6.6.17

Capítulo 41



Estava tarde, e como estava. À noite começava a ser engolida pelo sol e o frio era um fato. No interior do quarto o silêncio só era quebrado pelo sutil ruído do cooler do notebook sobre o colo de Joe. A luz do equipamento iluminava o rosto do rapaz que tinha os olhos vidrados no que ele estava trabalhando. Ah, e tinha uma linda mulher dormindo na cama tão serenamente que às vezes Joe parava o que estava fazendo para sorrir observando Demi dormir. Como alguém podia ficar tão bonito usando apenas uma camisa larga e calcinha? O cabelo dela estava levemente bagunçado tomando boa parte do travesseiro com as mechas castanhas pesadas, os lábios estavam entreabertos e a pele clara de Demi estava rosada na região das bochechas. Joe sorriu a olhando e se curvou para dar um leve beijinho na testa da amada e aproveitar para arrumar o cobertor ao corpo dela.

Quando voltou a olhar para o computador, os olhos lacrimejaram e arderam; O clarão aos poucos diminuiu restando apenas a imagem da tela do notebook quando os olhos de Joe se adaptaram novamente. Aquele deveria ser o site pornográfico que ele visitava de qual número? Joe tinha passado praticamente toda a noite desde que Demi tinha dormido trabalhando em tirar os malditos vídeos do ar. E ele estava conseguindo. Primeiro ele entrou em contato com os administradores de alguns sites solicitando a remoção do conteúdo, em alguns casos ele teve que apelar para métodos mais específicos de programação... E em outros ele ainda esperava a resposta dos sites. Mas uma coisa era certa: boa parte dos sites, pelo menos os mais populares, tinha removido os vídeos íntimos de Demi. O cansaço bateu com força e Joe sentiu as costas doeram e a mesma dor irradiar pelos braços em direção as mãos e as pernas. A cela da cadeia da delegacia não oferecia conforto e ele passou todo o tempo sentado no chão frio esperando que alguma coisa acontecesse, até que Jéssica Orlando, a noiva de André, o salvou daquele castigo. Ele estava cansado, estava, mas ainda sim a preocupação com Demi era maior. Depois da conversa no carro, ela tinha abaixado a guarda e chorado muito, chorado a ponto de o nariz ficar vermelho e ter soluços. Tinha sido de partir o coração e Joe não podia continuar sem fazer nada, era a razão de ele estar acordado dando o melhor de si para defender a namorada.

O relógio correu por mais meia-hora e Joe deixou que o cansaço o vencesse. Era quase quatro horas da manhã e dormir naquele horário acabaria com o resto do dia. Como estava no próprio apartamento já que Demi tinha decidido ficar lá com ele, Joe acendeu o abajur e desligou o notebook e o guardou na gaveta da cômoda do closet. O rapaz bocejou se espreguiçando e aproveitou que estava no closet para vestir uma camisa já que ele vestia apenas calça de moletom. Será que não era melhor vestir Demi com uma calça de moletom como a dele? Joe a observou da porta do closet e decidiu que era melhor deixá-la dormir em paz, ela merecia descansar assim como ele.

 Apagando a luz do abajur, Joe finalmente se deitou a cama sentindo o corpo todo relaxar. Deu trabalho para conseguir um pouquinho da coberta, Demi estava envolta nela e tão quente que quando Joe a abraçou por trás quando conseguiu puxar um pouquinho da coberta, ele sorriu repousando a cabeça no ombro da amada. E o cheiro dela? Era tão suave e delicioso que aos pouquinhos ele se deixou levar pelo momento e a beijou no pescoço gostando de como a pele era delicada e macia.

   - Joe? – Não, o objetivo dele não era acordá-la. Joe sorriu um pouco sem jeito quando ela se virou ainda sonolenta e o abraçou repousando a cabeça no ombro dele. – Joe? – Chamou novamente manhosa e foi impossível não sorrir adentrando o cabelo dela da nuca com as mãos para acariciá-los gentilmente.

   - O que foi princesa? – Ele disse todo carinhoso e sorridente adorando a forma como Demi se aninhava a ele e o tocava na cintura. – Desculpa se eu te acordei. – Ele disse quando passou alguns segundos e ela ainda não tinha o respondido. – Ei, você está aí? – Perguntou levando a mão para o queixo dela para ergue-lhe o rosto. E como ele já estava acostumado com o escuro, enxergar os olhos marrons dela não foi um problema. – Fala comigo. – Disse depositando um beijinho carinhoso no nariz de Demi que sorriu ainda sonolenta.

   - Obrigada por me acordar. – Ela disse devagar porque estava quase dormindo. – Eu estava tendo um sonho estranho. – Disse levando uma das mãos para o peito dele e Joe a puxou pela cintura repousando a mão ali para que pudesse compartilhar do calor dela.

   - Um pesadelo gatinha? – Perguntou pacientemente brincando com a mão na curva da cintura dela sobre a camisa e Demi franziu o cenho, mas assentiu desviando o olhar do dele.

   - Um pesadelo, amor. – Disse baixinho. – Ele estava te machucando e eu não conseguia fazer nada para te defender. Eu gritava e tentava impedi-lo, mas era como se eu não estivesse ali com vocês. – Jake a perturbava até mesmo em sono! Joe a abraçou forte e quando a olhou, ele limpou a lágrima que rolava pelo rosto de Demi. Ela estava tão assustada e com medo que dava para ver nítido nos olhos dela, e era de partir o coração.

   - Foi só um pesadelo, eu estou aqui e não vou deixar que ele faça nada contra nós. – Demi assentiu o olhando nos olhos e aos pouquinhos eles voltaram a transmitir a típica tranquilidade, paixão e carência. – Tudo bem? – Perguntou e ela o respondeu com um leve beijo na boca.

   - Tudo bem. – Ela disse o olhando nos olhos e por quase um minuto eles não ousaram em interromper aquela conexão aproveitando para trocar carinhos, Demi no peito de Joe e ele na silhueta dela. – Me beija. – Não foi um pedido. Primeiro Joe guiou a mão para o rosto dela tocando com cuidado a bochecha e depois levou o polegar até os lábios femininos os entreabrindo.  E o melhor, ele a olhava nos olhos o tempo todo mostrando como a amava. O beijo foi mais intenso do que ambos esperavam, tão intenso que quando Joe deu por si ele já estava sobre Demi a beijando com toda paixão que nutria e sendo correspondido na mesmo proporção. – Amor, me ajuda a esquecer. – Ela não precisou dizer muito para que ele entendesse. Joe se ergueu para tirar a camisa e quando ele o fez, Demi se ergueu também se preparando para tirar a camisa, mas quando ela levou as mãos à barra, o rapaz intercedeu.

   - Eu quero fazer isso. – Se eles continuassem trocando beijos intensos como aqueles, a última coisa que Joe faria era tirar a camisa de Demi. Foi simplesmente maravilhoso roçar a língua a dela e saborear dos lábios femininos. – Não quero parar de te beijar. – E ela também não queria parar de beijá-lo. Joe mal tinha concluído a frase e Demi o beijou com vontade, também puxando o cabelo dele e o abrigando entre as pernas. – Ei, você tem certeza? – A respiração estava descontrolada e então ele ofegava, as mãos estavam na cintura dela respeitosamente sobre a barra da camisa esperando que Demi desse sinal verde.

   - Tenho. – Ela disse levando as mãos para os antebraços dele os acariciando podendo sentir como ele era forte e as veias grossas eram sexy. – Eu confio em você. – Disse quando ele começou a subir a camisa fixando o olhar dos olhos verdes nos dela. – Você é a melhor coisa que me aconteceu. Acho que eu nunca te disse isso. Obrigada por me amar e por me fazer querer ser alguém melhor. Se não fosse você, eu teria desistido de tentar ser feliz. – Joe umedeceu os lábios. Os olhos estavam marejados e o coração acelerado. Ele a olhou e se curvou para beijá-la na boca simples e sem delongas.

   - Você é a melhor coisa que me aconteceu. – Disse as mesmas palavras que ela a olhando nos olhos e Demi o beijou o acariciando nas costas nuas e no cabelo da nuca. Eles ficaram grudados e trocando beijos. E quando os primeiros raios de sol começaram a adentrar a janela do quarto, os corpos se fundiram e de tão cansados que estavam, eles se moveram sem muita pressa. Trocaram mais carinhos e gemeram baixinho abraçados até que adormeceram quando já não aguentavam mais.


***

Quando adormeceu, Joe estava cansado a ponto de não perceber quando dormiu. E com Demi não tinha sido diferente, o único detalhe que mudava era que ela tinha adormecido primeiro. E de tão cansado que Joe estava, quando o despertador tocou as sete e quarenta da amanhã com um toque bastante alarmado que não parou pelos próximos dez minutos, o rapaz sentiu a cabeça pesar horrores contra o travesseiro. Ele mal conseguia abrir os olhos porque também os sentia pesados e ardendo. Por que o celular de Demi tocava tanto? Demorou um pouquinho para que ele pudesse associar que já era dia e que Demi trabalhava pela manhã.

   - Droga.. – Murmurou levando as mãos ao rosto e respirando fundo. Ele estava zonzo e queria muito voltar a dormir, mas o celular tocou de novo e ele teve que se levantar para desligar aquela coisa. O porcelanato estava tão gelado e Joe descalço, ou melhor, ele estava nu, porém exageradamente com sono para sentir vergonha. O celular de Demi estava na bolsa na poltrona do quarto e o zíper resolveu emperrar quando Joe o puxou pelo pingente do chaveiro. Podia ficar pior? Murmurando algo sem sentido, Joe tentou puxar o zíper algumas vezes, e quando ele conseguiu, as bochechas coraram porque ele estava “mexendo” na bolsa de Demi. Era errado? Ele franziu o cenho e olhou para cama encontrando a namorada dormindo pesadamente sem se importar com o celular. Era só para desligar o despertador do celular dela, não era nada demais. Depois que o fez, um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Joe quando ele se ajeitou a cama ao lado de Demi. Ela estava quentinha e nua como ele. Tinha coisa melhor que dormir com ela? Não mesmo. O rapaz abraçou a namorada por trás e colocou a cabeça perto da orelha dela aproveitando para dar um beijinho ali. Ele gostava muito de como o cabelo de Demi cheirava frutas e a pele era gostosa de beijar.

Faltava muito pouco para ele voltar a dormir feliz. E quando os olhos já estavam fechados, o celular dele tocou. Dava para ser mais azarado? Joe franziu o cenho e como ele estava frustrado, fitou o teto enquanto se controlava para não surtar. Era apenas um despertar. Foi naquela linha de pensamento que ele ergueu o braço e buscou pelo celular antes que Demi acordasse. Ela merecia descansar em paz. Ele aproveitou para cobri-la melhor com a coberta quando o celular já estava no silencioso. Eram quase oito horas da manhã e Joe resolveu que mandaria mensagem para Selena avisando que Demi não iria trabalhar. Ela não tinha dito nada a respeito, era apenas o melhor a se fazer. Mais coisa estava a caminho e eles mereciam tirar pelo menos aquele dia de descanso.

A barra de notificações estava cheia! Joe ignorou boa parte delas e abriu o aplicativo para enviar mensagem para Sel. Rose tinha deixado algumas mensagens e Derick também. O que diabos estava acontecendo?

“Foi mal Joseph, sério! Eu não fazia ideia que a Rose pegaria o meu celular para te enviar esse vídeo. Desculpa. Você sabe como ela pode ser impossível quando quer.” – Derick.

Joe não tinha pensado sobre a mensagem de Derick, porém agora fazia sentido. O rapaz jamais enviaria aquele tipo de conteúdo para qualquer pessoa. Derick era um bom rapaz, estudioso e quase tão tímido quanto Joe. Rose era a comunicava do trio, ela sempre estava à frente tentando resolver as coisas colocando os dois rapazes mais velhos no bolso.

Além das mensagens de Rose e Derick, Joe franziu o cenho quando enviou a mensagem para Selena e viu que uma de suas tias tinha deixado mensagem na noite passada.

“Boa noite Joseph. Como você está? Estamos preocupados com você. Você sabe como a mamãe fica quando o assunto é você. Ontem ela estava tão nervosa com a falta de competência do novo funcionário da fazenda que quando tocamos no seu nome na hora do lanche da tarde, ela passou mal e chorou porque você não ligou para avisar se estava tudo bem como tinha prometido fazer antes de ir embora. Entre em contato. Nós solicitamos uma torre de sinal de celular melhor para a região e os serviços melhoraram consideravelmente depois que o pessoal mandou um técnico. Você sabe os horários que a Dona Clara está disponível, ela só te ama muito, meu amor. Também estou preocupada com você, li o jornal online e as notícias estão cabeludas.. Não comentei nada com a mamãe e não deixarei que a Rose a estresse mais com perguntas sobre você. Estamos esperando a sua ligação. Boa noite querido.” – Tia Laura.

O sono que antes o atormentava tinha sumido num piscar de olhos. Joe fechou os olhos e se xingou mentalmente. Ele tinha prometido que iria ligar para Clara uma vez por semana. E só tinha ligado uma vez desde que tinha chegado à Nova York. A intenção não era preocupá-la, tudo tinha sido corrido e turbulento. Em menos de uma semana ele tinha conhecido Demi e se apaixonar por ela foi maravilhoso, porém turbulento.  A culpa também não era dela. Joe a olhou e se curvou para depositar um beijinho carinhoso na bochecha rosada. Ela tinha sido a melhor coisa que tinha acontecido na vida dele.

“Bom dia! Vou ligar para ela. Está tudo bem, não acredite nas notícias online, eles estão inventando muita coisa.” – Joseph.

“Bom dia, você pode ligar agora. Estamos na cidade e a mamãe ficaria muito feliz em falar com você. Eu sei querido. Aposto que a maioria das notícias são falsas. A sua namorada é muito bonita e eu sei que ela é especial, se não fosse, você não estaria com ela. Já amo essa garota.” – Tia Laura.

