Três
dias longe de tudo e todos. Sem celular, notebook, acesso à internet e
informações. Demi simplesmente se fechou para o mundo do qual pertencia para
tentar associar os últimos acontecimentos, aproveitando também o atestado
médico. Não tinha hora para as duas “atividades” que ela vinha praticando:
dormir e comer.
Na
primeira tarde Demi simplesmente deitou no sofá, pensou nas mentiras da mãe e
chorou porque ela acreditava que Dianna tinha mudado.
Na
segunda tarde ela já não chorava mais porque tinha refletido muito sobre a
situação em geral. A mentira de Dianna, ter um pai, Joe esconder a verdade. Não
tinha como jogar a culpa para Joe ou Inácio uma vez que ela pertencia a Dianna.
A mulher sempre tinha que fazer besteira. No final daquele dia Demi procurou
por um mercado e comprou duas latas de cerveja e uma caixa de bis. Ela não
tinha costume de beber, porém não foi ruim apreciar a bebida e comer o bis
sentada ao banco do Central Park vendo o sol se pôr. Provavelmente beber não
estava nas recomendações médicas, porém Demi não se importava. Na volta para
casa ela fez o caminho que passava pelo apartamento de Joe propositalmente
mesmo sabendo que ele não estaria lá. Era impossível não sentir falta dele e
da pequena Lucy. Eram dias ruins e estranhos, e Demi estava quase cedendo para
voltar para os braços do namorado, porém seguiu caminho pensando que deveria
ser o efeito da cerveja.
No
terceiro dia o sono foi pesado e quando acordou era quase meio dia. Ela
preparou o soro, tomou a vitamina e fez o café da manhã. O sofá era a melhor
companhia e nele Demi se deitou de qualquer jeito ligando a televisão no canal
de desenho animado. O misto acabou que ela nem mesmo percebeu já que a animação
conseguia envolvê-la o suficiente. Então depois de repousar o copo de leite no
tapete felpudo, ela acabou dormindo agarrada a uma almofada.
Mais
tarde Demi acordou com o barulho da televisão, espreguiçou-se e optou por ficar
no melhor lugar daquele apartamento: a cama. Era um esforço imenso ter que
ignorar o celular e notebook, mas Demi o fez mais uma vez e se deitou a cama. A
gatinha de pelúcia que ela tinha ganhado de Joe foi abraçada contra o peito e
Demi fechou os olhos por alguns instantes. Ela mesma fez carinho no couro
cabeludo como gostava, abriu os olhos fitando o teto e agarrou mais a pelúcia
como uma criança com medo.
O que as pessoas
ganham com a mentira?
Pensou umedecendo os lábios. Ela não tinha o hábito de mentir, então não
conseguia entender o sentido. Mas de certa forma sabia que não era bom e muito
menos correto. O que será que Dianna
ganhava com mentiras? Tudo bem
que quando ela era mais nova a mãe conseguia ganhar dinheiro, mas agora? Será
que era alguma brincadeira o que estava acontecendo? Demi franziu o cenho,
mordeu o lábio inferior e cogitou a ideia de ser a vítima de uma daquelas
pegadinhas estúpidas que passavam na televisão.
Eu sinto, de verdade,
muito. O seu pai nunca me machucou dessa forma. Filha, eu queria contar, mas..
Mas a cada dia que nós ficávamos juntas, eu me apaixonava um pouquinho mais por
você e quando descobri que te amava, eu não queria te perder para minha
mentira.
Ela
se lembrou de todos os detalhes. Dos lábios bonitos da mãe moldados naquelas
palavras que soavam como se Dianna estivesse realmente machucada, dos olhos
escuros fixos aos dela, das roupas impecáveis e de como doeu como se tivesse um
buraco no peito. Então ela tinha fitado o homem que sempre quis como pai e
mostrar que o amava sem nem mesmo o conhecer. Agora sim ela podia assimilar a
semelhança da cor dos olhos com a dos olhos de Edward, ou melhor, Inácio. Ela tinha olhos marrons como os do pai,
pele clara e com certeza a cor do cabelo também deveria ser da mesma, só
não era muito percetível porque Inácio tinha fios marrons e grisalhos. Nem
precisava de teste de DNA.
Era
tudo mentira! Era claro que era. Dianna nunca demonstrou que a amava, nem mesmo
que nutria algum sentimento positivo. Colocar a culpa no amor? Se a mãe a
conhecesse, saberia que bastava contar toda a verdade, tudo bem que ela ficaria
chateada por alguns dias, mas seria melhor que descobrir daquela forma.
Acreditar
numa cobra traiçoeira não era uma ação inteligente. E Demi se culpou por ter
caído numa das armadilhas da mãe novamente. Deveria ser divertido fazê-la de
palhaça, só podia.
Dormir
era bom e uma das melhores atividades, segundo Demi. Mas dormir durante todo o
dia estava inviável. Ela até poderia tentar, mas acabaria frustrada. Tomar um
banho morno a ajudaria a relaxar e se sentir melhor. Então Demi caminhou para o
banheiro, despiu-se e desfrutou da paz que teve enquanto a água lavava o corpo
por minutos e mais minutos. Quando os dedos já estavam enrugados, ela buscou
pela toalha branca e se secou sem pressa. Por um acaso ela fitou o próprio
reflexo no espelho e preferiu desviar o olhar porque se sentia péssima. O que
ela faria dali pra frente? Engolindo em seco, ela se olhou novamente estudando
cada pedacinho do corpo e os olhos marejaram com a lembrança da verdade. Não
tinha como se conformar. Se Dianna não tivesse mentido certamente ela não
teria: conhecido Jake, magoado Selena, demorado a corresponder os sentimentos
de Joe e brigado com Ed. Sem contar que o corpo não ficaria vulnerável como
ficou. Jake poderia muito bem ter transmitido alguma doença ou ela poderia ter
engravidado de um filho dele. Tudo porque a mãe era uma egoísta e sem coração.
Era melhor nem pensar nos vídeos que ainda circulavam nos sites
pornográficos...
Tudo
se resumia a desgosto. Demi não sabia se era mais forte em relação a mãe ou a
ela mesma por ter acredito mais uma vez. Quando sentiu frio, Demi fitou mais
uma vez o reflexo e se enrolou na toalha, caminhou para o closet e sentou-se ao puff pensando no que faria. Não estava tarde e ela não queria dormir.
Enquanto
procurava por uma roupa para vestir, ela resolveu separar peças que não usava
para doar a uma instituição de caridade. Só porque as pessoas que ela amava
não faziam bem a ela, não significava
que ela deveria agir da mesma forma com o próximo. Eram calças, blusas,
vestidos, roupas sociais, sapatos. Meia hora mais tarde e já tinha uma boa
quantidade de peças. Demi levou o que conseguiu para área de serviço para que
pudesse lavar as roupas e depois ela passaria cada uma delas.
O
guarda-roupa ainda estava cheio, porém mais organizado e objetivo. O
entretenimento com as roupas foi tão grande que Demi estava enrolada na mesma
toalha que tinha saído do banheiro. Ela procurou por um vestido e o vestiu sem
se preocupar com o sutiã e muito menos a calcinha. Havia peças a serem dobradas
e foi o que ela fez. Organizou as que ficavam nas prateleiras e nos cabides.
Distraída
com o cheiro maravilhoso da camisa de Joe, a próxima peça quase arrancou
lágrimas e soluços. O blazer impecável era a cara dela. Aliás, tudo caro e
luxuoso tinha relação com Dianna. Demi não soube o que fazer com o blazer, mas
uma coisa era certa: ela não o queria. Não iria rasga-lo, queima-lo ou
destrui-lo. Pacientemente o levou para a lavanderia e o colocou junto as roupas
que doaria.
Eram
seis horas e não tinha mais roupas para arrumar, estava sem sono e assistir
televisão estava fora de cogitação. Restou pentear o cabelo úmido ainda do
banho e se olhar timidamente no espelho. Uma repaginada cairia bem. Nada muito
radical. Demi analisou as sobrancelhas, as sardas, os lábios e a pele clara.
Não era ruim e não tinha como mudar. O físico também não estava ruim e sempre
foi daquele jeito: curvas bem desenhadas, seios médios e um travesseiro
exageradamente grande, claro, segundo Selena. O que ela queria mudar estava
entre os dedos e os dentes do pente. Demi observou o cabelo castanho molhado e
o imaginou loiro ou ruivo. Deveria ficar bom, mas faltava coragem. Talvez
cortar as pontas a agradaria. O cabelo estava com um tamanho bom batendo quase
abaixo da metade das costas, volumoso e saudável. Joe gostava de enlaçar os
dedos nas mechas e puxa-las quando eles faziam sexo. Principalmente quando ela
estava por cima. As bochechas de Demi coraram quando ela se lembrou do namorado
e como ele conseguia ser o homem mais bonito e fofo que ela já tinha estado.
Demi adorava como os olhos dele eram verdes, bem desenhados e intensamente
quentes. A pele morena clara era rosada como se Joe fosse o cara mais saudável
do planeta, o cabelo escuro em mechas lisas e de fios grossos. E bem.. Os
músculos dele eram o suficiente para excita-la.
Não pense nele. Pensou Demi buscando
pela calça jeans e uma camisa legal. Joe era um amor, mas também tinha a
magoado por ter escondido a verdade. Dianna já era de costume, mas Joe? Demi
confessava que estava surpresa e que não sabia o que pensar a respeito. Se ela
descobrisse algo importante sobre ele, não levaria dez minutos e Joe saberia de
toda história em detalhes! Era daquele jeito que as coisas deveriam funcionar
entre casais: sem segredos e mentiras!
Demi
não tinha costume de andar impecável, para ela o que importava era a harmonia
entre as cores das roupas e estar confortável. Então vestir jeans apertados,
camisa baby look com alguma frase de uma série famosa e calçar all stars estava
bom demais. Ela só passou batom, colocou brincos sutis e pegou a bolsa de
ombro.
