21.11.16

Capítulo 28 - Parte 2

Faltavam vinte minutos! Vinte minutos para as seis! Desde as cinco Demi caminhava de dez em dez minutos até a janela do escritório e espiava pelas brechas das persianas se ele ainda estava lá. Nos três primeiros dez minutos Joe ainda trabalhava. Ah! Ele ficava tão lindo sério e concentrado. Demi sorria o observando, sorte era que estava sozinha no escritório, pois se Selena estivesse ali com ela.. Oh Deus! Sel não iria parar de fazer piadinhas. Agora, faltando vinte minutos para as seis ele não estava mais lá! Será que ele já estava esperando? Ela tinha passado tanto tempo focada no trabalho que tinha perdido a hora, será? Salvou o projeto e desligou o notebook. Mesmo faltando vinte minutos ela não conseguiria continuar. Estava ansiosa demais para estar nos braços dele, poderia muito bem terminar o trabalho em casa como tinha feito tantas vezes. Ela iria descer, mas ao se lembrar do estado que o encontrou mais cedo preferiu se olhar no espelho antes encontrá-lo. O cabelo castanho estava um pouco bagunçado com algumas mechas fora do lugar e os lábios precisavam de batom. Até que não estava ruim, mas mesmo assim Demi preferiu ir ao banheiro arrumar o cabelo e escovar os dentes antes de passar o batom.

   - Você já vai embora? – Ela sorriu mesmo com a boca suja de creme dental. Aliás, não tinha como não sorrir para Selena. Ela estava tão feliz por tudo estar bem entre elas.

   - Vou. – Murmurou e Selena riu da fala embolada. – Ei! – Ela sorriu envergonhada e secou o rosto na toalhinha que sempre carregava na bolsa. – Você me seguiu Srta. Gomez? – Ela acabou fazendo careta. Quem chamava Selena de Srta. Gomez era Jake.

   - Eu estava curiosa para saber o porquê de toda a pressa. – Disse Selena se recostando na pia do banheiro. – Você passou tão rápido por mim que eu pensei que tinha acontecido alguma coisa.

   - Juro que eu não te vi! – Justificou-se secando a escova na toalha para guardá-la na bolsa. – O Joe está me esperando, nós vamos embora juntos. – Agora era a vez do batom e ela tinha sorte de ter pelo menos três tonalidades diferentes na bolsa.

   - Está tudo explicado. – Sel colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e se aproximou de Demi. – Aquele idiota não nos deixou conversar. Como foi com o Joe essa tarde? – Perguntou começando a pentear o cabelo da amiga quando ela lhe entregou um pente.

   - Ah.. – Começou a dizer passando o batom. – Namoramos um pouco. – Ela sorriu ao olhar para Selena. – E conversamos sobre a minha mãe e o Jake. – As duas fizeram careta. Jake e Dianna eram sinônimos de dor de cabeça. – Ele me disse que está apaixonado. – O sorriso nos lábios dela era tão verdadeiro e feliz que Selena a abraçou calorosamente.

   - Ele é perfeito para você, eu posso sentir. – Disse e Demi assentiu ainda sorrindo. – O que você disse? – Perguntou voltando a pentear o cabelo castanho.

   - Que eu também estou apaixonada por ele. – As bochechas coraram e o coração bateu um pouquinho mais rápido. – E que eu estou apenas com ele. – Selena a olhou pelo reflexo do espelho e Demi revirou os olhos. – Eu não tenho culpa! Foi ele quem me agarrou. – Defendeu-se e Sel assentiu terminando de pentear o cabelo dela.

   - O que você vai fazer Dem? – Perguntou buscando pelo perfume dentro da bolsa.

   - Eu vou contar para ele o que aconteceu hoje no meu escritório. – Disse fazendo careta conforme Selena borrifava o perfume em seu pulso e atrás da orelha. – Não passa muito. – Resmungou e finalmente terminou com o batom.

   - Vai contar que ele te beijou? – Demi franziu o cenho, mas assentiu.

   - Ele tentou te beijar? – Perguntou a olhando e Sel desviou o olhar, porém assentiu desconfortável com a situação.

   - O Ed está para matá-lo. Ele pensa em pedir demissão, mas tem as crianças. Ele precisa do emprego. – Demi assentiu. Em outras condições ela também pedir demissão, mas assim com Ed, ela precisava do emprego.

   - Eu amo essa empresa, mas não é a mesma coisa sem o Jason. Ele faz muita falta. – Até o clima era diferente sem Jason. Quando ainda vivo ele irradiava alegria por onde passava, todo o pessoal gostava de tê-lo como chefe. Já com Jake as coisas eram diferentes. Ele era intimidador e desagradável a ponto de assediar Selena e colocar Joe para limpar o banheiro masculino.

   - Eu tenho medo de como essa história vai acabar Dem. – Disse Selena se olhando no espelho. – A polícia vai descobrir quem matou o Jason, e se ele estiver envolvido? Muita coisa vai mudar. – Demi assentiu pensando nas palavras de Selena. Jake poderia ser o pior canalha do mundo, mas ela achava que aquela possibilidade era absurda demais até para ele.

   - Está bom? – Perguntou caminhando para se olhar no espelho que poderia se olhar dos pés a cabeça.

   - Está linda. – Selena sorriu a olhando e Demi sorriu de volta. – Você vai ficar no seu apartamento ou vai para o da sua mãe? – Perguntou esperando que Demi pegasse a bolsa para que elas pudessem sair juntas.

   - Ainda estou pensando, mas acho que vou para o apartamento dela. Eu realmente quero saber até quando ela vai ficar me enganando. – Disse aquelas palavras com tanto desgosto. Mais uma vez Dianna tinha a machucado, só que dessa vez estava doendo mais.

   - Ah! Eu queria ficar com você essa noite. – Demi a abraçou de lado e beijou-lhe exageradamente a bochecha.

   - Eu queria dormir de conchinha com você de novo. – Confessou manhosa e Selena riu. – Foi muito bom! Mas eu acho que se o Ed souber que a gente está dormindo de conchinha ele vai ficar ainda mais bravo comigo.

   - Talvez. – Disse Selena rindo quando Demi correu os dedos em sua barriga fazendo cócegas. – Ele está bravo com você, mas ele se preocupa muito Dem. – Quando elas chegaram à sala principal do departamento onde ficavam os mini-escritórios observaram Ed ainda trabalhando.

   - Eu vou pedir desculpa, mas eu ainda não estou preparada para levar uma senhora bronca. – Confessou e Selena a abraçou por trás repousando a cabeça na curva do ombro da amiga.

   - Você vai ouvir um sermão. – Disse e Demi gemeu em desgosto. – Se você resolver dormir em casa me liga, nós precisamos começar a planejar o seu aniversário, é na semana que vem. – As bochechas de Demi ficaram tão coradas e ela assentiu tímida. Nem mesmo se lembrava de que já estavam em Agosto e que naquele mês ela fazia aniversário. Selena sempre se lembrava e fazia questão de comemorar.

   - Tudo bem Sel. – Disse a olhando. – Eu vou descer, o Joe já deve estar me esperando. – Faltavam cinco minutos para as seis e ela estava começando a ficar nervosa para encontrá-lo. – Eu te amo muito, muito e muito. – Demi se virou e abraçou Selena calorosamente.

   - Eu também Dem. – Sel sorriu a olhando nos olhos. – A gente se vê, qualquer coisa me liga, ok? – Elas trocaram olhares amorosos e mais um abraço de urso. O que tinham era tão especial! Demi olhou pelo menos duas vezes para trás enquanto caminhava para longe de Selena. Sorriu e acenou. Selena era simplesmente a melhor amiga que uma mulher poderia ter. Ainda feliz e nostálgica por se lembrar de todos os momentos felizes ao lado de Sel, Demi adentrou ao elevador e esperou pacientemente que ele chegasse ao térreo. Ela estava feliz por saber que encontraria Joe a esperando com aquele lindo sorriso estampado no rosto. Estava tão apaixonada que se pudesse não faria nada além de estar nos braços dele.

Quando o elevador finalmente chegou ao térreo Demi sorriu ansiosa e caminhou pelo hall sentindo o coração acelerar a cada segundo. Será que estava tudo nos conformes? Ela não tinha exagerado no batom? A cada passo ela se aproximava mais da saída do prédio e já podia vê-lo em pé. Ele era tão lindo! Demi não conseguia parar de pensar em como ele ficava bonito sorrindo e corado. E aqueles olhos verdes com aquele brilho inocente? O sorriso dos lábios de Demi sumiu quando ela a viu. O que diabos ela fazia ali? E o principal: com ele? Mary distribuía sorrisos encantadores e de onde estava podia ouvir a risada. Ora, ela não era tímida? Demi revirou os olhos e a feição já não era mais alegre. Joe tinha sorrisos e bochechas coradas para Mary. Aquilo não estava certo.

   - Joseph. – Chamou-o quando se aproximou e a conversa dos dois acabou. Ela queria ser irônica e fazê-lo ficar sem graça por estar todo saidinho conversando com Mary, mas sabia que era demais.

   - Oi Dem. – Joe sorriu para ela e Demi não hesitou em revirar os olhos para ele. Ao menos um olhar feio ele merecia, não? Ela levou a mão à cintura e olhou para Mary esboçando o seu melhor sorriso.

   - Olá Demi. – Mary esboçou aquele sorrisinho educado e Demi mordeu o lábio inferior se aproximando mais de Joseph. – Nós estávamos conversando sobre você agora pouco. – Disse e Demi olhou de Mary para Joe de sobrancelhas arqueadas.

   - É mesmo? – Ela não queria ser irônica, mas era inevitável!

   - É. – Disse Mary umedecendo os lábios entendendo o que estava acontecendo ali. – O Joe estava contando sobre a noite que ele te salvou no beco escuro. – Completou e Demi assentiu sorrindo.

   - E vocês estavam rindo? – Não seja ciumenta e irônica! A consciência gritou. Deus! Ela não gostava de Mary nenhum pouquinho. Aquela garota inocente não a enganava, tinha alguma coisa muito falsa e estranha com Mary. Ninguém era sorridente e feliz como ela era.

   - Não! Claro que não. – Apressou-se Mary e Joe franziu o cenho sem entender o porquê de Demi estar tão estranha. – Joe, eu já vou. – O sangue de Demi ferveu quando Mary pôs-se na ponta dos pés para conseguir beijar a bochecha do SEU Joe. Só ela poderia chamá-lo de Joe! – Quando eu chegar em casa eu vou responder os seus emails. Nós realmente temos que marcar para reler Morte em Família, vai ser muito divertido. – Demi estava boquiaberta. Desde quando Mary gostava das histórias do Batman? Era o SEU herói favorito e o SEU Joe. Ela iria passar mal. – Demi. – Mary apenas a olhou sem sorrisos e virou as costas. UAU.

   - Você demorou gatinha. – Ora. Agora ele sorria para ela? Demi desviou o olhar de Joe e respirou fundo algumas vezes. Ela não teria um ataque de ciúmes. Não teria! Não era necessário fazer um show por causa de uma garota. Ou era? Mary tinha o beijado! Demi umedeceu os lábios e forçou um sorriso para Joe.

   - Eu estava conversando com a Sel. – Disse enlaçando os dedos aos dele e em troca Joe deu um rápido selinho nos lábios dela. – São seis e cinco, não demorei muito. – Disse assim que conferiu a hora no celular.

   - Ah! Eu acho que tem um tempinho que estou te esperando. – Demi sorriu quando ele a olhou apaixonado. – Senti saudade. – Disse corado. Ele era simplesmente fofo. Joe sorriu tímido, desviou o olhar do dela e logo voltou a olhá-la.

   - Eu também senti saudade amor. – Eles pararam de caminhar quando Demi abraçou Joe pelo pescoço e olhou para cima. Ele era tão alto e mesmo usando salto ela ficava pequenina perto dele. Sorriam um para o outro e os sorrisos se alargaram quando o vento bagunçou o cabelo castanho de Demi e Joe arrumou as mechas que caiam sobre os olhos dela atrás da orelha.

   - Você é tão linda baixinha. – Ele acariciou a maçã da bochecha com o polegar e curvou-se para beijá-la, mas ele acabou fazendo como os casais de filmes românticos: roçou o nariz ao dela num beijinho de esquimó e finalmente a beijou na boca cercando o corpo dela com os braços. – Está ficando frio. – Ele disse quando Demi o abraçou repousando a cabeça no peito. – Não está com frio? – Perguntou quando ela o olhou com aqueles olhos marrons bonitos.

