24.5.14

Mini Fic - Capítulo 27 + Epílogo

Demi não conseguia. Ela sempre soube não ser forte o suficiente para estar com um homem que arriscava a vida todos os dias. Foi o que disse a Joe inúmeras vezes. Logo depois do primeiro beijo, e de novo, depois da primeira noite deles juntos. Ela tentou fazê-lo entender o quanto era impossível para ela, tentou fazer seu coração não se apaixonar. Mas, ah, como ela queria estar com ele, como queria a delícia dos beijos dele, o aconchego do sorriso, a conexão especial que ele tinha com Summer. Ela tentou. Ela realmente tentou. Mas o pânico que tomou conta dela quando ele lhe contou sobre o incêndio, sobre o material perigoso... não, não havia como lidar com esse medo todos os dias. Mesmo depois que Joe deixou o apartamento em direção a Chinatown, Demi ficou exatamente onde estava, na cama dele, envolvida pelo cheiro dele, pelas coisas dele, querendo sentir aquela conexão um pouco mais. Há apenas alguns minutos, ela quase assumiu o maior risco de sua vida, dizendo a ele que o amava, e achou que aquilo foi muito difícil. Mas agora estava ciente de que seria infinitamente mais difícil dizer adeus. Para sempre. Quando finalmente saiu do apartamento dele, foi seguida pelas maravilhosas lembranças de estar com ele. Sentar-se no colo dele para ver as luzes da cidade, assistir — e criar — fogos de artifício no terraço, escorregar e deslizar juntos na banheira, e então se aconchegar nos braços dele na cama. E sentir-se segura, muito mais segura do que jamais se sentiu em toda a sua vida. Não. Ela não podia ousar pensar em nada daquilo. Ela precisava ir para casa. Trabalhar. Manter o foco nas planilhas dos clientes até chegar a hora de buscar Summer na escola. E, então, quando Joe voltasse do incêndio, se ele voltasse, ela se blindaria para terminar com ele de uma vez por todas. 
Os passos dela cambaleavam enquanto caminhava vagarosamente pela calçada. Como a vida dela seria mais fácil se nunca tivesse conhecido Joe! Se algum outro bombeiro tivesse salvado Summer e ela, e pudesse simplesmente ter continuado sua vida normal: encontrando clientes, pagando as contas, criando sua filha da melhor maneira possível... e namorando homens com empregos absolutamente seguros. Com toda a certeza, aquela segurança era o que ela deveria estar querendo. Mas, agora que tinha experimentado a verdadeira alegria, a absoluta doçura de Joe, ela sabia que qualquer outra coisa seria insossa. Chata.
Ai, meu Deus. Estava em apuros. Mesmo estando aterrorizada por amar Joe, total e completamente, ela também não conseguia imaginar a si mesma, e a filha, se afastando dele. Nem todos os argumentos racionais, todas as planilhas e cálculos de risco versus retorno deste mundo poderiam impedir Demi de virar-se e seguir na direção oposta... Em direção à fumaça escura espiralando das ruas movimentadas de Chinatown. Era pior do que ela imaginava. Muito pior. Não só havia vários prédios pegando fogo, mas também havia comida e roupas queimadas das lojas, espalhadas por toda a rua, rolando rápido pelas sarjetas por causa da água dos caminhões de bombeiros. Enquanto Demi atravessava a multidão, ela pegava parte das conversas sobre o incêndio. Eles já sabem o que é esse material perigoso? Ouvi dizer que tem um vazamento de gás que pode fazer os prédios irem pelos ares.
Estou com medo, mamãe. Os bombeiros vão ficar bem? Uma linha de policiais segurava as pessoas para trás ao longo da rua, atrás de uma fileira de caminhões de bombeiros. Ela não fazia ideia como eles conseguiram entrar com os caminhões naquela rua estreita, através da multidão e dos carros. Um momento depois, uma repentina rajada de chamas saiu pelo teto de uma das lojas, bem do lado do caminhão estacionado.
— Precisamos que todos vocês se afastem. - Ela sabia que o policial estava certo, que ela estaria mais segura se estivesse mais atrás. Não era justo esperar que Joe estivesse a salvo quando ela não estava fazendo a mesma coisa. Alguns minutos depois, quando estavam quase a um quarteirão de distância do fogo, ela viu a caminhonete de Joe estacionada em fila dupla na esquina. Empurrando-se através da multidão, ela pressionou a mão contra o metal frio da porta do veículo. Percebendo que ele o deixara destrancado, ela abriu a porta e entrou. A caminhonete tinha o cheiro dele, limpo e, ao mesmo tempo, com um leve odor de fumaça. As mãos dela agarraram o volante enquanto Demi olhava para a fumaça preta espiralando no ar, formando nuvens acinzentadas no céu antes azul. O cérebro dela estava no modo pausa, em uma imagem mental muito vívida de Joe envolto pelas chamas, exatamente do mesmo jeito quando o viu pela primeira vez, no incêndio do seu prédio. Aquelas visões tinham começado a desbotar nos últimos meses, mas agora ela era bombardeada por elas, uma após a outra. Olhando para cima e vendo-o gesticular para sair da banheira, para segui-lo pelo apartamento até os degraus. Como ele tinha sido forte e firme enquanto as ajudava a sair em segurança. Mesmo assim, apesar de todos poderem ter morrido e de Joe acabar em um hospital depois que a viga caiu sobre ele, ela sabia, lá no fundo, que tudo o que ele tinha feito, tudo o que ele tinha pedido a ela naquela tarde horrível, foi da forma mais segura possível. Joe não corria de um lado para o outro nem ficava nervoso. Ele era determinado, inteligente. E sua abordagem sensata diante do incêndio era a razão de ela e Summer estarem vivas. O devaneio tomou conta dela, tão forte e tão rápido que ela se perguntou como pôde ter sido tão cega esse tempo todo, cega até mesmo no apartamento dele, quando esteve muito perto de declarar seu amor. Ela ainda estava muito envolvida pela perspectiva do perigo, por pensar que ele fosse assumir riscos desnecessários e acabar morto. Claro que Demi sabia, desde o início, que Joe era diferente de David. O marido dela era um viciado em adrenalina. Ele adorava riscos e nunca pensou em nada além deles, nem mesmo quando se tornou marido e pai. Sim, ciente de que Joe adorava a adrenalina do trabalho dele, ela sabia que ele não estava nisso só pelo risco, só para ver quantos limites ainda seria capaz de ultrapassar dessa vez. Para Joe, ser um bombeiro envolvia muito mais do que a adrenalina de apagar os incêndios. Tinha a ver com ajudar as pessoas, a ser uma parte importante da comunidade. Se alguém podia fazer um trabalho perigoso em segurança, esse era Joe. Não havia garantias para nenhum deles contra ficar doente ou sofrer um acidente. Mas, se tivesse sido capaz de olhar além de seus medos, Demi sabia que teria percebido tudo isso muito antes: que ele as amava demais para se colocar no caminho do perigo estúpido, como David fez tantas vezes. Tantas coisas se encaixaram para Demi naquele momento. Ela não queria que Summer transformasse aquilo que quase aconteceu com elas no incêndio do apartamento em um medo que levasse consigo para a vida toda. Ela queria que sua filha fosse corajosa, mas esperta também. Não queria que Summer escondesse sua luz, não queria que se intimidasse diante de riscos inteligentes. No entanto, ainda que compreendesse que as crianças aprendem pelo exemplo, aquelas coisas eram exatamente o que Demi tinha feito. Até Joe aparecer e forçá-la a encarar a verdade sobre quem ela realmente era. O amor de Joe deu a Demi a coragem de assumir riscos de novo. Agora, apesar de não estar perto dos prédios o suficiente para ver se algum dos bombeiros que entravam e saíam seria o homem que amava, sentada na caminhonete de Joe, ela sentiu-se melhor só de estar perto dele desse jeito. 
Não foi um incêndio fácil de apagar, mas muitas horas quentes e sujas depois, Joe estava satisfeito com seu trabalho, com o que todas as equipes tinham conseguido fazer em Chinatown. O vazamento de gás não se transformou em nada pior e, apesar de os donos das lojas terem de lidar com as companhias de seguro para renovar o estoque, o fogo havia sido dizimado antes que pudesse destruir tudo. Algumas fachadas e janelas novas dariam conta da maior parte do trabalho estrutural. Ao chegar à metade do quarteirão, ele tirou a máscara e a parte de cima do macacão. A cabeça já estava de volta em Demi; no que ela estava prestes a lhe dizer quando soou a chamada de emergência. E o medo nos olhos dela quando tinha prometido voltar são e salvo do incêndio, apesar de ela não acreditar nele. A caminhonete estava lá onde a tinha deixado, e ele estava a ponto de tirar a calça do macacão e jogá-la, junto com o restante do equipamento, na carroceria, quando teve a surpresa da vida dele.
Em segundos, Demi saiu do assento do motorista e pulou direto nos braços dele, as pernas agarradas ao redor da cintura, os braços em volta do pescoço dele.
— Graças a Deus você está bem. — Ela beijou-o, rápido e forte, uma, duas, três vezes, como se mal pudesse acreditar que ele estivesse ali.
— Estou bem, querida — ele garantiu, quando ela o soltou para respirar, mas não a deixou sair dali, adorando o jeito que ela estava nos braços dele. Ela o beijava na boca, no rosto, no nariz, nas pálpebras, em todos os lugares que seus lábios conseguiam alcançar. Ele sabia quanto ela deveria ter ficado assustada, o bastante para vir até o local do incêndio para mantê-lo por perto.
— Me desculpe por ter agido daquela maneira quando você recebeu o chamado de incêndio. — As palavras dela saíam tão rápido que ele não pôde interromper. — Me desculpe pela maneira que agi da primeira vez que fizemos amor no hotel, a maneira que implorei para que me amasse e depois lhe mandei embora, porque estava tão dividida. Durante anos vim construindo barreiras, enormes barras grossas, em volta do meu coração. Mas sabia que tentar controlar seu lado selvagem seria como colocá-lo em uma armadilha, dentro daquela prisão comigo. Então, disse a mim mesma que precisava deixá-lo ir, pelo bem de nós dois. — As lágrimas escorriam pelo rosto dela, uma após a outra. — Mas eu não posso deixar você ir embora.
— Você não precisa, meu amor.
— Você me disse, muitas e muitas vezes, o quanto me ama. Quanto ama Summer. Tantas vezes eu tive a chance de dizer essas palavras de volta para você, mas não aproveitei as chances. E pensei que, se não dissesse essas palavras, eu estaria salva. Mas não, Joe. Quer fosse corajosa ou não para dizer essas palavras em voz alta, ainda assim eu amava você. Com todo o meu coração... e com cada pedaço da minha alma. — Ela pegou o rosto dele entre as mãos e olhou-o com olhos inquisitivos. — Você não deveria ter que escolher entre mim e seu trabalho. Sei que adora ser bombeiro. E eu vou apoiá-lo. Sempre. - Ela beijou-o mais uma vez e declarou novamente:
— Amo você, Joe. Amo tanto você.
— Adoro ouvir você dizendo isso — ele revelou, e era tão verdadeiro que ele quase não pôde aguentar a emoção. — Mas não acha que eu já sabia o que você sentia? - Os olhos dela se arregalaram diante da percepção que ele sempre teve de seus verdadeiros sentimentos.
— Eu não disse nada. Mas deveria ter dito que estou apaixonada por você. Deveria ter tido que me apaixonei por você naquele dia no hospital quando Summer correu para abraçá-lo e você também a abraçou, bem apertado. Deveria ter sido honesta sobre me apaixonar cada vez mais por você a cada segundo depois daquilo. — Ela parou para respirar. — Se alguma coisa tivesse acontecido com você hoje, se tivesse ficado levemente distraído por minha causa, pelo que eu não tive coragem de dizer... - Joe pressionou um dedo sujo de fumaça sobre os lábios dela.
— Nunca vou me cansar de ouvir você dizer que me ama, mas quer você diga, quer não, consigo sentir cada vez que você olha para mim, meu amor. Toda vez que você me beija. Você diz isso toda vez que goza em meus braços e me entrega seu coração. — Ele sorriu para ela. — Sabe como me senti hoje enquanto estava tentando apagar o incêndio? - Os olhos dela brilhavam com lágrimas quando balançou a cabeça. — Eu me senti mais forte do que nunca. Me senti confiante, seguro. — Ele colocou a ponta do dedo no queixo dela, para ter certeza de que olhavam nos olhos um do outro. — Eu me senti amado. - Ele pressionou os lábios nos dela e o beijo que compartilharam foi uma mistura de doçura, delicadeza e paixão, tudo em um só.
— Sabia que você e Summer estavam me esperando de volta, são e salvo. Não vou decepcionar você, Demi. Vocês duas merecem o “para sempre” dessa vez. Deixe-me ser esse “para sempre”. - Lágrimas escorreram pelo rosto dela.
— Para sempre. — Ela suspirou, e então Joe lhe tomou os lábios novamente, enquanto as pessoas que assistiam sorriam ao ver o bombeiro herói e a linda mulher se abraçando na calçada, no meio do centro da cidade de São Francisco.


