11.3.19

Não desisti do blog!!



Olá!! Criei esse poste exclusivamente para dizer a vocês que eu não desisti do blog kkkkk! Então vou explicar a situação para vocês. Eu simplesmente "empaquei" no Capítulo 21 que não tinha ninguém no mundo que me fizesse ter ideias boas para desenvolvê-lo, a não ser eu mesma, mas calma aí?! Você não faz planejamentos dos capítulos, Amanda? Sim, eu sei exatamente quais os objetivos que tenho que atingir ao escrever cada capítulo, mas acontece que a forma que eu desenvolvo a história não é sistemática. Eu vou pensando no dia dos meus personagens, vou criando um ambiente "comum" de dia a dia e aos pouquinhos eu vou encaixando os meus objetivos de forma insequencial e natural. No capítulo 21 eu fiz um tópico com todos os objetivos que eu desejava, mas tive dificuldade para desenvolver provavelmente porque as minhas aulas voltaram agora em fevereiro e tem muita coisa acontecendo, acho que fiquei muito tensa ao pensar em TCC, iniciação científica, blogue e vida pessoal. Mas é isso, não desisti e jamais desistirei porque eu amo essa plataforma e as minhas histórias por mais longas que elas são. Desculpem pelo susto, eu fiquei muito sem graça de entrar aqui e não ter nada para postar para vocês, ainda não tenho, mas agora estou mais perto de terminar o Capítulo 21 que antes. Obrigada tpm por me matar de dor, fazer-me perder o sono e me encher de criatividade para quase terminar o capítulo. ps. O Joe não vai morrer :(:
Respostas do Capítulo 20 aqui 

8.2.19

Capítulo 20


Não havia mosquitos no apartamento de Demi e nem outros insetos, então o que diabos era aquilo que o tocava a cada cinco minutos? Joe estava cansado! O dia tinha sido longo, a noite mal dormida e agora ele não conseguia dormir porque um inseto parecia caminhar nas costas nuas. Era um leve arranhão quase como se alguém estivesse deslizando os dedos sobre a pele quente.  Sonolento, Joe esperou que o então inseto o perturbasse novamente, mas quando se passaram os cinco minutos e nada aconteceu, o rapaz se aconchegou mais ao colchão e respirou fundo se concentrando a dormir.

O sono seria delicioso. “Seria”, se o maldito inseto não estivesse perturbando novamente. Bruscamente Joe se virou com um senhor cenho franzido e um múrmuro pronto. Ele estava irritado, claro que estava. Mas quando viu qual inseto era, o rapaz riu e voltou a se deitar. Demi estava encantadora! Havia algo diferente. Talvez o sorriso estava mais bonito, ou o olhar mais amoroso. Era uma áurea encantadora. Algo bom que fez Joe sorrir observando à namorada.

   - Essa maçã está gostosa? – Ele perguntou curioso quando Demi mordeu a maçã o olhando. Aquele olhar carregava divertimento e carência.

   - Deliciosa. – Demi umedeceu os lábios depois de engolir o pedaço da fruta e se deitou de lado. – Quer experimentar? – Perguntou logo mordendo a maçã, e Joe assentiu se aproximando dela.

   - Está deliciosa. – Murmurou o rapaz depois de uma bela mordida na maçã. E aproveitando que estava pertinho de Demi, Joe a abraçou descansando a cabeça perto dos seios. – Tem muito tempo que você está acordada? – Perguntou guiando a mão à barriga de Demi, e ela grunhiu como uma gata emburrada afastando a mão dele da região.

   - Estou comendo. Tenho a impressão que você está acariciando a minha barriga cheia de sorvete e maçã, não o bebê. – Disse colocando o resto da maçã sobre o criado-mudo para que pudesse abraçar Joe e beija-lo brevemente na boca e nas bochechas. – Você me ama? – Ronronou o beijando no queixo e o abraçando forte.

