25.2.16

Capítulo 4 - Culpa

Gyllenhaal Enterprise, Nova York – Estados Unidos – 6:17PM


Da janela do seu escritório no penúltimo andar do prédio de quarenta pavilhões, Demi aproveitava para admirar o pôr do sol fantástico no horizonte da cidade à praticamente 50 metros de altura do solo e quando o sol já não brilhava mais no céu que se alternava entre o azul claro e o azul forte, o movimento daquela rua lhe chamou a atenção. As pessoas não paravam por um segundo apressadas para atravessar a rua, entrar em taxis ou sair com seus carros. E os carros que saiam das garagens subterrâneas causaram o pequeno engarrafamento que começava com o sinal vermelho onde tinha pelo menos cinco carros amarelos um atrás do outro. Deveriam ser Taxis, suspeitou Demi. O engarrafamento seguia até a garagem do prédio da frente, todos pareciam tão impacientes e loucos para descansar em casa depois de uma segunda-feira quente e carregada de trabalho. Com ela não era diferente. Quando chegou a Gyllenhaal as três e pouca da tarde, Jason a recebeu com um abraço apertado, o que a deixou intrigada. Não por Jason ter a abraçado, aquilo era mais que normal. O que a intrigou foi a forma como ele a tratou como um pai preocupado e não o chefe de um império do mundo das empresas de tecnologia e informação. Então ela deu continuidade ao projeto do comercial da empresa que havia começado na noite passada. Estava tão concentrada, a imaginação a mil e a sua equipe de mulheres não a decepcionou, bem pelo contrário, Selena a ajudava com as cores já que aquela não era bem a sua área, Linda, uma de suas ajudantes mais nova tanto no quesito idade quanto no tempo que trabalhava junto com Demi, deu algumas dicas de como ela poderia melhorar ainda mais os personagens e Demi ouviu todas as outras três mulheres e acrescentou ao projeto os detalhes que fariam daquele comercial um dos mais famosos de todo o país. O dia tinha sido cansativo, mas muito proveitoso. Pensou respirando fundo. O que era bom, o excesso de trabalho não a permitiu pensar nem por um segundo na bomba que Dianna havia jogado em suas mãos na noite passada, nem mesmo na noite quente com Jake, houve tempo para Demi pensar.


   - Demi? Nossa eu estou morta. – Demi se virou quando escutou a voz de Selena e o som que os sapatos de salto dela faziam contra o porcelanato assim que a amiga adentrou o escritório carregando consigo uma pilha de pastas e a bolsa grande de couro negro debaixo do braço direito. – Vamos passar na Rocco’s para comprar cannolis, depois passamos na minha casa, preciso de roupas para passar a noite na sua casa. – Selena colocou as pastas sobre a mesa de Demi e caminhou até estar ao lado da amiga. – Também está cansada? – Perguntou Selena apoiando os cotovelos no batente da janela.


   - Estou. – Demi suspirou e forçou um sorriso para Selena. Cansada era pouco, ela pretendia dormir cedo para ajudar o psicológico esgotado a se recuperar para o dia seguinte.


   - Ah Dem, eu odeio te ver quieta desse jeito. – Murmurou Selena de cara feia. Se tinha algo que estava errado, era todo aquele silêncio de Demi. Ela costumava ser tão comunicativa que às vezes chegava a ser muito irritante.


   - É só o cansaço Sel. – Murmurou como Selena imitando a cara feia da amiga, o que as fez rir. – Ao menos o projeto está quase pronto, quero trabalhar em outros. – Selena assentiu sorrindo quando Demi a abraçou de lado.


   - O que nós estamos mesmo fazendo aqui? Todos já estão em casa. – Demi riu assentindo e buscou pela bolsa em uma das divisórias da prateleira. O escritório não era muito grande, porém nem muito pequeno. Havia a mesa de vidro onde Demi realmente trabalhava, uma cadeira confortável e giratória, a estante carregada de livros e todos os assessórios que eram necessários para a sobrevivência de uma mulher, um pequeno banheiro e um sofá branco e confortável onde podia discutir os seus objetivos com os colegas de trabalho ou escutar os clientes.


   - Você tem roupas no meu apartamento. – Disse Demi trancando a porta do escritório.


   - Não quer ir lá em casa? – Perguntou Selena caminhando pelo corredor cheio de minissalas onde trabalhava um esquadrão de mulheres e homens.


   - Não é isso, eu só estou cansada e louca para tomar um banho. – Demi chamou pelo elevador no final do corredor e não demorou muito para o mesmo chegar. – A sua casa é longe, são quase seis e meia da tarde. Imagina o trânsito como não deve estar. – Desculpou-se quando a amiga a olhou franzindo o cenho. Demi adorava visitar a casa de Selena e passar a noite conversando com os pais dela quando elas faziam noite do pijama, e agora não queria ir a casa de Selena? Estranho.


   - Você está literalmente estranha. – Disse Selena ainda a olhando como se ela fosse um ser de outro planeta e Demi engoliu em seco bloqueando os pensamentos das lembranças do dia passado. O elevador ainda estava no trigésimo sétimo andar e o silêncio entre elas marcava presença. Selena se olhava no enorme espelho e Demi cochilava em pé cansada, mais alguns andares a baixo e a porta do elevador se abriu para pegar passageiros do oitavo andar.


   - Boa noite meninas. – A voz suave e masculina do magnata assustou Demi que tinha os olhos fechados, mas assim que os abriu sorriu ao ver Jason, o dono da Gyllenhaal. – O que fazem aqui há essa hora? – Perguntou o homem elegante mais velho olhando diretamente para os olhos de Demi, que franziu o cenho tendo a impressão de ver olhos tão azuis como os de Jason em outra pessoa. Pareciam tão familiares..


   - Tive um pequeno problema para imprimir alguns documentos, mas já está tudo em ordem e no escritório da Srta. Lovato. – Disse Selena apontando para a amiga. – Vou tomar conta dessa criança essa noite. – Brincou e Jason riu fitando admirado as duas amigas.


   - Nós ficamos preocupados! – Disse Jason lançando a Demi um olhar preocupado. – Não nos deixe sem noticiais como aconteceu hoje. – Demi assentiu um pouco envergonhada e engoliu em seco. Não tinha sido uma opção deixar que aquilo acontecesse, só estava cansada psicologicamente e a noite com Jake não aliviou o cansaço, bem pelo contrário.


   - Obrigada por se preocupar, não acontecerá novamente. – Quando o elevador pousou no hall do prédio, Jason se despediu com um beijo na testa de Selena e de Demi e cada um seguiu o seu caminho. – Prometa que não vai demorar na Rocco’s. – Resmungou Demi assim que fechou a porta do carona e Selena deu partida no carro.


   - Quem sempre fica indecisa é você. – Disse sem olhá-la e Demi revirou os olhos fivelando o cinto de segurança.


   - Até parece que você também não fica indecisa. – Retrucou arrumando a bolsa no colo relaxando o corpo no banco do carro.


   - Eu sempre me resolvo primeiro, você fica enrolando e até a composição dos alimentos você lê. – Resmungou Selena e Demi revirou os olhos mais uma vez.


