem razão. Anticoncepcional parece bom. – Comentou e Joe assentiu.

   - Você não deveria estar na faculdade? – Perguntou e o rapaz sorriu sem jeito.

   - Mais tarde. Estou esperando a Hannah, nós vamos tomar café da manhã juntos. – Augusto estava feliz e Joe não deixou de sorrir por ele. – Se você quiser, pode se juntar a nós. – Lucy correu até Joe e ele sorriu a abrigando entre as pernas porque a pequena estava cansada.

   - Obrigado pelo convite, mas tenho que levar essa menina para casa, vou encontrar um amigo mais tarde e continuar distribuindo currículos. – Joe correu os dedos pela barriga da cadelinha e riu quando ela o olhou colocando a língua para fora e se remexendo na grama.

   - Você vai arrumar um emprego logo, o seu currículo é bom. – Disse Augusto acariciando Lucy que chegou a fechar os olhos de tão manhosa que era.

   - Eu fui demitido porque dei uma surra no meu chefe, não é uma boa referência. – Joe assentiu quando Augusto o olhou boquiaberto. – Ele tirou a paz da minha namorada por um bom tempo, e fez coisas terríveis. Alguém precisava revidar. – Comentou e o rapaz riu com gosto.

   - Se alguém mexesse com a Hannah, eu faria a mesma coisa sem pensar duas vezes. – Augusto sentiu o celular vibrar no bolso da bermuda e ele sorriu quando viu que a mensagem era justamente da namorada. – Ela chegou, está no lado oeste do parque. Eu já estou indo. – Joe assentiu enquanto colocava Lucy na guia. – Vamos? Você pode dar um oi para ela. – Disse ajudando Joe a se levantar.

   - Não esqueça que eu te disse sobre o anticoncepcional. – Disse Joe a Augusto que assentiu. – E você com certeza deveria abrir o jogo com o pai dela, ficar as escondidas não resultará em nada bom. – Durante todo o caminho até o local que Hannah estava, os dois conversaram sobre relacionamento e Joe sempre tentava aconselhar Augusto da melhor maneira a cuidar de Hannah.


   - Joseph, oi! – Joe sorriu sem graça quando Hannah o abraçou e o beijou na bochecha. E quando ele a olhou, pode estudar direito a beleza da menina. Ela era mais alta que Demi, questão de cinco centímetros no máximo. O cabelo era daquele mesmo castanho amarronzado, só que o que os diferenciava era que o de Demi era liso e o de Hannah um pouco mais cheio e com mais ondas. A pele clara e rosada era a mesma, os lábios rosados e só faltava as sardas para mostrar que as duas pertenciam a mesma família.

   - Oi Hannah. – Joe sorriu um pouco sem jeito quando Hannah desviou o olhar dele para se agachar para brincar com Lucy que não hesitou em pular na menina e fechar os olhinhos quando recebeu carinho atrás das orelhinhas. Minutos depois Hannah se levantou para cumprimentar Augusto. Será que ele e Demi eram apaixonados daquele jeito? Augusto sorria tão verdadeiramente para Hannah assim como ela sorria para ele. Eles se abraçaram, trocaram sussurros e depois um beijo que fez com que Joe sentisse muitas saudades de Demi.

   - Bem, eu acho que já vou. – Joe sorriu sem jeito quando Hannah continuou abraçando o namorado aparentemente envergonhada pelo beijo que tinha trocado.

   - Você tem certeza que não quer tomar café da manhã conosco? – Perguntou o rapaz a Joe. – Vai ser divertido, o que você acha princesinha?

   - Acho que será o melhor café da manhã de todos. – Hannah sorriu incentivando Joe, e tudo que ele fez foi corar porque ela era uma menina muito bonita.

   - Obrigado. Mas eu realmente tenho algumas coisas para resolver. – Ele não queria atrapalhá-los e não era mentira. Ed o encontraria mais tarde e ainda tinha muito lugar para deixar currículo.

   - Tudo bem. Nós marcamos para jogar, tudo bem? – Joe assentiu trocando um aperto de mão com Augusto e antes mesmo que Hannah pudesse se despedir, Joe franziu o cenho quando aquele homem familiar se aproximou mais focado em Augusto e em Hannah do que nele.

   - Você, para o carro agora. – O que diabos estava acontecendo? Joe franziu o cenho quando Hannah, sem chance alguma, caminhou às pressas na direção onde Edward apontou. Edward? – Eu já disse e não vou repetir mais uma vez: eu não quero você perto da minha filha. – Mil vezes droga! Então Dianna mentiu no dia que eles se encontraram acidentalmente no cemitério. Edward na verdade era Inácio, o pai de Demi.

   - Nós não estamos fazendo nada de errado. – Disse Augusto sem poder alterar o tom da voz e sequer poder sair um pouco da linha. Inácio era mais alto e forte que ele. E era pai da menina que o rapaz amava. – Eu jamais vou machucá-la. – Inácio olhou de Augusto para Joseph e instantemente ele ficou tenso, mas não perdeu a pose porque Joe também ouviria quando Demi soubesse que ela tinha um pai.