   - Eu amo vocês com toda minha vida. – Disse Joe prontamente a olhando nos olhos. Demi nunca tinha feito tal pergunta! – Amo vocês, gatinha. – A distração de Demi com o teto do quarto foi o momento perfeito para Joe passar para cima dela e enchê-la de beijos no rosto e acima dos seios.

   - Nós também amamos muito você. – Demorou segundos para que Demi pudesse dizer às palavras que pensava. Ela olhou para Joe, adentrou as mechas marrons do cabelo dele com os dedos e o beijou no queixo. – Amamos você, grandão. – Ela sorriu ainda o olhando nos olhos percebendo como Joe estava emocionado. – Você está nu?! – A pergunta com tom divertido só foi para descontrair o clima. Era claro que estava! Demi sorriu o apertando no bumbum com muita vontade.

   - Estou nu porque tive uma tarde deliciosa com a minha princesa. – Joe se aninhou entre as pernas da amada e sorriu todo carente a olhando. – Eu estou feliz. – Disse baixinho roçando o nariz ao dela procurando ter o cuidado de apoiar o peso do corpo nos cotovelos que se afundaram no colchão macio. – Obrigado por me fazer feliz. – Ele simplesmente amava como a pele de Demi era macia. A ponta do nariz roçou a bochecha, os lábios tocaram com carinho o queixinho marcado que Joe tanto gostava e ao olha-la nos olhos, foi como ouvir as palavras: Obrigada por me fazer feliz. E foi o que veio em seguida, em diferentes palavras:

   - Obrigada você por me fazer uma pessoa melhor. – Disse Demi com o olhar fixo ao dele, e Joe franziu o cenho sem entender o que ela realmente queria dizer. – Eu passei por muita coisa durante toda a minha vida. E nos últimos meses os meus traumas de infância estavam presentes em cada segundo para me atormentar. Se você não estivesse comigo, Joe. – Disse sustentando o olhar dele. – Eu teria desistido de tentar ser feliz de verdade. – O olhar intenso resultou num abraço apertado e em um beijo apaixonado.

   - Agora nós estamos bem, ok? – Ele disse roubando um beijinho e Demi assentiu depois de mordê-lo no lábio inferior. – Ei.. – As bochechas de Joe coraram e ele sorriu mesmo envergonhado enquanto esperava Demi tirar de qualquer jeito a calça e puxa-lo para entre as pernas. – De onde está vindo... toda essa energia? – O cenho estava franzido e os olhos fechados. O corpo dele estava tenso, o estomago parecia ter muitas borboletas para deixa-lo com a sensação de ansiedade conforme se encaixava ao calor entre as pernas femininas. Joe apoiou as mãos ao colchão e murmurou alto quando as unhas de Demi o arranharam nas costas.

   - É só olhar para você qu... – O que ela iria mesmo dizer? A vontade de Joe era de rir de como Demi era exagerada. Ela era deliciosa de se encaixar e de lamber, as duas opções sempre agradavam bastante o rapaz. E no momento Joe optou pela última. Ele a lambeu devagar enquanto uma mão apalpava os seios tendo o máximo de cuidado para não exagerar.

Não tinha coisa melhor. Quantas vezes Demi o chamou entre os suspiros? Joe só a respondeu quando achou que iria gozar só de ouvi-la. Ele a beijou na boca e se enfiou no calor receptivo dela apertando o traseiro e as coxas com ganância. As mãos poderiam se perder nas coxas. Joe conduziu que aquelas pernas lindas o envolvesse no quadril, apertou e deu tapas o suficiente para deixar a pele clara rosada.

   - Você é um sem vergonha, Joseph. – Demi tinha um sorriso tímido nos lábios que logo se transformou num sapeca. Ela não podia negar que amava ficar com o traseiro para cima, que o calor de Joe e do peso do corpo dele eram excitantes ao extremo.

   - Só por você, amor. – Sussurrou antes de mordê-la na orelha. Joe nunca cansava de beijar a pele macia de Demi e enrolar com cuidado as mechas do cabelo castanho nos dedos.

