25.2.17

Capítulo 34

Alguns dias depois...

Era uma noite de sexta-feira fria, mas com um lindo céu estrelado. Na sala do apartamento de Joseph a televisão estava ligada e o Timão e o Pumba cantavam o clássico Hakuna Matata para o pequeno Simba. Só era uma pequena que ninguém assistia ao filme. No sofá a camisa de Joe estava jogada, no corredor os óculos estavam caídos e na entrada do quarto a calça jeans de Demi junto aos all star. A cama rangeu quando os corpos se chocaram contra o colchão, mas o beijo era envolvente o suficiente para que prestassem atenção naquele pequeno detalhe. Quando finalizaram o beijo, os lábios macios de Joe desceram selando a pele quente de Demi do pescoço ao cós da calcinha, e dali mesmo ele fitou os olhos da amada intensamente, desviou o olhar para a calcinha e pôs se de joelhos entre as pernas dela acariciando as coxas até os joelhos.

   - Você é a visão do paraíso. – A voz soou grossa e falha. Os olhos verdes estavam fixos ora nos olhos, ora nas coxas dela. E na última opção permaneceram, Joe tocou o joelho esquerdo e envolveu a coxa com o braço para beijá-la, daí ele também beijou a coxa direita guiando os beijos até que estava com os lábios sobre o tecido da calcinha fitando os olhos de Demi. Não trocaram nem uma palavra, até porque se tentassem Demi não conseguiria. O coração dela estava quase rasgando o peito a cada toque dos lábios e dos dedos nas coxas, e quando Joe deslizou a calcinha pelas pernas como uma criança ansiosa para abrir o tão sonhando presente de natal, uma leve tontura a desnorteou. Os olhos verdes eram demais. Principalmente porque eles expressavam como Joe a queria. Ter o homem que a amava entre as pernas era cada vez mais excitante e motivo de ansiedade porque ele a olhava no íntimo com um desejo que a fazia sentir tudo quente, especialmente naquela região. Quando os lábios dele se fecharam sobre o clitóris e o início da língua o acariciou, o gemido feminino foi alto e rouco. A respiração mal sabia controlar, o corpo reagia muito bem aos estímulos que recebia da língua trabalhando naquela região especial. E como sempre os olhos dele fitavam os dela, ele não ousava em desviar o olhar ou simplesmente fechar os olhos. Estavam sempre lá, intensos e lindos fitando os marrons dela. – Eu estou fazendo certo? – O que? Aquilo estava tão bom que quando a língua dele parou de lambê-la Demi franziu o cenho e o coração acelerou, ela não soube o que dizer por que estava sem palavras para descrever como estava sendo o melhor sexo oral que já tinha recebido.

   - Eu.. Você.. – Disse piscando as pálpebras tentando organizar os pensamentos porque a respiração quente dele batia na região mais sensível do corpo. – Está maravilhoso amor. – Quando ele sorriu e fitou o íntimo dela, Demi choramingou e relaxou tentando se controlar para não fazer muito barulho conforme a língua trabalhava pacientemente em lambê-la e os lábios em beijá-la na entrada. Impossível foi não agarrar o lençol e quase rasgá-lo com as unhas quando o tempo passou e o orgasmo cresceu no interior tomando uma proporção quente de prazer que se espalhou por todo o corpo feminino a fazendo relaxar e fechar pesadamente os olhos. – Joe.. Não! – Ele não podia fazer aquilo! O corpo dela estava sensível e tocá-la naquela região era enlouquecedor, mas Joe não se importava, invadiu-a com um dedo o movimentando vagarosamente conforme ele beijava o corpo dela subindo os beijos em direção aos seios onde a beijou e chupou cheio de cuidados, até que os lábios cobriam os dela num beijo lento e apaixonado. – Calma, eu preciso respirar. – Mal tinham conseguido respirar e os lábios de Joe estavam abaixo da orelha esquerda a beijando na região do pescoço. Demi sorria porque adorava como ele sempre estava disposto a namorar com ela, e apesar de tímido, Joe se saía muito bem mesmo corando algumas vezes.

   - Eu preciso de você. – Aquele olhar carente era apaixonante. Demi puxou o cabelo dele com uma mão enquanto a outra tocava o queixo bonito e o maxilar másculo. – Agora gatinha. – Disse nos lábios dela deixando o corpo cair sobre o feminino com cuidado para não machucá-la.

   - Você ainda está vestido. – Resmungou e Joe se apressou em se erguer ainda a beijando para desafivelar o cinto e abaixar a calça junto com a cueca. E ele não perdeu tempo, encaixou os corpos e dessa vez fechou os olhos conforme se movia sentindo o coração bater cada vez mais rápido.

O prazer era um longo caminho deliciosamente agonizante, viciante e enlouquecedor em direção ao ápice, porém a melhor sensação que duas pessoas que se amavam podiam compartilhar. Foram tantas às vezes que o coração de Joe quase saiu boca a fora naquela noite. Por algum tempo ele estava deitado sobre o corpo de Demi se movendo com ajuda dela, mas então teve uma hora que ela o empurrou para fora do corpo o deixando terrivelmente confuso e se deitou de bruços empinando o bumbum para ele. O coração se contorceu no peito e as bochechas de Joe coraram forte. Primeiro ele achou que iria desmaiar, mas a voz doce de Demi o acalmou até que as mãos trêmulas seguravam firmemente a cintura delicada enquanto ele se movia dentro do calor dela quase tendo um ataque cardíaco de tão excitado que estava. A mulher iria matá-lo a qualquer momento! E aquele bumbum? Os gemidos que ele tentou controlar durante toda a noite se misturaram aos dela e o corpo não parava de se mover.

   - Amor, respira fundo. – Demi também estava agitada e com o coração disparado no peito, ela tinha se virado ficando de frente a Joe porque precisava beijá-lo e abraçá-lo. – Ei, está tudo bem? – Perguntou carinhosamente se deitando na cama e o puxando para se deitar sobre o corpo dela. O coração de Joe estava acelerado demais e as bochechas dele tão coradas que ela pensou que ele poderia passar mal, ora! A saúde dele era frágil e talvez ela tivesse pegado pesado demais o provocando enquanto assistiam O rei leão...

   - Está. – Ele se ergueu para olhá-la e Demi sorriu de orelha a orelha admirando como ele estava bonito excitado e suado. – Fiz alguma coisa de errado? – Perguntou inocentemente fitando os olhos dela que negou e roçou os lábios aos dele.

   - Eu quero você por cima e devagar, ok? – Disse arrumando o cabelo dele com os dedos. – A noite toda, o que você acha? – Bem, ele estava mais duro que uma barra de ferro contra a virilha dela.

   - Eu posso tentar. – Demi assentiu e o beijou ternamente o sentindo invadir o corpo com o dele. Ela não podia exigir muito. Alguns dias atrás Joe nunca havia tido uma relação sexual e muito menos orgasmos. Mas mesmo assim ele conseguia satisfazê-la e deixá-la cansada...
Por um bom tempo Demi envolveu as pernas no bumbum de Joe e o ajudou a se mover trocando beijos com ele e carinhos nas costas másculas e no cabelo curto da nuca. Ficaram tempo suficiente naquela posição até que ela inverteu os papeis ficando sobre ele o levando e o expulsando do corpo um pouco rápido demais arrancando gemidos altos de Joe. Ele não deixou barato, segurou-a pela cintura e passou para cima dela arrancando um sorriso sapeca de Demi que o provocou com tapas no bumbum para fazê-lo corar e rebolando o quadril da forma que podia. Num vacilo de Joe, que tinha se curvado para beijá-la no seio, Demi tornou a inverter as posições apoiando as mãos no peito dele para provocá-lo com a visão dos seios se movendo, ela até fechou os olhos, e foi nesse exato momento que Joe aproveitou para passar sobre ela e sorrir de orelha a orelha entrando na brincadeira. E ele era pesado! Como era! Demi franziu o cenho abraçando o corpo dele com força e gemendo alto quando ele acertou em cheio. Ela não ousou em se mexer, ficou quieta o sentindo investir daquela mesma forma por alguns minutos, mas quando Joe se ergueu para olhá-la com um sorrisinho de vitória, ela o empurrou e passou para cima dele.. porém foi um desastre!

   - Você está bem? – Perguntou preocupada, mas acabou rindo. Joe tinha caído da cama enquanto ela ainda estava deitada no colchão quente e macio.

   - Por que você não vem aqui conferir? – O que era aquele sorriso provocante? Demi arqueou uma sobrancelha e sorriu de orelha a orelha o olhando. Aquele homem era lindo! E nu era de tirar o fôlego, principalmente quando estava excitado! – Vem cá gatinha. – Chamou estendendo a mão a ela e Demi deixou que ele a puxasse para sobre o corpo. – Por que você está vermelha? – Ele tinha acabado de penetrá-la e sorria porque Demi estava sem jeito e com as bochechas coradas.

   - Eu não queria te derrubar da cama. – Disse se movendo sobre ele com paixão e lentidão. – Não machucou? – Perguntou o olhando nos olhos e Joe aproveitou para beijá-la na boca.

   - Claro que não, aqui está melhor.. – Disse levando uma mão a cintura dela e a outra para o seio direito para acariciá-lo no mamilo. –Você fica linda quando está por cima. – Eles sorriram e finalmente se concentraram no que faziam de melhor sem muita pressa ou disputas. Joe a ajudou a se mover mesmo estando deitado no porcelanato gelado, na verdade ele estava tão concentrado em admirar como Demi estava bonita nua e como era bom estar dentro dela que não tinha prestado atenção naquele detalhe. Quando Demi deitou a cabeça no ombro dele se movendo vagarosamente, os olhos de Joe fitaram a hora no relógio digital e ele sorriu acariciando o corpo da amada ainda se movendo. – Feliz aniversário meu anjo. – Disse no ouvido dela e Demi sorriu o olhando. Ela estava tão envolvida que nem tinha se lembrando de que faria aniversário dentro de poucas horas. – Eu vou te fazer a mulher mais feliz desse mundo. Vou te dar muitos bebês e eu prometo que nós vamos envelhecer juntos. – De cenho franzido Demi acabou derramando algumas lágrimas, beijou os lábios de Joe e afundou o corpo ao dele com paixão os fazendo delirar de desejo e atingir o orgasmo em questão de minutos.

   - Você promete? – Perguntou quando não ofegava mais e Joe a beijou na testa.

***

Apesar da noite longa nos braços de Joe, Demi se sentia bem e confortável desde que tinha descoberto tudo sobre Jake, o corpo estava relaxado e a mente limpa. O melhor de tudo era que naquele sábado ela não precisaria acordar cedo já que só trabalharia na parte da tarde na conferência. Conforme o tempo se passava, o consciente a despertava e a preguiça a prendia na cama.

   - Joe? – Chamou manhosa o procurando para abraçá-lo. Nos últimos dias ela tinha passado todas as noites com o namorado e não tinha coisa melhor que acordar sentindo o braço de Joe rodeá-la pela cintura e o corpo quente dele aquecê-la. – Amor? – O quarto estava escuro por conta das persianas e Joe não estava na cama. Demi adentrou o cabelo com as mãos e bocejou se espreguiçando. Quantas vezes ela teria que dizer para ele que jamais deveria deixar uma mulher acordar sozinha depois de uma noite como a que eles tiveram? Como estava nua, Demi procurou pela calcinha e a vestiu junto a uma camisa de Joseph. Onde será que ele estava? A ansiedade era tanta para encontrá-lo que Demi agilizou a ida ao banheiro e saiu do quarto às pressas. – Amor? – O estomago roncou tão alto que as bochechas dela coraram. O cheiro de ovos com bacon era estonteante, e vinha da cozinha. A mesa estava posta com alguns pratos e com um lindo jarro com rosas vermelhas. E lá estava Joe simplesmente lindo sem camisa e concentrado em cozinhar o café da manhã. Demi perdeu o fôlego e a fome.. O cabelo escuro dele estava bagunçado e mais curto já que ele tinha ido ao salão no dia anterior, a barba estava perfeitamente feita numa leve sombra escura que o deixava sexy. E aquelas braços fortes e morenos? A cada vez que Joe os movimentava, os músculos se destacavam fortes e grandes. – Você me deixou sozinha na cama. – Ela não tinha resistido. Rodeou a cintura dele com os braços e o beijou nas costas largas.