   - Um pouquinho. – Demi se sentiu mal por ter ficado irritada com ele. Joe era inocente e com certeza não era um canalha que iria traí-la. Se tinha alguém que era culpada era Mary. Prova da inocência de Joe era como ele continuava agindo normalmente e tinha a envolvido com a jaqueta dele.

   - Agora você vai ficar quentinha. – Ele disse a abraçando de lado e Demi sorriu o olhando. Ele ficava bonito com o cabelo levemente bagunçado. – Como foi no escritório? – Ele perguntou olhando para os lados para que pudessem atravessar a rua.

   - A Sel me ajudou com o projeto, estou quase terminando. – Graças aos detalhes que Selena tinha modificado o projeto estava ficando fantástico e Demi tinha certeza que o público iria adorar.

   - O Jake perturbou muito? – Ele perguntou a olhando e Demi engoliu em seco, desfez o abraço e respirou fundo. Caramba, ela estava encrencada.

   - Ah, você sabe como ele é insistente e chato. – Murmurou sem jeito e Joe riu, mas franziu o cenho quando percebeu que não era só aquilo o que Demi tinha a dizer. – Ele me beijou. – Disse o olhando nos olhos. Ele não parecia feliz. – Eu não pude fazer nada. – Tornou a murmurar se sentindo péssima.

   - Por que você só está me contando agora? – Ele disse minutos depois.

   - Por que a gente só está falando sobre isso agora? – Ela forçou um sorriso, mas Joe a olhou tão feio que Demi preferiu olhar o movimento da rua que como sempre estava lotada de pessoas e carros.

   - Você não terminou com ele? – Perguntou sustentando o olhar dela e Demi balançou a cabeça em negação. – Isso complica as coisas. – Ele disse coçando o cabelo da nuca. – É claro que ele vai te beijar, ele pensa que vocês estão juntos. – Demi respirou fundo e parou de caminhar.

   - Joseph, não funciona assim! Nós estávamos tratando de assuntos da empresa, e eu não vou levar os meus assuntos pessoais para a Gyllenhaal, é antiprofissional. – Tentou se explicar e Joe arqueou as sobrancelhas e esboçou um sorriso tão irônico quanto o dela quando mais cedo.

   - Ele te beijou! E foi dentro do seu escritório enquanto vocês tratavam de assuntos da empresa. – Ele disse fazendo aspas no ar quando disse tratavam e Demi cerrou os olhos não acreditando naquela situação. – E você já levou os seus assuntos pessoais para empresa Demi. A gente passou boa parte da tarde na reprografia, isso é bem pessoal, você não acha? – Ela revirou os olhos com tanta vontade. – Eu não gosto desse cara e eu não o quero perto de você! – Finalmente disse emburrado e Demi balançou a cabeça em negação.

   - E eu não quero aquela ridic.. A Mary perto de você! – Ela estava louca para jogar aquilo na cara dele. – Ou você acha que eu não vi a forma como vocês estavam conversando? Nós realmente temos que marcar para reler Morte em Família, vai ser muito divertido. – Ela gesticulava as mãos imitando Mary e quando terminou teve vontade de esbofetear o homem a sua frente. – Tão bonitinhos trocando sorrisinhos. – Ela poderia ganhar o prêmio de melhor pessoa irônica. – Eu não gosto dela! Ela está louca por uma oportunidade para te fisgar e você não perceberia nem mesmo se ela desenhasse! – Ela tinha dito tão alto que algumas pessoas que estavam passando os olharam e Joseph ficou vermelho de vergonha.

   - Nós somos apenas amigos. – Ele murmurou e Demi sorriu balançando a cabeça.

   - Desde quando amigos se beijam? – Os olhos dela carregavam tanta magoa. Lembrar-se daquele dia partia o coração de Demi. – Vocês se beijaram! É óbvio que vocês não são apenas amigos. – Ela arrumou a bolsa no ombro e franziu o cenho quando olhou para Joe.

   - Ela me beijou! E nem foi um beijo de verdade, foi só um selinho. – Ele disse envergonhado. – Não existe nada entre a gente, nós somos realmente apenas amigos. – Ele tentou se aproximar, mas Demi deu um passo para trás. – Dem, é sério, nós somos apenas amigos, nem tocamos no assunto do beijo. – Tentou se explicar e Demi mordeu o lábio inferior colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha. – A gente só conversa sobre quadrinhos, não tem nada demais. – Ela precisou de alguns minutos para pensar no que faria. Eles só estavam começando aquele relacionamento e já estavam brigando.

   - Olha, eu não quero brigar. – Disse finalmente o olhando nos olhos. – Eu só não gosto dela porque eu sei que ela quer ficar com você. – Joe franziu o cenho e Demi assentiu. – E eu sei que você não gosta do Jake. Joe, eu não quero mais ficar com ele, mas é complicado, preciso de um tempo para pensar no que vou fazer. – Joe adentrou os bolsos da calça com as mãos e assentiu sério. – É uma situação delicada e eu juro que estou fazendo o melhor que posso para evitar os toques dele.

   - Eu não gosto dele. – Tornou a dizer. – Não gosto mesmo e eu o quero o mais longe possível de você. – Ele estava tão sério que chegava a ser sexy. – Eu não vou responder por mim caso ele tente fazer alguma coisa, aquele cara é um idiota e eu não gosto dele. – Demi riu. Ele era fofo até com ciúme! As bochechas levemente coradas e o cenho franzido. Ela o abraçou e riu o olhando.

   - Não precisa repetir que você não gosta dele amor. Eu já sei, ok? – Ela o beijou no peito e sorriu quando Joe a abraçou com força. – Eu também não gosto da Mary e quero que ela fique o mais longe possível de você. – Por mais que estivesse brincando por imitá-lo, Demi falava sério. – Não gosto nenhum pouquinho. – Ela suspirou quando Joe a beijou na boca a segurando gentilmente pela cintura.

   - Eu já sei que você não gosta dela gatinha. – Ela queria mordê-lo e fazer tantas coisas inapropriadas com ele. Abraçou-o de lado e lançou alguns olhares feios as mulheres que o olhava. Joe era bonito demais e chamava a atenção feminina. – O Ed insistia que eu tinha que esquecer você, por isso que ele me apresentou a Mary. Eu nem sei por que ela me beijou naquela noite, sempre deixei claro que éramos apenas amigos e que eu gostava de você. – Demi assentiu pensativa. De certa forma a culpa era dela por ter escolhido Jake a Joe.

   - Eu me lembro de que você a abraçou e comprou sorvete para ela. – Disse a contra gosto e Joe franziu o cenho. – Você gosta dela? – Perguntou intrigada conforme ela se lembrava daquela noite.

   - Demi! Eu não gosto dela, eu gosto de você. – Disse a olhando. – Gosto só de você! – Ele disse como se fosse óbvio e Demi murmurou alguma coisa que ele não entendeu.

   - Se você comprar sorvete para ela de novo eu vou ficar muito brava. – Disse o olhando e Joe assentiu prontamente. – Aliás, se você comprar sorvete para qualquer outra garota eu vou ficar muito brava Joseph. – Ele tornou a assentir e Demi gemeu manhosa o beijando no peito. – Você só pode comprar sorvete para mim ou para a Sel. A Selena é a única mulher que eu confio no mundo, ela nunca vai me trair. – Que conversa estranha era aquela sobre sorvete? Joe sabia que era melhor assentir a contrariá-la. Ele não sabia lhe dar muito bem com mulheres bravas, quando Clara ficava nervosa a vida dele virava uma verdadeira confusão. E olha que Clara era apenas a avó.

   - Eu costumo comprar sorvete para a minha prima. – Ele disse já pensando em como Rose ficaria histérica de raiva quando descobrisse que ele tinha alguém. – É apenas a minha priminha, nós somos como irmãos. – Disse quando ela o olhou feio.

   - Tudo bem. – Ela não poderia proibi-lo de interagir com a família, poderia? Claro que não! Seria totalmente estúpido e ela só tinha ciúme de mulheres que afetavam diretamente a sua relação. – Eu acho que vou para o apartamento da minha mãe. – Disse assim que notou que estava em frente ao prédio que morava.

   - Eu te levo lá, tudo bem? – Demi enlaçou os dedos aos dele enquanto fitava o prédio que morava.

   - Você se alimentou bem hoje? Eu não quero que você passe mal por culpa minha. – Ela tinha ficado tão traumatizada quando ele passou mal dias atrás enquanto caminhavam para casa.

   - Não vou desmaiar, me sinto bem e me alimentei no horário certo. – Demi assentiu o olhando. Ela não se sentia à vontade com a ideia de caminhar sozinha mesmo nas ruas movimentadas de Nova York, não quando sabia que aquele bandido nojento estava à solta e a machucaria caso a encontrasse.

   - Joe, que dia é o seu aniversário? – Perguntou alguns minutos depois quebrando o silencio. Se eles iriam ficar juntos ela precisava saber daqueles pequenos detalhes.

   - Quinze de Agosto. – Ele sorriu amarelo quando ela o olhou de olhos arregalados.

   - O seu aniversário é em dois dias e você não disse nada?! – Demi revirou os olhos. Joe poderia ser um amor, mas ainda era um homem que não se importava com aquele tipo de coisa!

   - O que eu iria dizer? – Ele disse arqueando as sobrancelhas e Demi mostrou língua. – E o seu aniversário? – Perguntou e ela sorriu animada.

   - Vinte de Agosto. – Não era uma data que costumava ser feliz, mas de certa forma Demi estava animada com a ideia de passar o aniversário com Joe, Selena e Ed. – A sua cor favorita? – Perguntou.

   - Verde. E a sua?

   - Não se pergunta qual a cor favorita de uma Designer amor. – Ele precisaria fazer uma nota daquele pequeno detalhe. – Mas eu gosto muito de rosa e roxo. – Rosa e roxo. Ele se lembraria. – Sua banda favorita?

   - Eu não sei, não tenho uma banda favorita. – Por que ela precisava saber aquele tanto de coisa? Joe franziu o cenho pensando que ele precisava conversar com Ed sobre garotas. Tinha um monte de cosias que ele precisava saber... – Acho que Aerosmith, Pink Floyd ou Guns. – Eram as únicas bandas que ele conseguia pensar.

   - Não gosta do Michael Jackson? – Perguntou curiosa e Joe assentiu. – Ele é o meu cantor favorito. – Disse orgulhosa e Joe sorriu. Ela era linda e tagarela. – Eu quase morri quando ele morreu, se não fosse a Sel eu ainda estaria deprimida. – Foram meses difíceis e Dianna tinha ficado tão brava por saber que a filha não queria nem mesmo ir à escola.

   - Eu não sei onde é o apartamento da sua mãe. – Disse sem saber se virava à esquerda ou à direita. E então Demi disse que eles deveriam virar à esquerda.

   - Essa é definitivamente a melhor padaria de Manhattan. – Ela apontou discretamente para a Rocco’s assim que eles passaram pela padaria. – Se você quiser alguma massa integral os meninos com certeza terão. Eles cozinham muito bem. – Joe a analisou e arqueou as sobrancelhas a olhando.

   - Estou de olho nesses meninos. – Disse enciumado e Demi sorriu o abraçando de lado.

   - O que você quer fazer no seu aniversário? – Perguntou fitando o céu já escuro e carregado de estrelas brilhantes. A noite em Nova York era tão fantástica.

   - Eu não sei, ano passado a vovó fez uma torta integral e os meus primos cantaram parabéns. – Comentou se lembrando de como ele tinha ficado vermelho de vergonha quando os primos começaram a cantar a parte do “Com quem será, com quem será, com quem será que o Joseph vai casar?”. – Foi muito.. muito constrangedor. – Demi riu o olhando, ele estava vermelho. – Talvez a gente possa fazer alguma coisa legal, passear ou apenas ficar juntos. Acho que estaria de bom tamanho. – Ele se curvou para ajudá-la a beijá-lo quando ela tentou sem muito sucesso. – E você? O que quer fazer no seu aniversário? – Perguntou por que sabia que Demi com certeza tinha alguma coisa planejada, ela era uma mulher e mulheres adoravam festejar e todas aquelas coisas.