EPÍLOGO

Sophie Jonas sentou-se à mesa da cozinha de sua mãe, brochuras espalhadas por todos os lados para as várias surpresas que estava planejando para o casamento de Kevin e Dani. Joe, Demi e Summer tinham se juntado a ela e à mãe para o almoço e agora Summer estava andando de bicicleta no jardim da frente, uma bicicleta parecida com a de Sophie quando ela tinha 7 anos, com um assento em forma de banana e fitilhos cor-de-rosa voando do guidão. Em dezembro, da última vez em que estiveram juntos na casa da mãe dela, ela sentiu-se mal em bancar o cupido e contar a Summer sobre os planos de Joe para ir esquiar em Lake Tahoe. Mas olhe só como tudo tinha terminado bem. Sophie estava muito feliz por seu irmão e pela amiga dela. Eles foram feitos um para o outro, apesar de óbvia e estupidamente tentarem lutar contra a atração inicial entre eles. A porta abriu-se e Joe correu para dentro da cozinha. Momentos depois, Demi e Summer entraram de mãos dadas, a garotinha fungando e mancando com um joelho ensanguentado. Sophie correu até elas imediatamente e tinha acabado de dar um abraço em Summer quando Joe voltou com o kit de primeiros socorros da mãe. Ao colocar Summer no colo, ele parecia estranhamente pálido, apesar da pele bronzeada. Falando com voz suave com a filha de Demi, ele limpou gentilmente o joelho de Summer e depois colocou um curativo sobre ele. Ele tinha acabado de colocar o último curativo no joelho de Summer quando ela pulou do colo dele e disse:
— Vamos apostar corrida até a casa da árvore. - Sophie assistia enquanto Demi colocava a mão sobre o ombro dele.
— Você se saiu muito bem. - Joe soltou uma respiração profunda.
— Vendo-a cair da bicicleta na rua e não saber quanto estava machucada me deixou nervoso como nunca me senti na vida. - Demi inclinou-se para beijá-lo e Sophie voltou até a mesa para deixar os dois a sós. O coração dela apertou-se ao ver o irmão sendo tão paternal. Era tão lindo. Assim, enquanto os dois voltavam para o quintal para se juntar a Summer na casa da árvore, Sophie suspirou, tentando não comparar a maneira como Demi e Joe se olhavam com a maneira que ninguém olhava para ela, sobretudo...
— Ei, Boazinha! - Ela virou-se, chocada por ver Jake McCann em pé ao lado da mãe sobre o tapete persa.
— O que você está fazendo aqui? - A mãe dela levantou uma sobrancelha diante do tom brusco dela.
— Ele se ofereceu para ajudar com o bar. - Kevin e Dani tinham dinheiro e contatos suficientes para fazer um casamento sem precisar da ajuda deles. Mas essa não era a questão. Todos que os amavam queriam ajudar. Por que a mãe não tinha falado que Jake viria? Se soubesse, Sophie teria usado algo melhor do que o vestido branco de manga longa mais básico do mundo. Não que fizesse alguma diferença o que estivesse usando, ela pensou. Ela poderia estar completamente nua, espalhada sobre a mesa, e Jake nunca prestaria atenção. Na verdade, se ele notasse sua nudez, provavelmente jogaria algumas almofadas para cobri-la sem nem mesmo piscar. O telefone tocou e a mãe pediu licença para ir atender, deixando Sophie e Jake sozinhos.
— Isso é uma loucura — ele balbuciou, ao olhar pela janela da sala e ver Joe, Demi e Summer brincando no quintal —, os Jonas se apaixonando desse jeito. - Jake deu um daqueles meios sorrisos ridiculamente sensuais, que fazia as entranhas dela se revirarem e o coração disparar, como sempre acontecia quando estava perto do Jake. O fato de ele estar usando uma camiseta preta de manga curta que mostrava os braços musculosos e tatuados, e jeans escuros que evidenciavam seu traseiro... Não. Era melhor não seguir esse caminho. Não serviria para nada. Muito patético. Ela já tinha desperdiçado tempo demais sonhando com Jake. Aproximadamente vinte anos, para ser mais precisa. No entanto, uma coisa era ser uma criança de 5 anos de idade com uma queda pelo amigo dos irmãos. Outra coisa completamente diferente era ser uma mulher de 25 anos que não conseguia deixar de lado um cara que mal notava a sua presença. Pelo amor de Deus, ele ainda pensava nela como Boazinha. Isso resumia as coisas de uma forma muito deprimente, considerando que não havia ninguém mais com quem gostaria de ser bem sem-vergonha.
— Estou feliz por eles — ela finalmente comentou, sem conseguir disfarçar o tom defensivo na voz. — Kevin, Nick e Joe merecem ser felizes. - Ele ergueu as mãos para cima e ela odiou o jeito que ele riu para ela.
— OK. Com certeza eles merecem. Você provavelmente já tem um cara escondido em algum lugar, pronto para colocar um anel de noivado no seu dedo, não tem? - Deus, como ela gostaria de dizer que sim, que podia esfregar um namorado lindo, sexy e bem-sucedido na cara dele. Mas, já que ele não se importava, a vitória teria vida curta, não teria? Colocando um sorriso falso no rosto, ela deu de ombros.
— Não. Ainda estou só me divertindo por aí. - Por um segundo, ela pensou ver alguma coisa brilhar nos olhos cor de chocolate dele, mas desapareceu tão rápido que ela achou ter imaginado a reação dele à ideia de vê-la saindo com um monte de caras diferentes. Se fosse alguma coisa, provavelmente ele estaria sendo superprotetor, como se fosse um irmão. Ele com certeza ficaria maluco se algum dia percebesse que ela o via muito diferente de um irmão; se imaginasse as fantasias que tinha com ele, algumas que incluíam creme chantilly, vendas nos olhos e gritos... Ela fez força para sair daqueles sonhos amaldiçoados, e que não valiam a pena, quando ele disse:
— Bem, não se preocupe. Você é uma garota linda. Um dia aparece um cara que irá lhe tirar o chão. - Ah, meu Deus. Sério? O sujeito número um de todas as suas fantasias secretas tinha acabado de chamá-la de linda... e depois ainda lhe disse para não se preocupar que um dia apareceria alguém. Enquanto olhava para ela com uma dose dupla de condescendência masculina, alguma coisa aconteceu dentro de Sophie... quebrando-a ao meio, em algum lugar de seu coração. Sophie sabia que era atraente. Mesmo sem olhar no espelho, só pela maneira como os homens reagiam à sua gêmea idêntica, Lori, ela sabia que suas feições e sua figura eram muito benfeitas. Diferentemente de Lori, porém, Sophie nunca se valeu da beleza para chamar a atenção masculina. No ano passado, ela literalmente tinha lido centenas de histórias de amor para seu projeto da biblioteca. De repente, ela teve uma luz: e se pusesse em uso tudo o que aprendeu sobre sedução? E se fizesse Jake desejá-la? E se conseguisse achar um jeito de fazê-lo querer possuí-la desesperadamente? Afinal de contas, ele era um homem. E, não importa o quanto estivesse enferrujada, ela era uma mulher.
Lambendo os lábios, a força de sua vontade a fez sentar-se mais ereta na cadeira, colocando os ombros para trás e cruzando as pernas até erguer o vestido branco na altura dos joelhos. Por incrível que pareça, Jake não pareceu à vontade, como se tivesse finalmente visto algo que ele não queria — nunca — ter de reconhecer. E, naquele momento, Sophie não precisou se esforçar para esboçar um sorrisinho malicioso nos lábios. Não agora, quando acabou de estabelecer seu plano de ação. Assim que descobrisse como colocar Jake exatamente onde ela o queria, Sophie exigiria uma pequena vingança para seu pobre coração não correspondido. Ah, sim, ela ensinaria a ele a lição que alguém já deveria ter lhe ensinado há muito tempo: mais precisamente, que ele não poderia ter todas as garotas do mundo. Especialmente ela.

Fim!

Bem, eu gostaria de agradecer a todos que acompanharam esta mini fic e dizer o quão gratificante é ler cada comentário. Vocês são simplesmente incríveis! A cada comentário é um sorriso, ou até menos uma gargalhada. Isto que nós temos é realmente especial, obrigado, de coração por acompanharem minhas loucas histórias. Ah! Eu tinha comentado que está mini fic era uma adaptação, certo? Então, o nome da fic é "Não posso me apaixonar", agora faz sentido né? É um livro da série erótica da Bella Andre. Então, beijos e até LSS, o capítulo já está pronto <3