   - Lógico, não quero correr risco de vida ou sei lá, nunca se sabe o que pode ter num delicioso cannoli. – Selena aproveitou o sinal vermelho para lançar um olhar incrédulo a Demi. – Só não enrola Sel, quero ir para casa descansar. – Descansando a cabeça no vidro da janela do carro, Demi sentiu o celular vibrar dentro da bolsa e não demorou nada para que ele estivesse em suas mãos.


“Está anoitecendo e a nossa noite maravilhosa não saí da minha da minha cabeça, aliás, nem você e nem ela. Nosso encontro ainda está de pé? Espero encontrá-la o mais breve possível, sinto saudade do seu beijo e dos seus olhos marrons. Adoraria acordar por muitas manhãs ao seu lado, receber um beijo como o que você me deu assim que acordou linda, manhosa e preguiçosa e desfrutar dos seus dotes culinários. Tenha uma excelente noite Demi. Jake.”.


Demi mordeu o lábio inferior, mas não conseguiu conter o sorriso que insistiu em nascer nos seus lábios. Encontro! Existiam tantas palavras que poderiam substituir aquela.. Encontro! Encontro na cabeça de uma mulher era uma palavra perigosa e a chave fundamental para um futuro relacionamento. Então porque Jake a usou? Ele tinha sido gentil e fofo? Pelo que a mensagem deixava claro, ele queria encontrá-la não só uma vez. O coração bateu forte cogitando a possibilidade. Será?


   - Nome, endereço, idade, profissão. – Selena a assustou, mas ela riu ainda não acreditando que Jake havia mandado uma mensagem como aquela.


   - Não me lembro exatamente do endereço, mas não é muito longe do meu apartamento. Vinte e oito anos. Hum.. Eu não sei com o que ele trabalha, mas ele está de férias e quer muito me encontrar. – Selena franziu o cenho, desviou os olhos por uma fração de segundos da rua a sua frente para fitar Demi que relia a mensagem.


   - Vocês.. Hum.. Transaram? – Perguntou mesmo sabendo a resposta.


   - Selena! – Demi automaticamente corou e sorriu sem graça fitando a tela do celular ainda na mensagem de Jake pensando no que ela poderia escrever. – Ele é bonito, engraçado e muito inteligente. – Comentou se lembrando da conversa animada com Jake no pub barulhento. Tinha sido tão engraçado um cochichando no ouvido do outro frases bobas e sem muito sentido. – E sim, a gente transou.. A noite foi muito quente! – As duas riram quando trocaram olhares mal intencionados.


   - Muito quente? – Selena perguntou quando estacionou o carro na primeira vaga da rua da Rocco’s.


   - Muito quente. – As delicias da Rocco’s eram de deixar qualquer ser humano com água na boca. Tudo era tão caprichado e Selena e Demi já tinham comprovado que cada um daqueles alimentos era um sonho de sabor. Uma verdadeira tentação, na verdade. Comprar apenas os cannolis foi um obstáculo para as duas amigas que desejavam levar também um belo pedaço de cada bolo de encher os olhos, as rosquinhas, os biscoitos que tinham acabado de sair do forno que cheiravam absurdamente bem e as outras delicias que enfeitavam o balcão. – Toda vez que nós saímos daqui, eu me sinto pelo menos dez quilos mais pesada. – Comentou Demi se abanando e suspirando por várias vezes.


   - Eu pensei que era só comigo. – Selena gargalhou quando a amiga mordeu o lábio inferior quando elas adentraram o carro. – Eu sei! Eles são tão gatos. – Disse concluindo a linha de raciocínio de Demi. Elas não iam a Rocco’s praticamente todos os dias depois do trabalho só porque o lugar vendia as melhores deliciais da cidade. Os irmãos Rocco, ah! Um era o padeiro sexy de olhos castanhos, cabelos negros e o rapaz era muito alto e forte. Esse era o mais velho e ele se chamava Mike Rocco. Já o mais novo, Johnny, era da mesma estatura do irmão e forte, tinha olhos castanho claros, um sorriso meigo e uma bunda tão redonda que toda mulher gostaria de apertar.


   - Ah Sel! Eles são tão gostosos, eu juro que se eu pudesse escolher entre o Mike e o Johnny, eu ficaria com os dois. – Selena tornou a gargalhar e assentiu. Não havia como escolher um daqueles dois. – Eles ainda sabem cozinhar! Não tem como ter algum defeito. – Murmurou pensativa.


   - Só se.. – Indagou Selena e as duas riram. – E eu pensei que você estava com o Jake, Lovato. Deixa de ser egoísta! – Demi revirou os olhos e mostrou língua para a amiga.


   - Tamanho não é documento, e eu poderia ficar com os três. O Jake também não fica para trás. – A conversa seguiu animada entre risadas moderadas e gargalhadas exageradas. Aquela era simplesmente uma das melhores partes de ser amiga de Selena, ela a fazia se esquecer dos problemas sempre com um sorriso na face e com muito bom humor. E naquela curta viagem ao apartamento de Demi não foi diferente, o que era bom já que a lembrança que queria vir à tona não a perturbou por momento algum.


(...)


A lua brilhava no céu escuro e estrelado, no interior do apartamento de Demi, as luzes estavam apagadas e na sala o silêncio entre as duas amigas era absoluto. Por mais cansada que Demi estivesse, a ideia de assistir algum filme qualquer na TV a animou, e Selena adorou quando a amiga apareceu na sala com uma bacia cheinha de pipoca, dois hambúrgueres, os cannolis e suco natural.


   - Dem? – Selena chamou quando o filme acabou e como sempre acontecia quando assistia a um filme de terror, Selena estava morrendo de medo.


   - O que foi Sel? – Perguntou Demi lançando um rápido olhar a amiga enquanto recolhia os copos, pratos e a bacia de pipoca. – Vampiros não existem. – Disse a Selena quando percebeu que a amiga a seguia apressadamente até a cozinha.


   - Você sabe que eu sou paranoica. – Selena automaticamente buscou pela toalha para secar a louça quando Demi começou a lavá-la.


   - Eu sei que é. – Demi lavou e Selena secou, tudo feito em silêncio.


   - Dem? – Selena tornou a chamá-la se sentindo terrivelmente desconfortável com o comportamento diferente da amiga. – Eu estou preocupada com você. – Disse de cenho franzido e o coração apertou no peito no momento em que Demi a olhou como uma menina assustada e desviou o olhar para um ponto qualquer não podendo suportar toda a dor acumulada em seu peito que ela insistia em ignorar. – O que ela fez? – Os olhos castanhos de Demi se arregalaram e as lágrimas rolaram molhando o rosto bonito e a camisa que Selena usava. – O que aquela filha da mãe fez? – Tornou Selena a perguntar abraçando forte a amiga contra o peito. Ela simplesmente odiava como Dianna era insensível, falsa e uma terrível mãe. Como aqueles malditos homens sempre machucavam a sua melhor amiga. Eles não enxergavam como Demi era especial? Como ela precisava ser amada e como ela amava a todos de todo o coração mesmo que eles não merecessem? Quando a conheceu há muitos anos atrás, Demi preencheu o lugar da irmã que Selena nunca teve. E ninguém iria machucá-la, não enquanto Selena estivesse ali para protegê-la. – Meu Deus, não chora Demi. – Pediu de coração partido.