   - Eu não gosto de comemorar o meu aniversário. – Disse pensativa. – Não tenho boas lembranças dessa data. Quando eu era pequena a minha mãe sempre ficava mais agressiva exatamente nesse dia, acho que se não fosse a vovó eu apanharia mais que o normal no meu próprio aniversário. – Dianna ficava impossível e conforme os anos se passavam Demi tinha aprendido que era melhor sumir da vista da mãe a implorar para que elas comemorassem juntas. – Quando eu conheci a Sel nos passamos a comemorar juntas. A tia Mandy fazia uma torta e a gente comemorava: eu, a Sel e os pais dela. Era divertido. Ano passado nós fizemos a torta, mas eu e a Sel passamos à noite na balada. – Até a forma que Demi contava sobre o aniversário era triste. E realmente era. Uma criança apanhar no dia do próprio aniversário? Era deprimente e absurdo.

   - A gente vai fazer alguma coisa bem legal. – Ele disse sorrindo para ela. Ele não gostava de comemorar porque não tinha costume, mas por Demi estava disposto a fazer de tudo para vê-la sorrir.

   - Nós chegamos. – Ela preferiu mudar de assunto. Pensar no aniversário a fazia lembrar que Dianna não a amava e que ela era fruto de um crime bárbaro. Sem contar todas as lembranças terríveis da infância que tinham acontecido exatamente naquela data.

   - Tem certeza que quer ficar aqui? – Joe perguntou a acariciando no rosto e Demi assentiu de olhos fechados gostando de sentir o carinho que ele fazia.

   - Eu preciso fazer isso. – Ela beijou os dedos dele quando Joe lhe acariciou o lábio. – Obrigada por me trazer aqui, eu não conseguiria sem você.

   - Eu não vou deixar nada de mal acontecer com você. – Ele repetiu aquela promessa e Demi sorriu.

   - Tenha cuidado no caminho para casa, ok? – Ela levou as mãos ao rosto dele quando Joe se curvou para beijá-la. Podia passar toda a noite o beijando daquela forma apaixonada e lenta. A sensação de estar nos braços de Joe era tão pura e diferente de tudo que Demi já tinha vivido. Ele era especial e a fazia se sentir viva e amada.

   - Tudo bem. – Ele a beijou na testa e a olhou nos olhos. – Me liga se precisar, não importa o horário. E se precisar eu venho te buscar. – Demi assentiu e o beijou delicadamente.

   - Boa noite Joe. – Ela sorriu e o beijou na bochecha.

   - Boa noite ga..gatinha. – Céus! Ele corou e gaguejou e foi definitivamente fofo. Demi acenou e ele começou a caminhar ainda a olhando.

Alguns minutos depois e ela finalmente subiu para o andar do apartamento da mãe de elevador. Não sabia se estava preparada psicologicamente para o teatro de Dianna, mas teria que enfrentá-la e participar daquele jogo. – Ok, você consegue. – Disse baixinho enquanto procurava a chave do apartamento. Era só fingir como Dianna fingia. Ela não sabia como aquela história acabaria, mas mostraria para aquela mulher repugnante e Jake que ela não era uma menina manipulável. Por alguns segundos Demi cogitou a possibilidade de bater à porta, pois a chave parecia estar se escondendo dentro da bolsa, mas ela a achou e destrancou a porta do apartamento. Tudo estava em silêncio. E era muito cedo para alguém estar dormindo até mesmo para Dianna que sempre dizia que dormir fazia bem para a beleza de uma mulher. – Mãe? – Chamou conforme adentrava o apartamento e nada. – Mãe? – Demi ouviu uma movimentação estranha vinda do quarto de Dianna e resolveu bater à porta. Houve alguns múrmuros e ela franziu o cenho ao ver uma peça de roupa jogada perto da porta. Era uma gravata? Antes mesmo que pudesse identificar o que era aquela peça Dianna abriu a porta vestindo nada mais que um robe de seda preto.

   - Demetria! Você não avisou que viria. – Ah não! Demi sentiu as bochechas corarem bruscamente quando ela percebeu o que estava acontecendo.

   - Você está com um cara? – Perguntou sem rodeios. – Eu pensei que você não fazia mais isso. – Murmurou completamente desconfortável. Era como acontecia quando ela era pequena, só faltava Dianna gritar e agredi-la. Chegar da escola e encontrar um homem diferente em casa era confuso.

   - Eu preciso de dinheiro. – Defendeu-se e Demi se sentiu terrivelmente enjoada.

   - Se você precisava de dinheiro era só me pedir. – Disse chateada. – Não precisava fazer isso. – Ela odiava toda aquela situação e a decisão de Dianna de continuar se prostituindo.

   - É graças a isso que você teve o que comer, vestir e um teto para morar. – Dianna a puxou pelo braço em direção à sala. Não importava o que Demi pensava, ela sempre teria orgulho do trabalho.

   - Não por opção. – Ela falava baixinho, pois sabia que a mãe ficaria nervosa caso ela estragasse as coisas. – Olha, eu vou para o meu apartamento. – Era melhor ficar longe a discutir com Dianna. Não seria bom para ninguém.

   - É melhor. – Demi a olhou claramente decepcionada, mas o que ela queria? Era Dianna! Ela nunca iria mudar. Sempre teria aquela sede insaciável por luxo, era a única explicação. As contas estavam pagas e tinha comida nos armários, Demi nunca a deixaria passar privações. Quando saiu daquele apartamento se sentindo como a velha menina indefesa, Demi discou o número de Joe e pediu que ele a esperasse. Só nos braços dele ela se sentiria bem e segura.

   - Era a Demi? – Dianna fechou a porta do quarto e desfez o laço do robe se despindo.

   - Ela já foi. – Disse quando estava completamente nua. Jake não estava diferente dela. Estava nu e esparramado na cama.

   - Seria fantástico se ela se juntasse a nós. – Ele disse sorrindo mostrando suas covinhas e lançando o seu melhor olhar safado quando Dianna se deitou na cama.
   - Não diga besteiras. – Ela franziu o cenho e o acertou com um tapa quando Jake cobriu o corpo dela com o dele. – Você vai deixá-la em paz? – Perguntou quando ele começou a beijá-la no pescoço. – Ela não sabe de nada Jake. – Dianna odiava quando Jake esboçava aquele sorriso esperto e balançava a cabeça assentindo negativamente.

   - A sua filha é uma mulher linda. – Ele disse e a mordeu na orelha. – E deliciosa. Eu não preciso pagar para fodê-la Dianna. – Jake sorriu segurando as mãos de Dianna um pouco acima da cabeça dela. – A única coisa que eu quero com ela é sexo. – O corpo se encaixou ao dela e ele a beijou ferozmente. – E o nosso relacionamento só acaba quando eu disser que acabou.



Continua... Oiiiii! Tudo bem com vocês? Acho que esse foi o capítulo dessa fanfic que eu escrevi mais rápido! Comecei ontem e terminei de madrugada, espero que gostem. Resolvi fazer uma segunda parte porque achei que o Capítulo 28 ficou incompleto, sem contar que vocês precisavam saber o que aconteceu entre o Joe e a Mary - Obrigada Brunna por me lembrar ;* - Então está aí. Espero que gostem, ainda tem muita coisa para acontecer nessa fanfic! E sim, eu vou responder cada comentário!!! Fiquem espertas, tem muito spoiler nas minhas respostas hehehe Beijo e muito obrigada pelas visualizações e os comentários! 

16.11.16

Capítulo 28

   - Dem? Está tudo bem? – Quantas vezes tinha ouvido aquela frase Demi não sabia, mas toda vez assentia murmurando um longo “Aham”. Observava a vista de Nova York pela janela do escritório naquela tarde. Os arranha-céus eram lindos bem estruturados e modernos, o movimento de pessoas e carros na rua era o como o de sempre: lotado. Porém Demi não estava focada no movimento da rua e na beleza da cidade como gostava de fazer quando precisava de inspiração para voltar a trabalhar. O corpo estava presente, mas ela estava em outra dimensão ouvindo as palavras de Selena ecoar em sua mente toda vez que se lembrava da noite passada. Jake e Dianna. Era uma farsa e infelizmente ela tinha caído em mais uma armadilha da mãe e do coração... Até quando ela iria continuar quebrando a cara? Jake tinha a enganado com tanta facilidade! – Ei, você está aí? – Sel perguntou a abraçando por trás e logo a beijou na bochecha.

   - Eu preciso pensar. – Murmurou tristonha e em troca Selena a beijou na curva do pescoço e soprou naquela região sensível só por que sabia que Demi acabaria rindo.

   - Vamos, não faz essa cara. – E novamente Selena a beijou no pescoço e sorriu quando viu um pequeno sorriso nos lábios de Demi. – Você é muito bonita para ficar com essa cara emburrada. – Disse descansando a cabeça no ombro de Demi que finalmente cedeu e aninhou o corpo ao dela.

   - Ei, eu já disse que eu não curto garotas. – Ela sorriu para Selena e lhe fitou os lábios brincando para descontrair o clima.

   - Foi você quem quis dormir de conchinha e me agarrou a noite toda. – Demi riu, virou-se e envolveu Selena num abraço de urso apertado.

   - Não sei o que eu seria sem você. – Disse manhosa. – Obrigada por cuidar de mim e por aturar todos os meus surtos. – Murmurou e Selena a beijou na testa.

   - Não vou deixar ninguém te machucar. – As duas se olharam com tanta ternura, sorriram e tornaram a se abraçar.

   - Eu também não vou deixar ninguém te machucar. – Selena sabia que era verdade e assentiu.

   - Acho que eu posso segurar as pontas por aqui por alguns minutinhos. – Começou a dizer massageando os ombros de Demi. – Por que você não vai falar com o Joseph? Não quero que você fique pensando na sua mãe e no Jake, não vai te fazer bem. – Demi franziu o cenho, desfez o abraço de Sel e fitou a papelada sobre a mesa. Ela estava literalmente atolada em trabalho e não conseguia pensar em nada, a não ser em toda a confusão que Dianna tinha a metido.

   - E as suas coisas? – Perguntou fitando o notebook e algumas pastas de Sel sobre o sofá.

   - Está tudo bem, eu me viro depois. – Disse empurrando Demi em direção à porta. – Vou dar uma olhada no seu projeto e mexer nas cores, tudo bem? – Demi assentiu. Selena tinha bom gosto e sempre escolhia cores que faziam toda a diferença nos detalhes. – Não demora e se comporta, ok? O Joseph é tímido e muito inocente. – Demi corou bruscamente, mas riu abrindo a porta do escritório. Ela só precisava de uma boa desculpa para se aproximar de Joseph sem que as colegas desconfiassem de alguma coisa. Aquela mulherada era intimidante quando queria e Joseph ficaria todo atrapalhado, o que seria fofo, mas era maldade com o rapaz.

E lá estava ele concentrado digitando agilmente no teclado do notebook, vez ou outro parava para escrever na papelada sobre a mesa. Demi franziu o cenho fitando cada detalhe daquele homem. A camisa xadrez de mangas cumpridas que Joe vestia era a mesma camisa de quando eles se conheceram na pizzaria, a única diferença era que a camisa não estava para dentro da calça. Ele era sexy e bonito. O cabelo estava penteado de lado e algumas mechas escuras estavam um pouco bagunçadas, o que deixava Joseph fofo. Os óculos e a barba feita eram detalhes que o deixava ainda mais bonito e estonteante. Demi flagrou pelo menos duas de suas colegas fitando Joseph. Por que ele tinha que ser tão bonito?

 Seria impossível se aproximar de Joseph sem levantar suspeitas.  Até porque quando ela puxasse Joseph pela mão o levando para um lugar privado todas aquelas mulheres a olharia desejando estar no lugar dela.

“Virando à esquerda da máquina de café, no final do corredor, tem a reprografia, estou te esperando lá.”.

 Demi esperou que Joe lesse a mensagem e quando ele leu ela caminhou sem pressa alguma em direção à reprografia desviando das câmeras de segurança e cumprimentado o pessoal que encontrava pelo caminho. A reprografia pouco tinha sido usada já que em cada mesa havia uma impressora instalada. Demi verificou o movimento no corredor já que a máquina de café nunca ficava parada e discretamente virou à esquerda e caminhou a passos rápidos tentando não fazer barulho com o salto do sapato e adentrou a sala, que como ela tinha pensado estava vazia.

Será que ele iria aparecer? Não tinha nenhuma mensagem de Joseph e conforme os minutos se passavam Demi ficava cada vez mais nervosa e ansiosa para que ele abrisse logo aquela porta e a beijasse na boca ferozmente. Ela estava começando a imaginar coisas que eram impossíveis de acontecer e quase surtou quando se viu pelo reflexo na tela do celular. Por que diabos ela não tinha passado no banheiro? O cabelo estava um pouco bagunçado e os lábios precisavam de batom.