O sorriso dele foi de orelha a orelha. Ele tinha sorte por ter bons tios e tias, porém Laura era uma exceção. Ela era a tia mais próxima e quem ajudava Joe a imaginar como os falecidos pais eram. Ela simplesmente ajudava Clara a cuidar do menino e da fazenda. Ter a aprovação de alguém da família era muito bom, principalmente de alguém tão importante como Laura. Pensando nas palavras da tia, Joe se levantou e caminhou apressadamente para o closet a busca de uma camisa, cueca e shorts. Como Demi estava dormindo e a coisa mais fofa do mundo, Joe preferiu ir para sala onde poderia conversar à vontade com a avó e a tia sem atrapalhar o sono da namorada.

“Obrigado! Ela é muito especial e você vai amar conhecê-la. Vou ligar agora.” – Joseph.

“Tenho certeza que é. Faça uma chamada de vídeo. Falei para sua vó que estou falando com você e ela quer te ver.” – Tia Laura.

De repente um sorriso estava nos lábios de Joe. Ele se acomodou no sofá e preparou o celular para iniciar a chamada de vídeo. A saudade da avó era tanta. Ela era a única mãe e pai que ele conhecia, ela sempre tinha sido paciente, cuidadosa e amorosa. Ela tinha o educado e mostrado todo o mundo que ele conhecia.

   - Laura, cadê o Joseph? – Não, ele não iria chorar! Joe sorriu quando ouviu a voz da avó e a viu na tela do celular ao lado da tia segundos depois. Elas estavam na lanchonete de costume e foi tão nostálgico quando ele observou a garçonete de sempre passando logo atrás carregando uma bandeja com xícaras com café e biscoitos. Os clientes pareciam ser os mesmo e a mesa em que Laura e Clara estavam sentadas era a mesma que Joe costumava ficar.

   - Ele está aqui mamãe. – Joe sorriu quando a avó sorriu olhando para a tela do celular e depois olhou para Laura como se não acreditasse que era ele.

   - Sou eu vovó. – Ah! Ele estava emocionado e o coração parecia que iria sair pela boca. Clara era a sua mãe e seu pai, a mulher que tinha o criado com muito amor e sabedoria. De todos os dias que estava em Nova York, àquele instante que Joe viu a avó pelo celular, foi exatamente o primeiro que o fez querer voltar para o Texas. Ele se sentiu como um menino carente de atenção. A saudade era tão grande que o coração apertou.  – Eu sinto a sua falta. – Disse esboçando o seu melhor sorriso.

   - Eu também sinto a sua falta, meu anjo. – Clara tinha o dom de fazê-lo sorrir independente da situação e a forma que ela o olhava com tanta paixão e admiração às vezes deixava Joe sem graça. – Você não pode ficar esse tanto de tempo sem ligar, Joseph. Quero conversar com você todos os dias. Saber se você está tomando a insulina e seguindo as prescrições médicas. Eu fico daqui preocupada com a sua saúde, com o que você está comendo e convivendo. Está tudo bem? – Existia uma grande diferença agora. Joe tinha mudado. Ele não era mais o menino que viajou sozinho para trabalhar em Nova York. Agora ele era um homem completo e independente que sabia se virar sozinho.

   - Está.. Lucy, calma. – Ele sorriu quando Lucy veio correndo da cozinha e se espreguiçou próximo do sofá e quando já estava pronta, a pequenina pulou no colo dele e desejou um feliz bom dia com muitas lambidas. – Estou bem. Não precisa ficar preocupada, vovó! Não quero que você fique pensando bobeiras, eu estou me cuidando e prometo que vou ligar mais vezes. – Disse a avó. Ele mostrou à pequenina e sorriu para a câmera observando a reação delas. – Essa é a Lucy, a minha cadelinha. – Disse acariciando a barriguinha de Lucy que tentava mordê-lo nos dedos em forma de brincadeira. – Eu a encontrei na rua e resolvi ficar com ela. – Ele sorriu corado observando Clara. Ela nunca tinha o deixado criar o próprio cachorro porque a casa já era movimentada demais e o trabalho na fazenda era árduo.

   - Ela é um filhote. – Comentou Laura e Joe assentiu acariciando as orelhinhas da cadelinha que o lambeu no peito.

   - Eu fico feliz, ao menos você não fica o tempo todo sozinho. – Disse Clara e foi impossível não corar. – Você está se alimentando direto? E a insulina? – Era claro que ela ficaria preocupada. Joe resolveu que não contaria sobre às vezes que ele tinha parado no hospital porque só preocupada Clara e a tia. Ele explicou sobre a alimentação regulada e contou que tinha comprado uma nova caneta já que Clara disse que ele tinha esquecido a antiga no Texas.


Como a avó era preocupada e exigente, ela pediu que Joe mostrasse cada lugarzinho do apartamento para saber se o lugar era bom o suficiente para o seu menino viver. E o rapaz o fez. Ele começou pela área de serviço e riu quando a avó o repreendeu por conta da bagunça que Lucy tinha feito ali. Clara estava realmente preocupada, mas Laura sempre dava um jeito de ajudar Joe a escapar das broncas e sermões.

   - Joseph, onde estão os seus óculos? – Perguntou Clara. Joe tinha acabado de mostrar a cozinha com Lucy a sua cola, mas na verdade a pequenina estava ansiosa para o café da manhã.

   - Mãe, deixe o menino! Ele está em casa. – Joe sorriu quando Laura e Clara trocaram aquele olhar que ele conhecia muito bem. Laura era definitivamente a filha mais próxima de Clara e a única que tinha coragem de enfrentá-la.

   - Eu acabei de acordar. – Ele não queria que as duas brigassem. Quando viu que as elas assentiram, Joe sorriu envergonhado pensando em qual parte do apartamento ele mostraria. O lugar era pequeno, porém bastante confortável. A paisagem pareceu ser uma boa opção e Joe se aproximou da janela da sala que proporcionava a vista exclusiva do Central Park. – Às vezes eu caminho com a Lucy no final da tarde. – Comentou filmando o parque.

O coração de Joe quase saiu pela boca quando ele voltou a câmera para o ângulo que o capturava porque foi exatamente no mesmo instante que ele sentiu os braços de Demi envolverem a cintura e os lábios dela depositarem um beijinho nas costas. – Amor, volta para cama comigo. – Ela estava tão manhosa porque tinha acabado de acordar que a fala tinha soado embolada o suficiente para que Laura e Clara não entendessem.

   - Dem, bom dia. – As bochechas dele estavam quentes a ponto de estarem rosadas e Joe engoliu em seco quando Laura sorriu e Clara arqueou uma sobrancelha. Aquilo era definitivamente complicado. – Hum.. Dem? É.. – Ele abaixou a cabeça e piscou algumas vezes. – Vovó, tia Laura. Essa é a Demi, a minha namorada. – Ele acabou sorrindo quando abraçou Demi de lado e ela estava com tanta vergonha que não olhou para câmera. – Ei, eu estou falando com a vovó e a tia Laura. – Disse a Demi que o olhou como se pedisse desculpa por ter invadido a conversa daquele jeito.

   - Bom dia Demi. – Laura resolveu quebrar o momento constrangedor e mesmo envergonhada Demi olhou para a câmera. Deus! Ela deveria estar uma bagunça.

   - Bom dia. – A voz soou baixinha, mas foi o suficiente para ser ouvida. Demi engoliu em seco e olhou para baixo e logo voltou a olhar para câmera. – É um prazer conhecê-las. – Todo mundo da família de Joe tinha os olhos verdes? Laura era muito bonita, tinha a pele branca, cabelo escuro e lindos olhos verdes. Ela deveria ser a cara da mãe quando mais velha já que as feições eram semelhantes as de Clara, a única coisa que as diferenciava era a idade.

    - O prazer é todo nosso. – Laura sorriu e fitou Clara que analisava o casal. – A mamãe só é apegada demais com esse menino, ela também gostou de você. – Demi riu um pouco mais à vontade. Ela tinha o foco divido entre Laura e Clara, e Joseph. Ele a abraçava gentilmente de lado e ela podia ouvir o coração dele batendo absurdamente rápido.

   - É claro que eu gostei. É um prazer conhecê-la, Demi. – Joe estava tão corado e sem coragem para mover um dedo. Ele sorriu observando Laura. Era muito bom saber que a tia o apoiava, as coisas seriam menos dramáticas com Rose e toda a repercussão com o nome de Demi. E agora que Clara tinha dito aquelas palavras, Joe se sentia melhor. ­– Demi, você sabe que o Joe tem a saúde frágil, por favor, cuide bem dele. Todos os dias eu fico preocupada com esse menino, e de longe é impossível cuidar dele. – Demi sorriu assentindo, ela fitou Joe e riu de como ele estava corado.

   - Eu vou cuidar dele, prometo.Como Joe e Demi estavam tímidos, manter uma conversa foi complicado, então Laura despediu-se poucos minutos mais tarde. – Desculpa, sério. Eu não fazia ideia que você estava no celular. – Demi recostou no batente da janela para fitar a cidade já que ela estava com vergonha de Joe.

   - Não tem motivo para pedir desculpa. – Ele também estava sem jeito, mas se recostou ao batente da janela ao lado de Demi. – Eu fiquei com vergonha, com muita vergonha. – Disse chamando a atenção de Demi e eles trocaram um rápido olhar. – Não de você. Estou muito feliz que a vovó gostou da minha namorada. Ela sempre quis que eu tivesse uma. – Ele sorriu fitando Demi. O cabelo dela estava um pouco bagunçado, porém simplesmente bonito. O marrom chocolate estava mais vivo e brilhante por conta da luz do sol. – Não fiquei com vergonha de você, fiquei com vergonha porque elas sabem que nós dormimos juntos. – Joe olhou para Demi no mesmo instante que ela o olhou. Eles sorriram quando se lembraram da noite passada. – Bom dia princesa. – Ele não tinha resistido. Levou as mãos à cintura dela e a virou para que ela ficasse de frente a ele. – Você dormiu bem? – Perguntou a encostando na parede e Demi se esforçou para conseguir envolver o pescoço dele com os braços ficando na pontinha dos dedos para a boca ao menos alcançasse o queixo barbado.

   - Senti sua falta e estou com sono. – Joe sorriu a olhando e se curvou para dar um beijinho nos lábios dela.

   - Acordei quando o seu celular despertou. – Ele disse acariciando a bochecha direita de Demi com o polegar. – Quando peguei o meu celular para mandar mensagem para Selena avisando que você ficaria em casa, eu vi a mensagem da minha tia. A minha vó estava preocupada comigo e passou mal ontem porque eu não estava ligando todos os dias como prometi quando vim para Nova York. Fiquei preocupado e resolvi ligar. – Demi assentiu o beijando nos dedos.

   - Você não pode ficar sem ligar, nem que seja por cinco minutinhos, ok? – Ele assentiu se curvando para beijá-la brevemente nos lábios. – E como eu prometi, vou cuidar de você. – Ela deu um selinho nos lábios dele e sorriu fitando os olhos de Joe que fitavam os dela. Ah! Ele era tão bonito e apaixonante. – Vamos preparar o café da manhã? Você não pode ficar sem comer. – Joe assentiu mais interessado em beijá-la na boca e Demi cedeu deixando-o beijá-la e acariciá-la como ele queria. – Joe! – Chegou num momento que Demi teve que repreendê-lo porque ela mal conseguia caminhar em direção a cozinha porque Joe a abraçava por trás e não parava de beijá-la por um segundo no pescoço.

   - O que foi? – A carinha de dúvida dele era tão fofa que Demi sorriu quando ele a virou e a abraçou repousando as mãos um pouco acima do bumbum.

   - Café da manhã, agora! – Ela espalmou o peito dele e o abraçou olhando para cima. – Nada de ficar emburrado. – Disse quando ele se curvou para dar um selinho nos lábios dela.

   - Vou tomar a insulina, gatinha. – Disse e tornou a beijá-la fazendo Demi sorrir de orelha a orelha porque ele tinha roçado o nariz dela com o dele. – Já volto para a gente preparar o café da manhã. – Ele a beijou novamente, só que dessa vez foi Demi quem prolongou o beijo.

   - Vou te esperar, ok? – O beijo foi a resposta de Joe. Ele apressou o passo em direção ao quarto e Demi se acomodou no banquinho do balcão esperando pelo namorado enquanto brincava com Lucy. O dia passado tinha sido péssimo. Demi umedeceu os lábios e cobriu o rosto com as mãos quando se lembrou de tudo de uma vez só. O que aconteceria dali em diante? Joe estava desempregado, Jake suspeito de matar o avô e com problemas na delegacia por assediar as mulheres que trabalhavam na Gyllenhaal. Será que ela continuaria empregada? E os vídeos? Eram tantas coisas para processar que Demi franziu o cenho quando sentiu o toque de Joe em seu ombro esquerdo.

   - Tudo bem? – Ele perguntou a analisando e Demi não assentiu, ela forçou um sorriso porque não queria estragar o café da manhã. Joe precisava comer e descansar, ele tinha saído do hospital no dia anterior e passado um bom tempo preso. Dramatizar a situação não faria bem para ele.

   - Vamos preparar o café da manhã. – Disse tentando parecer animada, porém não funcionou. Joe cruzou os braços se escorando no balcão.

   - Você não está bem. – Pelo tom de voz dele Demi soube que Joe não deixaria aquilo passar, e ele conseguia ser muito insistente quando queria. – Você sabe que pode falar comigo. Não é sempre que vou te dar os melhores conselhos, mas eu posso te ouvir sem te julgar e te oferecer o meu ombro para você chorar. – Ela cobriu o rosto com as mãos para que ele não a visse chorando. Ele era bom, tão bom que Demi sentia que não o merecia. – Amor, o que foi? – Perguntou Joe descobrindo o rosto de Demi e quando ele viu todas aquelas lágrimas, ele puxou a namorada para um abraço forte. – Eu sei que as coisas estão difíceis para você, mas vai passar. Tudo vai ficar bem, olha para mim. – Pediu erguendo o rosto dela. Vê-la chorar era de machucar a alma. – Vou te proteger e te fazer muito feliz, eu prometo. – Para selar a promessa, Joe encostou os lábios dela para depositar um selinho e só afastou o rosto quando Demi selou os lábios nos dele segundos depois.

