24.12.14

Capítulo 41 - Parte 1/2

Algumas semanas depois...

           O tempo estava voando. As horas pareciam segundos e os dias minutos. Iriam completar três semanas no dia seguinte que Demi estava em coma sem qualquer sinal de vida, ela apenas respirava com dificuldade e com ajuda das máquinas. 
Joe estava vivendo cada dia por vez. Visitar a igreja passou a ser um hábito constante, ele não ia apenas nos domingos junto da família, passara a ir no decorrer da semana quando sentia que o coração apertava no peito e a vontade de derramar lágrimas o invadia. Ele estava literalmente vivendo pela fé, pedia por Demi em sussurros e em pensamentos, mas como tudo não são flores, enquanto Joe tinha fé que Demi ficaria bem, Daniel e Elizabeth estavam a um fio de ter um surto psicótico.

Começando por Lizzie. A menina estava irritada e chorava tanto, não dormia à noite perturbada com a lembrança da breve discussão e o flagra da mãe bebendo. Aquela cena a consumia e a consciência sempre a acusava de ser a principal culpada por Demi estar numa cama inconsciente. Bem, e Daniel.. O garoto não tinha coragem de entrar no quarto onde Demi estava porque doía só de imaginá-la inerte o assustava. O vínculo que Dan tinha com Demi era tão especial e diferente de qualquer outro. Ele a entendia e ela o entendia, mas tudo desandou e ambos perderam o controle da situação. E Daniel se culpava por isso, culpava-se como ninguém se culpava porque ele tinha dito olhando nos olhos dela que a odiava. Agora, deitado na cama rodeado de ursinhos do quarto cor-de-rosa da namorada, Dan estreitava os olhos contendo a vontade de chorar. De todas aquelas semanas que a mãe estava em coma, à noite passada tinha sido a primeira noite da qual ele realmente conseguiu dormir às oito horas completas de sono.

   - Está tudo bem? – Ronronou Jenny afundando mais o rosto no peito dele aparentemente sonolenta. Daniel sabia que não era para ele estar ali na casa e no quarto de Jenny, mas não tinha sido fácil ver a irmã desabar em choro nos braços de Eric enquanto as avós tentavam acalmá-la. O coração dele estava se comprimindo e os olhos carregados de lágrimas, então acabou que ele bateu à porta da casa de Jenny na madrugada e ela o abraçou com tanta força fazendo com que um pouquinho daquela dor fosse embora..
   - Obrigado por cuidar de mim. – Disse a tocando no braço numa carícia inocente enquanto seus olhos vagavam pelas paredes do quarto da menina. Céus! Não era brincadeira quando Jenny disse que era fã de Demi. Havia pôsteres nas paredes e um estoque de CDs de Demi escondidos numa caixa de sapato sobre a escrivaninha.
   - Não precisa agradecer.. – Dan sorriu ao sentir um beijinho carinhoso no seu peito sobre o tecido da camisa.
   - Eu realmente posso ficar aqui? Não quero causar problemas. – Disse com receio, pois Alex, a mãe de Jenny, não era a favor do namoro da filha e quando Daniel chegou ontem à casa da menina ele acabou dormindo como um bebê no colo dela em meio das lágrimas.
   - Ela não está em casa.. – Sussurrou. – A vovó disse que ela viajou ontem a procura de um emprego. – Daniel respirou fundo completamente aliviado, pois não queria sobre hipótese alguma prejudicar ainda mais a relação de Jenny com a mãe.
   - Acho que vou para o hospital. – Disse depois de minutos em silêncio. – Eu estou preocupado com Lizzie. – Daniel sabia que a irmã precisava dele assim como ele precisava dela mais do que tudo. Por mais que passaram a vida brigando por coisas estúpidas, Lizzie era a sua melhor amiga e ele a amava muito.
   - Hum.. – Ronronou Jenny procurando o celular. – Está muito cedo, nós nem tomamos café da manhã. – Daniel riu da careta da menina e a abraçou calorosamente.
   - Eu nunca vou me cansar de te agradecer por cuidar de mim. – Sussurrou depois de dar um leve beijo na testa da menina. Jenny estava conseguindo distraí-lo daqueles problemas, ela o fazia se sentir seguro e menos culpado.
   - Eu só quero que você e a sua família fiquem bem, ok? – Daniel sorriu timidamente olhando para os olhos de Jenny. – Eu sei que a sua mãe vai acordar e tudo vai se resolver. – Dan fechou os olhos e assentiu sentindo aquela velha dor preencher o seu peito.
   - Deus te ouça. – Murmurou ainda de olhos fechados.
   - Você ainda não foi vê-la? – Perguntou Jenny depois de minutos de silêncio.
   - Eu não tenho coragem. – Disse segundos depois. – Elizabeth disse que o papai sempre está no quarto sentado ao lado da cama em uma poltrona com os dedos enlaçados aos da mamãe esperando ansiosamente que ela acorde. – Dan gemeu e engoliu o choro garganta a baixo. Era tão ruim se sentir impotente, se Daniel pudesse, ele iria fazer a mãe acordar em um piscar de olhos e então eles seriam felizes para sempre, mas, infelizmente, as coisas não funcionavam assim.
   - Seja forte.. Seja forte, por favor. – Sussurrou Jenny o abraçando fazendo o garoto derramar as primeiras lágrimas e aninhar-se a ela como um bebê. – Por favor, por mais difícil que seja, não chore, nós temos que ser fortes e orar muito pela sua mãe. – Erguendo o tronco, Jenny secou as lágrimas de Dan com beijinhos carinhosos e sorriu ao olhar para os olhos verdes do namorado. – Eu sei que tudo vai dar certo meu amor. – Sussurrou com tanta sinceridade que Daniel assentiu e selou os lábios aos dela num beijo.
   - Eu amo muito você. – Disse ainda com os lábios nos dela e Jenny sorriu roçando o nariz ao dele logo o beijando.
   - Eu também te amo. Tudo vai dar certo, tudo bem? – Daniel assentiu dividido entre os lábios e os olhos cor de mel da menina.
   - Tudo... – Por fim ele não resistiu. Selou os lábios aos dela enquanto suas mãos estavam firmes na cintura delicada de Jenny vez ou outra a apertando, mas nunca caminhando para outros lugares..
   - Jeniffer? Você não vem tomar café? – Daniel sorriu ainda de olhos fechados e recebeu um selinho rápido nos lábios antes de Jenny se levantar, arrumar os cabelos prendendo-os num coque e abrir a porta do quarto para a Sra. Short, a avó materna de Jenny. – Bom dia meu anjo. – Disse a senhora carinhosamente envolvendo a neta com um abraço rápido. – E o mocinho? Está bem? – Daniel corou em questão de segundos e assentiu se sentando na cama. A avó de Jenny era uma típica senhora muito carismática e amorosa que adorava crianças.
   - Sim senhora. – Disse o garoto mergulhando os pés nos tênis sobre o tapete branco e peludo próximo a cama.
   - Apenas vovó. – Daniel assentiu com um sorriso tímido e Jenny orgulhou-se de vê-lo sorrir. – Está com fome Daniel? – Perguntou e Dan balançou a cabeça negando, mas a escola de samba em seu estômago o fez ficar vermelho de vergonha enquanto Jenny e a Sra. Short gargalhavam. – Vamos tomar café da manhã? Nós temos panquecas, pães e bolo de chocolate. – Jenny riu consigo mesma ao ver o brilho diferente nos olhos de Daniel quando a avó disse “bolo de chocolate”. Lizzie tinha contado que Dan adorava chocolate.
   - Vem, vamos tomar café. – Jenny estendeu a mão para Dan e sorriu o encorajando. Daniel, por mais danado que fosse, era tímido. – Um sorriso uma fatia de bolo de chocolate. – Dan forçou um pequeno sorriso e roubou um selinho de Jenny antes dela o conduzir para a cozinha praticamente o arrastando já que ele fazia corpo mole só para pirraçá-la como ele sempre fazia com Elizabeth.

A casa de Jenny era um típico lar repleto de amor e carinho. Dan sabia que Jenny vivia apenas com a avó, a irmã, o tio mais velho e a mãe. Ele ainda não tinha conversado diretamente com Alex, pois tinha receio porque ela parecia não gostar dele e sempre mudava de personalidade ficando completamente agressiva com a Jenny quando ele estava por perto. Deveria ser algo relacionado à Demi, Dan tinha certeza que era. Na internet tinha algumas matérias sobre uma suposta briga entre as duas, mas não era nada confiável e detalhado. Então Daniel resolveu adiar a conversa com Alex sempre para o futuro, pois não queria perder Jenny sobre hipótese alguma, ele a amava muito.

   - Ei Jenny, quem é esse rapazinho? – Dan sorriu envergonhado ao ver o tio de Jenny adentrar a cozinha um tanto sonolento.
   - Daniel, meu namorado. – Disse a menina também envergonhada. – Dan, esse é o meu tio Peter. – Daniel levantou-se com toda a coragem do mundo para cumprimentar o rapaz com um aperto de mão e depois receber um sorriso divertido.
   - Está tudo bem, eu não vou te bater cara. – Disse Peter sorrindo e Dan finalmente voltou a respirar normalmente ao perceber que o tio de Jenny era brincalhão.
   - Daniel passou a noite conosco Peter, a mãe dele precisa de orações, ela está internada. – Pela primeira vez Dan não se sentiu tenso com aquele assunto e aceitou de bom grado a fatia de bolo de chocolate que a avó de Jenny lhe serviu.
   - Meggy, você quer bolo? – Perguntou Jenny a menininha mais nova de cabelos claros e olhos escuros.
   - Nós podemos assistir tevê? Eu não quero perder a programação da manhã do Disney Channel. – Daniel sorriu discretamente ao observar a irmã mais nova de Jenny olhá-la com falsas lágrimas nos olhos e as mãozinhas juntas como quem está orando, elas eram tão parecidas, exceto a cor dos olhos. Jenny tinha olhos cor de mel, não como os de Lizzie, que tinha um leve esverdeado, eram exatamente como a cor do mel, e os de Meggy eram castanho-escuros.
   - Vamos bebê, não seja uma menina malvada, coma um pedacinho de bolo de chocolate e você pode assistir tevê. – Dan se lembrou de alguém que sempre fazia a mesma coisa quando ele era pequeno.. Era tão bom acordar nas manhãs de inverno e correr para o sofá da sala arrastando a sua mantinha verde para aquecer-se e assistir televisão a manhã toda.. mas a mamãe sempre o levava para a cozinha no colo e o fazia comer todo o café da manhã que tinha preparado.
   - Jeniffer? Mamãe? – Daniel congelou ao ouvir aquela voz família.. Deus! O que seria dele? – Megan? A mamãe chegou b.. bebê. – As micropartículas que compunham o ar estavam congeladas, ouvia-se apenas o coração de Dan mudando de ritmo enquanto Alex o olhava de cima a baixo. O rapaz estava com as calças jeans cheias de bolsos amassadas, a camisa branca não estava diferente assim como a blusa de capuz. Sem contar os cabelos escuros lisos desgrenhados. – Jeniffer! O que esse garoto está fazendo aqui? – Perguntou Alex furiosa largando as sacolas no balcão da cozinha. – Eu saio para trabalhar e você me aparece com esse moleque! – Daniel não sabia o que fazer, estava tão envergonhado e aflito por ter colado Jenny numa situação embaraçosa como aquela..
   - Ele é o meu namorado! – Disse a garota se levantando.
   - Será que ele vai ser o seu namorado quando você estiver grávida e sozinha nas ruas? – Rebateu Alex fazendo o sangue de Dan começar a ferver. – Esse moleque só quer se aproveitar de você fingindo ser um coitadinho enquanto aquela doente da mãe dele está em coma no hospital. Aliás, ela bateu a cabeça na pia ou ficou muito louca querendo cheirar e fumar os próprios filhos? Porque aquela lá é pior que o Bob Marley e a Amy Winehouse juntos. – Daniel tinha os olhos tão arregalados, parecia um menino assustado e amedrontado, mas antes que Alex pudesse dizer qualquer outra palavra a Sra. Short a repreendeu bravamente.
   - Alex! – Gritou a mulher um tanto nervosa e embaraçada com a situação criada pela filha.
   - Jenny.. Eu acho melhor eu.. ér, eu vou voltar para o hospital. – Dan levantou-se bruscamente quase tombando a mesa de tão nervoso. – Desculpa.. – Murmurou tentando organizar os utensílios de porcelana sobre a mesa com as mãos trêmulas.
   - Eu te odeio. – Sussurrou Jeniffer para a mãe enquanto puxava Daniel para longe daquela cozinha. – Por favor, me desculpa. – Disse tão envergonhada e prestes a cair em choro.
   - Está tudo bem.. – A voz do garoto estava tão falha e baixa. Jenny amaldiçoou a própria mãe por ser tão estúpida a ponto de machucar o rapaz que ela tanto amava. Agora Daniel estava pior do que chegara em sua casa, chegara a tremer.
   - Daniel, por favor, me desculpa. – Pediu a menina mais uma vez e Dan balançou a cabeça enquanto caminhava desesperadamente para a porta de saída.
   - Está tudo bem, ok? Eu só vou para cas.. o hospital. – Dan forçou um pequeno e atordoado sorriso e saiu o mais rápido que conseguira daquela casa deixando Jenny com o coração apertado. 
(...)