   - Juro que eu não queria te deixar sozinha. – Disse a puxando para os braços dele depois de desligar o fogão e sorrindo lindamente a olhando nos olhos. – Bom dia princesa! – Aqueles olhos! Demi se perdeu neles por alguns segundos e respirou fundo voltando a si. – Feliz aniversário. – Ele a abraçou com força e ela gemeu porque ele estava literalmente a esmagando, mas não passava de uma brincadeira que acabou num beijo apaixonado. – Está pronta para o melhor café da manhã de toda a sua vida? – O sorriso dela era tão verdadeiro quanto um sorriso de uma criança.

   - Eu te amo! – Disse animada o abraçando forte contra o peito e tendo que tombar a cabeça para trás para olhá-lo nos olhos. – Você cozinhou para mim? – Perguntou e sorriu quando ele corou.

   - Tudo por você gatinha. – Agora os ovos com bacon estavam explicados! Demi beijou a boca de Joe com tanta paixão e por um pouco aquele beijo se transformou em algo mais quente. – Nosso primeiro café da manhã. – Ele disse todo orgulhoso dividido entre abraçar a namorada pela cintura e terminar de organizar o café da manhã.

Nada saiu como o planejado. Foi muito melhor do que Joe tinha imaginado. As risadas de Demi e os latidos de Lucy enchiam o coração do rapaz de alegria e amor. Sem elas, aquele apartamento não teria vida. O café da manhã foi na sala com a televisão ligada num desenho animado, Demi estava nos braços de Joe e juntos eles se alternavam entre comer, rir das bobeiras da televisão e do choro de Lucy para conseguir comida.

   - Amor, ela está gordinha. – Disse Demi contra o ombro de Joe que assentiu observando Lucy comer um pedaço de pão integral. A cadelinha estava gordinha e começando a crescer muito abandonando aquele porte de filhote indefeso. – Nós precisamos caminhar com ela. – Para alcançar as frutas cortadas em cubinhos, Demi teve que se soltar dos braços de Joe e se erguer se sentando ao lado do namorado.

   - Eu estou caminhando com ela no parque. – Disse acariciando as orelhas da cadelinha quando ela apoiou as patinhas frontais nas coxas dele. – Só que ela é muito alegre e quando outro cachorro se aproxima o bebê do papai vira uma ferinha, não é bebê? – Tudo bem. Ela não estava com ciúmes de uma cadelinha, estava? Demi franziu o cenho parando tudo que estava fazendo quando Joe pegou Lucy no colo e a abraçou contra o peito recebendo em troca lambidas e esfregões. – Ela precisa gastar energia. – Comentou concentrado em acariciar o pelo de Lucy que estava comportada deitada sobre a barriga e o peito do dono ouvindo atentamente o coração de Joe bater. – É sério? – Joe riu da careta de Demi, ela sempre fazia aquela cara quando estava com ciúmes. Na noite no cinema Demi quase brigou com todas as mulheres que, segundo ela, olhavam para ele com segundas intenções.

   - Acho que eu estou carente. – Murmurou manhosa mexendo as frutas com a colher e só depois de um tempo as olhando que as comeu. – Amor, me beija. – O pedido foi atendido dentro de segundos. Joe se curvou primeiro beijando a bochecha dela só para depois beijá-la na boca intensamente ainda com a cadelinha no colo e Demi com recipiente cheio de frutas.

   - Princesa, vai brincar um pouco. – Lucy não insistiu já que sentiu que o clima entre Joe e Demi começava a esquentar. E realmente começava, Joe deitou Demi sobre o sofá e se deitou sobre ela. – Gostou do café da manhã? – Perguntou erguendo a camisa que Demi vestia para que pudesse beijá-la abaixo do umbigo exatamente sobre o lacinho no cós da calcinha.

   - O melhor café da manhã de todos. – O sorriso dela se alargou aos poucos conforme Joe a beijava carinhosamente na barriga. – Joseph... – As bochechas coraram, mas Demi não deixou de sorrir mesmo tímida quando teve o seio esquerdo revelado e acariciado.

   - O que foi? – Gentilmente ele deslizou os dedos pelo mamilo o acariciando. – Não gosta? – Perguntou se ajeitando sobre ela para que pudesse beijá-la na boca. Demi não respondeu com palavras, o sorriso desjeitoso mostrou como ela apreciava o carinho, principalmente quando Joe beijou o mamilo e o chupou. – Você fica tão linda corada. – Ela aceitou o beijo de bom grado, acolheu o corpo de Joe entre as pernas e se aninhou a ele durante todo aquele tempo que conseguiram compartilhar beijos e carinhos.

   - Joe, eu preciso atender. – Disse nos lábios dele e tentando empurrá-lo pelo peito com as mãos. – Amor, a gente tem o dia todo para namorar. – Ele não queria largá-la e ela não queria sair do calor dele. Foi complicado conciliar o que fariam, mas acabou que Demi se levantou para atender o celular deixando um Joe sozinho e excitado no sofá.

   - Feliz aniversário! – O objetivo de Selena era deixá-la surda? Todo o entusiasmo e o carinho de Sel foi motivo para as lágrimas de Demi que não conseguiu contê-las. Era a melhor sensação do mundo sentir o amor de uma pessoa. Enquanto Selena falava sem parar, o coração de Demi derretia no peito e tudo que ela conseguia fazer era chorar e murmurar “Anham”. – Você ainda está com o Joe? Quero muito te dar um abraço.
   - Estou, você vai a conferência? – Por boa parte da tarde, ela teria que suportar a presença de Jake e de certo modo aquilo lhe causava um terrível nervoso, pois desde o dia que o viu no shopping, Jake não tinha dado as caras. E ele já deveria ter associado tudo e descoberto que Joe era uma das razões para o fim do relacionamento que tinham.
   - É claro que estarei lá. – Disse Selena arrancando um sorriso lindo de Demi. – Como eu faço para te abraçar? – Joe estava tão beijável deitado no sofá cochilando, que Demi caminhou até ele e se sentou na beirada do sofá para que pudesse acariciar o cabelo do namorado que se aninhou a ela mostrando um pequeno sorriso ainda de olhos fechados.
   - Vem aqui, você pode me ajudar a me arrumar e nós podemos almoçar com os nossos garotos antes de ir para empresa. – Sel concordou com a ideia e Joe fez careta por que ficaria longe da namorada. – Ei, eu te amo e não tem coisa melhor que ficar com você, mas eu sinto falta da Sel. – Disse Demi assim que colocou o celular na bolsa e se deitou sobre o namorado no sofá. – Joseph, nós passamos praticamente os últimos três dias namorando. Você não pode ser egoísta, amor. – Ela sorriu quando Joe a olhou claramente emburrado.
   - Só não consigo ficar longe de você. – Murmurou se erguendo para abraçar os joelhos. – E eu não sou egoísta. – Demi riu e o abraçou exageradamente o derrubando no sofá.
   - Você só é muito manhoso. – Disse o beijando na bochecha e aos poucos o sorriso lindo dele surgia conforme ela moldava o corpo sobre o dele. – E eu te amo muito. – Era para ser o beijo perfeito. Joe abraçou a cintura de Demi com um braço e acariciou a bochecha dela com a mão livre aproveitando para colocar os fios de cabelo que atrapalhavam o beijo atrás da orelha. – Acho que ela está com ciúme. – Os olhos cor de mel de Lucy estavam sobre o casal, as patinhas frontais apoiadas no sofá e as orelhinhas em estado de alerta mostravam que a pequena estava atenta a qualquer movimento.
   - Ela está com ciúme. – Devagar Joe adentrou a camisa que Demi vestia com a mão para acariciá-la nas costas e selou os lábios dela com os dele vagarosamente aprofundando o beijo aos poucos. – O que acha de tomar banho comigo? – Perguntou acariciando as orelhinhas de Lucy com uma mão e as costas de Demi com a outra.
   - Eu estava pensando nisso agora. – Trocaram um selinho e por algum tempo focaram em acariciar o pelo de Lucy e mimá-la. E claro que a cadelinha adorou toda a atenção que recebia e chegou a fechar os olhos de tão manhosa que era. O banho aconteceu alguns minutos depois e como sempre, foi cheio de beijos e uma rapidinha que deixou Demi de pernas bambas e Joe de bochechas coradas.

   - É a Sel, ela vai me ajudar a me arrumar. – A ansiedade era tanta para abraçar a melhor amiga que Demi vestiu o sutiã e a blusa da noite passada às pressas quando bateram à porta do apartamento de Joe. – Eu já volto. – Antes de sair do closet, ela beijou os lábios de Joe e sorriu o olhando apenas de cueca.

   - Feliz aniversário meu anjo! – Não deu tempo de cumprimentar Ed ou sequer controlar o sorriso. Os braços de Selena envolveram o corpo de Demi que a abraçou de volta com carinho. – Eu sei que você será muito feliz Dem, você merece as melhores coisas que Deus te dará. Sempre estarei aqui para te apoiar. – Aquelas palavras eram tão fortes e importantes, que as lágrimas rolaram e Demi sorriu quando fitou os olhos de Selena que também sorria para ela.
   - Eu te amo muito! – Disse fitando os olhos da amiga que também disse que a amava. Elas estavam tão grudadas e trocando olhares e sorrisos que Ed arqueou uma das sobrancelhas e Joe, que tinha acabado de chegar à sala, franziu o cenho.
   - Por acaso vocês são lésbicas e estão nos usando para disfarçar o namoro de vocês? – Disse Ed apontando para Joe que deu de ombros.
   - Bem.. – Começou a dizer Demi, mas Joe estava sem camisa e ele chamou tanta atenção dela e até mesmo de Selena, que Ed revirou os olhos.
   - Cara, vai vestir uma camisa. – Murmurou Ed claramente incomodado, então as bochechas de Joe coraram e as duas mulheres riram. – No fundo eu sempre soube sobre vocês duas. – Demi olhou para Selena de sobrancelhas arqueadas e Sel piscou para ela deixando Ed ainda mais intrigado, porém não passava de uma brincadeira.
   - Tudo bem, você descobriu o nosso segredo. – Disse Selena colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha. – Eu estou brincando! – Sel revirou os olhos ao olhar para os de Ed que estavam arregalados, e Demi riu da situação.
   - Relaxa, eu não vou tomar a sua namorada. – Disse abraçando o rapaz que só alguns segundos depois a abraçou de volta. – Talvez eu tome. – Disse apenas para Ed que sorriu ainda a abraçando com força e desejando um feliz aniversário.
   - Não vão entrar? – Joe estava devidamente vestido com uma regata branca e segurava Lucy no colo que tentava escapar para o corredor. – Não morde o papai. – Disse a cadelinha que tentava a todo custo se soltar dos braços dele. – Ela está impossível. – Murmurou coçando a nuca quando a porta do apartamento finalmente estava fechada e Lucy pulada ora em Selena, ora em Ed.
   - Vamos? – Perguntou Selena a Demi que assentiu.
   - Só vou buscar a minha bolsa. – E foi o que ela fez, buscou a bolsa no quarto de Joe e quando voltou para sala umedeceu os lábios quando fitou os olhos do namorado. As bochechas dos dois coraram porque eles compartilhavam as mesmas lembranças de alguns minutos atrás debaixo do chuveiro. – Amor, eu tenho que ir. – Disse assim que se aproximou dele interrompendo a conversa com Ed e Selena.
   - Já estou sentindo saudades. – Os olhos dele fitavam os dela. Ambos sorriram envergonhados, Joe a abraçou e a beijou na testa cheio de cuidado e carinho. – A gente se vê na hora do almoço? – Perguntou mesmo sabendo a resposta e Demi assentiu fitando os olhos intensos dele.
   - Vai passar rapidinho, e a gente já vai estar juntos de novo. – Joe acariciou o rosto dela antes de beijá-la brevemente nos lábios já que não estavam sozinhos. – E eu venho te ver mais tarde menina. – O sorriso não saía dos lábios femininos. Despedir de Joseph e Lucy foi uma luta, e Sel teve que praticamente arrastar Demi para fora do apartamento.