Sem muita dificuldade Selena levou Demi aos prantos para o quarto. Pensar em Dianna machucava o coração de Demi. E quando Selena perguntou o que a mãe tinha feito, a noite passada veio em sua mente em borrões e tudo que ela ouvia era a voz da mãe constantemente naquelas palavras que destruía tudo o que ela era. O sentimento era tão forte e doloroso. Nunca teria o amor de Dianna e do homem que a gerou da pior forma que um homem pode agredir uma mulher, sempre seria aquela garotinha sozinha e sem afeto.


   - O seu porteiro me contou que ela esteve aqui ontem. – Disse Selena acariciando os cabelos da amiga que tinha a cabeça apoiada em seu colo e quando Demi, que já não chorava mais como há uma hora, a agarrou assustada e de olhos arregalados, Selena comprovou a sua teoria que Dianna tinha aprontado alguma coisa grave demais. – Você está parecendo uma criança assustada. – Comentou puxando o cobertor da amiga para cobri-las da melhor forma que podia. – Não guarde tudo para si mesma, não fará bem. – Demi fechou os olhos respirando fundo por diversas vezes, segurou a mão de Selena e tornou a desabar em choro quando abriu os olhos e fitou os de Selena. Era tão duro e sufocante. Jamais tinha imaginado em toda a sua vida que o seu pai, o homem que nem mesmo conhecia, mas que nutria amor, era um monstro que destruiu a vida de Dianna e que agora, mesmo adulta, a traumatizou severamente.


   - Sel. – O apelido carinhoso saiu por seus lábios num sussurro. Selena derramou as suas primeiras lágrimas sentindo o coração apertado por saber que a amiga sofria e a abraçou confortando-a.


   - Odeio quando você chora assim. – Disse de cenho franzido lutando contra as lágrimas teimosas. – Está melhor? – Perguntou quinze minutos mais tarde e Demi não disse nada, estava devastada por dentro e Selena não podia fazer nada.


   - Eu.. – Começou a dizer escondendo o rosto com as mãos. – A minha mãe.. A minha mãe esteve aqui ontem. – Demi respirou fundo, apertou as pálpebras e tentou organizar os pensamentos sem muito sucesso. – Ela queria que eu me encontrasse com um dos clientes dela, nós discutimos e.. – Uma lágrima solitária rolou pelo rosto de Demi e aquele velho aperto que a incomodava desde o dia passado veio com tanta força envolvendo o seu coração que Demi pensou que morreria naquele mesmo instante. – Ela disse que deveria ter interrompido a gravidez enquanto ainda era tempo. – Os olhos de Selena se arregalaram de pavor e os de Demi tornavam a derramar lágrimas grossas e incontroláveis. – Eu.. Eu disse que ele não permitiria, mas.. mas.. Ele a estuprou. Eu sou fruto de um estupro. – Selena a abraçou forte contra o peito completamente assustada. Tinha que ser mais uma das mentiras de Dianna, não era possível... Admitir em alto e bom som foi ainda pior, Demi se deixou ser abraçada por Selena enquanto chorava silenciosamente se sentindo como um nada.


   - Eu aposto que ela está mentindo. – Disse Selena a beijando na testa. Uma vez Dianna havia mentido sobre o pai de Demi para tentar convencê-la a se encontrar com homens que estavam “apaixonados” pela filha, mas não era mais que uma mentira suja, o que não demorou muito para Demi descobrir e novamente ficar no escuro a respeito do pai.


   - Não é. – Disse Demi limpando as próprias lágrimas que rolavam pelo rosto. – O jeito que ela me olhou e disse que.. que ele a estuprou e a espancou no chão frio de um banheiro. Eu nunca a vi com tanto ódio nos olhos, ela parecia tão quebrada e vulnerável. – Quando se ergueu recostando as costas na cabeceira da cama, Demi gemeu de dor. A cabeça estava pesada e o corpo reclamava de cansaço.


   - Você bebeu e passou a noite com o Jake para esquecê-la, não foi? – Demi assentiu abraçando os joelhos com os braços fitando um ponto qualquer do seu cobertor. Estava tão envolvida naquela história e com a cabeça a ponto de explodir que acabou não respondendo a mensagem de Jake.


   - Eu me sinto doente. – Disse se abraçando com mais força. – Agora eu entendo porque ela nunca me deu carinho, porque ela preferiu passar mais tempo fora de casa a minha companhia. O jeito que a vovó me olhava e me tratava como se eu fosse um grande problema. – As lembranças das noites sozinhas encolhida na cama ainda quando era pequena, as reuniões de pais e professores que Dianna sempre faltava, os aniversários que passaram em branco, a confusão que ficava a mente da pequena Demi ao encontrar um homem diferente em casa a cada dois dias e quando questionava a mãe se aquele era o seu pai dormia assustada com a bronca que ganhava da avó ou com o rosto dolorido dos tapas que ganhava da mãe. – Seria tão melhor se ela tivesse acabado com isso enquanto ainda tinha tempo.. Ninguém sofreria, seria apenas uma lembrança ruim, eu não seria um fardo pesado na vida dela e não me sentiria como um lixo. – Selena engoliu em seco completamente em estado de choque, abraçou a amiga de lado rezando para que aquela história fosse apenas um pesadelo.


   - Não diga bobagens. – Disse secando a lágrima que rolava pelo rosto de Demi. – Se você está aqui é porque Deus tem um propósito, não se culpe Dem. Ninguém nesse planeta tem o direito de te tirar a vida ou te culpar só porque as coisas não aconteceram como deveriam. Você é uma mulher incrível com um coração tão grande, não um fardo pesado. Ninguém é. – Demi fitou os olhos de Selena carregados de amor e tanta bondade. Sabia que Sel estava certa, mas doía tanto, era tudo confuso e embaraçoso.


   - Do que adianta? Eu não fui desejada e muito menos amada durante todos esses anos, eu destruí a vida dela. Isso me machuca tanto, eu a amo Selena. Sei que ela nunca gostou muito de mim ou sei lá, mas eu tinha esperanças que fosse apenas o jeito dela, que chegando ao fundo do poço ela me amasse como uma mãe ama a filha, mas como ela pode me amar? Ela era só uma menina de dezessete anos quando ele a.. a machucou. Dezessete anos. – Repetiu imaginando Dianna uma jovem bonita e assustada carregando no ventre um bebê que não desejava. – Todos os sonhos dela foram destruídos, a adolescência roubada por um monstro e um bebê.


   - Você não tem culpa. – Abraçando-a contra o peito, Selena deixou que Demi chorasse em seu colo por toda a noite até que a amiga finalmente adormeceu cansada.


Continua... Oi! Estou passando aqui rapidinho só para postar para vocês. Obrigada pelos comentários do capítulo passado, vou respondê-los no próximo capítulo. ps. Gente! O Joe já vai aparecer, só tenham calma.. essa parte da história com o Jake é muito importante, beijos! 

18.2.16

Capítulo 3




          O corpo reclamava de cansaço, a cama não ajudava nenhum pouco a despertá-la e contribuía generosamente para a preguiçosa que a dominava. A cabeça parecia que iria explodir, a dor de cabeça era tão forte e insuportável. Remexendo-se, Demi agarrou o travesseiro e murmurou alguma coisa sentindo algo deslizar em suas costas nuas. A noite tinha sido longa e muito divertida, o que era ótimo em meio aos últimos acontecimentos do dia passado. Sentindo novamente algo deslizar por suas costas, Demi abriu os olhos e os fechou novamente por conta da claridade do quarto.