Mini Fic - Capítulo 26 - Penúltimo

Demi tinha os braços apertados bem firmes ao redor de Joe e, com as mãos espalhadas pelo peito dele, podia sentir o coração batendo forte e compassado. Naquela manhã, ela não tinha vindo atrás dele só para sexo, não tinha vindo simplesmente para se livrar da coceira que só ele conseguia aliviar. A verdade era que ela tinha vindo por essa conexão. Por uma felicidade muito maior do que pensou ser possível. Por amor.
— Joe?
— Hum? - Ele tirou o cabelo molhado da testa dela e pressionou-lhe um beijo sobre a pele. Ela adorava a afeição fácil dele, que ele não fosse um homem que precisasse segurar as emoções para se sentir macho, másculo. Mais uma vez, estava encantada como a mãe dele tinha criado os filhos tão bem. Sim, muitos deles eram claramente grandes cafajestes com as mulheres, mas ela não poderia imaginar nenhum deles magoando uma mulher de propósito. E, depois de conhecer Kevin e Nick, ela podia dizer que, quando se apaixonavam, era realmente para sempre. Dani e Miley eram, obviamente, o centro das atenções dos irmãos de Joe. Ela tinha um pressentimento sobre Dani e esperava estar certa. Seria tão gostoso poder segurar — e mimar — um bebezinho num futuro não muito distante. Enquanto se refestelava no calor do olhar de Joe sobre ela, a visão do bebê de Dani e Kevin se transformou em algo diferente. Algo que deveria deixá-la ainda mais assustada... mas que, ao contrário, só lhe proporcionou ainda mais alegria. Joe seria o pai mais incrível do mundo. Ele já era uma das pessoas favoritas de Summer em todo o planeta. Mas Demi já estava se adiantando demais. Primeiro ele precisava saber como ela se sentia em relação a ele.
— Tem uma coisa que quero lhe falar faz tempo.
— Mal posso esperar para ouvir, meu amor. - Demi ficou em silêncio por um momento, enquanto se maravilhava por ser tão sortuda, por ter sido Joe quem as encontrou no apartamento em chamas, por terem criado uma conexão e descoberto tantas coisas maravilhosas, por terem conseguido aparar as arestas e...
— Tentei ficar longe de você, mantê-lo a distância, tentando não deixar você se aproximar muito de mim e de Summer. Mas acabei percebendo que, mesmo se conseguisse manter distância de você, mesmo se lhe dissesse que não poderíamos mais ficar juntos, isso não me protegeria. Nem um pouco. Porque, mesmo assim, eu ainda ficaria assustada cada vez que visse notícias e ouvisse reportagens sobre algum incêndio enorme. E, ainda assim, morreria por dentro se qualquer coisa acontecesse com você. — Ela já odiava pensar sobre isso, imagine dizer essas palavras, mas sabia que precisava fazer isso. — Cheguei conclusão de que afastar você não protegeria o coração de ninguém. Na verdade, tudo o que faria seria me furtar da alegria de estar com você. Era agora, este era o grande momento em que ela finalmente diria a ele:
— Eu... - O celular dele tocou bem na hora, um toque especial e, apesar de estar evidentemente frustrado pela interrupção, ele esticou o braço para alcançar o telefone, na mesinha ao lado da cama.
— O que esse toque significa?
— É uma chamada de emergência para incêndio. — O cenho dele franzia a cada palavra que lia. - Ela sentou-se na cama, puxando as cobertas sobre a pele nua, como se aquilo a protegesse de alguma forma do que estava acontecendo.
— É algo bem feio, não é? - Ele concordou, já saindo da cama para vestir a roupa.
— Um caminhão carregado de material com potencial risco de contaminação bateu em várias lojas em Chinatown. Meu Deus, ela pensou. É um sinal. Só podia ser. Todos os medos que ela pensou estarem controlados levantaram suas cabeças e a chamaram, gritando para que ela escutasse, para prestar atenção aos seus avisos. O que, eles berravam, você está fazendo? Ainda há tempo de correr em segurança, antes que seja tarde. Ela se enganou ao pensar que poderia ter um relacionamento sério com ele, que poderia aceitar o medo de perder Joe, mas agora percebia por quê. Ele não havia sido chamado para atender nenhum incêndio desde que estavam juntos... e ela, de propósito, não lhe perguntava o que acontecia durante seus turnos, pois não sabia se aguentaria ouvir quaisquer histórias com situações perigosas. E ela estava prestes a confessar seu amor por ele. Em questão de segundos, ele estava completamente vestido, voltando para onde ela estava, congelada na cama.
— Demi? Querida? - Ela se desvencilhou dos braços de Joe, indo para trás em direção à cabeceira da cama, para longe dele.
— Seu Pelotão precisa de você. As pessoas nos prédios em chama precisam de você. Precisa ir. - As palavras dela saíram mais duras do que gostaria, mesmo com o coração gritando: Eu também preciso de você. Mas, em vez de ir embora, Joe pegou o rosto dela entre as mãos.
— Amo você, Demi. - Ele a beijou suavemente, e, quando ergueu os lábios, ela sabia o que ele estava esperando. Era a vez de ela dizer as palavras, de admitir o quanto se importava com ele. Era o que ela estava prestes a fazer um segundo antes daquele chamado urgente. No entanto, ela ainda não conseguia, não quando o medo por ele a corroesse por dentro. Não importa quanto quisesse, ela não poderia impedi-lo de ir até o incêndio. Acorrentá-lo a ela e Summer, forçá-lo a viver uma vida segura; isso o mataria por dentro, mais rápido do que qualquer fogo. O celular dele tocou de novo, e ela abraçou-o com força, e então se sentiu obrigada a soltar os braços dele e deixá-lo ir fazer seu trabalho.
— Você precisa ir — ela frisou de novo, com o cérebro preso à eterna premonição terrível e escura. Joe olhou fixamente para ela por um momento; para seus olhos; para tudo o que sentia por ela.
— Você está certa, preciso ir agora para combater esse incêndio, mas prometo que voltarei para você. Para Summer. - Ela balançou a cabeça. Estava difícil respirar.
— Como pode fazer uma promessa dessas? - Ele chegou mais perto de novo, pegou as mãos dela, colocou-as sobre o coração dele.
— Algum dia já quebrei alguma promessa que lhe fiz, Demi?
— Não.
— Não vai ser dessa vez. - Com um último beijo, tocando seus lábios mornos nos dela, subitamente gelados, ele se foi. Ao dirigir até o local do incêndio, Joe sabia que nunca tinha amado ninguém do jeito que amava Demi. E Summer também. Queria as duas na vida dele; queria ser um marido para Demi e um pai para Summer. Já fazia muito tempo que tinha deixado de lado suas preocupações sobre sair com uma vítima de incêndio. Demi era muito mais do que isso, e a verdade era que ele nunca conseguiu pensar nela nesses termos. Ela era a antítese de uma vítima. Ele achou que Demi tinha superado seus receios, que estava se acostumando à ideia do trabalho dele. Mas a maneira como ela reagiu à chamada de emergência... bem, ela claramente ainda estava lutando contra os demônios que o marido tinha deixado em sua vida. Ainda assim, Joe a tinha poupado, de propósito, dos piores incêndios que já presenciou. Não porque gostava de manter segredos, mas porque não achava justo enfiar tudo goela abaixo, de uma vez só. A julgar pela reação dela a este incêndio, Joe repetia para si mesmo que tinha feito a coisa certa poupando Demi da verdade sobre o perigo que ele enfrentava todos os dias. No entanto, de repente percebeu que não tinha sido justo com Demi, protegendo-a da realidade do futuro com ele. Será que ela não merecia todas as informações antes de concordar em corresponder ao seu amor? Seu estômago se revirou diante da maneira como ela o mandou sair, diante da incerteza em seus olhos, antes claros, que o fitavam como se seu coração estivesse despedaçando. Capaz de ver o fogo a muitos quarteirões de distância, Joe foi de carro o máximo que pôde antes de pegar seu equipamento na carroceria da caminhonete e seguir diretamente na direção daquele caos incandescente no meio de Chinatown. Joe podia ouvir o barulho do gás saindo dos canos quebrados da tubulação principal no qual o caminhão havia batido antes de atingir os prédios no lado leste da Rua Grand. A equipe do Pelotão 5 já estava jogando água para dispersar o gás, para impedir que incendiasse. Notando rapidamente que a equipe estava muito ocupada com o vazamento de gás e com os ocupantes dos prédios para formar uma linha de apoio em torno do beco estreito entre os prédios, ele pegou a válvula do hidrante, a mangueira do caminhão mais próximo e estabeleceu a linha. O capitão chegou com o parceiro dele, Eric, logo depois.
— Vamos ver se conseguimos salvar algumas dessas lojas. - Joe pegou as ferramentas e a mangueira, colocou a máscara e puxou a mangueira. Ele pegou o bocal, enquanto Eric lhe dava apoio, e avançou para dentro do prédio. Virando para dentro da porta de entrada, ele abriu o bocal em direção ao teto até as chamas abaixarem. Não tinha nenhuma ventilação, e a fumaça estava espessa; tão espessa que ele ficou de joelhos e engatinhou pelo ambiente até chegar a uma janela. Ele a abriu, mas, infelizmente, não fez muita diferença. Vagarosamente, ele continuou entrando no prédio, a mangueira abrindo caminho, com Eric atrás dele. A situação estava ruim. Muito ruim. Que merda! Ele fizera uma promessa a Demi. E teria que mantê-la. Independentemente de qualquer coisa.


Continua... Oi! Bem, vou acabar com esta mini fic hoje, ok? Beijos! 

22.5.14

Capítulo 39

   - Buffy, fique quieto. - Era impossível vesti-lo. Olhou rapidamente para o pequeno e os dois riram do pequeno Buffy. - O que você acha do suéter, Dan? - Demi liberou o filhote, que correu para perto de Daniel. - É meu amor, ele está aquecido. - Os olhos encheram-se de amor e ternura vendo Daniel acariciar o filhote, Buffy parecia uma bola de neve com um suéter vermelho. Aquela manhã de novembro estava cruelmente fria, tanto que até o pequeno Buffy e Oliver precisaram de suéteres. Dan vestia o seu suéter verde, e Demi o suéter cor de champanhe e um minusculo short de dormir. O chocolate quente que Joe tinha preparado mais cedo os aqueceu, fora a lareira e os aquecedores instalados por toda a casa. Céus! Dan fizera um escândalo para tomar banho, mas agora ele parecia confortável brincando com o seus brinquedos no chão encarpetado de seu quarto. - Meu amor, olha só o presente do tio Kevin. - O chão do quarto de Dan estava repleto de embrulhos coloridos e caixas cheias de laços de todos os tamanhos, fora os embrulhos que estavam na sala. Demi sorriu quando o pequeno engatinhou até ela sorrindo. A risada dele ecoou pelo quarto e Demi o envolveu com os braços o abraçando ternamente. Dan ficara felicíssimo com os seus novos patinhos de borracha amarelo. Era o pato pai, a pata mãe e dois patinhos filhos. Mas Dan nem parecia notar a também peça de roupa que ganhara do tio.

   - Mama. - Dan riu mostrando o patinho para Demi. Aquele sorriso fazia o seu dia, aquecia seu coração e marejava seus olhos. Adorava o sentir interagindo com ela, sorrindo, brincando e até gritando. Amava-o eternamente. 

   - Anjo da mamãe, eu estou feliz que você esteja feliz. - Demi o ajudou ficar de pé e envolveu aquele corpinho fofo e quente com seus braços e o beijou graciosamente fazendo o seu anjinho gargalhar gostosamente. - Você gostou da sua festa? Mamãe está muito orgulhosa de você. - Demi arrumou os cabelos de Dan de lado e apertou-lhes as bochechas repousando o pequeno no colo. - Ei Buffy. - Bastou umas batidinhas ao seu lado para que o filhote saltitante aninhasse entre suas coxas olhando para ela e para o pequeno Daniel. - Bebê, ele está com frio. - Quando Dan olhava para o animalzinho era como se ele estivesse completamente satisfeito com seu novo amigo, Dan gostava de acariciar o filhote e depois engatinhar para os braços da mãe quando o pequeno Buffy resolvia lambê-lo e aninhar-se aos seus pés.

   - "Papa amu" - Do vocabulário do pequeno, as únicas palavras existentes eram: Mama, papa e "amu", até porque Demi e Joe sempre diziam amo para ele. Demi olhou diretamente para a direção que Dan apontava, e sorriu timidamente para o homem que os olhava sorrindo. Joe.
   - Você me entregou rapaz. - Joe adentrou ao quarto com certa dificuldade por conta dos tantos presentes espalhados pelo chão. Agachou-se perto de Demi e pegou o pequeno no colo. - O porquinho do papai está muito cheiroso. - Joe cheirava o pescoço de Dan o fazendo gargalhar. - O que aconteceu com Buffy? Foi a mamãe que o vestiu com o suéter? - Joe perguntou para Dan enquanto brincava com o cachorrinho e o filho. Mas Dan só gritou um mama e soltando-se dos braços do pai engatinhou para brincar com o filhote. - Oi. - Sorriu para ela. Às vezes aquela timidez repentina de Demetria o deixava surpreso. Ela ficava corada, e com um sorrisinho tímido nos lábios.

   - Oi. - Joe a surpreendeu com um selinho nos lábios e sentou-se ao lado dela esticando as pernas. - Você está linda. - Como não corar? Ela estava de suéter, cabelo preso em um rabo de cavalo e usava óculos. Claro, se tratando de Demetria, ela estava realmente linda.

   - Você também. - Demi beijou a bochecha de Joe e deitou a cabeça no ombro dele enquanto ficavam a observar Daniel brincar com seus patinhos e Buffy.

   - Tenho compromisso hoje, vocês vão comigo, certo? - Perguntou entrelaçando os dedos aos dela. Depois do domingo, dia da festa de aniversário do pequeno Daniel, obviamente, era segunda. Dia que todos voltavam a sua rotina de trabalho e os demais compromissos, e esperavam pelo final de semana ansiosamente.

   - Amor, eu estou tão cansada, e lá fora está tão frio. - Murmuro manhosa. Demi ficara um bom tempo acordada. Primeiro, viajou por oito horas sem descanso e teve que subir em seus sapatos de salto quinze por mais de cinco horas de festa cheia das mais exóticas emoções até com direito a tapas, insultos e sexo na despensa. Segundo, Joseph não dera trégua a noite toda, e por mais que fosse maravilhosamente bom fazer amor com ele até o dia amanhecer, quem ficara dolorida depois era ela. E terceiro, mas não mesmo importante, bem pelo contrário.. Daniel estava danado demais. Só no começo do dia ele tentou ficar de pé e quase caiu da escada. Céus! Dan era terrível quando queria, e ele sempre queria.

   - Não vamos demorar. - Por um momento Joe ficara admirado com a feminilidade dela. A mão de Demi era pequena comparada a dele, pequena e delicada. Aliás, ela era pequena e delicada. Sua pequena menina mulher. - Nós temos uma reunião hoje, e se tudo der certo vamos anunciar uma turnê. - Nos três meses que se passaram desde o aniversário de Demetria, os irmãos Jonas estavam trabalhando duro em um novo álbum. Estavam montando juntos uma gravadora, Jonas Records. Demi estava tão orgulhosa e dava todo o apoio para que eles continuassem com a banda. Eram talentosos e cheios de ideias, tinham tudo para dar certo novamente.

   - Eu estou tão feliz por vocês. - Sorriu verdadeiramente para ele. - Mas meu amor, eu acho que é um momento apenas de vocês. E eu e Dan não iríamos ajudar muito, nós ficaríamos sem jeito. - Disse observando o pequeno.

   - Está tão cansada assim? -  Sussurrou beijando-lhes o pescoço.

   - Você acabou comigo. - Tocaram os lábios castamente, roçando-os timidamente enquanto suas mãos femininas acariciavam o rosto e as mãos masculinas pressionavam levemente a cintura de sua amada. - O que foi meu amor? - Demi deu um selinho nos lábios de Joe e fitou o pequenino que a olhava com os olhos marejados e puxava seu suéter.

   - Ele está com fome. - Joe conhecia aquela carinha carente de Dan, era assim que ele conseguia toda a atenção da mãe.

   - Só não pode morder a mamãe. - Dan costumava ser esfomeado quando se tratava de mamar, e como seus dentinhos estavam nascendo, ele acabara mordendo o bico do peito de Demi na maioria das vezes. Demi levantou-se com ajuda de Joe e segundos depois Daniel mamava avidamente com a sua sempre mania de segurar o seio e olhar para a mãe. - Dan! - Repreendeu-o. Demi já podia sentir os dentinhos dele beliscar o mamilo sensível.