  - Vocês estão.. grudados. – Comentou Selena enlaçando o braço ao de Demi. – E o Joe está tão fofo, não vou me cansar de dizer que eu sabia que ele era o cara certo para você desde o dia que o vi naquela cama de hospital. – Demi sorriu assentindo. Joe era realmente especial e a fazia se sentir bem, feliz e em paz mesmo no meio de toda a tempestade que era Jake e Dianna. – Dem, você não está se esquecendo da pílula, está? – Perguntou com certo receio quando elas saíram do prédio.
   - Não Sel, eu estou tomando e às vezes a gente usa proteção. – Disse focada em olhar para os lados antes de atravessar a rua. – Ele é muito responsável. – Selena arqueou uma sobrancelha e Demi revirou os olhos corando um pouquinho.
   - Demetria, você é muito sortuda! Ele é muito bonito, e o jeito de menino carinhoso dele é a coisa mais fofa do mundo. – As bochechas coraram, mas como ela precisava implicar com Sel, acabou revirando os olhos e mostrando língua, porém a brincadeira não foi a diante porque dois homens que passavam por elas lançaram olhares tão maliciosos em direção a Demi e tiveram a cara de pau de enchê-la de “elogios” nauseantes. – O que foi isso? – Perguntou Selena de olhos arregalados olhando para trás.
   - Eu não faço a mínima ideia. – Comentou Demi mais confusa que Selena. Tudo bem, os homens às vezes tentavam flertar com ela, ou simplesmente a elogiava sem grandes exageros ou palavras nojentas. – Tem alguma coisa de errado com a minha roupa? – Perguntou cogitando a ideia de estar com o decote da blusa avantajado demais ou algo do tipo.
   - Está tudo no devido lugar. – Disse Sel colocando uma mecha do cabelo castanho de Demi atrás da orelha. – Vamos ignorar, eles devem estar chapados ou coisa do gênero. – Era a melhor saída, porém depois daquele episódio Demi estava em estado de alerta observando se as pessoas olhavam diferente para ela.

***
O frio na barriga era um incomodo agonizante. Seria tão bom se aquela maldita câmera não estivesse escondida na estante. Joe poderia ajudá-la a controlar o nervoso conversando e a beijando ternamente, porém tudo que ele podia fazer era enviar mensagens dizendo que a conferência seria um sucesso. Nem mesmo Selena podia visitá-la no escritório já que ela estava super encarregada com o trabalho. O único ponto positivo daquela tarde na Gyllenhaal tinha sido o carinho das colegas do departamento desejando um feliz aniversário, e mesmo que o sumiço de Jake fosse algo bom, era também aterrorizante.
   - Senhorita Lovato? – Demi tirou os óculos de leitura e sorriu para o jovem estagiário que adentrou o escritório depois de bater à porta. – Pediram para entregar. – Eram lindas rosas brancas, porém não eram as únicas já que o pessoal do departamento tinha a presenteado com um vaso com orquídeas e uma barra de chocolate.
   - Obrigada. – Ela sorriu educadamente para o jovem que em questão de segundos a deixou sozinha.
“Vinte e três anos. Tenho orgulho da mulher incrível que você se tornou. Tenha um excelente dia. – I.L”
Por um momento o ar pareceu escasso naquela sala. O coração batia tão rápido contra o peito que Demi pensou que iria passar mal ou infartar dentro de segundos. I.L significava Inácio Lovato, certo? Era mesmo o que ela estava pensando? As flores tinham sido enviadas pelo homem que a gerou? As mãos estavam trêmulas e a face pálida. Será que ele tinha noção do que aquilo significava?
   - Sel? – Será que ela tinha chamado a melhor amiga alto demais? Metade das mulheres que trabalhavam no departamento olhava atentamente para ela, até porque não era uma cena comum.
   - Você está bem? – Selena tinha se aproximado em questão de segundos e logo atrás dela estava Joseph visivelmente preocupado. – Você está passando mal? – Perguntou Sel adentrando escritório junto a Joe já que ela não queria chamar ainda mais atenção.
   - Na minha mesa. – Murmurou Demi tão pensativa e se sentindo como uma criança assustada. Sel se aproximou da mesa e só depois que leu o bilhete caído perto das flores que ela entendeu o porquê da aflição de Demi.
   - Dem, respira fundo. – Disse Sel apoiando as mãos nos ombros da amiga a induzindo a olhá-la. – Por favor, não fica nervosa. – Alguns meses atrás Demi vivia falando sobre o pai e como queria conhecê-lo, mas depois da revelação de Dianna muita coisa mudou e Sel sabia que, caso não se controlasse, Demi teria um ataque de pânico ou qualquer coisa que a prejudicaria na saúde.
   - Vou buscar um copo com água. – Disse Joe nervoso e ao mesmo tempo sem saber o que poderia fazer para ajudar à namorada. – Você vai ficar bem? – Perguntou a Selena que assentiu. Demi estava tão aérea que mal tinha o olhado, ela estava cabisbaixo e respirava fundo como se estivesse tentando se controlar a pulso.
   - Olha para mim. – Pediu Sel assim que Joe as deixou sozinhas. – Dem, olha para mim. – Tornou a pedir e Demi a olhou como uma criança amedrontada e carente. – Eu sei que tudo está confuso para você, mas nada de nervoso, hoje é o seu dia. Não podemos só aproveitar? Se realmente for o seu pai, eu vou estar aqui para te ajudar com o que for preciso. E eu tenho certeza que o Joe e o Ed também ajudarão. – Ouvir a palavra “pai” a deixou ainda mais nervosa, mas Demi acabou assentindo quando Joe adentrou o escritório trazendo um generoso copo com água.
   - Você está bem? – Ele perguntou acariciando a bochecha dela e se surpreendeu quando foi abraçado com força.
   - Eu vou precisar muito de vocês. – A fala chorosa partiu o coração de Joe e o de Selena. – Mais do que vocês imaginam. – Disse segurando a mão de Sel ainda aninhada nos braços de Joe.
   - Nós vamos cuidar de você. – Joe olhou para Selena que assentiu e então ele beijou a testa de Demi. Era horrível vê-la naquele estado, Demi se mostrava tão vulnerável e mais inocente que uma criança necessitada de atenção e carinho. – Você está melhor princesa? – Eles ficavam tão bem juntos que Sel sorriu os observando discretamente, e foi tão fofo quando Joe beijou brevemente os lábios de Demi.
   - Ei, eu não vou segurar vela para vocês. – Disse Sel um pouco sem jeito, porém feliz. – E tem uma câmera nesse escritório.
   - Eu não tenho mais nada com ele. – Não era simples como parecia, porém era a verdade. Se Jake forçasse a situação, ele só estaria incrementando o currículo com mais um tópico decepcionante. – Acho que é melhor vocês voltarem, não quero causar problemas. – Disse e bebericou um pouco mais da água. – Eu não vou pensar em nada negativo, vou me apresentar na conferência e nós podemos passar o resto do dia juntos, o que vocês acham? – Sel e Joe assentiram aliviados por Demi tomar aquela decisão.
   - Vamos? – Caso Sel saísse sozinha, as pessoas falariam. Então como a boa amiga que era, Selena preferiu fingir que estava mexendo no celular a fitar Joe e Demi trocando um beijo. – Ei, eu estou aqui! – Murmurou puxando o braço de Joe para longe da cintura de Demi já que eles tinham se esquecido que não estavam sozinhos.
   - Eu te amo, nunca se esqueça disso. – Disse Joe olhando fixamente nos olhos de Demi que teve que puxá-lo para mais um beijo.
   - Eu também te amo. – Disse sorrindo para ele, porém Selena quebrou o clima puxando o braço de Joe que não queria soltá-la por nada.
   - Vocês podem namorar depois, mas não quando estivermos nós três juntos. – Murmurou Sel abrindo a porta do escritório em uma brecha ainda centrada em Demi e Joe. – Ei, qual é! – Resmungou quando eles voltaram a se beijar. Será que ela teria mesmo que separá-los? Revirando os olhos, Sel resolveu olhar em direção a mesa onde Ed trabalhava, só que o coração quase saiu pela boca quando abriu um pouco mais a porta e se deparou com Jake.
   - Boa tarde Srta. Gomez. – E o sorriso irritante e convencido estava nos lábios dele. Selena murmurou um boa tarde cabisbaixa porque precisava revirar os olhos. – A Srta. Lovato está? – Perguntou educadamente. O falso ar de educado e inocente era simplesmente irritante! Por breves segundos Selena pensou em inventar uma desculpa, porque caso Jake encontrasse Joe e Demi aos beijos tudo viraria uma enorme encrenca. Porém Joe abriu a porta do escritório mostrando estar sério e centrado. Só os lábios dele poucos avermelhados que o entregava.
   - A gente se fala depois. – Disse Demi ao namorado e a Selena os despachando para que pudessem atender Jake sem arriscar envolvê-los numa confusão desnecessária. – Como posso ajudá-lo? – Perguntou se sentando a cadeira atrás da mesa onde trabalhava.
   - Você.. – Ele se sentou a cadeira livre ficando em frente à Demi. – Hum.. – O sorriso de Jake era assustador, e se tornava cada vez pior porque ele não parava de olhá-la com aqueles olhos azuis frios. – Está preparada para a conferência? – Perguntou sem sorrisos ou olhares estranhos. Demi o olhou nos olhos e assentiu balançando a cabeça. – Dentro de meia hora o carro irá levá-la. – Disse se levantando. – A propósito, bela saia. – Ele saiu da sala sorridente e Demi não entendeu o que aquela frase significava, porém preferiu não pensar a respeito do assunto. Ela já tinha problemas demais. Pegou o bilhete do pai sobre a mesa e o leu novamente. Será que era ele mesmo? E se fosse, o que ele pretendia entrando em contato depois de vinte e três anos?
***

   - Onde diabos você está? – Selena estava uma pilha de nervosos e tudo que Demi fazia era rir do mau humor da amiga.

   - Eu estou me preparando para subir no palco. – Disse Demi depois de alguns segundos já que havia um simpático rapaz a maquiando. A conferência da Gyllenhaal seria um dos maiores eventos de tecnologia e a expectativa era grande em relação ao novo produto desenvolvido por Jason e finalizado por Jake. Todos estavam ansiosos para saber como funcionaria a empresa depois do assassinato de um dos maiores magnatas dos Estados Unidos. E como o evento era importante e classe e elegância dos apresentadores, lá estava Demi no camarim feminino sendo maquiada e repassando o roteiro.

   - Você podia, por favor, falar com os seguranças para me deixar passar? Só eu sei como o seu cabelo fica perfeito. – Demi riu do drama de Sel. Era estranho estar num camarim tão espaçoso e luxuoso sendo um das atrações da noite, ter um rosto familiar a ajudaria a relaxar.

   - Um minuto Sel. – Disse a amiga dividida entre ler a folha de papel onde estavam as instruções para a apresentação. – Será que eles deixam uma amiga ficar nos bastidores? Ela também trabalha na Gyllenhaal. – Perguntou ao rapaz simpático que a maquiava. Se Sel conseguisse acesso aos bastidores seria muito fácil colocá-la dentro daquele camarim.