   - Bom dia preguiçosa. – A voz grossa no tom brincalhão soou. As lembranças falhas da noite passada vieram como flashes e Demi sorriu timidamente abrindo os olhos. Jake era realmente um gato. Moreno claro, forte com direito a um peito largo acompanhando de um abdômen cheio de gominhos e abraços fortes, os olhos eram azuis como o céu de uma tarde quente, os cabelos, como ela pensou na noite anterior, eram lisos e loiros escuros. Ele era simplesmente lindo! – Além de preguiçosa também é manhosa? – Sorrindo sem jeito, Demi recebeu um selinho nos lábios e resmungou quando ele a puxou debaixo do lençol branco que os cobriam para cima dele.


   - Bom dia. – Pela manhã Demi era tímida. Principalmente quando acordava na cama de um cara depois de uma noite extremamente quente e prazerosa. Era a única parte do dia e uma das poucas situações que a timidez a pegava de jeito.


   - Você é ainda mais linda pela manhã. – Jake disse deslizando as mãos pelo rosto dela e a abraçou contra o peito nos braços fortes. Ele não mentia. Demi parecia tão delicada e menina, os olhos castanhos ternos, os cabelos castanhos macios e lisos e as sardas do rosto. A pele clara e as curvas que o enlouqueceram na noite passada..


   - Você também. – Ela sussurrou corando por sentir o corpo dele quente e nu debaixo do seu. O silêncio pairou sobre eles e Demi fechou os olhos novamente gostando daquela sensação boa que era estar com Jake, mesmo que ela estivesse completamente machucada e confusa por dentro. Pensar em Dianna fez com que o seu coração se encolhesse de angústia e medo. Será que era realmente verdade o que ela havia dito na noite passada? Dianna já tinha mentido tantas vezes e Demi não se surpreenderia se ela o fizesse mais uma vez.. A lembrança se repetiu em sua cabeça como um vídeo no replay, as palavras duras e amargas, os olhos frios carregados de dor. Era mesmo verdade, ninguém conseguiria interpretar tão bem uma cena como aquela, nem mesmo Dianna.


   - O que acha da gente tomar banho e café da manhã? – A voz profunda de Jake a despertou do transe e Demi assentiu o beijando no queixo. Jake era um cara legal, ela deveria focar nele e se esquecer de Dianna e todos os problemas que vinham junto com ela.


Juntos tomaram banho conversando vez ou outra sobre as coisas que os interessavam. Demi às vezes estranhava o homem grande ao seu lado, ele era um completo estranho que tinha a ajudado a se esquecer por uma noite de um enorme problema, mas no fundo gostava de Jake e sentia que podia confiar nele por mais que algo dissesse para ela ficar longe dele.


   - Que tal uma aspirina e um copo d’água? A minha cabeça está doendo e a sua também deve estar. – Saindo do closet vestida com uma camisa grande demais que pertencia a Jake e a calçinha da noite passada, Demi foi guiada pelo homem que a puxava pela mão até à cozinha do apartamento onde se sentou em um dos bancos da bancada de mármore. Tudo era tão luxuoso e impecável, que um nó formou-se na garganta de Demi. Ela simplesmente odiava aqueles lugares cheios de coisas caras. – Você está tão quieta. – Disse Jake a observando enquanto pegava a cartela de comprimidos e dois copos limpos no armário. – Tem algo de errado? Não se lembra da noite passada? Ou é casada? – Perguntou enchendo um copo com água purificada e logo o fez com o outro.


   - Não.. Não sou casada. – Demi forçou um sorriso e agradeceu quando o rapaz lhe entregou o copo cheio d’água e o comprimido. – Só a minha cabeça que parece que vai explodir. – Disse desanimada. Beber nunca tinha sido o seu forte. E nunca a ajudava como acontecia com as outras pessoas. Parecia que o álcool não funcionava com ela, aliás, ele só ajudava a deixá-la um pouco mais solta que o normal, o que nunca acabava bem.


   - Você exagerou na bebida. – Jake a deixou completamente tonta quando a puxou para os braços e a beijou no pescoço. – Nós podemos descer para tomar café da manhã ou podemos preparar alguma coisa. – Ele disse a olhando com desejo. – Sou uma tragédia na cozinha. – Murmurou colando os lábios aos de Demi se esfregando a ela de maneira insinuosa.


   - Posso preparar o café. – Demi embrenhou os dedos aos cabelos de Jake analisando a consistência dos fios macios e o abraçou repousando a cabeça no ombro do rapaz também sendo abraçada. Era estranho trocar aquele tipo de carinho com o cara que ela conhecia tinha apenas uma noite, mas ao mesmo tempo era maravilhosa a sensação de ser abraçada por ele.


   - Você cozinha? – Indagou surpreso. Demi o olhou e deu de ombros assentindo.


   - A minha avó gostava da minha comida. – Comentou brevemente sem olhá-lo. Amélia era um caso particular que Demi insistia em estudar mesmo sabendo que não deveria. A mulher nunca demonstrou nenhuma afeição por ela, exceto uma vez que Demi a flagrou a olhando com curiosidade e os olhos castanhos como os seus brilharam como se Amélia a amasse. – Selena não reclama, ela até.. – Os olhos castanhos se arregalaram de pânico ao se lembrar de Selena. Demi levou a mão à testa e procurou por algum relógio na bancada da cozinha. Dez minutos para as três horas da tarde. O sangue congelou nas veias. Duas e pouca da tarde significava que ela estava atrasada, aliás, muito atrasada! Ou despedida.


   - Você está bem? – Jake perguntou de cenho franzido e preocupado pronto para levá-la para o hospital.


   - Eu estou atrasada! – Ela literalmente disparou em direção ao quarto como um carro de corrida numa disputa importantíssima pelo título que poderia perder para o adversário a sua cola. Ai meu Deus! Atrasada! Demi procurou pelo vestido, a bolsa e os sapatos de salto e os encontrou: os sapatos estavam alinhados à poltrona e o vestido cuidadosamente dobrado e posto sobre o braço do móvel assim como a bolsa de mão. Se ela não estivesse tão desesperada agradeceria Jake com um beijo ardente, mas tudo que fez foi tirar a camisa dele ficando apenas de calcinha e vestiu a peça da noite passada aos trancos e barrancos. – Você pode.. Hum.. Por favor, fechar para mim? – Pediu ao vê-lo sentado de braços cruzados na cama a olhando com curiosidade.


   - Você está atrasada. – Disse calmamente afastando os cabelos dela das costas os jogando na direção do ombro direito. – Vou levá-la para casa. Tudo bem? – Demi assentiu respirando fundo por várias vezes. Tinha alguma coisa naquele homem que a fazia perder o compasso, respirar sempre ficava mais difícil e os pensamentos não eram nada angelicais.


   - Obrigada, mas posso pegar um táxi. – A voz ainda soou nervosa e desesperada, Demi se enfiou aos sapatos de salto e pegou a bolsa de mão pronta para partir.


   - Vou levá-la. – Ele disse sério buscando as chaves do carro dentro da gaveta do criado-mudo e estendeu a mão para Demi que sem opção agarrou-a.