   - Droga.. – Murmurou se ajeitando para ir ao banheiro antes que Joe adentrasse aquela porta, mas foi só ela dar um passo que a porta se abriu e lá estava ele.

   - Desculpe a demora. – Joseph sorriu para ela enquanto arrumava os óculos ao rosto. – Tive que ajudar uma moça com a máquina de café. – Arqueando as sobrancelhas e logo cerrando o olhar, Demi balançou a cabeça em um gesto negativo. Ela não costumava ser ciumenta, mas Joseph era muito bonito e inocente que todo cuidado era pouco.

   - Aposto que ela fez de propósito. – Disse quando Joe a abraçou pela cintura e a acariciou na bochecha.

   - Você está com ciúme? – Ele disse sorrindo e Demi revirou os olhos, mas assentiu o beijando no queixo.

   - Você tem noção de como está bonito? – Demi sorriu o olhando nos olhos, abraçou-o apertado e o sorriso se alargou quando Joe a segurou gentilmente pela cintura. – Eu acho que o meu coração vai rasgar o meu peito. – Disse contra os lábios dele. Ela o olhou nos olhos por alguns segundos sem saber o que dizer, era inexplicável a forma como Joe a fazia se sentir. O coração disparado, as borboletas no estomago e aquela mania de pensar nele vinte e quatro horas por dia.

   - Eu estou completamente apaixonado por você. – Ele disse. As palavras suaves. Os dedos da mão direita deslizaram pela bochecha esquerda até que Demi fechou os olhos e quando os abriu fitou a imensidão verde que pertencia a ele.

Era ele. Levando as mãos ao rosto de Joe, Demi o acariciou emocionada. Abraçou o corpo com força se sentindo segura e feliz só por estar com aquele homem. Ela sentia que não precisava de mais nada, era apenas ele.

   - Eu também Joseph. – Disse o olhando nos olhos e o sorriso dele lhe aqueceu a alma. Ele era tímido demais, fofo e encantador. Era o homem que ela queria compartilhar o mundo. Por alguns minutos se olharam, trocaram sorrisos e beijos, Demi o encostou a bancada da sala e deu um jeitinho de se aninhar a ele.

   - Quero tanto te beijar. – Ele inverteu as posições facilmente segurando Demi pela cintura, respirou fundo fitando os lábios dela então os beijou com paixão. As mãos correram das costas onde os dedos enrolaram-se nas mechas castanhas do cabelo feminino até a cintura onde a apertou contra o corpo, o que resultou num gemido entre o beijo. Foi puro instinto quando ele a sentou na bancada e aprofundou o beijo cada vez ofegando conforme Demi lhe puxava o cabelo da nuca e deslizava a mão pelo peito. Ela o acolheu entre as pernas e Joe franziu o cenho sentindo arrepios quando o volume da calça dele foi roçado pelo corpo dela intimamente.

   - Me toca Joseph. – Ela pediu interrompendo o beijo para dizer aquelas palavras e olhá-lo nos olhos. Os olhos ardiam de desejo, mas ele ainda era inocente e inexperiente. Voltando a beijá-lo devagar, Demi guiou uma mão dele para sua coxa esquerda e a outra mão ela decidiu ser ousada e a guiou para o seio direito. – Eu preciso que você me toque meu amor. – Disse baixinho. A voz dela era sexy e quando Joe a fitou nos lábios logo nos olhos ele franziu o cenho. Puxou-a até que ela ficou em pé com o corpo dele a imprensando contra a bancada. As mãos apertaram com gosto o traseiro feminino como ele tinha sonhado fazer tantas vezes. Era tão bom apertá-la! Demi era uma mulher cheia de curvas excitantes e de encher os olhos de qualquer homem. Durante o novo beijo que trocaram Joe não sabia onde tocá-la, mas optou por deixar uma mão no traseiro enquanto a outra ele levava timidamente até o seio dela para segurá-lo já que ele não tinha coragem de apertá-la ali. Era tímido demais para caricias ousadas como aquelas. – Está tudo bem? – Perguntou adentrando a camisa dele com as mãos e Joe assentiu arrepiado. Aquele abdômen era um pecado! Ela gemeu excitada sentindo todos aqueles gominhos e os pelos daquela região. A pele de Joseph era quente e macia. As mãos subiram pelas costas largas e Demi se esfregou a ele gemendo.

   - Dem? E se..se alguém entrar? – Ele estava nervoso. Foi preciso de alguns segundos para que Demi voltasse a si e percebesse que estava pegando pesado com ele. Joe era muito tímido e acariciá-lo como ela fazia não ajudaria em nada...

   - Eu.. – Ofegou se controlando para não fazer uma loucura com aquele homem. – Você é tão lindo. – Disse o abraçando carinhosamente. – Acho que peguei um pouco pesado. – Ela o beijou no peito e ficou quieta abraçada ao corpo dele.

   - Eu..eu queria muito, muito mesmo, que a gente continuasse. – Confessou levemente corado a olhando nos olhos e ela sorriu. – Mas daqui a pouco vão notar nossa falta. – Ela entendeu o que ele queria dizer e assentiu. Seria frustramente demais ser flagrada no meio de um amasso. Joe ficaria vermelho de vergonha, principalmente se estivesse excitado como na noite passada.

   - Nós podemos conversar um pouco. – Sugeriu sem soltá-lo e Joe também não o fazia. Tinha os braços aos arredores da cintura delicada dela gostando de tê-la aninhada ao corpo dele. – Quase ninguém vem aqui. – Comentou, mas na realidade ela estava focada em ouvir os batimentos cardíacos dele. – Eu gosto tanto de ficar com você Joe. – Disse distribuindo beijinhos pelo peito dele e Joe sorriu levando a mão ao rosto dela para acariciá-lo.

   - Eu também gosto de ficar com você. – Ele plantou um beijo nos lábios dela e fitou aqueles olhos castanhos até que os dois riram e trocaram outro beijo, um beijo lento e quente. – Você é linda. – Elogiou sorrindo para cada detalhe do rosto dela. Ele gostava de como o cabelo era castanho e de tamanho médio. Combinava com a pele clara dela e aqueles olhos amorosos e femininos de um castanho lindo. Ah! E aqueles lábios deliciosos de beijar? Estavam avermelhados e levemente inchados por conta dos beijos que eles tinham trocados. Demi era toda bonita e encantadora, e ficava adorável quando corava como ela tinha acabado de fazer. – Sou um cara de sorte. – Ele disse sorrindo e Demi revirou os olhos, mas sorriu e o beijou na bochecha.

   - Quando duas pessoas estão apaixonadas uma pela outra.. – Começou a dizer e sorriu quando Joe roubou um beijo. – Elas trocam apelidos carinhosos. – Completou e o beijou na bochecha. – Acho que eu vou te chamar de amor, tudo bem? – Perguntou fitando os olhos lindos dele e Joe assentiu a beijando na boca.

   - Você parece uma gatinha. – Disse beijando a ponta do nariz dela. – É manhosa e dá muito trabalho para acordar. – A risada dela era encantadora e de menina. Joe sorriu fitando os olhos castanhos que fitavam os dele e tornou a selar os lábios nos dela.

   - Joe. – Chamou-o. Estava abraçada a ele tinha minutos. Estavam calados e um fazia carinho no outro. – Sinto muito por tudo que o Jake te fez passar. – Ela disse tendo que erguer a cabeça para olhá-lo nos olhos. – Por que você não me contou? – Perguntou.

   - Eu tentei. – Disse levando os dedos a bochecha dela. – Tentei várias vezes, a Selena também, mas sempre acontecia alguma coisa para nos atrapalhar. – Ela assentiu. Sentia-se idiota por não conseguir enxergar quem Jake realmente era enquanto ele abusava dos amigos na maior cara de pau.

   - Eu me sinto idiota. – Disse fechando os olhos para sentir o carinho que ele fazia em seu rosto. – Minha mãe me colocou nessa roubada. – Disse baixinho ainda de olhos fechados. – Eu pensei que ela tinha mudado e que gostava pelo menos um pouquinho de mim, mas eu estava enganada. Eu fui tão idiota! Se eu fosse mais esperta eu.. – Era o que mais doía. Dianna tinha fingido tão bem todos aqueles sorrisos e preocupações. Por algum momento Demi pensou que finalmente teria uma mãe de verdade.

   - Você não tem culpa de nada. – A voz soou firme e ele a olhou no fundo dos olhos. – Só não acredite mais no Jake. Ele é perigoso. – Demi assentiu prontamente. Ela estava com tanta raiva de tudo que Jake tinha feito que não o queria mais em sua vida. – O que você vai fazer com a sua mãe? – Ele perguntou repousando as mãos nas costas dela ainda a envolvendo no abraço.

   - Eu quero saber até onde ela vai com essa história. Até quando ela vai continuar mentindo para mim. – Demi descansou a cabeça no peito de Joe e fechou os olhos. Ela tinha pensado em tantas teorias que envolviam Dianna e Jake. Uma coisa era certa, Dianna não estaria envolvida com Jake caso ele não tivesse dinheiro. Era sempre dinheiro o que ela queria, funcionava como um segundo oxigênio. Demi sabia que o amigo que Dianna queria que ela conhecesse no dia dos pais, dia do qual as duas tiveram uma terrível briga, era Jake. Provavelmente era ele. Era muita coincidência ele estar no mesmo pub que ela naquela noite.

   - Você tem certeza? – Ele perguntou com receio. Não queria que Demi se machucasse mais com aquela história.

   - Eu preciso fazer isso. – Disse o olhando. – Preciso colocar um ponto na minha história com ela. – Só de pensar em não ter Dianna por perto a entristecia, mas era necessário. A mulher era sinônimo de problema e nunca permitia que a filha fosse feliz. – E eu preciso de mais provas para denunciar o Jake. – Sussurrou aquelas palavras no ouvido dele e Joe franziu o cenho e lançou aquele mesmo olhar de reprovação de Clara a Demi.

   - Nós vamos discutir isso depois. – Disse nada contente. Era perigoso demais! – Não quero que você se envolva em mais confusões. – Ele deu uma rápida olhada no cômodo procurando por câmeras, porém não tinha nada, não em lugares visíveis..

   - Eu vou ficar bem amor. – O apelido carinhoso o fez sorrir e ele beijou os lábios dela. – Joseph! – Ela riu quando ele a abraçou apertado e a beijou na testa.

   - Não seja teimosa. – Disse naquele tom brincalhão e Demi riu o abraçando pelo pescoço. – Eu vou cuidar de você, não vou deixar ninguém te machucar. – Demi roçou os lábios aos dele e quando se preparou para acariciá-lo, o celular vibrou no bolso da calça.

   - Por que você sempre atrapalha os meus melhores momentos? – Disparou assim que atendeu a ligação de Selena.

   - Você já resolveu aquele problema? – Demi a conhecia muito bem para saber que Selena estava completamente estranha e tensa.

   - Que problema Sel? – Murmurou de cenho franzido olhando para Joe e foi aí que ela percebeu o que estava acontecendo. – Ah sim! Claro, eu já estou voltando para o escritório.

   - Tudo bem, não demora. – Pobre Selena! Demi revirou os olhos só de pensar no que teria que enfrentar.

   - Acho que o Jake está no meu escritório. – Disse a contragosto e Joe fechou a cara. – Ei! – Ela distribuiu beijinhos pelo rosto dele, mas Joe continuou com cara de poucos amigos. – Eu estou com você, apenas com você. – Disse o olhando nos olhos.

   - E você já disse isso para ele? – Perguntou ainda sério.

   - Não tive a oportunidade, mas eu prometo que eu vou falar com ele. – Demi o abraçou e o beijou na esperança de Joe ao menos sorrir. – Eu vou falar com ele. – Tornou a dizer o olhando nos olhos e Joe assentiu envolvendo o corpo dela com os braços.

   - Eu não quero parecer infantil, é só que.. – Começou a dizer colocando uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. – Eu não quero te dividir com ninguém, principalmente com aquele idiota. – Demi assentiu. O sentimento era recíproco.

   - Eu vou falar com ele. – Disse o olhando nos olhos e Joe assentiu a beijando no topo da cabeça. – Agora nós temos que ir antes que ele tente fazer alguma coisa com a Sel. – Ela pôs-se na ponta dos pés para arrumar o cabelo dele. Joe estava tão fofo emburrado. Ela o beijou e o mordeu no lábio inferior fazendo as bochechas dele ficarem vermelhinhas.