   - Dói? - Joe perguntou os observando. Conforme Demi acariciava os cabelos do pequeno, ele ficava mais calmo.

   - Dói. Ele está mordendo. - Disse calmamente brincando com o pequeno. Era de se perceber a disputa entre Joe e Dan. Pai e filho disputando a única mulher da casa.

   - Você não pode morder a mamãe. - Dan parou de mamar por alguns segundos e olhou para o pai. Ele estava tão bonitinho com aquele suéter verde e sorrindo com o bico do peito da boca. Dan não entendia nada que Joe dizia, mas gostava da forma carinhosa que o pai falava.

   - Ele é muito cara de pau. - Demi curvou-se e beijou a testa do bebê que a olhou e riu baixinho. Cada dia que se passava Dan ficava mais sapeca, e crescia um pouquinho. - Você já vai? - Só agora que ela notou que ele estava arrumado.

   - Já, mas se quiser posso esperar você se arrumar. - Se Joe pensava que beijar-lhe o pescoço e sussurrar um "Vamos" com a voz rouca iria convencê-la, ele estava ligeiramente certo. Por um momento Demi pensou em render-se aos encantos dele, mas ela realmente precisava descansar, e colocar as coisas naquela casa em ordem.

   - Não. Eu não vou. - Demi o olhou e forçou um sorriso. - Mas nós podemos assistir a um filme juntos quando você voltar. - Demi sabia que Joe adorava "assistir" filmes com ela... Era a melhor época do ano para assistir filmes e namorar no sofá.

   - Tudo bem. - Joe sorriu de volta e levantou-se. - Não vou demorar, no final da tarde venho para casa. - Demi sorriu os observando. Joe beijou a bochecha de Dan e sussurrou alguma coisa fazendo o bebê rir. Logo ele voltou-se para ela olhando-a com aqueles grandes e lindos olhos castanhos esverdeados e a beijou.

   - Você já sabe, mantenha distância das garotas histéricas e comporte-se. - Sussurrou nos lábios dele e o beijou de novo. - Cuidado e volte logo para casa. - Depois de um longo selinho e um "te amo", Joe partiu deixando-a com o pequeno Daniel nos braços.

   - Você não está cheio? - Perguntou depois de longos minutos amamentando Daniel, Demi já estava cansada. Normalmente Demi o amamentava de três em três horas, mas conforme os meses se passavam e Dan crescia, ele começara a comer alimentos como papinhas e verduras e legumes. Mas Dan não deixara o peito por nada, e o médico recomendou que ela o amamentasse até o pequeno completar dois anos. Sobretudo, ele era tão apegado a ela. Adorava ficar aninhado aos braços da mãe recebendo todo o carinho e amor que ela tinha por ele.

   - Mama. - Simplesmente adorava quando ele a chamava, tão fofo e risonho.

   - Vamos bebê. - Demi o desgrudou do peito e o pôs para golfar. - Cadê o beijo da mamãe? - Demi sorriu de orelha a orelha quando Dan beijou sua bochecha carinhosamente e levou as mãozinhas até a boca sorrindo envergonhado. - O que nós vamos fazer pequeno? - Demi olhou com certa descrença para toda aquela bagunça. Ela não iria arrumar aquilo tudo sozinha, de forma alguma. Joe teria que ajudá-la.
Mais tarde, deitada no sofá enrolada as cobertas junto com Dan, Demi e o pequeno assistia a um filme. Pelas gargalhadas de Dan, ele estava se divertindo, ou era a panela de chocolate.. Demi tinha derretido uma barra de chocolate e quando ela ofereceu uma colher para o bebê, os olhos de Dan brilharam de felicidade com a primeira colherada do doce.

   - Mama. - Choramingou. Dan deitou a cabeça no tórax de Demi e levou a mão até o seio dela o apertando.

   - Daniel, você já mamou. - Suspirou frustrada. O jeito era amamentá-lo. Desembrulhou-se e o ajeitou no peito direito, o que ele ainda não tinha mordido. Dan sugou como sempre, avidamente. Ele mantinha seus grandes olhos verdes sobre a mãe adorando estar nos braços dela. Demi nem ligara para o filme, ou qualquer outra coisa que estava ao seu redor, encostou a cabeça na almofada do sofá e ficou a brincar com o pequeno sempre mantendo os olhos nos dele. Não era tão ruim amamentar, Demi passou bons minutos rindo junto com Dan, brincando com os pequenos dedinhos dele, fazendo caretas e cócegas na barriga. O que realmente importava era o sorriso do seu filho, que ele estava bem e saudável sendo mimado em seus braços. Quando deu por si o pequeno acabara dormindo com o bico do peito ainda na boca.

   - Mamãe te ama anjo. - Demi o beijou na testa e o deitou sobre o seu corpo o aninhando perfeitamente para que eles pudessem dormir juntos. O cobriu e o abraçou cuidadosamente. Enquanto acariciava as costas do bebê, lembrava do parto dele. Céus! Nunca sentiu uma dor física como aquela, chegara arrepiar só de lembrar. Sobretudo, quando seus olhos encontraram com os de Daniel, o amor que antes ela tinha por aquele que carregava em seu ventre fora substituído por um sentimento inigualável, era tão forte o amor que sentia por aquele pequeno e indefeso bebê. Nunca pensou que um dia iria amar tanto, ela só era amor e paixão. Ora! E a primeira vez que o pequeno abocanhou o seu seio e mamou avidamente? Demi sorriu ao lembrar-se. Eram tantos momentos juntos. Vinte e um meses de mãe e filho. Desde a gestação até o primeiro aninho de vida de Dan no mundo "externo". Ainda tinham uma vida toda pela frente.

Depois de um breve cochilo, Demi levantou-se com Dan nos braços, conferiu a hora no celular e subiu as escadas cautelosamente com o pequeno nos braços. Já passara de sete da noite, Joe chegaria a qualquer momento. Depositou um beijo carinhoso na testa do filho, e depois de conferir se tudo estava nos conformes, correu para o quarto. Preta ou vermelha? Hobby ou uma camisa dele? Cabelo solto ou preso? Pela primeira vez optara por vermelho, por um hobby e por cabelos soltos. Sempre usara moletons ou as roupas de Joe. Se bem que estava frio.. Mas nada que a lareira, o aquecedor ou Joe não revolvesse.. O belo banho de banheira caiu do céu. Só agora Demi teve a noção de como estava cansada e como os últimos dias tinham sidos cansativos ao extremo. Quando foi mias tarde, enrolou-se a toalha branca e caminhou para o closet. Estranho, nem um sinal de Joe. Hidratou o corpo, vestiu-se com as peças intimas e o hobby, penteou os cabelos e calçou as pantufas... Joe que a perdoasse, mas não iria ficar andando por ai descalça ou com chinelos abertos. Os aquecedores não aqueciam o chão, e as pantufas de coelho eram quentinhas! Por que ele ainda não tinha ligado? Demi olhara a hora no celular enquanto arrumava a sala, eram oito e meia e só tinha uma mensagem. Miley. "Eu não aguento mais comer canjica xoxo"  Demi gargalhou ao ler a mensagem da amiga. Céus, Denise não era brincadeira. A sala estava pronta e tinha separado dois dvds. Precisava de comida. Joe vivia para comer, dormir e transar. Ora, todos os homens só vivem para estas três funções.. Eles pensam em comer e comer, dormir quando não estão trabalhando ou assistindo a jogos na tevê e transar. Isto, ele só querem transar o tempo todo, e Joe não era diferente. Preparou pipoca, dois hambúrgueres, suco, já que ninguém daquela casa chegava perto de refrigerante, e para finalizar tinha muito doce da festa de Dan.

   - Ei Buffy, pensei que estivesse dormindo. - Demi quase enfartou ao ver o filhote de Daniel aos seus pés. - Está com fome? - Demi pegou o filhote no colo e acariciou o pelo. Um dos motivos para não querer um filhote de golden retriever há três meses era porque ele era recém nascido. Buffy precisava da mãe. Demi ainda sentia-se culpada por ter tirado aquela bolinha de neve de sua mãe. Segundo Nick, Demi precisaria dar leite em uma tigela ou preparar uma mamadeira para o filhote. Logo Oliver apareceu na cozinha, ele não tinha ficado nem um pouquinho feliz com a história de um novo mascote. Mas bastou algumas lambidas de Buffy para que eles virassem melhores amigos. - Também está com fome? - Duas tigelas de ração e duas de leite morno. Os cachorros estavam na cozinha, a comida estava pronta juntamente com a sala, ela só tinha que conferir se Dan estava bem e depois iria ligar para Joe para saber se ele já estava chegando. Como o esperado, Dan estava bem. Dormia tranquilamente. Beijou a testa do filho e o cobriu. Agora era só esperar. Assim que encostou a porta do quarto de Dan, Demi arregalou os olhos e o coração parou por uma fração de segundos. O que iria fazer? A casa tinha sido invadida? O barulho do vidro chocando-se ao chão logo com algo, provavelmente pesado, caindo a fez arrepiar-se. As pernas viraram gelatina e o coração batia rápido demais. Trancou o quarto do pequeno e correu para o closet de seu quarto, Joe tinha um taco de beisebol que ela julgara ser inútil, mas era a única coisa que iria servir no momento. A cada degrau da escada o coração acelerava mais, segurou o taco com força, mas logo o deixou cair escada a baixo ao ver o homem caído nos primeiros degraus da escada.

   - Joseph! - Quase tropeçou no maldito hobby. As mãos tremeram ao tocá-lo.

   - Acabou! - Nunca o vira em tal estado. Os olhos inchados, o rosto todo corado e com um corte acima da sobrancelha direita, os cabelos despenteados e uma enorme mancha vermelha na camisa branca. - Acabou. - Soluçava, tremia e chorava.

   - Ele está bêbado. - Demi olhou rapidamente para trás e empalideceu chocada, totalmente chocada. Olhou para o chão e viu os fragmentos de vidro e o líquido vermelho. Vinho. Logo o cheiro forte do álcool alcançou suas narinas e ela percebeu que Joe estava bêbado.

   - Joe, por favor. - Aos poucos o desespero tomava posse de si, e o medo de saber o que tinha acabado. Joe sussurrava acabou freneticamente.

   - Acabou meu amor, acabou. - Mal podia entender o que ele dizia. A fala dele estava embolada demais. Joe levou as mãos até o rosto de Demi e a trouxe para perto de si encaixando sua cabeça ao pescoço dela enquanto derramava suas tantas lágrimas e sussurrava "acabou".

   - O que acabou? - Perguntou o olhando. Joe gemeu o nome dela e soluçou entre o choro abraçando-a.

   - Demi, ele está bêbado. - Mal sabia o que pensar. O que tinha acabado, por qual razão Joe estava bêbado?

   - Eu sei que ele está bêbado Wilmer. - Demi olhou rapidamente para o rapaz e logo para Joe. - Olha para mim, você vai ficar bem. - Não poderia estar mais chocada. Era a primeira vez em toda a sua vida que vira Joe bêbado.

   - Eu te ajudo, ele precisa de um banho frio. - Joe murmurou alguma coisa enquanto Demi e Wilmer tentavam o erguer, ele era pesado demais, e como estava bêbado mal conseguia ficar de pé. Aquela escada tinha cerca de vinte degraus, e conforme o nível em relação ao solo aumentava, o risco de Joe cair de uma altura como aquela era gravíssimo.

   - Você pode abrir a porta? - Perguntou mal conseguindo respirar por conta do esforço físico que fazia para carregar um homem do tamanho de Joe. Aquilo era um sonho, certo? Ou melhor, pesadelo. Bêbado. Joseph. Marido. Wilmer. - Banheiro. - Murmurou completamente incomodada com aquela situação. Joe só faltava dormir em pé. Chorava feito criança e cheirava a whisky, vinho e vodka.

   - Demi, você me ama? - Em um instante que ela o deixara de "pé", Joe cambaleou e quase caiu, se Wilmer não o tivesse segurado. - Você vai me deixar? - Perguntou gaguejando.

   - Na saúde ou na doença querido. - Disse enquanto começara a despi-lo.

   - É perda de tempo, o melhor é jogá-lo de baixo da ducha fria. - Demi olhou rapidamente para Wilmer. Ele tinha razão, ela mal conseguia tirar a camisa do marido. 

Tudo piorou quando Joe vomitou de baixo do chuveiro, chorando e soluçando. O choque da água fria não fora o suficiente para despertá-lo daquele pesadelo. Demi passou as mãos pelos cabelos em um gesto nervoso, doía nela o ver naquele estado. Pacientemente, aproximou-se dele e tentou remover as peças de roupa com ajuda do mesmo. Foi difícil, mas a camisa ela tinha conseguido tirar. Ensaboou o peito com a ajuda de Wilmer, que segurava o amigo para que ele não caísse. Logo removeu a calça, e o deixou apenas de box e descalço. Estava dando certo, ele estava mais calmo, porém tremia de frio.