Pra
que dormir quando Nova York poderia oferecer tudo que ela quisesse? Assim que
pisou na calçada do prédio, Demi olhou na direção do apartamento que frequentava
mais que o dela com a esperança de
ver Joe nem que fosse de longe. Ele tinha tentado visita-la no dia passado,
porém ela tinha dado regras claríssimas ao porteiro para não deixar ninguém
subir. Joe deveria estar se organizando para ir trabalhar. Aliás, aquele era o
dia que ele faria trabalho voluntário. De qualquer forma aquele era o horário
que Joe estava chegando em casa e se organizando para sair para o trabalho.
Os
pés a guiaram para bem longe do apartamento dele, conforme caminhava distraída
Demi observava os prédios pensando na construção deles em todos os aspectos
desde a engenharia moderna ao design sofisticado. Era melhor não planejar o que
faria detalhadamente. O objetivo era procurar um salão de beleza, mas durante o
caminho Demi se envolveu com as vitrines das lojas, parou para comer churros e ficou
mais tempo do deveria assistindo ao show de um artista de rua na Time Square.
Era interessante como os truques de mágica conseguiam envolver as pessoas,
principalmente as crianças. Demi recostou-se num poste e preferiu manter certa
distância. Quando mais pessoas se aproximaram, ela deixou uma gorjeta para o
homem e caminhou sem saber para onde iria, só pararia quando encontrasse um
salão de beleza que a agradasse, e em Nova York o que não faltava era aquele
tipo de negócio.
Minutos
mais tarde ela estava sentada numa daquelas cadeiras ajustáveis e acolchoadas.
O cabelo estava perfeitamente penteado e úmido. Demi preferia ficar calada e o
mais imóvel possível para que o cabeleireiro simpático tirasse apenas três dedos de comprimento do cabelo, ou
seja, aparar as pontas.
Demi
não imaginava que a quantidade de cabelo cortada faria tanta faltava quando se
olhou no espelho. Ela jogou o cabelo, analisou por alguns minutos e assentiu
calada quando o homem perguntou se estava bom. E estava. Não era uma diferença
abruptamente notável, porém para ela era um passo gigantesco já que eram raras
as vezes que tinha cortado o cabelo depois dos dezoito.
Para
onde ela poderia ir? Voltar a Time Square não pareceu uma boa ideia e nem mesmo
continuar andando do salão a frente, era noite e infelizmente Demi tinha medo
de andar sozinha em lugares desconhecidos depois que quase foi violentada. A
ideia de comer uma pizza era agradável, mas ela não comeria sozinha e também o
churros ainda a mantinha satisfeita. O que fazer? Demi segurou com mais força a alça da
bolsa, caminhou um pouco até que encontrou um caixa eletrônico onde sacou mais dinheiro. Ela não deveria gastar muito já que o dinheiro que estava no banco
era para eventuais emergências e para o futuro carro que compraria, mas para
isso primeiro ela deveria tirar a carteira de habilitação. Selena a ensinou o
básico sobre como dirigir um carro, mas infelizmente não era o suficiente para
dirigir um nas ruas de Nova York com aquele senhor
trânsito.
Decidir
o próximo passo não foi difícil. Ela chamou por um táxi e quando o adentrou,
deu o endereço de uma das pessoas que mais prezava. Era uma visita em cima da
hora, consequentemente não planejada. Mas quando o taxista a deixou em frente a
casa dos Gomez, Demi afirmou consigo mesma que tinha sido a melhor coisa que
ela tinha feito. O tempo de ficar sozinha já tinha passado, ela precisava da
melhor amiga mesmo que fosse para compartilhar o silêncio.
A
casa de Selena era grande com direito a jardim, piscina e tudo mais. Os Gomez
não eram ricos, mas tinham boas condições. Demi tocou a campainha duas vezes
num intervalo aceitável de tempo, fitou o tênis que calçava e quando ouviu
passos, torceu para que não fosse a mãe de Selena. Não era que ela não gostava
de Mandy, bem pelo contrário, ela só
não queria chorar. Foi pura sorte quando a voz de Selena soou num educado ”Boa noite, quem é?”. Demi sabia que Sel
odiava atender à porta, ainda mais
quando o interfone estava quebrado. Ela podia se lembrar muito bem da amiga
reclamando alguns dias atrás. “Meus pais
não arrumaram a droga do interfone e toda vez que alguém toca a maldita
campainha eles me mandam atender. E se for um bandido armado?”
- Demi. – Nos dias que tinha ficado sozinha, ela
não falou muito, e se falou foi murmurando algum palavrão. Então quando disse o
nome, foi timidamente e quase que ela não reconheceu a própria voz.
Quantas
trancas tinham naquele portão? Demi franziu o cenho enquanto ouvia o barulho do
metal sendo movido por pelo menos dois minutos. A saudade era tanta, mas ela
não fez nada mais que abaixar a cabeça. Selena a olhou de cima a baixo e se aproximou
para envolvê-la num abraço apertado e que segundos depois Demi retribuiu se
sentindo mais forte e menos sozinha nos braços da amiga.
- Ei! Que surpresa. – Disse Selena esboçando
um sorriso a olhando nos olhos e Demi não conseguiu demonstrar a mesma
felicidade. – Vamos entrar? Nós não queremos ser assaltadas. – Bem, não tinha
ninguém na rua e não parecia perigoso, mas era Selena quem conhecia o bairro
onde morava.
A
situação estava ligeiramente estranha, e a felicidade de Selena era o que salvava o
momento, tanto que quando levou Demi para dentro de casa, foi de braços
enlaçados e com um sorriso estampado no rosto. A maioria das luzes estavam
acesas e a televisão ligada num volume consideravelmente alto. Então Demi
entendeu que Sel estava sozinha.
- Estou cozinhando. – Disse Selena trancando
a porta principal deixando a chave no miolo da maçaneta, e quando ela
atravessou a sala com Demi, não apagou a luz. – Meus pais saíram, foram jantar
fora. Na verdade é um jantar de negócios da mamãe, mas eu não estava muito
interessada para sair para comer. – Disse sustentando o olhar de Demi por
alguns segundos. – Você quer alguma coisa? Nós podemos comer torradas e beber
suco ou café enquanto a minha torta de maçã assa.
- Tudo bem. Suco está bom. – Disse Demi
pausadamente e Selena assentiu se apressando para servi-las com exagerados
copos e uma forma de torradas amanteigadas com orégano.
- Você está melhor? – Sel perguntou alguns
minutos mais tarde e quando Demi a olhou, ela bebericou o suco e se ajeitou a
cadeira. – Sem vômitos e tonturas? – Acrescentou e Demi assentiu prontamente.
- O Joseph comprou o que a médica pediu na
receita e deixou na recepção do meu
prédio. Tomei o soro e ainda estou tomando as vitaminas, mas estou bem. – Elas
sustentaram o olhar durante o tempo que conseguiram e seguiram em silêncio
desfrutando das deliciosas torradas. – Eu fiquei sem saber se.. –
Começou a dizer Demi e na pausa que fez, ela fitou o próprio colo, umedeceu os
lábios e voltou a fitar os olhos da melhor amiga que estava atenta ao que ela
iria dizer. – Se eu deveria vir aqui. Eu não queria estragar a sua noite com o
Ed, pensei que vocês estariam juntos. Enfim, acho que vou para casa. – Antes
mesmo que ela pudesse se levantar, Sel guiou a mão a dela e negou com um
balanço de cabeça.
- Eu e o Ed.. Nós brigamos. Foi explosivo e
complicado. – Quando tocou no nome do namorado, foi de se perceber como ela
estava chateada e vulnerável. – Então nós preferimos ficar um longe do outro
para não piorar as coisas. – Selena fitou a aliança de compromisso que usava e
Demi também a fitou logo fitando a que Joe comprou para oficializar o
relacionamento deles.
- Relacionamentos são bons, mas às vezes
podem ser frustrantes também. – Disse tirando a aliança para examina-la e
Selena franziu o cenho a observando. – Por que vocês brigaram? – Perguntou
sustentando o olhar da amiga que franziu a boca e umedeceu os lábios.
- Eu não queria falar sobre isso. – Disse
Sel colocando uma mexa do cabelo atrás da orelha e se ajeitando na cadeira. – Digo,
eu não sei se você está preparada para falar sobre.. – Comentou e Demi nada
disse, desviou o olhar e mordeu o lábio inferior. E como ela não protestou, Sel
interpretou como um passe livre. – Bem, ele também sabia sobre os seus pais. – Demi continuou sem
olha-la e tudo que ela ouviu foi “os seus
pais” sem saber como associar a frase a Dianna e Inácio. – Ele e o Joe.
Eles não disseram nada e eu estou muito brava com eles. – Completou um
pouquinho nervosa pela falta de reação da amiga, e como elas estavam sozinhas
na casa, o silêncio era só quebrado pelo barulho da televisão que mesmo assim
não era suficiente para criar um clima propriamente dito agradável.
- Confesso que estou brava com o Joe. –
Disse Demi quebrando o gelo entre elas. – Não exatamente brava, acho que me expressei
mal. – Ela respirou fundo pensando em como se sentiu quando Joe contou a
respeito. – Estou decepcionada. Nós conversamos sobre segredos e mentiras e
concordamos que sempre contaríamos tudo um para o outro. Sempre fui honesta com
ele sobre quem eu sou, de onde eu vim e das coisas que passei. Acho que as
pessoas pensam que podem brincar com os meus sentimentos como se eu não fosse
sentir dor, entende? Eu não sei o que eu mostro ser, mas eu acho que ninguém
tem o direito de me machucar. Eu sempre tento não machucar as pessoas, sei que
ultimamente machuquei muitas pessoas, inclusive você, mas não foi porque eu
quis. – Demi forçou um sorriso triste quando Sel enlaçou os dedos aos dela e
lançou o olhar confidente que elas sempre trocavam. – Não vou mais ser um alvo.
Cansei. Resolvi que não vou mais ficar me lamentando pelo que não tive. Vou
tentar não chorar, por mais difícil que seja. Eu não quero mais ser uma vítima,
Sel. Eu quero ser forte e conseguir dar a volta por cima.