   - Se ela não foi escalada, provavelmente não. – Disse buscando por um pincel e o usando para espalhar um pó no rosto dela. – Mas nada que uma conversa com a equipe da segurança resolva.

   - Você pode me dá um minutinho? – Perguntou de olhos fechados já que outro pincel trabalhava nas pálpebras. – A Sel vai me matar caso eu não consiga colocá-la aqui comigo. – Quando o rapaz assentiu Demi se levantou apressadamente para ir em direção a saída do camarim, porém a figura de uma elegante mulher morena, alta e loira surgiu bloqueando o caminho. Susan.

   - Meu bem, eu assumo daqui. – Disse esboçando o seu melhor sorriso para o maquiador que sem entender assentiu as deixando sozinha certamente porque sabia que aquela mulher era esposa de Jake. – Demetria, certo? – Engolindo em seco Demi assentiu. Ela definitivamente não esperava encontrar aquela mulher.
Quando Susan deu um passo em direção a ela, automaticamente Demi deu um passo para trás se preparando para revidar o que estava por vir. – Eu só quero conversar. – O sorriso de Susan era sincero, porém era realmente complicado acreditar nas palavras dela. – Por favor, sente-se.

   - Por quê? – Perguntou Demi claramente desconfiada e na defensiva.

   - Você precisa terminar a maquiagem. – O olhar que elas trocaram foi o suficiente para ter certeza que Susan não iria agredi-la fisicamente. Ainda com receio, Demi passou por a mulher sentindo o coração acelerar a cada passo em direção à cadeira. Não era muito inteligente ficar no mesmo ambiente com a esposa do homem que ela estava saindo. – Gosto de como você não deixou a maquiagem esconder as suas sardas. – Comentou se sentando em frente a Demi e buscando por uma das palhetas de sombra. – O Marcus é meu meio irmão e ele não dorme com prostitutas.

   - Eu não sou prostituta. – Murmurou claramente desconfortável.

   - Eu sei. Você é uma mulher bonita. Não foi à toa que o Jake te escolheu. – Foi impossível não engolir em seco quando Susan levou o pincel a sombra escura e o levou à pálpebra esquerda começando a espumá-la levemente.

   - Eu não sabia que ele era casado. – Disse tentando manter a voz firme, mas infelizmente tinha falhado. – Ele não usava aliança e nunca disse que era compromissado. E eu não o stalkei na internet. – O coração estava tão acelerado que Demi arregalou os olhos quando Susan esboçou um sorriso concentrada em maquiá-la.

   - Nós dormimos com o mesmo homem, mas só eu sei como ele realmente é. – Depois daquela frase Demi tinha certeza que não teria coragem para dizer mais uma palavra, pois ela se sentia entre a cruz e a espada, completamente encurralada. – Hoje é o seu aniversário, vinte e três anos. Eu o conheci com a sua idade e em menos de um mês eu estava esperando o meu primeiro filho com ele. – A cada vez que o pincel era maneado o coração de Demi batia um pouquinho mais rápido e a vontade dela era de empurrar aquela mulher e sair correndo. – Depois veio as minhas duas menininhas com apenas um ano de diferença. Todos eles são a cara do pai com aqueles lindos olhos azuis e cabelo loiro. Steve e Savannah são crianças espertas e sentem a falta do pai todos os dias, já minha Summer é pequena demais para sentir a falta dele. – O que ela poderia dizer? Enquanto Susan falava Demi se controlava para não surtar. – Você é graduada numa das melhores faculdades desse país, bolsista integral com notas excelentes. É incrível para uma garota de classe média criada pela mãe e a falecida avó num pequeno apartamento em Manhattan. Você ficaria surpresa com o que uma mulher com dinheiro e um bom detetive pode fazer. – Ótimo, era óbvio que o assunto não seria agradável. Era o momento perfeito para fugir daquele lugar e nunca mais dar as caras. – Você está nervosa? Eu não quero te assustar. – Era uma brincadeira de mal gosto? Ou Susan estava realmente tentando intimidá-la? Quando a mulher ergueu a mão para arrumar o cabelo atrás da orelha Demi quase teve um ataque do coração quando sentiu os dedos em contato com o couro cabeludo. – Você está nervosa? – Tornou a perguntar e Demi assentiu fechando os olhos e balançando a cabeça.

   - O que você quer? – Perguntou respirando fundo.

   - Você é uma mulher bonita Demi, posso te chamar assim, certo? – Não havia muito o que dizer, por isso Demi continuou calada. – É inteligente e tem um bom emprego. Tem matérias na internet sobre a sua amizade com o Jason. Vocês eram bons amigos, era apenas amizade ou tinha algo a mais?

   - Bons amigos dentro da empresa. – Defendeu-se porque não suportava a ideia de alguém pensar que ela agia como a mãe se vendendo por dinheiro. E se Susan sabia sobre todas aquelas informações, era óbvio que ela sabia que Dianna e Amélia eram prostitutas de luxo. – Nós tínhamos uma boa relação no trabalho. Às vezes a gente conversava para desabafar, conversar com o Jason e receber todos os conselhos dele era como conversar com um pai. – Disse fitando os olhos de Susan sem hesitar. Ela jamais deixaria que alguém pensasse aquele absurdo, ainda mais envolvendo alguém tão especial como Jason.

   - Ele nunca comentou sobre o Jake? Eles não estavam próximos nos últimos meses, mas costumavam ser mesmo com toda a distância e a rotina. – Negando com um aceno, Demi fitou os olhos da esposa de Jake e continuou sustentando o olhar. – Você não é a primeira amante e eu sei que está longe de ser a última. – Disse e a palavra amante doeu na alma de Demi. – Eu suporto todas as sacanagens pelos meus filhos. Eles não podem crescer sem um pai, Demi. Não quando eu não tenho ninguém no mundo. A única coisa que eu te peço é que você não atrapalhe nossa vida, deixe as crianças crescerem com o pai, me deixa tentar ser feliz com o meu marido. – Tudo estava tão invertido e bagunçado. Levando a mão à testa Demi respirou fundo preferindo fitar qualquer ponto que não fosse os olhos de Susan.

   - Eu não vou atrapalhá-los, jamais. – Disse se sentindo terrivelmente suja. – Sinto muito Susan, quando eu o conheci, ele não disse que tinha uma família. – Olhá-la nos olhos foi tão doloroso e a revolta só cresceu ainda mais no coração de Demi. E era horrível senti-la misturada a raiva. Como Jake tinha coragem de machucar a própria família? Eram apenas crianças inocentes e uma mulher que parecia ter um bom coração. – Não tenho interesse no Jake. Quando fui ao apartamento dele, foi com a intenção de acabar com o que tínhamos. – Se contasse sobre Dianna e as tentativas de Jake de assediar Selena com certeza estaria partindo ainda mais o coração daquela mulher. Fora todos os absurdos que o envolvia. – Sinto muito, de verdade. – Disse sem desviar os olhos dos dela.

   - Demi, está na hora. – Elas não esperavam que Jake fosse aparecer, e ele muito menos que elas estivessem juntas. Forçando um sorriso para Susan, Demi se olhou no espelho aprovando a maquiagem que tinha valorizado os olhos e corado um pouco mais as bochechas. Jake não as deixou sozinha por nem um minuto. Ele continuava na porta do camarim com cara de poucos amigos esperando. Porém a presença dele, apesar de forte, não acabou com o clima entre as duas mulheres. Só era uma situação muito estranha e consideravelmente desconfortável. – Você é incrível, sabia? – Disse Jake a Demi. Não tinha soado como um elogio, porém também não era uma crítica. Quando saíram do camarim lado a lado, o pessoal os equipou com todos os equipamentos necessários para fazer uma boa apresentação.

Não era a primeira vez que subia ao palco, porém toda às vezes que o fazia, o nervoso tomava conta de Demi a ponto de ela ter que contar de um até dez respirando fundo. Não era um pequeno grupo de pessoas e definitivamente não era como liderar um departamento. A conferência estava montada no Central Park e tinha tanta gente pronta para assisti-los que Demi teve que refazer a contagem tentando controlar a respiração. Até mesmo emissoras de televisão estavam presentes para transmitir um dos maiores eventos do país. Uma das coisas que tinha aprendido quando se apresentava com Jason era que o sorriso não podia sumir dos lábios e a química entre os apresentadores era essencial para o desenrolar do evento. Para a surpresa de todos, incluindo Demi, Jake não estava nervoso e se saiu muito bem cumprimentando a plateia e iniciando a apresentação. Aos poucos ele a intercalava e acabou que, apesar de tudo que tinha acontecido entre eles, juntos se saíram bem apresentando o novo produto.

   - A câmera do nosso Smartphone usa um dos mais novos recursos tecnológicos e apresenta resolução perfeita mesmo em escala máxima de zoom. – O público estava centrado nas explicações de Jake sobre o mais novo smartphone da empresa que realmente estava fazendo muito sucesso. Para exemplificar as especificações da câmera, Jake testou o smartphone em pleno Centra Park fotografando a paisagem, os pássaros e o público e as imagens eram reproduzidas no telão. – A performance é perfeita durante o dia, e também em ambientes com pouca luz. – Disse concentrado no celular. – Por exemplo, você pode flagrar a sua namorada te traindo com o nerd da TI. – Demi sentiu as bochechas esquentarem bruscamente e ela apostava que a face estava vermelha. Jake tinha aquele sorrisinho sarcástico nos lábios e até mesmo tinha a abraçado de lado enquanto todos assistiam ao vídeo. A filmagem não revelava os rostos, apenas as pernas de Joe entre as dela e a mesma maldita saia que ela vestia naquela tarde embolada na cintura. Por diabos a imagem tinha que ser tão perfeita? Jake tinha os filmado na reprografia e Demi cruzava os dedos mentalmente para que o vídeo não fosse longo o suficiente para mostrá-la no ápice nos braços de Joe. – Brincadeiras a parte! – Jake disse ainda com aquele sorrisinho nos lábios pausando o vídeo quando as mãos de Joe apertavam as coxas de Demi. – Por favor, aplausos para a senhorita Lovato que me ajudou a gravar essa filmagem. Vocês perceberam, a saia é igual. – É claro que todos tinham percebido e Demi podia sentir os olhares em direção ao corpo a devorando.

Depois daquele infortuno episódio, o tempo pareceu demorar uma eternidade para passar e Demi estava tão sem graça e deslocada que ficou calada na maior parte da conferência enquanto Jake, literalmente, arrasava tudo. Ele jamais a deixaria em paz nem mesmo com a esposa assistindo tudo de camarote. O pior de tudo era se sentir como um pedaço de carne rodeado de cães famintos. Céus! Ela estava quase nua naquele vídeo. Se não fosse pelo corpo de Joe, certamente os seios estariam a mostra assim como o resto do corpo. Para disfarçar como estava chocada e indefesa, Demi se despediu do público com um belo e falso sorriso. Eles não a conheciam daquela forma. Quando se apresentava em eventos como aquele ao lado de Jason, juntos eles falavam sobre tecnologia como especialistas. Ela participava e tinha coragem de desafiar o dono da empresa na frente de todos em desafios como jogos ou simples teste de hardware e software. Mas naquela tarde tudo que Demi tinha feito foi um papel quase que nulo.

   - Achou que o nerd ia te comer enquanto você ainda estava comigo e não teria troco? – Mal tinham saído do palco e quando Jake a provocou na frente do pessoal dos bastidores Demi não pensou duas vezes antes de acertá-lo com um tapa do rosto.

   - Você não vale nada! – Disse já alterada tentando partir para cima dele novamente, porém a equipe de segurança a segurou facilmente mesmo com todas as tentativas de se soltar.