   - Demi. - Chamou-a baixinho. - Você vai me deixar? - As lágrimas voltaram a rolar pelo rosto dele deixando-a mais desesperada ainda.

   - Wil, você pode separar uma peça de roupa para ele? O closet é aqui do lado. - Com certo receio Wilmer os deixou a sós. Ficara preocupado no caso de Joe resolver desmaiar no banheiro na companhia de Demi, ela não iria conseguir o levantar. - Lave o rosto. - Joe arregalou os olhos, e como uma criança assustada fez o que ela mandou. Sua cabeça rodava tanto.. - Você vai ficar de pé enquanto eu busco o kit de primeiros socorros. - Joe encolheu-se de baixo do chuveiro e aos poucos começara a fechar os olhos. Dar banho em um homem bêbado e dormindo em pé não era fácil, Demi o secou e o enrolou na toalha. De uma hora para outra Joe tinha passado de bêbado chorão para bêbado tímido.

   - O que você está fazendo? - Perguntou totalmente confuso. Demi cuidara do corte acima da sobrancelha. Aquilo ardia.

   - Abra a boca. - Disse rígida como sempre. Joe abriu a boca e arregalou os olhos totalmente assustado e intimidado enquanto ela escovava seus dentes. - Cuspa. - Depois que o fez escovar os dentes, Wilmer a ajudou a vesti-lo com um moletom quente.

   - Dem, deita comigo. - Murmurou quase dormindo, quase acordado. Demi o colocara na cama e ajeitava-se para levar Wilmer até a porta.

   - Eu espero lá em baixo. - Segundos depois estavam sozinhos. Demi respirou fundo e deitou-se ao lado dele. Aquele não parecia o homem que ela tinha se casado, parecia mais um menino assustado e cheio de medo. Estava tão preocupada.

   - Banda. - Murmurou olhando-a com os olhos cheios de dor. - Acabou. - Demi enfiou-se de baixo das cobertas e o abraçou firmemente transmitindo para ele toda a positividade e amor que tinha. Se ela chorasse com ele as coisas iriam piorar. Iriam cair os dois de uma vez só, e não teria ninguém para ser forte por eles. Há três anos Joe fizera a mesma coisa, cuidara dela quando encontrou a mesma se cortando e vomitando. Quando ele adormeceu, Demi depositou um beijo carinhoso na testa e o cobriu como fazia com Dan. Levantou-se e desceu degrau por degrau desanimadamente mal acreditando no que tinha acontecido.

   - Eu iria limpar. - Murmurou ao encontrar Wilmer limpando a bagunça que Joe fizera com a garrafa, sorte que ele não se cortou gravemente.

   - Ele dormiu? - Wilmer preferiu ignorar todo aquele receio que Demi tinha por ele enquanto caminha até a cozinha sendo seguido por ela.

   - Dormiu. - Suspirou frustrada. - Como você o encontrou? - Sentou-se no banco do balcão enquanto servia café a Wilmer.

   - Obrigado. - Demi sabia que Wilmer adorava café, ele confessara em uma de suas animadas conversas quando eram amigos. - Ele foi até a minha casa, estava louco atrás da Ashley. - Toda a cor sumiu de seu rosto, engasgou com o café e as mãos começaram a tremer.

   - Ashley? - Sussurrou não acreditando no que ouvira.

   - Expressei-me mal. - Desculpou-se. - Pelo que entendi ele queria falar para Ashley ficar longe de você. Algo assim, ele quase a agrediu. - Seria por conta da quase briga no aniversário de Dan? Demi mal tinha percebido que Joe ficara nervoso.

   - Você acha que eles são amantes? - Quando percebeu já tinha dito o que não deveria, mas as palavras de Ashley voltaram com tudo. "Ele adora ir para cama comigo."

   - Demi, eu estou com Ashley. - Ora, Demi pensara que Ashley tinha se aproximado de Wilmer para lhes perturbar o juízo.. Era a única explicação lógica que encontrara. - Aliás, o Joe te ama e nunca iria te trair. - Bem, estas palavras ela teria que ouvir da boca de Joe, não da de Wilmer.

   - Você sabe o que aconteceu? Por que ele bebeu? - Não conseguia pensar em nada. "Banda" e "Acabou" não era a resposta e nem a desculpa para a bebida.

   - Eu não faço ideia. - Murmurou depois de um gole de café. - Eu acho que já vou. - Céus.. Se não fosse Wilmer, Joe estaria jogado em um canto qualquer daquela enorme cidade. Nem queria pensar no que poderia acontecer a ele.

   - Não está com fome? Posso preparar alguma coisa. - Demi forçou um sorriso. Graças a ele Joe estava bem.

   - Obrigado, fica para outra ocasião. - Caminharam silenciosamente até a porta, alheios um ao outro, cada um em seu mundo. - Se você precisar de alguma coisa é só ligar. - Demi sorriu e o surpreendeu com um abraço.

   - Obrigado por me ajudar a cuidar do Joe. - Disse com um sorriso triste nos lábios. - Você é um ótimo amigo. - Wilmer apenas beijou-lhe a bochecha e saiu às pressas apertando a jaqueta de couro contra o corpo, lá fora nevava.

Deus! Só agora que percebera que estava de hobby e apenas uma lingerie. Apressou-se em subir as escadas e destrancar o quarto de Dan para conferir se tudo estava bem com ele. Estava tão cansada e chocada. Beijou a testa do bebê e o deixou dormir serenamente. Suspirou completamente aliviada quando adentrou o quarto e o encontrou como ela tinha o deixado. Dormindo. Precisou apenas de um conjunto de moletom e apagar as luzes. Deitou-se ao lado de Joe e encolheu-se perto dele. Orou para que tudo ficasse bem, agradeceu por Joe estar em casa, e não na rua bêbado. Ela tinha fé que tudo iria ficar bem.

Continua... Eu nem acredito que demorei tanto para postar este capítulo.. na verdade eu não sabia como escrever. Escrever o capítulo! Tipo, eu já tinha esta cena em mente há tempos,  mas na hora de escrever foi bem complicado... tanto que o capítulo está meio que correndo :(
Mas espero que gostem, acredito que esta é a pior fase de um casamento, pelo menos o da fic. Obrigado pelos comentários e por sempre estarem acompanhado os capítulos. Beijos <3





20.5.14

Mini Fic - Capítulo 25

— Ah, mamãe, veja! É o Justin Bieber! Quero tirar uma foto com ele. - Summer correu até a estátua de cera inacreditavelmente parecida com o jovem pop star e Demi rapidamente tirou algumas fotos com sua câmera digital. Quando se virou, não conseguiu ver Joe em nenhum lugar da sala, nem mesmo perto da estátua de Kim Kardashian, sobre a qual todos os homem babavam. Demi, Summer e Joe foram ao Fisherman’s Wharf, em uma sexta-feira clara e fria, para tomar sopa de frutos do mar servida em recipientes feitos de massa de pão, mas, no caminho, acabaram indo parar no museu de cera. Por incrível que pareça, nenhum deles tinha estado lá antes, achando que era algo para turistas, não para moradores locais. Demi não conseguia se lembrar da última vez que riu tanto. Na verdade, as bochechas dela estavam doloridas e ela tinha certeza de que sentiria os músculos abdominais também, na manhã seguinte. Mesmo assim, não estava nem um pouco preparada para ver Joe em pé ao lado do irmão dele na sala ao lado. Ou melhor, ao lado da versão de cera de Smith Jonas.
— Ele nunca nos contou que estava aqui — Joe comentou, com um sorriso maldoso. — Cara, vamos nos divertir muito com isso. Pode tirar umas fotos nossas? — Ele pendurou um braço musculoso ao redor dos ombros da estátua de cera, e Demi notou vários estranhos na sala parando para olhar. Especialmente quando Summer perguntou:
— Ei, esse não é o seu irmão, Joe? Ele sorriu para ela. 