Os olhos e os dedos do rapaz estudavam pacientemente todo o corpo de Demi gravando cada detalhe: O cabelo castanho em mechas de movimentos gloriosos, a estrutura delicada e linda do corpo da amada. Ele a amava tanto e sempre iria protegê-la e respeita-la. Cada detalhe resultava num sorriso ou suspiro do rapaz. Ele envolveu a namorada num abraço de urso e deu muitos beijinhos estalados no pescoço dela enquanto Demi reclamava que o queria logo.

   - Seja romântica, Dem. – Reclamou porque Demi tinha dado um jeitinho de empurra-lo só que ele estava fazendo mais carinho que sexo.

   - Joe, eu só quero que você me coma com vontade, deixa de coisa. – Ela disse voltando a se deitar de costas como gostava. O corpo estava todo quente e ansioso para receber o de Joe. Era tanta ansiedade que Demi sentia um calor vivo no estomago e cada toque do namorado a arrepiava até a alma. – Amor.. – Demi riu ao ouvir o suspiro de Joe. E aquele bico? – Você sempre falha em ser safado. – Disse se virando para deitar de costas e o puxou para entre as pernas.

   - Eu não consigo. – Joe sorriu todo preguiçoso descasando a cabeça abaixo dos seios da namorada. – Sou fofo demais para ser safado. – Brincou lambendo o seio direito de Demi e a olhando nos olhos.

   - Hum, você tem razão, querido. – Demi riu porque quando a mão envolveu a ereção, Joe arregalou os olhos em susto. – Agora vem cá. Quero você. – Bastava mordisca-lo na orelha e sussurrar para que Joe perdesse um pouco da vergonha.

   - Você é o meu lugarzinho favorito. – A voz soou pesada e os olhos estavam fechados porque ele não suportava aquela agonia de estar todo enterrado no calor de Demi. – Eu amo você. – Murmurou arqueando a pélvis para depois empurra-la.

A resposta não veio porque Demi estava em êxtase. A cabeça tombada para trás sobre o travesseiro. As pontas dos seios formigavam com os mamilos túmidos. Quando o coração bateu mais rápido, resultado dos dedos de Joseph puxando os mamilos, a pele se encolheu em arrepios, Demi suspirou e quase não encontrou forças para retribuir ao beijo do namorado.

Como vinha acontecendo nas últimas horas, Demi era somente sensação. Poucos foram os beijos que trocaram porque os suspiros não deixavam o fôlego necessário. E conforme os minutos se passavam, Demi se agarrava mais a Joe e gemia baixinho no ouvido dele. Gemia sem vergonha e sem notar que o fazia. Ela chegou ao ápice antes dele, e o motivo era os dedos pirracentos de Joe no clitóris, a língua quente nos mamilos e a ereção a preenchendo.

   - Demi.. – O cabelo curto estava espetado em todas as direções, uma verdadeira bagunça causada pelos dedos de Demi. Os olhos de Joe estavam fechados e o corpo mole sobre a calma. – Demi.. – Tornou a chamar ronronando. – Eu não quero sair da cama. Vamos maratonar hoje? – Perguntou ainda de olhos fechados sentindo um friozinho no bumbum nu e exposto, mas não o incomodou.

   - Eu adoraria maratonar com você. – Demi sorriu porque ao se deitar sobre o corpo de Joe, ele ronronou o nome dela. – Mas nós vamos sair com a Selena e o Ed. – Disse Demi o beijando atrás da orelha e apoiando os braços sobre os de Joe até que tinha conseguido enlaçar os dedos aos dele.

   - Vamos? – Perguntou franzindo o cenho porque gostava de sentir a língua da namorada o lambendo a nuca.

