20.1.15

Capítulo 47

Roupas, ok; sapatos, ok; Teddy na mala, ok; O grande dia finalmente tinha chegado, depois de conversar muito com Marissa no decorrer da semana, Demi decidiu surpreender a todos com a sua volta um dia antes que o combinado. Voltaria para a casa da mãe e viveria lá até que as coisas se resolvessem, seria melhor assim. Tudo estava recente demais, e por mais que havia dois meses que ela e Joe estavam separados, ambos esperariam mais um mês ou até mesmo anos para que as coisas se resolvessem, pois não adiantaria insistir em um relacionamento que no final eles mesmos destruiriam com tanta incompreensão e egoísmo.

   - Demi? Com licença. - Lá estava Marissa, a um passo de cair em choro. Tinha sido o melhor mês de toda a sua vida! Um sonho que ela jamais pensara que um dia se realizaria, ela e Demi eram amigas! Quando ela era adolescente sempre sonhava com Demi, em estar ao lado dela, rir com ela, e tudo tinha acontecido. Ela tinha ajudado Demi a recuperar a vida assim como Demi a ajudou quando ela era apenas uma adolescente indefesa. Um dia Marissa contaria aquela estória para Demi, e tinha certeza que ela se orgulharia muito. - Eu trouxe o secador de cabelo. Hum.. o babyliss e a chapinha também estão aqui. - Demi a olhou pelo reflexo do espelho e franziu levemente o cenho. Desde o dia que ela contara que queria ir para casa Marissa sempre aparecia com os olhos avermelhados como quem acabara de chorar..

   - Obrigada, eu estava pensando em cachear as pontas, o que você acha? - Disse examinando as pontas do cabelo.

   - Ficará linda. - Demi sorriu ao olhar para Marissa. Ela ficava tão sem jeito quando elas estavam juntas. Demi gostaria de saber se era porque Marissa era sua fã. Às vezes não entendia o porquê de Marissa nunca contar, mas ela suspeitava que deveria ser por conta do trabalho, até porque Marissa era sua psicologa e dona da clínica.

   - Você pode cachear para mim? - Perguntou a sondando pelo espelho. Marissa estava corada! Demi riu e teve vontade de abraçá-la. Mesmo a conhecendo a pouco tempo, o vínculo que elas tinham era tão especial e único.

   - Claro. Como você gosta? - A conversa fluiu conforme Marissa cacheava os cabelos de Demi como ela pedira. Eram tantos conselhos trocados. Demi era mais velha e mesmo Marissa sendo psicologa, pedia conselhos sobre os homens. Já Marissa a aconselhava como deveria agir com base a sua análise psicologia de Joe e do relacionamento que eles mantinham.

...

   - Obrigada por tudo. - Depois de se despedir das meninas e prometer uma tarde apenas das grávidas, era hora de partir. - Eu nunca vou poder agradecer o senhor por cuidar tão bem de mim. - Demi já tinha lágrimas nos olhos e abraçava William calorosamente. Ele tinha sido como um pai naqueles meses, cuidara dela no hospital e a visitava na clínica quando tinha tempo e eles passavam a tarde conversando e rindo, até jogaram xadrez e baralho.

   - Não me agradeça querida. - William sorriu para Demi enquanto limpava algumas lágrimas que rolavam pelo rosto feminino. - Foi um prazer cuidar de você, agora eu quero que você seja forte para cuidar da sua família e do seu bebezinho que precisará muito de você. - Demi assentiu forçando um pequeno sorriso.

   - O seu taxi chegou. - Demi sorriu para William ao olhar para Marissa. Ela estava tentando evitar aquela despedida desde que elas arrumaram o cabelo em meio a conversa aleatória sobre homens, bebês e sexo.

   - Marissa! - Demi a chamou se aproximando. Oh não! Agora sim ela percebeu que os olhos azuis de Marissa estavam marejados. - Não é um adeus. - Disse a abraçando de surpresa. - Não quero que chore, nós ainda vamos nos ver, lembra? Você é a minha melhor amiga, um anjo que Deus enviou para me salvar de mim mesma. - Demi a olhou nos olhos sorrindo. Ela se orgulhava tanto daquela mulher, tanto! - Você vai me visitar na minha casa, lembra? Nós vamos comprar roupinhas para o meu bebê juntas e quem sabe nós não podemos sair com os nossos meninos? Eu, Joseph, você e o Caio. - Demi olhou para William e sorriu sem graça. Ela tinha acabado de contar sem querer o nome do namorado secreto de Marissa. - Vai, não chora pirralha. - Disse para pirraçá-la, mas foi ai que Marissa chorou mais ainda.

   - Eu vou sentir a sua falta. - Choramingou tão manhosa e Demi a abraçou mais forte.

   - Eu também vou sentir a sua falta. - Quando o taxista buzinou, Marissa desfez o abraço para murmurar um "você tem que ir" tão chorosa que Demi a abraçou por mais um par de minutos e logo estava acomodada no banco de trás acenando sorridente para William e Marissa. Pessoas como eles faziam Demi pensar que o mundo ainda tinha esperança.

Suspirando, Demi deu as coordenadas para o taxista sem perder o lindo sorriso que tinha moldado nos lábios. Sentia-se como uma nova mulher, firme e forte. Estava mais que preparada para enfrentar todos os obstáculos que encontraria no decorrer da vida com muita fé. Ir para a clínica da família Callahan tinha sido a melhor coisa que ela tinha feito, eles tinham a ajudado da melhor forma possível e Demi se sentia agradecia por encontrar pessoas como as que encontrara.

   - Sra. Nós chegamos. - A voz grave do senhor de cabelos grisalhos a despertou do breve cochilo. A viagem da clínica até Los Angeles já era longe, mas até a casa de Dianna era mais longe ainda.

   - O Sr. pode me ajudar com as malas? - Perguntou educadamente enquanto pagava a corrida. Bem, ela estava grávida e segundo o obstetra, pegar peso não era adequado, poderia prejudicar na gestação do seu pequenino. Depois de todas as malas em frente ao portão da casa dos pais, Demi sorriu em agradecimento para o gentil senhor e pediu a um segurança que a ajudasse a carregar todas aquelas malas para dentro de casa. - Mãe? - Chamou abrindo a porta de vidro que ligava o jardim à sala de tevê. - Pai? Anne? - Tornou a chamar adentrando o interior da casa sendo seguida pelo rapaz que carregava as suas malas.

   - Demetria? - O homem com quase dois metros de altura a olhou surpreso, mas logo sorriu deixando o jornal sobre a mesa de vidro e abrindo os braços para abraçá-la. - Oh anjinho do papai. - Eddie a olhou nos olhos e depois a olhou de cima a baixo para afirmar que era a sua menina. - Como você veio? Como está o pequenino? - Eddie atropelava as próprias perguntas entusiasmado por ver Demi. Ela parecia tão radiante e feliz. Mas logo sua atenção foi tomada pelo bebê, Eddie levou a mão à barriga da filha e a cariciou. O bebê de Demi e Joe era a mais nova alegria da família, todos estavam tão animados e felizes. Há anos nenhum casal das famílias tinham filhos, o último bebê foi Alena, logo Elizabeth.

   - Está me matando de fome. - Demi sorriu ao pensar no seu pequenino. Ele lhe aquecia o coração.

   - Vamos para a cozinha, você já tomou café da manhã? - Perguntou Eddie enlaçando os dedos aos dela e Demi murmurou um "Sim, mas eu estou com fome" tão envergonhada.. O café da manhã da clínica tinha sido fantástico, principalmente as torradas com geleia de pêssego, iogurte com granola.. suco de laranja. Ah! Tinha uma variedade de sabor de bolos deixar qualquer um com água na boca.. E bem, Demi tinha provado todos. Por Deus! Pensar em comida a deixava com mais fome.

   - I am sailing, I am sailing.. home again.. across the sea. I am sailing, stormy waters, to be near you, to be free. - Demi segurou-se para não gargalhar ao ver Dianna mexendo o bumbum de um lado para o outro perdida ao som de Sailing do Rod Stewart. - I am flying, I am flying, like a bird, across the sky.. I am flying, passing hight clouds.. - Demi a chamou, mas Dianna não ouviu, apenas continuou a cantarolar dançando no ritmo da música de um lado para o outro.

   - To be with you, to be free! - Cantarolou Demi e Dianna simplesmente ficou imóvel. - Can you hear me? Can you hear me? - Dianna virou-se para olhar para trás e sorriu de orelha a orelha ao ver Demi. 

   - Oh meu bebê. - Disse a mimando nos braços. - Você está tão linda Demi. - Disse a tocando no rosto com as mãos. - Tão linda. - Demi sorriu com o elogio, mas fez careta quando Dianna a examinou para saber se tudo estava em seu perfeito lugar. - Como está o meu netinho? - Perguntou acariciando a barriga.

   - Está me matando de fome mãe, eu vou virar uma baleia. - Choramingou quando o estômago gritou por comida enquanto Dianna a sentava à mesa.

   - Que nada, o que você quer comer? - Demi espiou a geladeira aberta por Dianna de onde estava e as pupilas dilataram ao ver a goiabada. Diabos! Sempre acontecia! Na gravidez de Daniel, na de Elizabeth e agora do seu bebê.

   - Mãe.. eu quero goiabada com creme de leite. - Choramingou manhosa e Dianna riu separando a goiabada e o creme de leite.

   - Pensei que a senhorita voltasse amanhã. - Comentou Dianna depois de entregar TODA a goiabada para Demi e o creme de leite. - O Joe te trouxe? - Perguntou buscando os alimentos que precisaria para montar a mesa de café da manhã mais saudável e generosa para Demi.

   - Eu vim sozinha. - Disse com a boca cheia de goiabada e creme de leite. Só Deus sabia como aquela mistura era maravilhosa.

   - Você voltou quando para casa querida? - Perguntou Eddie se divertindo ao vê-la comer ferozmente. Era tão gratificante ver Demi comer, pois no passado eles insistiam para que ela se alimentasse regularmente, mas Demi sempre recusava a comida que tinha na mesa, e quando a comia, logo a vomitava.

   - Hoje. - Dianna limpou o queixo sujo de creme de leite e Demi sorriu em agradecimento.

   - Pai, você viu a minha raq.. - Antes mesmo que Anne pudesse completar a frase, seus olhos pousaram sobre Demi e ela sorriu como se não acreditasse. - Dem?! - Demi grunhiu quando foi abraçada calorosamente por Anne, tudo bem, ela amava a irmã mais que tudo, mas no momento tudo que Demi mais queria era degustar da sua goiabada com creme de leite! - Você voltou para casa? - Perguntou Anne animadamente sorrindo para os pais enquanto Demi comia mais um pouquinho de goiabada.

   - Voltei. - Disse ainda envolvida. - Isso daqui está uma delícia. - Anne revirou os olhos, mas riu achando divertido ter a irmã em casa.

 O segundo café da manhã na casa da família Lovato seguiu animado, Demi conversava feliz com todos enquanto comia uma torrada ou um biscoito, era bom estar em família.. Mas ai ela se lembrou da sua família. Ah! Como ela tinha saudade de sentar à mesa com Daniel e Elizabeth brigando, com Joe lançando olhares apaixonados a ela e a mimando enquanto Buffy chorava pedindo comida. Aquela era a sua família, complicada do jeito que era, mas tão especial e acolhedora, ela tinha a construído com o homem que mais amava em todo o universo, e não queria perder mais um minuto longe deles. Passar um mês em coma e logo mais um mês para se recuperar dele, mostrou a Demi que a vida era curta e rápida demais para desperdiçar o tempo com coisas fúteis, e por mais que ela amasse os pais e a irmã, sabia que o seu lugar não era ali, era na sua casa com o homem, as crianças e os cães que ela amava.

   - Querida, as suas coisas estão organizadas no closet. - Demi olhou para aquele quarto minuciosamente e respirou fundo tomando a sua decisão.

   - Mãe.. - Demi achou melhor se sentar à cama e Dianna fez o mesmo sabendo que o assunto era sério. - Eu amo muito você, o papai e a Anne. - Disse forçando um pequeno sorriso. - Mas.. eu quero ir para casa, para a minha casa ficar com a minha família. - Dianna assentiu, ela sabia que aconteceria mais cedo ou mais tarde. - Eu estou disposta a enfrentar todas as nossas dificuldades sem ter medo, quero cuidar dos meus bebês e do meu Joe. - Demi sentiu como se um peso fosse tirado de seus ombros ao assumir a sua vontade, era o que ela mais queria: voltar para casa, desculpar-se com todos por ser tão infantil, resolver os seus problemas com aquelas três pessoas que ela mais amava e ser feliz ao lado deles a espera do seu bebê.

   - Então vai meu amor. - Disse Dianna a fazendo sorrir. - Você sabe que aqui também é a sua casa, que nós te amamos muito e que você sempre será bem recebida. - Demi assentiu balançando a cabeça.

   - Eu vou para casa. - Quinze minutos mais tarde Demi tinha todas as malas no porta-malas de um taxi e se despediu calorosamente dos pais e de Anne com abraços e beijos. Estava na hora de ir para casa.