O ambiente era insuportável. As paredes brancas e a sala de espera pouco vazia, os corredores pareciam ser frequentados apenas pelos médicos que às vezes passavam correndo ou tomando café em xícara de porcelana. Daniel acabara de chegar da pior viagem de taxi de toda a sua vida. Ele quase vomitou todo o bolo de chocolate e se sentiu tonto na maior parte do tempo. Elizabeth não estava na sala de espera parecendo mais parte da mobília da mesma que cheirava a éter, Lizzie deveria estar com Eric e Dan nunca pensou que ficaria tão feliz por saber que a irmã estava com o namorado. Não tinha nada para fazer naquele hospital, e mesmo se tivesse Dan não se interessava em se distrair. Era tão agonizante o diagnóstico do coma. Você jamais saberia se a pessoa que você tanto ama voltaria ou não. Daniel adentrou as mãos nos bolsos das calças e pôs-se a caminhar mesmo sabendo que não era permitido perambular pelos corredores do hospital. Quando deu por si estava em frente à porta branca que tanto temia. Talvez Jenny tivesse razão.. Ele só iria vê-la por alguns minutos. Inalando uma bela quantidade de ar, Daniel levou a mão à maçaneta da porta e mordeu o lábio inferior antes de girá-la.. Coragem.. Coragem.. A consciência gritava cheia de fôlego. A porta cedeu ao pequeno impulso exercido por Dan em uma brecha e então, de olhos fechados, Dan deu um passo a diante e abriu mais a porta.

Bip.. Bip.. Bip.. Esse era o único som naquele quarto, mas logo o barulho da porta se fechando e os soluços de um garoto preencheu o ambiente, e Daniel jurava poder escutar o próprio coração pular com força. Lá estava ela, sozinha e deitada em uma cama com inúmeros aparelhos conectados em si. Só de pensar que se um daqueles falhasse a mãe perderia a vida, Daniel sentiu um grande aperto no peito que quase lhe tirou a vida. Sentindo-se arrebatado por dentro, Dan caminhou até a cama e estudou a mulher deitada com os olhos, soluçou e levou a mão à boca enquanto no peito o coração parecia espremer.

   - Mamã.. – Sussurrou enlaçando os dedos aos dela. – Mamãe..  – Tornou a sussurrou deixando as lágrimas correrem livremente pelo rosto. – Você pode me ouvir? Por favor, se puder, volta logo, eu não suporto mais ficar um dia sem você. A sua Beth está tão mal, eu estou tão preocupado mamãe. Eu queria muito que você estivesse aqui para cuidar da gente, para dizer que tudo vai ficar bem, mas você não está. – Dan limpou rapidamente as lágrimas e voltou a segurar a mão de Demi com mais força. – Agora eu entendo que você só queria me proteger de tudo.. Eu fui tão estúpido! Tão estúpido! Tão estúpido, mas eu a amo tanto, tanto.. Eu não posso ficar sem ela. – Agora ele entendia do que Demi estava o protegendo e se sentia como um estúpido por não ver o óbvio. - Por favor, me perdoa, eu não quero mais sentir isso.. Eu não quero! Porque dói tanto. Eu não te odeio, você é a mulher que eu mais amo em toda a galáxia. Fala comigo! Por favor! Eu quero que você volte logo mãe! Por favor, volta logo, por favor.. – Daniel fechou os olhos e soluçou entre o choro como sempre fazia quando era apenas um bebê. – Mamãe.. Volt.. – Os olhos verdes se arregalaram enquanto o coração saltava mais ainda. Daniel gaguejou e estava imóvel sentindo a mão ser apertada pela de Demi.

Continua... Feliz natal para vocês! Como vocês estão? Eu estou bem graças a Deus.. Então, a Demi acordou? O.O Até o próximo capítulo, obrigada pelos comentários :)

19.12.14

Capítulo 40

Fé é uma palavra muito pequena com um significado muito complexo. A fé era a ponte entre o homem e Deus, quanto mais fé, mais próximo você está do pai. Joe beijou a mão de Demi e arrumou a coberta em seu corpo protegendo-a do frio da manhã. No relógio marcavam sete e meia da manhã, e Joe já estava de pé, pois iria à igreja às oito e meia.
   - Eu prometo não demorar. - Disse carinhosamente brincando com os dedos da mão esquerda de Demi. - Eu vou voltar daqui uma hora para ficar com você bebê. - Um suspiro triste e a testa de Demi foi selada com um beijinho demorado. Joe deixou o quarto indeciso, queria tanto ficar o tempo todo ao lado de Demi a espera dela despertar daquele sono profundo, mas por outro lado sabia que deveria ir à igreja pedir por ela.

Nos corredores do hospital circulavam poucas pessoas, entre estas estavam os funcionários do hospital e os acompanhantes dos pacientes. Joe caminhou com as mãos nos respectivos bolsos das calças longe daquela realidade, pensava apenas em Demi e na besteira que ele tinha feito. Infelizmente se culpava mesmo depois das palavras de Nick, se culpava porque sabia que tinha culpa, que se ele não estivesse agindo como um idiota como tinha agido, Demi estaria com ele, mas agora era tarde demais, culpar-se não faria diferença alguma naquela altura do campeonato.

   - Estão prontos? - Perguntou ao ver Daniel e Elizabeth. Cada qual mais desanimado que o outro, Daniel não falava nada, não fazia nada, simplesmente preferia ficar quieto. Elizabeth às vezes chorava, às vezes ficava inquieta e às vezes quieta demais. Um se culpando mais que o outro.
   - Oi pai. - Disse Lizzie o abraçando. - Nós temos mesmo que ir? Eu não estou me sentindo bem. - Joe franziu o cenho ao olhar nos olhos da menina e encontrá-los completamente desanimados, Lizzie parecia tão cansada.
   - Eu gostaria que nós três fossemos orar pela mãe de vocês. - Disse rapidamente olhando para Daniel. - O que você está sentindo anjinho? - Perguntou mimando-a.
   - Estou com dor de cabeça e me sinto um pouco tonta . - Disse a menina tão manhosa e Joe quase sorriu, Lizzie era a cópia perfeita de Demi tanto na aparência quanto no quesito de ser completamente manhosa.
   - Hum.. Deixa o papai vê. - Joe levou a mão à testa da menina e suspirou ao perceber que Lizzie estava febril. - Acho que você está com febre. - Disse preocupado. - Só está tonta? - Perguntou verificando a temperatura da menina mais uma vez.
   - Só.. - Joe alcançou a blusa de frio de Lizzie na cadeira e a envolveu com a menina.
   - Vamos atrás de um médico. - Elizabeth grunhiu, mas agarrou-se ao pai emburrada. Lizzie não era fã número um de hospital e médicos.. Bem pelo contrário, odiava-os, por isso sempre evitava ficar doente..
   - Nós temos mesmo que falar com um médico? - Daniel revirou os olhos por conta do drama desnecessário da irmã. Se ela não estava se sentindo bem e provavelmente estava com febre, era mais que óbvio que eles precisavam consultar o médico.
   - Meu anjo, é melhor falarmos, e se você estiver doente? - Disse Joe a olhando. Deveria ser a primeira vez que Joe levava um dos filhos para consultar com o médico depois de grandes, quem sempre o fazia era Demi, e depois do diagnóstico ela os mimava tanto que eles ficavam bons rápido.
   - Pai. - Ronronou a menina e Daniel tornou a revirar os olhos os acompanhando.
   - Lizzie, deixa de ser manhosa, é para o seu bem. - Disse o garoto surpreendendo o pai e a irmã. Depois da fala de Dan o silêncio reinou entre os três até que Joe parou um médico e lhe perguntou se ele poderia atendê-lo.
   - Sr. Eu não posso atendê-lo, sou ginecologista. - Disse o médico de cenho franzido.
   - Tudo bem, obrigado. - Joe foi o mais rápido possível para a recepção e exigiu um médico para atender Lizzie. Daniel o observava tão surpreso, nunca tinha visto o pai tão preocupado como ele estava.
   - Dr. William Callahan os atenderá. - Disse a recepcionista um tanto constrangida por conta das exigências de Joe. Como não pensara nisso? Callahan era médico! Deveria ter o procurado.
Quando chegou ao escritório do médico que cuidava de Demi, Joe deu duas batidas à porta e a abriu quando a voz masculina de William soou dizendo que eles poderiam adentrar o escritório.
   - Está tudo bem Sr. Jonas? - Perguntou o médico educadamente apertando a mão de Joe e logo a das crianças com um sorriso simpático nos rosto.
   - Acho que a minha menina está com febre. - Disse preocupado. - O Sr. pode examiná-la? - Perguntou e William assentiu.
   - O que a srta. está sentindo? - De repente Lizzie estava encolhida e intimidada pelo médico e seus instrumentos. - Pode sentar-se querida? - A menina sentou-se na beirada da maca e apenas assentia ou negava conforme William a questionava. - O que você está sentindo? - Perguntou.
   - Estou com dor de cabeça, um pouco tonta e papai acha que estou com febre. - Lizzie fez careta quando William puxou o termômetro do bolso do jaleco e pediu que ela o colocasse entre o braço.
   - Ela está bem? - Perguntou Joe aflito conforme os minutos se passavam e William examinava a menina e anotava na prancheta.
   - Sua menina está bem Sr. Jonas. - Disse William por fim para o alivio de Joe. Já não bastava Demi em uma cama e em coma.. Seria péssimo se Lizzie ficasse doente. - Acredito que esta mocinha está muito estressada, precisa se alimentar direito querida e descansar. - Disse William olhando para Lizzie um tanto preocupado e logo para Joe.
   - Não é nada grave? - Perguntou mais aliviado.
   - Não tem que se preocupar, Lizzie está apenas com uma pequena elevação de temperatura, nada grave ou nocivo à saúde. - O diagnóstico de Lizzie era nada mais que preocupação e culpa. A menina tinha passado a noite em claro no hospital culpando-se por a mãe está em coma. Diabos! Se ela tivesse contado para o pai nada disso estaria acontecendo.
   - Eu vou ficar bem papai. - Disse a menina abraçando o pai de lado.
   - Tudo bem, não é nada grave. - Disse Joe tentando convencer a si mesmo. - Obrigado doutor. - Joe estendeu a mão para o homem mais velho num gesto de gratidão.
   - Estamos às ordens. - Joe assentiu com um pequeno sorriso enquanto caminhavam para fora do consultório. - Verifique a temperatura da menina no decorrer do dia, se a temperatura subir me procure. - Joe assentiu e eles voltaram a caminhar pelos corredores sem vida do hospital. Aquele ambiente era completamente moldado a uma falsa alegria, as paredes brancas assim como o chão claro, alguns vasos de flores e pinturas alegres nas paredes tentavam disfarçar a tristeza que existia ali.
   - Você ainda quer ir à igreja? - Perguntou Joe carinhosamente para a menina a abraçando de lado.
   - Sim, vai ser bom.. - Limitou-se a falar e Joe beijou a testa de Lizzie a acolhendo ainda mais ao seu lado. - E você Daniel? - Perguntou ao garoto calado.
   - Eu gosto de ir à igreja. - Joe assentiu com um meio sorriso e eles seguiram para o carro que estava no estacionamento.
   - Posso deixá-los em casa quando acabar o culto, tudo bem? - Joe adentrou o carro a espera de uma resposta dos filhos. Daniel acomodou-se nos bancos de trás e Lizzie no banco do carona.
   - E você? Não vai para casa? - Perguntou a menina enquanto o pai media a sua temperatura completamente preocupado.
   - Não.. Eu vou ficar com a mãe de vocês. - Na noite passada quando Joe saíra para tomar um ar, ele se assustou ao ver a quantidade de pessoas acampadas aos arredores do hospital. Eram adolescentes, adultos e paparazzis, estes o cercaram não deixando o carro passar. Bem, agora que já era dia, o número de pessoas da noite passada pareceu elevar-se em uma escala absurda. Joe buzinou mais do que dirigiu, tentou ser paciente, mas quando os paparazzis começaram a bater nos vidros das janelas das portas do carro a raiva tentou dominá-lo e ele ameaçou avançar o carro assustando a todos.
   - Você deveria ligar para a polícia. - Disse Daniel de cenho franzido enquanto o pai guiava o carro para fora daquela multidão pacientemente.
   - Temos que ter paciência filho.. - Disse quando eles finalmente saíram daquele engarrafamento de pessoas. Daniel deu de ombros sem falar nada e Lizzie ligou o rádio na tentativa de conseguir preencher aquele silêncio constrangedor.
   - Se você quiser eu posso tirar. - Disse Lizzie quando Give me Love começou a tocar.. Todos agora sabiam o porquê daquela música e o porquê de Demi sempre chorar no trecho "And I'll fight my corner.. Maybe tonight I'll call ya.. After my blood turns into alcohol.. No I just wanna hold ya.". Ela estava dizendo o tempo todo como se sentia.. o que estava fazendo e ele não percebeu.
   - Está tudo bem. - Joe forçou um sorriso para a menina sem desviar os olhos do trânsito guiando o carro para a modesta e acolhedora igreja que ficava na parte norte de Los Angeles. 