   - Você fica longe da Hannah. – Ele foi intimidante o suficiente quando se aproximou ficando com o rosto a poucos sentimentos do de Augusto. – E você, é melhor você não pisar na bola. Eu estou de olho em você rapaz. – Joe engoliu em seco quando Inácio lançou a ele um olhar intimidante o suficiente para que ele assentisse prontamente. A cor dos olhos dele, aquele marrom bonito, era exatamente o mesmo marrom dos olhos de Demi. O que os diferenciava era que Demi sempre tinha um brilho carente e apaixonado nos olhos, já Inácio tinha sido frio e cruelmente ameaçador. – E a mocinha está de castigo. – Ele tinha dito alto o suficiente para todo o parque ouvir.

O que tinha sido aquilo? Inácio adentrou o carro e deu algumas broncas em Hannah que afundou no banco do carona claramente envergonhada. E Joe e Augusto estavam tão intimidados que chegavam estar pálidos. Joe confessava que tinha entendido o recado, mas ele estava mais assustado porque era muita informação para processar. Poucos minutos antes ele tinha descoberto que Edward era na verdade Inácio Lovato, e que Demi tinha seis irmãs. O que ele faria com aquela informação já era outro assunto para se tratar.

   - Você o conhece? – Perguntou Augusto de cenho franzido e Joe umedeceu os lábios. Ele tinha acabado de conhecer o pai de Demi, e bem, não tinha sido muito interessante ser ameaçado daquela forma silenciosa, o que tornava tudo pior.

   - Não exatamente. – A história era longa demais e Joe já não entendia mais nada. Se Demi realmente era fruto de um abuso sexual, por que diabos Dianna parecia tão intima e até mesmo a vontade ao lado de Inácio? Não fazia o mínimo sentido! E ele não encheria a cabeça de Augusto com coisas que não tinha certeza. – Olha, eu tenho que ir, a gente se vê, ok? – Disse ao rapaz e os dois estavam tão sem graça que se despediram com um aperto de mão e um breve abraço. Até mesmo Lucy estava murcha e quieta.


Existia alguma possibilidade de aquilo funcionar? Quer dizer, Dianna se relacionar amigavelmente com alguém que a machucou como ela tinha dito? A questão se repetia de segundo e segundo na cabeça de Joe conforme ele caminhava despreocupadamente pela calçada movimentada. E o que diabos ele diria para Demi? Ela tinha irmãs e um pai. Um pai muito bravo por sinal. Aquilo não era muito bom para ele. Diabos! Inácio era grande e o único homem que o fez ter medo.  E se ele machucasse Demi? E as outras meninas? Aquele homem era um monstro na cabeça de Joe. Violar uma mulher era inaceitável! E ele não deixou de pensar na possibilidade de Inácio machucar as filhas. Aquilo era tão doente que Joe teve vontade de denunciá-lo na  primeira delegacia que encontrasse. O pior era que ele não estava numa situação agradável com Demi. Ela tinha rompido todas as barreiras ao encaminhar as mensagens de Rose para o próprio celular. Se ele não mostrou as mensagens absurdas da prima, foi justamente para protege-la! Por que as mulheres tinham que ser tão teimosas? E o que ele diria para ela? A pergunta se repetiu e Joe resmungou porque ele não queria mentir para ela.

   - Joseph! – Os pensamentos eram tantos que ele tinha perdido a noção do tempo. Tanto que já estava em frente ao prédio onde morava e tinha passado direto por Ed, que o abordou o puxando pelo braço. – Enviei mensagem avisando que passaria aqui mais cedo. – Disse Ed e Joe assentiu um pouco no mundo da lua. Será que seria bom contar para Ed sobre o que ele tinha descoberto naquela manhã maluca?

   - Eu estava no Central Park com a Lucy e um amigo. – Murmurou adentrando o prédio com Ed logo ao lado dele, e como o elevador estava no último andar, eles optaram pelas escadas já que Joe morava em um dos primeiros andares.

   - Você já tomou café da manhã? – Ed perguntou desabotoando o paletó para tirá-lo logo em seguida.

   - Comi antes de sair. E você? – Perguntou destrancando o apartamento e assim que a porta foi aberta, Lucy correu em direção à cozinha para beber água.

   - A Sel só fez o café da manhã para as crianças. – Resmungou jogando o paletó no sofá e afrouxando a gravata. – Ela está brava comigo desde ontem, eu juro que não fiz nada e que não entendo as mulheres. – Joe compartilhava a mesma ideia. Às vezes Demi estava de um jeito e no próximo segundo completamente diferente. Era complicado pra cabeça de um homem.

   - A cozinha é toda sua, vou tomar banho e já volto. – Disse a Ed e cada um seguiu um rumo: Ed caminhou apressadamente para cozinha a procura de comida e Joe para o banheiro.

Eles estavam juntos vinte minutos mais tarde e faziam a melhor coisa que dois homens poderiam fazer juntos: comer e falar besteiras. Porém não tinha jeito, não importava se eles conversavam sobre futebol, as ofertas de emprego ou qualquer coisa, o assunto sempre voltara para Selena e Demi.

   - Provavelmente você não fez nada e ela só está brava porque está naqueles dias. – Disse Joe cortando uma maçã e às vezes ele dava um pedacinho para Lucy que jamais perdia a oportunidade.

   - É nesse ponto que você se engana. – Ed bebeu do suco que tinha preparado e comeu um pouco mais da panqueca. – Não é porque ela está menstruada que quer dizer que é o motivo dela estar furiosa comigo. – Disse e Joe arqueou uma sobrancelha.