Continua... Agora a Demi vai voltar para casa *-* O negócio tá começando a esquentar... Beijos, muito obrigada pelos comentários! Eu realmente espero que vocês estejam gostando da fanfic, sei que foram tensos os últimos dez (?) capítulos, mas vamos lá, vou recompensá-las com muita fofura e hot :p (né leka? <3)

18.1.15

Capítulo 46

Três semanas depois...

O tempo parecia passar em um piscar de olhos. Joe estava acostumado a dormir numa poltrona no quarto de hospital ontem e agora ele dormia em sua cama completamente confortável e quentinha. Aliás, os dias pareciam minutos! E ele não via a hora para que o final do mês chegasse para que ela voltasse para casa. Assim que o informou que iria para a clínica de Marissa, Demi não perdeu tempo e no dia seguinte ela já estava começando o tratamento com garra, ela queria ficar bem o mais rápido possível para cuidar da sua família e de si mesma.

   - Aonde você vai tão bonito assim? – Sorrindo de canto, Joe arrumou a camisa de cor rosa clara no corpo e virou-se para olhar para Elizabeth.

   - Eu estou bonito? – Perguntou sorrindo e a menina se aproximou.

   - A mamãe não vai gostar de saber que você anda por ai matando as meninas do coração. – Comentou pondo-se na ponta dos pés para passar a mão nos cabelos dele. – Você está muito bonito. – Finalmente disse fazendo Joe sorrir.

   - Eu vou à clínica, estou morrendo de saudades da sua mãe. – Saudades era pouco. Joe ligava todos os dias para saber como Demi e o bebê estavam. Ele queria estar por perto para abraçá-la à noite, sair pela madrugada à procura das comidas exóticas que Demi sentia desejo, consolá-la dos choros sem sentido e outras infinidades de coisas que acontecem com as grávidas, porém ele estava em Los Angeles trabalhando no escritório como um louco para repor os dias que precisou se ausentar e Demi estava um pouco distante da cidade, quase três horas de carro. Sorte que não teria o trabalho para atrapalhá-lo naquele dia, pois Joe tinha virado à noite para conseguir trabalhar dois dias em apenas um. – Você não quer ir comigo? – Perguntou a Elizabeth.

   - Não, eu tenho que estudar. – Disse a menina suspirando. Bem, como passaram um mês longe da escola, Daniel e Elizabeth estavam estudando pela manhã e à tarde para recuperar toda a matéria perdida. E Lizzie estava a ponto de enlouquecer, Joe a pegara dormindo sobre os livros e cadernos durante toda aquela semana.

   - Tem certeza? – Perguntou a olhando nos olhos.

   - Tenho, prefiro esperar mais uma semana. – Elizabeth desviou o olhar do pai pensando que não seria muito interessante se ela visitasse a mãe naquele momento por conta do dia que elas se despediram no hospital, o clima não estava dos melhores, Demi estava muito receosa e quieta, o que serviu como um aviso para Lizzie.

   - Ela é a sua mãe, e ela te ama muito. – Disse Joe ao perceber que a menina estava pensativa demais.

   - Eu sei, de qualquer forma eu tenho que estudar. – Joe cerrou os olhos ao olhá-la e Lizzie deu de ombros rindo. – Veja pelo lado bom.. – Disse levando as mãos aos ombros dele. – Vocês vão poder ficar sozinhos.. – Joe corou, mas não deixou de rir timidamente junto com a filha.

   - Sua mãe está brava comigo, ela não vai me dar um beijo. – Comentou ao se lembrar de como tinha sido a despedida deles no hospital, se ele não tivesse insistido, não teria abraçado Demi já que ela evitava qualquer tipo de contato.

   - Você está muito bonito, aposto que a mamãe vai ficar louca para te dar uns beijos. – Elizabeth o olhou de cima a baixo e sorriu. Joe vestia uma camisa cor de rosa claro, calças brancas e calçava supras também brancos que pareciam tão folgados que Lizzie suspeitou que o pai poderia ficar descalço caso corresse.

   - Sua mãe é difícil bebê. – Disse caminhando para fora do closet. – E eu fiz muita besteira, acho que ela vai me dar tapas, não beijos. – Disse forçando um sorriso e Lizzie revirou os olhos.

   - Você está levando chocolates, acho que ela vai adorar. – Disse ao ver os tabletes preferidos de chocolate de Demi sobre a cama.

   - Você acha que ela vai gostar? – Perguntou enquanto procurava as chaves e os documentos sobre o criado mudo.

   - Claro. Compre um buquê de rosas e ela vai amar. – Lizzie tornou a arrumar os cabelos de Joe ainda úmidos os arrepiando e sorriu o olhando. Ele realmente estava muito bonito. – Ela não vai enjoar com esse tanto de doce? Ah, não passa perfume. – Disse ao vê-lo com o vidro de perfume nas mãos.

   - Sem perfume. – Disse fazendo careta. – Acho que não, sua mãe é muito imprevisível quando está grávida. – Ora, Demi era imprevisível em todos os momentos.. Mas quando ela estava grávida qualquer coisa poderia tirá-la do sério.

   - Você avisou que está indo visitá-la? – Perguntou curiosa enquanto eles saiam do quarto.

   - Não senhora. – Joe beijou a testa de Lizzie e apontou para baixo. – Nada de shorts curtos mocinha e não fique descalço, se você ficar resfriada a sua mãe vai ficar uma fera. – Joe arqueou as sobrancelhas com a careta de Lizzie e recebeu um beijinho na bochecha antes da menina sair disparada para o quarto. Dando um passo, Joe olhou para a porta do quarto de Daniel e resolveu verificar se o garoto estava no quarto. Quem sabe Dan não gostaria de visitar Demi com ele. – Daniel? – Chamou ao ver o filho deitado na cama com a cabeça sobre alguns livros. – Dan? Você quer visitar a mamãe comigo? – Perguntou se aproximando. Como a resposta não veio, Joe aproximou-se mais e encontrou Daniel dormindo profundamente sobre o caderno cheio de cálculos. Só ai que ele percebeu que o garoto estava estudando matemática. Joe o cobriu com a coberta e em questão de minutos estava tirando o carro da garagem ao som de My Darlin depois da sua pequena passagem na cozinha em busca do pote de sorvete de flocos, duas colheres e a cesta para organizá-los.

Joe não se lembrara de ter dirigido por tantas horas como dirigira naquele começo de tarde, cantarolava e admirara a praia quando passou perto dessa. A beleza da Califórnia vez ou outra o fazia sorrir radiante, ele estava tão feliz por Deus ter atendido o seu pedido. Agora ele iria visitar Demi para saber como ela e o bebê estavam, e daqui há uma semana ela voltaria para casa para que ele finalmente pudesse colocar o plano de conquistá-la em prática. Era certeza que tudo ficaria bem, que eles ficariam bem; Joe se sentia mais que preparado para expor os seus medos para Demi, às sessões com Marissa tinham caído do céu, ele jamais pensou que naquelas tardes ele poderia descobrir tantas coisas sobre si mesmo que jamais imaginou.

Lembrando-se dos conselhos de Elizabeth, Joe guiou o carro até o acostamento ao ver um pequeno estabelecimento cheio de rosas e corações, comprou rosas vermelhas e bombons para Demi. Bem, ele estava levando tantos mimos para ela, mas mal se importava, a saudade era tão grande que ele queria que ela ficasse impressionada ao menos por alguns minutos antes de esbofeteá-lo por ele ter ido até ela.

(...)

Era uma tarde gostosa, a chuva caía lá fora deixando o clima ainda mais descontraído. Havia três semanas que Demi estava internada e não tinha um dia sequer que ela se arrependia de ter tomado aquela decisão. O lugar era incrivelmente lindo cheio de plantas que formavam um belo jardim, e a clínica era tão grande e confortável que Demi pensava que estava em casa. Claro que ela sentia saudade de Elizabeth, Daniel e Joe, mas ela estava ali por eles e por ela mesma. Era o melhor que ela poderia fazer para recuperar a sua família.

   - É a sua vez Demi. – O auditório abrigava o pequeno grupo de oito mulheres grávidas que se tratavam na clínica. Toda tarde elas se reuniam para conversar em uma rodinha sentadas no chão sobre a gestação e tudo que a envolvia. E como todas sempre contavam um pouquinho, agora era a vez de Demi que sempre ficava ansiosa para contar sobre o seu pequenino.

   - Eu estou de dois meses, três semanas e dois dias. – Disse e o coro de “Awns” a fez rir envergonhada. – Eu estou louca para comer um pote de sorvete sozinha. – Demi mostrou língua para Marissa e logo deitou a cabeça no ombro dela. Elas tinham construído uma amizade forte naquelas três semanas, Marissa sempre a ajudava e estava sempre dando todo o apoio emocional que ela precisava para se recuperar. E o resultado fora positivo, Demi já tinha recuperado todos os movimentos e a fala depois de muito trabalho. – E não vejo a hora de saber se eu tenho uma menina ou um menino a caminho. – Demi sorriu timidamente, mas a atenção de todas voltou-se para o barulho dos passos pesados. Intrigada, Demi olhou para trás e arregalou os olhos ao vê-lo um pouco molhado e batendo os dentes. – Joseph! – Disse surpresa se levantando.

   - Foi difícil comprar rosas, não consegui encontrar algum buquê que faz jus a beleza estonteante daquela que eu amo, sinceramente, acho que nunca encontraria. – Tudo bem, mas como respira mesmo? Ok, coração, não saia pela boca. Dizia Demi para si mesma. Joe a olhava intensamente com aqueles olhos mais esverdeados que o normal lhe estendendo um buquê de flores.

   - Humm.. oi. – Demi tentou não sorrir, mas foi impossível não fazê-lo quando ele repousou a cesta no chão e a puxou para um abraço apertado. Era tão bom sentir cada pedacinho dele a envolvendo. – Obrigada, são lindas. – Disse corada olhando para os olhos dele. Tudo bem, desvie o olhar. Disse Demi para si mesma, mas tudo que ela fez foi encará-lo como uma e ainda por cima sorrindo em meio as bochechas coradas segurando o buquê de rosas.

   - Oi bebê. – Desviar os olhos dos dela parecia à coisa mais difícil a ser feita, eram tão marrons, tão femininos e brilhavam tanto.. Joe sorriu quando ela mordeu o lábio inferior para conter um sorriso logo olhando para baixo sem graça e tão corada. Céus! Ele queria enchê-la de beijinhos e aninhá-la em seu peito. – Você está linda. – Disse beijando a bochecha dela demoradamente e Demi corou mais ainda, ora, ela estava de moletom, que ainda por cima era dele.

   - Você também. – De onde ela tinha tirado forças para sussurrar aquilo? Joe simples a deixara de pernas bambas, havia milhares de borboletas em seu estômago e ela mal conseguia formular um pensamento.

   - Como está o bebê do papai? – Demi sorriu ao vê-lo agachado beijando a sua barriga de forma tão carinhosa. – Papai está aqui com você e a mamãe pequeno. – Não existia melhor sensação no mundo que aquela. Ele beijava a barriga dela e conversava com o bebê como se brincasse com ele. – Eu estou tão ansioso para te pegar no colo, trocar a sua fraldinha, te ensinar a arremessar objetos para tirar a paz da mamãe. – Demi riu ao se lembrar de Daniel e a estória de arremessar objetos, que não acabara nada bem já que o menino sempre acertava o controle da televisão nas partes baixas do pai. E não tinha sido diferente com Elizabeth já que Joe sempre inventava aquela coisa de ensinar para os bebês como se arremessava objetos para que eles pudessem brincar juntos, lê-se quebrar a casa juntos.

   - Você sabe como essa história vai acabar. – Comentou rindo quando ele se levantou.

   - É tão divertido, você deveria tentar. – Disse pressionando o nariz dela levemente para pirraçá-la. – Eu quero outro abraço. – Demi balançou a cabeça ao ver o sorriso sapeca dele e o abraçou sem jeito, e conforme o tempo se passava ela moldava mais o corpo ao dele enquanto aspirava o leve cheiro do sabonete que tanto conhecia e puxava os cabelos macios da nuca de Joe. – Eu senti a sua falta. – Demi sentiu aqueles velhos arrepios quando Joe sussurrou aquela pequena frase em seu ouvido. Ok, controlem-se hormônios.

   - Você me molhou! Onde estão as crianças? – Perguntou desviando os olhos dos dele quando partiram o abraço.

   - Elizabeth estava estudando e o Dan também. – Demi assentiu entendendo que era o melhor para eles.

   - Hum.. Essas são as minhas novas amigas. – Disse quando se lembrou do grupo de grávidas que os assistia. Diabos! Ela seria tão zoada pelas meninas por ter ficado tão corada na frente de Joe. – Naty, Amber, Mary, Jamie, Thais, Angelina, Jean e você conhece aquela ali. – Demi apontou para Marissa rindo. Elas realmente tinham uma amizade cheia de gracinhas e implicâncias, mas tudo porque se identificaram tanto uma com a outra.