Como Nick disse, o culto começaria às oito e meia da manhã e assim aconteceu. Joe sentiu-se um pouco deslocado nas primeiras palavras do pastor. Estava sentado nos bancos intermediários ao lado de Denise e Paul, eles pareciam tão orgulhosos, principalmente Denise que se emocionou ao vê-lo chegar e o envolveu num abraço bem apertado dando as boas vindas a sua volta a igreja. Miley, Nick e Bryan estavam logo a frente, os pais de Demi com Anne nos bancos esquerdos assim como Kevin, Danielle e Alena.

   - Meus queridos, estamos aqui reunidos em mais uma manhã para celebrarmos o nosso senhor Jesus, agradecê-lo por tudo que temos e pedir por quem amamos. Por favor, fechem os olhos para a nossa oração. - Em todo o momento Joe pedia por ela, pedia para que Deus a salvasse, que ele permitisse que ela vivesse.. O coração pulava cada vez mais em seu peito, em seus veias corria uma força que o fazia acredita que tudo ficaria bem.. que lhe dava força para continuar. - Hoje estudaremos as três coisas mais importantes na vida de um homem. O amor, a fé e a esperança. - Ainda deslocado, Joe sentou-se quando todos se sentaram, e aguardou ansiosamente a próxima palavra.
   - Você consegue procurar na bíblia meu amor? - Sussurrou Denise lhe estendendo sua bíblia já que Joe viera de mãos batendo.
   - Eu posso ajudá-lo. - Disse Elizabeth recebendo um sorriso orgulhoso da avó.

   - Sabemos que Abraão é o pai da fé. - Começou dizer o pastor. - Mas que fé era esta? A palavra de Deus nos diz que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus. Abraão ouvia a voz de Deus e as palavras do Senhor eram a base de sua fé. Confiado nas promessas de Deus ele direcionou toda sua vida. À medida que o Senhor falava com ele sua fé era alimentada e mais confiante se tornava. A fé é o que liga o homem a Deus, é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem. Essa pequena palavrinha com o significado mais que complexo é tudo que nós precisamos, pois ela é o caminho para o Senhor. - Joe ouvia atentamente cada palavra e as guardavam como quem guarda um tesouro. - Todos nós temos um pouquinho de fé. Fé que amanhã será um dia melhor, fé nas pessoas e fé num mundo melhor. A fé que nós precisamos é a fé que nos liga ao Senhor, porque nele tudo podemos. Deus é fiel a aqueles que são fiéis a ele. Deus sabe do que precisamos e quando precisamos, ele tem o seu tempo e nós o nosso. - Aquela era a resposta. A sementinha da fé estava plantada em seu peito e se expandiria em firmes raízes. - A esperança nada mais é que esperar pelo melhor, esperar que tudo dê certo. A esperança é a última faísca de uma fogueira, é a última que morre. Mas a esperança que se vê não é esperança. Quem espera por aquilo que está vendo? Mas, se esperamos o que ainda não vemos, aguardamo-lo pacientemente. - Joe sabia que precisaria ter fé em Deus para que ele curasse Demi. Fé ele já tinha, uma fé um pouco longe e apagada.. Mas esta ainda era a sua fé, ele teria que exercitá-la através da palavra do Senhor para que a sua fé torna-se firme e libertadora sendo assim encontraria a Deus e imploraria de joelhos para que tudo ficasse bem. - Meus queridos, a fé liga o homem a Deus, a esperança é esperar o melhor que só Deus pode nos dar.. E o amor aquece o coração do homem e aplaca a sua alma perturbada. Quem seriamos nós pobres humanos sem o amor? Temos a Deus e o amamos de todo o coração, Deus preenche o nosso vazio e alimenta a nossa alma com a esperança. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor meus queridos. - Joe franziu levemente o cenho enquanto escutava as palavras vindas da voz que conhecia há anos.. 

 "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor. - 1 Coríntios 13:1-13". - 


O amor que ele sentia por Demi o consumia e o aquecia, confortava-o e agora o fazia crer que ele precisava ter fé no Deus que era o amor, que ele precisava ter esperança que ela voltaria para ele pelas mãos de Deus. Ter fé era tudo que ele precisava ter, e teria; A esperança vinha logo depois da fé; e o amor, bem, Joe já o tinha plantado em seu peito e enraizado na sua alma.

   - "Querido Deus, sei que estive longe por muito tempo, que tracei caminhos que não lhe agradara, mas peço a ti que me perdoe por tudo que fiz. Por quem eu era. Sei que não fui correto, que fui corrupto, ciumento e injusto, mas eu não passo de um pobre humano. Só peço que não tire a minha menina de mim, O Senhor é justo e sei que não me causará mais essa dor, porque já dói tanto tê-la inconsciente naquela cama.. Eu prometo que vou fazer tudo diferente, eu vou amá-la como ela merece ser amada, eu vou cuidar da minha família como ela merece ser cuidada e prometo que vou agradecer de joelhos todas as noites por tudo que o Senhor me deu, só não a tire de mim, porque eu a amo com todo o meu ser.". - Em sua oração Joe clamara com fé porque ele era apenas amor; e o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Continua... Olá! Como vocês estão? Eu estou bem. Espero que vocês gostem do capítulo, eu não sabia como escrevê-lo por isso demorei.. Bem, agora o Joe tem que ter fé que tudo ficará bem com a Demi, porque se ele continuar chorando e se culpando as coisas só vão piorar.. E nós não precisamos de mais problemas, certo? Até eu estou super ansiosíssima para que a Demi acorde logo desse coma, sinto falta dela </3
Eu sinceramente espero que vocês estejam gostando da fanfic, sei que os últimos capítulos foram tensos.. mas prometemos (Me and Leka) que as coisas vão melhorar bastante. Beijos anjos, e um super obrigada pelos comentários e por esperar a srta. enrolada aqui escrever e postar :)