   - Eu realmente não sei como te ajudar. – Disse arrumando os óculos de grau ao rosto. – A Demi está normal. – Dessa vez quem arqueou a sobrancelha foi Ed e Joe respirou fundo cansado. E ele pensando que as coisas não poderiam piorar! Agora eles tinham realmente um motivo para brigar quando Demi descobrisse a verdade sobre o pai e que ele sabia de tudo. – Nós não brigamos. Ela passou dos limites e eu não sei o que vou fazer. Não consigo ficar chateado com ela por muito tempo, mas sei que se eu deixar passar, ela vai continuar fazendo e não resultará em nada bom.

   - O que tinha demais nessas mensagens? – Ed perguntou depois de jogar um pedacinho da panqueca para Lucy e Joe revirou os olhos. Por que aquela cadelinha nunca parava de comer? Será que era todo cachorro comia sem cessar como Lucy?

   - A Rose está apaixonada por mim desde que entrou na adolescência. Já conversei com ela sobre isso e disse que eu gosto dela apenas como uma irmã. Ela continua apaixonada e não reagiu muito bem ao meu namoro com a Dem, por isso que ela encheu o meu celular de mensagens e eu só soube sobre os vídeos porque ela me falou. – Ed riu. Joe sempre estava enrascado com mulheres. Elas praticamente choviam sobre o rapaz e ele não sabia como administrar a situação.

   - Você contou para Demi e ela mexeu no seu celular a procura das mensagens. – Disse e Joe assentiu. – Cara, tem coisas que a gente não conta justamente para evitar esse tipo de situação.

   - Eu não sei.. A Demi já conhecia a Rose por conta das nossas fotos no instagram e no facebook, e ela curtiu todas as fotos. A Rose a bloqueou e eu acho que elas se odeiam. – Na verdade ele tinha certeza. Rose não era flor que se cheire e muito menos Demi.

   - Você acha? – Ed tornou a rir enquanto pegava uma maçã. – O que você tem que fazer é: falava para Demi como você se sentiu quando ela invadiu a sua privacidade, vocês têm que estabelecer limites. E ouça o que ela tem a dizer sobre essas mensagens, se ela teve todo esse trabalho de ler uma por uma, é porque é importante para ela. – Joe assentiu. Como sempre Ed tinha razão. Aquela situação com Demi não era o pior, e Joe temia o que acontecia nos próximos dias.


***

Por incrível que pareça, depois dos conselhos de Dianna, o dia na Gyllenhaal foi normal. Demi ignorou todos os comentários negativos e passou a maior parte do tempo com Selena. As duas se divertiram no sofá do escritório trabalhando.

   - Você tem certeza que é uma boa ideia? – O carro de Sel estava parado no acostamento da rua em frente ao prédio onde Joe morava. Selena fitava os olhos de Demi estudando se ela realmente estava preparada para conversar com Joe.

   - Nós precisamos conversar, não dá para ficar adiando. Estou com saudades do meu namorado. – Disse tirando o cinto de segurança e arrumando a bolsa no ombro e o blazer no antebraço esquerdo. – Obrigada pela carona e por ter salvado o meu dia. Eu te amo muito Sel. – Demi a beijou na bochecha e apressou para abrir a porta do carro quando buzinaram.

   - Eu também te amo meu anjo. Não se esqueça da nossa noite das garotas. – Demi assentiu saindo do carro já que não queria que Selena tivesse problemas por conta dela.

   - Pega leve com o Jesse! E dê um beijo nas crianças por mim. – Ela fechou a porta do carro e sorriu enquanto acenava para Selena que buzinou partindo.

Lá estava o prédio. Demi fitou o edifício, umedeceu os lábios e antes de caminhar para dentro, ela observou o movimento de pessoas como se estivesse se preparando psicologicamente para conversar com Joe. Dianna tinha a ajudado um pouco a superar a confusão com Jake, e Selena tinha dado ótimos conselhos. Destruidora de lares não soava tão ofensivo, não mais uma vez que agora Demi tinha quase a certeza que era apenas uma vítima de Jake. Na verdade ela sabia que não era culpada, porém tinha uma parte que sabia que ela podia ter feito mais para saber sobre Jake e quem ele realmente era. Evitaria muita dor de cabeça!

Quando não teve mais saída, Demi adentrou o prédio cumprimentando o porteiro que permitiu que ela subisse ao apartamento de Joe sem grandes reviravoltas. Ela praticamente estava morando com Joe. Passava todas as noites com ele e só visitava o apartamento em que morava para pegar roupas. Ao chegar ao andar onde Joe morava, Demi adentrou o cabelo com os dedos para jogá-los de lado, umedeceu os lábios e teve toda uma postura quando ela bateu à porta do apartamento dele.

   - Demi. – Ele tinha que estar lindo daquele jeito? Joe tinha acabado de abrir a porta do apartamento. A bermuda surfista ficava muito bem nele. E o fato de Joe estar descalço, sem camisa e com o cabelo úmido e Lucy nos braços dava um charme sem igual a ele. – Entra. – Foi o que ela fez quando percebeu que a cadelinha estava se remexendo nos braços de Joe para escapulir para rua. – Fala oi com a Dem. – Demi riu e acariciou as orelhinhas de Lucy antes de Joe colocá-la no chão. – Você está linda. – Ele poderia estar chateado e as coisas entre eles estranhas, mas nada o impediria de dizer como Demi estava bonita vestida com saia secreta, camisa branca e com o blazer dobrado e repousado no antebraço. Era sexy.