   - Olá garotas. – Joe sorriu animado ao ver aquele tanto de grávidas juntas, parecia tão divertido o que elas estavam fazendo quando ele chegou. – Você também está grávida Marissa? – Perguntou e Demi gargalhou deixando Marissa corada.

   - Se ela continuar saindo todas as noites com o enfermeiro gatinho não vai demorar muito. – Marissa estava boquiaberta e lutava para não rir, mas acabou tão corada quando as meninas lançaram a ela todos aqueles olhares maliciosos.

   - Enfermeiro gatinho? – Demi corou ao olhar para Joe e encontrá-lo de sobrancelhas arqueadas com aquela feição divertida que ela conhecia muito bem.. Ele não iria gritar com ela?

   - É.. – Demi estava mais corada que Marissa quando Joe pegou o buquê de rosas de suas mãos para repousá-lo sobre a cesta e a abraçou por trás carinhosamente. Por mais que ela não quisesse aquele abraço, sentia-se completamente confortável e protegida nos braços dele.

   - Eu posso sequestrá-la por algumas horas? – Perguntou Joe para Marissa.

   - Não estamos em horário de visitas. – Disse Marissa se levantando.

   - Apenas três miseras horinhas. – Joe fez biquinho e Marissa revirou os olhos rindo.

   - Você quer repor a fisioterapia mais tarde ou amanhã cedo? – Perguntou Marissa a Demi em uma postura completamente profissional. Eles tinham que ser rígidos com o seguimento das regras para que nada imprevisto ocorresse no tratamento de um paciente. E mesmo que Demi já se movimentasse normalmente como se nunca tivesse perdido os movimentos, Marissa sabia que uma sessão fazia toda a diferença no tratamento.

   - Mais tarde. – Ronronou manhosa ao se lembrar do seu horário de soneca. Ah! Ultimamente ela estava tão sonolenta e comilona, Demi quase não ficara enjoada, mas quando ficava sentia ânsia de vômito com o cheiro de tudo a sua volta.

   - Tenho permissão para sequestrar a baixinha? – Perguntou divertido e Marissa assentiu sobre o olhar cerrado de Demi.

   - Até mais tarde baixinha. – Demi mostrou língua, mas jogou beijinhos para Marissa e as meninas.

   - O pessoal daqui é legal? – Perguntou Joe distraído enquanto eles caminhavam pelos corredores. Aquele lugar era tão grande e impecável.

   - Eu me sinto como uma criança. – Disse ao se lembrar de todas as sessões e de como todos os profissionais que cuidavam dela tratava-a com carinho e cuidado. – Eu gosto muito daqui. – Demi corou ao ver os dedos enlaçados aos dele e deu um jeitinho de quebrar aquela conexão. Não era conveniente eles andarem de mãos dadas sendo que ainda não tinham se resolvido..

   - Tem algum lugar bacana para nós ficarmos? – Demi fitou os olhos dele por alguns segundos enquanto ela pensava onde eles poderiam ficar. Ora, ela não o levaria para o quarto.. De jeito nenhum! Não seria nada legal ficar a sós com Joe, ainda mais com todos aqueles hormônios que ultimamente a deixava com muito calor.. Pensara nos quiosques próximos as piscinas, mas lá fora tudo estava molhado por conta da recente chuva.. Então o pequeno jardim próximo ao seu quarto pareceu o lugar perfeito para conversar com Joe sem que ela pudesse fazer algo insano.. Aliás, aquele homem parecia mais quente que o normal. Os ombros mais largos, os braços mais fortes e a camisa cor de rosa o deixava incrivelmente sexy.

   - Acho que perto do meu quarto. – Murmurou enquanto caminhavam preguiçosamente.

   - Acho que eu preciso tirar essa camisa molhada e os meus supras. – Demi fez careta ao olhá-lo e Joe riu a abraçando de lado. – Vamos, eu não vou fazer nada. – Disse ainda rindo. – Prometo que vou me comportar. – Demi o olhou com descrença e Joe riu sapeca. Agora ela estava encurralada, que Deus lhe desse forças para resistir a tentação que caminhava ao seu lado!

   - Pensei que você estivesse trabalhando. – Disse quando o silêncio firmou-se por tempo demais.

   - Fiz o meu trabalho de hoje ontem. – Demi o olhou feio e buscou a chave no bolso do moletom para destrancar o quarto.

   - Você voltou para casa que horas? – Perguntou um pouco irritada o convidando para entrar. O quarto branco parecia ser muito aconchegante além de simples. As paredes eram brancas assim como a cerâmica, na parede oposta à porta havia uma janela toda de vidro com persianas abertas que exibia o jardim e mais alguns hectares da clínica. As duas portas deveriam ser do closet e do banheiro. A cama era de solteiro e estava perfeitamente arrumada com uma colcha cor de rosa do mesmo tom de sua camisa, e ele sorriu ao ver o ursinho que dera para Demi sobre o travesseiro.

   - Acho que eram duas da manhã. – Demi balançou a cabeça negativamente enquanto fechava as persianas.

   - E você dirigiu por quase três horas? – Demi sentou-se na cama e preferiu fitar os próprios dedos enquanto ele descalçava os supras.

   - Duas horas e meia. – Disse levando a mão à barra da camisa. Demi concentrou-se em brincar com as orelhas de Teddy e mordeu o lábio inferior quando o coração começou a bater mais rápido, e sem querer ela o olhou para saber se ele já se livrara da camisa.. Meu Deus! Coração, fique quieto! Gritou mentalmente consigo mesma. Que boba que ela era! Se ele estava apenas tirando a camisa e ela estava quase morrendo de tanto calor ao ver aqueles gominhos e aquele peito largo, imagina quando ele se sentasse ao lado dela para conversar praticamente a tarde toda sem camisa. Huum.. não. – Está tudo bem? – Joe perguntou se sentando perto dela com a cesta ao seu lado. Estava acontecendo

   - Claro. – Demi surpreendeu-se quando ele levou a mão ao seu queixo para erguer a sua cabeça.

   - Eu gosto muito dos seus cabelos assim. – O calor a envolveu quando a mão dele deslizou por seus cabelos soltos os arrumando atrás da orelha. – Você está cada dia mais linda. – Vendo que ela estava toda coradinha, Joe a beijou na bochecha direita demoradamente e virou-se para abrir a cesta. – Está um pouco frio lá fora por conta da chuva, mas eu trouxe algo para nós. – Os olhos de Demi brilharam quando ele lhe mostrou o pote de sorvete.

   - Como você adivinhou que eu estava louca para tomar sorvete? – Demi estava tão empolgada por conta daquele pote de sorvete que não pensou duas vezes antes de curvar-se para beijar a bochecha dele, mas tudo virou uma bagunça, na mesma hora Joe virara a cabeça para olhá-la e então os lábios dela foram de encontro aos dele. No começo tinha sido estranho, Demi estava dividida entre fitar os olhos e os lábios dele, mas ela tinha que ir pelo caminho errado. As mãos, mesmo trêmulas, tocaram os braços dele, espalmaram o peito e correram pelos ombros diretamente para a nuca enlaçar os dedos aos cabelos macios. Será que o coração de Demetria aguentaria toda aquela adrenalina quando ele estava por perto? Joe suspirou pesado quando os lábios dela roçaram os dele uma, duas, três vezes e então ele levou a mão à cintura de Demi a puxando para que eles finalmente intensificassem aquele beijo como realmente queriam.

   - Au! – Droga de pote de sorvete! Joe gemeu mais uma vez sentindo o plástico gelado começar a queimar o seu abdômen. Estava tão gostoso sentir a língua dela brincar com a dele, mas agora os lábios de Demi estavam longe.

   - Você tem colheres? – Perguntou Demi se recompondo ignorando completamente o que acabara de acontecer e Joe assentiu as buscando na cesta completamente frustrado. Seria perfeito fazer amor com ela naquela cama pequena, a ideia o deixou animado demais, sorte que o pote de sorvete estava próximo àquela região..

   - Você precisa de um vaso com água para as flores. – Disse ao ver o buquê sobre o criado-mudo perto da cama. – Nós temos chocolates e bombons. – Os olhos dela brilharam ao ver os tabletes de chocolate e abriu a embalagem o mais rápido possível para saborear aquele sabor que tanto amava.

   - Abre o pote sorvete. – Disse com a boca cheia de chocolate e Joe riu o fazendo. – Deus! Eu vou engordar uns dez quilos. – Demi lambeu os lábios ao ver o sorvete branco com floquinhos negros e encheu a colher e logo a boca. – Como você adivinhou? – Soou quase como um gemido e quando Joe a olhou arrependeu-se ao ver que ela tinha os olhos fechados e mordia o lábio inferior.

   - Eu não faço ideia. – Disse sem graça experimentando um pouco do sorvete.

   - Você tem que experimentar com chocolate. – Joe a observou quebrar uma fileira de tabletinhos de chocolate preto e lambuzá-los com o sorvete e mordê-los com tanta vontade.. E tudo piorou quando Demi gemeu e tombou a cabeça para trás. – É uma delícia. – Ronronou e Joe lambeu os lábios a fitando. Sim, ela era uma delícia. 

    - É mesmo? – Ele perguntou tentado a agarrá-la e Demi assentiu lambendo os lábios.

   - Prova Joseph! – Demi quebrou outra fileirinha de tabletes de chocolate e os mergulhou no sorvete. – Abre a boca! – Joe esperou que ela levasse o tabletinho a sua boca, e quando Demi o fez ele roçou os dedos aos dela.

   - É muito bom. – Disse depois de uma mordida. – Você gosta das sessões de fisioterapia? – Perguntou a olhando.

   - Sim, eu não gostava no começo... mas depois que passei a fazer todas as sessões regularmente os meus movimentos começaram a voltar, e isso me animou muito. – Disse abrindo o chocolate branco.

   - Isso é muito bom, quando você me disse que tinha voltado a andar eu quase não acreditei. – Mesmo que o clima estivesse tenso entre eles, isso não evitava que trocassem mensagens a todo instante. Demi tinha voltado a andar há poucos dias. – E os enjoos? – Demi lambuzou o tabletinho de chocolate branco com o sorvete e gemeu feliz com aquela mistura que ela tinha inventado.

   - Eu não estou ficando mais enjoada, às vezes acontece quando eu sinto um cheiro muito forte. – Murmurou de boca cheia. – Mas eu estou com vontade de comer o mundo inteirinho. – Joe riu a olhando e lembrou-se de uma coisa que queria fazer assim que estivesse com ela.

   - Eu posso ver a sua barriga? – Perguntou para a surpresa de Demi.

   - Tudo bem. – Demi levantou-se e o nervoso a invadiu quando Joe levou as mãos à barra do seu blusão de moletom e o ergueu junto da regata.

   - Oi! É o papai de novo bebê. – Joe roçou o nariz a barriga de Demi e a beijou repetidas vezes. – Você está crescendo tão rápido. – A barriga de Demi tinha uma tímida elevação dos típicos dois meses de gestação. Joe estava tão emocionado por ver o seu bebê crescer forte e saudável. – Não dá muito trabalho para a mamãe, ok? Cuida dela para mim. – Demi sorriu emocionada ao sentir o último beijinho de Joe em sua barriga e quase se jogou nos braços dele. Eram noites tão vazias e frias, e os travesseiros não serviam mais para fazer o papel de Joe.

   - Nós já podemos saber o sexo dele. – Disse voltando a se sentar na cama.

   - Você acha que é uma menina ou um menino? – Perguntou colocando chocolate na boca dela.

   - Eu não faço ideia, esse bebê está me deixando louca de fome. – Joe riu ao vê-la abrir a caixinha dos bombons e ansiosamente morder um. – O sorvete acabou? – Perguntou um pouco desesperada.

   - Acabou. – A carinha de decepção de Demi foi a melhor de todas e Joe segurou-se para não rir. – Esse é o último tabletinho de chocolate. – O olhar de Demi era o mesmo olhar de um felino pronto para atacar, o que fez Joe gargalhar.

   - Ah não Joe, me dá. – Disse largando os bombons sobre o criado mudo.

   - Não senhora, eu adoro esse chocolate.  – Demi fez biquinho e Joe balançou a cabeça. – Ele é uma delícia. – Ora, ele levou o tablete à boca e Demi passou para cima dele.

   - Joe, por favor. – Murmurou de olho no chocolate que roçava os lábios dele. – Eu estou grávida. – Joe riu do argumento dela e deu uma pequena mordida no chocolate.

   - Nada disso. Está gostoso. – Pirraçou e ela aproximou o rosto do dele.

   - Amor.. – Mesmo que ele soubesse que ela estava apenas tentando tirar o chocolate dele, Joe fixou os olhos aos dela completamente hipnotizado com o que ela estava fazendo. Céus! Demi estava sobre ele, o corpo dela roçava o dele intimamente..

   - Demi.. – A respiração pesada dela mostrara que a brincadeira tinha terminado ali. Joe não se importou em deixar o tabletinho de chocolate em qualquer canto para envolvê-la com os braços e beijá-la com paixão, e o melhor, ela cedeu ao beijo de bom grado o fazendo deitar na cama.