15.12.14

Capítulo 39 - Maratona 5/5

Nick bateu levemente à porta do quarto, esperou por uma resposta, mas ela não veio. Coragem, pensou. Ainda não tinha visitado Demi porque não tinha coragem de fazê-lo. Demi era a sua amiga desde quando ele tinha apenas quinze anos, considerava-a como uma irmã-melhor-amiga e o coração doía apenas de imaginá-la inconsciente numa cama de hospital viva por conta da ajuda das máquinas. Um pouco nervoso, Nick girou a maçaneta da porta e a abriu sem barulho, mas não adentrou o quarto. Às vezes as pessoas dizem que um homem não pode chorar, que um homem tem que ser sempre forte. Naquele momento que o mundo o julgasse, pois seus olhos estavam carregados de lágrimas e o seu coração apertado. Uma lágrima solitária rolou pelo rosto de Nick ao vê-los. Demi estava deitada na cama coberta dos pés até o pairar do busto, a sua volta tinha uma série de aparelhos que estavam conectados a ela. Era tão injusto não poder ver aquele sorriso lindo nos lábios dela que dizia que tudo ficaria bem, a energia gostosa de estar ao lado dela.. Tudo parecia tão perdido, tão errado.. Nick desviou os olhos da amiga para encontrar Joseph sentado em uma poltrona praticamente colado à cama. Ele tinha a cabeça perto do ombro de Demi e brincava com os dedos da mão esquerda dela enquanto sussurrava palavras que Nick não conseguia entender para Demi em meio das lágrimas que rolavam por seu rosto. Iria fechar a porta e voltar outra hora, era insuportável ver o estado de Joe e seria pior ainda quando ele notasse a sua presença e começasse a discutir.
   - Nick? - Tarde demais. A porta rangeu e Nick umedeceu os lábios olhando para o lado tentando disfarçar o choro.
   - Oi, desculpa eu só.. - Disse confuso. - Eu estou de saída. - Antes que Nick pudesse deixar o quarto, Joe o chamou para a surpresa do irmão. Mais familiarizado, Nick finalmente adentrou o quarto e fechou a porta. O que iria conversar com Joe? Eles não se falavam desde a discussão na gravadora praticamente há um mês. - Eu vim entregar algo. - Nick caminhou até Joe um tanto receoso e estendeu o modesto envelope para o irmão.
   - O que é isso? - Nick quase pulou para trás pensando que Joe o atacaria ou algo do tipo.
   - Você vai saber. - Joe pegou o envelope das mãos do irmão enquanto o olhava nos olhos. Nick sustentou o olhar de Joe sentindo-se de coração partido por ver o quão triste o irmão estava. - Como você está? - Perguntou desviando o olhar de Joe para Demi.
   - Não sei.. eu só estou com medo. - Sussurrou e Nick fechou os olhos de cenho franzido e logo o olhou.
   - Você tem que ter fé, ela vai ficar bem. - Disse com toda a força que tinha.
   - E se ela não ficar Nick? O que eu vou fazer da minha vida? - Um lágrima grossa rolou pelo rosto de Joe e caiu molhando o envelope.
   - Ela vai ficar bem Joe, confia em Deus. - Joe pôs-se cabisbaixo enquanto as lágrimas começavam a rolar ainda mais.
   - Eu não sei o que fazer, eu não sei o que pensar.. - Nick levou a mão ao ombro do irmão e respirou fundo.
   - Nós somos irmãos Joe, você não precisa sentir essa dor sozinho. - Quando Joe se levantou e o abraçou calorosamente, Nick não pensou duas vezes antes de abraçá-lo mostrando que sempre estaria ali para ele. - Apenas confie em Deus, ele vai trazer a sua menina de volta. - Joe assentiu o olhando. A última vez que Nick o viu chorar foi quando ainda eram pequenos, depois ambos cresceram, eram homens cada qual com a sua família.
   - Eu vou confiar. - Disse Joe entre um soluço e outro. - Obrigado cara, obrigado por estar do meu lado. - Nick esboçou um pequeno sorriso. - Eu me sinto tão ridiculamente idiota Nick. - Disse suspirando pesado.
   - Nós podemos conversar, o que você acha? - Joe olhou para Demi e entrelaçou os dedos aos dela por alguns segundos antes de seguir Nick deixando o envelope sobre o braço da poltrona.
   - Você não vai me obrigar a comer, vai? - Perguntou ao perceber que eles caminhavam rumo ao refeitório.
   - Vamos para um lugar mais reservado. - Joe riu junto com Nick e eles continuaram a caminhar pelo corredores do hospital até que encontraram uma espécie de jardim. - Está bom aqui para você mocinha? - Joe riu e o acertou no ombro com um soquinho enquanto eles se sentavam num banco. Nick se sentiu tão bem por fazê-lo rir, era insuportável ver Joe triste.
   - Eu.. É como se o mundo fosse desabar e a culpa fosse toda minha. - Começou a dizer. - Eu magoei a Demi com o meu ciúme bobo, magoei a Lizzie e o Dan mal fala comigo. Sabe, eu sempre briguei com a Demi por causa do tamanho das saias e daqueles vestidinhos que ela usava porque sempre que nós saímos juntos todos os homens a olhava como se ela fosse.. Eles a olhava e eu brigava com ela. Eu deveria me orgulhar da minha mulher. Agora eu sei que tudo que ela queria era se sentir bem consigo mesma, mas eu não deixava. - Nick sabia como Joe era ciumento e sempre proibia Demi de vestir as roupas que ela queria. - Se eu não fosse tão idiota ela estaria aqui comigo, mas eu cismei com você e ela não quis mais olhar na minha cara. - Joe tinha um sério problema de ciúme quando se tratava de Nick, o que deixava Demi irritada, pois eles eram amigos e nada mais.
   - Joe, eu nunca quis a sua mulher. - Suspirou. - Eu amo a Miley e quero apenas ela. - Joe assentiu sem olhá-lo. - A Demi é apenas a minha amiga, a minha melhor amiga e eu a amo como se ela fosse a minha irmã. - Nick e Demi sempre tiveram uma amizade sincera e bonita. - Logo quando nós a conhecemos no estúdio, confesso que eu tinha uma pequena quedinha por ela, mas eu sempre soube que ela era sua. - Joe arqueou as sobrancelhas e riu de leve ao se lembrar do dia que conheceu Demi. Joe tinha certeza que ela não tinha gostado nenhum pouquinho dele, mas ele tinha a adorado. Demi era uma menina simpática e humilde, e não demorou muito para conquistá-lo.
   - Está tudo bem, isso está no passado e não importa mais. - Nick sorriu aliviado, pois não gostava daquela pequena rivalidade na sua amizade com Joe. - Eu só queria ter feito as coisas de um jeito diferente, ter dado mais atenção para a minha família. - Disse ao se lembrar das palavras de Lizzie. - Eu sempre passei tanto tempo no escritório trabalhando para manter a nossa vida financeira e os esqueci. - Joe trabalhava duro porque queria dar tudo que Demi e as crianças pediam, ele tinha reconhecimento no que fazia, mas em troca perdia todo o seu tempo sentado em uma cadeira coordenando uma empresa.
   - Não se culpe, eu sei como você se sente. - Disse Nick e Joe o olhou. - Pense que tudo que você estava fazendo era para o bem deles, você sempre quis proteger a sua família e oferecer o seu melhor. - Joe desviou os olhos dos de Nick e abaixou a cabeça.
   - E o meu melhor acabou com a minha família! Demi está em coma e a culpa é minha Nick! - Nick olhou para Joe e suspirou fundo ao vê-lo chorar.
   - Joseph, pelo amor de Deus, a culpa não é sua! - Disse como se fosse óbvio. - Só a Demi pode dizer o que aconteceu. Agora você tem que ser forte por você e por seus filhos. Daniel e Elizabeth não estão bem, imagina como deve ser confuso para eles, eles não entendem o porquê dessa confusão, e se você continuar chorando como um bebê as coisas só vão piorar. Você vai ficar doente, os seus filhos vão ficar doentes e quando a Demi acordar ela vai ter que cuidar de um bando de gente doente! Você tem que ter fé Joe, procurar a Deus e pedir que ele traga a Demi de volta, porque só ele sabe de todas as coisas, só ele que vai consegui preencher esse vazio e acabar com essa dor. - Nick frequentava a igreja desde que era apenas um menino e mesmo depois de casado continuava a frequentar junto com Miley e Bryan, eles tinham o hábito de passar toda a manhã do domingo na igreja agradecendo a Deus por tudo que tinham. - Você se lembra de quando nós íamos à igreja? Eu, você, a Demi, a Miley, o Kevin e a Dani? - Perguntou e Joe se lembrou de quando ele frequentava a igreja junto com Demi, mas conforme o tempo se passou aquele hábito se perdeu. Os únicos da casa que iam à igreja era Daniel e Elizabeth com os pais de Demi no domingo. - Olha, eu tenho que ir. - Disse ao sentir o celular vibrar no bolso da calça. - Nós vamos à igreja amanhã orar pela Demi, por que você não vem conosco? - Joe demorou alguns segundos para responder e assentiu. - Eu não quero que você se culpe, não quero que você chore, dê força aos seus filhos e ainda hoje peça a Deus que ele traga a Demi de volta, tudo bem? - Joe levantou-se junto com o irmão e o abraçou.
   - Sim. Obrigado por tudo Nick. - Disse apoiando a mão no braço do irmão.
   - Não me agradeça, irmãos são para isso. - Nick o abraçou mais uma vez completamente satisfeito por ter recuperado a amizade que eles tinham. - Nós estamos orando pela Demi. - Joe assentiu com um pequeno sorriso. Pela primeira vez desde que chegara naquele hospital ele não se sentia tão culpado, era como se a metade daquele peso que o esmagava sumisse. - Lembre-se Joe, procure Deus. - Joe assentiu e eles trocaram um toque de mãos que faziam desde pequenos.
   - Tchau Nick. - Joe forçou um pequeno sorriso e seguiu o caminho diferente do irmão. Nick tinha razão, a culpa não era apenas dele.. Joe caminhou despreocupadamente até o quarto de Demi. - Oi bebê. - Disse se aproximando da cama. - Eu conversei com o Nick, Dem.. Eu até me sinto um pouco feliz, sabe? A nossa amizade voltou e amanhã eu vou à igreja orar. - Joe beijou a mão de Demi carinhosamente e ajeitou a coberta no corpo dela. - Minha pequena, eu sei que você vai ficar bem e eu juro que vou te fazer a mulher mais feliz do mundo. - Joe depositou um beijo demorado na testa de Demi com todo o amor que tinha. - Eu te amo. - Disse se sentando na poltrona com os dedos juntos aos dela. - Eu estou com saudades de você bebê, quando você vai voltar para mim Dem? - Não tinha jeito, ele sempre acabava chorando. Joe deitou a cabeça na beirada da cama e deixou as lágrimas rolarem por seu rosto.
 Os minutos se passavam e as lágrimas apenas rolavam enquanto Joe revivia tudo que tinha vivido com Demi minuciosamente, até que ele se lembrou do que Nick pediu e limpou as lágrimas. 
   - Eu vou ser forte e vou cuidar dos nossos bebês. - Disse dando um beijinho carinhoso na mão de Demi.
 Joe acomodou-se na poltrona ainda com os dedos juntos dos de Demi, respirou fundo e fechou os olhos para descansar, mas a lembrança do envelope que Nick trouxe mais cedo o deixou completamente curioso. O que tinha ali dentro? Relutante, Joe deixou os dedos de Demi e pegou o envelope no braço da poltrona. Examinou-o mais uma vez e assim que iria abri-lo a porta do quarto se abriu.
   - Boa noite Sr. Jonas. - A enfermeira o cumprimentou. - Nós vamos cuidar da Demi, tudo bem? - Uma pessoa em coma é como qualquer outra pessoa, mas está apenas inconsciente. Demi era alimentada com nutrientes e líquidos por uma sonda via nasoenteral, um tubo flexível que era inserido pelo nariz que ia até a primeira parte do intestino.
   - Tudo. - Joe levantou-se e depositou um beijo na testa de Demi e saiu do quarto levando consigo o envelope, ele não podia assistir aos procedimentos realizados pelos médicos e enfermeiros, e mesmo se assistisse passaria mal.. 
Ao passar pela sala de espera encontrou todos dormindo, Elizabeth ainda colada em Denise, e Daniel com Dianna. Para onde ele iria? Talvez se ele fosse dar uma volta ajudaria a esquecer um pouco toda aquela bagunça, não que ele quisesse esquecer, mas porque sabia que se ficasse o tempo todo em alerta acabaria enlouquecendo. Quando percebeu já estava dentro do carro dirigindo pelas ruas pouco movimentadas de Los Angeles por conta do horário. Joe olhou para o envelope sobre o banco do carona e subiu uma rua que levava para um lugar conhecido...
Na última vez que Joe tinha ido naquele lugar Demi estava com ele.. Joe não se cansava de comparar as sardas de Demi com o céu estrelado e de beijá-la. Céus! Como ele sentia falta do beijo dela, do corpo dela se roçando ao dele. O motor do carro foi desligado e Joe abaixou o banco do motorista para relaxar. Assistir as estrelas era como ver o rosto lindo de Demi próximo ao seu. De olhos fechados Joe respirou fundo e concentrou-se para se lembrar do gosto do beijo dela, das poucas palavras sussurradas em seu ouvido enquanto as pequenas mãos femininas o arranhava nas costas e nos braços. Em outro suspiro Joe abriu os olhos sabendo que não seria interessante pensar naquilo.. Então ele se lembrou do envelope que o esperava no banco do carona e acendeu a luz do interior no carro..
Era a letra de uma música inacabada e cada verso o lembrava de uma situação.. Principalmente aqueles versos. "Strong enough to leave you... but weak enough to need you.. cared enough to let you walk away..". Ela tinha cedido a aquele beijo no ônibus, tinha o chamado o tempo todo enquanto cantava give me love, mas o mandou embora porque sabia que iria machucá-lo quando ele descobrisse que ela estava bebendo. Joe buscou uma caneta no porta malas e concentrou-se em rabiscar.
   - In case you change your mind, I’ll be waiting... - Joe coçou os cabelos da nuca com a caneta e logo anotou. - in here.. In case you just want to come home - Ele a esperaria, não importava o quão fraca Demi tinha sido, ele sempre estaria a esperando. - In case I looking in that mirror, one day and miss your arms, how they wrapped around my waste - Sentia tanta falta de quando Demi o abraçava por trás e lhe beijava as costas, de como ela o aquecia e dizia que o amava. Joe cantarolava baixinho em um ritmo triste qualquer e escrevia mais alguns versos.. - Oh, I'm missing my love.. - Ao escrever aquele verso Joe deixou uma lágrima rolar e borrar "my love".. Sentia tanta falta da sua menina.