   - Ninguém mandou ficar de gracinha na reprografia com aquele nerd virgem. Se você estivesse no seu escritório trabalhando como deveria, nada disso teria acontecido. – Ele disse com o rosto próximo ao dela. – Ei pessoal, eu vou passar o número da mãe da senhorita Lovato para vocês. Ela tem um preço salgado, mas sabe chupar um pau como ninguém. – A surpresa era nítida no rosto das pessoas que trabalhavam na Gyllenhaal. Até mesmo risadas Demi ouviu misturadas as de Jake. – Mas quem é especialista em desvirginar nerds é essa garota, e o melhor rapazes, ela não cobra nada. – O sorriso no rosto de Jake era insuportável, ele a olhou e umedeceu os lábios pronto para dizer outra gracinha.

   - Jake! – A voz de Susan o repreendeu e a mulher estava ao lado de Marcus, o que pareceu intimidar Jake que perdeu a pose e o sorriso.

   - Eu estou brincando, não pensem besteiras da nossa melhor designer. Por favor, soltem-na seus brutamontes. – Demi não ficou para saber o que pessoas diriam, porém enquanto caminhava em direção ao camarim para buscar os pertences ela sentiu que os colegas olhavam-na de forma diferente.

   - Eu estou indo para casa, por favor, não quero falar sobre isso. – Disse a Susan assim que a encontrou fora do camarim. Tudo que ela queria era sumir e nunca mais ter que olhar na cara de Jake. Porém ele estava em todos os lugares a irritando com aquele sorrisinho sarcástico. – Vai para o inferno! – Disse e Jake riu na maior cara de pau a atrapalhando de passar no corredor.

Os passos foram rápidos o suficiente para guiá-la para fora daquele lugar antes mesmo de Susan e Jake começarem uma discussão feroz. Não deu para prestar muita atenção nos detalhes que a cercava e nas pessoas que vez ou outra perguntava se estava tudo bem. Mas tudo que Demi pensava era em como ela tinha sido ridícula a ponto de quase ter destruído a amizade com Selena, a chance de viver um amor verdadeiro ao lado de Joe e ter um cara especial como Ed a apoiando.

   - Com licença. – Murmurou tentando controlar as lágrimas e passar pela multidão na porta dos bastidores. Onde estava Selena e Joe? Os rostos diferentes estavam a deixando confusa e em estado de desespero. – Com licença. – Disse educadamente cabisbaixa e acabou sendo empurrada e caindo no chão.

   - Demi? Você está bem? – Sentada na grama Demi franziu o cenho e começou a limpar as lágrimas antes mesmo que alguém a reconhecesse e começasse a fotografa-la naquele estado humilhante. – Vem, deixe-me ajudá-la. – Ela não reconheceu a voz gentil, mas quando fitou os olhos da dona se surpreendeu ao encontrar Mary.

   - O que você está fazendo aqui? – Perguntou porque da última vez que tinha visto Mary, ela estava aos prantos e a caminho da terra natal para enterrar a mãe. – Obrigada. – Disse demonstrando toda a gratidão por Mary ajudá-la a caminhar já que o joelho esquerdo estava levemente ferido e porque ela tinha encontrado um rosto familiar.

   - Resolvi voltar para Nova York, ficar em casa não estava sendo fácil. – Demi imaginava que não era situação fácil. Quando a avó Amélia faleceu alguns anos atrás ela não podia passar na rua do apartamento da mãe que as lágrimas já brotavam nos olhos. – Você está indo para casa? Se quiser posso te dar carona. – Por que a consciência pesava tanto? Primeiro tinha sido Susan e agora Mary. Ela estava sendo gentil e amigável enquanto tudo que Demi conseguia pensar era em como não a queria perto de Joseph e Selena.

   - Eu estou procurando os meus amigos. – Murmurou um pouco desconfortável fitando a incrível paisagem do parque. – Obrigada pela ajuda. – Agradeceu pronta para assumir a caminhada sozinha.

   - Eu os vi aqui perto. Tem certeza que você não precisa de ajuda? – Tudo bem, o joelho estava começando a arder e andar de sapato de salto na grama não ajudava muito. Demi pensou em recusar a ajuda de Mary, mas acabou precisando dela para caminhar e porque precisava encontrar os amigos.

   - Ei, eu estava preocupada! – Assim que avistou Demi, Selena desfez do abraço de Ed e partiu para abraçar a amiga com força. – Você está um pouco pálida, está tudo bem? – Demi olhou para Joseph que estava claramente envergonhado e voltou a olhar para Sel.

   - Só estou um pouco estressada e acabei me machucando. – Disse mostrando o joelho para Selena. – Nós podemos conversar sobre isso noutra hora? – Apressou-se quando percebeu que Sel já iria tocar no indesejado assunto.

   - Dem.. – Joe a chamou quando se aproximou. A voz dele estava carregada de receio e as bochechas coradas. – Eu não queria que você passasse por isso. – Ele disse apenas para ela quando foi abraçado com força. – Eu estou me sentindo um idiota por deixar esse cara te humilhar. – Disse quando Demi o olhou nos olhos. Por que ela tinha que parecer uma menina indefesa e inocente atribuindo mais carga a culpa que ele sentia? – Me desculpa princesa? – Por alguns minutos eles se abraçaram procurando segurança um no outro, e quando Demi ergueu o rosto para olhar os olhos de Joe, ele a beijou suavemente sabendo que ela precisava daquele beijo.

   - Eu te amo. – Disse repousando a testa a dele e Joe deu um rápido selinho nos lábios dela.

   - Vou te levar para o hospital. – Ele disse preocupado fitando o joelho machucado.

   - Não é para tanto. – Ela tinha esboçado o primeiro sorriso espontâneo e verdadeiro da tarde. Até porque quando se tratava de Joseph sempre teriam sorrisos e palavras doces para ele. – Só me abraça, ok? – O sorriso tornou a nascer nos lábios dela quando Joe a abraçou por trás e a beijou na bochecha.

   - Pronta para se divertir Dem? – Perguntou Ed a Demi já que Selena estava entretida demais conversando com Mary. E Demi as olhava com certa curiosidade e até um pouco de ciúme. – Já estou vendo que vocês dois vão nos obrigar a assistir desenho animado pelo resto do dia. – Demi assentiu rindo e sorriu quando Joe a abraçou forte e a beijou sem segundas intenções no pescoço.

   - Princesa, você está tão linda. – Disse Joe a virando para que pudesse olhá-la. – Ela está linda, o que você acha Ed? – As bochechas de Demi coraram quando ela flagrou Joe e Ed a olhando com certa admiração.

   - Eu acho que ela é a mulher mais bonita desse parque. – Ed abraçou Demi e Selena finalmente os olhou nada feliz. – Olha só quem está se mordendo de ciúme. – Demi riu observando como Selena estava a ponto de atacar qualquer pessoa que resolvesse cruzar o caminho dela.

   - Vou deixar o seu namorado em paz, ok? – Aos poucos ela levantou as mãos e vagarosamente desfez do abraço de Ed para ser abraçada por Joe em questão de segundos.

   - Vocês três parecem crianças. – Disse Selena enlaçando os dedos aos de Ed. – O que você acha de passar o dia conosco? Hoje é o aniversário da Dem. – Perguntou a Mary lançando um rápido olhar a Demi que esboçou um pequeno sorriso concordando.

   - Nós ainda não sabemos o que vamos fazer, mas será divertido. – Não seria ruim compartilhar algumas horas ao lado de Mary, ela tinha se mostrado ser uma boa pessoa e precisava de companhia para se divertir um pouco.

   - Você tem certeza? – Perguntou Mary sempre com aquele ar de menina delicada e Demi assentiu sorrindo. Ao meno  ela tentaria fazer aquele resto de dia valer a pena sem pensar em problemas.



Continua.. Oi. Tudo bem com vocês? Eu estou bem. Então.. Por que eu sumi esse tanto de tempo? Nessas últimas semanas me bateu uma bad terrível, eu travei para escrever e sei lá, fiquei realmente muito triste e preocupada com algumas coisas que estão acontecendo na minha vida. Então não consegui escrever, eu tentei, mas não estava saindo nada legal. Não sei se esse capítulo ficou bom, mas eu tentei e espero que vocês gostem. Desculpem essa demora, ok? Tentarei escrever os capítulos e postá-los sem ter que gastar quase três semanas. Obrigada pelos comentários e pelo carinho, vocês são incríveis. Beijo e até o próximo capítulo.

9.2.17

Capítulo 33


            Que tipo de pessoa normal vestia moletom e se cobria dos pés a cabeça numa tarde ensolarada como aquela? Demi fez de tudo para escurecer o quarto, porém as persianas não eram o suficiente para deixá-la no escuro como desejava. De tanto pensar e se culpar a cabeça começava a doer, claro que o choro tinha sido um dos motivos principais. Infelizmente ouvir música nos fones de ouvido não estava ajudando a relaxar. O corpo doeu quando ela se ergueu para acender o abajur e colocar o celular sobre o criado mudo. Sentia-se como uma criança manipulável e estava com vergonha por ter participado daquela trapaça de Jake. Levando as mãos ao rosto, ela mordeu o lábio inferior com força e decidiu que estava na hora de procurar se alimentar e tomar outro banho para que pudesse voltar para cama e quem sabe dormir até o outro dia.

            Os armários estavam começando a ficar puros lembrando-a que estava na hora de ir ao supermercado. O recheio da torta cozinhava a fogo médio e Demi estava perto do fogão atualizando as redes sociais e bebendo iogurte para saciar a fome. A solicitação de amizade no facebook a fez franzir o cenho. Mary? Ela deveria aceitar ou ignorar? A segunda opção pareceu mais atraente... Ao atualizar o feed, Demi revirou os olhos com tanta vontade quando viu que Joe tinha sido marcado numa publicação de Rose... Quem aquela menina pensava que era? Ela cerrou os dentes e de propósito curtiu a publicação e a leu. A cada ponto e vírgula era uma nova revirada de olhos. Ela não se importava de xeretar o perfil de Rose a busca de alguma prova contra Joe, e em troca o recheio da torta quase queimou! Deveria ser castigo apenas por pensar que Joe poderia estar mentindo. Resmungando, Demi preparou a massa desjeitosamente já que os pensamentos estavam na prima de Joe e quando a torta finalmente estava no forno ela aproveitou para tomar banho.

Será que afastar Selena e Joe tinha sido correto? E os tapas que ela tinha dado em Jake? Se ele resolvesse se vingar? Pensar em tudo que tinha acontecido naquele dia a deixaria louca, e por mais difícil que fosse Demi concentrou os pensamentos em coisas boas para que pudesse relaxar e desfrutar do banho. No lugar do moletom que originalmente pensou em vestir, o baby doll a deixou confortável e fresca. A torta cheirava tão bem, sinal que estaria uma delícia, que Demi pensou seriamente em mandar uma foto para Selena para pirraçá-la. Se o cheiro era bom, a aparência era melhor! A forma estava quente e ela sequer procurou pelas luvas térmicas, pegou a toalha de pratos para envolver a forma que foi levada ao balcão aos trancos e barrancos e dedos quase queimados. A primeira fatia não sairia inteira porque o alimento estava quente, mas Demi insistiu e quando iria degustar, bateram à porta. Céus! Ela murmurou um palavrão completamente frustrada. Deveria ser algum vizinho ou o pessoal que cuidava da administração do prédio. Abrir a porta de baby doll seria constrangedor, mas a pessoa insistia tanto que Demi resolveu que abriria apenas uma brechinha da porta sem relevar o corpo.

   - Estou destrancando, um segundo! – Disse assim que a batida soou novamente.