A pequenina mão feminina deslizou-se pelo peito largo e o abdômen cheio de gominhos para instalar-se sobre o volume da calça e apertá-lo como ela tinha sonhado em fazer durante todas as noites que sonhara com ele. E Joe não deixou barato, levou as mãos para trás dos joelhos de Demi e as subiu apertando cada pedacinho até que finalmente ele as guiou para o bumbum e o apertou com tanta vontade que Demi desgrudou os lábios dos dele apenas para gemer lentamente excitada. O que aqueles hormônios estavam fazendo com ela? Demi sentia o calor umedecê-la de todas as formas viáveis e inviáveis, sentia a necessidade de roçar-se a ele e queria fazê-lo sem aquele tanto de roupa para atrapalhá-la. E ela trabalhou nisso interrompendo o beijo para erguer-se e tirar o blusão junto da regata jogando as peças em qualquer canto daquele quarto.

Os seios de Demi estavam mais perfeitos do que nunca, levemente maiores e bem arrumados no sutiã preto de renda. Joe sorriu bobo e subiu a mão pela barriga dela para tocá-los e quando o desejo cresceu, ele ergueu o tronco para beijá-los ainda sobre a peça que os protegia. Apertou-a contra o peito e a beijou na boca invertendo as posições agora tendo ela por baixo de si. A visão daquela mulher era a mais excitante que Joe um dia já tinha visto. Os cabelos de Demi caiam graciosamente a volta dela, negros e brilhantes; os olhos brilhavam de desejo por ele; os lábios estavam entreabertos e avermelhados por conta dos beijos. Joe gemeu sentindo o membro gritar para possuí-la o mais rápido possível, ele estava sem tê-la desde o dia que a engravidou em seu escritório há exatos dois meses e três semanas! Nunca ficara tanto tempo longe de Demi, e quando ficava, eles sempre davam um jeito de matar aquele desejo. As mãos roçaram os seios e Joe a viu sorrir de olhos fechados, ele deslizou as alças do sutiã e sentiu a pele macia enrugar-se com o toque. Como eram perfeitos! Joe era definitivamente obcecado por eles. Sustentou-os com as mãos os sentindo mais pesados e curvou-se para tomá-los na boca. Vez um, vez outro. Mordiscou-os e Demi deixou um gritinho escapar quando a barba dele roçou a pele sensível do seu mamilo direito antes dele chupá-lo e repetir o processo com o outro. Ah! Ela fez como sempre fazia, fechou os olhos e levou os dedos aos cabelos dele para acariciá-los enquanto sentia aquela sensação maravilhosa que era ter os lábios dele em seus seios. Mais tarde a boca de Joe cobria a de Demi num beijo avassalador, ele a apertava nos seios e na cintura enquanto ela o apertava no bumbum e arranhava as suas costas conforme ele deixava os lábios dela para mordiscá-la no pescoço a arranhando com a barba. Deus! Demi adorava aquilo, era tão bom sentir a barba roçando a pele dela para que os lábios quentes e macios lhe cobrisse de beijos.

O calor que antes ela sentia nem se comparava ao calor estonteante que agora a dominava por completo, tudo por razão dele.. Joe estava entre as pernas dela e a deixava louca toda vez que movia a pélvis roçando o volume da calça em sua direção. Demi mal conseguia conter os gemidos que escapavam entre o beijo, puxava os cabelos dele os bagunçando e sempre dava um jeito de friccionar os corpos, pois ela já não conseguia mais viver longe do calor dele que a incendiava a cada beijo e caricia. Até que veio.. Sim, veio.. Joe sentiu o corpo dela amolecer e o beijo perder força. Ele sorriu feliz por ela e continuou a beijá-la com mais calma tentando se controlar até que ela se recompusesse e retribuísse os carinhos dele. E Demi o fez aos poucos, roçou os lábios aos dele para iniciar um beijo lento e apaixonado trabalhando os seus dedos nos cabelos curtos da nuca no mesmo ritmo que a sua língua roçava a dele.

   - Desculpa entr.. – Joe, que beijava o pescoço de Demi, atrapalhou-se e chocou-se contra o chão completamente assustado e ofegante, e Demi estava mais assustada que ele por conta do barulho estrondoso. Estavam tão envolvidos que não escutaram as batidas à porta!

   - Joseph, você está bem? – Os cabelos de Demi nunca estiveram tão desgrenhado como estavam, os lábios tão avermelhados e o colo marcado.

   - Au.. – Joe gemeu levando a mão à cabeça. Se ele continuasse caindo daquela forma, provavelmente era ele quem precisaria de fisioterapia, não Demi. – Estou. – Disse ainda ofegante por conta dos beijos e da queda.

   - Eu vou esperar lá fora. – Demi corou ao olhar para trás e encontrar Marissa tão sem graça quanto eles. Diabos! Por isso que ela não queria ficar sozinha com ele.. Mais um minuto e eles estariam transando como loucos..

Os próximos minutos foram tão frustrantes enquanto se vestiam, Joe com o seu enorme volume nas calças vestia sua camisa e calçava os supras observando discretamente Demi buscar a regata e a blusa de frio para vesti-las e depois travar uma verdadeira batalha para arrumar os cabelos com os dedos. Era apenas frustrante, antigamente quando eles eram pegos, sempre riam enquanto vestiam as roupas e até trocavam beijos ardentes, mas agora ninguém estava disposto a conversar entre sussurros ou até mesmo se olhar.

   - Oi. – Disse Demi saindo sozinha do quarto já que Joe arrumava a cesta de costas para ela.

   - Meu Deus! Mil desculpas. – Sussurrou Marissa a puxando para ficarem mais distantes do quarto. – Eu não fazia ideia que vocês estavam.. um.. namorando. – Disse corada ao se lembrar das tantas fanfics que já tinha lido com Demi e Joe... Os hots faziam jus ao que ela tinha visto.. 

   - Está tudo bem. – Murmurou corada. – Nós.. eu acabei perdendo o controle. – Disse massageando as têmporas enquanto suspirava frustrada.

   - Se você quiser conversar.. eu vou trabalhar até mais tarde no meu consultório. – Disse a olhando e forçando um sorriso para Demi. Marissa odiava quando ela ficava frustrada daquele jeito, parecia que nada poderia ser feito para melhor o humor de Demi. – Eu vim perguntar se você prefere fazer os seus exercícios com o Dr. Allan ou com a Dra. Ana? – Demi murmurou “Dra. Ana” e suspirou frustrada quando Joe saiu do quarto. – As sessões com a Dra. Ana começam daqui a trinta minutos, e já os do Dr. Allan começam agora. – Marissa forçou um sorriso para Joe, que o retribuiu levando à mão ao ombro de Demi.

   - Eu.. eu acho que vou para casa. – Disse sem graça e Demi assentiu. – Tudo bem? – Perguntou a olhando e Demi tornou a assentir forçando um sorriso.

   - Mais tarde nós conversamos Demi. – Marissa acenou para Joe e Demi a fuzilou com os olhos. Qual a parte que ela não poderia ficar a sós com Joe que Marissa não entendera?

   - Você pode me acompanhar? – Perguntou e ela sorriu cabisbaixa começando a caminhar preguiçosamente ao lado dele. – Eu posso te buscar semana que vem? – Perguntou quebrando o silêncio. Por mais constrangidos que ambos estivessem, era tão bom quando eles estavam juntos, sentiam-se confortáveis e seguros.

   - Claro. – Limitou-se a olhá-lo. – Cuida das crianças, não as deixe dormir tarde demais. – Disse preocupada. Joe era um pai excelente e só tinha um defeito, ele nunca dizia não, e não impunha limites – E não deixe Daniel comer doce demais. – Daniel adorava comer doces, e Demi sempre ficava preocupada pensando numa futura diabete.

   - Cuida do nosso filhotinho. – Demi riu quando Joe disse “filhotinho” e sorriu boba sentindo a mão dele acariciar a sua barriga e um beijinho carinhoso ser depositado ali. – Tchau Demi. – Até quando ela conseguiria resistir a ele? Demi mal podia olhá-lo nos olhos que as pernas já ficavam bambas, mas ela não protestou quando ele a abraçou carinhosamente por alguns minutos e a beijou na testa demoradamente antes de partir deixando consigo um pequeno sorriso. Observara o carro dele sumir nas tantas curvas em meio ao jardim, ela já sentia tanta saudade, queria tanto estar com ele de novo, roubar beijos e comer chocolate com sorvete. Mas ele estava indo para casa. Aquele lugar era tão lindo e vistoso, os jardins enchiam os olhos e o canto dos pássaros agradava os ouvidos, mas de que adiantava toda aquela beleza sendo que ela não o tinha consigo? Aliás, ela tinha um pouquinho dele em seu ventre. Caminhou desanimadamente, mal cumprimentou todos que encontrara pelo seu caminho animadamente como ela sempre fazia, e quando chegou ao quarto, a visão estava embaçada por conta das lágrimas ao ver o ursinho Teddy sobre o seu travesseiro junto a um tablete de chocolate.

   - Joe, eu também te amo. – As primeiras lágrimas rolaram ao ler o bilhetinho com a letra dele escrito “eu te amo Dem”. Ainda chorando, Demi encolheu-se na cama agarrada ao Teddy e abriu o tablete de chocolate para comê-lo enquanto se lembrava de Joe. Ah! Ela o amava tanto!

Continua... Jemi *-* Bem, espero que vocês gostem desse capítulo, demorei para escrevê-lo porque não sabia exatamente como montar as cenas... mas acho que ficou bonzinho e deu para matar a saudade dos amassos Jemi. Próximo capítulo também promete! Créditos para Leka (♥) por ter me ajudado com a cantada do Joe, e no capítulo anterior na parte da Demi e a Marissa, eu não sabia como escrever e ela me ajudou muito e muuuito! Beijos no core, obrigada pelos comentários e continuem comentando! 

13.1.15

Capítulo 45

Tudo vinha em flashes a assustando. Eram sonhos ou o que? A cabeça doía tanto, parecia que estava prestes a explodir a qualquer segundo. Demi lutava pedindo para acordar, tentava gritar em seu sono, mas não conseguia, chegara a soar frio. E tudo ficava cada vez mais angustiante conforme os flashes a devastava e a repreendia. Por que ele estava agindo daquela forma?

 - Você poderia desligar o abajur? - Pediu Joe tão sério e tenso. - Eu preciso dormir, tenho trabalho pela manhã. - Disse mal humorado.

   - Apenas cinco minutos, eu preciso configurar o meu iPhone. - Não retribuíra a grosseria dele, pois sabia que se retribuísse iriam brigar. Sempre era assim que iniciara as brigas mais violentas entre eles.

   - A tela do iPhone tem a sua própria luz Demetria! - Erguendo-se sobre ela, Joe esticou o braço e desligou o abajur deixando-os no completo escuro. Controle-se. Disse a si mesma. Caso perdesse o controle por conta da grosseria de Joe, iria acabar explodindo. Tateando o vácuo, Demi logo sentiu a estrutura do criado-mudo e conforme o estudava encontrara o tampo, esbarrou os dedos em algo que caíra no chão e logo encontrara os dois aparelhos telefônicos os levando consigo para debaixo do cobertor.

  - Deixe-me deitar com você. - Grunhiu moldando-se ao corpo dele como fazia todas as noites. Tenso controlando-se para não interrogá-la e atacá-la com beijos ardentes, Joe não disse e não fez nada, apenas deixou que ela se acomodasse a ele. - Boa noite. - O selinho roubado e a respiração quente contra o pescoço foi o suficiente para que uma determinada parte do seu corpo começasse a despertar.. Por que ela tinha que ser uma tentação? Céus! Demi estava quieta e provavelmente tentando dormir enquanto ele fantasiava uma série de loucuras pervertidas que pretendia fazer com ela.

- Você é minha. - Os olhos dele estavam tão próximos dos dela, carregados de desejo e um brilho que só pertencia a ele. Alternava-se entre os olhos de Demi e os lábios dela, até que ela finalmente o puxou pelo traseiro e devorou os lábios dele simulando o ato sexual. Deixara escapar gemidos para provocá-lo, arqueara a pélvis contra o volume escondido pela calça de Joe. Beijara-o com beijos ardentes e puxara os cabelos dele o deixando extasiado. Afastando-se de olhos cerrados, Joe beliscou os mamilos e os mordiscou, beijou a forma dos seios e logo a barriga até que alcançasse o cós da calça. Descera a peça mordiscando e selando cada pedacinho de pele que era revelado até que finalmente jogou a calça em qualquer canto do quarto. Demi apenas o observava com um pequeno sorriso nos lábios vendo-o deliciar-se de sua nudez. - Abra para mim. - Olhara-a e o incomodo entre as pernas aumentara. Demi tinha os joelhos dobrados, o abdômen subia e descia calmamente assim como os seios descobertos e com os mamilos eretos.

...