- Ei, vem cá. – Elas se abraçaram por
minutos e foi simplesmente incrível sentir a conexão que as envolvia quebrar
todo o clima desagradável. Eram melhores amigas e se amavam tanto que uma era
capaz de tudo pela outra. Eram como irmãs de alma e não tinha nada mais bonito
e especial que aquela amizade, tanto que quando Demi derramou lágrimas foi
porque ela sentiu falta de Selena e estava feliz em estar nos braços dela. – E eu
estarei com você sempre. Vou te dar broncas, te ajudar a levantar e cuidar de
você. – Disse fitando os lindos olhos marrons da amiga que assentiu.
- Eu também estarei com você sempre. – Demi
descansou a cabeça no peito de Selena por algum tempo sendo envolvida pelo
melhor abraço que poderia receber no momento. Alguns minutos depois o forno
apitou anunciando que a torta estava pronta e elas sorriram desfazendo o
abraço.
- Você cortou o cabelo. Ficou muito bom. –
Disse Sel sentindo que finalmente poderia ser ela mesma com Demi sem receios. E
de tanto que ela observava o caimento do cabelo de Demi, quase que queimou os
dedos porque a forma estava quente.
- Fiquei com vontade de cortar. – Disse Demi
se escorando sobre o balcão onde Sel organizava a torta. – Separei algumas
roupas que não estou usando. Pensei em levar para instituição de caridade. –
Selena arqueou uma sobrancelha e Demi assentiu.
- Nós podemos levar esse final de semana, o
que você acha? – Sel tirou as luvas e buscou por dois pratos no armário. –
Vamos esperar esfriar um pouquinho. – Disse e Demi assentiu.
- Eu
ainda vou lavar e passar. Se der tempo, nós podemos levar no final de semana. –
Elas sorriram e Selena se aproximou para abraçar Demi por trás e aperta-la até
que elas estavam rindo como nos velhos tempos.
- O que você fez nesses dias? – Perguntou
Sel ainda abraçando Demi que enlaçou os dedos aos dela e se acomodou da melhor
forma que podia ao abraço.
- Pensei sobre muitas coisas. – Demi se
esforçou para fitar os olhos de Selena porque precisava fita-los. – Chorei o
que eu tinha para chorar, dormi, tomei cerveja e andei por aí sem rumo. –
Selena riu com o rosto escondido no ombro de Demi.
- São raras as vezes que você toma cerveja.
– Disse dando um suave beijo no maxilar de Demi para então desfazer o abraço. –
E você não deveria tomar já que ainda está se recuperando.
- Eu precisava tomar. Nem fiquei tonta, e é
cerveja, não é nada demais. – Explicou-se buscando pelo celular na bolsa
enquanto Sel cortava a torta.
- Tudo bem, você precisava disso. – Disse a
servindo com a torta. – Mas eu fiquei preocupada, você ficou inacessível. Quem
me disse o que aconteceu foi o Eden. – Demi revirou os olhos, mas riu baixinho ao atualizar o instagram e se deparar
de cara com uma foto de Ed com Joe.
- E você brigou com ele. – Terminou o que
Selena queria dizer e mostrou a foto.
- Nada
melhor que curtir a noite com o melhor amigo. Eles estão num bar? – Demi
não resistiu e riu alto quando Sel pegou o celular para analisar o local onde a
foto tinha sido tirada. – Eu mato o Eden é hoje. Aliás, deixe-o. Ele está me
pirraçando porque sabe que eu odeio esse bar. É cheio de piranhas. – Disse e Demi cerrou os olhos quando voltou a olhar para
foto. Joe estava bonito demais vestido com o suéter verde e sem óculos de grau.
- Deixe-os. Eu realmente não me importo com
os lugares que o Joe frequenta, claro, contando que ele não faça besteira. –
Comentou guardando o celular e Selena nada disse por que estava emburrada. –
Sel, você não deveria brigar com o Ed por minha culpa.
- Não foi sua culpa. O único culpado é ele
mesmo por ser um idiota! Nós também já conversamos sobre segredos, mentiras e
tudo mais. Ele sabe como isso é importante para você. E se é importante para
você, também é importante para mim. Eu perdi a paciência com o Joe no hospital,
mas o Ed.. Demi, ele sabe que o Joe é inexperiente e deveria ter o aconselhado
melhor. Isso é tão sério e eu acho incrível a cara de pau dos dois por ter
ficado esse tempo todo sem falar nada. – Demi acabou assentindo. Selena tinha
razão, mas de certa forma Ed não precisava passar por aquela situação.
- Está uma delícia. – Disse Demi algum tempo
mais tarde depois de provar a torta em silêncio que já não era problema. – Eu
acho que está ficando tarde. – Comentou fitando o relógio de parede e Selena
arqueou uma sobrancelha.
- Nada disso. Dorme aqui? – Tinha como dizer
não? Demi fitou os olhos de Selena e acabou sorrindo como se assentisse.
- Vamos fazer assim, eu vou embora quando os
seus pais chegarem. – Disse e Selena negou fazendo careta.
- Você tem roupas limpas no meu closet. É
pedir demais para você dormir comigo? – Eram raras as vezes que Demi se
recusava a dormir na casa dos Gomez, e quando acontecia Selena sempre dava um
jeitinho de conseguir reverter a situação. – Poxa Dem, você nunca mais dormiu
comigo. Eu sinto falta de ter o nosso tempo.
Tudo que fazemos é trabalhar e cuidar desses dois bananas. Precisamos do nosso momento.
- Deixa de ser chantagista! – Resmungou Demi
começando a ajudar Sel com a cozinha. – Nós duas sabemos como você pode ser
dramática quando quer.
- Nossa, eu só quero passar um tempo com a minha melhor amiga e sou taxada de
chantagista e dramática. Obrigada Demetria. – Ah! Demi largou o que estava
fazendo e se aproximou para abraçar Selena por trás.
- Eu vou dormir com você, chata. – Disse e
Selena sorriu de orelha a orelha. – Agora amanhã nós temos que acordar mais
cedo porque temos trabalho.
- Você querendo acordar cedo? – Disse Selena
de sobrancelha arqueada. – Acho que vai chover hoje, só pode. – Pirraçou e Demi
revirou os olhos.
A
cozinha estava organizada em menos de dez minutos já que eram poucos os
utensílios sujos. Quando terminaram, Demi riu porque Selena apagou a luz da
cozinha e apressou o passo para longe dali. E como era medrosa, a televisão da
sala continuou ligada assim como as demais lâmpadas.
- Eu vou tomar banho, fica à vontade. –
Disse Sel a Demi que assentiu se deitando a cama.
Dormir era tão bom que Demi conseguiu cochilar
enquanto Sel tomava banho. O corpo chegou a ficar preguiçoso e mole quando ela
se ergueu para olhar para a amiga que tinha acabado de voltar do closet usando
roupas de verão para dormir.
- Eu iria falar para você tirar o all star
antes de entrar no banheiro, mas você é muito folgada e já tirou. – Demi
mostrou língua e sorriu para provoca-la quando Sel se deitou ao
lado. – Você é tão preguiçosa, Dem. – Comentou quando Demi fechou os olhos e
respirou fundo.
- Eu só gosto de dormir. Não me julgue. –
Ronronou de olhos entreabertos.
- Dormir, comer e transar. – Selena deslizou
os dedos no couro cabeludo de Demi justamente para vê-la fechar os olhos e se
aproximar mais toda manhosa.
- Na verdade é dormir, transar e comer. –
Corrigiu esboçando um sorriso preguiçoso. – E você gosta exatamente das mesmas
coisas que eu, então não pode falar nada. – E Selena não disse, fitou os olhos
de Demi e se acomodou mais a cama. - Você se lembra daquela vez que nós
dormimos fora pela primeira vez? – Disse Demi alguns minutos depois de receber
o carinho que tanto gostava. – Que a sua mãe chamou a polícia porque a gente
não atendia ao celular.
- Como esquecer?! Foi divertido. – As duas
riram e coraram porque a adolescência tinha sido incrível e cheia de aventuras.
– Nós entramos no pub com identidades falsas, bebemos e..
- E você foi para cama com aquele cara e eu
com o amigo dele. – As bochechas dela coraram assim como as de Selena, mas elas
riram se lembrando da emoção que tinham vivido naquela noite.
- Eu não acredito que nós fizemos aquilo.
Quer dizer, não tem nada de errado transar com um cara que você conhece há
poucas horas, é só que nós éramos tão novas. – Comentou Selena.
- Jovens e imprudentes. – Disse Demi se
deitando de costas para poder fitar o teto. – Eu não faria diferente. Foi bom e
nós aproveitamos.
- O pior foi chegar tarde, vomitando e com a
polícia na porta de casa. E a bronca? – Demi assentiu e esboçou um pequeno
sorriso se lembrando da época. A adolescência foi cheia de momentos incríveis,
decepções com Dianna e a marcante morte de Amélia.
- A minha avó faleceu algumas semanas
depois. – Comentou um pouco triste. Amélia não era muito diferente de Dianna,
às vezes até mais rígida e fria. As duas tinham o mesmo objetivo: luxo e
dinheiro. A diferença era que Amélia tinha conquistado Demi com pequenos gestos
de carinho enquanto Dianna estava envolvida demais com homens, sexo, dinheiro e
só Deus sabe lá mais o que. – Às vezes eu sito falta dela. – Demi fechou os
olhos quando sentiu os dedos de Selena deslizarem suavemente pelo couro cabelo,
ela suspirou e quando abriu os olhos, umedeceu os lábios fitando os olhos da
amiga.
Era
boa a conexão que elas tinham. A forma como se entendiam e se completavam. Demi
fitou os olhos marrons de Selena por algum tempo e sentiu um pequeno
desconforto no estomago, o coração acelerou um pouquinho e os pelos do braço
arrepiaram quando o carinho no couro cabeludo ficou mais lento. E Selena também
ora fitava os olhos de Demi ora fitava o rosto admirada em como as sardas na
pele clara eram bonitas e delicadas.