Continua.. Olá! Bem, tem uma porrada de gente brava comigo porque eu só estou postando agora.. Eu tava escrevendo :'''( E não ficou bom, mas ok né? Desculpem por essa "maratona" furada, eu tentei escrever o mais rápido que consegui, e parece que não deu certo.. Mas eu estou de férias e vou continuar a escrever para vocês e postar com mais frequência. Mesmo estando uma porcaria, espero que vocês gostem do capítulo, beijos, obrigada pelos comentários e pela paciência :)

14.12.14

Capítulo 38 - Maratona 4/5

Grávida. A mulher que estava deitada naquela cama em estado de coma estava grávida. William adentrou os cabelos grisalhos com os dedos e respirou fundo. O que faria? O coma nada mais era o estado quando a pessoa perde a consciência devido à baixa atividade elétrica do cérebro. Nesse estado a pessoa não demonstrava reações a nenhum tipo de estímulo, não sendo capaz de abrir os olhos, se mexer, nem mesmo falar. Demi era perfeitamente capaz de gerar o seu bebê naquele estado, só que a gestação aconteceria enquanto ela estivesse inconsciente, e nenhum médico de todo o mundo poderia dizer quanto tempo aquilo iria durar, poderiam ser dias, meses e até anos. William, como médico responsável por Demi, tinha um prazo de praticamente quatro semanas para esperar que Demi acordasse do coma. Nessas quatro semanas exatamente tudo poderia acontecer, Demi poderia acordar ou.. ou permanecer inconsciente por muitos e muitos anos ou morrer. Olhando para a folha do exame, William resolveu o que faria.. Nenhum familiar da paciente estava psicologicamente preparado para uma notícia como aquela.. Todos estavam em estado de choque por conta do recém acidente e o coma. E William tinha um prazo para contar para Joe que Demi estava grávida, e esperaria até o final das quatro semanas para contar.
   - Você é forte garota. – Sussurrou aproximando-se de Demi que apenas respirava suavemente com ajuda dos aparelhos.
(...)

Não era possível.. Brigara com Denise! Deus! A mulher era insistente demais! Ele não estava com fome ou algo do tipo, não queria comer ou beber nada, queria apenas ficar com Demi esperando ansiosamente que ela acordasse. E se ela tivesse acordado enquanto ele apertava os botões daquela máquina estúpida que não lhe dava a barrinha de chocolate? Diabos! Joe chutou a máquina ao ver a mola empurrar a barrinha de chocolate, que decidiu ficar entre a mola e a queda.
   - Joseph! – Denise o repreendeu. – Essa foi à educação que eu te dei? – Joe revirou os olhos e murmurou um pedido de desculpa, mas a sua barrinha de chocolate não caiu!
   - Eu não posso voltar para o quarto? – Perguntou mal-humorado.
   - Para que? – Retrucou fazendo carranca e Joe bufou consigo mesmo irritado.
   - Eu quero ficar com a Demi. – Disse enquanto colocava outra nota de cinquenta dólares na maquina e escolhia a maldita barrinha de chocolate.
   - Querido, eu te entendo, mas você não pode ficar com ela o tempo todo, você precisa se alimentar, tomar um banho, trocar de roupa. Já pensou se você ficar doente? Vai ser pior Joe, por favor, escute-me, você tem que ser forte. – Joe apenas agachou-se para pegar as duas barrinhas de chocolate um tanto satisfeito.
   - Eu estou indo ficar com a Demi. – Denise quase o acertou com um belo tapa na orelha. Deus! Que homem desobediente.
   - Joseph Adam Jonas! – Denise o olhou feio. – Refeitório agora sem uma reclamação. - Joe praticamente era arrastado por Denise tão entediado e louco para voltar para o quarto e ficar perto de Demi. Não tinha sido tão ruim como Joe pensara que seria.. Ele comeu um salgado do qual não sabia o nome e Denise o obrigou a tomar suco de maracujá alegando que o ajudaria a ficar mais calmo.
   - Eu estou indo, ok? – Disse ao se levantar.
   - Você não quer ir para casa tomar um banho e trocar de roupa? – Perguntou esperançosamente e Joe apenas franziu o cenho.
   - Não, eu vou ficar com a Demi. – Disse com firmeza tirando a carteira do bolso para buscar alguns dólares. Joe não tinha ideia que já era noite e lá fora havia uma multidão que aguardava ansiosamente por notícias, ele queria apenas ficar com Demi esperando ansiosamente que ela acordasse. Joe simplesmente não pensava em nada, porém parecia estar em outro planeta enquanto caminhava pelo corredor que dava para o quarto onde Demi estava.
   - Perdão. – Disse a pessoa com quem ele esbarrara educadamente o ajudando a se levantar.
   - Está tudo bem. – Joe comprimiu os lábios em uma linha ao ver quem era.
   - Sr. Jonas. – Eric disse educadamente ao perceber que era o pai de Lizzie. – Com licença eu.. – Joe levou a mão ao ombro de Eric sabendo o que deveria fazer.
   - Posso falar com você? Não vou tomar muito do seu tempo. – Eric apenas assentiu e Joe respirou fundo antes de começar a falar. – Sei que eu não fui a pessoa mais gentil do mundo desde que você começou a namorar a minha filha.. Eu não deveria julgá-lo como fiz, mas o ciúme me cegou. – Joe pôs-se cabisbaixo se condenando por ser tão ciumento.. Aquele defeito simplesmente estragara tudo, e era por culpa dele que Demi estava naquela cama inconsciente. – Quero que saiba que eu nunca vou pode agradecê-lo por ter salvado a minha Dem.. – Eric arregalou os olhos surpreso. – Eu vou entender se você não me perdoar por ter feito o que eu fiz com você e Lizzie. – Joe apertou o ombro do rapaz e quando se preparava para deixá-lo a voz de Eric o impediu.
   - Eu estou preocupado com Lizzie. – Disse o rapaz e Joe franziu o cenho. Nas últimas horas ele não tinha feito nada além de chorar e culpar-se no quarto sentado ao lado de Demi. – Ela parece estar em estado de choque. – Completou o rapaz e Joe se sentiu tão egoísta por deixá-los.. Como eles estavam? Joe não fazia a mínima ideia.
   - Vou vê-la. – Disse com a voz grave e triste. Joe seguiu o rapaz até a sala de visitas onde o seu coração partiu-se ainda mais. Lizzie tinha os olhos levemente arregalados, estava encolhida em uma poltrona completamente sozinha e distante do irmão. Daniel cochilava em um sofá abraçado a Miley, que também parecia cochilar com a cabeça escorada sobre a do afilhado.
   - Ei princesa. – A voz de Eric soou calma chamando a atenção de Lizzie. – Eu tenho que ir para casa entregar o carro para o meu pai, você se importa? Eu não vou demorar muito. – Lizzie não percebeu a presença do pai, apenas assentiu balançando a cabeça levemente. – Vem cá. – O rapaz a chamou e Lizzie se levantou um tanto desanimada. Eric a envolveu com a sua jaqueta varsity azul e branca e beijou a testa da menina carinhosamente. – Você vai ficar bem? – Perguntou a abraçando pela cintura e Joe achou um pouco dele e de Demi em Lizzie e Eric.
   - Sim amor, eu vou ficar. – Sussurrou a menina o abraçando calorosamente, então Lizzie percebeu que o pai estava os assistindo e corou bruscamente. – Eu amo você. – Sussurrou apenas para Eric e ganhou um beijo carinhoso na testa antes do rapaz despedir-se do pai e deixá-la.
   - Está tudo bem. – Joe surpreendeu-se com o abraço caloroso de Elizabeth e forçou um pequeno sorriso para Miley que os observava. – Papai está aqui com você minha menina. – Agora ele se sentia ainda mais culpado. Elizabeth estava um caco! Se ele não fosse tão egoísta a ponto de pensar que era o único que estava sofrendo saberia que os seus filhos também sofriam e poderia consolá-los, mas tudo que Joe fez foi se trancar e grunhir no quarto sobre o corpo de Demi.
   - Desculpa.. Por favor, me desculpa. – Disse com a voz carregada de choro e Joe a apertou mais contra o peito.
   - Não peça desculpas anjo. Eu estava errado ao pensar bobeiras sobre você e o Eric. – Disse e então Lizzie o olhou envergonhada, mas de cenho franzido. – Eu tenho barrinhas de chocolate, você quer uma? – Perguntou ao se lembrar das barrinhas em seu bolso.
   - Claro. – Elizabeth estava tão tensa e estranha.. Joe sentou-se e a puxou para o colo como sempre fazia. Lembrara-se de quando Lizzie era pequena e acordava no meio da noite chorando porque sentia falta da mãe, que estava na estrada em suas turnês. Joe se sentava numa poltrona e puxava a menina para o colo enquanto contava uma historinha para acalmá-la, sempre dava certo.
   - Daniel está dormindo há muito tempo? – Sussurrou para Lizzie, já que agora Miley cochilava.
   - Está. Ele acabou dormindo depois que a Jenny foi para casa. – Disse a menina entre uma mordida e outra na barrinha de chocolate. Joe respeitou o tempo em que a menina comia para pensar.. Por que o coma? Aquilo era tão injusto.. Eles jamais saberiam quando Demi iria acordar, ou até mesmo se ela iria acordar. E se ela não acordasse? O que ele iria fazer? Seria o seu fim, ele não teria mais forças para nada, simplesmente iria partir junto com ela. O que seria de Elizabeth e Daniel? Eles pareciam tão desolados. – Eu sabia.. – Sussurrou a menina e Joe franziu o cenho em confusão.
   - Sabia o que? – Perguntou brincando com algumas mechas do cabelo claro da menina.
   - Que a mamãe estava bebendo. – Joe arregalou os olhos um tanto assustado. – Eu fui ao show de Houston com a vovó, o vovô, Anne e o Eric. Eu estava tão animada, a mamãe estava cantando Stay da Rihanna, eu adoro essa música. – Joe engoliu seco ao se lembrar de como ele tinha chorado como um bebê enquanto Demi cantava Stay. – O show estava incrível, mas eu estava desconfiada.. A mamãe não era daquele jeito no palco, então quando o show acabou nós estávamos a esperando no camarim, daí o John disse que a mamãe não poderia falar conosco porque ela estava numa reunião com o Mike. – Joe escutava o que Lizzie tinha para dizer atentamente.. – Eu e Eric fugimos e eu fui falar com a mamãe. – A breve pausa da menina fez com que Joe engolisse seco apenas de tentar adivinhar o que tinha acontecido.. – Ela estava com uma garrafa na mão, o ônibus estava revirado. – Sussurrou Lizzie agoniada ao se lembrar da cena.. – Ela me disse coisas absurdas.. Nós brigamos e eu fui para Dallas, no outro dia ela apareceu no aeroporto, não estava bêbada, mas parecia estar com uma bela ressaca. – Joe apertou mais a menina contra o peito sabendo que ela estava tão traumatizada e precisa de proteção.
   - Por que você não me contou? – Perguntou fitando o nada.
   - Eu não sabia o que fazer. Eu pensei em contar, mas nós brigamos assim que eu voltei para casa. – Disse e Joe grunhiu mais uma vez irritado consigo mesmo. Diabos! Porque ele tinha que ser tão idiota?
   - Eu sinto muito. – Sussurrou arrependido. – Eu não deveria ter brigado com você. – Lizzie assentiu e acomodou a cabeça no peito largo do pai sentindo-se protegida apenas por estar com ele.
   - Eu te amo. – Sussurrou e logo adormeceu tão cansada e aliviada por ter compartilhado aquele peso com mais uma pessoa. Quando era mais tarde e Denise voltara do refeitório, Joe deixou a menina nos braços da mãe e partiu para o quarto de Demi cruzando os dedos para que quando abrisse a porta encontrasse os grandes olhos amarronzados lindos de Demi sobre ele, mas Demi não estava acordada.. Estava inconsciente e aquilo o consumiu..
O engraçado era: Todos sentiam culpa. Elizabeth estava se condenando por ter escondido aquilo do pai, pois sabia que se tivesse contado a mãe não estaria em coma agora. Daniel não se suportava. Que tipo de filho diz que odeia a mãe quando ela só quer o seu bem? Joseph, bem, Joe sabia que ele tinha uma boa parcela de culpa. Em que mundo ele estava ao ter um ataque de ciúmes como tivera e arrastar Demi para o carro a força? E quando ele a chamou de cadela depois que eles transaram no seu escritório? E por que diabos ele estava cismado com Nick e com os outros homens. Demi não iria traí-lo, jamais, pois ela só tinha olhos para ele, mas ela certamente estava tentando se livrar dele ao tentar se matar. Que grande homem ele era! Falando em Nick.. O Jonas mais novo vestia calças jeans claras, suéter cor de creme, calçava tênis brancos e tinha em mãos um pequeno envelope. Estava acompanhando por Bryan. O garoto era uma mistura fantástica de Miley com Nick. Bryan tinha os olhos azuis da mãe, os cabelos castanhos poucos lisos, poucos enrolados, e era todo rosado com Nick. A personalidade era o reflexo da de Nick e às vezes Bryan apresentava alguns traços da mãe..
   - Miley? – Nick olhou rapidamente para Denise e Elizabeth, e depois para a esposa junto com o afilhado. – Meu amor, acorde. – Disse carinhosamente a tocando no braço e aos poucos Miley abriu os olhos um tanto sonolenta.
   - Ei bebês. – Ela disse esboçando um pequeno sorriso ao ver o filho e o marido.
   - Está pronta para ir para casa? – Perguntou Nick fitando Daniel que dormia serenamente nos braços de Miley.
   - Eu gostaria de ficar mais um pouco. – Nick assentiu e beijou-lhe a testa carinhosamente.
   - Eu preciso entregar algo para o Joe, depois nós vamos para casa. – Miley assentiu e sorriu para o filho, que se sentou no braço da poltrona. Na última vez que Nick esteve com Joe não tinha sido nada interessante.. Mas agora Nick sabia que o irmão precisava dele mais do que nunca, foi pensando nisso que Nick caminhou em passos firmes até o quarto onde Demi estava.