   - Estou ansioso para as seis, vou te esperar no lado de fora do prédio gatinha. – Demi assentiu e eles trocaram um último beijo, pelo menos ela tinha pensado que era o último, Joe a beijou pelo menos três vezes antes que saíssem daquela sala. – As seis.. – Sussurrou logo atrás dela e Demi assentiu um pouco corada quando ele roçou os dedos aos dela e apressou o passo caminhando na frente.

Seria interessante chegar ao escritório com alguma coisa em mãos. Demi passou na mesa de Selena e pegou uma das pastas, acenou para Ed e se preparou psicologicamente para adentrar o escritório. Ela estava com tanta raiva de Jake que teria que fazer um esforço enorme para não dizer poucas e boas para ele. Ninguém mexia com Selena! Ela sempre defendia a amiga com unhas e dentes e estava se odiando por não poder sequer xingar aquele canalha.

   - Boa tarde. – Ela tentou ser educada e profissional. Adentrou o escritório sentindo o olhar de Jake acompanhá-la até que ela se sentou a cadeira e guardou a pasta de Sel entre as suas. – Obrigada por cuidar de tudo Sel. – Agradeceu. – Você já pode ir. – As duas trocaram rápidos olhares, mas Selena acabou assentindo.

   - Acho que a Srta. Gomez poderia nos servir café. – Aquele sorriso cínico e nojento. Demi engoliu em seco e olhou para Sel que assentiu prontamente. Ela estava com medo. Céus! Selena não tinha medo de nada! – Sabe princesa. – Começou a dizer se levantando do sofá e desabotoando os botões do paletó de cor cinza. – Eu senti a sua falta. – Os olhos azuis dele estavam próximos dos dela, Selena já não estava mais no escritório e Demi se sentiu apavorada por estar sozinha com aquele homem. – O que foi? O gato comeu a sua língua? – Ele perguntou esboçando aquele sorriso charmoso. Se quisesse que ele acreditasse ela teria que ser tão boa quanto ele.

   - Nós estamos no trabalho Jake. – Estava desconfortável e o toque de Jake lhe causava repúdio. Era errado. Mesmo ele estando apenas segurando a mão dela.

   - Eu estou com saudade. – Ele disse. A voz séria e os olhos fixos aos dela. – Hoje à noite no meu apartamento, o que você acha? – Ela não esperava que ele a beijasse, ele o fez e foi ousado a ponto de tocá-la nos seios no processo em que levava a mão à cintura feminina.

   - Eu tenho que trabalhar. – Não era uma mentira. Ela tinha muito trabalho para fazer fora do expediente. Os beijos dele antes eram uma tentação, agora eram nojentos e Demi se sentia suja.

   - Você trabalha demais, não acha? – O que ela iria fazer? Demi respirou fundo quando os lábios dele migraram do pescoço para o busto. Ele não se atreveria! – Você é tão linda Demi. – Onde ela poderia clicar para ele sumir dali? Jake desabotoou o primeiro botão da blusa e quando desabotoaria mais botões Selena abriu a porta do escritório para salvá-la. O alívio foi tão grande que Demi relaxou na cadeira quando Jake se levantou e se aproximou da prateleira onde provavelmente a câmera estava escondida.

   - O que o traz ao meu escritório? – Ela e Selena brigavam entre olhares. Demi não queria ficar sozinha com Jake e Selena não queria ficar mais um segundo na presença dele. – Sel! – Disse baixinho aproveitando que Jake estava de costas.

   - Quero saber como está o projeto gráfico. A conferência é daqui uma semana. – Ainda tinha aquela maldita conferência! Demi o convidou para sentar-se ao sofá e ajudou Selena a servir o café. Infelizmente Jake ainda era o dono de toda aquela empresa, o que fazia dele o chefe de todos.

   - Eu estou trabalhando nos detalhes finais. – Um pouco nervosa ela se levantou e buscou o notebook que estava sobre a mesa. A proximidade de Jake foi completamente desagradável enquanto ela mostrava detalhes do projeto, mas fazia parte do fingir que não sabia de nada.

   - Está ficando muito bom. – Demi forçou um sorriso para ele e Jake roubou um selinho. Como ela explicaria aquilo para Joe? Ele não ficaria feliz e tinha razão em não ficar.. – Eu tenho que voltar para o meu escritório. – Foi um alívio ouvir aquela frase, por um pouco Demi sorriu. – A gente se vê princesa. – Ele tornou a beijá-la e ela teve que ceder para que não ficasse estranho e ele desconfiasse. – O café estava ótimo Srta. Gomez. – Selena nada disse. Ora, Jake não tinha tocado no café! E ela não fazia questão! O ar melhorou bastante quando ele saiu daquele escritório e as deixou em paz.

   - Ainda bem que ele era o seu namorado, não o meu. – Murmurou Selena mal humorada e Demi limpou os lábios num guardanapo. Agora ela tinha um problema seriíssimo para tratar com Joe.

Continua... 
Será que a Demi vai contar para o Joe sobre os beijos e tudo mais do Jake? Será qual vai ser a reação dele? Obrigada pelos comentários! Já estou melhor depois de uma semana de cama 😥💔💔 Até o próximo capítulo, vou responder os comentários, é que estou postando pelo celular!

12.11.16

Aviso

Oi, tudo bem com vocês? Passei para avisar que estou doente, por isso não postei o Capítulo 28, mas já comecei a escrever e provavelmente semana que vem eu posto, beijo!.

2.11.16

Capítulo 27

Cheia de histórias e risadas, à noite no hospital não foi ruim. Tinha sido semelhante às noites em que Joe estava acamado com um corte abaixo da costela esquerda depois de salvar Demi no beco escuro. O único detalhe que diferenciava tudo era a forma como ela o olhava e vice-versa, como trocavam beijos enquanto liam os HQs e jogavam os jogos de celular abraçados.

Não era muito tarde, o relógio marcava nove e meia da manhã. O dia lá fora estava lindo. O sol brilhava no céu azul com poucas nuvens suave e lindamente. Era um domingo radiante na famosa Nova York. Entretanto a beleza do dia não tinha chegado ao quarto de hospital. As persianas bloqueavam a luz do sol e não era possível ouvir o canto dos pássaros. Tudo estava quieto e calmo.

Na cama, Joe franziu o cenho ainda sentindo o corpo dolorido e pensou em voltar a dormir. Ele tinha acordado mais cedo para tomar insulina e desabou em sono. Estava cansado e ainda se recuperando. Mas quando os olhos dele fitaram a mulher deitada de mau jeito na poltrona, a ideia de voltar a dormir pareceu nunca existir. O coração acelerou, os olhos estavam atentos e as bochechas levemente coradas. Ele queria se levantar daquela cama e buscar Demi para deitá-la com ele.

Como era possível uma mulher ser tão linda como ela? Joe piscou algumas vezes para confirmar que ele não estava delirando com a visão do paraíso. A mulher era real e no dia passado tinha o beijado tanto! Os cabelos médios estavam jogados de lado, era uma linda bagunça de mechas marrons suaves e sedosas. A pele alva do rosto com algumas sardinhas estava levemente corada, principalmente na região das bochechas. Os lábios dela mesmo sem um pingo de batom pediam para ser beijados. E céus! Um arrepio estranho cruzou o corpo dele quando os olhos se depararam com a camisa que ela vestia. O símbolo da Mulher Maravilha sobre os seios femininos era demais. As bochechas estavam tão vermelhas que o rapaz se sentiu culpado e desviou o olhar daquela região. Porém não deu muito certo, os olhos pousaram exatamente no bumbum avantajado coberto pela calça jeans e Joe não soube o que pensar, engoliu em seco e franziu o cenho procurando não olhar para Demi. Por que diabos ele estava em estado de alerta e sentia o corpo sensível? Para completar o quase ataque cardíaco que sofria, houve a batida à porta. Agora sim ele estava atrapalhado e vermelho, e sabia que iria gaguejar.

   - Bom dia. – A enfermeira adentrou ao quarto carregando uma bandeja com o café da manhã. Joe evitou contato visual e disse baixinho um bom dia. Ele sabia que a enfermeira era aquele tipo de mulher que o deixava todo atrapalhado com os olhares sinuosos que lançava ao corpo dele. Será que as pessoas não notavam que ele era tímido? Aliás, MUITO tímido a ponto de gaguejar? – Como está se sentindo hoje? – A mulher sorriu e ele engoliu em seco murmurando um “bem” ainda sem olhá-la. Aceitou a bandeja e corou sentindo a enfermeira olhá-lo. – A sua amiga desobedeceu as nossas regras. Ninguém é permitido fora do horário de visita.

   - E..eu pedi que ela ficasse. – Joe não a olhou, pois sabia que ele iria se atrapalhar todo e acabaria derrubando a bandeja no colo.

   - Vou aferir a sua pressão. – Não tinha como recusar. Um pouco sem jeito Joe colocou a bandeja sobre o criado-mudo e puxou a manga esquerda da camisa para que não houvesse grandes contatos físicos. Ele estava cansado de hospital e enfermeiras taradas. – Você mora aqui na cidade? – Assentindo, Joe rezou pedindo que aquela tortura acabasse logo. Aquele procedimento estava demorando.

   - Está tudo bem? – Não gaguejou, mas a voz soou baixa.

   - Tudo normal Sr. Jonas. – A mulher parecia satisfeitíssima por ouvir a voz dele. Liberou o braço da braçadeira e se afastou. – Qualquer coisa é só chamar. – Cabisbaixo Joe assentiu e finalmente respirou fundo aliviado. Ele olhou para Demi e sorriu ao perceber que ela suspirava durante o sono. Era a segunda vez que aquela enfermeira o visitava no dia e Demi sequer se mexeu.

Na bandeja tinha comida suficiente para ele e ela. Joe só não sabia como iria acordá-la. Antes de tomar qualquer decisão o rapaz caminhou até o banheiro onde lavou o rosto e escovou os dentes da forma que podia: apenas com o creme dental e água já que não tinha a escova de dente ali com ele. Tudo bem, é só a Demi. Pensou se preparando psicologicamente para sair do banheiro e acordá-la.

Demi estava tão linda dormindo que Joe queria envolvê-la em seus braços e esperar que ela acordasse no tempo dela. Mas não foi o que ele fez. Sorriu ao vê-la. Colocou os HQs e o celular que estavam no colo dela sobre o criado-mudo e se agachou em frente à poltrona.

   - Demi, acorda. – Chamou colocando uma mecha do cabelo dela atrás da orelha e sorriu quando ela franziu o cenho. – Dem, acorda. – Tornou a chamar acariciando suavemente a bochecha dela com o polegar e Demi abriu os olhos segundos depois. Estava quieta, mas esboçou um pequeno sorriso para ele.

   - Está tudo bem? – Ela perguntou se espreguiçando e Joe se levantou assentindo. – Está muito tarde? – Era domingo e como de costume Demi se levantava meio dia, às vezes até mais tarde.

   - Quase dez da manhã. – Ele disse sem deixar de olhá-la se espreguiçar como uma gata manhosa.

   - Eu já volto, ok? – Demi só se deu conta que deveria estar uma bagunça quando tentou arrumar o cabelo e os dedos engancharam numa mecha embaraçada. Ora, ela tinha dormido em uma poltrona! Joe estava tão bonito com os cabelos levemente bagunçados. Ele estava sexy enquanto ela.. Resmungando um palavrão Demi buscou pela bolsa e saiu do quarto antes mesmo que ele respondesse. Procurou pelo banheiro feminino e quando o encontrou escovou os dentes, lavou o rosto e penteou os cabelos. Era sempre bom estar preparada para qualquer situação. Ela ainda estava um pouco desajeitada, mas tinha feito o melhor que podia com o que tinha. – Bom dia. – Disse assim que abriu a porta do quarto e o adentrou. Joe estava sentado à cama e sorriu timidamente para ela.

   - Bom dia. – Estavam tímidos por conta de todos os beijos que tinham trocado no decorrer da noite, porém ansiosos para mais. O silêncio não duro muito já que Joe tinha decidido que não deixaria a timidez dominá-lo e estragar tudo como sempre acontecia, ele se levantou e ficou em frente à Demi. – Obrigado por passar a noite aqui comigo. – Disse tomando coragem para puxá-la para um abraço. – Foi a noite mais divertida que já passei em um hospital. – E era verdade. Ele nem se lembrava de que tinha passado mal, era só Demi e o sorriso dela que importava.