Como
tinha guiado a mão para o rosto de Sel, Demi não sabia, só que era bom
acariciar a maçã das bochechas e o maxilar. Elas se olharam por mais um tempo
curiosas uma estudando a beleza da outra. Aos pouquinhos se aproximaram sem nem
perceberem o que estava acontecendo. Demi ainda fazia carinho na bochecha de
Selena que levou o carinho que fazia no couro cabeludo para o queixo. Se
olharam mais uma vez, Demi umedeceu os lábios e fitou os de Selena. As
bochechas coraram, mas ela nem percebeu, voltou a fitar os olhos da amiga
sentindo o coração disparar no peito e segundos mais tarde ela fechou os olhos
envolvida com o momento.
O
toque foi delicado e digno de arrepios. No começo era apenas um selinho
demorado que se transformou num beijo quando Demi entreabriu os lábios e se
curvou mais sobre o corpo de Selena. Era tão diferente beijar uma garota. Elas
se separam por breves segundos para se olharem e então Demi se deitou sobre o
corpo da amiga que a abraçou a puxando para um beijo intenso e demorado.
Os
corações estavam disparados, pois a adrenalina que corria pelas veias só
crescia a cada avanço. Do beijo surgiram os toques por partido de Selena que
deslizou as mãos pelas costas da amiga e a abraçou com mais força contra o
corpo começando a adentrar a camisa que Demi usava com as mãos ainda na
região das costas. E Demi deixou um maldito gemido escapar quando teve as
mechas de cabelo enlaçadas aos dedos de Selena. Elas se separaram ofegantes, os
lábios avermelhados e as respirações misturadas por conta da proximidade, porém
não pararam. Selena mordeu suavemente o lábio inferior de Demi e dali começou
um beijo molhado e aos pouquinhos ela conseguiu ficar por cima guiando Demi para se deitar.
Acomodada
a cama com as roupas desgrenhadas, os lábios avermelhados e o cabelo
esparramado pela cama, Demi fitou os olhos de Selena. Elas não disseram nada
porque não tinham coragem, porém não deixaram de se olhar. E Demi estava admirada
com a beleza de Selena. O cabelo longo e pesado dela estava desgrenhado e era
tão sexy. Os lábios rosados e os olhos castanhos fitavam os dela. Uma mão foi a
cintura e a outra a bochecha quando Selena se curvou para beija-la novamente. E
como tinha pensado, era muito diferente beijar uma garota. O beijo de Selena era
suave e delicado, o cheiro delicioso e doce e a pele macia. Demi gostava muito
de como o cabelo de Sel roçava o corpo, e quando uma mecha intrometeu-se entre
o beijo, ela esboçou um pequeno sorriso a colocando atrás da orelha.
Um
novo beijo aconteceria novamente, aliás, os lábios tocaram-se e aos pouquinhos
as línguas roçaram-se. As mãos de Demi estavam por debaixo da camisa de Selena espalmando
a pele macia das costas enquanto Sel descia as mãos das costas de Demi para
baixo. Elas estavam envolvidas, porém quando ouviram “Selena, nós já chegamos” na voz de Mandy, foi como tomar um choque de realidade.
- Querido, eu vou ver se a Sel está
dormindo. – A voz da mãe de Selena estava cada vez mais próxima e dentro do
quarto, as duas amigas estavam sem reação, mal conseguiam se olhar e os
corações estavam acelerados.
Mandy
abriu a porta do quarto devagar porque não queria atrapalhar o sono da filha, e
Demi e Selena não souberam o que fazer quando a mulher sorriu surpresa.
- Demi, quanto tempo! – Bem, não dava para
ignorar. Demi forçou um sorriso e se levantou claramente sem graça para receber
o abraço da mãe de Selena. – Você está bem? – Mandy perguntou a olhando nos
olhos e Demi franziu um pouco o cenho, umedeceu os lábios e assentiu
desconcentrada. – A Selena me contou o que aconteceu. Quero que saiba que nós
sempre estaremos aqui para você, ok? Você é parte da família, querida. – Como
lhe dar com aquilo? Tudo estava errado e confuso. Demi lançou um rápido olhar
para Selena que estava cabisbaixa e fitou Mandy.
- Obrigada.. – Disse corada e logo forçou um
sorriso que não passou despercebido por Mandy.
- Vocês estão estranhas. – Comentou Mandy as
analisando, mas os pensamentos nem chegavam perto do que realmente tinha
acontecido naquele quarto. – Tudo bem, eu não vou me intrometer porque vocês já
são grandinhas e sabem se cuidar. Nós trouxemos comida, se quiserem, vou
organizar.
- Eu já estou indo. – Disse Demi tão rápido
que Selena franziu o cenho e Mandy estranhou o comportamento.
- Está tarde, fica para dormir. – Disse
Mandy. Definitivamente não! Seria demais dormir com Selena depois do que tinha
acontecido.
- Eu tenho que resolver algumas coisas ainda
hoje.. – Murmurou Demi coçando a nuca e Mandy franziu o cenho fitando Selena.
- Selena. – Chamou pela filha e quando ela
arqueou a sobrancelha, Selena soube que levaria uma bronca da mãe caso
continuasse calada.
- Você pode dormir aqui. – A voz de Sel soou
baixa e ela estava corada de vergonha. – Está realmente tarde. – Completou e
foi tão desconfortável para Demi fitar Mandy e depois Selena. Ela não sabia o
que poderia usar como desculpa já que enganar a mãe de Sel era mais difícil que
ganhar na loteria.
- Vou buscar o travesseiro e a coberta. – O
silêncio que se instalou quando Mandy saiu foi absurdamente constrangedor e
desconfortável. Demi não tinha coragem nem mesmo para mover um músculo e Selena
tentava encontrar alguma forma de melhorar a situação, se é que era possível.
- Vo..Você pode ficar à vontade.. Tem roupas
no closet, caso queira tomar banho. – Que conversa era aquela? Demi respirou
fundo e assentiu cabisbaixa sem saber o que dizer, ela sabia exatamente que
estar na casa de Selena era como estar em casa porque elas já tinham passado
daquela fase há muitos anos.
Era
melhor ir tomar banho, e Demi tentaria fazer o máximo para demorar só porque
não queria ter que enfrentar a situação. Ela buscou por roupas no closet e
quando voltou para o quarto respirou tranquila porque Selena não estava mais na
cama. Sozinha no banheiro, Demi fechou os olhos depois de se olhar no espelho
tentando entender o que tinha acontecido. Tudo aconteceu rápido e no fundo,
Demi se sentia culpada porque tinha gostado de beijar Selena.
E
Joe? Ed? Elas tinham ultrapassado todos os limites permitidos. Seria complicado
dali pra frente, aliás, complicado era pouco! Demi franziu o cenho e quando a
vontade de chorar a pegou desprevenida, ela preferiu começar a se despir para
tomar banho. Selena entenderia se ela demorasse um pouquinho. Demi tinha
certeza que entenderia.
***
- O papai vai cantar uma canção para você,
bebê. – Cuidar de Alicia era o que acalmava a alma de Inácio. E ultimamente ele
estava inquieto e tão triste que tinha se isolado. Desde que Demi descobriu a
verdade e ele também, Inácio ignorou o trabalho, os irmãos e focou em fazer o
que ele precisava: cuidar das filhas. E naquela noite Alicia era a prioridade.
– Ei meu amor, o papai ama muito você. – Ele
sussurrou a pequena a aninhando nos braços e Alicia bocejou arrancando um
sorriso do pai que a embrulhou na manta e começou a cantar da melhor forma que
podia. Inácio inclinou-se na cadeira de balanço para impulsiona-la. Crianças
dormiam facilmente quando eram balançadas suavemente, e não foi diferente com
Alicia que pegou no sono pouquíssimos minutos mais tarde.
O
coração estava partido em todos os sentidos e Inácio não sabia o que fazer. Ele
tinha uma vida boa, tudo sobre controle e consequentemente estabilizado. Porém
as coisas mudaram drasticamente com a morte da esposa, a descoberta sobre Demi
e a morte do pai. O que mais o abalava era realmente a história da filha. Ele
tinha acreditado em Dianna e pela primeira vez em meses de sofrimento,
considerou abrir o coração e investir num relacionamento.
A
mulher mentiu e ele caiu tão facilmente! Se Demi não fosse parecida com as
irmãs, com certeza Inácio exigiria um exame de DNA. A garota era dele, e ele
podia sentir e queria muito estar presente como era na vida das outras meninas.
- Acho que nós precisamos conversar. – A voz
de Anna soou suave para não acordar a pequena Alicia e a passos leves, ela
adentrou o quarto e se aproximou do pai e da irmã. – Deixe-me coloca-la no
berço, papai. – Inácio não disse nada, entregou a pequenina nos braços da filha
e a observou beijar a irmã antes de coloca-la corretamente no berço como ele
tinha ensinado anos atrás quando Hannah era bebê.
- Onde está Bella? – Perguntou Inácio se
levantando para abraçar a filha.
- Está no quarto com as meninas. Elas estão
envolvidas com alguma coisa no computador. – Disse fitando os olhos do pai. –
Você já comeu? Estou preocupada com você, papai. – O sorriso de Inácio
geralmente era cheio de vida e felicidade, porém agora estava triste e forçado.
– O que está acontecendo? – Anna insistiu espalmando o peito do pai e logo
arrumando a gola da camisa de botões. – Você precisa relaxar, grandão. Para de ser tão orgulhoso, não
precisa carregar o mundo nas costas sozinho. Eu e a Bella podemos muito bem
ajudar a cuidar das meninas e das despesas. Você está tão distante e estranho,
não estou o reconhecendo.
- É minha obrigação cuidar de vocês. – Ele
disse abraçando a menina de lado sentindo o coração rasgar ainda mais o peito
porque as filhas tinham o dom de emociona-lo com simples gestos como aquele. –
É que aconteceram tantas coisas. – Deixou escapar de olhos marejados. Talvez
conversar com a filha não fosse uma ideia ruim, Inácio só não queria
sobrecarregar a menina com problemas.
- Então vamos conversar? Você precisa, eu
estou sentindo. – Inácio fitou os olhos da filha e assentiu com muito custo. Ele
geralmente preferia bancar o pai durão que nunca chorava ou precisava de ajuda,
mas sempre acabava cedendo.