- Quero que você se toque para mim. - Fechara os olhos com força e então respirara fundo. Quando conversavam por telefone e quando ela estava sozinha era diferente.. Tocar-se na frente dele seria insano.. Continuara de olhos fechados, tentara manter a respiração calma enquanto envolvia o seio esquerdo com a mão para segurá-lo gentilmente. Acariciava o mamilo direito e mordera o lábio inferior conforme descia as caricias em direção ao centro escorregadio entre as pernas. Entreabrira os olhos para olhá-lo. Joe parecia impaciente vendo-a estudar o íntimo com a ponta dos dedos e então ele franziu o cenho quando adentrara lentamente o próprio corpo com dois dedos.

...

   - Por favor. - Sussurrou olhando nos olhos dele. Joe a deitara no cantinho que preparara quando se beijaram. Curvara-se e a beijara nos lábios à medida que invadia centímetro por centímetro do íntimo. Gemeram juntos tão conectados e apaixonados, alcançaram o ápice um sussurrando o nome do outro e então recomeçaram tudo que tinham feito da forma mais intensa até que não tinham mais forças para prolongar a aventura insana. Entrelaçaram as pernas, trocaram beijos até que o sono os levasse.

...

 Joe? - Chamou olhando para os lados. As persianas estavam abertas e a luz do sol invadia o quarto, o lugar de Joe estava vazio. Pelo visto ela estava sozinha. Sozinha.. Chamara-o mais uma vez e um pequeno sorriso se formou nos lábios quando a porta do closet abriu-se quase que timidamente. Ela não estava sozinha.. Cobrira os seios com o cobertor e erguera-se para olhá-lo. Lá estava ele. Impecável e elegante vestido com o terno preto. Abrira o seu melhor e mais sonolento sorriso. Mas por que ele não estava sorrindo para ela? - Bom dia. - Disse timidamente enquanto ele se aproximava.

...

- Joseph.. - Chamou com a voz falha. Não deveria demonstrar fraqueza. Não deveria ser tão transparente já que ele insistia em ignorá-la. - Joe. - Chamou mais uma vez agarrando o cobertor cada vez mais contra o peito. A porta se fechou. Estava sozinha. Ele a deixara, preferiu ignorá-la ao invés de enfrentá-la. Maldita fraqueza. Por que tinha que ser tão sensível? As lágrimas inundavam os olhos e então escorrera pelo rosto e tocaram os lábios onde Joe a beijara inúmeras vezes na noite passada. Sentia-se pela primeira vez usada. Deus. Ele tinha a usado. Agora tudo fazia sentido. Admitir era difícil. Mas Alex tinha razão.. "Como você faz para segurá-lo? Ele deve ter sangue de barata para foder com essa coisa que você se transformou. - As lágrimas formavam-se, tudo que Demi queria fazer era encolher-se num canto e gritar o mais alto possível, esvaziar-se daquela energia pesada que Alex transmitia. - Não seja boba, nós duas sabemos que você é bem espertinha. Ele só está acorrentado a você por causa dos seus pirralhos, e você deve dar tudo que ele quer na cama." A lembrança da terrível noite a nocauteara com força. Joe a usara. "


- Vista o meu paletó. - Largando o braço dela ao perceber que o local começara a ficar rosado, Joe desabotoou os poucos botões habilmente e ofereceu a peça para Demi que apenas o olhou com desdém e adentrou a sala. - Demi! - Sussurrou, mas queria gritar. Adentrou a sala ferozmente e puxara a mulher que vestia o microvestido pelo braço chamando a atenção de todos. - Vista o meu paletó. - Sussurrou engolindo seco largando o braço dela. Uma vez ficara traumatizado quando a imprensou contra a bancada da cozinha depois de uma briga e a atacou com beijos urgentes e agressivos enquanto Demi pedia para que ele parasse, no dia seguinte as marcas estavam roxas e a culpa por machucá-la o corroía.

 - Vista essa porra de paletó. - Vendo que ela não vestiria a peça, Joe tomou-lhe a bolsa do braço e a forçou vestir o paletó sem se importa se estavam ou não sobre olhares curiosos de todo aquele andar do edifício. - Eu vou te levar para casa. - Joe enlaçou os dedos aos dela mesmo sabendo que Demi estava a passo de esbofeteá-lo.

   - Eu vou para casa sozinha! - Exclamou emburrada quando adentrou o elevador. O clima tenso intensificava-se cada vez mais. Demi estava quieta e não o olhava, apenas cruzara os braços e esperava ansiosamente que o elevador chegasse ao térreo. - Você poderia parar de me olhar? - Disse irritada ao perceber que ele não tirava os olhos dela.

   - Você está quase nua, como não olhar? - Retrucou sorrindo cinicamente e então o silêncio voltara. Quando as portas se abriram Demi apressou o passo e seguiu caminhando com determinação até o estacionamento sendo seguida por Joe e por várias cantadas indiscretas .

   - Dá para você me deixar em paz? - Os olhos de Demi estavam marejados, a voz irritada denunciara que ela iria desabar a qualquer minuto. - Joseph! Me solta. - As primeiras lágrimas rolaram quando Joe a puxou bruscamente pelo braço, o passos apressados denunciaram a fúria e o ciúme dele. - Você está me machucando. - Disse entre soluços e então Joe abriu a porta da Mercedes preta bruscamente assim como a fez adentrá-la.

   - Dê-me suas chaves do carro Demetria. - As mãos dela tremiam o suficiente para que não conseguisse abrir a bolsa. Irritado, Joe buscou as chaves na bolsa e as entregou para os seguranças que cercavam o carro. - Levem o carro da Sra. Jonas. - Disse tão ríspido. Abraçara o volante com as mãos e arrancara com bravura. - Você passou dos limites! - Demi mal podia conter as lágrimas intermináveis que molhavam o rosto. Joe a deixara completamente assustada. "

...

- Eu vou buscar água. – Disse determinada se levantando. – Eu já volto, ok? – Joe recebeu o selinho de Demi sem conseguir desgrudar os olhos de Nick acompanhado o olhar do irmão mais novo para as pernas de Demi, que saiu cantarolando versos inexos. Com os braços ainda cruzados, os olhos cerrados estavam escuros e fitavam Nick. O que diabos Nicholas estava pensando? Demi era a mulher dele, apenas dele! O nervoso apenas aumentava conforme Nick puxava as cordas do violão e assoviava distraído imitando o violão.

...

  – Ela vai encontrar um cara melhor que você, alguém que é capaz de fazê-la feliz. – Antes mesmo que Joe pudesse partir para cima de Nick mais uma vez, os olhos dele encontraram com os olhos amarronzados e arregalados de Demi.

   - O que... O que está acontecendo? – Perguntou tão assustada. – Nick, você está sangrando.. Que merda está acontecendo? – Perguntou novamente como se não acreditasse no que via.

   - Pergunta para esse animal. – Nick fitou os olhos de Demi um tanto confusos por alguns segundos e pôs-se cabisbaixo.

   - Joseph... – O nome dele foi dito como quem repreende uma criança que acabara de aprontar. – O que aconteceu? Por que Nick está sangrando? – Perguntou fitando os olhos dele esperando por uma explicação. Joe ofegava e tinha aquele olhar que ela conhecia perfeitamente.. Demi enterrou os dedos nos cabelos e perguntou mais uma vez o que tinha acontecido, mas Joe apenas saiu às pressas, claro, esbarrando em Nick propositalmente. – Joseph! – Gritou, mas ele não parou. – O que aconteceu? – Perguntou para Nick, mas o mesmo não respondeu, continuara cabisbaixo sem corajem de afirmar o que Demi temia. "


...

"   - Desgraçado! Eu te odeio, eu te odeio Joseph! – Demi continuava tentando acertá-lo, mas Joe segurou seus pulsos e a imprensou contra a mesa.

...

   - Pode me odiar o quanto quiser, mas você ainda é minha. - Dito isso ele a beijou com força, bruto, deitando-a parcialmente sobre a mesa enquanto Demi tentava sair de seu aperto e virar o rosto para fugir do beijo. Mas Joe seguiu beijando seu pescoço e colo até chegar a sua orelha onde sussurrou.

...

   - Não foge, por favor, Dem seja minha, eu não aguento mais. - Ele disse de forma mansa em seu ouvido e aos poucos Demi se aquietou. Quando ele voltou seu rosto para ela outra vez, ela levantou a cabeça e o beijou, com paixão, com fogo. Ele soltou seus braços e logo suas mãos foram aos cabelos dele acariciando, puxando e arranhando sua nuca.

...

 - Quer saber? Eu já estou de saco cheio das tuas bipolaridades, há cinco minutos você estava gemendo feito uma cadela enquanto dava para mim, e agora se arrepende e sai correndo feito uma adolescente afetada. Vai, pode ir, mas pode ter certeza que dessa vez eu não vou correr atrás de você Demetria. – Joe alcançou a box e a vestiu de costas para Demi. O peito doía e uma estranha vontade de afogar-se nas próprias lágrimas o invadiu vendo-a terminar de se vestir. Demi pegou sua bolsa e saiu sem dizer uma palavra, chorava silenciosamente mal se importando com os olhares maliciosos e piedosos sobre si. Dessa vez optou pelo elevador, não demorou muito e ela já estava no hall do prédio em meio da chuva forte que caía. Acenara para um taxi, mas milhares deles pararam ansiosos para fazer uma corrida para a ilustre Demi Lovato completamente molhada. Mas Demi não privilegiou ninguém, entrou num taxi qualquer e pediu para que a levasse para a casa da mãe. E ali mesmo desabou, mal conseguia respirar, parecia que seus pulmões queimavam e não conseguiam encontrar o ar que ela tentava inspirar. Suas mãos tremiam pelo nervoso e pelo frio, Demi segurava a bolsa com força tentando aplacar a dor que seu coração transbordava. Aquela mulher tinha razão, e constatar aquilo era como cravar uma adaga em suas costas. Chorou copiosamente por minutos a fio, tentando recobrar a sanidade."

...

- Eu já disse para você não prometer o que não pode cumprir. - Demi não ousou em desviar o olhar intenso de Joe de peito estufado determinada a enfrentá-lo.
   - Vamos? - Disse Joe olhando para Elizabeth e logo para Dan. Ora, ela sabia que ele iria fugir..

   - Nós não vamos com você.. - Pronunciou-se Daniel atraindo olhares apenas para ele. - Eu e Lizzie queremos ficar com a mamãe. - Demi arregalou levemente os olhos completamente surpresa. Quando resolvera dar um tempo no relacionamento com Joe pensara apenas em sair de casa sozinha, tudo que Dan e Lizzie precisavam estava em casa, e Demi pensara que alterar a rotina adepta por eles os prejudicaria. - Nós podemos ir com você? - Sussurrou Daniel sem jeito.

   - Podemos? - Lizzie perguntou a olhando com aqueles grandes olhos cor de mel idênticos aos do pai. Demi olhou para Dianna e logo para os filhos assentindo.

   - Vocês estão me deixando? Os três? - Joe adentrou os cabelos com os dedos e suspirou fundo não acreditando no que estava acontecendo. Não tinha sido intencional perder o controle da situação, mas ele infelizmente o perdera e a cada dia que se passava, quando ele acordava e encontrava sua cama vazia, quando ele não encontrava a mulher de pantufas de orelhas de coelho na cozinha oferecendo aquele lindo sorriso de bom dia, a consciência pesava cada vez mais.

   - Quando eu era pequeno, você sempre dizia que se um dia eu encontrasse uma mulher como a mamãe eu seria o homem mais sortudo do mundo. - Disse Daniel com um pequeno sorriso triste nos lábios. - Não existe outra mulher como ela, você é o cara que a tem e não a valoriza. - Demi interrompeu aquela troca de olhares fulminantes masculinos suspirando pesadamente, puxou Daniel pelo braço e virou as costas para Joe."

...

" - Você é uma criança, eu sou a sua mãe e mando em você. – Gritou assustando o garoto. – Esqueça essa história de conseguir o seu dinheiro porque você não vai namorar aquela menina Daniel, você me escutou? Não vai namorá-la! – Jamais deixaria Daniel namorar a Jeniffer, pois a menina só traria problemas. Começando pela mãe problemática e pela rebeldia de Daniel.

   - Isso é uma pegadinha? – Ironizou. – Eu estou trabalhando para conseguir o meu próprio dinheiro de forma honesta, ao contrário de você que engana as pessoas com a sua imagem de vítima do pop! – Antes mesmo que conseguisse raciocinar os dedos estalaram contra o rosto do garoto.

   - Você não vai namorá-la. – Disse por fim ligando o carro. Agarrava o volante com força e lutava para que as lágrimas não molhassem o rosto. Porque a vida estava de pernas para o ar? O que ela tinha feito para ter todos que amava como rivais? Primeiro Joe e agora Daniel.

   - Eu a amo! Porque você não me deixa namorá-la? O que eu fiz de errado? – Demi o ignorou e concentrou-se ainda mais no trânsito. A resposta jamais seria um sim. – Por favor, me deixe namorá-la, eu a amo. – Insistiu o garoto e Demi continuou a ignorá-lo. – Você não vai me responder Demi Lovato? Por que você não me deixa namorá-la! – Insistiu mais uma vez quando Demi estacionou o carro na garagem da casa da mãe. – Por quê? – Gritou saindo do carro para segui-la.