   - Não estou dando trabalho? – Perguntou Demi um tanto sem jeito caminhando ao lado de Jake em direção ao elevador no final do corredor.


   - Claro que não. – Jake esboçou um sorriso galã e enquanto esperavam o elevador, selou os lábios aos de Demi num beijo suave e rápido. – Você está me devendo um café da manhã, eu estou faminto. – O olhar intenso dele a fez corar. Também estava faminta e cansada por conta da noite longa e quente.


    - Nós podemos combinar. – Aquilo era estranho. Completamente estranho. Demi não esperava muito de Jake, principalmente que ele quisesse ficar mais tempo com ela, como insinuava, e a tratasse tão bem se oferecendo para levá-la para casa. Geralmente os caras, não que tenham sido mais de quatro contando com Jake, que Demi dormia passavam a noite no apartamento dela e antes do dia amanhecer já estavam a caminho de casa ou qualquer outro lugar sem dar a mínima para a existência dela.


   - Estou com alguns dias de folga do trabalho. – Comentou o rapaz assim que adentraram o elevador vazio. – Estou solteiro e você também. Que tal marcar um cinema, teatro, qualquer coisa. – Demi o olhou surpresa e recebeu um sorriso amarelo. – Claro, se você quiser. – Ele completou e ela pensou em dar um desculpa qualquer, estava cansada de relacionamentos conturbados que sempre acabam mal e tinha o problema com Dianna, mas também esperava encontrar um bom homem que pudesse amar e ser igualmente amada. E se o cara fosse Jake? Ele era gentil, engraçado e muito bonito. Sem contar que era um ótimo amante, ótimo até demais para ser verdade. Como ela descobriria se batesse a porta na cara dele gritando um alto não? Por mais que temesse ser machucada mais uma vez, Demi sabia que seria um risco que correria.


   - Nós podemos combinar. – O sorriso tímido foi inevitável. Se Jake estava a chamando para sair era porque ele a considerava boa o suficiente para assumir o posto de namorada? As bochechas coraram. Ah não! Aquilo nunca era bom, ela não alimentaria falsas esperanças, era uma adulta independente que teve apenas uma transa com um cara. Talvez Jake só quisesse transar com ela novamente ou algo do tipo. Ele não era um príncipe encantado por mais que era idêntico a um. O mundo não era nem de perto o conto de fadas que toda garotinha sonhava, e Demi havia descoberto, das piores formas, que os príncipes encantados não existiam.


O silêncio não era constrangedor ou desagradável no interior do carro, vez ou outra Jake ou Demi comentava alguma coisa sobre a noite passada no pub, sobre como o lugar era legal e tinha sido palco para grandes cantores americanos. Nova York, como sempre, tinha as ruas movimentadas com todo o tipo de gente, uma grande fileira de carros pela avenida principal de Manhattan com direito a motoristas impacientes e quando chegaram a Times Square, foram contemplados com os telões enormes dos prédios com incríveis anúncios que chamou a atenção de Demi por alguns minutos. E não demorou muito para Jake chegar em frente ao prédio em que ela morava atrás do GE Building.


   - Está entregue. – O sorriso avassalador dele a deixou completamente sem graça. Como iria se despedir? Com um tchau? Um beijo na bochecha ou um na boca? Droga! Ela precisava pensar rápido, estava atrasada e numa enorme encrenca.


   - Obrigada pela carona Jake. – Geralmente quando estava nervosa e tímida Demi levava a mecha dos cabelos castanhos para trás da orelha e mordia o lábio inferior, uma velha mania que enlouqueceu todos os meninos do ensino médio. – Eu.. Eu tenho que ir. – Gesticulando a mão direita enquanto falava, Demi acabou apontando para a esquerda a apontar para a direta, onde ficava a entrada do prédio. Só Deus sabia como ela estava nervosa.

   - A noite foi maravilhosa Demi, espero que seja a primeira de muitas. – Por que os olhos dele tinham que ser tão intensos? O calor tomou conta do corpo dela quando os lábios deles se fundiram num beijo de tirar todo o fôlego, Jake segurava-lhe gentilmente o rosto. – O seu número. – Demi digitou o número no celular dele rapidamente ainda nervosa e com os hormônios a loucura, encostou os lábios nos dele para beijá-lo e logo que o fez, saiu do carro às pressas e acenou recebendo um lindo sorriso de Jake. Ela teria um ataque do coração se Jake insistisse em sorrir daquele jeito toda vez que a beijava.

   - Demi! Ai meu Deus! – Exagerada. Selena era muitíssimo exagerada. Assim que pisou no hall do prédio os olhos se arregalaram. Por que toda aquela recepção? Melhor, porque Selena andava de um lado para o outro na presença do sindico, do porteiro e do recepcionista? – Ela acabou de chegar. – Disse Selena ao telefone. – Muito obrigada, muito obrigada pela ajuda. Tenha um bom dia! – Que não fosse o que Demi pensava.. – Demetria! Eu estava tão preocupada com você! – Selena abraçou a amiga que ainda estava em estado de choque. O que diabos era aquilo? Ela já tinha passado mais de uma noite fora de casa sem dar notícias a ninguém, e Dianna ou Amélia nunca a recebeu da forma que Selena tinha o feito. Ela poderia ter só uma amiga, mas era melhor ter apenas uma e verdadeira, que muitas e falsas.

   - Sel, eu estou bem. – Disse a abraçando de volta. – Eu estou bem. – Afirmou mais uma vez quando Selena a olhou como se checasse se ela estava inteira.

   - Obrigada rapazes, nós vamos subir. – Agarradas, Demi cumprimentou os funcionários do prédio e foi arrastada por Selena para o elevador que por um milagre estava vazio. – A polícia estava a caminho. – Disse Selena e Demi estreitou os olhos.

   - Selena! A polícia? – Disse boquiaberta.

   - O que você queria? – Perguntou exaltada. – Você some desde a noite passada, não liga, não atende o celular e não vai trabalhar, já são duas da tarde! Óbvio que eu pensei no pior. Ainda saiu sozinha para Deus sabe onde! – Tudo bem, Selena podia ter razão. Mas tudo foi tão rápido e tão chocante que Demi não tinha pensado naqueles detalhes.

   - Eu estou viva. – Aquelas palavras pesaram tanto no coração e Demi engoliu o choro desviando o olhar da amiga. Estar com Jake a fez se esquecer, mas a noite tinha acabado e os fatos não iriam mudar. – Agora não, prometo que explico mais tarde. – Apressou-se a dizer quando a amiga a olhou daquele jeito que Demi bem conhecia. – Como estão as coisas na empresa? Fui despedida? – Perguntou respirando fundo para não começar a chorar.

   - Jason está preocupado com você, pediu para mantê-lo informado. – Demi assentiu aliviada. Podia não ter uma mãe e um pai que a amasse, mas havia encontrado poucas pessoas que tinham lhe entregado o coração.

   - Vou só trocar de roupa e nós partimos para o trabalho. – Demi ignorou o olhar preocupado de Selena e abriu a porta do apartamento quando o elevador chegou ao seu andar. Poderia estar esgotada, mas preferia passar mais algumas horas entretida com qualquer coisa que pensar na bagunça que o seu coração estava.