   - Obrigada. – Demi sorriu quando ele corou certamente sem saber o que deveria fazer, então ela resolveu abraçá-lo pela cintura. – Eu senti muita saudade. – Disse o olhando nos olhos e Joe murmurou antes de tomar os lábios dela num beijo lento e que os deixou de lábios avermelhados.

   - Eu também. – Disse Joe nos lábios dela num sussurro. Ele fitou os lábios femininos antes de selá-los e sorriu quando olhou para os olhos de Demi. O castanho era tão lindo. – Você deve estar faminta, amor. Vamos comer? – Ele teve que disfarçar o receio com um sorriso. Não era por conta de Demi. Era que a cor dos olhos dela era a mesmíssima cor dos olhos do pai e Hannah.

   - Vamos. – Demi colocou o blazer e a bolsa sobre o sofá e sorriu mordendo o lábio inferior quando Joe a puxou pela mão também sorrindo para ela. – Joseph.. Por que você está sem camisa? – Quando ele a abraçou por trás, Demi umedeceu os lábios e aos pouquinhos ela se virou para morder o lábio inferior dele antes de iniciar um beijo. – Meu nerd gostoso. – Sussurrou o beijando no maxilar e quando ela olhou para Joe, sorriu porque ele também sorria.

   - Minha gatinha gostosa. – Eles riram e para chegar a cozinha foi um sacrifício! Eram tantos beijos intensos e selinhos que trocavam, que quando Joe levou a mão para o bumbum para acariciá-lo e tentou desabotoar os botões da camisa, Demi interrompeu os beijos e olhou ofegando para o namorado.

   - Amor, não. – Disse puxando o cabelo da nuca dele. – A gente está fazendo uma pausa, lembra? – Ela deu ênfase no “pausa” fitando os olhos verdes dele, e Joe suspirou tão frustrado que Demi riu.

   - Eu não posso nem tirar a sua camisa ou apertar o seu bumbum? – Perguntou manhoso e Demi deu três selinhos seguidos nos lábios dele.

   - Até pode, mas eu estou com fome. – A careta dele foi a melhor e Demi tornou a rir o puxando para que ele se sentasse a uma cadeira e ela no colo dele. – Você não me respondeu, porque está sem camisa? – Perguntou puxando o mamilo direito dele entre os dedos e Joe fez careta, mas sentiu um arrepio.

   - Eu fiquei com muito calor, quando você bateu à porta, eu tinha acabado de vestir a cueca, só deu tempo de vestir a bermuda. – Explicou-se observando os dedos dela tocarem o peito dele para depois puxar ambos os mamilos. – Isso é diferente. – Disse olhando para Demi que sorriu assentindo.

   - Você estava fazendo alguma coisa? – Demi riu quando ele ficou tão corado quanto um tomate maduro. – Joseph! – Ela riu alto e o beijou na bochecha.

   - Não fiz nada. – Ele estava tão vermelho de vergonha e Demi rir não ajudava muito. – Vamos comer? – Disse ainda envergonhado e Demi assentiu depois que deu um selinho nos lábios dele para que pudesse se levantar.

   - Pão com queijo e que tal se a gente cortar algumas frutas? – Perguntou e quando Joe assentiu, Demi buscou pelos alimentos para prepará-los. – Você tomou a insulina? – Joe assentiu acariciando Lucy, logo ele foi ao quarto buscar os chinelos para que pudesse ajudar Demi.

   - O que eu faço? – Perguntou a observando prender o cabelo num coque e dobrar as mangas da camisa.

   - Lava as frutas e as corte, bebê. – Joe sorriu tímido com o apelido e fez como ela disse: lavou as frutas que podia e ficou ao lado da namorada enquanto cortava as frutas num recipiente apropriado. Às vezes ele parava para olhar para Demi analisando cada detalhe para compará-lo com os de Hannah. Não tinha como negar que elas eram irmãs. Quando Demi começou a cantarolar distraída e o abraçou de lado depois de colocar os pães na prensa, Joe se sentiu sufocado e tão assustado. O que ele faria com aquela informação? Era errado esconder dela, tão errado! Porém não existia um meio dele entrar naquele assunto e contar que ele tinha conhecido Inácio, inclusive que tinha sido intimidado por ele, e que ela tinha uma irmã. Uma? Augusto tinha dito que eram seis meninas! Seis! E Dianna tinha apresentado Inácio como Edward. Aquela mulher não era confiável e uma caixinha de surpresas!

   - O que foi? – Perguntou carinhosamente quando percebeu que Demi tinha os olhos fechados ainda o abraçando. Ele preferiu afastar aqueles pensamentos sobre o pai de Demi, não era um assunto que ele deveria se meter ativamente.

   - Estou me sentindo boba por ter invadido a sua privacidade. – Demi desviou o olhar do dele, e quando voltou a olhá-lo, ela respirou fundo. – Desculpa, eu sei que passei dos limites. – Joe a olhou nos olhos e segundos depois assentiu se curvando para beijar a testa dela.

   - Eu não tenho nada para esconder. Você pode ficar à vontade para mexer no meu celular ou em qualquer outra coisa. Só fiquei chateado porque você fez escondido e sem o meu consentimento. – Demi só se afastou porque precisava cuidar dos pães, mas mesmo assim estava ouvindo atentamente. – Eu realmente não queria que você lesse aquelas mensagens e muito menos escutasse aquela mensagem de voz. A Rose passou dos limites e pegou muito pesado, você não merecia nada do que ela te acusou. – Joe se aproximou dela para ajudá-la com os pães e quando teve a oportunidade, roubou um selinho.