   - Senhorita Lovato, eu não pude fazer nada, ele entrou sem a minha permissão. – Seria difícil escoltar um homem daquele tamanho para fora do prédio julgando pelo tamanho do porteiro. Demi mordeu o lábio inferior para conter um sorriso, mas foi impossível. O perfume de Joseph a fez suspirar e nunca querer largá-lo. E ele estava tão bonito vestido com camisa social e gravata, jeans e all star que ela sorriu de orelha a orelha. E aquele cabelo arrepiado? Ele estava um sonho!

   - Está tudo bem, ele tem permissão para subir quando quiser. – Disse educadamente ao porteiro que assentiu e se despediu com um boa noite a deixando com Joe.

   - Eu sei que você pediu tempo, mas eu não consigo ficar longe de você. – Ele disparou falando claramente nervoso e tão absurdamente lindo sem os óculos de grau. – Se quiser eu vou embora. Eu só precisava saber se está tudo bem. – Jamais deixaria que ele fosse embora. Abrindo mais a porta, Demi deu espaço para que Joe pudesse entrar e quando a fechou, ela sorriu para o rapaz. – Não sei se você prefere vermelha ou branca.. Gosto mais da vermelha, então comprei vermelha. – Não importava a cor daquela rosa, só o fato dele pensar em presenteá-la já era o suficiente.

   - Obrigada, ela é linda. – E o cheiro era maravilhoso. Por alguns segundos Demi fitou as pétalas perfeitas da rosa e só depois foi perceber que havia um pequeno cartão cheio de corações vermelhos e a frase na letra dele: Não importa o que aconteça, meu coração sempre será seu. Algumas lágrimas rolaram pelo rosto feminino e no peito o coração batia mais rápido que o normal, Demi se ergueu e beijou os lábios de Joe com a ajuda dele fazendo daquele beijo o mais apaixonado que poderiam trocar. – Ei, você é a coisa mais fofa do mundo. – Joe beijou a ponta do nariz dela e Demi o abraçou como uma criança abraça o seu ursinho de pelúcia favorito.

   - Então eu posso ficar? – Perguntou todo sorridente mostrando a barra de chocolate para Demi que sorriu de orelha a orelha.

   - Claro que sim! – Ela arqueou a sobrancelha pegando a barra de chocolate da mão dele, que a puxou para mais um beijo. – Você pode comer esse chocolate, certo? – Perguntou ansiosíssima para ouvir a resposta de Joe que assentiu sorrindo. – Então.. – Demi o mordeu no queixo antes de se concentrar em abrir a barra de chocolate. – Esse chocolate é uma delícia. – Joe entendeu perfeitamente o que ela queria dizer. Acariciou o lábio dela antes de selá-los com os dele compartilhando o chocolate de uma forma que o deixou arrepiado e ansioso para beijar aquela mulher linda novamente.

   - Estou feliz que você está bem. – Disse admirando cada traço do rosto dela e o tocando na ponta dos dedos. – E que você me deixou ficar aqui. – Foi impossível não olhar para o decote. Joe o olhou e mordeu o lábio inferior sentindo arrepios e o típico calor começar a dominá-lo. – Você é linda. – As bochechas coraram e ele ficou todo sem jeito quando percebeu que Demi o olhava de sobrancelhas arqueadas.

   - Ei, coisa fofa! – Demi não deixou que ele desviasse o olhar do dela, esforçou-se para beijar a bochecha dele e o abraçar pelo pescoço. – O que você acha da gente comer torta e depois namorar um pouquinho? – Joe assentiu corado e sorriu envergonhado quando Demi o olhou nos olhos mostrando como ela o desejava. – Você pode comer ao menos um pedacinho de torta, certo? Não está salgada e acho que nem muito gorda. – Ela o guiava pela mão em direção a cozinha e Joe não conseguia parar de olhar para o bumbum dela gostando de como ele se movia perfeitamente a cada passo. – Joe? Você está me ouvindo? – Chamou-o buscando por um vaso para a rosa.

   - Eu.. – Umedeceu os lábios e assentiu envergonhado porque Demi tinha o flagrado. – Apenas um pedacinho. – Disse educadamente e Demi riu brevemente caminhando em direção ao armário para buscar por um prato.

   - Fique à vontade! – Ela teve que puxar uma cadeira para que Joe se sentasse à mesa já que ele continuava parado e sem jeito. – Quer que eu corto? – Perguntou o olhando nos olhos e ele assentiu se acomodando a cadeira. – Acho que a gente já conversou sobre isso, não temos motivos para ficar envergonhados, ok? – Ela enlaçou os dedos aos dele e se curvou para conseguir beijá-lo na bochecha. – Eu estava pensando. – Começou a dizer o servindo. – Qual o seu prato favorito? Eu gostaria de cozinhá-lo para você.

   - Não tenho um específico. – Disse tocando os dedos dela com os dele. – Mas provavelmente é lasanha com molho branco e carne. – Ele sorriu quando Demi sorriu e por alguns segundos eles se olharam e então experimentaram a torta ainda trocando olhares e sorrisos. – Não tenho muita experiência na cozinha, mas eu poderia tentar cozinhar o seu prato favorito também. A torta está maravilhosa. – O sorriso dela foi de orelha a orelha e Demi o serviu com mais um pedaço da torta.

   - Também não tenho um prato específico, fico confusa entre pizza, lasanha e strogonoff com muita batata palha. – A careta de Joe a fez rir, ele nunca reclamava de ter que comer comidas saudáveis. – Posso te ensinar a cozinhar, o que você acha?

   - Acho que eu tenho a professora de um.. cozinha mais linda de todas. – Ele a beijou na bochecha e sorriu. – Vou cozinhar verduras e legumes para você. Não podemos acabar com a nossa saúde com essas besteiras, batata palha é uma bomba calórica! – Joe cerrou os olhos quando viu Demi revirar os dela. – Ei! Não revire os olhos, vou fazer você comer alimentos mais saudáveis. – Disse a puxando para o colo e Demi foi de bom grado o acariciando no peito e nos ombros e roçando o corpo ao dele.

   - Você está ficando mais malvado. – Os dedos dela estavam no cabelo da nuca dele o acariciando conforme Joe a beijava no tórax e descia os beijos em direção aos seios. – Que tal você me ajudar a guardar essa torta? – Ela já sabia onde acabariam, e como sempre, Joe não a ajudou com a torta, ele só a beijava no pescoço a abraçando por trás. – Você não tem jeito. – Infelizmente teve que empurrá-lo para que pudesse abrir a geladeira para guardar a torta já organizada numa vasilha de vidro.

   - Eu não tenho culpa se você fica muito bonita com essa roupa. – Até a nuca ele coçou porque não conseguiu controlar como ficou envergonhado por agarrá-la. – Posso te beijar agora? – Perguntou tímido e Demi riu caminhando em direção ao balcão onde estava a barra de chocolate.

   - Vem cá amor. – Chamou-o dividida entre olhá-lo e comer o chocolate. – Isso se chama baby doll. – Disse quando o flagrou observando a renda preta com certa curiosidade. – Você nunca viu uma mulher usando baby doll? – Arriscou a perguntar se lembrando de Rose.

   - Não. – Ele corou, mas levou uma mão a cintura dela para acariciá-la ali. – As únicas mulheres que eu tinha contato quando mais novo eram as da minha família. – Disse fitando um ponto qualquer pensativo. – Baby doll. Acho que eu já vi alguma personagem usando na televisão, eu só não sabia o nome.

   - Como era na fazenda? – Perguntou quebrando o chocolate em tabletes e o ofereceu.

   - À noite a casa sempre estava cheia de amigos da família, principalmente no final de semana. – Disse pegando um dos pedaços de chocolate. – No decorrer da semana eu estudava pela manhã e à tarde trabalhava na fazenda cuidando dos animais e às vezes do pasto quando o meu tio precisava de ajuda. Era muito puxado, e no final do dia eu estava exausto. – Demi pensou na forma como viveu na adolescência e a comparou com a vida de Joe. Eram rotinas e realidades diferentes. Enquanto ela tinha crescido na cidade mais popular do mundo namorando, se aventurando e lutando para conseguir ter uma vida diferente da de Dianna, Joe estava no interior do Texas tendo uma rotina pesada e estudando.

   - Você não passava mal? Imagino que o trabalho era pesado e você é diabético e hipertenso. – Disse um pouco sem jeito e Joe enlaçou os dedos aos dela se escorando no balcão.

   - A vovó me alimentava muito bem, ela sempre dava um jeito de cozinhar os mesmos bolos e biscoitos para mim, só que de uma forma mais saudável. – Ele disse sorrindo ao se lembrar da avó. – Passei mal algumas vezes, mas eu era um adolescente muito ativo e a parte mais pesada ficava para os meus tios.

   - Você tem quantos tios? – Perguntou Demi como sempre curiosa.

   - Cinco tios e três tias. – Ele sorriu quando ela arregalou os olhos. – E muitos primos. – Era tanta gente para lembrar o rosto e o nome, tudo que Joe podia pensar quando se lembrava da família, era da avó liderando e ajudando aquele tanto de gente. – A vovó teve nove filhos, a minha mãe é a única que.. – A respiração dele pesou e Demi o abraçou com força.

   - Eu sinto muito. – Ela disse o olhando nos olhos e Joe assentiu um pouco triste, mas sorriu. – Nós podemos conversar sobre outras coisas. – Demi arrumou a gravata e espalmou o peito dele arrumando a camisa ao corpo.

   - Está tudo bem, às vezes eu fico emocionado quando penso neles, mas nós podemos falar sobre isso. – Disse pegando um dos pedacinhos do chocolate. – Eu tenho uma foto deles. Essa é a minha mãe, Juliana e o meu pai, Antônio. – A foto estava na carteira dele e era simplesmente apaixonante. Nos braços da jovem mulher de intensos olhos verdes e cabelo castanho estava um bebê pequenino e de cabelo escuro enrolado a uma manta, e ao lado dela, estava Antônio a abraçando de lado. Joseph era parecido com o pai nos traços bonitos e másculos e na cor do cabelo, já os olhos eram idênticos aos da mãe.

   - Quantos anos eles tinham? – Perguntou ainda olhando a foto.

   - A mamãe vinte, e o papai vinte e um. – Era de partir o coração. Demi resolveu não olhá-lo porque os olhos estavam marejados e o coração com a sensação de aperto. Eram apenas adolescentes que teriam um futuro muito feliz. – Um caminhão desgovernado bateu no carro dos meus pais. Fui o único sobrevivente do acidente. – A vontade de abraçá-lo era tanta que Demi o abraçou com força e o beijou no peito pensando em como era triste a história de Joe.

   - Eu tenho certeza que eles estão orgulhosos do homem incrível que você se tornou. – Ela disse o olhando nos olhos e em troca Joe a beijou nos lábios cheio de amor e paciência.

   - Eu te amo. – O beijo na bochecha a deixou corada e o sorriso que se formou nos lábios de Joe foi grande e lindo deixando Demi desnorteada e mais apaixonada por ele. – Esses são os meus amigos. – E lá estava Rose ao lado de um rapaz junto a Joseph. As bochechas de Demi coraram porque ela já sabia quem eram os amigos de Joe porque ela tinha o stalkeado. – A minha prima Rose e o meu amigo Derick. – Disse apontando para cada um dos amigos na foto que inclusive Demi já tinha visto no facebook.

   - Você contou para eles que está namorando? – Pela cara dele, a resposta era não. E Demi cerrou os olhos o fitando.

   - Eu vou contar, é só que... – Como ele explicaria a situação para ela? Joe mordeu o lábio inferior e fitou a foto com os amigos. – Acho que a Rose vai surtar, por isso não contei. – Agora tudo estava explicado e as teorias de Demi quase comprovadas.

   - Você e ela? – Perguntou finalmente o que tanto queria o olhando nos olhos e Joe arregalou os dele.