Continua... Eita.. O que vocês acham sobre a decisão do William? Ainda bem que o Joe se resolveu com a Lizzie e com o Eric né? Bem, até o próximo capítulo e muito obrigada pelos comentários. 

13.12.14

Capítulo 37 - Maratona 3/5

Bip. Bip. Bip. Seja forte.. Bip. Bip. Bip. Deus! Chega de bip! Porque estava acontecendo aquilo com ele? Por quê? O coração estava tão desesperado, perdera toda a sua força e se sentia fraco, o pior homem de todos os homens. Ele tinha prometido perante Deus que iria cuidar dela, mas era tarde demais.. Demi estava inconsciente deitada em uma cama de hospital rodeada de aparelhos e ainda estava viva graças a eles. Ela era alimentada por sondas, tinha tubos em suas narinas assim como uma máscara que a ajudava a respirar, um pequeno aparelho na ponta do dedo monitorava os batimentos cardíacos, razão do bip, bip, bip enjoado..
   - O que eu fiz... - Joe estava sentado ao lado da cama em uma cadeira, tinha a mão de Demi sobre a palma da sua e a acariciava levemente já tinha horas. Ninguém foi capaz de expulsá-lo daquele quarto, ou melhor, ninguém se atreveria. Joe não a abandonaria, jamais!
Era impossível acariciar os cabelos de Demi, penteá-los com os seus dedos ou aspirar o aroma de frutas, pois a tubagem o atrapalhava. Não suportava olhá-la por muito tempo. Demi estava tão pálida e sem vida, os lábios sem cor, as bochechas sem vida e as pálpebras levemente escuras. Queria pode beijá-la, mas não podia, não tinha como, não com aquela aparelhagem toda, mas se Joe a tirasse ela morreria e ele morreria junto. Pensara no beijo de amor que o príncipe encantado depositou nos lábios da branca de neve. Joe queria fazer o mesmo, queria beijá-la no gesto mais sincero de amor e quando abrisse os olhos encontrasse os dela o fitando. Seria o homem mais feliz de todo o universo, mas não se atreveria a arrancar a máscara que a mantinha viva. - Desculpe Dem.. - Sussurrou beijando as costas da mão dela pacientemente. - Se eu soubesse que estava te machucando eu não o faria, eu juro que não faria Dem.. - Sussurrou tão arrependido. Quando Eric contou toda a história de como encontrara Demi e o médico contou que ela tinha ingerido um grande número de compridos junto com álcool certamente tentando suicídio, Joe ficou estático de tanto pavor que precisou de um calmante. - Sabe pequena, eu queria tanto poder voltar no tempo. - Sussurrou umedecendo o lábio inferior. - Eu não seria aquele idiota que te machucou, eu não iria para o escritório Dem, eu juro que não iria. - Joe limpou uma lágrima que rolava e deitou a cabeça próximo ao ombro de Demi. - Eu não iria te zoar por causa do meu antigo pijama Dem, eu juro que não iria. Você fica tão linda nele. - A essa altura Joe já não dizia nada que fosse coerente, apenas chorava. - Bebê, volta para mim, por favor, eu não vou conseguir viver sem você. - Pediu erguendo-se para olhá-la na falsa esperança de que ela estaria acordada, mas nada, apenas três bips. - Demi! Por favor, volta para mim minha menina linda, eu te amo, eu sei que eu não te mereço, mas eu preciso de você! - Pediu mergulhando o rosto no ombro de Demi. - Quem é que vai me abraçar quando eu estiver triste? Quem é que vai fazer pão de queijo para mim no final da tarde? Dem, por favor, quem é que vai fazer amor comigo? Dem, eu juro que eu vou mudar, eu juro que as coisas vão ser diferentes, eu não vou ter mais ciúmes, está bem? Eu dou a minha palavra bebê. - Disse não se importando com as lágrimas que molhavam o seu rosto. - Fala comigo, por favor, não me deixa sozinho Demi, porque eu não sei o que fazer, eu não consigo.. não sem você amor. - Joe desabou no choro que chegara a soluçar enquanto segurava a mão de Demi. - Você prometeu! Não seja idiota como eu fui Dem, não quebre a sua promessa, não me deixe, não me deixe.. não.. não me deixe. - Aos poucos o choro era cessado e o sono o levava como o mar leva um barquinho para o meio da tempestade.

   - Joseph? Eu estou aqui. - A luz invadia a casa de paredes brancas com toda a força que tinha, Joe olhou para trás e o sorriso quase que não coube em seu rosto.
   - Demi! - Disse largando a papelada sobre a mesa do escritório para correr até ela. - Você está linda, tão linda. - A alegria quase fazia o seu coração explodir por estar tão feliz. Tomara Demi em seus braços e a abraçara com força. - Você está aqui, Dem, você está. - Joe atropelava as próprias palavras eufórico de alegria enquanto acariciava o rosto dela com a mão se sentindo o homem mais sortudo e agradecido de todo o mundo. Ela estava tão linda vestida num vestido branco e descalça, os cabelos escuros soltos caindo pelos ombros e pelas costas, os olhos amarronzados meigos e felizes, os lábios pediam para ser beijados, e quando Joe iria fazê-lo ela sumiu dos seus braços.
   - Demi? - Chamou olhando para os próprios braços, ela estava ali agora.. - Demi? Cadê você pequena? - Chamou olhando para os lados, mas ele estava sozinho. - Demi? - Joe olhava para todos os cantos e a procurava pela casa, não a encontrava de maneira alguma. - Demi! - Gritou adentrando um cômodo depois de subir os degraus da escada que sumiam em uma piscar de olhos. - Demi! - Gritou. Podia vê-la longe, Demi não o via, apenas sorria enquanto corria de um lado para o outro como quem brinca com uma criança. Os cabelos e o vestido branco ao vento.. Era tudo que Joe podia ver enquanto ela se distanciava mais e mais..

   - Demi! - Gritou assustado. O suor o banhara, estava trêmulo e tinha os olhos tão arregalados de medo e pânico.
   - Sr. Jonas, você está bem? - Joe olhou para o lado tão assustado e ainda tremendo, logo olhou para a mulher deitada na cama e sentiu-se mais aliviado.
   - Desculpe.. Foi apenas um sonho. - Joe beijou a mão de Demi e levantou-se passando as mãos nos cabelos.
   - Não quer dar uma volta lá fora? - Perguntou o médico verificando a aparelhagem. Havia poucas horas que Demi estava internada, e Joe não saia daquele quarto por nada.
   - Eu vou ficar aqui. - Disse de pé firme e o médico apenas assentiu.
   - Desculpe me intrometer, mas vocês estão casados há quanto tempo? - Perguntou tentando parecer simpático e por mais nervoso que Joe estivesse, ele acabou sorrindo e se aproximando de Demi.
   - Vamos completar dezoito anos de casados em dezembro. - Disse enlaçando os dedos aos de Demi. - Nós estamos juntos há vinte anos. - Um sorriso triste surgiu nos lábios de Joe e então ele beijou a mão de Demi carinhosamente.
   - Tenha fé rapaz. - Joe sentou-se na cadeira que arrastara para ficar próximo a cama e deitou o cabeça perto do ombro de Demi novamente.
   - Está tudo bem com ela? - Perguntou apenas por perguntar, porque Demi não estava bem, estava viva.
   - No mesmo estado. - Anunciou o médico e Joe preferiu ficar calado enquanto brincava com os dedos de Demi sentindo um nó formar-se em sua garganta. O choro estava voltando. Ela tinha tentando se matar e aquilo estava acabando com ele... O que ele tinha feito? A que ponto ele tinha chegado? Era tão ruim assim a ponto de Demi tentar se matar? O primeiro soluço encheu o quarto e então Joe chorava como um bebê agarrado a mulher sem vida na cama. Sem dizer nada, o médico deixou o quarto sabendo que não adiantaria muito tentar afastar Joe da esposa.
   - Dr. Callahan? - A enfermeira chamou o homem mais velho ao vê-lo sair do quarto da ilustre Demi Lovato.
   - Sim. - William Callahan era um dos médicos de mais prestígio em todo os Estados Unidos. Dirigia o hospital central de Los Angeles e cuidava daqueles que precisavam da sua ajuda com toda a fé e amor que tinha a sua profissão.
   - Não sabemos mais o que fazer, lá fora está cheio de paparazzis e adolescentes desesperados. - Não estava sendo fácil controlar a imprensa, pois quando Eric trouxe Demi para o hospital os paparazzis acabaram seguindo o garoto, e quando Miley Cyrus e Selena Gomez chegaram desesperadas no hospital o fluxo, não só de paparazzis e adolescentes, aumentou e os boatos de que Demi tentara se matar corriam soltos, alguém deveria ter tentado vazar aquela informação. 
   - Eu estou descendo. - Disse determinado a colocar um ponto provisório naquela confusão, pois sabia que a família Jonas não teria condições de conversar com paparazzis curiosos, todos estavam abalados e caso a informação que Demi Lovato tentou se matar vazasse, a vida de todos viraria um inferno. William caminhou com toda a paciência que tinha pelos corredores do hospital vez ou outra acenando e cumprimentando pacientes e funcionários, respirou fundo quando passou um pouco longe da sala de espera e avistou a família Jonas e Lovato agoniada e entristecida. O filho de Demi, Daniel, lembrara-se o nome do garoto, descansava nos braços de uma mulher loira e mais velha, certamente Miley, e Elizabeth estava agarrada ao avô. William tornou a respirar fundo e concluiu seu trajeto até a entrada do hospital pensando em como aqueles jovens estavam se sentindo ao saber que a mãe tentou se matar. - Por favor. - Disse sendo quase cego pelos flashes nada modestos das câmeras de última geração. - Demi Lovato está sobre os nossos cuidados. - Anunciou. - Ela acidentou-se ao escorregar no piso molhado no banheiro e bateu a cabeça na ponta da pia, está em coma. - Mentiu para proteger a família de Joe. Não era justo com a menina, Elizabeth, e nem com o menino, Daniel, está passando por situação daquela sozinhos e ainda ter que ouvir e assistir as pessoas comentarem como se fosse a coisa mais natural do mundo a tentava de suicídio da mãe.
Callahan adentrou o hospital depois de responder as perguntas cabíveis e que respeitassem o nome da família Jonas, sabia que o seu emprego e o seu nome estavam em jogo, o que não poderia deixar acontecer a aquela família era mais uma desgraça. Depois das duas leves batidas à porta do quarto, William o adentrou e suspirou ao ver Joe adormecido ao lado da esposa inconsciente.. Eles formavam um casal tão bonito. Lucy morrera no parto da sua pequena Marissa, não tiveram muito tempo juntos, nada mais que cinco anos de casados, então Lucy o alegrara com a notícia que ele seria pai em nove meses, foram meses felizes e cheios de sonhos, até que no dia do parto apenas uma delas sobreviveu..
   - Com licença Dr. - Estava na hora de mais uma briga. Denise adentrou o quarto e cutucou Joe repetidas vezes até que ele despertou contra-vontade. - Filho, você precisa se alimentar. - Joe tinha os seus trinta e nove anos de idade e estava dando mais trabalho que uma criança de seis, não tinha se alimentado em momento algum, só chorava e murmurava palavras que só ele entendia para Demi.
   - Mãe! Eu não estou com fome. - Disse Joe esfregando os olhos. - Deixe-me ficar com a Demi. - murmurou e Denise o repreendeu com os olhos.
   - Demi está em coma Joseph! Você tem que se alimentar filho, por favor, vamos. - Implorou e Joe nada disse.
   - Cinco minutos. - Respondeu fitando a mão esquerda de Demi sentindo falta da aliança dourada cheia de brilhantes que tinha o seu nome gravado em seu interior posta no dedo delicado de Demi. Joe beijou-lhe a mão e lhe acariciou a mandíbula relutante sabendo que estava a deixando. - Eu prometo que volto em dez minutos. - Disse para a amada que nada respondeu, e saiu preguiçosamente do quarto.
   - Dr.? Alguns exames da paciente estão em seu escritório. - Disse uma enfermeira da porta do quarto e Callahan assentiu deixando o quarto para adentrar o escritório um pouco longe dali. Os exames de Demi continuavam a apontar para o estado que ela se encontrava, William só não esperava que o exame de sangue o informasse que uma quantidade considerável do hormônio HCG (Gonadotrofina Coriônica humana) fosse encontrada no sangue de Demi indicando que ela estava grávida.