— Com certeza, querida. E parece que está tendo sérios problemas com toda essa cera espalhada pelo ouvido! - Enquanto Summer gargalhava, Demi encantava-se ao reparar que, ainda que cada um dos irmãos Jonas fosse único, todos os seis tinham certa, bem... Beleza inata era uma maneira de descrevê-la. Mesmo de cera, Smith Jonas era uma figura muito atraente. E claro que a estátua de cera nem chegava aos pés de um Joe Jonas em carne e osso. Alguns minutos depois, viram a estátua de Miley em um canto, ao mesmo tempo.
— Nós encontramos com ela na festa da sua mãe! — Summer exclamou. Claramente cheia de orgulho, ela disse: — Não preciso tirar uma foto com ela porque eu, tipo assim, já a conheço de verdade. Quando vamos conhecer Smith, Joe? Joe bagunçou o cabelo dela. 
— Da próxima vez que ele estiver na cidade. Vou fazê-lo comprar um sorvete para você.
— Que legal! - Quando Summer saiu, Demi sentiu um aperto no peito. Era exatamente disso que ela tinha medo. Que Summer presumisse que essas saídas em grupo significavam que sua mãe e o bombeiro ficariam juntos para sempre. No mínimo, tempo suficiente para tomarem sorvete com Smith. Demi podia sentir os olhos de Joe sobre ela. Os braços dele estavam perto, enlaçados em volta da cintura dela, puxando-a levemente para mais perto dele.
— Ouvi dizer que eles expulsam as pessoas do museu se as virem de testas franzidas. - Ela enfiou o rosto no pescoço dele e inalou o cheiro morno e fumarento dele até conseguir superar seus medos de novo. Ele a segurou o tempo todo, a mão grande acariciando as costas dela.
— Estou me divertindo muito, Joe. E Summer também.
— Então somos três. - Ele pegou a mão dela e se juntaram a Summer perto das estátuas de cera dos super-heróis, e todas as suas esperanças e sonhos confluíam para aquela declaração despretensiosa. Então somos três. Ah, como ela gostaria que aquilo fosse verdade. Um marido, uma família para a filha, sem mais dores de cabeça, sem mais desafios. Só amor. Mas como aquilo poderia se tornar uma realidade para ela e Summer sabendo que Joe era um bombeiro? E do tipo que não tinha medo de correr para dentro de prédios em chamas se isso significasse salvar a vida de alguém lá dentro. Pare com isso, ela dizia a si mesma, com uma voz interior bem firme. Ela prometeu a ambos que tentaria, o que significava frear suas preocupações e seus medos durante um tempo e só curtir a companhia dele. Uma hora depois, Joe as deixava em casa, a caminho de seu plantão noturno no quartel. Tinham combinado de vir jantar no domingo à noite, quando seu turno terminasse, mas Demi já estava com saudades dele. Além disso, ele passou horas segurando-a. E tocando-a também, fazendo pequenas carícias no rosto, nas costas, nos quadris. Ela queimava por dentro, mas, com Summer entre eles, Demi não podia fazer nada para matar esse desejo. Desejo esse que ela temia poder fazê-la desmantelar completamente, a qualquer momento.
— Obrigada pelo passeio — ela disse, com uma voz levemente rouca. Ela levou a mão em direção à fechadura, mas, antes que pudesse abrir a porta, Summer perguntou:
— Vocês não vão dar um beijo de boa-noite? - Uma risada encoberta saiu dos lábios de Demi e, quando ela olhou para Joe, os olhos dele estavam muito escuros com o mesmo desejo, que mal conseguia controlar.
— Claro que vamos — ele respondeu. - Um momento depois, os lábios dele, quentes e deliciosos, estavam sobre os dela. Um beijo foi o suficiente para estimular ainda mais o apetite e, quando ele se afastou, Demi sentiu-se tonta. Summer sorriu para os dois, claramente satisfeita por ver que sua “operação cupido” tinha funcionado tão bem.
— Vejo você no domingo, Joe. Hoje foi muito divertido. - No domingo à noite, os três estavam sentados no tapete da sala de estar brincando de “Operação”, e tentavam tirar um osso da coxa, numa disputa acirrada. Bem, quer dizer, uma disputa acirrada entre Summer e Joe. Sentar-se tão perto de Joe desse jeito fazia as mãos de Demi tremer tanto que ela mal conseguia jogar. Por várias vezes, ela tinha disparado o alarme vermelho, ao bater a pinça nas bordas dos pequenos sulcos do jogo de tabuleiro. Summer e Joe estavam quase empatados com suas pilhas de ossinhos e órgãos, quando Summer reclamou:
— Isso não é justo. Você faz esse tipo de coisa no seu trabalho. Eu sou só uma criança. -Demi esperou para ver se Joe se deixaria enganar, mas ele mal levantou a sobrancelha.
— Sou treinado como paramédico, não como cirurgião. - Summer fez uma careta.
— É quase a mesma coisa. - Joe sorriu para a garotinha.
— Nem de longe, mas boa tentativa, garota. - Quando Summer disse, toda feliz “Sua vez”, Demi sabia que ela ainda não tinha usado todos os truques para ganhar o jogo. Joe pegou a pinça e estava prestes a ir para o cérebro, quando Summer gritou:
— Ai, meu Deus, que inseto enorme! - Demi encolheu-se quando o grito estridente da filha entrou em seu cérebro.
— Que inseto, Summer? - Mas a filha estava ocupada olhando fixamente para a mão de Joe, parada sobre o tabuleiro do jogo, e não batendo nas bordas, o que daria a Summer a chance de vencer. Demi não se aguentou e caiu na risada.
— Ele é um dos oito irmãos, meu amor. Acho que terá de se esforçar um pouco mais para conseguir distraí-lo. - Um segundo depois, Joe alcançou a peça, tirou o cérebro e estava quase conseguindo tirá-la totalmente quando a ponta da pinça encostou no tabuleiro. O alarme vermelho soou e Summer tomou a pinça da mão dele, tirando o cérebro com destreza.
— Ganhei!
— Bom trabalho, Summer! - Demi não conseguia imaginar nenhum dos caras com quem tinha namorado jogando esse jogo com Summer, muito menos gostando de fazê-lo. Sem falar na habilidade de lidar tão bem com as travessuras dela.
— Amanhã você tem escola! Hora de ir para a cama! — Demi disse. — Vá escovar os dentes e colocar o pijama e depois vou ler uma história para você.
— Você pode ler para mim esta noite, Joe? - Talvez Demi não devesse ter ficado tão chocada com o pedido de Summer, mas ficou. Exceto ela, ninguém jamais tinha lido uma história para Summer, nem mesmo o pai dela, que preferia brincar com ela na grama, ao ar livre, a ficar dentro de casa com ela, ainda bebê, mordendo e mastigando um livro no colo dele.
— Demi? - Em vez de responder à pergunta de Summer, os olhos de Joe estavam em Demi, e ela podia ler a pergunta no rosto dele: Tudo bem para você? Cada minuto que os três passavam juntos, ela via Joe e Summer se aproximarem ainda mais. Eles eram duas pessoas que gostavam da companhia um do outro, de verdade. A filha dela tinha um ótimo gosto para homens. Mesmo assim, por alguma razão, isso parecia um grande passo, depois de tantos outros grandes passos. Primeiro, passar a noite de sexta-feira no Fisherman’s Wharf, como se fossem uma família. Depois, beijar Joe na frente de Summer. E, agora, Joe contando uma história na hora de dormir. E se alguma coisa acontecesse com ele? E se Summer se acostumasse com Joe brincando de jogos e lendo na cama para ela e depois... Ela controlou-se um segundo antes de seu cérebro enveredar-se pelo caminho do pânico. Preciso tentar. Continue tentando.
— Parece ótimo. - Joe analisou o rosto dela, o sorriso que o havia enfeitiçado.
— Talvez — ele disse, suavemente — poderíamos ler juntos. - Uma sensação de alívio e um amor feroz tomou conta dela. Demi nunca pensou que encontraria um homem que a entendesse tão bem, que pudesse ler seus pensamentos secretos sem ela dizer uma só palavra. Trinta minutos depois, Summer estava na cama e eles foram em direção à sala de estar.
— Adorei você ler A casa mágica da árvore para Summer, o jeito que você fez todos os personagens. - Ele deu de ombros como se não fosse grande coisa.
— Sophie é muito boa em nos convencer a ler para as crianças durante a contação de história na biblioteca. Demi adorava a ideia de Joe sentado na cadeirinha de plástico lendo para um bando de crianças... e suas mães babonas. Ela podia imaginar o tipo de fantasia que ele inspirava naquelas mulheres durante o que deveria ser os melhores trinta minutos do mês delas. As mesmíssimas fantasias que ele inspirava nela.
— Está pronta para sua historinha de dormir? — Ele puxou-a para o colo dele, no sofá.
— Mas ainda não estou cansada — ela respondeu baixinho. A linda boca de Joe esboçou um sorriso e ela achou que ele fosse beijá-la. Em vez disso, ele enfiou a cabeça na curva do pescoço dela e passou-lhe a língua, deixando Demi toda arrepiada.
— Era uma vez um homem.
— Não era um príncipe?
— Não — ele disse, pegando levemente no queixo dela. — Ele era um homem absolutamente normal e comum. Mas, um dia, teve sorte e conheceu a mulher mais linda do mundo.
— Tem certeza de que ela também não era normal e comum? - Joe mordeu o lóbulo da orelha dela, deixando-a toda arrepiada.
— Pode ter certeza, ela era extraordinária, tão linda que ele mal podia acreditar que ela estava falando com ele.
— Eles se beijaram? - Os lábios dele chegaram mais perto dos dela quando ele respondeu:
— Ah, sim... e aqueles beijos eram a melhor coisa do mundo. - Finalmente — finalmente! —, ele estava lhe beijando, e os dedos dos pés dela se contorciam da paixão que emergia de dentro dela. Entretanto, apesar de estar louca para fazer amor com ele, ela, de algum modo, conseguiu se lembrar de que a filha estava dormindo no final do corredor. Demi tinha decidido que não tinha problema Summer ficar na companhia de Joe, sair para passear ou brincar, ou até mesmo que ele contasse historinhas na hora de dormir. Mas era impossível aceitar que a filha visse um homem saindo do quarto da mãe pela manhã. Pelo menos não até as coisas ficarem muito mais sérias, a não ser que houvesse um casamento num futuro próximo. Considerando que Demi não conseguia nem dizer “Eu te amo”, ela sabia que era melhor parar de beijá-lo daquele jeito, já que a filha estava só a alguns metros de distância. Ela mudou de posição no colo dele.
— Obrigada por vir aqui esta noite.
— Obrigado por me convidar. - A julgar pela protuberância nas calças e pelo desejo nos olhos dele, ela sabia que Joe estava tão pronto quanto ela para fazer sexo do tipo de se jogar na parede, completamente selvagem. Sentindo que seria a pior provocação de todas, ela admitiu:
— Quero que fique, mas... - Um dedo cobriu os lábios dela.
— Eu entendo, Demi. Também nunca faria nada para magoar Summer. - Relutante, ela saiu do colo dele e caminharam, de mãos dadas até a porta. Depois de outro longo beijo de boa-noite, e outro doce “eu te amo”, ele estava na metade do corredor quando ela gritou:
— Você não disse como a história termina, Joe. — Ela segurou o fôlego, esperando a resposta. A expressão dele refletia todo o amor e o desejo que sentia por ela.
— Não termina.

Ao levar Summer para a escola na segunda-feira de manhã, Demi estava zonza por não ter dormido direito. O corpo dela ansiava pelos beijos de Joe, mas não tinha se dado ao trabalho de tentar resolver o problema por conta própria. Não quando não era exatamente do orgasmo que ela precisava, e sim do homem em carne e osso. Ela nunca foi mulher de correr atrás de homens, em parte porque se casara muito jovem, mas principalmente porque não era da sua índole. No entanto, foi o puro instinto feminino que a fez seguir na direção oposta à casa dela, depois de deixar Summer na escola. Dez minutos depois, ela tocava a campainha da porta da casa de Joe, o coração saindo pela boca pelo tanto que havia corrido para chegar até ele. Mas, enquanto esperava, ela percebeu, de repente, que não fazia ideia se ele estaria ali ou não, se tinha saído para correr ou ido comprar bagels para o café da manhã. E, como ele não atendeu a porta imediatamente, ela praticamente sentiu o sabor da decepção. Ela estava prestes a dar meia-volta quando a porta se abriu.
— Demi? - Obviamente o Universo estava conspirando a favor dela, pois Joe não só estava em casa, como também estava enrolado com uma toalha em volta do quadril. Ela ainda estava entretida, admirando aqueles músculos esculpidos, quando ele convidou:
— Entre, querida. - A mão dele estava morna sobre a cintura dela.
— Está tudo bem? - Ela finalmente percebeu a expressão preocupada dele por ela aparecer lá daquela maneira, sem fôlego e provavelmente de olhos arregalados, desesperada para vê-lo. Para estar com ele.
— Não — ela respondeu com sinceridade.
— É a Summer? - Joe ficou em pânico instantaneamente, e ela colocou a mão sobre o coração disparado dele para acalmá-lo. 