   - Você não vai namorá-la sobre hipótese alguma. – Disse pausadamente gesticulando as mãos.

...

   - Agora eu sei como o meu pai se sente. – Demi parou onde estava e respirou fundo tentando manter o controle. – Você quer manipular todos, tudo tem que ser do seu jeito. Não é à toa que a sua conta bancaria está explodindo de dinheiro sujo. Eu não sei como ainda acredito nas suas palavras, você mentiu para mim e Elizabeth a vida inteira, eu fui criado por uma mulher que não existe. – Demi cerrou o punho e fechou os olhos dizendo a si mesma que aquilo não estava acontecendo.

- Eu a amo! E estou trabalhando sim, não sou igual você que só fica enrolando o papai a vida toda. – Demi o acertou com um tapa e Daniel respirou fundo completamente nervoso. – Eu não ligo, pode me bater o quanto quiser, me torture se achar melhor, mas você perdeu o meu respeito e admiração, eu te odeio. – Demi jurou ouvir o próprio coração despedaçando, estava estática, os olhos marejados e a respiração levemente ofegante."

...

"   - Oi. – Disse tentando conter um sorriso. Demi levantou a cabeça assustada e surpresa ao vê-lo ali.

- Joe? O que está fazendo aqui? – Perguntou de olhos arregalados.

  - Sinceramente? Eu não tenho a menor ideia, mas meu coração me trouxe até aqui, acho que ele se desacostumou de ficar sem a outra metade dele. - Ele disse finalmente sorrindo e Demi apenas o olhava sem reação.

...

  - Gosto de você o usando, acho que você é a única mulher no planeta que fica linda de moletom, aliás, você fica linda de qualquer jeito. - Demi ficou mais sem jeito e corada com o elogio e Joe comemorou mentalmente por estar conseguindo penetrar as barreiras que ela construiu para evitá-lo. – Eu tenho uma coisa para você. – Disse ao se lembrar do saquinho no bolso. Demi o observou adentrar os bolsos com as mãos e do esquerdo tirar um saquinho cor de ouro. – Bem.. – Começou a dizer envergonhado. – Eu não sei se você se lembra.. Aquele dia, nós estávamos deitados na nossa cama e eu perguntei se eu podia plantar uma das minhas sementinhas no seu jardim. – Joe riu ao lembrar-se e riu do quão corada e surpresa Demi estava. – Eu não estava brincando.. Ou melhor, estava e não estava.. – Disse rindo descontraído. – Eu fiz para você se lembrar da nossa família, espero que goste. – Levantando-se, Joe sentou-se ao lado de Demi e froxou o pequeno lacinho  dourado da fitinha que envolvia o saquinho para derramar em sua mão uma pulseira delicada cor de ouro. Havia dois pingentes em forma de semente, uma medalhinha redonda que tinha um desenho de um jardim e havia outro pingente de um homem. – Eu sei, não está legal, mas eu fiquei pensando naquilo por tanto tempo.. – Disse a observando observar a pulseira.

 - Joseph, por favor, para. – Disse de cenho franzido desviando o olhar dele.

  - Parar? Com o que? – Perguntou sem entender o porquê da mudança repentina.

  - Com isso de agir como se nada estivesse acontecendo, isso é ridículo – Demi se levantou e Joe também dando um passo a frente e a tocou levemente no braço a fazendo recuar.

  - Demi, por favor, eu não quero brigar. – Suplicou olhando nos olhos dela.

  - E você acha que eu quero? Acha que estou feliz com toda essa merda Joseph? – Joe levou a mão aos cabelos os arrumando e respirou fundo tomando coragem para dizer tudo que tinha que ser dito.

  - Não Demi eu só, eu só quero... – Começou, mas ela o interrompeu.

  - O que você quer Joseph? – Disse numa mistura de calmaria, medo e angústia. Demi estava tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe, ele olhava em seus olhos, que começavam a ficar cristalinos por conta das lágrimas, se aproximou e tocou sua mão ainda olhando em seus olhos.

  - Eu só quero te abraçar. - Demi demorou alguns segundos para entender o que aquela frase significava, mas logo a lembrança veio à tona e ela se deu conta.. ele havia visto. Ela tinha cantado para ele e agora ele estava ali.

  - Você viu. - Sussurrou e ele se aproximou mais ainda soltando a mão de Demi para acariciar-lhe o rosto levemente fazendo com que ela fechasse os olhos e ansiasse pelo toque dele. Sentia tanta falta de tê-la, de beijá-la e abraçá-la assim como Demi sentia a falta dele.

  - Você não precisa pedir a ninguém que te ame querida, basta existir, e o mundo será seu. – Sussurro a envolvendo a cintura dela com os braços. Como tinha suportado ficar tanto tempo sem fazê-lo? Sem sentir o calor de Demi em seus braços..? Era como se sem ela um buraco enorme de dor se apossasse de seu peito.

- Eu não preciso ter o mundo, eu só preciso de você – Ouviu-a sussurrar. Nada mais foi dito, ambos ansiavam por aquilo e Joe o fez. O tempo parou por um segundo quando ele tocou os lábios de Demi da forma mais carinhosa e apaixonada iniciando um beijo casto e lento sendo correspondido por ela. Joe sentiu todo seu corpo vibrar quando Demi lhe deu passagem para sua língua o correspondendo. Parecia que todo esse tempo longe ele estivera com o sangue congelado, e acabara de aquecer, voltando a bombear a todo vapor por suas veias. Ele a abraçou ainda mais com carinho sem deixar de apertá-la contra o peito como se não houvesse o amanhã. Demi passou os braços ao redor do pescoço de Joe e lhe acariciava os cabelos enquanto ele a abraçava e tentava aplacar toda a saudade que sentia. Beijaram-se por minutos e minutos, Joe não permitiu que a falta de ar os separasse, mas deixou os lábios de Demi por questão de segundos para roçar o nariz ao dela num beijinho de esquimó dando tempo para que a falta de fôlego, mesmo que fosse muita, fosse cessada e voltou a selar os seus lábios aos dela.. Não era justo.. Demi não podia fazer aquilo, não podia estar com ele assim, não se ela não estiver sendo honesta com ele, não depois de ter quebrado sua promessa, não depois de..

  - Bebê, o que foi? – Perguntou com os lábios ainda tocando os dela já que Demi não o correspondia mais.

  - Joe, eu não posso. – Disse cessando o beijo de vez.

  - Não pode o que? – Joe ainda estava entretido com o beijo, tinha os olhos vidrados nos lábios de Demi e ansiava em beijá-la uma quantidade de vezes infinitas.

  - Não posso estar com você. Eu sinto muito, mas você precisa ir. – Disse em meio das lágrimas que rolavam pelo rosto livremente mostrando a Joe que estava doendo.. Que ela não podia tê-lo naquelas condições...

  - Mas Demi, eu quero ficar aqui, eu quero ficar com você – Joe segurou o rosto de Demi entre as mãos e roubou um selinho começando a desesperar-se. Não entendia o porquê de não poder ficar. E Demi sentia seu coração despedaçar a cada palavra que ele dizia. – Eu te amo. – Disse a olhando nos olhos.

  - Eu não posso ficar com você, por favor, entenda, vai ser melhor pra nós dois, vai ser melhor pra você se afastar agora, vá embora Joe, eu te peço, me deixa sozinha. – Disse se tentando se livrar do toque dele, pois não somaria em nada.

  - Eu não te entendo, você me trás até aqui para me mandar embora? – O coração de Demi esfarelou-se e as lágrimas desceram longas e grossas ao vê-lo chorar. Que a verdade seja dita, Demi não queria que ele fosse embora, não queria estar longe dele, mas uma vez que.. Seria melhor assim, não queria machucá-lo mais.

  - Eu não achei que você viesse. Realmente eu não esperava que viesse. – Disse limpando as lágrimas desviando os olhos dos dele. Joe a soltou delicadamente, respirou fundo e se dirigiu a saída se sentindo completamente destruído e vazio, a dor que antes era grande, agora nada era capaz de medi-la, só quem a sentia sabia como era avassalador se sentir rejeitado, mas antes de sair e deixá-la, Joe virou-se e pode ver o olhar dolorido de Demi o vendo partir.

  - Então você realmente nunca me conheceu Demi, porque se conhecesse saberia que eu iria até o fim do mundo por você. - Dito isso ele se foi deixando pra trás seu coração. "
...

"  - Mamãe? – A principio foi um choque. Tudo estava revirado e Lizzie temeu que o pior tivesse acontecido, pois não tinham seguranças lá fora e o interior do ônibus  estava revirado, mas ao adentrá-lo o coração congelou, os olhos idênticos aos do Joe arregalaram-se. – O.. o.. o que? - Não tinha forças para concluir a frase. Estava tão assustada. O que significava aquilo? Por que nas mãos da mulher que tinha cuidado dela durante toda a vida tinha uma garrafa? Por que tudo cheirava a álcool e estava uma completa bagunça?

   - Que merda! Porque vocês não me deixam em paz? Eu quero ficar em paz, você não entende que eu quero ficar em paz porra! – Lizzie arregalou os olhos e deu um passo para trás boquiaberta.

   - Está bêbada? – Sussurrou incrédula.

   - Cadê o seu namoradinho? Por que você não vai ficar com ele. – Elizabeth cerrou os olhos diante da grosseria de Demi.

   - O que você está fazendo? – Perguntou com mais coragem. – Você prometeu para mim e para o Daniel que jamais voltaria a beber. – O cheiro de álcool a deixou tonta e tudo piorou quando Demi deu um longo gole na vodka e a olhou sorrindo cinicamente.

   - Bebi, o que você vai fazer? – Disse e logo gargalhou deixando a cabeça cair para trás. – Vai contar para o namoradinho? – As mãos de Elizabeth chegavam soar frio, não tinha a mínima ideia do que poderia fazer, estava assustada e com medo.

   - Eu vou contar para o papai. – Disse tentando parecer firme, mas outra gargalhada, só que dessa vez mais longa, encheu o ônibus.

   - Eu estou cagando para o seu pai garota. – Demi riu por minutos e minutos mostrando a Elizabeth o quão bêbada estava.

   - Sabe, eu e o meu irmão passamos por tanta coisa para te defender, mas para que? – Disse já sentindo as lágrimas molhando o rosto. – Eu, eu! Tinha tanto orgulho de ser a sua filha, de te defender com unhas e dentes, mas você não merece. Eu te admirava tanto.. Como pode. – Lizzie a olhou de cima a baixo e a cabeça de Demi parecia girar tentando organizar as coisas sem sucesso. – Você era a mulher que um dia eu queria ser, era o meu modelo, o meu tudo. – Mesmo que tentasse, Demi não conseguia voltar ao seu estado natural, ela entendia o que Lizzie dizia, mas não conseguia driblar o álcool que corria em seu sangue.

   - Beth.. – Sussurrou.

   - Não me chama assim! Você não tem o direito. – Gritou a menina. – Você me decepcionou, eu não quero ficar mais com você, eu não quero mais ser a sua amiga, eu não quero mais, não quero! – Tornou a gritar fazendo Demi arregalar os olhos. – Daniel tinha razão o tempo todo, você acabaria destruindo alguma coisa que eu amava, pena que foi a nossa própria relação."

"  O último show tinha sido na noite anterior, e por incrível que pareça ela não bebeu naquele dia, queria estar sóbria para sentir o carinho dos fãs intensamente. Não que ela não sentisse estando dopada, ela sentia, mas não era o mesmo. Como não era o mesmo estar sem seus amores, sem o carinho de Daniel em seu cabelo, sem a risada de Lizzie ecoando pela casa, sem os beijos e declarações de Joe. Só que aquilo não era real, era uma fantasia que ela criou em sua mente pra se iludir achando que era feliz. A realidade era outra e estava bem ali em sua frente. Ela não passava de um peso para todos em sua volta, não fazia nada direito, ou melhor, fazia sim, sexo. Era apenas por isso que Joe mantinha aquele casamento, e pelas crianças. Ela estava certa, Alex estava certa. Ela lhe roubou a paz, a sanidade, e agora Daniel, usando a própria filha para esse propósito, e só Deus sabe o que mais ela poderia roubar, Joe talvez. Só de pensar nessa possibilidade Demi sentiu o peito comprimir. Precisava de paz, precisava deixar de ser motivo de preocupação para todos, precisava parar de fazer as pessoas sentirem pena dela. A garrafa de Bourbon estava ao lado da cama, Demi a pegou e livrou-se da rolha facilmente logo dando uma grande golada.