Continua... Oi! Foi mal pela demora, é que eu tava ajudando minha mãe durante o dia e ficou complicado para escrever.. mas está ai.. pois é, pois é! Ela estava grávida esse tempo todo e não sabia. Comentem e amanhã eu tento terminar essa "maratona", beijos e obrigada pelos comentários. 

12.12.14

Capítulo 36 - Maratona 2/5

Coloque para carregar - Neide Spears Britney Spears - Everytime

Uma semana depois...
                                                                PLAY!
Demi estava em sua cama pensativa, as lágrimas já tomavam seu rosto faziam alguns minutos. Como ela havia chegado aquele ponto? Como eles puderam deixa-la sozinha? O homem que amava, e que ela pensou amá-la também, e agora seus bebês. Não falava com Daniel há um mês desde a briga onde ele disse coisas que ela nunca esperou ouvir. Logo depois, Lizzie a deixou depois de flagrá-la embriagada a ponto de mal conseguir pensar depois de um show da Tour pelo país que ela estava fazendo. O último show tinha sido na noite anterior, e por incrível que pareça ela não bebeu naquele dia, queria estar sóbria para sentir o carinho dos fãs intensamente. Não que ela não sentisse estando dopada, ela sentia, mas não era o mesmo. Como não era o mesmo estar sem seus amores, sem o carinho de Daniel em seu cabelo, sem a risada de Lizzie ecoando pela casa, sem os beijos e declarações de Joe. Só que aquilo não era real, era uma fantasia que ela criou em sua mente pra se iludir achando que era feliz. A realidade era outra e estava bem ali em sua frente. Ela não passava de um peso para todos em sua volta, não fazia nada direito, ou melhor, fazia sim, sexo. Era apenas por isso que Joe mantinha aquele casamento, e pelas crianças. Ela estava certa, Alex estava certa. Ela lhe roubou a paz, a sanidade, e agora Daniel, usando a própria filha para esse propósito, e só Deus sabe o que mais ela poderia roubar, Joe talvez. Só de pensar nessa possibilidade Demi sentiu o peito comprimir. Precisava de paz, precisava deixar de ser motivo de preocupação para todos, precisava parar de fazer as pessoas sentirem pena dela. A garrafa de Bourbon estava ao lado da cama, Demi a pegou e livrou-se da rolha facilmente logo dando uma grande golada.
      Estava bebendo desde cedo, seus pais haviam saído para um passeio com alguns amigos e ela estava sozinha em casa. Sozinha, era sua sina, estar sozinha, mesmo estando rodeada de gente. Olhou em volta, o quarto totalmente de pernas pro ar, resultado do seu último surto de fúria onde quebrou o abajur, o vaso de flores e derrubou tudo ao redor. Levantou de súbito e correu as gavetas da pequena cômoda até encontrar o que queria. Pegou a garrafa e levou todos os comprimidos de uma vez a boca, engolindo tudo com uma golada da bebida que descia ardendo por sua garganta. Não haviam muitos comprimidos, uns quinze talvez? Ela não sabia e nem queria saber, ela queria que a dor passasse, queria esquecer, queria adormecer o seu corpo e não pensar na merda que sua vida era.
Deixou a garrafa escapar de suas mãos e foi até o banheiro. Olhou seu rosto no espelho, não era nem de longe a mulher linda que todos pintavam, estava horrível e não queria mais ver seu reflexo. Socou o espelho repetidas vezes até que seu punho revelasse finas linhas de sangue saindo da pele de sua mão, alçou o rosto lavado em lagrimas para a banheira do outro lado do banheiro. Ela tinha a enchido para tomar banho, mas acabou não o fazendo. Foi cambaleando, talvez pelo efeito do álcool ou dos remédios, sentia que estava perdendo a coordenação motora. Entrou de camiseta e calcinha mesmo, do jeito que estava e afundou deixando a cabeça para fora. Suspirou, sua mente aos poucos ficando turva e seu coração mais leve. Foi desfalecendo aos poucos enquanto a cabeça afundava na escuridão, levando embora os problemas, a dor, a culpa, e sua consciência.

(...)

Lizzie e Eric voltavam do cinema, tinham passado uma tarde ótima em meio a beijos abraços e carinhos, estavam felizes por conseguir passar um dia sossegados sem Joe ficar ligando a cada cinco minutos para saber dos dois, e mesmo se ele ligasse Lizzie não o atenderia. Estavam parados em um sinal quando Lizzie deu um suspiro triste olhando pela janela da caminhonete, a casa de sua avó ficava na próxima esquina, e Eric sabia que ela estava sentindo falta da mãe, não se viam há uma semana, e ele sabia que Lizzie não estava bem como aparentava.
   - Você sente falta dela? Da sua mãe. - Perguntou mesmo sabendo que a resposta era um sim.
   - É impossível esconder algo de você? – Elizabeth ainda olhava pela janela pensando na mãe.
   - Não é impossível, mas é difícil, porque quando gostamos de alguém nos preocupamos, e notamos quando as coisas ficam diferentes, nós prestamos atenção. – Lizzie deu um meio sorriso e ele pegou sua mão depositando um beijo carinhoso ali.
   - Tem uma semana que não nos falamos Eric, antes ela não aguentava ficar um dia sem falar com a gente, o Daniel não fala com ela há um mês, você sabe da estória, ele se faz de forte, mas sei que ele está sofrendo, Jenny me contou que ele chorou várias vezes por estar nessa situação com ela. - Estava sendo tão difícil para Dan, todos percebiam como o garoto estava péssimo.
   - Sinceramente, eu também não estou feliz com essa situação, sei que você está sofrendo e isso me faz mal, além disso eu gosto muito da sua mãe Lizzie, ela sempre me tratou como igual, mesmo sendo filho do caseiro. Aliás, ninguém naquela casa jamais me destratou. Ela nos ajudou quando eu te pedi em namoro, me aceitou mesmo não sendo do mesmo nível social, e nunca vou esquecer isso. - Eric nunca pensara que um dia namoraria uma garota como Lizzie, eles eram tão diferentes, mas tão iguais.  
   - Eu sei, ela sempre falou muito bem de você, ela te adora. - Elizabeth forçou um pequeno sorriso levando a mão a do rapaz. Eric sorriu e mudou a direção quando o sinal abriu, entrando na rua e parando em frente à casa dos avós de Lizzie, que estava tão distraída em pensamentos que nem se deu conta até pararem.
   - O que estamos fazendo aqui? - Perguntou ainda confusa. 
   - Você quer vê-la, não quer? - Eric faria de tudo para que Lizzie se resolvesse com Demi, pois era tão ruim ver uma relação como a delas acabar de um minuto para o outro. Sem contar que Lizzie não era mais a mesma.
   - Sim, mas ela não quer, se quisesse teria me ligado quando chegou hoje. - Talvez seria difícil para Demi ceder assim como era difícil para Lizzie ceder, mas a menina imaginaria que a mãe a procuraria assim que a turnê acabasse. 
   - Lizzie, é óbvio que ela quer te ver, talvez ela estava cansada, você sabe como são essas coisas de shows, muito stress e trabalho. - Eric imaginara que como Demi fez muitos shows em um tempo curto, ela obviamente estaria cansada e procuraria os filhos mais tarde.
   - Eu não sei amor.. - Murmurou incerta. 
  - Amor, já estamos aqui, o que custa? - Elizabeth respirou fundo e finalmente decidiu que iria procurar pela mãe, não custaria nada.. Já estava doendo tê-la longe e não faria diferença se doesse mais um pouco caso Demi a rejeitasse.. 
  - Tem razão, vamos. - Eric e Lizzie desceram do carro e caminharam em direção a entrada da casa, estranharam todas as luzes apagadas, os avós de Lizzie não costumavam sair a noite.
   - Que estranho, parece que não tem ninguém. - Comentou o rapaz de cenho franzido.
   - Uhum, bem, voltamos amanhã. – Eric já se dirigia ao carro enquanto Lizzie dava uma última olhada para janela do quarto de Demi e notou que havia um feixe de luz refletindo na janela. 
   - Eric, espera um pouco. - Disse afobada fitando a janela.
   - Que houve? - Perguntou o rapaz se aproximando confuso.
   -Tem alguma coisa errada. - Elizabeth parecia muito determinada e certa, pois não parava de ficar a janela totalmente curiosa.
   - Como assim? Elizabeth! Espera! – Lizzie correu para os fundos da casa com Eric em seu encalço.
   - A janela do banheiro, a luz está acesa. - Disse como se fosse óbvio.
   - Bem podem ter esquecido. - Rebateu Eric e Lizzie revirou os olhos. 
   - Não, a vovó é psicótica com questão de organização, nunca iria deixar uma luz acesa, faria a mamãe voltar para apagar. Tem alguma coisa errada eu posso sentir. – Lizzie voltou correndo pra frente da casa e começou a olhar embaixo dos gnomos ao lado da porta no jardim deixando Eric ainda mais confuso.
   - Lizzie o que você ta fazendo? - Perguntou tentando acompanhar a menina que mudava de gnomo a cada segundo.
   - Procurando a chave! - Eric não poderia ficar mais confuso do que já estava, mulheres!
   - Que chave? - Perguntou levemente envergonhado.
   - Da porta, a vovó sempre esconde uma em caso de emergência, ACHEI! - Gritou a menina o assustando e em questão de segundos  ela correu para porta de entrada e a destrancou entrando na casa com Eric logo atrás.
   - A sua avó vai nos matar quando souber que entramos aqui sem permissão. - Joe os mataria quando mortos. 
   - Ela vai entender, eu vou subir, volto logo. – Eric assentiu e acendeu as luzes enquanto Lizzie subia de dois em dois degraus a escada. Elizabeth entrou no quarto que pertencia a mãe e se assustou, tudo estava revirado, objetos quebrados e roupa de cama no chão. Parecia que um furacão havia passado. Olhando mais atentamente, viu a garrafa de Bourbon jogada no chão ao lado de um vidro de remédios vazio. Lizzie chegou mais perto e pegou o vidro, já com o coração apertado. Correu até a porta do banheiro e bateu sem sucesso
   - Mãe, abre a porta, sou eu Beth, eu não vou brigar, só abre pra mim por favor. – Gritou já chorando - Mãe não faz isso comigo, me responde mãe! – Lizzie não ouvia nada do outro lado, era o que a deixava desesperada. - Eric! Eric, por favor, venha rápido! - Gritou da porta do quarto sabendo que descer as escadas seria perda de tempo. E Eric subiu feito uma bala ao ouvir os gritos de Lizzie.
   - O que houve? – ela chorava e ele tentava acalmá-la- amor fica calma
   - Arromba a porta Eric. - Ditou a menina.
   - Arrombar? Mas porque? - Perguntou o rapaz confuso.
   - Arromba essa porta agora! Ela não me responde, não me responde. - Eric então deu um chute na porta com tudo arrobando-a de vez. Ao entrarem Lizzie viu o espelho em frangalhos e olhou para banheira com o coração na mão.
   - Mãe! - Elizabeth sentiu as pernas amoleceram e de repente estava tão tonta de medo. 
Eric correu e se jogou dentro da banheira, puxando Demi para fora em seus braços, a pegou e a colocou no chão do banheiro enquanto Lizzie gritava em desespero chorando. Ele levantou e segurou Lizzie pelos braços.
   - Amor, eu preciso que fique calma, se você gritar e chorar não vai ajudar, pega o celular e liga pra emergência. - Naquela situação ficar nervoso não ajudaria em nada, Eric sabia disso e manteria o controle, pois se ele gritasse junto com Lizzie.. O pior iria acontecer.