   - Claro que não, eu a vejo de uma forma especial. – Disse como se fosse o maior absurdo do mundo namorar Rose, e realmente era para ele. – Ela gosta de mim da mesma forma que eu gosto de você. Nunca vai acontecer, eu a vi crescer e cuidei dela como se ela fosse minha irmã. Mas mesmo assim não quero magoá-la, vou tentar contar aos poucos, tudo bem? – O alívio foi tão grande que Demi suspirou assentindo. – Quero te levar para conhecer o lugar onde cresci. Nós podemos andar a cavalo, alimentar os animais, tomar banho de rio. – Os dois sorriram imaginando como seria incrível fazer todas aquelas coisas juntos.

   - Você sabe dirigir trator? – Joe assentiu e riu de como Demi parecia surpresa.

   - Trator, colheitadeira, caminhão, a pick up da vovó e moto. – Disse ainda sorrindo e sentindo saudades da fazenda. – Se você tiver sorte e for época de colheita, posso te levar para conhecer o plantio na colheitadeira. A vista da plantação é de tirar o fôlego. – A mente de Demi estava a mil imaginando viver aquelas aventuras com Joe.

   - Seria muito romântico se a gente pudesse passear a cavalo. – Joe assentiu a abraçando por trás e a beijando no pescoço. – Você me mostraria toda a fazenda e.. – Ela suspirou sentindo arrepios tomá-la por conta dos beijos e das mãos dele a tocando.

   - Você vai adorar o coreto, é no pico de um monte, quase ninguém vai lá. – Demi se virou para beijá-lo na boca e colar o corpo ao dele.

   - Você vai me levar caubói? – Ela adorava como ele ficava sexy e absurdamente lindo quando estava excitado. – Qualquer dia você me mata do coração. – Ele sabia como tocá-la, especialmente no bumbum. As bochechas de Demi chegaram a corar quando as mãos dele apertaram aquela região a fazendo gemer e ansiar pelo que estava por vir.

    - Eu adoro quando você faz isso. – Ele disse se referindo a forma como Demi se aninhava ao corpo dele e o acariciava no peito e no membro.

   - Vamos para o quarto? – Aquele era um passo muito importante para Demi. Ela nunca tinha estado com alguém na própria cama, mas com Joe era diferente e a ideia a agradava muito! Aos beijos e carinhos, chegaram ao quarto ofegando e de tão excitada que Demi estava, Joe já estava sem camisa e pronto para ficar sem as calças.

   - Comprei preservativos. – Disse encostando a testa a dela e respirando fundo para que pudesse beijá-la novamente. – Gatinha. – Joe roçou os lábios nos dela e se sentou a cama. – Tira a roupa pra mim? – Pediu a abraçando pelas coxas quando ela pôs-se, ainda em pé, entre as pernas dele.

   - Você quer que eu faça um striptease para você? – Perguntou se curvando para selar os lábios aos dele.

   - Se não quiser dançar, não tem problema. – Ele a beijou abaixo do umbigo e dali mesmo a olhou intensamente. – Só tira a roupa para mim. – As bochechas de Demi coraram, mas ela assentiu depois de beijá-lo profundamente na boca. Como começaria? A única que vez que ela tentou seduzir um homem num “quase”
striptease, tinha sido com André, e não deu certo.. Ela tinha tropeçado no próprio sutiã, o que rendeu muitas risadas do namorado e dela mesma.

Tirar a roupa sobre o olhar intenso de Joe não era uma tarefa fácil. Ele estava calado, o corpo inclinado para trás com as mãos apoiadas a cama e os olhos fixos nos dela. Demi fitou os lábios dele, o peito largo e nu e o volume absurdo na calça. Ele era tão lindo! Quando levou a mão aos próprios seios e os apertou, foi imaginando as mãos grandes dele envolvendo e apertando-a ali. Para provocá-lo e quebrar o ar sério de Joe, Demi desceu a calcinha preta, da mesma cor do baby doll, e a jogou no peito dele. Ele estava tão centrado que apenas sorriu de lado e umedeceu os lábios sem deixar de fitar os olhos dela.

   - Tudo bem querido? – Nem ela mesma sabia que poderia usar aquele tom de voz sensual e cheio de promessas. Mas Joe não respondeu, esboçou um pequeno sorriso ao vê-la apertar os seios e descer uma das mãos em direção ao íntimo.

   - Fica de costas amor. – O Joe tímido e fofo tinha sumido dando lugar a um homem sexy e sério. A voz dele não soou como uma ordem dura e seca, e sim num pedido carinhoso que foi atendido quando Demi se virou aproveitando para jogar todo o cabelo castanho, que antes caía pelos ombros, nas costas. Ela mexeu no cabelo e propositalmente se curvou como se fosse pegar algo no chão. O gemido de Joe foi tão alto e quando Demi ouviu o barulho do zíper descendo, ela se virou para olhá-lo abrindo a calça e tirando o tênis com os próprios pés.

   - Respira fundo, ainda falta a parte de cima. – Foi tão bom sentir as mãos dele tocando a pele dela quando se aproximou e se curvou para beijá-lo na boca. Por um pouco ela pensou em tirar o resto da roupa de qualquer maneira, mas estava tão divertido que antes de voltar a ficar em pé, ela abraçou o membro com a mão mesmo sobre a cueca e o apertou fazendo Joe gemer e suspirar. Pedindo calma a si mesma, Demi respirou fundo e umedeceu os lábios fitando os olhos e logo o membro de Joe. Faltava poucos para tê-lo. Primeiro ela mexeu no cabelo enrolando algumas mechas nos dedos de uma mão enquanto guiava a outra até entre as pernas para acariciá-la em toques lentos e inocentes. Quando a alça esquerda do baby doll caiu, o coração de Demi quase saiu pela boca porque Joe a olhava como um gato faminto. Ela não tiraria aquela peça abaixando as alças e a deixando cair nos pés. Levou as mãos à barra do baby doll e aos poucos relevou a barriga, os seios e passou a peça pela cabeça logo a jogando no chão ficando completamente nua em frente do homem que amava.

   - Vem princesa. – O apelido a fez sorrir de orelha a orelha mesmo corada. A passos delicados Demi caminhou até ele que a sentou de lado no colo. – Você é tão linda. – Disse encantado com a beleza dela e indeciso porque não sabia onde queria tocá-la primeiro, mas optou por tocá-la nos lábios e roçá-los com os dele. – Tão linda! – Demi sorriu com o beijo que recebeu na testa, Joe a beijou na boca e selou os mamilos antes de deitá-la com todo o cuidado do mundo sobre a cama. – Está confortável? – Perguntou colocando uma mecha do cabelo dela atrás da orelha e quando Demi assentiu, ele a beijou na boca e sorriu para ela ficando em pé para que pudesse se livrar do resto das roupas.

   - Eu iria adorar se você dançasse para mim. – Demi sorriu observando como a barriga dele era seca e o peito malhado quando Joe desceu a calça olhando para ela.

   - Quem sabe no dia do seu aniversário? – Sugeriu corado a beijando um pouco acima do clitóris e Demi esboçou um sorriso nervoso, mas ele se levantou para tira a cueca. Foi uma pena, quando Joe levou as mãos as laterais do corpo e fixou o olhar ao dela começando a abaixar a peça bateram à porta.

   - Eu não acredito! – Resmungou frustrada fitando o teto. Ora! Ela morava num apartamento, as pessoas nunca batiam à porta, geralmente o porteiro interfonava para avisar que ela tinha visitas. – Se for a Selena, eu juro que vou despachá-la! – Ela estava indignada! Por que não batiam à porta alguns minutos mais tarde quando ela e Joe estivessem ofegando e completamente suados fitando o teto depois de um orgasmo avassalador?

   - Acho melhor eu esperar aqui. – Seria constrangedor para Joe e para a visita.. Qualquer pessoa notaria aquele volume. Demi riu de como Joe estava frustrado e caminhou até o closet para que pudesse pegar um robe que não revelaria muito do corpo.

   - Eu já volto. – Beijou-o na boca e quando se virou sorriu com o tapinha que recebeu no bumbum. – Você é muito safado! – Joe riu e a abraçou para que pudesse beijá-la mais uma vez.

   - Não demora. – Pediu manhoso recebendo outro beijo na boca e Demi assentiu. Será quem era? A pessoa batia timidamente à porta em pequenos intervalos, porém não desistia. Deveria ser a senhora do apartamento do final do corredor, às vezes ela pedia a ajuda de Demi ou simplesmente levava um pedaço de bolo ou torta para a moça. Respirando fundo e arrumando o robe ao corpo, abriu a porta e no mesmo instante se arrependeu.

   - Senhorita Lovato, mil desculpas, mas eu não pude fazer nada, ela insistiu e disse que estava passando mal. Não pude evitar. – Oh droga! Demi massageou as têmporas e respirou fundo algumas vezes sem saber o que faria.

   - Está tudo bem, mas infelizmente terei que conversar com o síndico. – Disse ao porteiro porque se continuasse ignorando todos os erros que ele cometia, teria sérios problemas futuramente. – Pode descer, eu cuido dela. – O rapaz mesmo receoso assentiu a deixando sozinha com Dianna. – O que você quer? – Perguntou sem rodeios se escorando a porta para impedir que Dianna entrasse.

   - Não podemos conversar aí dentro? – Deveria ser a primeira vez que Demi a via em roupas simples e com pouca maquiagem, porém a bolsa elegante sempre estava a acompanhando.

   - Eu não quero conversar com você. – Disse sem olhá-la nos olhos. – É só isso? Eu tenho coisas mais importantes para fazer. – Ela tentou fechar a porta, mas Dianna a impediu segurando a madeira com a mão e aproveitando para entrar no apartamento.

   - Eu sinto muito! Ele te machucou? – Os arrepios tomaram o corpo de Demi quando ela sentiu as mãos da mãe nos ombros e os olhos a analisando detalhadamente. Por um momento Demi pensou que Dianna estava realmente preocupada, mas então se lembrou de tudo que aquela mulher era capaz de fazer.

   - Você é muito cara de pau! – Explodiu sem paciência andando de um lado para o outro. – Você achou que eu não iria descobrir? E ainda usou a Selena? Eu não sou mais aquela garota inocente que você conseguiu usar uma vez. E eu não vou deixar você me usar como a vovó te usou! – Demi não entendeu o porquê de Dianna franzir o cenho e não se alterar como era de se esperar.

   - O que? Você acha que o Jake estava pagando para dormir com você? – E não era? Tudo estava confuso e Demi queria se livrar logo daquela mulher, a cabeça estava começando a doer e ela sentia que poderia passar mal caso continuasse dividindo o mesmo ar com a mãe por mais tempo. – Ele estava dormindo comigo. – Os olhos marrons de Demi estavam arregalados e ela tinha certeza que vomitaria a torta e o chocolate de mais cedo.

   - Vocês estavam dormindo juntos? – Disse incrédula e umedeceu os lábios ainda sem acreditar no que tinha ouvido. – Você me aconselhou a ficar com ele enquanto vocês estavam dormindo juntos? – Por que diabos tudo sobre Jake tinha que ser tóxico? A cada descoberta sobre aquele homem a deixava cada vez mais decepcionada e com raiva de si mesma, mas pensar sobre Jake e Dianna era capaz de deixá-la doente. – Você estava dormindo com o meu ex? – Ela adentrou os cabelos com os dedos e respirou fundo tentando se controlar para não surtar com Dianna. – Por favor, vá embora. – Definitivamente todas as esperanças sobre aquela mulher estavam mortas. Ela jamais iria conseguir ter uma mãe de verdade, a mulher parada a olhando só tinha a colocado no mundo e nada mais.