   - Eu estou com medo do que ela pode fazer. A família é muito importante no relacionamento de um casal, e se a sua família não gostar de mim, as coisas ficarão complicadas para nós. – Joe a olhou levando os pães para mesa e ele levou as frutas enquanto pensava sobre a família dela. Aquilo seria complicado, como seria!

   - Eles não podem falar mal sobre quem eles não conhecem. – Disse se sentando a mesa. – E eu realmente não me importo com a opinião de ninguém. – Demi se ajeitou ao lado dele os servindo com o suco de garrafa.

   - É complicado, amor. – Ela levou a mão a dele brevemente e o olhou nos olhos. – Eu prometo que não vou mexer mais escondido. E você também pode mexer nas minhas coisas.

   - Você está bem? – Perguntou depois de provar as frutas.

   - Conversei bastante com a minha mãe ontem à noite, estou me sentindo melhor e com algumas questões mais esclarecidas. – Comentou o olhando nos olhos. – Também conversei com a Selena. Eu estou bem, sério. – Ela forçou um sorriso para ele e durante os próximos minutos, eles conversaram sobre assuntos aleatórios enquanto comiam.


   - O que você quer fazer agora? – Joe estava deitado a cama e Demi estava ao lado dele.

   - Me conta sobre o seu dia. – Ela sorriu acariciando o peito nu e o olhou nos olhos transbordando paixão.

   - Bem.. – Droga! A parte mais louca do dia ele não poderia contar para Demi. – Eu fui ao parque cedinho com a Lucy, depois a deixei em casa e passei o resto da manhã entregando currículos. Tenho uma entrevista na semana que vem. – O sorriso dela foi tão lindo que Joe sorriu também. – À tarde eu fiquei em casa sem ter muitas coisas para fazer. – Resmungou e Demi se virou para que ele pudesse abraça-la por trás.

   - Estou feliz por você, de verdade. – Disse enlaçando os dedos aos dele. – Eu estava pensando. Você conhece pouco a minha mãe. Ela está melhor, amor. Nós estamos mais próximas e isso é tão bom. – Joe sorriu, mas no fundo ele tinha medo do que aquilo poderia significar. Por trás de todas as jogadas de Dianna, tinha um motivo muito obscuro que sempre machucava Demi. – O que você acha da gente jantar fora hoje? – Perguntou se virando e Joe franziu o cenho sem entender. – Eu, você e a mamãe? Vocês vão poder se conhecer melhor. – Completou dando beijinhos no peito dele e Joe não conseguiu disfarçar o receio. – Por mim, por favor amor. – Ronronou manhosa deslizando os dedos para um pouco abaixo do umbigo dele.

   - Dem.. – Repreendeu-a enlaçando os dedos aos dela porque aquela definitivamente não era uma boa ideia. – Dem, será que não dá pra ficar para outro dia? Eu realmente queria conhecer a sua mãe numa situação melhor. – Ele disse sem jeito. – Se eu conseguir a vaga de segurança, vou receber por semana e nós podemos jantar onde você quiser.  – De cenho franzido Demi se ergueu para olhá-lo nos olhos.


   - Amor, eu posso cuidar da gente, ok? – Ela disse apoiando os cotovelos no peito dele e Joe franziu o cenho não aprovando a ideia.

   - Dem, eu não quero ser.. ser in..indelicado. – Há quanto Joe não gaguejava? Demi flagrou exatamente o instante que ele corou desviando o olhar do dela se preparando para falar. – Nós estamos falando da sua mãe. – Disse a olhando nos olhos e Demi arqueou uma sobrancelha. – O que ela vai pensar de mim quando você pagar a conta? – Perguntou extremamente envergonhado.

   - Eu pensei que nós erámos o tipo de casal que não liga para essas coisas. Quando eu posso pagar, eu pago. Quando você pode, você paga. – Ela disse o olhando nos olhos e Joe assentiu.

   - Amor, a questão não é essa. É a sua mãe! – Disse intimidado. Já não bastava Inácio para pegar no pé dele, ter Dianna para lançar olhares em reprovação não o agradava. A mulher sabia ser tão intimidante quanto Inácio.

   - O que tem a minha mãe, Joseph? – O objetivo não era deixa-la irritada, jamais! Demi se ergueu para sentar a cama e Joe praguejou baixinho também se erguendo.

   - Nada. É só que eu vou ficar sem jeito. – Ele já tinha tantas contas para pagar que Demi nem mesmo fazia ideia e arrumar mais não seria nada interessante.

   - Ela não vai te julgar mal por isso, ok? Nós conversamos sobre você e eu acabei contando que o Jake te despediu quando você o socou. – Ele fez careta e Demi riu sapeca. – Eu estou ansiosa para passar um tempo com vocês dois. – Distribuir beijinhos no peito dele era covardia, mas Demi o fez e aos pouquinhos Joe foi cedendo.

   - Se é importante para você, tudo bem. – Ele disse a olhando nos olhos e o sorriso dela foi de orelha a orelha. – Eu vou pedir o carro do Ed emprestado, ok? Pelo menos isso, não quero que ela pense que eu sou um pobretão por completo. – Demi riu e o abraçou calorosamente.

   - Você só está desempregado, gatinho. Todo mundo passa por isso, daqui alguns dias tudo vai ficar bem de novo. – O sorriso de menino dele estava lá quando Demi se deitou sobre ele levando uma das mãos másculas para acaricia-la no bumbum e a outra no seio.