   - Foi realmente divertido. – O sorriso dela se alargou quando Joe finalmente a tocou no braço e aos poucos a puxou para que pudesse envolvê-la num abraço firme e acolhedor. – E não precisa agradecer, eu sempre vou cuidar de você. – Disse ela. Precisou erguer a cabeça para olhá-lo nos olhos, o que resultou em um beijo suave.

   - Eu também. – A sensação de saber que uma mulher incrível como aquela realmente se importava com ele era ótima. Selou os lábios nos dela novamente e a beijou na testa suspirando. – Não será o melhor café da manhã do mundo, mas acho que dá para enganar a fome. – Ele disse se referindo a bandeja sobre a cama com nada mais que uma maçã cortada ao meio, um copo com suco de laranja sem açúcar, biscoito e pão integral. – Você já experimentou biscoito integral? – Perguntou a puxando pela mão para que pudessem se sentar a cama.

   - Provavelmente. – Disse fazendo careta. – A mãe da Sel vive criando essas receitas para dietas. – Murmurou franzindo o cenho e Joe riu. – Você precisa se alimentar, eu vou comer na lanchonete. – Ele negou balançando a cabeça e Demi assentiu. – Você precisa comer. Eu estou achando esse café da manhã fraco. – Joseph era um homem grande que Demi tinha certeza que não ficaria satisfeito apenas com aquela comida leve.

   - Eu quero dividir com você. – Os olhos dela brilharam para aquele biquinho de Joe. Ele estava fofo e mais beijável que o comum. Uma verdadeira covardia com a sanidade de uma mulher.

   - Não quero você passando mal. – Resmungou. – Vamos Joe, coma. – Ele se sentiu como uma criança, mas também se sentiu bem com o cuidado que recebia de Demi.

   - Ao menos experimente o biscoito. – Insistiu depois de um gole do suco e uma mordida na maçã. – Se não vou pensar que você não quer tomar café da manhã comigo só porque o pão e o biscoito são integrais. – Ele estava a chantageando? O sorriso charmoso era simplesmente lindo. Revirando os olhos Demi aceitou um biscoito e o mordeu, deixou um baixo gemido escapar e Joe franziu o cenho sentindo o arrepio estranho de mais cedo.

   - Não é ruim. – Disse terminando de comer o biscoito e Joe assentiu começando a comer o café da manhã. – Você está bem mesmo? – Perguntou o observando a comer. Ela tinha ficado tão preocupada com ele. Quando sentiu o peso do corpo dele e percebeu como estava zonzo, o medo de perdê-lo mostrou como ele era importante para ela.

   - Estou. – Joe sorriu timidamente como a maioria das vezes, colocou a bandeja sobre o criado mudo e levou a mão a de Demi. – Sinto algumas dores musculares, eu peguei pesado no futebol na sexta. – Sem aviso prévio ela o abraçou e o beijou na bochecha. Adorava o jeito de Joe. Ele simplesmente segurava a mão dela sem tentar algo ousado e não a olhava como um pedaço de carne. Era sempre respeitoso e fofo.

   - Eu vou cuidar de você. – As bocas estavam próximas e Demi fitou os lábios dele mordendo os seus, acariciou o rosto barbado e se controlou para não sorrir quando foi beijada. Ele a surpreendia cada vez mais com aquele jeito tímido e apaixonado, até a forma que a segurava repousando as mãos as costas era com cuidado e respeito.

   - Também vou cuidar de você. – Foi um sussurro sexy e excitado que a deixou arrepiada. As mãos foram ao peito masculino quando as dele desceram pelas costas e repousaram na cintura. Ele depositou um beijo no pescoço dela e uma série de arrepios a tomou, mas não prosseguiu com os carinhos, abraçou-a contra o peito daquela forma protetora e o sorriso se alargou nos lábios dela.

   - Acho que é a Sel, ela disse que mandaria mensagem. – A intensa troca de olhares foi interrompida graças ao celular que vibrava no bolso da calça de Demi. E como tinha pensando era Selena. “Estou a caminho”. Antes mesmo que a mensagem fosse respondida, houve uma batida à porta e então o médico adentrou ao quarto junto à enfermeira de mais cedo.

Graças a Deus tudo estava bem com Joe. O médico o liberou e o alertou sobre o excesso de trabalho dizendo que ele jamais deveria ficar sem se alimentar e tomar insulina, passar noites em claro e praticar esportes de forma exagerada, cuidados que Joe já era ciente, mas que às vezes ignorava para se dedicar aos seus objetivos. Diabete e hipertensão eram doenças perigosas demais para não cuidar. E mesmo estando bem, Joe ainda teria que voltar para fazer exames de rotina como era comum.


   - Você não está tonto? – Deveria ser a quarta vez que Demi perguntava a mesma coisa a Joe. Ed e Selena que estavam logo atrás trocaram sorrisos e observaram o futuro casal a sua frente. Demi realmente estava preocupada e Joe vez ou outra sorria apaixonado para ela. Ele estava gostando de toda a atenção que recebia dela.

   - Eu estou bem, sério. – Disse. Procurar a chave do apartamento dentro da bolsa nunca foi tão complicado, mas depois de alguns minutos a porta foi aberta e a recepção de Lucy foi muito calorosa.

   - Meu Deus! Calma menina! – Ela não reclamou das lambidas exageradas que recebeu. Agachou-se e abraçou Lucy sem conseguir conter o riso, o rabinho balançando fazia cócegas. – Ela está faminta. – Não foi uma pergunta, mas Joe assentiu se agachando para dar um abraço em Lucy.

   - O papai estava dodói, não foi de propósito, ok? – Os olhos de Demi brilharam tanto. Era simplesmente a cena mais linda do mundo Joe mimando Lucy. A cadelinha estava em pé no colo do rapaz e tinha as patinhas frontais apoiadas ao peito de Joe prestando atenção em cada palavra dita pelo dono e ela não deixou a manha de lado, chorou e ergueu as orelhinhas, o que fez Demi sorrir de orelha a orelha. – O que você acha de leite e muitos biscoitos? – Ele a aninhou nos braços e partiu com Lucy para a cozinha já que se sentia culpado por deixá-la tanto tempo sozinha e com pouca comida.

   - Demi? – A voz de Selena a trouxe de volta a realidade e Demi se levantou e olhou para a amiga. – Nós já vamos, o Joe precisa descansar. – Ela conhecia muito bem aquela estratégia de Selena. As bochechas estavam coradas, até porque Ed estava ali com elas.

   - As crianças estão nos esperando. – Completou o rapaz e Demi entendeu que os dois estavam tentando deixá-la sozinha com Joe. Não era uma ideia muito boa julgando por todos os sentimentos que ele despertava nela...

   - Vocês vão ficar para o almoço? – Disse Joe assim que voltou da cozinha sozinho já que Lucy se deliciava de toda a comida que podia.

   - Nós temos que buscar as crianças na casa dos pais da Sel. – Disse Ed.

   - Você pode trazê-las para cá, vai ser divertido. – Ele não podia negar que estava tenso com a ideia de ficar sozinho com Demi, seria maravilhoso tê-la nos braços, mas ao mesmo tempo seria tenso. – As meninas podem cozinhar para a gente, o que vocês acham? – Perguntou fitando Selena para depois fitar Demi.

   - Acho que nós podemos cozinhar. Dem? – Primeiro ela umedeceu os lábios, mordeu-os fitando o chão e assentiu levemente corada. E Selena sorriu sabendo que Demi estava ansiosa para saber se estava perdoada ou não.

   - Então eu vou buscar as crianças, você vem comigo Sel? – Selena sabia que se fosse com Ed seria ela quem teria que pedir desculpas a Demi. Ela conhecia perfeitamente aquele olhar de código vermelho e bem, seria um enorme vacilo que com certeza não cometeria.

   - Hum.. – Murmurou olhando para Demi mais uma vez para confirmar o pedido de socorro da amiga. – Não. Nós vamos adiantar o almoço, está ficando tarde. – Ed assentiu e quando perguntou se precisava trazer alguma coisa ele ficou tonto com a quantidade de coisas que Selena pediu. Mulheres!

   - Nós podemos fazer aquela lasanha deliciosa de queijo com brócolis, o que vocês acham? – Selena nunca tinha visto Demi tão sem jeito como ela estava. Geralmente Demi era tão tagarela e pirracenta, mas lá estava ela quieta e com as bochechas levemente coradas. Estava intimidada. – Então? Vamos fazer a lasanha ou preferem outra coisa? – Perguntou ao observar que Joe também estava sem jeito.

   - Você tem brócolis? – Ela não sabia o que estava acontecendo, mas custou a olhar para Joe.

Os três caminharam para a cozinha em silêncio, nada constrangedor ou desconfortável, não para Selena que estava se segurando para não rir da situação de Demi e o Joe. Eles eram perfeitos um para o outro, definitivamente perfeitos!

   - É..é o suficiente? – Joe ainda gaguejava? Sel mordeu o lábio inferior para conter o riso e em troca Demi franziu o cenho e balançou a cabeça pedindo que ela não risse de Joe. – Eu..eu posso  com..comprar mais. – Ele era tão fofo! Estava cabisbaixo e corado. Infelizmente tinha perdido o controle e quase bateu a cabeça na porta do freezer que tinha aberto a procura do queijo.

   - Está bom, não está Demi? – Demi assentiu prontamente balançando a cabeça e se aproximou de Lucy que estava deitada perto da tigela de leite os observando, sentou-se ao lado da cadelinha e a mesma se aninhou a ela.

   - Fiquem à vontade. Eu.. eu vou arrumar algumas coisas na sala, já volto. – Quando Joe a deixou sozinha com Selena Demi revirou os olhos. Por que estava sendo tão difícil ter que ficar sozinha com Sel ou Joe?

   - Dem? – Oh droga! Olhando para cima Demi engoliu em seco ao encontrar Selena a sua frente. – Não vai me ajudar? – Perguntou. – Estou sem jeito de mexer nas coisas do Joe. – Ora, e ela estava sem jeito até para respirar perto de Joe! Mesmo incomodada com a situação Demi aceitou a mão que Selena lhe oferecia, se levantou e buscou por todos os ingredientes e recipientes necessários para cozinhar a lasanha.

 Aos poucos elas começaram a cozinhar falando apenas o necessário. Ed chegou com as crianças e com todos os alimentos que Selena tinha pedido e foi jogar videogame com Joe e os sobrinhos. Maldita ora para saber cozinhar! Demi não estava nenhum pouco confortável com a situação. Primeiro: Não sabia como olhar para Selena; Segundo: A tensão “sexual” entre ela e Joe era tão absurda que chegava a ser papável. Terceiro: Ela sentia que Ed estava a ignorando. Transitando de um lado para outro, Demi conferiu o arroz pela terceira vez consecutiva. Estava começando a ficar nervosa e cogitando a ideia de inventar uma desculpa qualquer para ir embora.

   - Eu não vou te morder. – Ao ouvir aquela frase umedeceu os lábios e fitou Selena recostada no balcão a olhando. – E o arroz não está bom. – Disse assim que por um impulso Demi tirou a tampa da panela. – A lasanha está no forno, a salada está pronta. O arroz, a verdura e o frango estão cozinhando. O Ed comprou torta de sorvete para a gente e uma torta diet para o Joe. Está tudo quase pronto e você prefere ficar em silêncio a falar comigo. – Droga! Era tão ruim quando Selena fazia aquilo.

   - Eu não sei o que dizer. – Murmurou fitando a vista da cidade pela janela.

   - Tudo bem, eu te coloquei nessa situação. – Disse Sel. Caso ela tivesse aceitado as desculpas na noite passada as coisas estariam diferentes daquele poço de constrangimento. – Você está livre hoje à noite? Nós podemos conversar no Top of The Rock. – Top of The Rock era um observatório que ficava no topo de um dos prédios mais altos de Nova York, o edifício GE em frente ao prédio em que Demi morava. – Ou lá em casa ou no seu apartamento, a gente escolhe algum lugar legal.

   - Tudo bem, acho que podemos conversar no Top of The Rock. – Conversar era uma boa ideia, e como seria no Top of The Rock ajudaria a aliviar a tensão.

   - Às sete? – Perguntou Selena esboçando um tímido sorriso e Demi assentiu. – Como foi à noite com o Joe? – Aquela pergunta tinha duplo sentido e pela cara de Selena, Demi sabia que ela só estava brincando para descontrair o clima entre elas.