Continua... Oi! Espero que gostem desse capítulo, as coisas vão começar a acontecer... Beijos e se puder, comentem a opinião de vocês!! Tchau e até o próximo capítulo

14.2.16

Capítulo 2 - Jake



As costas estavam curvadas e os braços enlaçavam as pernas cruzadas. O corpo quente em contato com a cerâmica fria a incomodava, a posição que estava sentada só não era mais desconfortável que a dor que a corroia. As lágrimas não paravam de rolar por um segundo sequer como se nunca fossem acabar. Mas Demi não se importava com a visão embaçada e com a terrível dor de cabeça que a perturbava severamente desde que o choro a tomou. Os pensamentos lhe escapavam como grãos de areia entre os dedos numa devastadora ventania. O que estava acontecendo? Por um momento até o próprio nome lhe fugiu da mente. Apertou as pálpebras com força ao mesmo tempo em que a dor aguda estocou o coração fazendo mais lágrimas rolarem ao se lembrar das palavras que escutou mais cedo. Verdade ou mentira, o que sentia era profundamente doloroso e devastador. Dianna não a amava e nunca o faria. Não era simplesmente algo que ela pudesse e quisesse exigir da mãe, aliás, ela simplesmente a gerou certamente para que a consciência não pesasse futuramente, era o que Demi pensava, e se tratando de Dianna, não lhe restavam dúvidas.

Pensar em que de certa forma destruiu uma vida a fez se encolher ainda mais assustada. O que pensar? O que fazer? Eram tantas ideias insanas, algumas até coerentes, mas as insanas eram as que a controlavam. E a culpa? Sim, a culpa e o desprezo que sentia em relação a si mesma poderia matá-la em questão de segundos. O quão injusto o mundo era. Pseudo mundo, claro, as pessoas em que nele viviam essas sim eram injustas e egoístas. Uma mera ironia, em toda a vida tentou conquistar o amor da mãe, que nunca deu espaço para ela, o amor da avó, que a olhava como se ela fosse uma carga pesada prestes a explodir, e doou-se no melhor que tinha a homens que a enganou e a usou por puro luxo como o homem que a gerou, não com violência física, mas com um tipo pior que até hoje Demi guardava sequelas. “Ele me estuprou e me espancou no chão frio de um banheiro.”. Os olhos marrons e femininos, inchados e avermelhados se arregalaram por tanto tempo. A voz de Dianna naquela frase iria acabar a enlouquecendo tanto que Demi levou a mão esquerda à orelha esquerda e do mesmo modo fez com a direita tentando não ouvir aquela frase novamente, mas era impossível, estava em sua mente e chegava ecoar com a visão da mãe a olhando com desprezo.

Quando o ponteiro do relógio avançou por pelo menos três casas, o choro não podia ser mais ouvido, os olhos não estavam mais arregalados e muito menos o coração batia forte e raivoso demais dentro do peito. A mulher que agiu como uma criança indefesa havia adormecido cansada demais para lhe dar com qualquer coisa, principalmente com a mãe e os problemas que ela trazia. Ao menos no sono havia paz e tranquilidade, mas algo simplesmente assustador e tenebroso a acordou num pulo. Sem mais lágrimas para rolar pelo rosto, Demi olhou na direção do relógio da sala e com muita dificuldade conseguiu se levantar um pouco tonta e cansada, mas o fez. Caminhou até a cozinha e subindo numa cadeira já que era baixinha demais para alcançar a segunda divisão do armário, abriu a porta e checou se a garrafa de vodka estava onde geralmente a deixava, daí se lembrou de que tinha usado um pouco da bebida para fazer coquiteis algumas semanas atrás quando Selena passou a noite com ela e algumas colegas da época da faculdade. E como pensou, a garrafa estava na geladeira. Melhor ainda. O primeiro gole foi como se algo tivesse a rasgado no meio queimando, mas Demi gostou e depois de se recuperar balançando a cabeça, veio o segundo e terceiro gole. Não era a primeira vez que bebia vodka ou qualquer bebida com álcool, porém de certa forma era a primeira vez que consumia álcool daquela forma. Às vezes Demi bebia cerveja, whisky, vinho e algumas bebidas coloridas quando ia à balada com Selena, mas nunca era nada que a deixava bêbada. Mesmo se sentindo tonta, caminhou para o quarto usando as paredes e os móveis como apoio parando algumas vezes para virar a garrafa de vodka pura apreciando como a dor e a culpa evaporava e a fazia se sentir desconfortavelmente bem.. Sentando-se a cama, fitou a boca da garrafa como se fosse a coisa mais interessante do mundo e começou a chorar, logo estava gargalhando tanto que a barriga doía e o travesseiro foi a vítima da vez já que ela o usou como saco de pancadas.

   - Filha da puta.. – Sussurrou quando se olhou no espelho do banheiro. – Filha da puta! – Gritou e chocou a garrafa ao enorme espelho o transformando em milhares e milhares de pedaços.

            Encostada a bancada do banheiro, Demi fechou os olhos e cruzou os braços contra o peito. Permaneceu daquele jeito por algum tempo, até que se despiu e se enfiou debaixo da água fria do chuveiro onde chorou mais uma vez quando as palavras da mãe ecoaram em sua mente. Por que tinha que doer tanto? Por que a vida tinha que reservar o pior para ela? Por que ninguém a amava? Será que no fundo todos sabiam que ela tinha destruído uma vida e por isso a desprezavam? Deveria ser e por um momento Demi desejou que Dianna tivesse “dado” um fim em sua vida enquanto ainda havia tempo.. Mas ela não pensava e muito menos agia de forma certa. O banho frio a fazia tremer e bater os dentes, porém levava a culpa e o efeito da bebida ralo a baixo. Tudo estava simplesmente uma bagunça e por um pouco Demi não se cortou com os cacos de vidro e do espelho quando quase caiu enrolada a toalha branca destino ao closet, e quando chegou ao espaço onde guardava seus objetos pessoais, selecionou um de seus vestidos tubinhos negro, sapato de salto e o secador de cabelo. Secou-se e embebedou o corpo com o típico perfume, secou os cabelos castanhos com o secador e os alisou ainda mais com a chapinha. O vestido era justo e ressalva as curvas do corpo bonito, Demi subiu aos sapatos de salto também negros e se sentou a poltrona para começar a se maquiar. Traçou aqui e ali, alongou os cílios, escondeu as sardas e de quebra pintou os lábios carnudos com um belo batom vermelho, escolheu brincos de prata, anéis e braceletes. Ela estava definitivamente um arraso, por dentro e por fora.. A carteira foi recheada com algumas notas de cem dólares e o toc toc dos sapatos ecoou pelo apartamento em direção à porta. Mais toc toc pelo corredor até o elevador, onde Demi encontrou o casal de homossexuais do penúltimo andar aos beijos. Ignorou-os completamente e não rebateu aos comentários maldosos de Alexandre, o passivo, e os olhares estranhos que Josh, o ativo, lhe lançava. Às vezes Demi o flagrava a olhando demais, suspeitava que se retribuísse os olhares, Josh acabaria em sua cama, algo que nem de longe ela desejava. Quando o elevador chegou ao térreo, Demi passou pelo hall do prédio e só parou quando avistou o porteiro e o recepcionista conversando.