   - Agora você deixa. – Ele disse e ela riu de como ele estava marrento. – Quer tomar banho comigo? – Perguntou guiando as mãos para o rosto dela e Demi negou corada e ele lembrou que ela estava naqueles dias. – Ok, tudo bem. – Disse corado e os dois riram quando se olharam. – Você pode separar uma roupa para mim? Quero ao menos estar bem vestido.

   - Você quer impressionar a sua sogra, Joseph? – Disse Demi carinhosa adentrando o cabelo dele acima das orelhas para bagunça-los e Joe assentiu corado. – Vou ligar para mamãe para convidá-la e você pode ligar para o Ed. – Quando ele se levantou, Demi aproveitou para dar uma bela olhada no traseiro e nas costas largas dele.

   - Você já tem um restaurante em mente? – Perguntou a olhando deitada na cama e Demi jogou um beijo para ele o fazendo corar. – Dem, droga. Eu vou para o banheiro. – As pernas dela eram tão lindas e Joe adorava quando elas estavam em volta da cintura dele. Porém olhá-las sem poder fazer o que ele queria era uma tortura.

   - Vou pensar num lugar bom e modesto. – Disse Demi rindo da agonia de Joe. Ele adentrou o banheiro deixando a porta encostada e Demi caminhou diretamente para sala em busca do celular na bolsa. – O que você estava fazendo? – Perguntou a Lucy quando a pequenina veio da direção da área de serviço para subir no sofá ficando ao lado de Demi. – Você estava aprontando? – Demi deslizou os dedos nos pelos de Lucy já com o celular em mãos. Ela discou o número de Dianna enquanto brincava com a cadelinha. – Oi! – Disse assim que Dianna atendeu ao celular poucos segundos depois.

   - Oi! Deu tudo certo? – Perguntou Dianna e Demi sorriu feliz percebendo a ansiedade da mãe.

   - Deu! – Ela sorriu quando Lucy a lambeu nos dedos. – Eu estava pensando, você quer jantar com a gente? Jantar fora. – Seria tão bom ter Joseph e Dianna apenas para ela naquela noite. O coração de Demi chegava bater mais rápido só de pensar em como seria divertido.

   - Eu acho que eu vou demorar muito para ficar pronta. – Dianna sorriu imaginando o sorriso de Demi. Elas estavam bem e felizes. – Nos encontramos onde e que horas? – Perguntou.

   - Demore o tempo que precisar, você sempre fica linda. – Ela sorriu com o próprio comentário. – Nós passamos para te pegar daqui a mais ou menos.. – Começou a dizer e verificou a hora no celular. Eram seis e dez. Tinha tempo suficiente para todo mundo se arrumar. – Sete e quarenta está bom? – Perguntou.

   - Está. Quando você estiver chegando, liga. – Elas se despediram e por alguns minutos Demi ficou deitada no sofá cochilando com Lucy, até que ela lembrou que também precisava se arrumar.

   - Joe, eu vou para casa me arrumar. – Demi sorriu quando ele saiu do banheiro com uma toalha branca enrolada na cintura a baixo. – Sete e meia nós saímos, tudo bem? – Disse o acompanhando até o closet.

   - Você não separou a minha roupa. – Joe corou quando Lucy adentrou o closet e deitou-se para olhá-los. Ele não gostava de trocar de roupa na frente da cadelinha. – Você não vai me ajudar. – Perguntou manhoso a abraçando e Demi o abraçou de volta gostando de sentir todos aqueles músculos a envolvendo.

   - Você está ficando muito manhoso. – Disse depois de dar um beijinho nos lábios dele. – E você não tinha acabado de tomar banho quando eu cheguei? – Perguntou se soltando dos braços dele para começar a procurar por as roupas.

   - Eu gosto de tomar banho. – Não era justificativa. Na verdade ele só estava muito nervoso para jantar na companhia de Dianna. Tão nervoso que não queria que nada saísse errado. – Você deveria me esperar, não vou demorar. – Ele se sentou ao puff para esperar.

   - Nós sabemos que você sempre demora. – Sim, ele demorava! O dilema começava com a cor da camisa e sempre terminava com Joe em frente ao espelho sem saber como ele poderia pentear o cabelo, e no final das contas ele usava o penteado de sempre! – O que você acha? – Perguntou mostrando a camisa preta de botões e os jeans de tons escuro.

   - Está bom. – Analisou melhor as roupas que ela tinha m escolhido e sorriu em agradecimento. – Obrigado. – Demi se aproximou para beijá-lo na testa.

   - Já vou, ok? Ficarei te esperando em casa. – Joe assentiu erguendo o rosto para receber o beijo de despedida. – Te amo. – Eles sorriram e trocaram um selinho demorado.

   - Também te amo. – Ele disse segurando a mão dela. – Até daqui a pouco, não vou demorar. Tenha cuidado. – Quando Demi foi embora, Joe aproveitou que Lucy tinha a acompanhado para começar a se vestir. Ele jantaria com Dianna! A ideia de ter os olhos da mulher o analisando era o suficiente para deixa-lo nervoso e corado.