   - Eu só.. – Demi respirou fundo levando as mãos dos bíceps de Joe para o cabelo da nuca dele. – Acho que ontem eu estava em estado de choque. Agora a ficha caiu e eu sinto meu coração sangrando. – Ela deixou que as lágrimas rolassem porque o coração doeu covardemente. – Você perdeu o emprego e o Jake não vai deixar passar o que aconteceu na delegacia. E agora? Você está se prejudicando por culpa minha. Isso não é inteligente Joe. – Demi o olhou nos olhos quando disse aquelas palavras como se tentasse convencê-lo a fazer a coisa certa, mas tudo que Joe fez foi franzir o cenho e negar balançando a cabeça.

   - Emprego eu vou arrumar outro. – Ele disse sem ousar em desviar o olhar dos olhos dela. – Não importa em qual área, desde que seja digno. E eu já disse: Não vou desistir de você. Por favor, Demetria, não desista de mim. Eu não suportaria. Eu não estava exagerando quando disse que você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. – Não teve como não sorrir. Demi umedeceu os olhos quando Lucy latiu atraindo olhares. A pequenina apoiou as patinhas na perna esquerda dela e Joe a olhou todo apaixonado. – Você não é um problema, não se enxergue assim. – Disse limpando as lágrimas dela. – Você não tem culpa do que aconteceu com a sua mãe, do que aconteceu com a Selena ou comigo. Tudo que eu consigo enxergar é uma mulher linda e inteligente tentando ser feliz. E você merece ser feliz, meu anjo. – O coração dela bateu mais rápido porque as palavras tiveram poder o suficiente para impactá-la a ponto de revelar toda a dor e culpa que ela sentia. – Repita comigo: eu não sou culpada. – Demi desviou o olhar dele com tanto desespero, ela umedeceu os lábios e tentou se soltar dos braços dele. – Dem.. Não faz isso amor. – Ele a segurou gentilmente na cintura e esperou que ela se acalmasse.

   - Joe. – Ela apoiou as mãos no peito dele e aos pouquinhos tomou coragem para olhá-lo nos olhos. E como ele tinha dito, ele não a julgava, estava apenas a esperando tomar uma postura diferente daquela vulnerável. Ele tinha razão. Ela não tinha culpa das coisas ruins que tinham acontecido as pessoas que amava. Uma parte era completamente ciente, porém a outra a destruía devagar. – Eu não sou.. Eu não sou culpada. – Disse baixinho fitando o peito dele e um peso tão grande saiu dos ombros dela.

   - De novo. – Ele ergueu o rosto de Demi com a ponta dos dedos e sorriu a olhando. – De novo linda.

   - Eu não sou culpada. – Disse firme o olhando nos olhos e com certeza aquele sorriso que Joe esboçou foi o mais bonito que Demi já tinha visto.

   - Não, você não é! E agora que você sabe disso, você vai ganhar um beijo especial. – Os papeis estavam realmente invertidos. Demi corou e Joe sorriu sapeca se curvando para beijá-la com paciência e paixão.

   - Obrigada por ser tão especial. – Demi o abraçou apertado e franziu o cenho quando Joe retribuiu o abraço. – Joe! Não me esmaga. – Pediu manhosa e ele riu quando ela olhou para cima para que pudesse olhá-lo nos olhos.

   - Você vai cozinhar pra gente? Nós estamos com muita fome, certo Lucy? – A cadelinha latiu como se entendesse o que ele queria dizer. Bem, pelo menos o Lucy ela entendeu e Demi sorriu quando a pequena se esfregou nas pernas dela e nas de Joe antes de ficar em pé nas patinhas traseiras. – E a gente te ama muito! – Disse por ele e por Lucy arrancando um sorriso e lágrimas de Demi. Junto eles formavam uma pequena e feliz família.

***

   - Lucy, depois. – Era a terceira vez que ele pedia, porém Lucy não obedecia. – Eu não estou brincando. – Na sala do apartamento Joe fazia flexões abdominais há pouco mais de meia hora. As forças estavam todas concentradas no exercício, e até mesmo o cenho do rapaz estava franzido e o corpo suado por conta do esforço. – Lucy, qu.. – Joe umedeceu os lábios quando Demi passou para o sofá com um potinho de iogurte em mãos. O problema era: ela vestia apenas calcinha e uma camisa dele. Se exercitar era pedir demais? E por que ele estava distraído deitado no chão olhando para o bumbum de Demi que arrumava as almofadas do sofá, Lucy lambeu o rosto dele do nariz até a boca. – Eu desisto! – Ele tinha conseguido chamar atenção das duas quando se levantou bruscamente. Lucy balançou o rabinho com a língua de fora e Demi arqueou uma sobrancelha e esboçou um sorriso porque Joe estava sexy vestido apenas com calção.

   - O que foi? – Demi lambeu a colher o olhando e riu quando as bochechas de Joe ficaram coradas.

   - Eu preciso me exercitar, estou perdendo massa. – Ele disse se sentando no sofá e Demi o olhou das coxas até o peito. Ele estava muito bem! E como estava...

   - Você está muito gostoso, como sempre. – Dessa vez ele não corou, olhou para ela da mesma forma que ela o olhou e foi sexy quando ele sorriu de lado.

   - Você também está muito gostosa. – Ele tinha piscado para ela? Demi engoliu em seco porque aquilo não se fazia! Ela estava tão sem palavras e afetada a ponto de sentir aquele calor familiar lá em baixo. – Quer tomar banho comigo? – Tinha como dizer não? O olhar dela foi diretamente para os lábios dele antes de fitar os olhos verdes penetrantes. Ela queria tomar banho e fazer muitas coisas com ele...

   - Quero. – Demi lambeu a colher do iogurte o olhando como tinha feito da primeira vez. A única diferença era que ela se demorou em cada pedacinho.. Começando pelas coxas grossas dele, logo veio o calção, o abdômen sarado e o peito coberto por uma leve camada de pelos. – Quero. – Repetiu largando o iogurte para passar para cima de Joe. – Você é tão sexy. – Disse o olhando com atenção e Joe sorriu levando as mãos à cintura dela a impedindo de se esfregar no corpo dele.

   - Demi, eu estou suado. – Ele disse com aquele ar divertido porque era interessante a forma que Demi o olhava. – E a Lucy me lambeu na boca.

   - Eu realmente não me importo. – Joe negou balançando a cabeça e antes mesmo que Demi pudesse protestar, ele se levantou com ela no colo. – Eu estou te abraçando. – Demi riu sapeca quando sentiu as mãos de Joe acariciá-la no bumbum conforme ele caminhava em direção ao quarto porque ela tinha sido obrigada a enlaçar o quadril dele com as pernas.

   - Banho bebê. – Ela sorriu de orelha a orelha descansando a cabeça no ombro dele. Não demorou nada para chegarem ao banheiro, e quando eles já estavam lá, Demi calçou os chinelos que Joe usava para tomar banho e sorriu para ele quando levou a mão à barra da camisa para tirá-la.

   - Não vai tirar a roupa? – Perguntou Demi assim que tinha tirado a camisa a jogando junto da roupa suja.

   - Depois que você tirar a calcinha. – Ele lambeu os lábios arrancando um sorriso de Demi que levou as mãos em direção aos lados da calcinha para descê-la da forma mais provocante que podia. – Isso foi excitante. – Demi sorriu quando ele sorriu ansioso fitando os seios dela para depois olhá-la nos olhos enquanto abaixava o calção junto da cueca.

   - Você está perdendo a vergonha. Eu adoro quando suas bochechas ficam rosadas. – Joe sorriu um pouco sem jeito e Demi teve vontade de mordê-lo.

   - Dem, você acha que eu ainda sou um menino? – Demi não entendeu muito bem o que ele queria dizer. Ela o guiou para o box e quando Joe ligou o chuveiro, ela buscou pelo sabão e bucha para começar a lavá-lo.

   - Um menino? – Perguntou deslizando a bucha pelo peito dele e Joe assentiu observando as mãos femininas o tocando no peito. – Você não é um menino Joe. – Disse o tocando lá embaixo e Joe sorriu sem jeito porque ela o ensaboava... – Você é um homem inteligente e muito corajoso. Às vezes você se comporta como um menino, mas faz parte amor. – Demi fez careta quando o cabelo começou a molhar, não estava nos planos lavá-lo. – Se você está me perguntando isso por causa da sua avó, amor, ela sempre vai te enxergar como um menino. Ela te viu bebê e cuidou de você. – Joe assentiu virando-se de costas para Demi ensaboá-lo ali.

   - Estou perguntando por que tenho a sensação que eles não acreditam que eu sou capaz de construir a minha vida longe do Texas. – Era aquele o ponto. Joe franziu o cenho e respirou fundo organizando os pensamentos. – Eles pensam que eu não sei como o mundo funciona, é como se eu precisasse de proteção o tempo todo. – Quando ele se virou ficando em frente a ela, Demi o olhou nos olhos com bastante atenção.

   - Não fica chateado. Eu tenho certeza que tudo que a sua avó faz é para o seu bem. Coloque-se no lugar dela. – Disse e Joe assentiu pensando nas palavras dela. – Viu? Ela é pai e mãe, ela só está garantindo que nada falte a você.

   - Eu entendo e sou muito grato por tê-la, mas.. – Demi assentiu porque ela o entendia perfeitamente. Ele queria ter o pai e mãe assim como ela, a diferença era que os pais de Joe estavam mortos.. Já os de Demi era um caso complicadíssimo. – Eu não vou contar que estou desempregado. – Disse pegando a bucha e o sabão das mãos dela para começar a ensaboá-la. – Eles vão querer que eu volte para casa, e eu não quero voltar.

   - Você pode ficar comigo. Eu sei que pode ser precipitado pra gente, mas eu adoraria ter você em casa. – Demi mordeu o lábio inferior sem coragem para olhar Joe nos olhos. Era realmente precipitado, porém era uma opção.

   - Obrigado pelo convite. – Ele passou a bucha no queixo dela para que ela o olhasse e Demi sorriu feliz. – Eu vou procurar outro emprego, o jornal deve estar cheio de anúncios. Posso trabalhar de vigia ou qualquer outra coisa. Se apertar muito, eu fico com você. – Demi assentiu sorrindo sapeca porque Joe a ensaboava nos seios e na barriga fazendo cócegas.

   - Vou te contratar para ser o meu gogo boy particular. – A cara dele foi a melhor. Demi o abraçou forte e o beijou repetidas vezes no peito. A essa altura do campeonato ela já estava uma bagunça de sabão e o cabelo estava todo molhado assim como o de Joe. – Pensando bem, você daria um bom gogo boy. É uma pena que você tem uma namorada muito ciumenta que jamais vai te compartilhar com outra mulher. – Joe sorriu descendo as mãos com o sabão e bucha pelas costas femininas até o bumbum.

   - Não precisa se preocupar com isso. – Ela tinha o beijado no mamilo e apesar de estranho, foi muito bom sentir os lábios macios envolverem aquela parte do corpo dele e os dentes mordiscá-lo levemente. – É muito complicado te ensaboar, você não fica quieta. – Ela tinha beijado o outro mamilo dele e olhado para cima. Os olhos castanhos dela eram lindos e o fato de Demi estar toda molhada grudada a ele era excitante. Joe se curvou para beijá-la aproveitando para acariciá-la da melhor forma que podia no bumbum e nos seios.

   - A gente vai acabar com toda água do mundo. – Era muito bom ser beijada debaixo do chuveiro. A água estava morna e causava uma sensação ainda melhor. – Joe, a sua família é muito bonita. – Ela comentou quando ele voltou a ensaboá-la nos ombros e atrás da nuca já que namorar ali ficaria inviável. – Todo mundo tem os olhos verdes? – Perguntou fazendo careta porque as mãos dele não estavam no corpo dela já que Joe buscava pelo vidro de xampu.

   - Não exatamente. – Ele nunca tinha parado para pensar naquela questão. E quando se lembrou da família, notou que os olhos verdes era uma característica bastante comum entre a família da mãe. – Só um dos meus tios que puxou o vovô e tem os olhos castanhos. – Ele disse forçando a memória. – Alguns primos têm olhos verdes, só a Rose que não. – As bochechas dele coraram com tanta violência e não deu para disfarçar. Demi tinha percebido e Joe umedeceu os lábios quando se lembrou de tudo que a prima tinha feito nos últimos dias. – É porque ela não é minha prima de sangue.. – Ele tornou a umedecer os lábios e colocou um pouco do xampu no cabelo de Demi.

   - Eu vi suas fotos com ela. – Disse direta e Joe assentiu concentrado em massagear o cabelo dela. – Ela é apaixonada por você? – Por que diabos ela tinha que perguntar aquilo. Joe franziu o cenho, arqueou uma sobrancelha e quando olhou para Demi, ele tinha uma senhora cara de culpado.

   - Nunca correspondi e nem dei esperanças para os sentimentos dela. – Começou a se justificar e Demi o acertou com um tapa na cintura. – Dem, você não vai ficar chateada, vai? – Ela já estava chateada. Joe a conduziu para que ela ficasse onde tinha mais foco de água para tirar o xampu do cabelo ainda sem receber a resposta que tanto esperava.

   - Acho que isso justifica o porquê dela ter me bloqueado. – Ela sabia que garotas de dezesseis anos podiam ser perigosas. Principalmente as apaixonadas.