- Eu não quero incomoda-la com as minhas
coisas. Você precisa descansar, amanhã tem aula cedo. – Disse Inácio um pouco
sem jeito conforme a menina o puxava para fora do quarto pela mão.
- Eu me importo mais com você do que com a
faculdade. Então vamos, nada de ficar guardando tudo só para você. – Anna só
soltou a mão do pai para abrir a porta que dava acesso ao deck onde eles
poderiam conversar em paz. – Antes de começarmos a conversar, você quer comer?
– Perguntou e Inácio franziu o cenho sem entender. – Pai, eu só vou te deixar
sair quando você ficar bem.
- Filhote,
não precisa se preocupar. – Não tinha como não sorrir e se sentir sortudo por
ter filhas especiais como as dele. Inácio abraçou a menina e sorriu emocionado.
– Tudo bem, nós vamos conversar. – Cedeu quando fitou os olhos de Anna que
mostravam como ela se importava com ele.
O
deck possuía o ambiente ideal para o momento. As cadeiras de balanço eram
confortáveis, o jardim naquele local era uma espécie exótica e bonita de
plantas e o céu estrelado a vista mais fascinante que alguém poderia apreciar. Inácio
se acomodou na cadeira de balanço assim como Anna e por minutos eles seguiram
em silêncio gostando de como tempo estava agradável e a noite bela.
- Então Sr. Lovato, pode começar a falar. –
Disse Anna arqueando uma sobrancelha e esboçando um sorriso para o pai.
- Você não vai desistir. – Inácio puxou as
mangas da camisa e respirou fundo.
- Não, eu não vou. – Anna sustentou o olhar
do pai e Inácio engoliu em seco sem saber o que poderia contar primeiro.
- Você sabe a minha história com a sua mãe.
– Começou a dizer tomando toda atenção de Anna. – Nos casamos porque eu a
engravidei. – Disse e Anna assentiu se lembrando das vezes que a mãe tinha
contado a história. – Quando nos conhecemos não era nada sério, então não
firmamos namoro. Alguns dias depois eu conheci uma moça que foi visitar a
chácara do seu avô... Foi paixão a primeira vista. – Ele disse um pouco
ruborizado e Anna sorriu. – Nós passamos boas semanas juntos namorando e
fazendo planos para o futuro. – Esquecer Dianna deu tanto trabalho, e quando
ela voltou vinte três anos depois, Inácio soube que nunca tinha superado o que
sentia por ela. – Então sua mãe apareceu grávida. Foi uma confusão, casamos
duas semanas depois e tudo mudou. – Anna assentiu porque sabia exatamente tudo
que os pais tinham enfrentado desde o início ao fim. – Descobri que tenho mais
uma menina, filha. – Ele disse engolindo em seco porque não conseguia esquecer
o choque no rosto de Demi quando ela descobriu toda verdade. Doeu nele vê-la
sofrer. – Ela é da idade de você e Bella.
- Ela é filha da moça da chácara? – Anna
perguntou surpresa com a informação. Não era uma notícia ruim, só era
literalmente uma surpresa.
- É. E eu só vim saber depois de vinte e
três anos. – Disse de cenho franzido porque ele estava confuso. Dianna tinha
mentido, assim, algumas partes da história poderiam ser falsas como o estupro.
- Eu só não entendo o porquê de você estar
tão triste e preocupado. Nós somos seis, mais uma garota para animar essa casa
não será ruim, aliás, será um caos, porém tenho certeza que divertido. – Anna
sabia que não era perfil de Inácio ficar tão tenso com uma descoberta como
aquela. Ele era um pai nato, e sempre acolhia de braços abertos todos que
precisavam de cuidados que só um pai podia oferecer.
- Ela
é fantástica! Eu quero tanto trazê-la aqui, ela cresceu sozinha e precisa
da companhia de você e das suas irmãs. – Ele sorriu se lembrando dos poucos
momentos que tinha vivido ao lado de Demi. – Só que a situação é complicada. –
Disse de cenho franzido e acabou massageando o cenho porque estava chateado por
estar de mãos atadas. – A mãe dela mentiu para mim e para ela. Demi não quer
falar comigo e eu não sei o que fazer para inverter essa situação.
- Que tipo de mentira? – Perguntou Anna e
Inácio engoliu em seco desviando o olhar da menina para o céu escuro e
estrelado.
- Eu não sei exatamente. Demi passou mal há
três dias, eu estava com a mãe dela, a Dianna, e nós a levamos ao hospital. Ela
não sabia nada sobre mim, Dianna disse que eu era um amigo da época da
adolescência. Nós passamos a tarde toda no hospital, e quando saímos, foi um
desastre. O seu coordenador veio falar comigo, ele me chamou pelo sobrenome e
foi aí que a Demi descobriu. Ela ficou assustada e disse coisas que eu não
entendi. Só depois que a Dianna disse que mentiu, que nós dois entendemos tudo
que acontecido. Demi pensava que era fruto de um estupro, que eu violentei a
mãe dela.. – Inácio fechou os olhos e deixou algumas lágrimas rolarem. – E tudo
que eu sabia era que o seu avô tinha estuprado a Dianna.
- Meu Deus! – Anna franziu o cenho e enlaçou
os dedos aos do pai. Agora sim fazia sentido o recente repudio que Inácio tinha
desenvolvido do próprio pai. A ausência no sepultamento e a frieza que ele
demonstrou enquanto todos da família estavam de luto.
- Eu não me despedi dele. Apenas
descarreguei toda a minha frustração antes dele partir na minha frente. –
Quando as lágrimas inundaram o rosto, Inácio tentou controla-las porque Anna
era apenas uma garota que também estava sofrendo por ter perdido alguém
especial. – Eu não sei o que é verdade ou mentira. A única certeza que tenho
dessa história toda é que Demi é minha filha.
- A culpa não é sua. Sei que deve ser
difícil, mas eu tenho certeza que o vovô entende. Ele sabe que você o ama. –
Disse a menina e Inácio a abraçou da forma que conseguiu.
- Não conte nada a suas irmãs, meu anjo. Eu
ainda não sei o que fazer. – Anna assentiu limpando as lágrimas do rosto do pai
e carinhosamente o beijou na bochecha.
- Dê tempo ao tempo. Imagina só como deve
estar confuso para ela saber que tem um pai. Ela precisa processar todas essas
informações, então é melhor você não ficar insistindo. Daqui alguns dias ou meses, você tenta se aproximar. E quem sabe
antes disso ela vem atrás de você? É uma possibilidade. – Inácio pensou nas
palavras da filha e assentiu. Se tinha sido doloroso para ele, imagina para
Demi?!
***
Passar
praticamente à noite toda em claro não estava nos planos de Demi. A começo,
quando se deitou para dormir, o clima seguiu tenso e pesado dentro do quarto.
Selena murmurou boa noite e Demi fez
o mesmo. Elas preferiram ficar de costas e manter a distância. O ruim era que
compartilhavam a mesma cama. Os minutos se arrastaram para passar, Demi tentou
fechar os olhos e se concentrar para dormir, porém sem sucesso. O que seria
dali pra frente? Quem teria coragem de comentar a respeito? Aliás, elas
comentariam? Fingiriam que nada tinha acontecido ou continuariam ficando? Tinha sido diferente, especial
e bom, muito bom! Mas não deveria acontecer, não era questão de acharem certo ou
errado ficar com uma garota, era porque elas eram amigas, melhores amigas!
Apenas amigas. Trocar aquele tipo de carinho não estava incluso no pacote, e
ainda havia Joe e Ed. As teorias que surgiam na cabeça de Demi só a deixava
mais incomodada e confusa. E quando juntou com a recente descoberta sobre o
pai, foi aí que o sono foi embora. Selena não estava muito diferente, e de tão
tensa que estava evitava se mover e mostrar a Demi que ela estava acordada. As
horas passaram e as duas cederam ao sono quando já não tinha mais jeito por
volta das cinco da manhã.
Como
o mundo costumava ser irônico e traiçoeiro, o tempo que dormiram passou tão
rápido e o que não era para acontecer, aconteceu. O relógio analógico redondo
com estampa de corações estava sobre o criado-mudo, o ponteiro menor apontava
para o número sete e o maior se moveu da casa do cinco para a do seis. Eram
sete e meia da manhã. O silêncio absoluto do quarto foi quebrado dando
lugar ao barulhento som do despertador.
A
cintura de Demi estava envolta pelo braço de Selena e entre as pernas estava a
direita da amiga. Elas estavam tão próximas e quentes. E de tão manhosa que
era, Demi se aninhava mais aos braços da amiga e se virou para abraça-la
murmurando um sonolento amor, me abraça. Uma
palavra resumia o início da manhã: constrangedora. Se elas não tivessem feito o
que não deveriam, seria motivo de muitos risos, porém quando perceberam o que
acontecia, se afastaram no mesmo instante como se uma fosse alérgica a outra.
Demi
nem mesmo escovou os dentes, vestiu a roupa da noite anterior e disse a Selena
que iria embora se arrumar para o trabalho. E Sel não disse nada, assentiu e
viu a amiga partir às pressas sem saber exatamente o que poderia fazer.
Pegar
um táxi deveria ter agilizado a ida para casa, mas o carro ficou preso no
engarrafamento da manhã por pelo menos dez minutos. Demi se arrumou rápido para
ir trabalhar certificando-se em se vestir de preto porque a cor não a
complicaria como a péssima escolha de roupa que tinha feito dias atrás. Ela
chegou quase trinta minutos atrasada, e resolveu que não sairia do escritório
para nada. E a fome veio, sim, ela estava faminta porque eram quase dez horas
da manhã e estava sem comer. Demi arriscou olhar pelas brechas da persiana procurando
por Selena, e quando a avistou sentada a cadeira giratória e tentando se
concentrar no trabalho, ela soube que era a oportunidade perfeita para ir ao
refeitório.