Tudo tinha que ser equilibrado e harmônico! Demi tinha razão quando disse que ele demoraria a ficar pronto. Até a quantidade de perfume ele calculou mentalmente. E quando já estava perfumado, vestiu camisa preta com todo o cuidado do mundo para não amassá-la, mas como o pano era um pouco grosso, não aconteceria. Joe que era sistemático e o nervoso o dominava. Quando ele vestiu a calça, pensou em mudar a camisa para uma de cor branca. E o fez, mas a preta ficava bem melhor. Então o rapaz voltou a vestir a camisa preta. Foi uma droga para escolher o que calçar! Demi não tinha escolhido e ele estava começando a ficar mais nervoso. Ele experimentou o sapato social, o mocassim, o tênis branco, porém o que tinha realmente ficado bom foi a bota preta de cano curto. A roupa não estava ruim, bem pelo contrário. Joe só sentiu falta de um agasalho e resolveu usar um de seus blazers que nunca tinha usado.

   - Ed, você pode me emprestar o carro? – Ele tinha acabado de ligar para o amigo já que estava em frente ao espelho para pentear o cabelo.

   - Eu estou na Rocco’s. As crianças querem torta, e quando eu digo as crianças, também estou me referindo a Selena. – Joe riu da indignação de Ed. Sair de onde ele morava para comprar na Rocco’s ficava um pouco longe. – Você vem para casa comigo, e volta com o carro.

   - Tudo bem. A Demi chamou a mãe dela para jantar fora. – Murmurou concentrado em pentear o cabelo como ele vinha observando. Era o mesmo penteado comportadinho de sempre, só que com um pequeno topete que o deixava mais charmoso.

   - Você vai precisar de muitas dicas. – Disse Ed e Joe murmurou um “humrum”. – Cinco minutos e eu estou aí. – E foi dito e certo. Mal Joe terminou de escovar os dentes que Ed já ligava. Foi uma correria que só para colocar comida para Lucy, pegar a carteira verificando se o último dólar que ele tinha estava lá para então descer às pressas a escada.

   - Desculpa, eu estava arrumando o cabelo. – Ed arqueou uma sobrancelha quando Joe adentrou o carro todo arrumado. Ele estava bonito e elegante.

   - Parece que você vai para uma premiação, não jantar com a mãe da sua namorada. – Comentou dando partida no carro. – Está perfeito! Não é uma sogra comum, é a Dianna! – Ed entendia o ponto de vista dele. Era Dianna, não qualquer mulher.

   - Eu estou tão nervoso. – Resmungou esticando os dedos.

   - Você está bem, digo, sua aparência está impecável. – Ed o olhou rapidamente procurando por algum detalhe que poderia ser melhorado, mas tudo estava bom. – Ela não pode reclamar da sua aparência. Agora, você tem que ser o mais cuidadoso possível. Nada de falar palavrão ou gírias. Diga sim ou não, sorria educado e não se coloque em situações embaraçosas, não na frente dela. A Demi pode até compreender, agora ela, sem chances. – Certo, certo! Ele deveria fazer muitas notas mentais. E a cada palavra dita por Ed, parecia piorar. – Nada de beijar a Demi, no máximo um selinho. Se ela puxar assunto, seja discreto e simples, nada de tentar se engrandecer. – Eram tanas coisas! O percurso até a casa de Ed foi assustador! O jantar estava mais parecendo missão suicida, ele não podia fazer praticamente nada, claro, segundo Ed. – E pelo amor de Jesus Cristo, não deixa a conversa chegar em sexo. Isso vai ser absurdamente constrangedor. – Joe tinha os olhos arregalados e a ideia de inventar um resfriado parecia muito agradável. Ed tinha parado o carro em frente a casa onde morava e não tinha para onde correr, eram sete e vinte e cinco. Demi estava o esperando. – Relaxa, no fundo não é um bicho de sete cabeças.

   - Você está brincando comigo? – Perguntou ao olhar para o amigo e Ed deu de ombros.

   - Confesso que exagerei. Você só precisa ficar esperto. Seja você mesmo, mas com cautela e as dicas que te dei. – Disse e Joe assentiu suspirando fundo. – Eu já vou, não quero apanhar de novo.  Boa sorte, cara.

   - Obrigado. Boa sorte com a Sel. – Eles trocaram um breve abraço e então Joe assumiu o controle do carro. Ele tinha que relaxar e não pensar em tantas besteiras. Não seria tão ruim, seria? O trânsito colaborou e exatamente as sete meia ele já estava em frente ao prédio onde Demi morava, e ela estava o esperando como o combinado.

   - Você está muito bonito! – Ele ficou com vergonha, mas aos poucos se aproximou da namorada perdido na beleza dela. Ela sim estava bonita, aliás, muito bonita usando um discreto e elegante vestido branco e sandálias de salto na cor preta.

   - Você está linda. – Ele sorriu encantado com os cachos nas pontas do cabelo dela. – Eu quero te beijar. – O batom vermelho era chamativo e sexy. Joe fitou os olhos marrons levemente maquiados e novamente os lábios de Demi desejando beijá-los.

   - Contente-se com um selinho. – E foi o que ele recebeu. Um selinho demorado e um abraço apertado. – Vamos? – Demi sorriu com o olhar dele, enlaçou os dedos aos de Joe e quando eles chegaram ao carro, ele fez questão de abrir a porta para ela e ajuda-la a se acomodar no banco.

   - Você está muito bonita, gatinha. – Ele a olhou e tornou a sorrir. A tensão tinha passado mais porque, por mais que jantaria com Dianna, Demi também estaria lá para ajuda-lo.

   - Está nervoso, querido? – Demi perguntou assim que enlaçou os dedos aos de Joe quando ele deu partida no carro. A mão dele estava gelada.