— Summer está perfeita. Acabei de deixá-la na escola.
— Então o que é? — As mãos dele acariciaram o cabelo dela procurando alguma pista.
— Senti sua falta — ela murmurou, baixando os olhos timidamente diante da admissão nua e crua. — Sexta à noite. Domingo à noite. — Ela ergueu os olhos até os dele. — Achei que fosse ficar louca se não visse você de novo. — Ela colocou os braços em volta dele e refestelou-se na força da ponta de seus dedos.
— Eu andei para cima e para baixo pela cidade a manhã toda — ele contou a ela, com voz rouca, enquanto seu olhar ia e voltava dos lábios para os olhos dela. — Ou fazia isso ou usava minhas ferramentas para arrombar seu apartamento e ir para a cama com você. - Um momento depois, Joe pegou-a no colo e levou-a para o quarto dele. Demi estava em êxtase por ele estar tão desesperado quanto ela para continuar o que tinham começado, e que não tiveram a chance de terminar, naquele fim de semana.
— Quanto tempo você tem? — ele murmurou no ouvido dela, acariciando a pele sensível com a língua.
— Quanto você precisar — ela respondeu, enquanto pressionava os lábios na curva do pescoço dele e em um dos seus ombros largos. Os olhos dele se ergueram até os dela, escuros não só de paixão, mas com algo muito maior, muito mais completo do que só o desejo físico.
— Para sempre, Demi. — As duas palavras saíram do fundo do coração dele, atingindo diretamente o coração dela. — Isso é quanto eu vou precisar de você. - Demi gemeu diante da declaração dele à resposta despretensiosa dela. Ela só estava falando em fazer amor naquela manhã, sobre algumas horas roubadas na cama dele, longe do trabalho dos clientes que precisava terminar. No entanto, ele respondeu-lhe como se ela tivesse dito algo completamente diferente. E estava sendo absolutamente honesta consigo mesma. Ela tentou recuperar o fôlego quando ele a abaixou até a cama. Ela sabia que Joe a amava; contudo, mesmo tendo dito aquelas doces palavras para ela muitas vezes durante a última semana, ele nunca a tinha pressionado para que respondesse. Ele sabia que ela estava tentando, sabia que ficar com ele era o maior risco que estaria assumindo em anos. Mas, agora, deitada embaixo dele sobre a cama e com ele olhando-a como nenhum homem jamais fez, como se ela fosse o sol, as estrelas e tudo mais, ela queria muito retribuir o que ele estava dando a ela sem fazer o menor esforço.
— Eu... — As palavras ficaram engasgadas na garganta dela, presas pelo ressurgimento dos medos que tentava deixar de lado, um a um, cada vez que Joe estava com ela. Não, não só quando estavam juntos, mas cada vez que pensava nele, cada vez que Summer dizia o nome dele e sorria. Ela lambeu os lábios e tentou de novo.
— Joe, eu... - Os lindos lábios dele cobriram os dela no momento em que ela engasgou de novo, dizendo a ela que ele compreendia... e que ele não iria a lugar nenhum. Ela se entregou ao amor que ele demonstrava naquele beijo, enroscando os braços e as pernas ao redor dele, precisando dele muito mais perto.
— Eu sei, e vou esperar você, Demi. O tempo que for necessário. - Felizmente, ele não esperou a resposta dela, não deixou que houvesse nenhum momento de silêncio desconfortável entre eles. Em vez disso, pegou a barra da camiseta de Demi e puxou-a sobre a cabeça dela.
— Rosa é minha nova cor favorita — ele murmurou, ao olhar para o sutiã dela. Sem perceber, ela estava com o sutiã que combinava com a calcinha que ele tinha visto no cesto de roupas naquele dia em que apareceu na casa dela de surpresa. Entretanto, antes que pudesse admitir para si mesma que tinha colocado o sutiã de propósito, na expectativa que ele percebesse, Joe abaixou a cabeça e passou a língua sobre a parte de cima de um seio, depois no outro, bem no lugar onde a renda abria espaço para a pele sensível. Ela estava ofegante e arqueou as costas quando ele levantou a cabeça.
— Só para você saber que tive mais do que uma fantasia com essa calcinha cor-de-rosa.
— Eu também — ela confessou, baixinho. As mãos dele tremeram quando alcançou o botão da calça jeans dela. Logo depois, ele abriu o zíper e baixou-lhe as calças até os pés, tirando-lhe também os sapatos e as meias.
— Conte uma delas para mim — ele pediu, com aquela voz baixa e cheia de desejo que sempre fazia o corpo de Demi encher-se de calor e prazer, começando lá no fundo da barriga e espalhando-se por todo o seu corpo. No entanto, ela já tinha tido a chance de representar mais que uma de suas fantasias com ele. Dessa vez, ela queria saber a dele. Com as mãos dele lhe tateando o quadril, a barriga e a região perto dos seios, era difícil fazer o pedido.
— Você já sabe uma das minhas fantasias. Quero ouvir uma das suas. - O sorriso dele foi tão absurdamente sensual que ela quase gozou bem ali, com nada além daquela expressão nos olhos dele e das mãos enormes sobre os seios dela, ainda cobertos.
— Uma de minhas fantasias — ele disse, suavemente, enquanto saía de cima dela para comer o corpo dela com os olhos — envolve surpresa. — Ele fez uma pausa. — E confiança. - Ela esperava tudo, menos que ele dissesse isso. Não esperava que lhe pedisse para confiar nele. Claro que confiava nele. Ela havia permitido que ele entrasse na vida dela, na vida de Summer. Ela fez sexo selvagem com ele e sabia que, apesar de ele ser muito maior do que ela, nunca teria medo do que pudesse fazer com ela. Como se estivesse lhe dando tempo para pensar sobre o que acabou de dizer, Joe levantou-se da cama e tirou as roupas. Quando virou de volta para ela, estava gloriosamente nu, e o pinto ereto batia na altura de sua barriga. Teria sido fácil só puxá-lo para cima dela, esquecer qualquer surpresa, qualquer fantasia que ele quisesse tornar realidade, e fazer amor sem falar mais nenhuma palavra sobre confiança. Mas ela sabia que isso estragaria não só a fantasia dele, mas também a dela mesma.
— Demi? - Chegou o momento da verdade. Ele deu-lhe tempo para pensar, para remoer, para decidir. Não a forçou em relação à palavra amor, mas Demi podia ver que ele não abriria mão da confiança. Sem confiar na própria voz, ela balançou a cabeça. O sorriso dele foi tão encorajador quanto sexy. E então ele se virou e alcançou a gaveta da cômoda. Segundos depois, tirou uma gravata. O coração disparou quando Joe chegou perto dela.
— Já teve seus olhos vendados antes? - Ela mordeu os lábios e negou, balançando a cabeça.
— Alguma vez já quis ter os olhos vendados? - Ela sentiu o rubor lhe cobrindo as bochechas enquanto concordava. Antes, quando tivera essa fantasia, quem a vendava era um homem sem rosto e sem nome. Desde o incêndio, Joe estrelava cada uma das fantasias dela. Ele baixou a seda sobre os olhos dela e ergueu gentilmente a cabeça dela do travesseiro para pôr a venda.
— Consegue ver alguma coisa? - Ela conseguia ver a luz entrando pelos cantos, mas era só.
— Não.
— Bom. — Promessas de prazer acompanhavam aquela palavra curta. — Se você prometer ficar exatamente onde está e confiar que vou lhe fazer sentir muito bem, então não precisaremos amarrar você na cama, para outra de minhas fantasias. - Demi ficou surpresa ao perceber que podia ficar ainda mais excitada. De algum modo, sem que ela jamais desse voz a seus desejos escondidos, ele sabia. As mãos mornas de Joe lhe cobriram os seios e, então, seus dedos passaram pelos mamilos intumescidos dela.
— Você gosta dessa ideia, não gosta, meu amor? - Uma vez que o corpo dela já estava respondendo, foi fácil concordar. Ela lambeu os lábios e concordou:
— Sim, gosto muito. - Ela ouviu-o gemer baixinho, sentiu o colchão mexendo embaixo do peso dele enquanto Joe se mexia.
— Minha aventureirazinha sexy. - A surpresa diante das palavras dele se perdeu na sensação de Joe se encaixando entre as coxas dela, as mãos dele sobre a pele sensível entre suas pernas, empurrando-a, para que ela se abrisse para ele.
— Se você pudesse ver o quanto está molhada. - Os dedos dele pressionaram gentilmente a calcinha, que ela tinha certeza de que, a essa altura, estava ensopada pela maneira que ele a vinha provocando. Desde o início, ela adorava o jeito que ele falava com ela, uma conversa sexy e levemente maliciosa que ela jamais sonhou experimentar, mas que, em segredo, sempre quis saber como seria. O calor dele a queimava, e ela montou na mão dele. Demi já estava tão perto que não precisaria de muito mais para chegar ao limite. Especialmente com a falta de visão, quando cada toque, cada cheiro, cada som tornava-se muito mais forte. Muito mais potente. E, então, de repente, foi tomada por uma umidade morna, com a língua dele passando sobre a renda cor-de-rosa. Ela teve de colocar as mãos nos cabelos dele, teve de encaixar o quadril dentro da boca de Joe. Não havia contato de pele sobre pele, mas isso não importava. Ela não precisava; só daquela deliciosa pressão da... Ah, que delícia! — As palavras escaparam-lhe da boca quando ele puxou a calcinha para o lado e colocou a língua lá. Sobre ela, dentro dela. As mãos dele estavam em todos os lugares ao mesmo tempo, enquanto a língua e os dentes se concentravam na parte mais sensível dela. Com uma mão, acariciava os seios dela, beliscando vigorosamente os mamilos; com a outra, enfiava-lhe os dedos, e, pela primeira vez, Demi gritou de êxtase, um som profundo, que ela não acreditaria ter saído de dentro dela se fosse capaz de pensar. Durante algum tempo, em que ondas de prazer pareciam crescer, explodir e se espalhar por todo o corpo dela, Joe continuou brincando entre as pernas dela, com seu clitóris e seus seios. Assim que atingiu o clímax, ela sentiu-se frouxa, exausta. No entanto, ao sentir Joe subir vagarosamente sobre ela, tão perto a ponto de o pênis dele roçar a pele dela, Demi foi tomada por um novo fôlego. Ele beijou-lhe todo o corpo, com mordidinhas de amor suaves que a fizeram tremer de novo quando ele alcançou-lhe o rosto.
— Obrigado por confiar em mim, querida. - Joe tirou-lhe a venda dos olhos ao mesmo tempo que a penetrou, e Demi sentiu-se abrir para ele de uma maneira que jamais tinha feito para ninguém antes. As barreiras que havia construído, aquelas grades da prisão que lhe cercavam o coração, despencaram diante do toque gentil e dos beijos delicados dele. Se havia alguma hora na vida para se arriscar, era agora; se havia uma pessoa pela qual se arriscar, era Joe. Antes que seus lábios pudessem formar as palavras, porém, ele pediu:
— Goze comigo, meu amor. - E ela gozou; e o orgasmo seguinte arrancou-lhe cada pensamento, assim como qualquer possibilidade de falar alguma coisa. Tudo o que restou foi o amor que se derramava dele para dentro dela... de novo, enquanto Demi finalmente deixava Joe penetrar-lhe até o fundo da alma.


Continua.. Oi! Cara, essa fic não para de ter hot? meu Deus O.O Espero que vocês gostem deste capítulo, está no final, acho que faltam dois ou três.. Então, beijos e até o próximo capítulo, que eu acho que vai ser de LSS se alguém muito enrolada e que está morrendo de cólica resolver escrever, beijos! 