Abrir
a porta sem chamar atenção exigiu muito esforço e Demi tentou não olhar na
direção de Sel, apressou o passo certificando-se que o sapato de salto não
faria barulho e foi um alívio quando ela estava sozinha. Descer de elevador
estava sem condições, então tranquilamente Demi desceu o jogo de escadas que
levaria ao refeitório. Naquele horário todos estavam trabalhando, então o lugar
estava tranquilo. Demi pediu por rosquinhas e para acompanhar uma xícara com
café com leite. Ela se acomodou na mesa de sempre, e conforme comia sem muita
pressa, fitava a vista panorâmica da janela daquele andar. As pessoas pareciam
formigas e os carros brinquedos, Demi observou o movimento da cidade como gostava
de fazer de mente limpa e com a melhor sensação de paz depois de tantas
turbulências.
- Demetria. – O susto foi tão grande que
Demi quase derramou o café com leite e engasgou com a rosquinha. – Eu não
queria assusta-la. – Disse Ed puxando a cadeira a frente e Demi piscou algumas
vezes sentindo o coração começar a acelerar porque ela estava com medo de
Selena aparecer. – Eu realmente sinto muito por tudo que aconteceu. Quando o
Joe me contou, eu não soube o que fazer e nem como aconselha-lo. Quero que
saiba que nossa intenção não era machuca-la, nós só queríamos te proteger de
alguma forma. – Ed estava sem jeito e parecia realmente preocupado, já Demi só
conseguia pensar no que ele faria caso descobrisse o que tinha acontecido na
noite passada. – Nós fizemos a escolha errada e você tem todo o direito de
ficar chateada, nós entendemos. – Que droga! Demi umedeceu os lábios e não
disse nada, fitou a vista pela janela tentando esquecer Selena e fitou os olhos
de Ed observando como o verde era bonito.
- Eu realmente estou chateada, vocês
deveriam ter me contado o quanto antes. – Disse por que era o que ela teria
feito. – Mas eu.. Hum.. – Murmurou fitando os olhos do amigo. – Eu estou
tentando entender e sei que vocês não fizeram por mal.
- O Joe sente a sua falta. – Disse Ed um
pouco mais à vontade e o coração de Demi disparou no peito. Ela sentia muito a
falta de Joe e o lado emocional já tinha o perdoado, mas o racional... E depois
do que tinha acontecido com Selena, ela não sabia o que fazer.
- Eu ainda estou chateada e pensando a
respeito de tudo que aconteceu, então eu vou continuar na minha. – Demi sustentou o olhar de Ed e só o desviou quando
voltou a comer.
- Eu entendo, não faria diferente se
estivesse no seu lugar. – Ed buscou pelo celular no bolso e Demi continuou a
comer tentando não pensar em nada. E quando ela terminou, aceitou a companhia
do amigo na volta para o departamento. Eles subiram de escada trocando poucas
palavras e não foi nada desconfortável, só estranho para Demi porque ela
pensava na reação de Ed quando soubesse..
E
era claro que eles tinham que topar logo com Selena quando chegaram ao
departamento. Todo mundo tinha resolvido usar a escada? Demi apostava que Sel
iria descer de escada pelo menos motivo que ela. Foi uma droga! Quando Selena
avistou Ed, a postura mudou completamente e ela fez questão de fuzila-lo com os
olhos e fechar a cara, já Ed quase se encolheu de medo da namorada, mas
resolveu não confronta-la como fez na noite em que brigaram.
- O Marcus está no seu escritório. – Disse
Selena a Demi tentando soar normal, porém Ed a irritava e a situação com Demi
também.
Marcus
a esperando cheirava a problema. Demi assentiu nervosa com toda a situação e
despediu-se de Ed com um sorriso forçado, e ele não a deixou ir sem envolvê-la
num abraço e beija-la carinhosamente na testa. Não porque queria pirraçar Selena,
era que Demi era importante. E Ed também seguiu caminhou depois de trocar um
rápido olhar com Selena, um olhar curioso e carente.
- Srta. Lovato. – Demi fechou a porta do
escritório e se aproximou para apertar a mão de Marcus que a esperava em pé
aparentemente de bom humor.
- Sente-se, por favor. – Disse educadamente
se acomodando a poltrona e quando Marcus se sentou na poltrona onde geralmente
os clientes da empresa se sentavam, Demi se sentiu nervosa com o que estava por
vir.
- Posso chama-la de Demi? – Ela não entendeu
o que aquilo significava, mas assentiu prontamente. – Eu estou aqui em nome da
Gyllenhaal para dizer que você terá todo o suporte necessário para se recuperar
dos abusos do meu cunhado. – Demi franziu o cenho e arqueou a sobrancelha logo
em seguida. Ao menos ela não levaria uma bronca.
- O que aconteceu? – Perguntou sem conseguir
esconder a curiosidade estampada nos olhos.
- O Jake responderá por abuso sexual e você
é uma das vítimas. Os crimes aconteceram dentro do ambiente de trabalho e é meu
dever como presidente dar suporte a todas as vítimas. – Disse Marcus sem
dispensar o tom profissional e elegante de sempre. – Sinta-se à vontade para
procurar por ajudar, caso necessário. – Marcus desabotoou o paletó e sustentou
o olhar de Demi sem dizer uma palavra, até que ele cruzou as pernas e enlaçou
os dedos. – E não se esqueça das suas tarefas
dentro da empresa, Srta. Lovato. – Por
que diabos ele era tão misterioso? Demi franziu o cenho quando Marcus se
levantou e saiu sem ao menos se despedir. Era melhor um estranho a um tarado,
aquilo era fato.
Como
sabia que tinha algo de errado acontecendo, Demi buscou pelo celular e
atualizou o portal de notícias da cidade. Neto
do multimilionário Jason Gyllenhaal é condenado por abuso sexual. A Gyllenhaal, que completará quarenta anos dentro de dois meses, perde pela primeira vez em vinte e nove anos a primeira posição nos principais rankings mundiais por conta dos
escândalos que vem enfrentando. Era claro que Marcus estava tentando
proteger a Gyllenhal. Não era porque ele gostava dela, era porque as coisas
poderiam se complicar ainda mais para a empresa. Era daquela forma que
funcionava o mundo dos negócios. As pessoas eram geridas apenas para trazer
bons resultados, e para isso elas precisavam estar bem. Demi continuou a
atualizar o celular. Assaltos, engarrafamento, reportagens sobre o inverno que
chegaria em poucos meses.
Uma das foragidas do
hospital psiquiátrico da Pensilvânia foi vista no centro de Nova York. Para
informações, entrar em contato com a polícia.
A
notícia não era familiar. Demi franziu o cenho tentando decifrar de quem
pertencia o rosto da foto, porém a imagem estava ruim. Eram poucas as
informações que a reportagem oferecia. Como eles poderiam querer encontrar uma
pessoa se nem a foto e nome ofereciam? A única informação relevante era que a
jovem tinha por volta dos vinte e três anos e que já tinha cometido um
assassinato.
“Posso te buscar?” –
Joseph. A
mensagem tirou toda atenção de Demi da reportagem. Ela abriu a conversa com Joe
e não soube o que dizer, mas quando percebeu já tinha enviado um “Sim.”.
A
foto de perfil dele estava diferente. Demi sorriu quando ampliou a imagem.
Aquela manhã de domingo tinha sido tão especial. Na foto ela estava de olhos
fechados deitada com a cabeça no peito nu do namorado que sorria para foto. E
para completar Lucy também estava com eles no meio da bagunça da cama. Demi
também se lembrou que tinha sido muito bom fazer amor com Joe à noite toda e
acordar tarde.
No
resto do dia, a ansiedade a acompanhava. Aliás, várias sensações estavam
presentes. Teve um momento em que ela não conseguiu se concentrar porque
pensava em Inácio. Ela tinha um pai e pelo que se lembrava, seis irmãs. Era uma
família grande! Muito grande e Demi se imaginou fazendo parte dela. Então quando a face de Dianna se
projetou na mente, Demi franziu o cenho e pensou enquanto trabalhava no porque
da mãe mentir e maltrata-la. Eram tantas coisas que o dia se resumiu em trabalho
sem cessar e pensamentos aleatórios, ela nem mesmo saiu para almoçar de tão
concentrada que estava.
- Srta. Lovato, nós já encerramos. – Quando
bateram à porta Demi apenas permitiu a entrada. E era o segurança da
Gyllenhaal. Estava escuro! A vista pela janela era da noite em Nova York e Demi
arregalou os olhos fitando o notebook e os papeis sobre a mesa de trabalho. – O
seu namorado está lá em baixo esperando. – Ela assentiu e murmurou um obrigada
começando a arrumar a mesa para ir embora. O celular estava cheio de
notificações, porém nenhuma muito relevante. Só a mensagem de Joe, é claro.
Não
tinha como arrumar muito a mesa porque no dia seguinte ela retomaria o que
estava fazendo. O notebook foi desligado e os bolos de papel jogados no lixo.
Demi pegou a bolsa, passou um pouco de batom nos lábios e saiu do escritório.
As lâmpadas estavam apagadas e o que iluminava o departamento era a luz da lua.
Observando o departamento escuro, Demi franziu o cenho ao flagrar uma luminária acesa. A
luz que vinha do interior da luminária era tão fraca que quase passou despercebido.
Demi arrumou a bolsa ao ombro e caminhou até a mesa vez ou outra olhando para
trás já que ela estava sozinha. O coração disparou ao se aproximar e quase
parou ao encontrar Mary debruçada sobre a mesa, e o pior era que ela estava
acordada e o olhar se fixou ao de Demi no mesmo instante que ela desligaria a
luminária.
- Você está bem? – Perguntou Demi tendo que
engolir em seco porque ainda estava assustada. Mary sustentou o olhar dela por
alguns instantes e se ergueu. – Eu.. Eu estava indo embora e vi a luz acesa. –
Comentou desconcentrada e olhando na direção da luz do corredor na esperança de
encontrar o segurança de mais cedo.
- Acabei cochilando, hoje foi muito corrido
e eu tive que resolver algumas coisas da mamãe. – Comentou Mary organizando a
bolsa agilmente e Demi não deixou de notar a pasta que estava sobre a mesa. Não
tinha nada com a Gyllenhaal, mas não dava para saber exatamente do que se
tratava porque havia outros objetos sobre a mesa. – Eu estou bem Demi, obrigada
por perguntar. – Ela disse a olhando nos olhos e Demi assentiu umedecendo os
lábios e não gostando de estar sozinha com Mary.