      Estava bebendo desde cedo, seus pais haviam saído para um passeio com alguns amigos e ela estava sozinha em casa. Sozinha, era sua sina, estar sozinha, mesmo estando rodeada de gente. Olhou em volta, o quarto totalmente de pernas pro ar, resultado do seu último surto de fúria onde quebrou o abajur, o vaso de flores e derrubou tudo ao redor. Levantou de súbito e correu as gavetas da pequena cômoda até encontrar o que queria. Pegou a garrafa e levou todos os comprimidos de uma vez a boca, engolindo tudo com uma golada da bebida que descia ardendo por sua garganta. Não haviam muitos comprimidos, uns quinze talvez? Ela não sabia e nem queria saber, ela queria que a dor passasse, queria esquecer, queria adormecer o seu corpo e não pensar na merda que sua vida era.

Deixou a garrafa escapar de suas mãos e foi até o banheiro. Olhou seu rosto no espelho, não era nem de longe a mulher linda que todos pintavam, estava horrível e não queria mais ver seu reflexo. Socou o espelho repetidas vezes até que seu punho revelasse finas linhas de sangue saindo da pele de sua mão, alçou o rosto lavado em lagrimas para a banheira do outro lado do banheiro. Ela tinha a enchido para tomar banho, mas acabou não o fazendo. Foi cambaleando, talvez pelo efeito do álcool ou dos remédios, sentia que estava perdendo a coordenação motora. Entrou de camiseta e calcinha mesmo, do jeito que estava e afundou deixando a cabeça para fora. Suspirou, sua mente aos poucos ficando turva e seu coração mais leve. Foi desfalecendo aos poucos enquanto a cabeça afundava na escuridão, levando embora os problemas, a dor, a culpa, e sua consciência.".


A cabeça rodava tanto e uma sensação ruim tomava conta de si. Demi abriu os olhos e suspirou aliviada. O que tinha acontecido? Piscando algumas vezes assimilando a luz branca fraca que tomava conta do quarto, Demi tentou levar a mão à testa sem muito sucesso. Dai ela se lembrou do hospital, do coma e do bebê. Deus! Ela estava grávida! Grávida! Como ela não descobrira antes? Tinha um bebê em seu ventre há exatos dois meses! Demi tinha certeza que engravidara naquela tarde no escritório de Joe, ela não estava tomando pílula e eles não tinham usado camisinha. E depois ela começou a beber. Deus! Onde estava com a cabeça? Ela poderia ter matado o seu pequenino com aquelas malditas bebidas! Só de pensar em perdê-lo, Demi levou a mão à barriga e a acariciou com pesar.

   - Sra. Jonas? - Demi olhou para a porta e franziu o cenho ao ver o homem alto vestido de branco de cabelos grisalhos. - Sou o seu médico, Dr. William Callahan. - Disse Callahan ao perceber que Demi estava estranha demais, era a típica reação dos pacientes que recuperavam a memória. - Você está no hospital, há três dias acordou do coma e pelo visto recuperou a memória. - Demi piscou mais algumas vezes olhando para os lados.

   - Como está o meu bebê? - Perguntou num fio de voz.

   - Seu bebê está perfeitamente bem. - Disse Callahan a olhando.

   - Eu não o machuquei? - Perguntou e Callahan entendeu que ela se referia as bebidas, já que quando fizera os exames assim que Demi chegou ao hospital o índice de álcool e medicamentos em seu organismo era absurdamente grande.

   - Graças a Deus não, ele está saudável. - Demi suspirou aliviada ao saber que nenhuma das besteiras que fizera machucara o seu pequeno. - Agora a senhora precisa ficar bem para cuidar dele. - Disse a olhando.

   - Eu tenho mesmo que fazer fisioterapia? - Perguntou de cenho franzido. - Seria bem legal se os meus movimentos voltassem num estalar de dedos como a minha memória. - Demi sorriu descontraindo o clima seguida por Callahan.

   - Vai passar rápido, apenas um mês de fisioterapia e depois a senhora voltará aqui no hospital para que eu possa avaliá-la e estará liberada. - Se a fisioterapia resolvesse todos os seus problemas em um mês, Demi faria cada sessão sorrindo para as paredes, mesmo que ela odiasse a ideia de reaprender tudo.

   - Eu mal posso esperar.. - Disse fazendo careta e Callahan riu junto com ela. – Você é médico.. ? – Perguntou quando o silêncio caiu sobre eles enquanto William anotava alguma coisa na prancheta. Demi odiava silêncio.

   - Neurocirurgião. – Disse a olhando sorrindo.

   - Casado? Tem filhos? – Perguntou e William riu do quão curiosa ela era.

   - Viúvo. Tenho uma filha. – Disse e a moça arregalou os olhos.

   - Oh, sinto muito. – Murmurou ao olhá-lo. William era um homem, apesar dos seus cabelos brancos, novo demais para ser viúvo. – Qual a idade dela? – Perguntou.

   - Vinte e seis anos. – Disse esboçando um pequeno sorriso.

   - Como a sua esposa faleceu? – Perguntou Demi mesmo corada.

   - Huuum.. A gravidez da nossa filha não foi nada fácil, Evelyn desenvolveu pré-eclâmpsia um tipo de hipertensão onde a mulher tem convulsões. Evelyn tinha convulsões porque a pressão sobia muito e, como decorrência, diminuía o fluxo de sangue que vai para o cérebro. O parto foi complicado, e eu acabei a perdendo. – William olhou para Demi e surpreendeu-se ao encontrá-la de olhos arregalados e marejados. – Eu criei sozinho a minha filha, minha mãe me ajudou nos primeiros anos, mas faleceu quando Marissa tinha quatro aninhos. As coisas ficaram complicadas para mim, eu e minha filha estávamos sozinhos no mundo, eu tinha que trabalhar no hospital e ainda não aceitava muito a morte da minha esposa. Perdi a conta do número de babás que contratei e demiti porque eu não suportava ficar com Marissa e tinha que trabalhar, a minha última opção foi um colégio em período integral. Bem, as coisas não deram muito certo, não demorou muito para que a minha garotinha começasse a crescer e se fechar, eu não sabia mais o que fazer, ela não queria mais comer, não queria ir para a escola, passava a maior parte do tempo trancada no quarto, não tinha nada que a fazia rir ou interagir com outras pessoas, ela era uma menina depressiva e eu estava pensando em interná-la até que um dia no café da manhã a televisão estava ligada preenchendo o silêncio e Marissa começou a rir do nada, e a partir daquele dia a televisão sempre ficava ligada naquele canal a fazendo rir. Sabe o que ela assistia? – Perguntou sorrindo para Demi, que parecia tão concentrada na sua história de vida. – Sunny entre estrelas. – Disse e Demi arregalou os olhos completamente surpresa. – Era tão divertido vê-la rir, me pedir dinheiro para comprar um pôster ou um cd seu, nós fomos a tantos shows e conforme o tempo se passava eu e Marissa ficávamos cada vez mais próximos, nós tínhamos aprendido a conviver juntos. Se eu tivesse uma foto aqui, mostraria como o quarto dela era. Tinha uma parede coberta de pôsteres, acho que ela tem o HWGA de todas as cores. Um tempo depois Marissa me contou que sofreu bullying na escola durante muito tempo e você a ajudou a dar a volta por cima. Nós procuramos uma nova escola e as coisas mudaram muito. Marissa tinha aprendido a se defender, tinha amigos, ela sorria, se interagia com todos adolescentes. Ah! Não devo me esquecer que os namoradinhos começaram aparecer, o que me causou muita dor de cabeça. – Demi riu emocionada enquanto limpava algumas lágrimas. - Quando Marissa completou seus dezessete anos e terminou a escola, ela decidiu que estudaria psicologia na faculdade porque queria ajudar as pessoas que sofreram bullying entre outros problemas assim como você a ajudou. – Demi sorriu limpando as lágrimas incontroláveis. Ah! Hormônios!

   - Eu jamais imaginaria que o senhor já passou por tanta coisa. – Comentou ainda sorrindo.

   - Todos nós já passamos por muitas coisas nessa vida, querida. – Por isso que William tinha feito o possível e o impossível para ajudá-la, ele tinha uma divida com Demi e agora, depois de vê-la sã, sabia que tinha feito a sua parte.

   - Eu gostaria de conhecer a sua filha. – William sorriu ao se lembrar de que Demi já a conhecia.

   - Acho que você já a conhece, ela já foi a vários Meet & Greet, se eu tivesse alguma fotografia aqui mostraria. – Demi gostaria de abraçar apertado a filha de William. Mesmo não a conhecendo, sentia-se orgulhosa por fazer parte da vida da menina. – Quem sabe não podemos marcar alguma coisa futuramente. – Demi assentiu sorrindo enquanto William anotava alguma coisa na prancheta. - A senhora sabia do bebê? – Perguntou a analisando, Demi parecia diferente daquela mulher doce do dia passado, agora, mesmo depois dele ter contado toda a sua história, ela parecia pensativa demais, magoada demais..

   - Não. - Disse comprimindo a boca numa linha. A porta se abrindo chamou a atenção de Demi. E lá estava ele, de calças jeans, tênis e suéter. Demi franziu o cenho quando ele a olhou sorrindo timidamente.

   - Demi? - Joe a chamou se aproximando. - A sua cabeça está melhor? - Perguntou e Demi, depois de se esforçar muito, lembrou-se que a cabeça doía na noite passada.

   - Joseph. - O tom frio e receoso da voz feminina foi o suficiente para que Joe soubesse que a memória dela tinha voltado. - Estou um pouco tonta, porém bem. - Disse mais para Callahan do que para Joe.

   - Quero que a senhora descanse, irá ajudá-la. - Demi e Joe assentiram e William pediu licença antes de deixar o quarto.

   - Eu.. Você está bem? - Perguntou Joe se sentando no braço da poltrona já que não sabia se seria bom se aproximar dela como tinha acontecido nos dias passados.

   - Estou. - Disse o olhando rapidamente. Então o silêncio constrangedor tomou conta do quarto. Deus! Aquilo nunca acontecia com eles, e agora estavam ambos sem saber como agir ou até mesmo o que dizer.

   - Nós vamos ter um bebê. - Disse com a voz suave quebrando o silêncio.

   - Eu sei. - Demi sorriu fraco e acariciou a barriga.

   - Você está feliz? - Perguntou curioso e Demi assentiu balançando a cabeça.

   - Estou.. - Disse sorrindo timidamente. - E você? Eu não me lembro direito.. - E realmente não se lembrava, algumas lembranças eram vagas e falhas e as outras tão vivas e fortes.

   - Muito feliz. - Disse Joe sorrindo de orelha a orelha. Bem, e o silêncio estava de volta para atormentá-los. - Você se lembra? - Perguntou com receio e Demi assentiu. - De tudo? - Perguntou mais uma vez e ela assentiu.

   - Tem algumas coisas que eu não con..consigo me lembrar, acho que eu estava bêbada demais para me lembrar. - Joe comprimiu a boca numa linha e pôs-se cabisbaixo pensando em tudo que aconteceu nos últimos dois meses. Ele tinha sido um tolo, como pode tratá-la daquele jeito? A culpa era dele, toda dele! Demi tinha enfiado a cara na bebida, tinha se isolado do mundo e brigado com todos que ela amava por culpa dele! Se ele fosse menos ciumento, menos egoísta e rude nada disso teria acontecido.

   - Demi.. - Joe se levantou e aproximou-se mais da cama. - Eu não sei o que fazer. - Confessou sem olhá-la. Ele se sentia tão culpado e queria consertar as coisas entre eles, mas era tão difícil fazer o fácil, o que iria dizer a ela? Será que ela iria entendê-lo?

   - Eu também não. - Confessou num sussurro.

   - Você quer que eu te deixe sozinha? - Perguntou Joe depois de minutos de silêncio.

   - Eu preciso pensar. - Joe assentiu entendo o recado e automaticamente curvou-se para beijá-la, mas não o fez, apenas selou a bochecha dela com um beijo demorado e quando iria se afastar Demi virou o rosto e roçou os lábios aos dele rapidamente agradecendo por ele ter ficado aquele tempo todo com ela.


Joe aproveitou o tempo livre para conversar com Marissa. Ele praticamente desabou sobre como se sentia e escutou atentamente tudo que ela dizia sobre aquela situação. Era tão estranho encontrar alguém no mundo que não achara que ele era o único culpado por tudo que tinha acontecido, Marissa o fez enxergar de forma ampla que não era só ele quem tinha errado.

   - Joseph, tanto você quanto o Daniel, a Elizabeth e a Demi não sabiam o que pensar ou como agir. É o que acontece quando estamos magoados, reprimidos e cheios de medo. - Disse para acalmá-lo. - Você sente ciúme da sua esposa porque você tem medo de perdê-la e por isso acaba discutindo com ela ao invés de dizer como se sente. Você a leva para cama porque depois dos momentos de prazer, acha que tudo ficará bem. Não tem absolutamente nada de errado em agir assim, a maioria das pessoas, mais homens que mulheres, - Disse sorrindo. - agem assim porque no fundo eles não sabem como se expressar com os seus parceiros. O segredo para o bom relacionamento é a conversa sincera sobre determinada situação, é se expressar e mostrar como você se sente. Esse seu hábito de levá-la para a cama a cada dificuldade só mostra para a Demi que você não tem autonomia para resolver os próprios problemas, como você acha que ela se sente? Essa sua insegurança só irá prejudicá-los, por isso que você tem que conversar com ela. Você tem liberdade o suficiente para fazê-lo, e porque não o faz? - Perguntou unindo os dedos e Joe engoliu seco.