18.5.14

Mini Fic - Capítulo 24

No dia seguinte, Joe bateu à porta de Demi. Ele tinha ido atender a uma chamada médica quando ela deixou o recado. Assim que voltou ao quartel e terminou a papelada, rapidamente começou a planejar uma surpresa para ela. Uma surpresa da qual esperava que ela gostasse. Nos últimos dias, ele sentiu a falta dela como um louco, e quis ligar umas cem vezes. No entanto, sabia que não podia pressioná-la; não podia arriscar que ela saísse correndo, provavelmente para sempre dessa vez. Enquanto aguardava
seu contato, Joe ficou lembrando a si mesmo que ela não tinha dito adeus. Em vez disso, ela disse que se divertiu... e o beijou no rosto. Mesmo assim, foi um momento de alívio muito especial quando ouviu a voz de Demi no telefone. No entanto, quando ela abriu a porta, linda como sempre usando uma calça jeans e um suéter, o que ele sentiu foi muito além do alívio, muito além do desejo; ele finalmente teve a certeza de que havia entrado em um território desconhecido. Estava apaixonado por ela. Tomado pela força das emoções que sentia por essa linda mulher em pé na frente dele, provavelmente teria ficado ali parado, olhando durante horas para ela, se Demi não tivesse agarrado a camisa dele e puxado Joe em direção a ela. Ele finalmente reagiu, trazendo o corpo dela contra o seu no momento em que ela encontrou os lábios dele. Eles se beijaram como se, em vez de três dias, fizesse três anos que não se viam, e suas roupas voavam para todos os lados, como tinham feito no terraço na casa dele. Antes, o sexo nunca tinha sido uma vontade tão desesperadora, nunca tinha sido tão vital quanto respirar, tão necessário quanto comida e água. Mas não era só a busca pelo orgasmo que os levou a se jogarem sobre o sofá, fazendo Joe lhe rasgar o sutiã, descer a calcinha dela e cair de joelhos entre as coxas de Demi. Não era só por querer dar prazer a Demi, por querer ouvir aquela respiração ofegante e os gemidinhos sexies enquanto lhe lambia a vagina já molhada e deslizava os dedos para dentro daquele calor sufocante. Era mais do que uma sensação de intoxicação que sentia vindo dela, já a ponto de chegar ao clímax enquanto ele, com a língua, fazia movimentos circulares no clitóris, para depois chupá-lo e levá-la além dos limites. Mesmo quando foi para cima dela, já usando uma camisinha, agarrando-lhe o quadril com mãos fortes para puxá-la para mais perto e penetrando-a, tudo aquilo estava além da necessidade dele. Não, era muito mais profundo do que o prazer físico de estar com a mulher que amava. Pela primeira vez na vida, quando Demi virou a cabeça para trás no sofá, arqueou as costas e envolveu as pernas com força em volta da cintura dele, cobrindo-lhe as mãos com as suas um pouco antes de os dois gozarem nos braços um do outro, Joe entendeu o que Adão havia sentido. A necessidade de tomar posse de Eva. Joe olhou com prazer para Demi sentada ao lado dele em sua caminhonete. Ele já a desejava de novo, mesmo tendo passado somente quinze minutos desde que fizeram amor. Ficara tentado a levá-la para a cama e passar a tarde inteira lá, mas sabia que ela adoraria a surpresa que havia preparado. E ele tinha esperança de que haveria muitos outros dias, e noites, para fazerem amor no futuro.
— Estou feliz por você ter ligado — ele confessou a ela, alcançando-lhe as mãos e ficando contente quando ela entrelaçou os dedos nos dele.
— Eu também. — Ela olhou pela janela. — Se bem que na verdade fui eu que convidei você para almoçar, e aqui está você me levando para algum lugar secreto. - Pelo tom divertido da voz de Demi, ele podia dizer que ela gostava de surpresas. Joe se perguntou se ela gostaria que ele assumisse o controle da transa na próxima vez. Se ele não dissesse o que iria fazer com ela, se a fizesse adivinhar o que iria acontecer. Pararam em um estacionamento de terra e ele deu a volta para ajudá-la a sair da caminhonete, com a mão em volta da cintura dela, sentindo as curvas de seu corpo enquanto ficava em pé, bem perto, para garantir que ela escorregaria pelo corpo dele. Assim como não largava da mão dela enquanto estavam no carro, também não parava de beijá-la agora. Os lábios de Demi buscavam os dele com a mesma fome, os braços enroscados no pescoço dele, as mãos dela lhe acariciando os cabelos. Eles já tinham se beijado pelo menos uma dezena de vezes antes disso, mas esse beijo era diferente. Ele sempre soube que ela o queria, sempre sentiu a força do desejo dela por ele. Mas agora era como se um cadeado tivesse sido aberto. Antes era como se ela não conseguisse resistir aos beijos dele, mas agora, ele tinha a estranha sensação de que ela o beijava só porque queria, nada mais. Quando eles finalmente se separaram para respirar, ela sorriu para ele.
— Adoro beijar você, Joe. - Os lábios dele voltaram sobre os dela um segundo depois e começaram o segundo round. No entanto, o barulho de uma buzina os fez lembrar de que estavam no meio de um estacionamento público perto de uma enorme tenda branca.
— Onde estamos? — ela perguntou. - Ele sorriu e segurou-a com mais força.
— Logo você saberá. - Alguns segundos depois, os olhos dela se arregalaram de prazer.
— Eu vi o anúncio desse circo no mês passado, mas achei que já tivesse ido embora.
— É o último dia. Estava ansioso para saber se você ia gostar da minha surpresa.
— Está brincando? — Ela parecia com Summer quando ficava ansiosa. — Eu adoro circo! Summer tira sarro de mim, diz que eu fico mais eufórica com os acrobatas, os truques com animais e os trapezistas do que as crianças. Quando era pequena, sonhava em fugir com um circo. Queria ser a garota que deixava todo mundo boquiaberto por dançar nas costas de um elefante. - Ele já tinha comprado dois ingressos VIPs, e foram andando na direção dos
assentos centrais, bem em frente de onde aconteciam as coisas. Ele adorava esse lado de Demi, quando ela se esquecia de se controlar e se proteger dele, quando lhe abria uma janela para a pessoa que ela realmente era. Não só a boa mãe, não só a contadora inteligente, mas uma mulher que adorava aventura, adrenalina, diversão. Tanto quanto ele. Quando comprou pipoca, algodão-doce e amendoim caramelizado, ela disse:
— Se Summer descobrir que comemos essas coisas, vai ler para mim o Ato do Parlamento Inglês. - Joe sorriu.
— Não é o contrário? Não é você quem deveria dizer a ela para ficar longe dessa porcariada?
— Eles estão aprendendo sobre nutrição no primeiro ano. Caso queira saber — ela ergueu um chumaço de algodão-doce —, isso não é comida que ajuda a crescer. - Ele riu.
— Adorei ver a Summer no quartel. — Ele não queria pressionar Demi, sabia que ela ainda precisava de tempo para esclarecer as coisas entre eles, mas ela tinha de saber. — Estava com saudades dela. - Os olhos de Demi se suavizaram. 
— Ela também estava com saudade de você. Na verdade, Joe, estive pensando... - Ele quis tirar Demi de dentro da tenda para ouvir o que ela estava prestes a lhe falar. No que ela esteve pensando? Que queria que ficassem juntos? Ou que não queria? Demi foi imediatamente envolvida pelo espetáculo do circo, mas Joe não conseguiu se concentrar em outra coisa a não ser nela. Demi adorou cada segundo do espetáculo. Ela mal podia acompanhar os flexíveis acrobatas se jogando pelo picadeiro. Segurou o fôlego quando o domador de tigre entrou no picadeiro com dez animais ferozes. Riu até doer a barriga das trapalhadas dos palhaços. E, mesmo assim, apesar de todos os sentidos estarem tomados até o limite, ela não podia se esquecer, em nenhum segundo, do homem sentado ao lado dela. Nenhum dos seus namorados nunca a tinha levado ao circo. Eram sempre as mesmas mesas com toalhas brancas e vozes sussurradas, conversas sobre trabalho e portfólios de investimento. Ela nunca deixou nenhum daqueles homens se aproximarem dela o suficiente para descobrirem seus sonhos e esperanças, o que a fazia rir ou chorar. Entretanto, mesmo com as tentativas de afastar Joe diversas vezes, de proteger seu coração dele, ele conseguia decifrá-la. Dos fogos de artifício no terraço à diversão infantil e inocente do circo, ele lhe preenchia a alma, uma experiência de cada vez. Sem falar na maneira maravilhosa como fazia amor com ela. No final da apresentação, Demi ficou em pé e aplaudiu tanto que a palma de suas mãos chegou a arder.
— Obrigada, Joe. — Foi... — Ela precisou procurar a palavra certa, finalmente encontrando na expressão favorita de Summer. — Fantástico! Absolutamente fantástico! - Ela rapidamente comprou algumas lembrancinhas para Summer. Quando olhou de volta para Joe, ele parecia satisfeito com o quanto ela tinha se divertido, mas também parecia estranhamente preocupado.
— Você se divertiu?
— Sim, mas, para ser honesto, só olhar para você curtindo isso tudo foi o melhor espetáculo de circo que já vi. - Demi enrubesceu diante do fogo nos olhos dele. Era impressionante como estar com Joe fazia tudo à volta dela tão mais cheio de vida, tão mais claro. Ela não tinha percebido todas as sombras, todos os contornos que estava perdendo, até que ele, literalmente, apareceu em sua vida. Ela gostou de segurar nas mãos de Joe e se aconchegar perto dele enquanto caminhavam de volta para o estacionamento. Ele deu um beijo na parte de cima da cabeça dela, e tudo parecia se encaixar perfeitamente.
— Quando você tem que pegar Summer? - Ela olhou para o relógio. 
— Em mais ou menos uma hora. - Ela foi puxada para o lado oposto da caminhonete, em direção ao oceano. Minutos depois, estavam sentados sobre um tronco admirando a ponte Golden Gate. Joe, tinha uma expressão séria no rosto novamente.
— Joe, tem alguma coisa errada com você, não tem? Você estava com essa mesma cara lá dentro do circo.
— Não, não há nada errado. Pelo menos, eu espero que não. — Ele passou a mão pelos cabelos, deixando-os sensualmente desarrumados, enquanto explicava: — Quando estávamos falando sobre Summer, você começou a dizer que esteve pensando sobre as coisas. Mas acabou não me dizendo sobre o que esteve pensando. - O coração dela acelerou. Lá no picadeiro do circo, ela estava tão emocionada com a linda surpresa que acabou falando demais, sem pensar. Demi, porém, estava nervosa agora. O hábito a fez querer levantar-se do tronco e se afastar de Joe o mais rápido possível, o mais longe possível. Era tão difícil ficar bem ali onde estava e encarar não só Joe, mas também os medos dela.
— Estive pensando muito em nós. — Foi a única maneira que arrumou para começar a falar. Ela precisou pegar na mão dele para se acalmar. Ele foi carinhoso e firme, como sempre. Nada nessa conversa seria fácil. Mas isso não era motivo para não conversarem, não era motivo para esconder de Joe os sentimentos dela.
— Nunca tive a intenção de deixar você entrar a esse ponto em minha vida.
— Sentiu-se obrigada a dizer, com uma sinceridade dolorosa.
— Eu sei, querida.
— Você também não — ela teve de enfatizar, e ficou surpresa quando ele deu um sorrisinho. — Você tentou lutar contra isso tanto quanto eu.
— Só que eu percebi que não tinha que lutar. Aquele incêndio no apartamento aconteceu para que nos encontrássemos. Nada mais. - As palavras dele despertaram algo dentro dela, aquela parte dela que se preocupava, acima de tudo, que ele continuasse olhando para ela como uma vítima de incêndio, com estrelas nos olhos.
— A questão, Joe, é que tudo foi, tudo é fantástico com você. Não só o sexo — ela confessou, com uma voz suave. Ele ergueu a mão até o rosto dela, roçando os nós dos dedos na pele dela, fazendo-a tremer. — Fazer amor com você é, bem... — Ela lambeu os lábios. — É maravilhoso, mas conversar, rir, praticar snowboard... amo cada minuto que passamos juntos.
— Eu também. - Ela precisava fazê-lo entender.
— Eu não estava lutando contra tudo só por causa do meu passado; estava lutando por causa de Summer. Tinha muito medo de me apaixonar por você e deixá-la se afeiçoar a você a ponto de tornar-se um modelo para ela, mais do que já é. E que a deixasse arrasada quando fosse embora.
— Eu não vou embora. - As palavras dele fizeram Demi parar.
— Como tem certeza disso? - Antes de ela se dar conta do que ele estava fazendo, Joe puxou-a do tronco de madeira e sentou-a no colo dele. Ele era tão grande e ela adorava quanto se sentia feminina nos braços dele, quanto ele sempre a fazia sentir-se tão segura.
— Sei por causa disto — revelou, pressionando os lábios contra os dela por um momento antes de dizer: — Amo você, Demi. - Ela sentiu um nó no peito. Não previu isso, não esperava que Joe se declarasse assim hoje. Sem acreditar no que ele tinha acabado de dizer, e sem perceber o que havia dito até que as palavras já tivessem saído, ela perguntou:
— Você me ama?
— Amo, meu amor. Você é a pessoa mais corajosa que conheço. Aquele dia no seu prédio, quando estava tudo queimando, o amor pela sua filha a fez tão forte, fez a diferença entre a vida e a morte. Eu perdi um pedaço do meu coração bem ali, naquele momento.
— Sempre achei que fosse muito forte — ela murmurou, com a voz pouca coisa mais alta do que o barulho das ondas —, mas a verdade é que passei muito tempo com medo. Mesmo antes de David morrer. — Ela não queria mais esconder nada de Joe. Ou dela mesma. — Nós nos conhecemos quando eu tinha 20 anos; nunca tinha namorado sério antes. Ele era mais velho, e namorá-lo era muito excitante. Ele nunca me pressionou para fazer nada para o qual não estivesse preparada e, depois de uns meses, fazia sentido dormirmos juntos. - Ela podia sentir Joe ficando tenso.
— Me desculpe. Sei que não quer me ouvir falar sobre ir para a cama com outro homem, especialmente depois de dizer...
— Amo você, Demi — ele repetiu, preenchendo os espaços vazios quando ela não conseguiu pronunciar amo.
— Me desculpe por dizer isso agora, mas preciso que você entenda — ela continuou, apertando a mão dele, extremamente feliz por ele estar ali para ela se apoiar. — Ter intimidade com David não me parecia muito arriscado. Era o que todo mundo fazia na faculdade, dormir com os namorados. — Ela fez uma pausa. — Mas ninguém mais descobriu estar grávida no aniversário de 20 anos. - Dessa vez foi Joe quem apertou a mão dela.
— Eu estava morrendo de medo. Medo de ter um bebê; medo de casar com um homem que nem sabia se amava. Acho que foi naquele momento que jurei viver uma vida livre de riscos, para nunca mais me sentir daquele jeito de novo. A morte dele só reforçou isso. - Ela sentiu-se obrigada a olhar nos olhos dele enquanto admitia:
— Estar com você é muito arriscado em tantos níveis, Joe. Não só para mim, mas para minha filha também. - A expressão e a voz dele foram suaves quando ele disse:
— Não posso nem imaginar quanto deve ter sido assustador ter de lidar com tudo isso, tão jovem. Mas, quando olho para você e Summer — ele parou e sorriu ao pensar na filha dela —, sei que ela é a melhor coisa que já lhe aconteceu. - As lágrimas que nasciam nos olhos dela ameaçavam derramar.
— Ela é mesmo.
— Então, você não fica feliz por ter se arriscado? Foram esses riscos que lhe trouxeram Summer. - Ninguém jamais tinha abordado isso dessa forma. E ele estava certo; ela passaria por todos aqueles momentos assustadores de novo só pela chance de embalar a filha, de ver o rostinho de Summer se iluminar quando ela sorria, para fazer parte da jornada da filha, de menina a mulher.
— Diga de novo, Joe. Por favor. - Ele soltou as mãos dela e lhe acariciou o rosto, tão forte e tão suave, enquanto os polegares lhe roçavam a pele.
— Amo você. — Os lábios dele encontraram os dela, e ele enfatizou sua declaração com um beijo que dizia exatamente a mesma coisa. Quando se afastaram, apesar do frio na barriga, Demi não conseguia pronunciar aquelas palavras. No entanto, conseguiu dizer:
— Quero tentar. Você, eu e Summer. Quero dar uma chance a nós. — E havia só uma maneira de provar a Joe que ela falava sério. — Tem tempo para ir buscá-la na escola?
— Sim — ele respondeu, com a expressão que dizia a ela que sabia exatamente o que aquele gesto significava. — Adoraria. - Depois de irem de carro até o apartamento dela, em silêncio, e estacionarem a caminhonete do lado de fora do prédio, Joe segurou a mão dela por cinco quarteirões. Summer ficou em êxtase ao ver Joe no parquinho, e, à medida que as crianças se aglomeravam em volta do bombeiro e falavam todas de uma só vez, Demi se afastou, observando. Hoje ela foi o mais corajosa que pôde. Disse coisas a Joe que nunca admitiu a ninguém, mais especificamente que tinha casado com David porque era uma jovenzinha assustada que não sabia como seguir seu caminho, a não ser por amor. No entanto, apesar de tudo o que disse a ele hoje, Demi não havia dito tudo. Ele dizia “amo você” com tanta facilidade. E como ela queria poder dizer de volta. Mas não conseguia. Ainda não. Não até se sentir mais tranquila, mais firme com a decisão que estava tomando. Joe e Summer caminharam até ela de mãos dadas; Summer tagarelava a mil por hora com ele, que, de alguma forma, absorvia cada palavra que ela dizia com a velocidade da luz. A afeição que começou no meio do peito de Demi e depois tomou conta dela por inteiro não tinha nada a ver com tomada de decisões. Tinha tudo a ver com a doce possibilidade de um futuro repleto de amor.

Continua... Oi! Como estão? Bem, acho que acabo esta mini fic amanhã, beijos!