   - Vamos com calma, ok. – Ele buscou pelo condicionador e aos pouquinhos conseguiu se aproximar de Demi sem que ela o acertasse com tapas como queria. – A Rose realmente gosta de mim, não correspondo os sentimentos dela, mas eu os respeito. – Quando viu que Demi prestava atenção no que ele dizia sem tomar qualquer atitude precipitada, Joe deixou que ela continuasse com o condicionador para que ele pudesse lavar o cabelo dele. – Quando nós postamos a nossa foto no restaurante, ela ficou muito brava e enviou muitas mensagens. Eu não quero entrar em detalhes porque eu sei que você vai ficar chateada. Só que eu quero que você entenda que a Rose não é um monstro, ela é uma boa garota e só está com o coração partido. Vocês duas são importantes para mim e eu não quero que vocês briguem porque preciso das duas.

   - O que ela disse, Joe? – Demi massageou as têmporas e como já tinha terminado o banho, buscou pela toalha e se enrolou a ela sem muita paciência. – Ela sabe sobre o Jake e as merdas que ele gravou, não sabe? Foi ela que contou para você? Por que eu tenho certeza que o Ed não foi, e a Selena estava comigo o tempo todo! Isso não vai funcionar! – De tanta pressa que estava para alcançá-la, Joe acabou deixando cair xampu nos olhos e ardeu como o inferno. Como ardeu! O rapaz fez careta quando desligou o chuveiro e se apressou para pegar uma toalha e sair do banheiro.

   - Por que você sempre diz que não vai funcionar? Não tem dois dias que nós estamos juntos de verdade e você sempre tenta encontrar alguma coisa para nos separar! – Ele tinha acabado de adentrar o closet às pressas e estava impaciente com a situação.

   - Joseph, deixa de ser inocente! Você não consegue enxergar o que vai acontecer?! – Demi se ajeitou para secar o corpo o mais rápido possível já que ela não estava de brincadeira. Rose conseguia deixá-la nervosa e sem paciência. E olha que ela nem conhecia a menina pessoalmente. – Essa garota deve estar me detonando para sua família nesse exato momento. Garotas com o coração partido são capazes de tudo!

   - Tia Laura não vai deixar que ela faça nada. – Ele murmurou um pouco mais calmo porque não queria brigar com Demi.

   - Então você concorda? – Demi arqueou uma sobrancelha e esboçou um sorriso irônico procurando pelas roupas que ela tinha no closet dele. – E o que a sua tia vai fazer para impedir a internet, os jornais, a televisão? Está em todos os lugares e eles vão me odiar!

   - Você não pode parar de pensar no que os outros vão pensar? – Ele pediu se aproximando. – É a minha vida e sou eu quem toma as minhas decisões, não me importo com o que a minha família vai pensar, eu conheço você e sei o que é verdade. Você não percebe que só me machuca quando diz que o que temos não vai funcionar? Por que você precisa da aprovação das pessoas para ser feliz? – Porque ela era carente de atenção. Joe entendeu em questão de segundos do que se tratava e Demi também. E tinha quem dizia que o amor não fazia diferença na construção de uma pessoa.

***


A escada de madeira tabaco estava polida a ponto de brilhar. E em cada um dos oito degraus tinha uma garota. Todas elas tinham uma característica semelhante: pele clara com sardinhas na região do nariz acima das bochechas, algumas delas tinham o cabelo liso e outras ondulado, porém a cor era a mesma, pelo menos das seis irmãs já que outras duas eram primas, o cabelo era marrom chocolate assim como os olhos.

   - Amber! O que você está fazendo? – Amber estava na faixa dos onze anos e tentava espiar pelo buraquinho da maçaneta o que acontecia no escritório do pai.

   - Fala baixo, Hannah! – A pequena Amber sussurrou tentando ouviro que o pai falava com a misteriosa moça loira.

  - Isabella! – Elas tinham que fazer o máximo de silêncio, porém eram garotas curiosas e inquietas. – Amber, é melhor você descer antes que o papai nos pegue. – Anna tinha os seus vinte e três anos e era sete segundos mais velha que Isabella. Em resumo eram: As gêmeas Isabella e Anna de vinte e três anos, Hannah de dezenove, Amber com os seus onze, Megan com quatorze e a bebêzinha de dois anos, a pequena Alicia. Ângela e Isla eram filhas do tio David.

   - Megan, tira essa música desse jogo idiota! – Amber tina falado alto demais, em questão de segundos a escada estava vazia e David abriu a porta do escritório para saber o que estava acontecendo.


   - David, peça que as gêmeas cuidem das garotas. Amber não vai se arrumar sozinha para o balé, e pelo amor de Deus não deixe que Megan passe o dia todo jogando videogame. – Inácio andava de um lado para o outro ansioso. Era coisa demais para resolver. Depois que a esposa faleceu de câncer de mama no início do ano, cuidar de seis garotas tinha se tornado a missão mais difícil que um homem poderia enfrentar. Sorte era que David o ajudava no que podia. – Peça Hannah para cuidar da minha pequena Alicia, até a hora da escola eu já terminei. – Ele lançou um olhar duro a Dianna e David assentiu deixando a sala. Inácio era um homem inteligente, dedicado e tinha trabalhado duro para dar uma boa vida para as filhas. O campo tinha lhe dado bons frutos durante anos e anos, e foi o suficiente para que ele continuasse com o negócio do falecido pai e construísse sua pequena empresa na Filadélfia dez anos atrás.

   - Por que você não para de me olhar assim? – Dianna cruzou as pernas e enlaçou os dedos. Pela pose dos dois, parecia que quem era dono de tudo era Dianna. A mulher estava bem maquiada como sempre, se vestia bem e não perdia a oportunidade.

   - Você me escondeu uma criança por vinte e três anos! Como você quer que eu te olhe? – O homem era alto, forte por conta do braço braçal e mesmo de grisalho, ainda era de tirar o fôlego de uma mulher. – O que você tem na cabeça Dianna? – Ele tinha se aproximado e se curvado para olhá-la nos olhos. E os olhos dele eram marrons como os de Demi sem tirar e nem por.

   - É melhor você abaixar esse tom de voz! – Dianna sustentou o olhar dele e se levantou para enfrentá-lo. – Você acha que eu tive saída? Nada foi fácil para mim! Nunca foi! – Pela primeira vez ela tinha deixado transparecer o que sentia, os olhos marejaram e Dianna umedeceu os lábios.

   - Você não disse que estava grávida. O que tinha de complicado nisso? – Inácio a ajudou a sentar no sofá e se sentou ao lado dela.

   - Eu juro que não foi a minha intenção, as coisas só foram acontecendo e eu perdi o controle. – As lembranças doíam na alma. Dianna deixou que as lágrimas rolassem e que Inácio a consolasse com um abraço gentil. Ele era um bom homem, sempre tinha sido e ela se arrependia de tudo que tinha feito para esconder de Demi o pai maravilhoso que ela teria.

   - Se você tivesse me contado que estava esperando uma criança minha, eu teria ficado com você. – Ele disse minutos mais tarde quando Dianna se afastou já mais calma. – Teria poupado tanto sofrimento. Demetria não cresceria sem pai. – Dianna o olhou e negou balançando a cabeça.

   - Nós estamos tão apaixonados. – Ela começou a dizer relembrando a adolescência. Amar Inácio tinha sido a melhor coisa que ela já tinha sentido em toda a vida.


   - Você sabe, as estrelas são esferas de plasma luminosas. As que brilham no céu provavelmente já morreram, o que nós vemos é apenas o brilho delas porque elas estão a milhares e milhares de metros do nosso planeta. – Dianna riu alto, mas não discordou de Inácio. Eram jovens sonhadores e estavam apaixonados. Ela tinha chegado a Filadélfia há três semanas e estava instalada na Chácara da família do rapaz junto com Amélia.. – O que você quer ser quando crescer? – O rapaz a abraçou de lado e Dianna sentiu as bochechas coraram porque ela estava nua e Inácio também. Eles tinham fugido no meio da noite para entre as árvores do bosque mais alto da região. A toalha de piquenique estava estendida e eles tinham feito amor sobre o céu estrelado pela segunda vez naquela semana.

   - Eu não sei.. – Ela disse tímida porque sabia que a vida que tinha em Nova York era muito diferente da de Inácio. – Talvez trabalhar com moda, eu gosto de roupas e combinar cores. Seria um sonho realizado desenhar uma coleção para uma cantora famosa. – Ela sorriu com o beijo que recebeu no ombro e fitou o céu pensando no que Inácio tinha dito sobre as estrelas.

   - Aposto que a Madonna pagaria uma nota para usar roupas desenhadas por você. – Os dois riram e se beijaram sentindo os corações baterem com força.

   - A Madonna não compraria nada desenhado por uma garota de dezessete anos. – Dianna disse enlaçando os dedos aos de Inácio que negou rindo.

   - Se as suas roupas forem terríveis, nós podemos vendê-las para o Kansas. – Dianna riu alto e o rapaz também. Eles estavam tão apaixonados e despreocupados com tudo que tinham feito. Prova disso era a falta do preservativo.

   - Você é o único garoto de dezenove anos que eu conheço que gosta desses velhos. – Ela corou quando sentiu a mão dele examiná-la no seio e logo descobri-lo. Inácio a olhou e sorriu logo depositando um beijo apaixonado nos lábios dela.

   - E eu também sou o único que você conhece que está perdidamente apaixonado por você. – Eles se olharam e trocaram um beijo apaixonado. Como eram jovens, deixaram-se levar pelo momento e quando Inácio se ajeitou para ajudar a deitá-la, Dianna arregalou os olhos quando viu o pai do menino ali perto os olhando.


   - Nós passamos duas semanas namorando naquele mesmo lugar. – Dianna fitou a estante cheia de livros e a mesa de vidro impecável. – Lembro que não demorou mais de três semanas para que eu descobrisse que estava grávida. Comecei a sentir enjoos e a minha mãe percebeu. Eu iria contar na manhã seguinte, mas a notícia que você seria pai de gêmeos foi a primeira coisa que ouvi quando acordei. – Ela respirou fundo sentindo o terror invadi-la porque não era aquela a pior parte. Ou melhor, o coração tinha sido partido em milhares de pedaços, mas o que aconteceu logo em seguida tinha lhe roubado a alma. – No mesmo dia o seu pai veio falar comigo. Ele disse que sabia de tudo que acontecia entre a gente. Ele me violentou no banheiro do quarto e me expulsou da Chácara junto com a minha mãe.


***


   - A gente já brigou demais por hoje. – Os dedos de Demi estavam enlaçados aos de Joe que pagava o sorveteiro. Era uma tarde bonita e não tinha motivo para não aproveitar. A cidade estava linda como sempre e Demi gostava de admirar as árvores e a beleza dos arranha-céus. E era melhor ainda ao lado de Joe.

   - Nós brigamos, mas nos resolvemos. – Ele sorriu fazendo Demi sorrir de orelha a orelha. Sexo de reconciliação era muito bom e Joe estava pensando em simular uma brigar só para fazer de novo... Demi tinha o arranhado muito nas costas e o acertado com tapas. As bochechas do rapaz coraram quando ele relembrou a tarde afirmando mais uma vez que era maravilhoso estar com aquela mulher. – Se alguém disser alguma coisa, eu vou quebrar em dois, ok? – Demi lambeu o sorvete e assentiu. Eles tinham conversado mais sobre os vídeos e Demi estava aliviada porque Joe tinha tirado boa parte do ar, mas mesmo assim ela ainda estava com vergonha porque não tinha como apagar a memória de quem tinha a assistido..

   - Eu quero fazer uma coisa diferente hoje. – Ela estava tão linda vestida com um vestido soltinho e usava jaqueta porque logo anoiteceria. Joe a olhou e sorriu colocando uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.

    - O que você quer fazer? – Ele parou de caminhar para limpar a ponta do nariz de Demi suja de sorvete. – Você está linda, gatinha. – Aproveitando a proximidade, Joe se curvou e beijou os lábios dela ali mesmo na calçada em meio ao fluxo de pessoas.

   - Eu te amo. – Ela disse dando um selinho nos lábios dele para finalizar o beijo e Joe disse que a amava também antes de enlaçar os dedos aos dela e voltar a caminhar. – Quero visitar a minha avó, tudo bem? – Perguntou um pouco sem jeito e Joe assentiu prontamente. – Eu tenho costume de visitá-la. Sei que não é comum, mas eu gosto de levar flores para ela. – Joe a observou lamber o sorvete e tornou assentir. Enquanto Demi tinha o costume de visitar a falecida avó, ele não tinha sequer coragem de visitar os pais. Já tinha tentado, mas sempre acabava arrasado em lágrimas.

O cemitério não ficava longe de Manhattan. Amélia descansava no Brooklyn e a viagem de táxi até lá foi rápida e tranquila. - O Ed mandou mensagem falando que a Sel pediu para você respondesse a mensagem dela. – Disse o rapaz e Demi assentiu buscando o celular na bolsinha que carregava no ombro esquerdo.


Eu estou morrendo de saudade de você! Hoje na empresa foi horrível! Parecia que o tempo não iria passar, resumindo: foi um tédio! Vamos sair hoje à noite? Por favor?! A gente pode comer uma pizza lá no André com os meninos e depois assistir alguma coisa, o que você acha? ps. Eu te amo! – Selena.

Demi sorriu ao ler a mensagem de Sel. Ela também tinha sentido muita falta da amiga. Ficar sem Selena era muito ruim! Demi encheu a conversa com corações e emoji de olhinhos apaixonados porque era a forma exagerada que ela tinha encontrado de demonstrar que amava aquela mulher.

   - Amor, quer comer pizza hoje com a Sel e o Ed? – Perguntou a Joe e ele assentiu mais concentrado em observar o cemitério. O local era enorme, gramado e tinha algumas árvores e outras plantas. E eram tantas lápides que o rapaz engoliu em seco.

Tudo bem. Mais tarde! Também te amo, com a minha vida. ps. Estou contando os segundos para te ver. – Demi.