   - Maravilhosa. – Disse e elas riram. – Nós lemos alguns HQs e jogamos no celular. – Disse enquanto arrumava uma mecha do cabelo atrás da orelha.

   - E? – Indagou Selena de sobrancelha arqueada e as bochechas de Demi coraram. – Vocês transaram? – Perguntou baixinho e Demi negou na mesma hora balançando a cabeça em um gesto negativo. – Vocês estão tensos.

   - A gente se beijou muito ontem. – Confessou sem conter um sorriso. – Apenas beijos. – Disse antes que Sel começasse a imaginar coisas. – Ele ainda é muito tímido. – Todos os caras que Demi tinha namorado eram “saidinhos”, e agora ela tinha Joseph que era um caso muito especial...

   - Vocês formam um belo casal. – A conversa foi encerrada ali já que o sobrinho de Selena, o pequeno Harry de cabelos negros e olhos verdes como os de Ed adentrou a cozinha e com muita manha abraçou Selena e disse que estava faminto. – Nós já vamos almoçar meu amor. – Ela disse beijando a testa do garotinho que se aninhou em seus braços. Era tão difícil não saber o que dizer para uma criança quando ela perguntava sobre a mãe. Harry tinha cinco anos e Ana seis. Eram crianças tão inocentes e que precisavam de cuidado e carinho.

Não passou cinco minutos desde que Harry grudou nos braços da tia e Joseph, Ed e Ana adentraram a cozinha animados e famintos. Demi verificou as panelas e foi uma verdadeira festa quando ela disse que o almoço estava pronto.

 As crianças quebraram aquele clima estranho e tinham toda a atenção voltada apenas para elas. Aquele almoço de domingo estava sendo divertido, o mais divertido que Demi podia se lembrar. Ela preferia ficar quieta observando como eles pareciam uma família feliz sentada à mesa num domingo bonito. E bem, para finalizar a comilança a torta de sorvete estava sensacional! Comeram e repetiram entre risos e caretas.

   - Nós podemos assistir um filme. – Dizia Joseph tentando convencer Ed a ficar mais um pouco.

   - São quase seis da tarde Joe, preciso levar as crianças para casa. – Disse o rapaz com Harry no colo que dormia que chegava a suspirar. – São uma gracinha, mas dão muito trabalho. – Selena se apressou para pegar Ana antes que ela derrubasse o controle da televisão junto com Lucy que estava feliz por ter alguém para brincar com ela. – E você precisa descansar. – Sem jeito Joe assentiu lançando um rápido olhar para Demi, ele não queria que ela fosse embora. – A gente se vê amanhã. Qualquer coisa é só ligar. – O olhar de Ed dizia muito mais que uma despedida, discretamente Joe assentiu se lembrando de tudo que o amigo tinha dito sobre as mulheres. – Não tenha vergonha. – Sussurrou assim que eles trocaram um breve abraço. – Vamos meninas? – Chamou por Selena e Ana e sorriu para Demi.

   - A gente se encontra as sete em frente ao prédio GE. – Antes mesmo que ela pudesse pensar a porta do apartamento já estava fechada e ela estava sozinha com Joe. Nem mesmo Lucy estava na sala.

Não se olharam, ambos estavam cabisbaixo e completamente sem jeito. O coração de Joseph estava quase saindo pela boca e ele teve que colocar as mãos no bolso, pois elas estavam tremendo. Já Demi se sentia estranha. Ela não era tímida e muito menos era de ficar calada, porém aquele homem bonito a pouco metros estava consumindo os seus pensamentos.

   - Eu acho que já vou. – Disse com toda a coragem que tinha e quando Joe a olhou ela engoliu em seco.

   - Fica mias um pouco. – Ele estava lutando contra aquele Joseph tímido com todas as suas forças, tanto que disse aquelas palavras olhando nos olhos de Demi e não se atreveu a gaguejar. Não poderia, ele queria aquela mulher na vida dele e não se permitiria estragar tudo por timidez. – A gente pode assistir um filme. – Completou sustentando o olhar de Demi que assentiu. – O que você sugere? – O sorriso dele descontraiu o clima e Demi umedeceu os lábios e se aproximou do rapaz que já estava agachado próximo a pilha de DVDs.

   - O que acha da gente continuar assistindo Batman a série animada? – Ela fez questão de sustentar o olhar dele, que assentiu esboçando aquele sorriso lindo.

   - Eu vou pegar o notebook. Você pode verificar se o cabo está plugado na TV? – Oh sim, ela poderia verificar várias coisas.. Demi revirou os olhos para si mesma e repreendeu todos os pensamentos pervertidos. Ela precisaria de ajuda divina para não se trancar num quarto com Joseph e acabar com toda aquela inocência dele. O cabo estava conectado a TV e logo foi conectado ao computador.

   - Acho que nós paramos no episódio vinte. – Disse se sentando no sofá. – Ou foi o vinte e um. – Murmurou franzindo o cenho ao olhar para as costas largas dele. As bochechas dela chegaram a corar.

   - Sim, o vinte e um. Me lembrei agora. – O episódio já tinha começado e Joe procurava forças para se levantar e se sentar ao lado de Demi. Ele estava controlando a timidez da melhor forma que podia, mas para tudo tinha limites. Porém ficar agachado em frente ao notebook era a coisa mais estranha do mundo. Franzindo o cenho, fechou os olhos e respirou fundo algumas vezes. Coragem! Disse a si mesmo. Demorou alguns minutos e então se levantou e se sentou ao lado dela. Como ele era bobo! Demi não era nenhum monstro que iria devorá-lo. Ela estava concentrada assistindo o episódio e às vezes até ria de uma cena ou outra.

   - Você estava aprontando menina? – Disse Demi assim que Lucy pulou em seu colo a assustando. A cadelinha estava como sempre sedenta de carinho. Se aninhou no colo de Demi e chorou até que Joe a olhou. Ele sabia o que ela queria e o fez, levou a mão para trás das orelhas da pequenina e riu quando ela tentou mordê-lo. – Fica quietinha. – Pediu dividida entre o episódio, Joseph e Lucy. Por mais tensa que estivesse Demi realmente estava concentrada nas aventuras do herói favorito, tão concentrada que quando levou a mão para acariciar a barriga de Lucy acabou com a mão sobre a de Joseph, que sorriu e enlaçou os dedos aos dela. Ele sempre precisaria de um empurrãozinho. Lucy pareceu ler os seus pensamentos, a pequena pulou para fora do sofá e caminhou diretamente para cozinha como se estivesse satisfeita com o enlaçar de dedos das duas pessoas que ela mais amava.

   - Esse episódio é muito legal. – Comentou assim que o novo episódio começou e Demi assentiu sorrindo. Era tão bom segurar a mão dela, Joe fitou os dedos enlaçados e sorriu de orelha a orelha, ela o encantava tanto.

   - Você já assistiu? – Perguntou deitando a cabeça no ombro dele suspirando apaixonada vez ou outra.

   - Quando eu era menino. – O sorriso dele foi de orelha a orelha quando Demi o beijou ali mesmo no ombro e quando ele a olhou ela estava sorrindo lindamente. – Você é tão bonita. – Disse acariciando a bochecha esquerda dela com o polegar. Era a mulher mais bonita que ele já tinha visto. Por minutos se perdeu na beleza dela fitando cada detalhe com paixão, memorizou cada pedacinho e respirou fundo completamente emocionado. O sentimento era tão imenso e indescritível. Ele só sabia que não conseguia pensar direito quando ela estava por perto e quando ela estava longe só conseguia pensar em como queria beijá-la e vê-la sorrir.

   - Você também Joe. – Ela tirou os óculos de grau que ele usava e os repousou no chão ao lado do sofá. – Eu adoro os seus olhos. – Disse acariciando a barba e logo as bochechas dele. – São tão lindos. – Sussurrou quando Joe encostou a testa a dela e fitou-lhe os olhos e os lábios.

   - Os seus também. – Ele disse aquelas palavras nos lábios dela. Roçou-os com paixão, mordeu o lábio inferior e conforme a beijava ele a puxava mais para ele.

Ela precisava ter um pouco de paciência e pegar leve com Joseph. Quando deu por si Demi já estava quase sobre o rapaz o beijando com tanta vontade e desejo de se fundir a ele. Ela precisou de alguns segundos para se recuperar e voltar a pensar com clareza. Umedeceu os lábios e respirou fundo fitando Joseph. Ele estava sem jeito, porém estava sorrindo. O que faria com ele? Demi o beijou na bochecha e disse como ele era fofo. Da bochecha os lábios migraram para a boca e ela simplesmente não conseguiu resistir, deitou o corpo sobre o dele o conduzindo para trás até que Joe finalmente se deitou no sofá. Deitar-se sobre ele não queria dizer nada demais... Queria?

   - Tudo bem? – Perguntou depois de um beijinho carinhoso abaixo da orelha esquerda. Joe assentiu balançando a cabeça, abraçou o corpo dela pela cintura e inconscientemente colocou a perna esquerda entre as pernas dela. – Joseph.. – Aquele gemido baixinho simplesmente escapou. – Joe. – Chamou-o quando ele se ergueu e a beijou no pescoço enquanto as mãos exploravam as costas e os dedos se enrolavam nas mechas de cabelo castanho. Ele era demais para ela! Fechando os olhos Demi tomou os lábios dele num beijo de tirar o fôlego, espalmou o peito largo com as mãos e friccionou os corpos.

Enquanto trocavam beijos e carinhos uma guerra de super heróis acontecia na TV, e o engraçado era que mesmo com todo o barulho nada os desconcentrava. Os beijos continuaram sedentos e apaixonados, Demi estava a um passo de perder o controle, porém não se importava. Ela simplesmente o beijava e gemia manhosa com as mãos dele vagando por suas costas, cabelo e cintura. Já Joseph sentia um calor absurdo em meio aos arrepios estranhos, ele sequer conseguia pensar..

   - Demi.. – Chamou-a de cenho franzindo e de coração acelerado. Ela o atacava com beijos no pescoço, beijos que estava o enlouquecendo aos poucos. – Dem.. – Tornou a chamá-la e quando ela se ergueu se sentando sobre a região intima dele. Oh Deus! As bochechas de Joe coraram tanto que o rapaz desviou o olhar para qualquer outra coisa que não fosse os olhos de Demi. Já tinha acontecido algumas vezes e ele tinha ficado tão deslocado.. Era tímido demais e nunca tinha estado com uma mulher.

Como era possível existir um homem como aquele? Demi estava tão pronta para acolhê-lo e estava tão radiante por Joe também estar pronto. Ele estava simplesmente fofo todo corado. Os cabelos desgrenhados, os lábios avermelhados e o peito subia e descia tão rapidamente. Era a visão do paraíso.

   - Está tudo bem, não precisa ter vergonha. – Disse baixinho no ouvido dele. Ela o entendia por mais que ansiasse pelo que eles poderiam fazer juntos.. Beijou-o na bochecha e se agarrou a ele repousando a cabeça na curva do ombro onde depositou beijos e aspirou o perfume sutil. Por alguns minutos ela ficou quieta sentindo o volume da calça, então se ergueu o suficiente para que pudesse olhá-lo nos olhos.

   - Eu..eu.. – Estava tão nervoso e envergonhado que montar uma frase era uma tarefa muito difícil naquele momento. – Droga.. – Murmurou baixinho e Demi riu levando a mão ao peito dele para acariciá-lo ali.

   - Não precisa ter vergonha. – Tornou a dizer aproveitando para colocar uma mecha do cabelo atrás da orelha e Joseph sorriu observando como ela era bonita. – Você pode me abraçar? – Pediu timidamente e ele a abraçou a apertando contra o corpo dele enquanto eles se beijavam intensa e lentamente.

Aquela conexão era tão forte e viva que não viram o tempo passar e não queriam que aquele momento acabasse. Os beijos e as cariciais só ganhavam força a cada instante, os sorrisos e os olhares estavam sempre presentes e vez ou outra trocavam nada mais que meia dúzia de palavras. Infelizmente quando Joseph estava quase satisfazendo o desejo de descer as mãos um pouco além das costas femininas para apertá-la lá no bumbum avantajado, algo começou a vibrar tocando e os suspiros frutados tomaram a sala.

   - Oi. – Murmurou Demi. Sequer tinha olhado quem era e muito menos tinha se desgrudado de Joseph, ela até o acariciava no peito gostando de sentir o carinho que ele fazia em suas costas.