- O bom é que com a internet conseguimos
resolver algumas coisas sem ter que sair de casa. – Comentou tentando quebrar
aquele clima super estranho entre elas. – Enfrentar filas.. – O coração quase
rasgou o peito quando Mary a olhou e assentiu. Elas caminhavam em direção ao
elevador e quando chegaram perto do transporte, Mary pagou as luzes do
corredor. – O que você está fazendo? – O desespero foi tão grande e o medo
quase a sufocou.
- Eu só estou apagando as luzes Demi, sempre
as apago antes de sair. – O braço de Mary roçou o dela, o que só ajudou o
coração acelerar e a face empalidecer. A sorte foi que as portas do elevador se
abriram, assim iluminando onde elas estavam.
- Achei que as luzes ficavam acesas. – Ela estava
tentando manter o clima agradável e não parecer tão assustada sem motivo. Na
verdade Demi ficava em estado de pânico quando se lembrava que Jason tinha sido
morto alguns andares acima, e foi numa noite como aquela.. – Eu quero dizer... Os
seguranças não fazem a ronda com as luzes apagadas. – Mary não a olhava, tinha
um batom em mãos e o passava nos lábios com a ajuda do espelho do elevador.
- Eles não passam por todos os
departamentos. – Disse quebrando o silêncio quando terminou com o batom. – O que
você acha? Essa cor combina comigo? – Demi fitou os lábios de Mary e assentiu a
observando. Ela era bonita e delicada. O cabelo escuro impecável, a pele tão
clara quanto a dela e os lábios avermelhados. O vestido preto e acinturado. E
bem, o colar com pingente de joaninha estava no pescoço de Mary. – O que foi
Demi? Você está estranha. – Demi fitou os olhos de Mary e depois o colar sem
conseguir disfarçar a curiosidade e tudo que Mary fez foi esboçar um pequeno
sorriso.
Era
claro que Jake tinha mais uma amante. E ninguém suspeitaria de Mary, uma jovem
tão discreta e de boa aparência. Talvez eles só queriam tirar o foco da relação
a usando. Demi umedeceu os lábios e preferiu ficar em silêncio. Jake e Mary.
Tão improvável que nem ela mesma acreditaria, porém as fotos estavam lá para
provar.
- Sabe Demi, eu achei a Selena tão triste
hoje. Está tudo bem? – Perguntou Mary a olhando como se soubesse exatamente de
tudo que tinha acontecido na noite passada.
- Está tudo bem. – Demi não a olhou, colocou
uma mecha do cabelo atrás da orelha e olhou com ansiedade para o painel que
informava o andar que o elevador estava, sorte era que estavam chegando ao
hall.
- Eu acho que você deveria ao desfile com a
gente no final de semana. Toda vez que saímos, a Selena comenta como sente a
sua falta. – Demi sustentou o olhar de Mary e depois fitou o colar voltando a
olha-la nos olhos.
- Quem sabe. – Elas se olharam por segundos e
Demi se controlou para não perguntar qual era o problema de Mary. As portas do
elevador se abriram e elas se depararam com o segurança e Joe prontos para
busca-las.
- Demi. – Não tinha mais Mary, Selena e nem
a confusão que Dianna tinha a metido mais uma vez. Demi sustentou o olhar do
namorado e Joe o dela. Os corações dispararam no peito e o pequeno sorriso
surgiu nos lábios. – Oi. – O sorriso dele era simplesmente lindo! Demi mordeu o
lábio inferior para evitar um sorriso e se concentrou para agir normalmente, pois
ela ainda estava chateada.
- Oi Joseph. – Joe estava arrumado. E ele
ficava tão absurdamente lindo de camisa social e gravata. Demi forçou um
sorriso para ele e se aproximou para caminharem para fora da empresa. E Mary já
tinha ido embora para a paz de Demi.
- Você está muito bonita. – Ele comentou
todo tímido quando saíram do prédio. A noite estava fantástica. O céu estrelado
e limpo. A cidade movimentada e só porque estavam juntos, tudo parecia muito
bom.
- Você também. – Disse Demi fitando a
aliança no dedo de Joe. – Onde você estava? – Perguntou caminhando ao lado dele
e aos pouquinhos Joe conseguiu enlaçar os dedos aos dela. Foi tão bom que Demi
sentiu arrepios por todo corpo e sorriu cabisbaixa.
- Meu primeiro dia na escola. As aulas
extras acontecem depois do turno da tarde até as seis e meia. – Joe sorriu de
lado quando Demi ergueu a cabeça para olha-lo. Ele arrumou os óculos de grau ao
rosto e umedeceu os lábios. – Você demorou, tudo bem? – Perguntou um pouco
receoso a observando. Demi estava um pouco diferente e ele não sabia em que
exatamente. Talvez era o fato dela estar vestida de preto, geralmente as roupas
que ela vestiam eram alegres e joviais.
- Hoje o dia foi produtivo e cheio, acabei
me envolvendo muito com o trabalho e perdi a hora. – Disse fitando o trânsito e
o movimento das pessoas. – E eu estou bem, nada de vômitos ou enjoos. –
Comentou antes que Joe perguntasse. E ele ficou tão sem graça que as bochechas
coraram.
- Ah. Ainda bem. – Os dedos estavam
enlaçados aos dela e eles caminhavam juntos pelas ruas de Nova York. Joe estava
incomodado com a situação e sem saber o que fazer. – Posso pagar um sorvete de
chocolate para você? – O carrinho de sorvete tinha sido enviado do céu, só
podia ser.
Demi
assentiu com um aceno o olhando nos olhos. E Joe adentrou o cabelo com os dedos
porque estava nervoso. Então ele puxou a namorada pela cintura e a beijou na
boca. Eles precisavam daquele beijo. Precisavam sentir como se amavam e como um
sentia falta do outro.
A
cintura delicada de Demi era apertada pelas mãos grandes. E as costas de Joe
eram espalmadas pelas mãos pequenas. Eles se abraçavam com tanta fome e ganância.
O beijo não tinha nada de delicado e não deveria acontecer em público, porém o
sentimento que ele despertava era especial e forte.
- Eu vou comprar sorvete de chocolate para
você, amor. – Joe ofegava e a olhava nos olhos. O rosto estava próximo do de
Demi a ponto dele sentir a respiração dela. – Vem. – Era para guia-la em
direção ao carrinho de sorvete, mas Joe acabou com os lábios nos dela num beijo
mais suave e rápido. – Vamos princesa. – O sorriso que eles trocaram foi tão
bonito e apaixonado. Joe puxou Demi pela mão e quando eles pararam perto do
carrinho do sorvete, o rapaz cumprimentou o sorveteiro e pediu o sorvete mais
caprichado que ele poderia fazer.
- Você é um amor. – Demi abraçou Joe de lado
e quando ele se ajeitou para abraça-la por trás, ela enlaçou os dedos aos dele
e ergueu a cabeça para olhar o namorado nos olhos. – Ei. – Ela sorriu quando
Joe se curvou e depositou uma série de selinhos nos lábios dela.
- Obrigado. – Disse Joe ao sorveteiro assim
que o pagou. – Aqui amor. – Ele entregou o sorvete a Demi e aproveitou para
colocar uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.
- Ei, obrigada. – Demi o olhou e Joe soube
que ela queria um beijo, então ele se curvou e roçou os lábios nos dela.
Como
era desastrada, Demi não segurou a mão de Joe porque tinha que manusear
corretamente o sorvete para não se sujar. Foi engraçado e descontraído o tempo
em que caminharam para casa. Eles não conversaram muito, focaram em observar a
cidade e trocar beijos quando conseguiam.
- Está entregue. – Agora não tinha jeito.
Estavam em frente ao prédio de Demi, calados e pensando no que tinha
acontecido.
- Você quer sentar comigo um pouquinho? –
Perguntou Demi timidamente colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha e
olhando para Joe.
- Nós podemos fazer isso. – Demi se referia
aos degraus da entrada do prédio. E foi ali que eles se acomodaram um ao lado
do outro.
Para
melhorar o clima, Joe enlaçou os dedos aos da namorada. Demi o olhou e deitou a
cabeça no ombro largo gostando de sentir o cheiro de Joe. Eles poderiam ficar à
noite toda sentados observando o movimento da cidade que não parava nunca! Era
impressionante como os arranha-céus ficam bonitos a noite refletindo az luzes
do postes e letreiros. Os minutos passaram e Demi já estava de olhos fechados
sem se importar se alguns dos vizinhos do prédio que o adentravam olhavam para
ela e Joe com certo receio.
- Desculpa. – A voz de Joe soou suave
chamando a atenção de Demi que o olhou nos olhos. – Eu deveria ter contado,
quando resolvi que contaria não consegui. O que eu tinha para falar antes de
você viajar era sobre os seus pais. Não tem três semanas que descobri. – Ele disse
tirando os óculos de grau e logo umedeceu os lábios. – Foi um mero acaso. –
Disse fazendo carinho nos dedos da namorada. – Eu estava no Central Park com o
Augusto e a Lucy. Nós estávamos conversando sobre a namorada dele, a Hannah. – Disse
Joe fitando o rosto de Demi e se lembrando da menina. – O Augusto disse que
estava tendo problemas com o pai da Hannah depois que a mãe dela faleceu. Ela
ainda é uma menina, tem dezessete anos, se não me engano e ele já é maior de
idade. – Demi assentiu e Joe acariciou o rosto dela antes de beija-la
brevemente arrancando um tímido sorriso. – Eu tentei aconselhar o
Augusto, disse que era melhor contar a verdade. A Hannah ligou mais tarde e eu acompanhei o Augusto que iria
encontra-la porque já estava indo embora com a Lucy. Nós conversamos um
pouquinho e o pai da Hannah apareceu furioso, era o mesmo homem que nós
encontramos no cemitério com a sua mãe. – Joe sustentou o olhar curioso de Demi
e enlaçou os dedos aos dela novamente. – O Augusto se referiu ao Edward como Sr. Lovato antes da gente
encontrar a Hannah. Eu pensei que era impossível ser a mesma pessoa porque
coincidências desse tipo são raras. A Hannah é tão parecida com você, amor.