   - Confesso que estou. – Disse e respirou fundo para controlar o coração. – Não exagerei? – Perguntou focado no transito e ele sorriu quando Demi o beijou no ombro.

   - Claro que não, amor. – Infelizmente o caminho até a casa de Dianna não era longo, e de carro ficava mais fácil para chegar. Joe não sabia se queria que o trânsito os atrasasse porque chegar atrasado também seria ruim. – Joe, olha pra mim. – Pediu porque Joe estava calado e Demi sabia que ele estava se corroendo por dentro. – É apenas a minha mãe, ok? Vai dar tudo certo. – Ele esperava que sim, por isso acabou assentindo.

   - Se eu ga..gu..guejar, você me ajuda? – As bochechas dele estavam coradas e a voz baixinha. Era de partir o coração, por isso que Demi o abraçou e o beijou na bochecha carinhosamente.

   - Amor, é claro que ajudo. – Ela sorriu o olhando nos olhos e para completar deu um selinho nos lábios dele. – Relaxa, está bem? Eu estou aqui com você! – Realmente ajudou quando ela disse aquelas palavras com os dedos enlaçados aos dele. Demi resolveu que era melhor esperar um pouquinho, então deitou a cabeça no ombro de Joe e vez ou outra sussurrava no ouvido dele palavras carinhosas que o fazia sorrir e se sentir mais leve e confiante. – Podemos ir? – Ela perguntou arrumando a gola da camisa dele e Joe assentiu sorrindo timidamente.

Como era um cavalheiro, Joe desceu do carro e abriu a porta para Demi a ajudando descer. Ele estava ansioso, por isso olhou na direção do prédio de Dianna. Ela ainda não estava lá, o que foi de alívio para o rapaz que caminhava de mãos dadas com Demi em direção à entrada do prédio.

   - Eu vou ligar para ela. – Disse Demi assim que desbloqueou o celular e verificou que era exatamente a hora que tinha combinado com Dianna. Então ela discou o número da mãe ainda com os dedos enlaçados aos de Joe para passar segurança para ele. – Nós já estamos aqui. – Disse assim que Dianna atendeu ao celular. – Ela já estava esperando no hall. – Aquilo era bom? Joe respirou fundo tentando não olhar na direção do hall, e ele não fez! Já Demi estava ansiosa e animada com o jantar. E ela sorriu de orelha a orelha quando a mãe entrou no seu campo de vista. Dianna era uma mulher bonita e elegante. E mesmo usando um discreto vestido preto levemente solto, ela estava linda! Demi deixou a mão de Joe para abraçar a mãe gostando muito de sentir o perfume familiar um pouco mais forte e os braços de Dianna também a envolvendo num abraço maternal.

   - Eu amei o seu vestido. – Disse Dianna analisando o look da filha que sorriu envergonhada, mas também a elogiou.

   - Mamãe, você já conhece o Joe. – Ele iria fugir, mas Demi o puxou exatamente no momento que ele tinha consolidado aquela ideia. – Vocês já se conhecem, então. – Demi deu de ombros sorrindo e bem, Joe sorriu envergonhado estendendo a mão para que Dianna a apertasse.

   - Boa noite. – Ao menos ele não tinha gaguejado e não ousou em desviar o olhar de Dianna, que mesmo apertando a mão dele, o abraçou brevemente.

   - Boa noite Joe. – Dianna não escondeu o sorriso e nem quando analisou Joe. Ele era muito bonito e combinava com Demi. – Você está muito bonito. – Elogiou-o e ele corou, céus, como corou! Demi sorriu o observando e Dianna também sorriu porque ele tinha ficado sem jeito.

   - Você também está bonita Sra. Lovato. – Ele disse esboçando um pequeno sorriso para tentar disfarçar as bochechas coradas, e Demi o abraçou de lado porque ele era a coisa mais fofa do mundo.

   - Então, vamos? – Disse Demi chamando a atenção das duas pessoas mais importantes da vida dela. E quando eles assentiram prontos para caminhar para o outro lado da rua onde estava o carro, o coração de Joe quase saiu pela boca ao ouvir aquela voz.

   - Dianna? – Era Inácio Lovato em carne e osso.


Continua... Oiii! Tudo bem com vocês? Eu estou bem e feliz com esse capítulo. Ele está enorme e foi muito legal escrever esse momento da Demi com a Dianna. Elas finalmente estão se entendendo! E o nosso menino de ouro está numa roubada com o Inácio, o que vocês acham que vai acontecer? Até quando o Joe vai suportar a pressão e vai contar para Demi sobre o pai? E o Inácio aparecendo de surpresa! O que vai acontecer?? Espero que vocês tenham gostado desse capítulo, eu estou tentando não demorar a escrever, comecei a desenvolver esse capítulo exatamente no mesmo dia em que postei o Capítulo 43 e desde então não parei de escrever. O que posso adiantar para vocês é que nós veremos mais o Inácio em ação daqui pra frente assim como a família dele, o Joe vai continuar a procurar um emprego e a depender das decisões dele, pode gerar desentendimentos com a Demi... E vamos ver Semi com outros olhos.. Aaah! A Rose tá vindo aí... Eu realmente espero que vocês estejam gostando dessa fanfic, no começo foi complicado, mas agora as coisas estão melhorando. Obrigada por todos os comentários e visualizações, quem puder divulgar o blog, por favor, fique a vontade. Agradecida desde já!! ps. Teremos um pouco do Jake também.