   - Demetria? Onde diabos você está? – Ela conhecia aquela voz e sabia que quando Selena a chamava pelo nome significava que a situação era péssima.

   - O que? – Perguntou de cenho franzido sem entender o que a amiga queria dizer.

   - Estou em frente ao GE te esperando tem vinte minutos. – Demi olhou a hora no celular e arregalou os olhos. Há quanto tempo ela estava ali trocando beijos com Joseph? Eram sete e meia da noite! Selena iria matá-la.

   - Eu.. Droga! Chego em cinco minutos. – Apressada, Demi deu um selinho nos lábios de Joe e se levantou para calçar o all star que tinha tirado entre um beijo e outro para que pudesse se aninhar a Joe.

   - Você tem mesmo que ir? – Perguntou Joseph. Ele se ergueu e não conseguiu resistir ao pescoço feminino exposto e o beijou aproveitando para abraçá-la por trás.

   - Por mais que eu adoro trocar beijos com você.. – Disse Demi se virando para roubar um selinho. – Eu quero a minha melhor amiga de volta. – Finalmente ela tinha conseguido calçar o tênis e se levantou puxando Joseph. – Vou sentir saudades. – Disse olhando para cima para olhá-lo nos olhos e pôs-se na ponta dos pés para poder beijá-lo, claro que Joseph teve que se curvar e abraçá-la.

   - Eu também. – Ele disse a envolvendo num abraço de urso. – Só mais cinco minutos. – Pediu a olhando e Demi assentiu esboçando um sorriso nervoso. Selena iria matá-la! Mas também iria soltar fogos quando soubesse o motivo do atraso. Rindo, Demi empurrou Joseph na direção da mesa onde a bolsa estava, guardou o celular na bolsa e a colocou no ombro.

   - Cinco minutos Joseph. – Ela piscou para ele e mordeu o lábio inferior antes que ele a beijasse a segurando pela cintura com aquelas mãos grandes e másculas. – A Selena é definitivamente a melhor amiga mais chata do mundo. – Murmurou nos lábios dele o empurrando em direção a porta quando o celular começou a tocar dentro da bolsa. – A gente se vê amanhã. – Era tão difícil de soltá-lo. Demi não conseguia parar de beijá-lo e estava odiando a ideia de ficar longe dele.

   - A gente se vê. – Joe ainda roubou um beijo antes que Demi fosse embora. E quando ele estava sozinho encostou-se a porta e respirou fundo várias vezes. Tinha sido a melhor tarde/noite de sua vida.


   - Onde você está? – Era Selena. Como estava atrasada, descer de escada foi a única alternativa já que o elevador estava a muitos andares acima.

   - Eu já estou chegando!Ela descia com tanta pressa que chegava a ofegar, e quando finalmente saiu do prédio caminhou a passos largos. – Tem outra pessoa me ligando. – Ela se surpreendeu com a ligação de Dianna, eram raras as vezes que ela ligava..

   - Demi? Onde você está? – Atrapalhada, Demi quase foi atropelada. Ela não conseguia esquecer os beijos de Joe, estava nervosa para encontrar Selena e feliz por Dianna ter ligado.

   - Vou encontrar a Sel. – Disse quando finalmente conseguiu atravessar a rua sem que nenhum motorista a olhasse feio. – Acho que vou passar a noite no meu apartamento. – Provavelmente passaria boas horas conversando com Selena e caminhar à noite para o apartamento da mãe não era uma boa ideia. Aquele homem nojento estava à solta e ela não queria sequer olhá-lo.

   - Tenha cuidado, boa noite. – Dianna não disse mais nada e encerrou a ligação. Ao menos ela tinha ligado. Pensou Demi se apressando, ela já estava na quadra do GE Building e de longe podia ver Selena em pé.

   - Estou chegando. – Antes de se aproximar, Demi respirou fundo para tentar conter o fôlego e se preparar psicologicamente para conversar com Selena.

   - Você estava na casa do Joseph? – Selena perguntou surpresa ao ver a direção que ela vinha. – O seu cabelo está uma bagunça. – Murmurou adentrando ao prédio e Demi se apressou em buscar um elástico dentro da bolsa para prender o cabelo. A culpa era de Joseph e do vento da noite.

   - Sel! Me espera. – Pediu já que a amiga caminhava a passos largos em direção ao elevador depois de simplesmente passar pelos seguranças que elas conheciam desde adolescentes. – Eu não queria me atrasar, é que perdi a hora. – Disse assim que estava ao lado de Sel.

    - Eu vou te perdoar só porque você estava com o Joseph. – Selena adentrou ao elevador e sorriu para Demi. – A sua roupa está uma bagunça. – Comentou arqueando as sobrancelhas e esboçando um pequeno sorriso malicioso.

   - Droga. – Murmurou Demi arrumando a camisa e calça ao corpo. Como Selena ainda parecia brava, Demi preferiu ficar calada durante todo o trajeto até o topo do prédio.

A quantidade de luzes brilhantes era de tirar o fôlego, e Nova York dali de cima era uma imensidão brilhante. Como sempre acontecia Demi estava sem fôlego, tinha um sorriso que ia de orelha a orelha observando a sua cidade. Ela amava cada pedacinho dali. Aproximou-se da proteção e por um tempo só conseguiu fitar a cidade aos seus pés enquanto organizava os seus pensamentos.

   - No fundo eu sempre acreditei em você. – Começou a dizer fitando o topo de um prédio. – Mas eu estava chateada por nunca estar certa, entende? Sempre apostei todas as minhas fichas nos meus relacionamentos sem se importar com as consequências. Acho que é como as pessoas dizem, o amor cega.. Eu não amo e nem amei o Jake, era só que.. – Ela respirou fundo e fitou os olhos de Selena. – Ele me disse e fez coisas que me fez acreditar que nós poderíamos construir um relacionamento forte. Cheguei a pensar que ele era o cara.. – Tudo que ela queria era encontrar alguém para amar e ser feliz, não era desejar muito, mas se envolver em um relacionamento exigia muitas artimanhas. – Você, como sempre, conseguiu enxergar que ele não era nada do que mostrava. Fiquei irritada e briguei com você porque eu sentia que você estava me tratando como uma criança. Acho que foi por isso que eu acreditei nele. – Concluiu umedecendo os lábios e colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha. – E no final das contas eu me sinto realmente como uma criança inocente por ter acredito na história ridícula que ele inventou.

   - Posso ter exagerado na proteção, confesso. – Selena estava pronta para contar tudo que sabia a respeito de Jake e não tinha mais medo das ameaças dele. – Mas não foi por mal, jamais. O assunto é realmente muito grave Dem. Mais grave do que você possa imaginar. – Ela fez questão de sustentar o olhar de Demi enquanto se preparava para contar a parte que despedaçaria o coração da melhor amiga. – Juro que tentei, mas sempre acontecia alguma coisa para atrapalhar. – Começou a dizer franzindo o cenho. – Esse tempo todo tentei te proteger do Jake porque na última vez que nós fomos a Rocco’s com o Ed, eu o vi saindo de uma cafeteria com a sua mãe.

Aquelas palavras foi um soco no estomago. Sentiu-se enjoada e traída. Era inacreditável! Ou ela era realmente inocente demais ou tinha uma péssima sorte. Tudo estava explicado. O comportamento compreensível, a preocupação de mãe. Aquela não era Dianna! Nunca foi e nunca seria! A mulher que ela conhecia por mãe era desprezível a ponto de vendê-la para ter uma vida de luxo. As lagrimas não rolaram, não.. Ela estava magoada demais para derramar lagrimas por Dianna.

   - Dem.. Eu sinto muito. – Disse Selena a abraçando com carinho. Demi parecia em outro mundo. A feição indecifrável e o cenho levemente franzido. – Eu fiquei com tanto medo, o Jake disse que se eu contasse para você ele machucaria o Ed. Mas mesmo assim eu tentei contar, eu sabia que nós poderíamos dar um jeito. – Explicou-se a olhando nos olhos e Demi nada disse.

   - Continua. – Disse ainda distante se lembrando de que todos os seus bons momentos com Dianna não passaram de uma farsa.

   - Quando estava com você ele era outra pessoa, ele tentou me convencer a ficar com ele e colocou o Joseph para limpar o banheiro masculino. – Selena assentiu quando Demi a olhou de cenho franzido. Joseph limpando banheiro? – Foram duas vezes, e na primeira ele passou mal. O Jake nos ameaçou e começou a pegar tanto no meu pé que eu pensei em pedir demissão. – Ela se sentia pior a cada segundo. Jake tinha conseguido manipulá-la tão bem. – Nós achamos que ele mandou matar o Jason. O sócio dele, o Marcus, estava tão nervoso no dia que o FBI voltou a empresa para colher mais provas.

   - Ele implantou uma câmera no meu escritório. – Murmurou a contragosto porque ela se sentia idiota e burra. – E eu encontrei fitas e CDs escondidos atrás dos livros da prateleira do escritório dele.

   - Você acha que ele mandou matar o Jason? – Perguntou ligando uma coisa na outra. A polícia estava atrás das fitas que continham a filmagem da pessoa que tinha assassinado Jason. E Jake tinha fitas escondidas.. Era um tanto suspeito.

   - Eu não sei mais o que pensar.. – Disse indiferente não com Selena, mas sim porque estava chateada com ela mesma. – Eles não estavam bem, a empresa do Jake estava falindo.. Algo do tipo.  – Murmurou sem conseguir parar de remoer o desgosto que sentia por Dianna.

Como Demi estava pensativa e parecia chateada, Selena resolveu que daria alguns minutos para que a amiga pudesse pelo menos começar a digerir parte daquela história. Ela sabia como Dianna era importante para Demi e como ela estava magoada por saber que a mãe não passava de uma farsa. Por minutos as duas apenas ficaram em silêncio fitando a vista da cidade e vez o céu estrelado. Cada uma pensava em uma coisa diferente, mas no fundo elas queriam mesmo era esquecer aquela história e continuar juntas se apoiando.

   - Dem, eu te perdoo. – Foi escutar aquelas palavras para que o alívio a preenchesse dos pés a cabeça. – Você me magoou muito quando acreditou nele, e quando eu mais precisei de você, você não estava lá para me apoiar. – Disse ao se lembrar da morte de Sophia e de toda a confusão de sentimentos que sofreu durante aquelas semanas. – Doeu muito. – Disse a olhando nos olhos e derramando algumas lágrimas. – Mas eu te perdoo e do meu jeito eu entendo, juro que me esforço para entender as suas decisões. – Demi assentiu e a abraçou com tanta força que por um pouco as duas caíram no chão.

   - Eu sinto muito, de verdade. – Ela não conseguiria soltar Selena nem que fosse preciso. – Eu fui tão idiota! Eu não mereço você. – Murmurou chorosa finalmente derramando todas as lagrimas que tentava evitar.

   - Não diga besteira. – Ainda a abraçando Selena limpou as lágrimas que Demi derramava e a beijou na testa em um gesto de carinho. – Eu entendo! Só me escuta mais, ok? Eu realmente sei quando você vai se meter em encrenca. – Era sempre daquele jeito. Selena conseguia farejar todas as confusões que Demi se metia, era como um instinto protetor de mãe. – Me desculpa por exagerar às vezes? É que eu me preocupo tanto com você, não quero que nada e nem ninguém te machuque, você é como uma irmãzinha mais nova tagarela, implicante, chata e pirracenta que eu tenho que proteger a todo custo. – Demi assentiu esboçando aquele sorriso lindo em meio as lágrimas, aninhou-se aos braços de Selena se sentindo segura e amada.

   - Por favor, diga que você vai dormir comigo essa noite?! Eu sinto a sua falta. – Quando Selena assentiu um sorriso surgiu de orelha a orelha nos lábios de Demi. Às vezes era bom quebrar a cara. Ela sempre tinha procurado mais carinho em pessoas como Dianna e em estranhos que surgiam do nada quando tudo que ela precisava estava ali: tinha Selena, Joseph e Ed. Eles se importavam com ela e ela com eles. Não era uma família de sangue, mas era muito especial e real.


Continua... Oiii! E aí? Gostaram do capítulo? Eu tentei escrever o amasso jemi da melhor forma.. mas acho que tô bem enferrujada para escrever esse tipo de cena hahaha Teve Semi também! Vocês gostaram? O que acham que a Demi vai fazer com a Dianna e o Jake? Espero que vocês tenham gostado, tentei escrever o mais rápido possível! Obrigada pelos comentários, ainda vou respondê-los, é que estou postando celular. Beeeijos e até mais!