Vocês têm as mesmas sardas, a pele clara e o cabelo castanho. Ela é uma menina
muito bonita e educada.
- E o que aconteceu? – Demi perguntou
engolindo em seco porque toda vez que ela pensava sobre Inácio, não sabia como
agir.
- Eu só descobri que o Edward era o seu pai porque o Augusto se referiu a ele como Sr.
Lovato e por conta da semelhança entre você e a Hannah. – Resumiu e Demi
assentiu. – Então o Inácio deu uma senhora bronca na Hannah.. E bem, ele não
gosta muito do Augusto e nem de mim. – O sorriso que nasceu no rosto de Demi foi
inevitável. Era por isso que Edward tinha
implicado tanto com Joe no restaurante e sempre a tratou com muito carinho.
- O nome dele é Inácio Edward Lovato. – Comentou Demi se lembrando das tantas vezes
que tinha olhado o nome do pai no registro de nascimento. – Eu sempre quis
conhecê-lo. – Disse deitando a cabeça no ombro de Joe. – Eu estou chateada com
você, não posso mentir sobre isso. Eu gostaria muito que você tivesse contado
porque eu contaria. Se você me conhecesse muito bem, saberia que eu esperaria
por isso. Mas eu também estou tentando te entender. Nós temos pouco tempo
juntos, então não temos muitas experiências um com o outro. E situações desagradáveis
como essas, infelizmente servem para nos conhecermos melhor. Sei que você não quis me
machucar ou agiu de má fé, só quero que saiba que me
machucou. – Joe franziu o cenho, mas entendia muito bem o que Demi queria
dizer. Ela tinha razão e era bom saber que ela sempre diria tudo a ele. – Eu não
sei exatamente como estou agora. Eu só quero ser alguém melhor, só quero viver
a minha vida com as pessoas que merecem estar ao meu lado e que eu as mereça. Resolvi
que vou extrair a melhor lição sobre tudo que vive nos últimos dias. Doeu, mas
não vai doer mais porque não vou permitir que me machuquem novamente.
- Eu não vou te machucar Dem. Nunca foi a
minha intenção. – Disse Joe se sentindo culpado.
-
Eu sei que não. – Ela deu um beijo suave nos lábios dele e sorriu gostando de
como a barba estava crescendo. – Eu te amo, Joseph. Amo como nunca amei
ninguém. Só não me machuque de novo, ok? – Disse o olhando nos olhos e Joe
assentiu encostando os lábios nos dela para trocarem um beijo.
- Eu também te amo. Foram dias horríveis.
Não consigo ficar mais sem você. – Ele disse de cenho franzido encostando a
testa a dela.
- Eu ainda vou ficar na minha, ok? – Disse depois de beija-lo na boca. – Preciso de um
tempo sozinha. – Joe assentiu de coração partido. O que ele mais queria era
poder ficar com Demi, mas iria respeitar a decisão. – Você pode me buscar no
trabalho, ligar e mandar mensagens. Não quero ficar completamente longe de
você.
- Nós podemos namorar? – Perguntou um
pouquinho desesperado e Demi riu começando acaricia-lo no rosto. – Amor, o
que você vez no cabelo? Está diferente. – Ele murmurou beijando os dedos dela
todo sedento por carinho.
- Cortei. – Demi sorriu quando Joe arqueou
as sobrancelhas surpreso. Ele fitou as mechas e enlaçou os dedos nelas.
- Gosto do seu cabelo grande, mas ficou bonito. – Era claro
que ele gostava. Demi tornou a sorrir gostando de ter toda atenção daquele
homem.
- Nós podemos namorar, mas não hoje. – A
cara dele foi a melhor! – Estou com saudade do meu nerd tímido, você está
ficando muito safado. – Sussurrou para ele apenas para ver as bochechas de Joe
corarem. E era tiro e queda.
- Aah, Dem! Isso é ruim? – Ela pegou os
óculos das mãos dele para coloca-los ao rosto de Joe, acariciou a barba e
arrumou o cabelo curto num topete descontraído que deixava Joe muito fofo,
principalmente porque os olhos dele transbordavam carência.
- Não é ruim. Contando que você não pare de
corar. – Os dois riram quando a senhora que morava no mesmo andar que Demi
subiu os degraus da escadinha e quando os viu abraçados, balançou a cabeça e
murmurou um indiscreto: Jovens.. – Joe,
eu tenho que te contar uma coisa. – Se ela queria que Joe fosse sincero, ela
também deveria ser. O olhar dele estava fixo ao dela e Demi engoliu em seco
sentindo o coração acelerar porque ela não sabia como administrar a situação e
estava com medo. – Ontem.. Ontem eu fui a casa da Selena. – Disse cabisbaixa e
as bochechas coraram tanto.
- Estou ouvindo. – Joe não entendeu o porquê
de Demi ficar tantos minutos calada e cabisbaixa, ele estava começando a ficar
preocupado. – Você está passando mal? – Perguntou erguendo o rosto de Demi o
encontrando corado.
- Nós.. Nós.. – Demi cobriu o rosto com as
mãos e respirou fundo algumas vezes quando Joe pediu que ela o fizesse
pacientemente. – Nós trocamos.. trocamos um beijo. – Não tinha sido apenas um
beijo, só era que foi extremamente difícil dizer aquela frase, tanto que ela
soou muito baixa e carregada de medo.
Demi
não olhou para Joe porque sentia que tinha feito uma enorme besteira e
receberia a consequência. Já Joe estava estático tentando processar o que tinha
ouvido. Ele não estava chateado, só surpreso, muito surpreso.
- Você não vai falar nada? – Demi arriscou
olha-lo, mas logo desviou o olhar para o prédio a frente. Ela estava com
vergonha.
- Você e a Selena se beijaram? – Joe
perguntou tão naturalmente que Demi murmurou um palavrão e tornou a cobrir o
rosto com as mãos. – Como isso aconteceu? – Ele perguntou e não teve como não
fuzila-lo quando o olhou.
- Joseph, é sério. Simplesmente aconteceu.
Não foi algo que nós planejamos, só aconteceu e não sabemos o que fazer. –
Murmurou toda manhosa e Joe a abraçou de lado.
- Eu não estou chateado. – Disse depois de
beija-la na bochecha. – Se você tivesse beijado um cara, seria muito
diferente... – Explicou sério a olhando nos olhos. – Olha, eu e o Ed.. Na
verdade mais o Ed que eu, sabemos que a amizade de vocês é diferente. – Demi
franziu o cenho, mas assentiu pensando no que o diferente significava. – O
que esse beijo significou para você? – Perguntou a olhando nos olhos e Demi
sustentou o olhar dele tentando encontrar a resposta que definia o que ela
sentia.
- Foi um beijo que aconteceu num momento que
nunca imaginei que aconteceria. O que significa.. – Demi colocou uma mecha do
cabelo atrás da orelha e fitou os dedos enlaçados aos de Joe. – Foi especial e
eu gostei. – Disse corada por estar assumindo em voz alta e para o namorado. –
Mas não muda nada do que sinto por você e nem pela Selena. Eu só não sei o que
fazer.
- Vocês não conversaram a respeito? –
Perguntou Joe aliviado por ter ouvido aquelas palavras. Por um momento ele
pensou que poderia perder a namorada.
- Não mesmo. Estamos nos evitando desde
ontem. – Ela nem fazia ideia de quando conversaria com Selena, e nem sabia se
queria.
- Vocês
terão que conversar a respeito. – Ele disse a olhando nos olhos. – Eu estou
tranquilo. Só não a beije de novo. – Murmurou desconfortável e Demi assentiu. –
Demi, se um dia você não quiser mais ser a minha garota, faça como você fez
hoje. Eu prefiro saber por você. – Demi franziu o cenho e negou o olhando nos
olhos.
- Você não corre esse risco. – Disse encostando
a testa na dele e brevemente roçou os lábios. – Desculpa. Eu não queria
magoa-lo.
- Eu estou bem. Posso conviver com isso só
porque é a Selena. – Disse estudando o rosto dela com a ponta dos dedos. –
Obrigado por contar. – Ela não esperava pelo beijo na testa, mas o recebeu de
bom grado e abraçou Joe ternamente.
- Eu te amo muito. – Murmurou contra o peito
dele se sentindo protegida.
- Eu também te amo. – Joe ergueu o rosto
dela e disse aquelas palavras a olhando nos olhos, então ele a beijou com
carinho e amor.
Continua... Postei e saí correndo. Espero que vocês gostem desse capítulo assim como eu. Ele diz muito sobre várias coisas que vem rolando há tempos.. É um capítulo importante. Então obrigada pelos comentários e visualizações, até mais meninas!
Aí mds, meu ❤ não aguenta!!!
ResponderExcluirGente, a Demi de fato precisava desse tempo sozinha, longe de tudo e de todos para por a cabeça no devido lugar e pensar sobre tudo.. Triste, porém ela precisava disso.
Eu sabia que desse capítulo não passaria que Semi ficariam, morta de lindo que foi esse momento, é uma pena não terem prolongado e a Mandy ter interrompido hahaha. Mas foi lindo demais, apaixonada. Shippo muito! Hahaha
Eu achei que a Mary fosse matar a Demi no elevador, até eu estava me assustando com ela assim como a Demi coitada, esse mulher é falsa demais, aff
Jemi "voltou" meu casal!!!
Eu sempre soube que essa amizade delas era muito colorida... Let's ruin the friendship hahahaha
ResponderExcluirCapítulo lindo, continua!!! ❤
Aaaaaaa que capítulo maravilhoso
ResponderExcluirPosta logo amiga essa historia é perfeita
ResponderExcluirEITA GIOVANA. Como assim o Jake n morreu atropelado ainda KKKKKKKKKKKK. To amando essa fic, até o próximo
ResponderExcluirQuero capítulo nesse blog maravilhoso
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