   - Joe? – Demi tinha acabado de guardar o celular na bolsa e flagrou Joe tão sem expressão. Ele fitava tudo um pouco tenso e concentrado. – Ei, tudo bem? – Perguntou atraindo a atenção dele depois que enlaçou o pescoço do mesmo com os braços e puxou o cabelo da nuca.

   - Dem, eu.. – Ele a olhou e depois olhou para o lugar. – Só fiz isso uma vez e doeu tanto. – Oh! Demi o abraçou com força e se sentindo péssima por levá-lo para aquele lugar.

   - Nós podemos ir embora, desculpa, não sei onde eu estava na cabeça quando tive essa ideia. – Joe negou engolindo em seco. Ele fitou o lugar mais uma vez e respirou fundo.

   - Não pode ser tão ruim. – Disse para si mesmo. – Vamos visitar a sua avó, ok? – Ele disse oferecendo a mão a Demi que franziu o cenho sem saber se segurava a mão dele ou não.

   - Você tem certeza? – Ela perguntou e Joe assentiu envolvendo os dedos dela com os dele. Demi comprou as flores preferidas de Amélia e uma bela rosa que tinha lhe chamado atenção para Jason. E Joe aos pouquinhos se acostumou com o local conforme caminhava com Demi ouvindo os pássaros cantarem e o silêncio. A paz daquele lugar era tão grande. Não tinha as buzinas dos carros, pessoas falando alto, música, não tinha perturbação urbana, era apenas o silêncio e a paz. Quando visitaram o túmulo de Jason, Demi chorou porque se sentia profundamente triste por ter perdido o amigo e porque Jason não merecia morrer daquele jeito. Já estava no entardecer e o sol brilhava laranja no horizonte, mas ainda sim iluminava todo o local com os seus bravos raios. Demi abraçou Joe de lado e conforme caminhavam, eles cumprimentaram as pessoas que também visitavam os seus entes queridos.

   - É aqui. – Era um sorriso triste, mas ainda sim era um sorriso. Joe não disse nada, ele observou Demi se agachar para colocar as flores perto do nome de Amélia e tirar algumas folhas secas. Por alguns minutos Demi permaneceu agachada pensando na avó e como às vezes que Amélia tinha dado carinho a ela tinha sido importante. Independente do que tinha acontecido, Demi tinha uma certeza: Ela amava muito Amélia e sempre iria amar. – Acho que ela iria gostar muito de você. – Limpando uma lágrima, Demi sorriu para Joe e o abraçou quando se levantou.

   - Só um sorriso. – Joe não queria falar muita coisa porque ele estava respeitando o tempo de Demi, porém vê-la chorar doía na alma. Quando ela sorriu em meio as lágrimas, ele sorriu também e a beijou na testa a abraçando contra o peito. Ele estava tão envolvido com Demi, que quando olhou para o caminho que cortava o cemitério, avistou Dianna caminhando com um homem na direção do túmulo de Amélia. O que aconteceria agora? Dianna parecia que não tinha os visto já que ela estava envolvida em conversar com o homem ao lado, que era Inácio. Depois de revelar o que tinha acontecido anos atrás, Inácio quis saber mais sobre a vida de Demi e o que tinha acontecido no passar dos anos com Dianna. Então eles tinham visitados vários lugares enquanto conversavam e a ideia de visitar Amélia surgiu aleatoriamente.

   - Joe? – Demi o chamou e Joe a olhou sem conseguir disfarçar, então ela olhou para Dianna e não soube o que fazer já que ela estava perto e já tinha notado a presença dela. – O que eu faço? – Perguntou baixinho o olhando e Joe mordeu o lábio inferior tentando pensando em alguma coisa.

   - Nós podemos agradecer por ela ter nos ajudado. – Era uma boa ideia e depois que eles agradecessem, poderiam ir embora o mais rápido possível.

   - Demetria. – O tom de Dianna não carregava raiva ou qualquer outro sentimento negativo. Demi sustentou o olhar da mãe por alguns segundos e repreendeu a vontade de abraçá-la.

   - Mãe. – O “mãe” sempre saía sem que ela percebesse. Teve uma época que Demi decidiu que a chamaria de Dianna, mas não tinha durado muito tempo. – Olá. – Ser educada não custava nada. Demi desviou o olhar de Dianna e esboçou um pequeno sorriso para Inácio. Já ele, Deus! O homem estava emocionado e sorriu de volta estendendo a mão para que Demi a apartasse.

   - Demi? – Disse Inácio quando Demi apertou a mão dele sem entender muito bem o que estava acontecendo. Ultimamente Dianna andava com pessoas estranhas.. – Prazer em conhecê-la. In.. – Antes mesmo que ele concluísse a frase, Dianna interveio porque sabia que não era o momento certo para apresentá-los como pai e filha.

   - Edward, essa é minha filha. – Disse Dianna. Por que aquilo estava estranho? Demi franziu o cenho e sorriu um pouco sem graça puxando a mão já que o homem insistia em segurá-la.

   - Joseph, mamãe. Mamãe, Joseph. – Joe apertou a mão de Dianna educadamente e a de Inácio que o observava com certa resistência. Então aquele era o namorado.. Não era à toa que as gêmeas tinham problema para arrumar namorado. – Eu trouxe flores, as preferidas dela. – Disse para Dianna que também arrumava as flores que tinha trago junto com as de Demi. E quando Inácio se curvou para colocar a rosa branca perto do nome de Amélia, Demi franziu o cenho. – Amor, vamos? – Ela perguntou a Joe que mesmo sem saber se era certo assentiu. O clima estava começando a ficar constrangedor e Demi não queria estragar o dia brigando com Dianna.

   - Nós estamos de carro, podemos tomar um café ou o que você quiser. O que você acha Dianna? – Definitivamente estranho. Demi arqueou uma sobrancelha que não passou despercebido por Dianna que estava quase perdendo a paciência com Inácio. Ela não tinha contado o que tinha aprontado com Demi...

   - Fica para outra hora, os meus amigos estão me esperando. – Demi enlaçou os dedos aos de Joe e forçou um sorriso. – Obrigada pelo convite. – Ela já iria virando as costas, mas pensou no que Joe tinha dito minutos atrás. – Mãe! – Chamou e Dianna a olhou com atenção e certa emoção. – Obrigada por ter me ajudado com o Joe no restaurante. – Disse e Dianna assentiu observando o rapaz ao lado da filha.

   - Está tudo bem? – Dianna perguntou e Joe assentiu um pouco envergonhado. – Qualquer coisa, vocês podem falar comigo. – Os dois assentiram calados e Demi segurou a mão de Joe finalmente caminhando para longe dali, e quando ela arriscou olhar para trás, teve que acenar para o tal de Edward que não tirava os olhos dela. E ele não a olhava como os amigos de Dianna.. Tinha alguma coisa especial sobre aquele homem. Demi olhou para trás novamente e dessa vez ela sorriu tornando a acenar para Inácio.

***

  - Volta dez segundos... – Sexo, sexo e sexo! O que Jake Gyllenhaal tinha na cabeça? Eram horas e horas de filmagem de cenas explícitas de sexo e conteúdos relacionados a ele. Porém a cena que mais intrigava o detetive Pine era a da mulher que usava colar de joaninha.

- Jake, com força! – Era tudo que a mulher dizia. A voz delicada, o torço claro, os seios delicados. E o maldito colar de joaninha na Gyllenhaal. – Quem é você? – Chris pausou o vídeo e bebericou o café para tentar ajudar a clarear os pensamentos. Colar de joaninha. Pele clara. Escritório. O que aqueles vídeos queriam dizer além de Jake ser um maníaco sexual?

   - Detetive, você precisa ver essas fitas. – Como o conteúdo era longo, intenso e repugnante, assistir todas as fitas tinha sido inviável para um homem só, então Chris ficou com uma parte e o ajudante com outra.

   - Não me diga que é mais fitas sobre a tal Srta. Gomez. – Chris murmurou porque era insuportável a quantidade de vezes que Jake falava sobre Selena e a vontade que ele tinha de levá-la para cama junto com Demi.

   - Essa é a do colar de joaninha. – Agora as coisas ficaram interessantes. Chris tirou os pés da mesa e se ajeitou na cadeira. Jake tinha filmado Demi, filmado Selena às escondidas assim como as outras funcionárias da empresa, Dianna e até mesmo a própria esposa.

- Você sabe que eu te amo, não sabe? – A câmera filmava da boca da mulher para baixo. Estavam no interior de um carro e estava escuro, por isso a filmagem estava ruim. – Eu conheço uma puta gostosa, o que você acha de nós três mais tarde? – Diabos! Ele tinha filmado o rosto da mulher, mas estava escuro demais, só foi possível ver o sorriso dela.

   - Acho que a gente pode testar as molas desse carro. – Jake largou a câmera de qualquer jeito e como sempre: sexo.

   - Você está falando sério? – Chris afrouxou a gravata sem muita paciência. Jake só era mais um idiota no mundo!

   - Espera só. – O rapaz acelerou o vídeo e quando houve um corte, a velocidade voltou ao normal. A filmagem começava ainda de dia, Demi tinha adentrado o escritório de Jason e alguns minutos saiu de lá assim como as várias pessoas que apareceram na fita. Mais um corte aconteceu e já era noite. Quem adentrou o escritório de Jason foi Jake, ele demorou pelo menos uma hora lá dentro com o avô, então os dois saíram e depois Jason voltou sozinho para o escritório. Mais alguns minutos e quando Jason saiu, a imagem da câmera falhou.

   - Ele mentiu. – Disse Chris sobre o depoimento de Jake. Aquilo queria dizer muita coisa. – Mas ele tem a Srta. Lovato como álibi, e as câmeras do prédio confirmam. – Seja o que Jake tinha feito, ele estava muito encrencado.


Continua.. Oi! Tudo bem com vcs? Demorei para postar, certo?! Reta final de semestre, eu já passei em algumas matérias e é por isso que fiquei longe do blog porque tive que me dedicar às provas e trabalhos. Agora acho que ficará mais "tranquilo", e depois do dia vinte eu estou de férias! Quem vai ver a Demi em Goiânia?! Eu vou e estou tão ansiosa! Sobre o capítulo, apesar da falta de tempo, eu também enfrentei crise de criatividade e até ontem eu estava quase desistindo dessa coisa de fanfic, sério. Eu estava sentindo a minha escrita muito presa e sei lá, só não estava harmônico(não sei se agora está, porém está muito melhor que antes). Insisti e insisti para ver se funcionava, e só melhorou hoje depois que eu escrevi sobre a Dianna. Eu realmente gostei muito de escrever essa parte e eu fiquei emocionada por pensar que há milhares de mulheres que já passaram o que ela passou. O Inácio não é um cara mau como estava previsto. Ele não machucou a Dianna e será um ótimo pai para Demi. E as meninas? Elas são seis! Confesso que eu gostava mais da ideia de ter oito, mas achei MUITO exagero.. Vamos ver o que acontece daqui pra frente. Quando comecei a escrever esse capítulo, na verdade quando terminei o Capítulo 40, eu estava focada em trabalhar a Rose em mais uma encrenca, mas não rolou, não diretamente... É como o Joe disse, a Rose não é um monstro. Ela é uma menina boa e só está com o coração partido. Não quero que a personagem seja algo fútil ou mais um draminha, ela é importante para o Joe e vocês vão compreender melhor os sentimentos dela daqui alguns capítulos. Fiquei animada depois que escrevi sobre a Dianna e o Inácio. Espero que vocês estejam gostando, sei que tem muitos furos e que esperar esse tanto de tempo é horrível, porém é o que eu consigo fazer. Muito obrigada por todo carinho e compreensão, eu amo ler os comentários de vocês e vou respondê-los e postar o link das respostas nos comentários nesse capítulo. Se vocês quiserem dar alguma sugestão, corrigir algum erro ortográfico ou qualquer coisa, não hesitem. Obrigada meninas! Boa noite/Bom dia/Boa tarde para vocês, beijos! 

22.5.17

Capítulo 40

Era uma noite de céu estrelado e nem mesmo o calor tinha dado trégua. Nova York seguia o mesmo ritmo de sempre: ruas movimentadas e iluminadas. A cidade não parava por um segundo. Motivo do qual os telefones da delegacia não paravam de tocar em pedidos de socorro e diferentes pessoas entravam e saiam daquele lugar a busca de respostas. Eram casos e casos, cada um com sua particularidade. E Demi duvidava que alguém ali estava envolvido com um assassinato misterioso como o de Jason. Há quanto tempo ela estava ali sentada no banco de madeira desconfortável? Era uma pergunta que nem ela mesma sabia responder, o tempo demorava a passar e o único conforto era o ombro de Selena.

   - Você pode ir para casa. – Disse Demi a Selena. Não era a primeira vez que ela dizia aquela frase, só que dessa vez um pequeno grupo de policiais passou correndo chamando a atenção de Selena que deu de ombros. – O Ed deve estar precisando da sua ajuda com as crianças. – Ela se ergueu e se espreguiçou.

   - Não vou te deixar sozinha. – Selena também esticou o corpo e respirou fundo cansada. O relógio marcava dez horas da noite. Era tempo demais naquele ambiente esperando por respostas. – Não quer ir para casa tomar banho e comer alguma coisa? – Perguntou, porém já sabia a resposta.

   - Eu não vou sair daqui enquanto o detetive Pine der as caras. – Disse determinada. Ela não sairia daquela delegacia sem Joe. – Eles não me escutam. – Sim, ela tinha tentado falar com a recepcionista para negociar a fiança ou qualquer coisa para liberar Joe, mas o pessoal sempre dizia que quem resolvia era Chris.

   - O que ele está fazendo de tão importante? – Desde a confusão que Joe tinha armado, Chris simplesmente sumiu para dentro da delegacia quando Jake foi finalmente atendido e voltou a consciência tão chato quanto o de costume. Ele era dramático e o pior inimigo que alguém poderia desejar. Joe estava encrencado e não era pouco, só de pensar na questão Demi massageou o cenho nervosa.