   - Confesso que uma parte eu fiz por dinheiro. As coisas com o Jake são mais complicadas do que você imagina. – Começou a dizer tentando se aproximar, mas Demi sempre dava um jeito de se afastar. – Pedi para ele te deixar em paz, eu juro que pedi para ele não te machucar filha! – Os olhos marrons estavam arregalados como os de um animal assustado. Ela só está tentando te manipular. A consciência disse uma coisa e o coração quase saiu pela boca quando ela ouviu a palavra “filha”. – Eu fico preocupada com você todos os dias, sinto falta de brigar com você porque você não acorda quando o despertador toca. Ou quando você pede pizza e me obriga a comer aquela coisa horrível. Eu sinto a sua falta Demi, errei, mas você pode me perdoar porque eu sei que você tem um bom coração. – Cabisbaixo, Demi limpou a primeira lágrima que rolou pelo rosto. Dianna tinha dito tudo que ela sempre quis ouvir, aliás, tudo que ela queria que a mãe sentisse.. Mas o estrago já estava feito. – Eu sei que sou egoísta e que não mereço o seu perdão. Demorei quase vinte e três anos para admitir em voz alta que eu quero você, que eu quero lutar para ser uma mãe que cuida da garotinha dela.

   - Você não vai conseguir me enganar nunca mais. – Disse sem demonstrar nem um tipo de emoção. – Não acredito nas suas palavras. Você sempre me machuca e mesmo assim eu continuo tentando ser boa o suficiente para você me amar, isso não vai mais acontecer. Vá embora, por favor. – A voz continuava intacta sem mostrar a guerra interna que acontecia na jovem. Ela não queria ser mais enganada, mas também queria perdoar Dianna e deixá-la invadir o seu mundo.

   - Não estou mentindo. – Dessa vez Dianna conseguiu tocá-la no braço e fixar o olhar ao da filha.

   - Você dormiu com o Jake enquanto eu estava com ele, o ajudou a manipular a minha melhor amiga, mentiu para mim esse tempo todo e o pior, você sabia que ele era casado e mesmo assim permitiu que eu me envolvesse com ele. É esse o tipo de exemplo que você quer dar para a sua garotinha, mamãe? – Demi forçou um sorriso fitando os olhos da mãe. – Você é uma péssima mentirosa. Por favor, vá embora! – Dessa vez ela não conseguiu controlar o nervoso, alterou o tom de voz com a mãe de maneira tão rude que Dianna se assustou.

   - Demi? – A presença de Joe quebrou o clima tenso entre mãe e filha. – Você está bem? – Perguntou a abraçando carinhosamente contra o peito nu mesmo sobre o olhar atento de Dianna. Demi não o respondeu e quando ele sentiu as lágrimas dela molharem a pele dele o coração partiu em vários pedaços. – Não é um bom momento. – Disse um tanto sem jeito a Dianna. – É melhor você ir embora. – Relutante Dianna assentiu fitando os intensos olhos de Joe.

   - Por favor, cuida dela. – Era estranho ver Dianna sem toda a arrogância e superioridade que sempre a acompanhava.

Sozinho com a namorada, Joe decidiu que era melhor não forçar a barra e apenas abraçar Demi dando o tempo necessário para que ela pudesse se recuperar da visita da mãe. Era uma cruel covardia a forma que Dianna conseguia desestabilizar Demi e machucá-la.

   - Vem princesa. – Ele aninhou Demi no colo e a beijou ternamente na testa deixando que ela escorasse a cabeça no peito dele e fechasse os olhos procurando por um pouco de paz. O tempo não foi problema, Demi cochilou nos braços de Joe e ele também quase o fez quando relaxou o corpo no sofá. – Tudo bem com você? – Perguntou quando abriu os olhos e flagrou Demi o olhando com tanta paixão que ele sorriu levando a mão à bochecha esquerda dela para acariciá-la.

    - Tudo. – Um murmúrio? Joe arqueou uma sobrancelha e a beijou na bochecha tentando animá-la.

   - Vamos, sorria! – Disse deslizando os dedos na barriga dela e Demi riu, mesmo que triste, sem deixar de olhar para os olhos dele. – Você não é a mesma sem o seu sorriso lindo. – Ele disse a beijando no queixo. – Sorria para mim. – Pediu e o sorriso que ela esboçou foi tão lindo e contagiante que Joe também sorriu a olhando nos olhos e a acariciando gentilmente no corpo. – Amo você. – Sedento por carinho, Joe levou uma mão de Demi para acariciá-lo na barba, ele encostou a testa a dela e aos poucos fechou os olhos gostando do carinho dos dedos dela. – Meu coração. – Roçou os lábios aos dela e a mordeu no queixo. – Vai rasgar o meu peito. – Demi sorriu mais interessada em beijá-lo do que em qualquer outra coisa, e ela o fez começando com selinhos até que o beijava pra valer.

   - Eu não queria que você soubesse. – Eles tinham trocado muitos beijos e agora estavam calados e abraçados até que Demi quebrou o silêncio. – Estou com vergonha. – A prova era que ela não teve coragem nem para olhá-lo nos olhos como costumava fazer.

   - Não vou te julgar, não precisa ter vergonha. – Não teve como não ouvir tudo que Demi tinha dito a Dianna. A raiva de Joe em relação a Jake só tinha aumentado. – Que tal se por hoje a gente esquecesse esse assunto? – Sugeriu pensativo e Demi assentiu porque ela ainda precisava de tempo para digerir toda aquela informação. – Vamos sair um pouco? Acho que a gente consegue pegar a sessão das nove e meia.

   - Você quer ir ao cinema comigo? – Perguntou concentrada em deslizar os dedos pelo peito dele. – O que foi? – Sem querer ela tinha puxado o mamilo direito dele, o que resultou numa senhora carranca de Joe.

   - Quero, você não quer? – Joe cerrou os olhos e balançou a cabeça num gesto negativo quando Demi tornou a tocá-lo no mamilo, claro que apenas para entrar na brincadeira dela e fazê-la sorrir lindamente para ele. – Acho que agora estamos quites. – A mão dele envolveu o seio dela mesmo sobre o roupão e o massageou arrancando um gemido baixo de Demi.

   - Eu vou me vestir. – Disse nos lábios dele ainda afetada com o carinho no seio e Joe a beijou e sorriu quando ela se levantou e caminhou em direção ao quarto. Seria bom se eles pudessem sair daquele apartamento para respirar um novo ar e viver novas aventuras. Ultimamente Joe vinha lendo na internet muitos artigos sobre relacionamentos e até mesmo sobre mulheres porque ele não queria que o namoro caísse na rotina e não queria magoar Demi.

   - Demi? – Chamou da porta do quarto com um pouco de receio de invadir a privacidade dela.

   - Estou no closet. – Disse colocando a cabeça para fora do closet. – Vem. – Chamou e ele caminhou até ela um pouco tímido.

   - Tudo bem se eu usar o espelho? – A careta dela o fez engolir em seco, então Demi o puxou pela mão ficando com ele em frente ao espelho e pegou a gravata da mão dele.

   - Você não precisa perguntar se pode usar o espelho. – Disse arrumando a gola da camisa e a região dos ombros. – Ou se pode ligar a televisão, usar o banheiro, abrir a geladeira, sentar ao sofá, mexer na minha coleção de revistinhas. – Quando ela terminou de arrumar a gravata e a camisa, beijou-o na bochecha. – Quero que você fique à vontade como se estivesse em casa, ok? - Ele assentiu a beijando na boca.

   - Já decidiu o que vai vestir? – Perguntou se sentando ao puff tentando ficar à vontade como Demi tinha dito.

   - Não consigo decidir entre esses dois vestidos, qual você prefere? – Foi divertido ajudá-la a escolher um dos vestidos e arrumar o cabelo. E Joe notou como Demi era indecisa para escolher o que usar, mal sabia ela que não precisava de muito para estar simplesmente linda, porém ele preferiu ser paciente a criticá-la, até porque cada pessoa tinha seu jeito.


 
   - Não gostou do vestido? – Mesmo sendo quase nove horas da noite o shopping central de Manhattan estava lotado a ponto de criar um conturbado trânsito de pessoas nos corredores. A felicidade de Joseph era tanta por estar andando de mãos dadas com Demi que ele não conseguia evitar o sorriso que nos lábios. – O azul combina com a minha gravata. – Demi o olhou e sorriu. Ele tinha razão. O azul do vestido combinava com o da gravata e eles deveriam estar parecendo um casal de filme de romance da Disney.

   - Geralmente a Sel me ajuda a escolher o que vestir. – Quando eles passaram por uma loja ela aproveitou para se olhar no espelho. Estava bonita, e o homem que segurava a mão dela era tão lindo que ela o olhou por algum tempo impressionada. – Joe, você não vai dar trabalho, vai? – Brincou rodeando o pescoço dele com os braços, sorte era que a sandália de salto a ajudava com centímetros suficientes para alcançar a boca de Joe, e ele repousou as mãos a cintura dela a puxando contra o corto.

   - Sou um bom menino. – O beijo que trocaram era o suficiente para mostrar que ambos estavam comprometidos. E particularmente Demi ficou muito feliz quando abraçou o namorado e viu que as mulheres que antes olhavam para o homem dela estavam carrancudas. – Vamos? – Sussurrou no ouvido dela aproveitando para beijá-la no pescoço e sentir o corpo feminino se entregar a ele como sempre acontecia.

   - Algum filme em mente? – Perguntou o abraçando de lado para que pudessem caminhar como a maioria dos casais.

   - Não, mas eu acho que a senhorita é muito boa para escolher filmes. – Disse e teve que se curvar para selar os lábios aos dela quando Demi o olhou e fez aquele biquinho que o deixava louco para beijá-la. – Você cuida dos ingressos enquanto eu compro alguma coisa saudável para a gente comer. – Demi assentiu prontamente. Se dependesse dela para comprar comida, ainda mais em um shopping, Joseph passaria mal.

   - A fila está enorme. – Reclamou quando viu a quantidade de pessoas esperando para comprar um simples ingresso. – Joe. – Ronronou manhosa quando ele a abraçou por trás e a beijou no ombro.

   - Volto num minuto, prometo. – Demi se virou para abraçá-lo, ela não queria ficar sozinha e muito menos que Joe andasse por aquele shopping sozinho, as mulheres se atirariam sobre ele na maior cara dura! – Vou fazer o nosso pedido e venho ficar com você, fechado? – Disse pegando na carteira a quantia suficiente para pagar os ingressos e a entregando para Demi. E ela só assentiu quando Joe a encheu de beijos a abraçando com firmeza contra o corpo. – Volto num minuto princesa. – Como sempre acontecia, a troca de olhares entre eles foi intensa e Demi tomou a iniciativa de beijá-lo na boca de forma mais discreta, porém intensa e apaixonadamente. Quando finalizaram o beijo sorriram e se abraçaram um procurando no outro acalmar os ânimos.

   - Tenha cuidado amor. – Disse toda carinhosa e apaixonada acariciando o rosto de Joe e dando um selinho nos lábios dele que retribuiu e relutante a deixou sozinha. De onde estava analisou a fila dos ingressos e murmurou um palavrão, aquilo iria demorar muito! Antes que ela pudesse movimentar a perna para caminhar em direção à fila, alguém familiar no meio da multidão chamou atenção, a pessoa a olhava e o coração de Demi quase saiu pela boca ao notar que aqueles olhos azuis pertenciam a Jake. Ele bateu palmas e assentiu sorrindo para ela, o olhar era tão frio que o medo quase a apavorou. Jake a olhou por mais algum tempo esboçando aquele típico sorriso irônico, até que a esposa dele se aproximou para chamá-lo acompanhada das duas crianças animadas e carregando o bebê no colo. Pobre família e pobre Demi.


Continua... Oi! Tudo bem com vocês? Eu estou bem, aulas voltaram </3 O que vocês acharam do capítulo? Estão gostando da história? Pela reação nos comentários passados ninguém esperava que o Jake fosse casado e pai de três crianças. Cara nojento, ainda teremos mais revelações sobre ele e muitas coisas para acontecer. Obrigada pelos comentários meninas! Em breve postarei, beijo!!!