Elizabeth respirou fundo e digitou os números da emergência com os dedos trêmulos e minutos mais tarde a voz da atendente soou deixando a menina afoita.

- Eu preciso de ajuda minha mãe se afogou na banheira! - Disse Elizabeth tentando manter a calma enquanto fitava o corpo de Demi estirado no chão.

- Tudo bem, onde você está? - Perguntou a moça calmamente. Lizzie deu o endereço a ela que disse que estava mandando uma ambulância o mais rápido possível.
- Quero que se acalme e aguarde. - Disse a moça e Lizzie desviou os olhos do corpo de Demi para fitar o espelho quebrado.
- Ela não ta respirando – Já dizia em lágrima ao ver o corpo da mãe sem movimento algum.
- Tem mais alguém com você? - Perguntou a moça sabendo que Elizabeth estava nervosa.
- Meu namorado. - Novamente Lizzie desviou os olhos do corpo de Demi se sentindo tonta.
- Me deixe falar com ele. - Ela passou o telefone a Eric que atendeu o mais rápido que pode.
- Como você se chama? - Perguntou a moça.
- Eric. 
- Ok, Eric eu preciso que você mantenha ela em uma superfície plana. - Orientou.
- Tu..tudo bem. - Sussurrou o rapaz sustentando o telefone com o ombro.
- Você sabe sobre primeiros socorros? - Perguntou a moça;
- Um pouco, aprendi na escola. - Respondeu prontamente.
- Ótimo, então você sabe o que é uma massagem cardíaca, certo?
- Sim senhora.
 - Ótimo, eu quero que faça isso agora Eric, e a cada 15 espasmos você joga ar dentro da boca da paciente, isso vai fazer a água ser expelida e ela vai voltar a respirar, fique calmo e faça do jeito que falei. - Eric apenas assentiu nervoso sabendo que aquela tarefa seria difícil.
- Tudo bem.
Eric fez a massagem cardíaca e a respiração boca a boca enquanto Lizzie permanecia sentada no chão em choque. Na segunda rodada Demi expeliu a água e voltou a respirar fracamente, mas ainda estava inconsciente. Eric relatou isso a socorrista ao telefone e a mesma disse que ela deveria ser removida imediatamente a um hospital, ou poderia entrar em choque. Estava mandando a ambulância, mas ele estava com medo, e Lizzie não tinha condições de tomar decisões. Então ele seguiu seus instintos, pegou a sogra no colo e correu escada a baixo. Colocou-a no banco de trás do carro, e subiu para buscar Lizzie no banheiro, aproveitando para pegar um lençol qualquer para cobri-la, pois Demi estava apenas de roupa de baixo e camiseta.
Colocou Lizzie no carro pondo o cinto nela, e voou pro hospital central em Los Angeles. Eric chegou com Demi no colo gritando por um médico e logo foi atendido. Levaram Demi pra emergência enquanto ele buscava Lizzie no carro.
Ficaram por pelo menos uma hora esperando notícias, quando o médico apareceu.
   - Vocês são familiares de Demetria Jonas? - Perguntou o homem que aparentava ter os seus cinquenta anos, era alto, branco e de olhos azuis. No bolso do jaleco estava bordado "Dr. Callahan".
   - Ela a filha e eu sou genro, como ela está doutor? - Perguntou Eric educadamente. 
   - Bom, graças a sua rapidez está viva, se demorassem mais 10 minutos ela entraria em choque e poderia sofrer uma parada cardiorrespiratória. - Elizabeth engasgou entre o choro e Eric a abraçou acolhendo-a.
   - Graças a Deus. - Disse o rapaz aliviado por ter feito tudo certo.
   - Bem, mas infelizmente o caso era mais grave do que pensamos. - Anunciou o médico para a surpresa do jovem casal.
   - Como assim? – Lizzie estava abraçada a Eric e ouvia, mas não tinha forças para falar.
   - Ela ingeriu uma alta dose de Vicodin, um anti inflamatório e analgésico de pós operatório. O remédio deixa você relaxado então muitas pessoas usam como calmante e até mesmo como entorpecente. Nós fizemos uma lavagem e conseguimos retirar boa parte dos comprimidos inteiros, mas não sabemos quantos ela ingeriu e com certeza a quantidade foi alta pois ela está em estado de coma nesse momento. – Lizzie desatou a chorar feito um bebê nos braços de Eric que também derramava algumas lágrimas - Eu sinto muito. 
   - Mas, doutor, o que isso quer dizer? - Perguntou o rapaz começando a se apavorar.
   - Por enquanto nada, ela está estável e todos os órgãos funcionam normalmente, apesar do afogamento não há danos aos pulmões, mas ela esta em coma profundo e não sabemos quanto tempo isso vai durar. Ela pode acordar com sequelas, ou pode ficar em coma por algum tempo.
   - Quanto tempo? - Perguntou Eric pasmo.
   - Não sambemos, podem ser dias, meses, talvez anos, talvez ela jamais acorde, o cérebro humano ainda é um mistério para nós, mesmo com a ciência tendo avançado bastante, em certos casos só o que podemos fazer é esperar, e rezar para que tudo dê certo. Ela esta indo para o CTI nesse momento e poderão vê-la em algumas horas, mas uma pessoa por vez. - A essa altura Elizabeth derramava tantas lágrimas e não era capaz de entender nada que acontecia a sua volta, apenas abraçava Eric com toda a sua força.
   - Obrigado doutor. - Eric estendeu a mão para um aperto que logo foi correspondido pelo médico com um pequeno sorriso.
   - De nada, com licença. - O médico seguiu seu caminho e Eric foi até Lizzie. Ela estava sentada na cadeira da sala de espera com uma expressão desolada, ele não sabia o que fazer. Se aproximou e se abaixou até ela.
   - Amor, você está bem? - Perguntou mesmo que soubesse que Lizzie não estava nenhum pouquinho bem.
   - Ela está em coma Eric, e a culpa é minha. - Desabou a menina tampando o rosto com as mãos.
   - Não, a culpa não é sua Lizzie, foi uma fatalidade, você precisa ser forte e rezar, ter fé e pedir pra Deus pra ela acordar. - Consolou-a.
   - Me abraça? - Eric se sentou ao seu lado e a abraçou apertado, fazendo carinho em seus cabelos.
   - Você precisa avisar o seu pai e a todos. - Avisou, pois  eram dois adolescentes em um hospital acompanhando um paciente em coma.
   - Você pode ligar para ele? Eu não consigo pensar. - Eric assentiu balançando a cabeça.
   - Tudo bem, eu já volto. - Disse enquanto buscava o telefone no bolso e caminhava a poucos metros dali ficando num lugar estratégico onde poderia ver Lizzie. Estava preocupado com a menina. Eric ligou para Joe, que quase enfartou quando ouviu a palavra hospital. Daniel estava em casa com Jenny e ambos vieram com ele ao saber de tudo. Em menos de quinze minutos eles chegavam ao hospital, Daniel ligou para os avós que estavam a caminho, e ligou também para Miley que também se encaminhava para o hospital com Nick, e avisou a Selena que correu para lá o mais rápido possível. Todos estavam desesperado para saber o que tinha acontecido com Demi. Chegaram e correram até a recepção e ao ver o pai, Lizzie correu e se jogou em seus braços chorando de desespero.
   - Calma querida, vai ficar tudo bem. - Joe tentou acalmar a menina ao ver o quão desesperada ela estava.
   - Eric o que aconteceu? – Perguntou Joe abraçando Elizabeth com força. Eric contou tudo o que havia acontecido e a cada palavra Joseph segurava as lágrimas e parecia mais pálido que uma folha de papel branca. Como ele permitiu que ela ficasse assim? Sentia-se tão culpado e arrasado.
   - E bom, o médico disse que só podemos esperar, que ela pode acordar amanhã, ou pode demorar meses ou anos, talvez nunca acorde. - Disse Eric por fim.
   - Não, não, não! Ela vai acordar, ela vai acordar, eu sei que ela vai acordar Eric, ela vai acordar. – Dizia Daniel andando de um lado para o outro, as pupilas dilatadas, o rosto cor de rosa e os cabelos já tão desarrumados de tanto Dan os adentrar com os dedos. - Ela vai acordar. - Disse agarrando Eric pela gola da camisa para a surpresa do rapaz.
   - Daniel, se acalma. - Pediu Joe sem saber o que fazer, estava tão assustado e confuso. 
   - Não, ela não pode morrer, ela não pode, não pode nos deixar assim, não, não pode! – Daniel começou a chorar e foi abraçado por Eric que também derramava algumas lagrimas por ver o garoto daquele jeito – Não.. não pode.. ela.. não pode me deixar. – Ele dizia entre lagrimas e soluços.
Joe estava em choque, mal conseguia respirar, seu coração doía tanto que ele não era capaz de raciocinar naquele momento, mas precisava ser forte, por ele e pelos filhos, precisava segurar a onda porque aquele tormento estava apenas começando, e ele precisava ter fé e força para chegar até o final, e acreditar que ele não perderia a mulher da sua vida.

Continua.. E agora? Caramba, a coisa ficou muito feia agora, tipo muito feia.. Super, hiper, mega créditos para a srta. Alessandra! Obrigado de coração pelo capítulo, ficou maravilhooooso!