   - Eu não sei. – Disse pensando na possibilidade de ir à recepção tentar convencer a mulher que ali trabalhava, ela até mesmo lançou a mesma, mas desistiu quando a recepcionista sustentou o olhar dela que dizia claramente que não adiantava tentar, só o detetive para resolver. – Que droga! Por que os homens são tão.. – Começou a dizer apoiando a cabeça às mãos.

   - Você quer dizer: por que eles agem sem pensar? – Disse Selena arrumando o cabelo e Demi assentiu sem olhá-la. – Dem, eu também queria saber. – E como elas tinham presenciado nas últimas horas: o telefone tocou, um policial que comia donuts e bebia café atendeu e chamou mais dois que saíram às pressas.

   - Por que ele praticamente espancou o Jake? – Perguntou Demi porque até agora ela não sabia o real motivo para Joe ter chegado enfurecido daquele jeito e ter atacado, literalmente falando, Jake com murros e olhares de ódio.

   - Confesso que eu também queria bater no Jake, mas... Eu não teria coragem, e nem acho que violência resolveria mesmo com tudo que ele fez. – Demorou alguns segundos, mas Demi assentiu. Ela não gostava de violência, preferia deixar que a natureza consertasse as coisas na hora certa.

   - O Joe não é assim. – Disse Demi. Ela o conhecia bem o suficiente para saber que Joe era a pessoa mais tranquila e da paz que existia. – Aconteceu alguma coisa, eu posso sentir. Ele não é capaz de machucar uma mosca! – Demi cobriu o rosto com as mãos e antes que Selena pudesse dizer alguma coisa, ela se levantou e caminhou em direção à recepção.

   - Eu já disse e só vou repetir essa vez: só com o detetive. – Que droga! Desde quando a televisão era mais importante que cuidar dos interesses dos cidadãos? Demi cerrou os dentes e bateu os dedos no balcão chamando a atenção da mulher que respirou impacientemente a olhando.

   - Eu estou aqui desde as três da tarde! Eu não posso nem visitar o meu namorado? – Perguntou esperançosa. Ela não tinha tentado visitar Joe e estava preocupada porque a saúde dele era delicada. – Ele é diabético e hipertenso, eu posso levar alguma coisa para ele comer? – Insistiu porque a mulher nem mesmo respondeu a primeira pergunta e já olhava para o computador.

   - Só com o detetive. – Demi fitou os olhos castanhos cor de mel da mulher, umedeceu os lábios e quando ela dispararia muitas palavras desagradáveis, a mão ao ombro a assustou e só daí ela percebeu que Selena estava ali ao lado.

   - Você pode, por favor, nos informar onde está o detetive? – Perguntou Sel educadamente e Demi revirou os olhos fitando as pessoas sentadas que esperavam para serem atendidas.

   - Ele está interno, não temos informações de quando ele estará livre. – Era só o que faltava! Percebendo que Demi já estava sem paciência e não precisava muito para que ela fizesse um escândalo, Sel a puxou pela mão em direção à saída da delegacia para que elas pudessem tomar ar puro e ver as estrelas.

   - Não fica preocupada, vai dar tudo certo. – Disse Sel sentando-se ao banquinho de concreto que ficava próximo do jardim.

   - Sel, ele foi preso. – Demi murmurou tão desanimada e triste. – Está desempregado e o Jake vai fazer um inferno na nossa vida. – Os olhos estavam marejados e Demi se permitiu derramar as lágrimas que tinha guardado durante semanas e semanas. – Eu estou cansada disso, quando vou ter paz na minha vida? – Perguntou limpando as lágrimas e Selena a puxou para um abraço apertado.

   - Eu sei que as coisas estão ruins, mas Dem, a gente não pode desistir. – Disse Sel e Demi repousou a cabeça no peito tentando se acalmar. Será que eles se faziam de desentendidos? Ela tinha os colocado numa situação tão complicada. Jake poderia demiti-la, demitir Selena e demitir Ed. Todos estavam no mesmo barco e a culpa era todinha dela.

   - Eu não sei o que fazer, sinceramente. – Disse se erguendo. – Ele está lá, numa cela morrendo de fome e frio! Ele não pode passar por esse tipo de situação! Meu Deus! Vocês deveriam desistir de mim, sabia? Os seus pais devem estar preocupados. Sel, vai para casa, eu me viro. – Selena revirou os olhos e quando fitou os olhos de Demi, limpou as lágrimas que rolavam pelo rosto dela.

   - Eu não vou a lugar nenhum. – Selena cobriu a mão de Demi com a dela e enlaçou os dedos. – Deixa de falar besteira, todos nós temos problemas, e não é por isso que as pessoas devem deixar te ter amigos. Jamais vou desistir de você, assim como eu sei que você não vai desistir de mim. Eu te amo, e nós vamos enfrentar o Jake e o mundo juntas como sempre fizemos! – Demi abraçou Selena com força porque era realmente como elas faziam: juntas. Não tinha ninguém que conseguia combatê-las, tudo dava certo e sempre seria daquela forma.

   - Eu sou a maior furada, você deveria desistir enquanto há tempo. – Sel riu e colocou uma mecha do cabelo de Demi atrás da orelha. – E eu também te amo, e muito! – Disse e esboçou o primeiro sorriso verdadeiro daquela noite.

   - Deixa de bobeira. – Dessa vez quem deitou a cabeça foi Selena no ombro de Demi. – Vamos comer? Se a gente ficar parada esperando o tempo passar vai demorar muito.

   - Você está sugerindo que a gente saia para comer? – Demi moldou os lábios numa linha. A ideia não parecia nada boa. – Eu não vou deixar o Joe sozinho, e eu nem estou com fome, Sel. – Disse antes mesmo que Sel começasse a falar.

   - Tem fast food aqui perto, nós fazemos o pedido e voltamos para cá. – Demi fitou os olhos de Selena e negou balançando a cabeça, ela não queria perder a oportunidade de falar com Chris e consequentemente de tirar Joe daquela delegacia.

   - Você se importa de ir sozinha? – Perguntou um pouco sem jeito. – Eu não vou sair daqui, não sem o meu Joe. – Quando o vento soprou, Demi sentiu arrepios e se abraçou passando as mãos nos braços para esquentá-los.

   - Tudo bem, trarei comida para você. – Não era uma boa escolha ficar tanto tempo sem comer mesmo estando sem fome. E Selena sabia que Demi prolongaria a tortura até que conseguisse o que tanto queria: que Joe fosse solto. – Nada de ficar preocupada, não fará bem para sua saúde, e por favor, não vá a recepção. – Demi assentiu sorrindo enquanto se levantava junto com Selena. Ela não perturbaria a recepcionista, pelo menos tentaria não perturbá-la..

   - Tenha cuidado. – Disse segurando as mãos de Selena com as dela e a olhando nos olhos. – Desculpa por não ir com você, eu só quero estar aqui para resolver essa confusão quando o Chris aparecer. – Selena assentiu. Caso Ed estivesse no lugar de Joe, ela também faria o mesmo.

   - Você quer que eu busque alguma coisa no seu apartamento? – Perguntou colocando uma mecha do cabelo de Demi bagunçado pelo vento atrás da orelha.

   - Não, eu estou bem. – Trocaram sorrisos e olhares confidentes antes de se abraçarem com força. Demi franziu o cenho quando Selena virou as costas depois que acenou. Era para Sel estar sossegada em casa junto com a família, Ed e as crianças, mas lá estava ela se aventurando no mundo. Já Selena estava preocupada e cansada. A situação de Joe era complicada, e ele realmente tinha a assustado.
Andar sozinha à noite exigia muita atenção e prudência. Mesmo com as ruas movimentadas e iluminadas, Selena caminhou em direção ao carro estacionado na rua de cima sempre prestando atenção em todos os elementos que a rodeava porque estava ficando tarde e consequentemente perigoso. Aquela parte da rua estava mais vazia e Sel só teve paz quando adentrou o carro e o trancou. O motor logo estava ligado e para sair com o carro deu um pouco de trabalho uma vez que o carro da frente e o carro da trás quase não deixaram espaço, mas assim que guiou o carro para fora da vaga, Selena mapeou todos os lugares onde ela poderia comprar comida naquela hora da noite. E era Nova York, ou seja, a lista de restaurantes, fast food e outros era enorme.

“Jake Gyllenhaal foi levado à delegacia central de Nova York onde permanece até agora. A população está ansiosa para saber se o herdeiro da Gyllenhaal é também o assassino do avô.”.

Era aquilo que passava no rádio? Franzindo o cenho, Selena sincronizou em outra rádio. Ela estava cansada de ouvir o nome de Jake e de toda a história. Todos mereciam paz, principalmente Joe e Demi!

“Os vídeos íntimos da designer Demi Lovato com o presidente da Gyllenhaal, Jake Gyllenhaal circulam na internet desde o início da semana. Os amantes seguem na delegacia da cidade em depoimento para o caso Jason Gyllenhaal”.

Vídeos íntimos? O carro morreu quando Selena relaxou o corpo no banco do carro e fechou os olhos cobrindo o rosto com as mãos. Aquilo explicava muita coisa! Principalmente o motivo de Joe estar preso por ter batido em Jake. Só podia ser brincadeira. Como diabos? De cenho franzido Sel voltou a dar partida no carro quando as buzinas soaram, e por precaução, ela preferiu estacionar o carro naquela área da cidade. Dirigir por mais tempo só a complicaria.

“O que acontecerá com Jak..”.

Não! Já chega de ouvir falar naquele nome! Selena desligou o rádio e repousou a cabeça no volante tentando manter a calma. Demi não merecia passar por aquilo. Era tão injusto e covarde. Jake não era nem um terço do que ela imaginava, ele era mil vezes pior e só de pensar em vê-lo, Selena sentiu arrepios. Sorte era que ele estava preso na delegacia assim como Joe. Com as fitas na delegacia, o habeas corpus foi suspenso até segunda ordem.

   - Respira, respira.. – Sel sussurrava para si mesma tentando manter o controle. Ela estava tentando disfarçar e controlar da melhor forma que conseguia, mas quando estava sozinha não tinha como negar: Jake a aterrorizava. Pensar no sorriso sarcástico, nos olhos azuis e nas mãos dele tentando tocá-la era horrível. O coração de Selena acelerou a assustando que foi preciso que ela saísse do carro antes mesmo que o ataque de pânico se agravasse. – Respira. – Disse a si mesma quando se recostou na porta do carro. Estava tudo bem, não precisava se afobar. Aos pouquinhos o som dos carros, a luz dos estabelecimentos e as pessoas passeando a tranquilizou. Ela não estava sozinha e Jake estava preso, não tinha como ele assediá-la e ameaçá-la.

   - Selena? – André era definitivamente a melhor pessoa que Selena poderia ter encontrado. E se ele não estivesse noivo, e se Demi não estivesse com Joe, bem, Sel juntaria aqueles dois. Sel colocou um sorriso no rosto quando percebeu que estava em frente à pizzaria de André. Ela até mesmo conseguiu respirar aliviada porque estava segura. – Está tudo bem? – O barulho da pizzaria era incomodo e o lugar estava realmente lotado! Aos poucos André se aproximou estudando detalhadamente o estado de Selena. Ela estava assustada e em estado alerta.

   - Está! – Disse fitando os olhos do ex-namorado de Demi. – Eu.. eu só.. Eu estou procurando um lugar para comprar comida. – Selena olhou para dentro da pizzaria e o estomago roncou quando ela viu os garçons servindo as mesas com pizzas quentinhas e saborosas. Ela precisou de alguns segundos para organizar os pensamentos e teve que forçar um sorriso para André que a guiou para dentro da pizzaria.

   - Pizza por conta da casa. – Sel não teve tempo para responder André, ele a guiou para dentro da pizzaria tendo que segurar a mão de Selena para que ela não se perdesse. – Onde está a sua alma gêmea? – Aquela área deveria ser restrita apenas para funcionários e Selena corou quando André lhe entregou uma touca para o cabelo já que o pessoal trabalhava nas pizzas a todo vapor.

   - Um? – Murmurou Sel quando eles atravessaram aquela área da cozinha para um ambiente mais sossegado. – Alma gêmea? – Ela perguntou tirando a touca e se sentando ao banco em frente ao balcão.

   - Demetria. – André sorriu ao falar o nome de Demi. Era incrível como Demi e ele mantinham o mesmo carinho de sempre sem resentimentos. – Vocês estão grudadas desde sempre, é estranho encontrar uma sem a outra. – Ah! Praticamente todo mundo dizia aquilo. Sel sorriu desviando o olhar de André. De tão grudada que ela e Demi eram, Selena já tinha segurado tanta vela para amiga e o ex..

   - Você leu o jornal de hoje? – Perguntou Sel com um pouco de receio e André negou prontamente. – Assistiu à televisão? – Tornou a perguntar e André negou. – Nem ouviu rápido?

   - Não, eu estou sem tempo para essas coisas. – O rapaz buscou por uma garrafa na geladeira e copos limpos no armário para servi-los com suco. – A pizzaria só abre depois das sete e meia, e durante o dia eu estou trabalhando nos detalhes finais da minha casa. – Demi tinha comentado sobre o noivado de André e a aliança grossa no dedo dele deixava muito bem claro que ele estava comprometido.

   - A Demi está na delegacia. – Disse depois de bebericar o suco e ela observou quando André empalideceu de preocupação. Contar toda a história levou tempo, e durante esse tempo a pizza de Selena era feita por um dos funcionários da pizzaria e de onde ela estava, era possível ver todo o movimento na cozinha.

   - O namorado da Demi bateu no Jake? – André tinha um sorriso de lado super satisfeito com as porradas que Jake tinha levado. Ele mesmo daria uma lição em Jake caso o encontrasse.

   - Dentro da delegacia. – Murmurou Selena porque ela não gostava nada da situação. – Ele está preso. E a Demi está na delegacia esperando por notícias, ela não vai sair de lá sem o Joe, tentei convencê-la de todas as formas a ir para casa tomar banho e comer, mas nós dois sabemos como ela pode ser teimosa. – André assentiu sorrindo. Se tinha alguém que era realmente teimoso, aquele alguém era Demi.