   - Boa noite senhores. – A voz soou fria e matadora, os dois homens interromperam a conversa e a surpresa ao vê-la estava estampada nos rostos, Demi até viu desejo nos olhos do homem mais novo que a olhou de cima a baixo, mas logo corou certamente porque estava no trabalho.

   - Boa noite Srta. Lovato. – O mais velho, o porteiro, disse esboçando o típico sorriso prestativo.

   - Apenas Demi. – Ela disse nervosa deslizando os dedos pela estampa de pedras da bolsa. – Se a minha mãe bater mais alguma vez a minha porta vocês vão ter sérios problemas com o dono dessa porra de prédio e com os meus advogados. – Disse lançando olhares nada gentis aos homens pálidos a sua frente.

   - A Srta. Hart nos informou que a Srta. ligou avisando que estava passando mal, achei melhor deixá-la subir já que era a sua mãe. – Tentou se explicar o homem mais novo e Demi não deixou de rir.

   - Você é pago para trabalhar na recepção, não para achar e especular a vida alheia. O aviso está dado, ninguém subirá ao vigésimo quinto andar e baterá à porta do apartamento quarenta e três sem a minha permissão, caso contrário nós vamos ter sérios problemas. – Virando as costas, Demi não se importou se havia ou não sido grossa demais, caminhou para fora do prédio e respirou fundo enchendo os pulmões de ar. Pensou em ligar para Selena, mas se lembrou de que a amiga deveria estar sentada a mesa de jantar com os pais comemorando aquela data que ela jamais poderia comemorar. O aperto no peito a fez fechar os olhos com força para conter as lágrimas. Sabia que se pensasse mais um segundo naquela história, acabaria num hospital, sentia tanta raiva de si mesma, da mãe e do homem que a gerou. Por que diabos os homens agiam como animais irracionais? Por que eles achavam que tinham direito sobre o corpo de uma mulher? E por que ela a deixou viver? Seria tão mais fácil se Dianna tivesse interrompido a gravidez. Assim ela não se sentiria como a pior pessoa do mundo por ter sido fruto de uma agressão e um fardo pesado durante toda a vida da mãe. Talvez tudo seria diferente, Dianna poderia seguir a vida como bem quisesse, não que a mãe não tenha o feito, e ela não seria emocionalmente frustrada e muito menos se sentiria indesejada durante toda a vida.

A ideia de passar no GE Building a sua frente era tentadora, mas Demi sabia que se olhasse para as estrelas no silêncio do terraço do prédio acabaria fazendo uma grande besteira, então ignorando os olhares das pessoas que já a encaravam, principalmente um homem de óculos escuros dentro de um belo carro preto parado do outro lado da rua, Demi bateu a mão quando o primeiro carro amarelo livre passou por aquela rua. – Por favor, Cafe Wha?. – O "Cafe Wha?" era um pub que ela e Selena costumavam frequentar todas as sextas à noite. O caminho não era longo e assim que o taxi chegou ao destino, Demi pagou o taxista com uma nota de cinquenta e desceu do carro atraindo olhares das poucas pessoas que estavam na rua e do lado de fora do pub. Era domingo, e por mais que no dia seguinte a rotina começaria, o Cafe estava cheio, provavelmente de estrangeiros, universitários e funcionários como ela que arriscariam o emprego por um porre para se esquecer dos problemas. O lugar não era muito grande e estava longe de ser o mais confortável, bem pelo contrário, era pequeno e um pouco abafado, havia algumas mesas como num Café retro e muitos estrangeiros, mas a comida e a bebida eram boas assim como a música ao vivo que mostrava como existiam excelentes cantores longe da mídia mundial. Adentrando o pub, Demi foi diretamente para o bar e pediu por uma mistura de tequila, vodka e outra bebida que deixou o drink azul. Virou o copo por várias vezes encostada ao balcão observando as pessoas dançarem ao som da banda que tocava. Eles eram bons, realmente bons que cansada de beber e sem muita consciência, Demi deixou o ritmo da música dominá-la no meio das pessoas que dançavam como se não houvesse amanhã na pista de dança improvisada. A batida da guitarra era eletrizante e a bateria criava um fundo hipnótico não a deixando pensar em nada além de mover o corpo e relaxar. Claro que a bebida ajudava, e muito.. Não existia os seus ex-namorados, a sua mãe problemática, não existia nada. Absolutamente nada que pudesse impedi-la de se esquecer dos problemas.

            Dançou até sentir os pés reclamarem, mas mesmo assim continuou a mover o corpo e tudo melhorou quando o garçom a serviu com uma taça de alguma bebida, na verdade foram várias taças, o que resultou em sorrisos involuntários e alguns flertes que terminaram em beijos ardentes. Cansada e aproveitando o intervalo para trocar de banda, Demi se sentou num banco do bar e pediu um copo de cerveja. Fitou todos a sua volta e estranhou o homem engravatado que mantinha os olhos nela desde que começara a dançar mais cedo.

   - Olá. – Um rapaz vestido com calças jeans escuras, camisa de cor clara, tênis brancos e de belos olhos castanhos a cumprimentou se sentando ao banco vizinho. E tonta demais para ter receio Demi sorriu e bebericou a cerveja. Ora, ela não estava bêbada, só não sabia como controlar as emoções com tanto álcool correndo pelas veias.

   - Oi. – Disse apertando a mão do rapaz quando ele a estendeu.

   - John, a Srta. é? – Apresentou-se o rapaz de forte sotaque britânico repousando o braço sobre o balcão e Demi olhou curiosa a sua volta procurando o homem engravatado que a olhava dançar, mas não o encontrou e então sorriu para John ao seu lado.

   - Demetria, ou Demi. – Disse bebericando a cerveja mais uma vez e repousou o copo próximo à mão esquerda de John, que sorriu para a moça levando a mão ao joelho dela.

   - Você estava linda dançando. – Elogiou esboçando o seu melhor sorriso e Demi arqueou as sobrancelhas e riu balançando a cabeça. – Estou na cidade há três semanas e você é a mulher mais linda que eu vi em toda Nova York. – Distraída com os elogios, Demi não percebeu que o homem engravatado que a olhava se aproximava em passos furiosos, até que a voz grossa soou a fazendo arrepiar.

   - Ela está acompanhada. – A voz do homem soou fria e poderosa, Demi o olhou intrigada e ao mesmo tempo em que uma espécie absurda de desejo crescia em seu interior, o medo também crescia como uma clara forma de aviso para que ela ficasse longe dele.

   - Perdão? Ela está comigo. – Disse o rapaz se levantando perdendo a pose de bom moço.

   - É melhor você ficar longe dela. – O coração disparou quando o homem avançou sobre o rapaz segurando-lhe a mão com força e quando John foi obrigado a abri-la, Demi arregalou os olhos ao ver o comprimido pronto para se juntar a sua bebida. – Estou no bar. – Disse o homem ao telefone e em questão de segundos dois seguranças levaram o rapaz que a doparia para fora do estabelecimento. – Você não deveria beber. – Disse o homem se sentando ao banco onde John estava sentado.

   - Não é porque você me salvou que eu vou te obedecer. – Soou amargo e mal agradecido demais para quem tinha sido salva de ser violentada sexualmente ou Deus sabe lá o que, mas Demi ainda tinha um propósito que era se esquecer da vida fracassada que tinha.