   - Na verdade eu não s.. - Antes que Joe pudesse completar a frase, uma batida leve à porta antes da mesma ser aberta por William o interrompeu.

   - Boa tarde, desculpe interrompê-los. - Disse educadamente o homem mais velho. – Marissa, posso conversar com você? É rápido. - Marissa pediu licença a Joe e saiu da sala encostando a porta.

   - Você não pode interromper o meu momento Dr. Callahan. - Disse divertida. - Como posso ajudá-lo? - Perguntou ao ver a careta do pai.

   - A memória da Demi voltou, eu pensei que você poderia conversar com ela sobre o seu trabalho na clínica. - Marissa sabia onde aquilo iria parar.. Ela conhecia cada passo do pai e sabia o que ele queria.

   - Eu posso tentar.. – Despedindo-se do pai com um breve abraço, Marissa voltou para a sala para continuar a conversa com Joe.

(...)

Tudo bem.. Ela era uma profissional e conseguira lhe dar com aquela situação. Respire fundo. Pediu Marissa a si mesma ajeitando o terninho no corpo em frente a porta do quarto da ilustre Demi Lovato. Marissa alongou os dedos acabando com a tremedeira e respirou fundo antes de bater à porta e segundos depois a voz doce permitiu que ela adentrasse o quarto. Levando a mão à maçaneta, Marissa sorriu consigo mesma e abriu a porta com toda a postura profissional que tinha, mas ao ver aqueles olhos marrons femininos um tantos curiosos a olhando, tivera vontade de gritar de felicidade. Céus! Ela era tão linda com toda aquelas sardinhas em meio a pele alva.

   - Bom dia Sra. Jonas. - Disse educadamente a olhando. - Meu nome é Marissa, eu sou psicóloga e venho acompanhando o seu caso há algumas semanas. - Se apresentou oferecendo um pequeno sorriso a Demi.

   - Olá Marissa, como vai? - Demi retribui o sorriso e Marissa quase surtou ao se lembrar da primeira vez que a encontrara no Meet & Greet. O sorriso era o mesmo, Demi continuava sendo a mulher mais linda de todo o universo. Os anos foram tão generosos com ela, ela estava mais velha e madura, e mesmo assim continuava sendo tão fofa e meiga e muito, muito mesmo linda.

   - Eu estou bem. Como a senhora se sente? - Perguntou se lembrando que ela era uma psicóloga e não a fã da Demi Lovato.

   - Eu estou muito entediada, é horrível passar o dia inteiro deitada. - Resmungou fazendo careta e Marissa riu. Sim, Demi fazia a careta mais linda de todo o mundo. - Mas eu estou bem, eu acho. - Disse divertida olhando para os olhos azuis de Marissa.

   - Eu fico muito feliz por saber que você está bem. - Disse sorrindo. Ok, pare de sorrir e de encará-la. Disse para si mesma. - É perfeitamente normal você se sentir entediada, mas infelizmente faz parte do processo da observação. - Explicou orgulhosa de si mesma por estar sabendo lhe dar com aquela situação. - Dr. Callahan me contou que você recuperou a memória recentemente, é normal que se sinta confusa e deslocada nos primeiros dias, mas logo tudo voltará ao normal. - Tornou a explicar e esboçou um sorriso para Demi.

   - Oh, ele é um ótimo médico. - Disse ao se lembrar de como William tinha a feito se sentir confortável mesmo estando num hospital. - porém muito linguarudo. - Marissa riu gostosamente junto com Demi. Era tão bom ouvir que o seu pai era um ótimo profissional, sentia-se orgulhosa, pois sabia que William mereceria todo o reconhecimento do mundo porque ele se dedicava de corpo e alma a ajudar as pessoas. - Particularmente eu odeio hospital, mas ele me fez sentir como se eu estivesse em casa, aquele médico merece um prêmio. - Disse divertida e Marissa tornou a sorrir. Era gratificante escutar aquelas palavras vindas de Demi.

   - Sim, ele é um ótimo médico. - Marissa corou levemente ao perceber que Demi a olhava demais.. Chegara estar de olhos cerrados. - Humm.. tudo bem? - Perguntou um pouquinho mais vermelha.

   - Você me parece familiar. - Comentou fitando aqueles olhos azuis.. Era como se ela se lembrasse deles em algum momento da sua vida, mas não conseguia concluir o pensamento. Era algo vago e muito familiar..

   - As pessoas sempre dizem isso.. - Disse tentando distrair a tensão na voz com um sorriso. - Eu devo parecer alguma atriz famosa. - Comentou rindo.

   - Tem certeza que já não nos encontramos? - Perguntou Demi ainda cismada. Ela se lembrava daqueles olhos de algum lugar..

   - Tenho. - Marissa umedeceu os lábios e entrou em conflito consigo mesma tentando se lembrar do porquê dela estar no quarto de Demi! Diabos! A mulher era tão linda que a deixava boba. - Bem, Sra. Jonas, como eu me apresentei, sou psicóloga e ajudo os pacientes do hospital com os seus diversos problemas. Eu sou responsável pelo seu quadro psicológico, e, se a senhora estiver interessada, pretendo continuar o meu trabalho a ajudando a entender melhor o mundo depois do coma. - Demi assentiu e tentou coçar a ponta do nariz, e com muito custo o fez, e Marissa se lembrou da outra parte.. Deus! Ela não poderia se deixar influenciar com a fofura de Demi. - Bem, acredito que o tratamento adequado para a senhora no momento é a fisioterapia para que possa recuperar os movimentos. - Disse e Demi assentiu fazendo careta. Não se distraía Marissa.. - Acredito que podemos trabalhar a psicologia e a fisioterapia ao mesmo tempo, será mais vantajoso no quesito tempo e o resultado poderá ser gratificante caso trabalhemos essas questões devidamente. - Disse recuperando a postura profissional. - Eu trabalho numa clínica onde trabalhamos com fisioterapia e psicologia, é aqui mesmo na Califórnia há poucas horas de Los Angeles. Seria ótimo se pudêssemos trabalhar na sua recuperação juntas. - Marissa esboçou um pequeno sorriso para Demi que parecia bastante pensativa.

   - Eu não quero a imprensa no meu pé, e aposto que lá fora está cheio de paparazzis loucos atrás de notícia. - Disse um pouco irritada. Os paparazzis viviam para persegui-la, era simplesmente um saco não poder sair um milésimo sequer na rua sem ser fotografada, e no caso de Demi era mil vezes pior já que ela não conseguia se mover sozinha e caso eles a fotografassem numa cadeira de rodas o mundo explodiria de tantas fotos.

   - Entendo. Não se preocupe, nós já tratamos de algumas pessoas conhecidas mundialmente e não tivemos problemas com a imprensa. Como eu disse, a clínica é há poucas horas de Los Angeles em um lugar isolado onde podemos trabalhar tranquilamente. Não posso citar nomes, mas há muita gente do meio artístico que já passou e ainda passa um bom tempo conosco e nada foi divulgado ou especulado pela mídia. - Assegurou. Marissa sentia que o coração iria pular para fora do peito por conta do jeito que Demi a olhava. Céus! Era do mesmo jeito que ela a olhara quando ela leu a cartinha que tinha escrito para Demi no M&G. Tudo bem, ela só não poderia ter a crise de choro que tivera naquele tempo. - Bem, a decisão fica a seu critério. Você tem todo o tempo do mundo para pensar, eu adoraria recebê-la na clínica. Independente da sua decisão, diga ao Dr. Callahan que ele me avisará. - Demi assentiu sorrindo e Marissa corou.

   - Obrigada, eu prometo que vou pensar. - Disse a olhando. - Foi um prazer conhecê-la. - Não! Aquele sorriso lindo não! Marissa corou mais um pouco, lê-se muito, quando Demi pediu um abraço. Ai meu Deus! Ela tinha o abraço mais gostoso de todo o mundo!

   - O prazer é todo meu. - Marissa sorriu toda boba e quando foi acenar para Demi antes de sair do quarto, quase chocou-se com a parede e sorriu sem graça saindo do quarto um pouco tonta.

(...)

   - Você tem certeza Demi? – Perguntou Dianna preocupada.

   - É a melhor coisa que eu posso fazer por mim e pela minha família, mãe. – Disse a olhando. – Eu preciso organizar os meus pensamentos, saber o que eu vou fazer para me conciliar com a minha família. Eu os magoei tanto, principalmente as crianças. Eu estava descontrolada e sinto que se eu não procurar ajuda vou acabar fazendo outra besteira. – A culpa por ter tentado tirar a própria vida a devastava a cada segundo que se passava, como ela poderia ter pensado naquilo? Como ela poderia ter feito aquilo? – Eu vou receber ajuda de uma psicóloga e vou recuperar os meus movimentos ao mesmo tempo, será melhor para mim e para o meu bebê. – Disse tentando convencer Dianna de deixá-la ir, tudo bem, Demi era adulta e decidia por si mesma, mas nunca fazia nada sem consultar a mãe.

   - Meu amor, eu quero o melhor para você. Mas você acha que ficar longe da sua família agora é a coisa certa a ser feita? – Perguntou angustiada. Se pudesse Dianna passaria o dia todo com Demi a vigiando e cuidando da sua menina para que nada de mal acontecesse a ela.

   - Eu vou ficar internada o tempo necessário justamente para dar o meu melhor para eles. Eu os amo muito e não quero perdê-los. – Dianna beijou a testa de Demi e enlaçou os dedos aos dela enquanto a olhava nos olhos. – Eles são tudo para mim, e mesmo que eu e o Joe não estamos no nosso melhor momento, eu tenho que lutar pelos meus filhos. – Demi sabia que se ela ficasse sem procurar tratamento acabaria piorando a cada dia conforme os problemas surgissem, ela precisava preencher aquela lacuna para que ela nunca mais se abrisse.

   - Tudo bem, onde fica essa clínica? – Perguntou Dianna. Não tinha nada a ser feito além de apoiar a filha.

   - É um pouco afastada da cidade, apenas há algumas horas daqui. – Disse se lembrando das palavras de Marissa. Demi passou algumas horas conversando com Marissa e então estava decidida a fazer o melhor para a sua saúde. – Eu quero muito melhorar mãe, da forma certa. – Dianna assentiu feliz por ouvir aquelas palavras. – Fora que eu não quero dar trabalho para ninguém, principalmente para o Joe. Ele não terá tempo de me levar e buscar na clínica todos os dias, e eu não quero que ele tenha que me levar ao banheiro, me dar banho, colocar comida na minha boca. – Disse fazendo careta.

   - Na saúde e na doença. – Relembrou Dianna e as duas olharam para trás assim que bateram à porta e a mesma se abriu. Era ele.

   - Com licença. – Disse Joe educadamente adentrando o quarto. – Demi, eu estava pesquisando algumas clínicas e quero saber qual você prefere. Tem uma maravilhosa na saída norte da cidade, e tem outra clínica no Texas, eu estava pensando em alugar um apartamento para nós enquanto você se trata. – Dianna pediu licença para deixá-los a sós.

   - Bem. – Demi nunca tinha o visto tão ansioso e esperançoso. – Joe, eu não vou para nenhuma dessas clínicas. – Disse o olhando nos olhos. – Obrigada. – Demi arrastou a mão até a dele e forçou um pequeno sorriso. – Eu conversei com uma psicóloga agora pouco e resolvi que vou me internar para me tratar e recuperar os meus movimentos, eu preciso fazer isso por mim, entende? – Respirando fundo Joe balançou a cabeça um pouco tristonho. – Eu preciso me entender, está tudo confuso na minha cabeça e eu quero ficar boa para receber o nosso bebê. – Joe forçou um pequeno sorriso e assentiu levando a mão à barriga dela. Se aquela era a vontade de Demi, tudo que ele iria fazer era aceitar. 


Continua... AAAAH! 2 ANOS DE BLOG!! O tempo passa rápido né? Eu me lembro de estar na mesa da casa da minha vó em goiânia criando esse blog porque eu estava decidida a escrever as minhas próprias fanfics, e aqui estou eu depois de dois anos! Só tenho a agradecer a vocês, minhas leitoras que sempre estão aqui para me apoiar <3 Obrigada por tudo meninas!! Saibam que cada uma de vocês tem um lugar especial no meu coração!
Sobre o capítulo.. Poderia ter saído melhor.. poderia, mas não deu, eu não estou muito bem e sem tempo para escrever assim de um dia para o outro, eu passei o dia todo planejando e escrevendo esse capítulo e foi isso o que saiu.. espero que vocês gostem, ao menos agora as coisas vão melhorar, a Demi vai para a clínica e vai recuperar os movimentos, ou seja, HOT! Beijos no core <3

ps. Obrigada pelas felicitações de aniversário! Jéssie, ainda não fiz o meu bolo, mas logo logo ele tá saindo e eu vou guardar um pedaço para você :p