   - E você saiu para buscar comida. – Selena assentiu balançando a cabeça, e ela agradecia mentalmente André por ter a servido com queijo e biscoitos. – Você sempre está cuidando dela. – Comentou sorrindo e Sel tornou a assentir. – É uma situação complicada. Quando encontrei a Demi semanas atrás chorando porque tinha descoberto da pior forma que o cara era casado, eu não imaginei que ele poderia ser tão perigoso. – Disse levando a mão ao cabelo. André sabia mais que ninguém que Demi não merecia passar por aquela situação embaraçosa, ela era mulher de alma tão pura que só queria ser amada.

   - Eu sei, está tudo complicado. – Ela não comentaria sobre os supostos vídeos íntimos de Demi com Jake, pois se André não sabia nem mesmo de toda a repercussão envolvendo o assassinato de Jason e o caso de Demi e Jake, ele não precisava saber daquele detalhe...

   - Você quer mais suco? – Selena negou balançando a cabeça e antes mesmo que ela pudesse comentar mais sobre Demi, uma mulher adentrou o refeitório e pelo sorriso de André e a aliança no dedo dela, Selena soube que se tratava da noiva.

   - Boa noite. – Era uma ruiva da mesma estatura de Selena e de hipnotizantes olhos azuis esverdeados. E o sorriso dela era tão feliz quanto o de André. Selena sorriu quando ela se aproximou de André e estendeu a mão para que ela pudesse apertá-la em forma de cumprimento. – Oi! Jessica. – Apresentou-se e Selena sorriu apertando a mão de Jessica. A noiva de André não precisou fazer mais nada além de sorrir para conquistar o respeito de Selena.

   - Selena. – As duas sorriram e André riu um pouco sem jeito as fazendo rir também.

   - Já que vocês se apresentaram. – André sorriu para a noiva e logo para Selena. – Jessy, a Sel é uma velha amiga. E Sel, essa é a minha noiva. – As duas assentiram sorrindo e um funcionário chamou por André informando que a pizza especial estava pronta.

   - Eu já vou. – Disse Sel se levantando. Ela já tinha tomado muito do tempo de André e Demi deveria estar preocupada.

   - Eu estou pensando. – Disse André chamando a atenção das duas mulheres que o acompanhavam em direção a cozinha. – Você precisa de uma advogada, certo? – Selena assentiu entendo o que ele queria dizer. Se Joe quisesse sair logo da cadeia, ele precisava de um bom advogado já que além de bater em Joe, tinha feito a besteira de ter o feito dentro da delegacia. – E você é advogada. – Disse a Jessy que assentiu.

   - Recém-formada. – Disse Jessy e André assentiu calado checando se a pizza de Selena estava nos conformes.

   - Amor, você se prepara para defender o seu primeiro cliente.


***

Onde Selena estava? A perna direita não parava de tremer. A bateria do celular estava esgotava e na televisão não passava nada de bom. Seria mais interessante se estivesse num canal de desenho animado, tudo bem que assistir a receitas não era ruim, mas nada se comparava a desenho. Era tão divertido assistir qualquer animação. Demi se perdia naquele mundo apaixonada em como as formas e as cores modeladas trabalhando com a criatividade e bom humor resultavam em algo incrível como um bom desenho animado. E não importava a quantidade de vezes que ela assistia Tom & Jerry, As aventuras do Batman, A liga da justiça ou qualquer outro, sempre seria divertido. Emburrada, cansada, preocupada e com fome, Demi cobriu o rosto com as mãos e respirou fundo e ficou daquele jeito por pelo menos trinta segundos. Da última vez que ela tinha visto a hora no celular, eram onze e quinze da noite. Selena não tinha dado notícia e Chris não tinha saído nem mesmo para buscar um café. Não era possível visitar Joe e ela estava preocupada com a saúde dele. Será que a comida era adequada para um diabético hipertenso? Aliás, será que ao menos havia comida e um lugar para recostar? E se ele passasse mal? O pessoal da polícia levaria o rapaz ao hospital? Que droga, que droga! Ela resmungou baixinho deixando as lágrimas rolarem. Era hora para Selena sumir e Joe estar preso? Mais lágrimas rolaram e Demi tombou a cabeça para trás a repousando na parede. Aos poucos ela abriu os olhos para fitar o teto ainda chorando. Estava sozinha e aquilo era horrível. Era como nos velhos e impiedosos tempos quando Dianna e Amélia viviam para movimentar o negócio e ela não tinha amigos, carinho e nem nada do tipo.

   - Srta. Lovato. – De onde diabos ele tinha saído? Demi umedeceu os lábios e limpou as lágrimas quando ergueu a cabeça e se deparou com o detetive Pine. Ele estava com as mesmas roupas e parecia tão cansado e sério. – Me acompanhe. – A voz dele soou grossa e não havia nenhum traço de felicidade nas feições bonitas de Chris. Ele chegava estar rígido andando a passos rápidos a frente de Demi. E infelizmente ele a guiava pelo mesmo caminho de mais cedo: a sala do interrogatório.

   - Onde está o Joe? – Perguntou Demi assim que Chris abriu a porta da maldita sala de mais cedo dando passagem a ela.

   - Nós não estamos aqui para isso. – Ele foi tão ríspido que Demi engoliu em seco. E felizmente ela não estava sozinha com o detetive. Havia um homem sentado à mesa e sobre ela estavam o notebook e outro aparelho que Demi não sabia a utilidade.

   - Eu só vou responder às perguntas se você soltá-lo. – Ela tinha pisado na bola. Oh sim, Demi sentia que tinha feito besteira. Chris não disse uma palavra, ele indicou a cadeira para ela se sentar e se acomodou na mesma cadeira de mais cedo que ficava em frente a de Demi.

   - Não funciona assim. – Ele queria assustá-la? Chris tirou o coldre o repousando sobre a mesa com as armas acopladas. – Nós examinamos as fitas e os CDs do escritório do Jake Gyllenhaal. – O jeito que ele disse foi tão frio e receoso que Demi engoliu em seco com medo do que estava por vir. Porém ela não deixou de pensar que não tinha nada que a envolvesse naquela parte. As informações coletadas pela polícia não eram confidenciais? – O material foi encontrado junto com estimulantes sexuais no mesmo lugar onde você descreveu. – Ele disse e foi tão constrangedor. Demi sentiu as bochechas corarem levemente, mas ela fez de tudo para focar em manter a postura. – O que posso revelar é que o conteúdo envolve você e algumas funcionárias da Gyllenhaal. – Mordendo o lábio inferior e colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha Demi fitou os olhos azuis de Chris, e ele umedeceu os lábios dele e apoiou os cotovelos a mesa. – Os vídeos. – O homem se apresentou como Andy e ele era quem cuidava da parte da perícia na parte da informática.

O silêncio absoluto na sala era tão insuportável que Demi se acomodou algumas vezes a cadeira impaciente enquanto Andy selecionava os vídeos para mostrá-la. Então o primeiro vídeo começava com um peitoral que ela conhecia muito bem, alguns segundos depois Jake mostrou o rosto à câmera e se curvou novamente para ajustar dessa vez o foco já que quando ele voltou para o ângulo da filmagem a imagem estava melhor e focava nele. Houve um corte e depois o vídeo que iniciou era de Jake novamente ajustando a câmera e quando tudo ficou escuro novamente, Demi franziu o cenho. Que péssimo editor Jake era, e por diabos ele tinha aqueles vídeos? Alguns segundos depois a porta do quarto foi aberta e o coração de Demi quase parou quando ela percebeu o que acontecia.


Ele não tinha feito aquilo. Conforme os minutos se passavam ela percebia que ele realmente tinha feito, e no vídeo ela estava entregue nos braços dele sem perceber o que acontecia. Não tinha como saber! Deus! Era tão complicado confiar nas pessoas, e para conseguir viver em meio social era necessário confiança, compreensão e uma série de outras coisas similares. Jake tinha passado de todos os limites e Demi já tinha lágrimas nos olhos, as bochechas estavam coradas e ela pediu que Andy pulasse a parte principal do show.. Como diabos ele pode ser tão covarde e invasivo? Aquele não era o único vídeo de sexo que Jake tinha gravado. Ele tinha pelo menos três vídeos de diferentes noites com ela e Demi se sentia violada e envergonhada. Chris tinha assistido e Andy também. Ela mal conseguia olhá-los e a vontade era de sumir.

   - Por favor, já deu. – Demi cobria o rosto com as mãos e respirava fundo sem saber o que fazer. Ela estava com tanta vergonha que se sentia deslocada e de mãos atadas.

   - É você aqui? – Por que Chris insistia em continuar? Demi sentiu todo o corpo pesar e por um pouco ela não caiu de tão preocupada e tonta que tinha ficado com a possibilidade de existir mais um vídeo. Porém o que Chris mostrava era a imagem de um vídeo pausado onde Jake aparecia novamente em uma cena de sexo, porém ele não filmava o rosto da mulher e nem o dele, o único detalhe perceptível da cena era as roupas jogadas no chão e o colar de ouro com um pingente de joaninha no pescoço da mulher.

   - Não. – Ela disse depois de estudar o vídeo pausado. E uma coisa era certa, naquele dia Jake estava na Gyllenhaal, especificamente no departamento de Designer. Demi conhecia perfeitamente cada lugar daquele departamento para saber que ele tinha/estava dormindo com mais uma mulher da empresa.. Pena que o vídeo não revelava muitos detalhes. – É tudo? – Ela perguntou sem conseguir olhar para nenhum dos dois homens.

   - Srta. Lovato, o meu objetivo não é constrangê-la ou submetê-la a situações desagradáveis. – O detetive começou a dizer e Demi estava desanimada e para baixo o suficiente para não fazer piada ou simplesmente arquear uma sobrancelha. – É uma investigação de um assassinato. Não posso revelar mais informações sobre o conteúdo das fitas. O que a Srta. deve saber é que realmente ajudou bastante no caso. – Ajudar no caso tinha a machucado tanto, Demi preferia fitar a mesa a fitar os olhos de Chris. – Jake Gyllenhaal ainda não pode ser acusado do assassino do avô, mas o conteúdo desses vídeos é o suficiente para que ele tenha problemas com a justiça. Demi, ele não filmou apenas você. – Chris levou arrumou o cabelo e respirou fundo trocando um longo olhar com Andy. – São muitas horas de gravação e o que posso dizer é que ele tem filmado algumas das suas colegas de trabalho sem o consentimento delas. E alguns desses vídeos estão circulando na internet, os seus. A nossa equipe está trabalhando em tirar o conteúdo do ar o mais rápido possível. – A súbita tontura a pegou desprevenida e se o detetive não tivesse se apressado em segurá-la, Demi teria caído da cadeira. Agora as perguntas dos repórteres mais cedo faziam sentido. Como se não bastasse existir aqueles vídeos, Jake ainda tinha os jogado na rede e Demi tinha certeza que ele tinha feito para se vingar por conta do término.

   - Está na internet? – Ela perguntou mesmo mole e o olhar mortal que Chris lançou a Andy foi o suficiente para que ele se levantasse às pressas para buscar um copo com água para Demi.

   - Nós já estamos cuidando disso. – Não importava. Demi se ajeitou na cadeira e fitou um ponto qualquer da sala ignorando a presença de Chris. O estrago já tinha sido feito. Por um pouco ela perdeu Selena, Joe e Ed. Foi enganada pela própria mãe. Dormiu com um homem casado. A reputação estava arruinada. E para completar existia vídeo onde ela fazia sexo com Jake circulando por toda internet. Não dava para consertar aquilo. As pessoas estavam vendo e as notícias correndo. Tirar um conteúdo da rede era praticamente impossível! Existiam milhares e milhares de computadores em todo o mundo e a policia de Nova York não daria conta de acabar com aquela porcaria.
   - Nós terminamos? – Perguntou indiferente sem olhá-lo e sem saber como faria dali em diante. Ela estava com vergonha e planejava passar pelo menos a próxima década confinada dentro do apartamento. Não era uma escolha ruim, sozinha ela não teria problemas e não prejudicaria ninguém.

   - Terminamos. Vou mantê-la informada. – Ela nem mesmo assentiu ou disse qualquer palavra, e se tivesse coragem, pediria Chris para não olhá-la porque o olhar dele a constrangia muito. – Vou soltar o seu namorado. – Ele realmente estava com pena dela? Demi não disse nada. Ela se levantou e caminhou em direção a porta sem esperar por Chris. Se fosse minutos atrás, ela estaria feliz porque poderia ir para casa com Joe, mas agora.. Como ela iria olhá-lo? Era tão embaraçoso e agora ela sabia o porquê de Joe estar tão furioso quando chegou a delegacia, aliás, todos deveriam saber.. – O Jake ficará preso, e provavelmente a justiça o afastará do cargo da Gyllenhaal. – Demi não disse nada, não o olhou e nem mesmo assentiu. Ela continuou caminhando a passos rápidos e Chris tentava acompanhá-la. – Demi, nós não vamos permitir que ele fique impune. Vocês vão poder trabalhar em segurança, eu prometo. – Ele tinha a tocado no braço e mesmo assim Demi não o olhou. E foi difícil olhar para qualquer coisa além do chão quando ela percebeu que não estava mais sozinha com Chris. A recepção da delegacia como sempre estava cheia e receber todos aqueles olhares era como despi-la e constrangê-la ainda mais.

    - Demi? – Ouvir a voz de Joe foi como tomar um soco no estomago. E junto com ele estavam Selena, Ed, André e Jessy. Demi derramou algumas lágrimas sem conseguir olhar para o namorado e aos poucos ele se aproximou e a abraçou com força contra o peito. – Está tudo bem, meu anjo. – Não, não estava! Ela não sabia o que fazer, optou por ouvir o coração de Joe bater e chorar com o rosto contra o peito dele sem coragem para olhá-lo ou até mesmo falar. Já Joe sabia que deveria respeitá-la e era o que ele faria, por isso ele não exigiu palavras ou gestos dela, deixou que Demi chorasse e se agarrasse a ele como uma criança com medo.