   - Só acho que você é nova demais para morrer de cirrose. – Disse o homem acenando para que o barman se aproximasse.

   - Você é um idiota. – Demi virou o copo de cerveja de uma vez só e aproveitando que o garçom servia o homem ao seu lado, estendeu o copo e sorriu amarelo quando o mesmo ficou cheio de bebida. – Hum.. Obrigada por.. você sabe.. – Pela primeira ela fitou os olhos do homem e ficou sem palavras. Eram tão azuis... – Eu.. Eu vou dançar. – Disse atrapalhada tentando ficar de pé sem muito sucesso, deveria ser todo o álcool que havia consumido naquela noite.

   - Tem certeza? – O homem a segurou nos braços para ajudá-la a se levantar e esboçou um sorriso bonito e esperto. – Você não me parece muito bem.. Hum, qual o seu nome? – Ele perguntou ainda com um lindo sorriso nos lábios que a deixou mais tonta e atrapalhada.

   - Demi. – Por que ele tinha que ser bem maior que ela, tinha que ter ombros largos e lindos olhos azuis? Automaticamente Demi balançou a cabeça tentando afastar todos os pensamentos inapropriados com aquele estilo de homem que ela adorava.

   - Jake. – Sorrindo ele parecia bem mais simpático que a encarando como tinha feito mais cedo. Jake era alto, forte e mesmo que a luz do interior do pub não ajudasse, Demi apostava que o homem tinha cabelos loiros escuros. – É um prazer conhecê-la, Demi. – Ele disse esboçando um sorriso presunçoso ao estender a mão e quando Demi a apertou não deixou de perceber o olhar intimo que ele lançou sobre ela.

   - Igualmente, Jake. – Deveria ser a bebida, sim, era! Demi havia prometido para si mesma que não se encantaria por nenhum homem, principalmente um que exalava poder em um terno caro e impecável como Jake. Ela estava simplesmente hipnotizada com a beleza surreal do homem. – Eu.. Eu.. Hum, vou dançar. – Quando as mãos grandes dele soltaram os seus braços do aperto gentil, Demi se direcionou a pequena pista de dança improvisada e começou a dançar de olhos fechados concentrada em esquecer a tragédia que era a sua vida e só os abriu quando a terceira música do repertório começou a tocar, era um cover de alguma banda famosa, porém Demi tinha a mente em outra dimensão para se lembrar do nome da música, continuou a dançar perdida no copo de bebida que já tinha em mãos e em mover o corpo. E mesmo estando a metros de distância, flagrou os olhos azuis de Jake vidrados nela. Ele era lindo! Não tinha como negar, Demi acenou e sorriu e o homem trocou poucas palavras com outro rapaz que estava sentado ao lado dele e caminhou até ela sorrindo.

   - Os homens não tiram os olhos de você. – Sussurrou no ouvido dela e a presença masculina dele a envolveu em todos os sentidos.

   - E você? – Disse próximo ao ouvido dele por conta do barulho do pub e entregou o copo vazio ao garçom que passava os recolhendo para que pudesse envolver o pescoço de Jake com os braços já que ele tinha as mãos em sua cintura a puxando contra o corpo dele.

    - Você não tem ideia de como é linda, não os condeno. – A voz dele era tão macia e ao mesmo tento grossa. Demi tateou o rosto barbado, sorriu ao vê-lo sorrir e o beijou. A sensação de beijá-lo era tão boa, Demi não podia pensar em mais nada além das mãos dele a apertando e da língua quente acariciando a dela. – Eu? Hum, eu sou o cara mais sortudo do mundo. – As pernas de Demi estavam como gelatinas e a culpa era exclusivamente do sorriso do homem que a beijou novamente lhe roubando toda a sanidade.

 Se esquecer era o objetivo de Demi, Jake realmente a ajudou. Os lindos olhos azuis, o sorriso e os beijos foram a fórmula perfeita. Jake era muito engraçado, apesar de parecer sério e muito formal vestido num terno, gostava de dançar, beber e sabia exatamente onde tocá-la.


   - Me conta mais sobre você. – Estavam sentados a uma mesa afastada há bom tempo, Demi, como sempre acontecia quando bebia, não parava de falar por um minuto sequer. Jake a olhou e deu de ombros sorrindo divertido.

   - Hum.. – Ronronou bebericando a bebida sem tirar os olhos de Demi. – Entrei para a Columbia aos dezesseis anos, amo viajar, conheci boa parte da Europa e da América e gosto de beber com você. – Demi sorriu e deu um longo gole na bebida em seu copo. – E você? – Os dedos dele roçaram o joelho dela e Demi tornou a sorrir gostando de ver os dedos dele subindo e descendo.

   - Eu? – Engoliu em seco e desviou o olhar dos olhos azuis intensos para a garrafa de tequila quase vazia sobre a mesa. Era impossível não se lembrar de Dianna e das palavras rudes.. Demi já tinha consumido uma boa quantidade de álcool, mas nunca era suficiente para fazê-la realmente se esquecer. – Ver as estrelas é o meu passatempo preferido. Gosto de caminhar no final da tarde no Central Park e comer besteiras. – Ao menos ela conseguiu um sorriso dele, que a olhava com certa expectativa. – O que? – Perguntou rindo para disfarçar a tensão que queria possuí-la. – Não quero falar sobre isso, pode ser? – Aproximando-se dele, Demi levou a mão ao cotovelo másculo e beijou a boca do homem de olhos azuis que a fitava com desejo. – Podemos fazer coisas melhores. – Sussurrou nos lábios dele e o clima esquentou sem grandes complicações, Jake a beijava com desejo e ela não ficava para trás, explorava o corpo dele com as mãos e ele o corpo dela.

   - Acho melhor a gente procurar um lugar mais reservado. – Ofegou com a boca próxima ao ouvido de Demi. Arrepiada e excitada da cabeça aos pés, Demi gostou da ideia de Jake. Apressou-se a puxá-lo pela mão e quando finalmente estavam fora do pub, caminharam quase correndo, o que resultou em risadas exageradas, e chegando em frente ao carro preto, Jake a imprensou contra o aço frio e a beijou com desejo. – Para o seu apartamento ou para o meu? – Perguntou ofegando e abrindo a porta do carro para Demi e apressando-se a entrar no carro para beijar a mulher que o esperava.

   - O sofá e o tape estão disponíveis, a minha cama não. – Jake arqueou as sobrancelhas enquanto dava partida no carro e Demi deu de ombros. Nunca dormiria com um cara debaixo de seu teto e sobre a sua cama. Ora, lá era o seu lugar sagrado de descanso e não o destruiria por nenhum cara.

   - Então vamos para o meu apartamento. – Pelo sorriso de Jake, a noite seria longa. 

Continua... Olha ele! Jake já entrou em ação... prestem atenção nos detalhes, os detalhes...  Gente, vocês saberão mais sobre a Dianna e o pai da Demi futuramente, por enquanto vamos com calma.. Muito brigada pelos comentários, respostas aqui com alguns "spoilers". Beijos e até o próximo capítulo.

ps. Ei, que tal dá uma passadinha lá nos blogs da Andreia Moreira? Jemi Mesmo Destino 1 Temporada & As Minhas Fanfic do Harry Potter