   - Eu não esperava por isso. – Comentou Selena observando Demi e Joe abraçados. – Eu estou preocupada com ela. – Disse para Ed que a abraçava por trás. Ele assentiu porque também estava preocupado com Demi e com Joe.

   - Eu quero falar com ela, mas.. – Disse André e Selena o olhou nos olhos. Eles sabiam como Demi se armaria e a única saída era dar tempo ao tempo, por isso André assentiu angustiado. – Eu quero esganar esse filho da puta. – André estava nervoso e Jessy o abraçou de lado para acalmá-lo, porém ele tinha dito alto demais e Chris já se aproximava.

   - Jéssica Orlando. Advogada. – Jessy se apresentou esboçando o seu simpático sorriso e estendendo a mão para o detetive que a apertou por educação. – Meu cliente responderá em regime aberto, toda a documentação já foi enviada ao seu escritório. – Chris assentiu. Não tinha como livrar Joe daquela, provavelmente Jake entraria com um processo contra o rapaz mesmo na situação que ele estava.


   - Ela precisa se alimentar e descansar. – Disse Chris a Selena antes de pedir licença para atender um caso. Estava realmente tarde e todos precisavam descansar. O detetive tinha uma lista com nomes e o de Dianna era o próximo da lista de depoimentos. A mulher estava encrencada porque ela também estava entre os vídeos de Jake e a polícia era ciente do caso dela com o mesmo. André e Jessy tinham feito o possível para ajudar Joe assim como Ed e Selena tinham feito. Joe e Demi caminharam lado a lado de mãos dadas para fora da delegacia, mas tinha sido apenas aquilo. Joe a respeitava e Demi preferia se isolar por motivos óbvios.

   - Obrigada pela ajuda. – Percebendo que Demi continuaria calada ao lado e sem olhá-los, Joe preferiu sozinho agradecer André e Jessy. – Eu realmente não saberia o que fazer sem a ajuda de vocês. – Disse fitando os olhos de Jessy para depois os de André. – Por favor, qualquer coisa que vocês precisarem e se estiver ao meu alcance, é só entrar em contato. – André assentiu apertando a mão de Joe. Ed observava Joe como um pai orgulhoso do desempenho do filho. Era definitivamente um avanço se tratando de Joe, ele não tinha embolado para falar com Jessy e tratou André como o amigo de Demi, não o ex. Então eles se despediram e sobrou apenas os quatro: Demi, Joe, Selena e Ed.

   - Eu estou de carro. – Disse Ed a Joe. – Se quiser, posso te emprestar o carro, eu vou para casa com a Sel. – Ele disse enlaçando os dedos aos da namorada e a puxando mais para ele.

   - Tudo bem? – Joe perguntou fitando os olhos de Ed que assentiu. Estava tarde demais e tudo que ele queria fazer era ir para casa com Demi. – Eu não vou para Gyl.. empresa amanhã, como nós fazemos? – Ele estava desempregado, e se não se importava com as ameaças de Jake. Nova York era uma cidade enorme, alguma coisa ele encontraria.

   - Nós combinamos amanhã depois do almoço. – Disse Ed e Joe assentiu brincando com os dedos de Demi.

   - Obrigado por tudo. – Disse Joe a Ed e Selena. E ele fez questão de abraçar Selena e Ed, sem eles, tudo seria muito mais complicado e complexo.

   - Cuida dela, e não força a barra. – Ed aproveitou para sussurrar aquelas palavras enquanto ainda abraçava Joe, e Selena aproveitou para se aproximar de Demi.

   - Posso dormir com você hoje. – Disse Sel buscando pela mão de Demi para segurá-la, e não houve protestos e muito menos olhares. – Nós podemos dormir de conchinha. – Demi sempre sorria e entrava na brincadeira, mas dessa vez ela negou balançando a cabeça e fitando o chão. – Ei, tudo vai ficar bem, sempre estarei aqui para cuidar de você.

   - Eu também, Sel. – Demi não a olhou nos olhos, abraçou Selena quando foi abraçada e por um pouco voltou a chorar.

   - Tem certeza que não quer que eu durma com você? – Perguntou Selena desfazendo o abraço e Demi negou balançando a cabeça. – Qualquer coisa é só ligar. – Disse e Demi assentiu cabisbaixa. Ed tentou animá-la, mas tudo que ele conseguiu foi um abraço de despedida assim como Selena.


   - Quer ir para o seu apartamento ou para o meu? – Enfrentar Selena ou Ed era uma coisa, mas enfrentar Joe era outra completamente diferente. Eles tinham acabado de adentrar o carro de Ed e Joe já conduzia o veículo para longe da delegacia.

   - Para o meu. – Ela murmurou arrumando a saia ao corpo e Joe arriscou olhá-la rapidamente já que naquele horário o trânsito estava tranquilo e quase não tinha carros e pedestres nas ruas. – Você pode descansar, eu vou ficar bem sozinha. – Ele não esperava que ela dissesse aquilo. Joe pensou no que poderia dizer enquanto dirigia. Ele não queria que Demi se fechasse com ele, não tinha necessidade.

   - Eu quero ficar com você, tudo bem? – Por que ela não o olhava? Joe franziu o cenho quando arriscou olhá-la e encontrou Demi fitando o colo e tão tensa que chegava ser desconfortável olhá-la. Ela não disse nada e ele também não. O silêncio dela era insuportável e a situação desagradável, Joe não estava feliz com toda a indiferença de Demi e resolveu encostar o carro sem nem mesmo saber onde estava, provavelmente não tão longe da área que moravam, ele só precisava resolver a situação. – Você não vai falar nada? – A voz dele soou grossa, não tinha sido proposital e ele não queria intimidar a namorada que respirou fundo ainda sem coragem de olhá-lo nos olhos.

   - Está muito tarde, você precisa comer e descansar. – O que era aquilo? Demi tinha falado tão baixinho que se o silêncio no interior do carro não fosse absoluto, não teria como ouvi-la.

  - A única coisa que eu preciso agora é entender o que está acontecendo com você para tentar te ajudar. – Ele disse sem rodeios e levou a mão até a dela que não fez nada. Foram minutos e mais minutos daquele jeito, Joe encostou a cabeça no volante do carro e aos pouquinhos ele começou a brincar com os dedos de Demi esperando que ela estivesse pronta para começar a falar. – Olha pra mim. – Pediu e como sabia que Demi não o olharia, Joe levou a mão ao queixo dela e gentilmente fez com que ela o olhasse mesmo no interior do carro iluminado apenas com a luz da lua. – Você pode falar comigo sobre o que você está sentindo. – Ele disse sentindo o coração partir em milhares de pedaços quando a primeira lágrima rolou pelo rosto dela. Não, ela não podia chorar! Aquilo era o suficiente para acabar com ele. – Ei, está tudo bem meu anjo. – O abraço o pegou de surpresa, mas Joe o retribuiu e beijou a testa de Demi demoradamente deixando que ela chorasse nos braços dele. – Não chora, por favor. – Pediu porque ele também estava prestes a chorar junto com ela. Era horrível saber que ela estava triste e não tinha nada que ele podia fazer para acabar com o sofrimento. A vontade era de quebrar Jake em dois só porque ele era um completo idiota que aos pouquinhos estava destruindo a vida de Demi e a fazendo sofrer.

   - Joe. – Ela o chamou se erguendo e saindo dos braços dele enxugando cada lágrima que rolava pelo rosto. Não tinha como ficar nos braços dele. – Eu acho que é melhor a gente.. A gente terminar. – Doeu mais do que ela tinha imaginado, parecia que tinha um buraco no peito que nada era capaz de preenchê-lo para estancar a dor. E Joe tinha a olhado com tanto desespero e de repente ele estava ofegando como se estivesse com medo. – Eu te amo, mas não quero estragar a sua vida, não mais do que já estraguei. – Disse quebrando o silêncio e ela limpou as lágrimas quando viu que Joe também chorava.

   - Por favor, não faça isso. – Ele disse um pouco desesperado levando as mãos as dela. – Amor, você é a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida e eu não consigo me imaginar sem você. – Com muito custo, Demi fitou os olhos dele e limpou as lágrimas de Joe com todo cuidado que tinha.

   - Olha só para tudo de ruim que aconteceu com você depois que eu entrei na sua vida. – Ela disse segurando a mão dele com força e limpando as lágrimas que continuava derramando. – Você tem uma alma pura, boa e gentil, você merece alguém tão bom quanto você. Eu só não posso continuar te machucando e te prejudicando Joseph, isso me machuca tanto. – Joe negou balançando a cabeça, ele ergueu o rosto de Demi para olhá-la nos olhos e quando ela fitou os olhos dele, ele se aproximou mais para beijá-la na boca com fome e paixão, as mãos foram diretamente para cintura delicada e por minutos eles se dedicaram ao beijo mais profundo e intenso que já tinham trocado.

   - Você é quem eu quero. – Ele ofegava assim como Demi, as testas estavam encostadas e eles se olhavam. – Eu não me importo com o que está acontecendo, e muito menos por ter sido despedido ou ter sido preso. Realmente não me importo, a culpa não é sua. Bati naquele filho da puta e vou quebrá-lo de novo se ele aparecer na minha frente. Estou colhendo os frutos das minhas escolhas, e não estou arrependido.  – Demi subiu a mão pelo peito dele e de tão bom que era beijar a boca daquele homem, ela o beijou brevemente. – Você vai me machucar se me deixar. Eu te amo tanto e eu sei que você me ama, eu posso sentir que você me ama e está doendo tanto pensar em ficar sem você. – Como ela poderia deixá-lo ir? Demi o abraçou forte e descansou a cabeça no ombro dele deixando mais lágrimas rolarem.

   - Você foi preso e a culpa é minha. – Ela disse desfazendo o abraço. – Você perdeu emprego porque eu sou uma idiota. – Disse fitando a cidade que já descansava por conta do horário. Não tinha ninguém na rua e muito menos carros, os estabelecimentos estavam fechados e os enormes prédios com pouquíssimas luzes acesas. – O que você vai fazer quando a sua família souber que a sua namorada tem vídeos circulando em sites pornográficos? Que ela é ex amante do presidente da empresa que você trabalhava? Eles vão pensar em eu sou uma prostituta.

   - Eu já disse: eu não me importo. – Foi impossível não pensar em Rose e em tudo que ela tinha feito, mas ele não perderia Demi por nada. – Você foi vítima daquele doente, e eles não têm nada com a nossa vida, ninguém tem! – Ele envolveu a mão direita dela com a dele e os dois observaram como as alianças eram bonitas. – Eu te amo Demi. – Disse atraindo o olhar dela que umedeceu os lábios e assentiu.

   - Eu também te amo Joseph. – Disse encostando a testa na dele e ele não perdeu tempo, iniciou um beijo que só foi interrompido quando ele estava quase deitado sobre Demi no banco do carona.

  - O Ed vai me matar. – Ele disse sorrindo porque Demi também sorria, mesmo que tímida, fitando os olhos dele. Ela era tão linda que Joe a beijou de novo e disse como a amava sussurrando no ouvido dela antes de mordê-la na orelha.

   - Vamos para casa? – Ficar com ele era bom. Joe sabia como beijá-la e os toques dele eram respeitosos, apesar de também ousados. – Joe, casa. – Ela teve que empurrá-lo gentilmente apoiando as mãos no peito dele que assentiu se erguendo voltando para o banco do motorista. Os vidros do carro estavam embaçados e Ed literalmente mataria Joe caso descobrisse o que eles estavam fazendo...

   - Nós estamos juntos, certo? – Perguntou com um pouco de receio a olhando nos olhos. O coração dele estava quase saindo pela boca e o nervoso era tanto que Joe teve que respirar fundo para não passar mal.

   - Estamos. – O sorriso dele foi tão bonito que Demi também sorriu e se aproximou para dar um beijinho na bochecha dele. – Eu sinto muito por tudo. – Ela disse o olhando e Joe negou balançando a cabeça.

   - Eu iria me demitir, está tudo bem. – As coisas estavam complicadas para ele, e se complicariam mais, porém Joe só se importava em ter Demi. O resto era resto. – Vou dar um jeito, ok? Nada de ficar preocupada. – Joe sorriu com o selinho que recebeu nos lábios.

   - Amor, eu vou precisar muito de você, mais do que já preciso. – Ela disse envolvendo as mãos dele com as dela. – Não será fácil o que está por vir e eu estou com muito medo e vergonha. – As bochechas coraram e Demi olhou para baixo porque mesmo com Joe e com tudo que eles tinham conversado, ela sentia vergonha de ter sido exposta.


   - Nada disso. – Disse erguendo o rosto dela e beijando a ponta do nariz, o que fez Demi sorrir. – Vou tirar essa porcaria do ar ainda hoje, prometo. – Sim, ele tinha habilidades computacionais que ajudariam bastante a tirar os vídeos do ar antes mesmo que eles tivessem uma repercussão maior. – Eu vou sempre estar com você, gatinha. Vamos? Eu ainda tenho que passar no meu apartamento para alimentar a minha cadelinha gulosa e pegar uma muda de roupa para dormir agarrado com você. – Demi o olhou sorrindo e também sorriu se sentindo protegida e feliz. E não podia ser diferente. Ela estava com Joe.


Continua.. Oi! Tudo bem com vocês? Eu tô bem! E como sempre, minha vida está uma correria e se resume em provas e trabalhos. Espero que vocês tenham gostado desse capítulo, eu achei que ficou legal... Ah, só para lembrar, o caso Rose não vai passar batido! Já já essa menina entra em ação de novo e a coisa pode ficar feia para o Joe. Obrigada pelos comentários!