   - Vamos. Estou encarregada do convite da Sel. Nós vamos sair para tirar fotos e quando voltarmos, eu vou trabalhar no convite. – Disse o beijando nas costas e levando as mãos para os ombros largos. – O que você acha de convidar a Sel e o Ed para dormir aqui? Nós podemos nos divertir um pouquinho com os nossos amigos. – Demi apoiou as mãos nas costas de Joe para se erguer porque ela gostava de pirraçar o namorado, porém o coração quase saiu boca a fora porque num instante ela estava deitada sobre as costas de Joe e noutro ele estava deitado sobre ela a olhando com muito desejo e carência.

   - Eu acho uma ideia muito terrível. – Resmungou de cenho franzido olhando para os seios da namorada. – Muito, muito, muito terrível. – Toda vez que Joe ficava emburrado o mau humor o acompanhava. Demi riu porque mesmo carrancudo Joe guiou a boca ao mamilo e o chupou de olhos fechados. – Terrível, ok? – Ah não. Ele não a distrairia com tanta facilidade. Os seios estavam sensíveis e qualquer toque brusco causava dor, mas toques delicados eram intensos e poderiam levar Demi ao ápice, ainda mais se fosse com os dedos grossos a tocando com paciência na fenda escorregadia.

   - Eu vou convida-los agora mesmo. – Demi riu da carinha de cachorro carente do namorado. Facilmente ela se livrou do abraço dele e buscou pelo celular no criado-mudo porque tinha que confirmar com Selena o horário e convida-la para passar a noite com eles.

   - Você é muito má. – Resmungou Joe a abraçando por trás ficando quietinho observando a namorada digitar uma mensagem de texto agilmente para Selena. – Só porque eu quero.. quero te comer hoje à noite toda. – Joe murmurou um palavrão e escondeu o rosto no pescoço de Demi quando ela começou a rir.

   - Talvez eu deixe você me comer mais tarde na hora do nosso banho. – Era só brincadeira. Demi largou o celular na cama e se virou para abraçar Joe como se ele. – Amo você, meu menininho inocente. – Soou carinhoso e Demi sorriu quando Joe a olhou os olhos. Ele era realmente um menino inocente com aquele jeitinho fofo.

   - Também amo você, gatinha tarada. – O comentário dele foi motivo de riso. Joe se aninhou a Demi e se sentiu nas nuvens com o tanto de beijinho que ele recebeu. Se não fosse a ligação de Selena, o casal se perderia em brincadeiras porque não era o que faltava entre eles.


***

- Eu só tenho que ligar o aquecedor e nós podemos começar. – Disse Ed destrancando a porta principal. A sala ampla de paredes brancas era um estúdio fotográfico com três janelas grandes de ferro na parede principal. Havia um andar acima que era acessível através de uma escada de ferro com os mesmos detalhes das janelas e lá de cima, já que era meia sala, tinha a vista do andar inferior. – O espaço é do pai do meu amigo. Era um estúdio fotográfico, mas não funciona tem anos. – Ed limpou as mãos no suéter e abraçou Selena por trás. – O que vocês acharam? – Perguntou curioso porque Joe e Demi observavam atentamente o lugar. Já Ana e Harry corriam fazendo barulho como crianças costumavam fazer.

   - É muito bonito. – Havia paixão nos olhos de Demi. Ela analisou as paredes brancas imaginando-as coloridas ou com papeis de parede. Imaginou uma mobília moderna e clean em detalhes de vidro em frente a janela principal e uma confortável poltrona. O local era perfeito! Muito bem iluminado, localização num ponto forte da cidade e o melhor: havia a vista de tirar o fôlego do Central Park. – Eu estou apaixonada. – Comentou olhando o teto com um simples lustre para depois o chão de porcelanato líquido branco. – O seu amigo não tem interesse em alugar? – Perguntou Demi voltando a atenção para Ed. Ela estava realmente encantada imaginando o escritório de design funcionando naquele espaço.

   - Eu não sei. Posso perguntar. – Era melhor que um não. Demi assentiu desviando o olhar do de Ed para voltar a estudar o ambiente.

   - Não esquece. – Ela disse toda sonhadora com um pequeno sorriso nos lábios que se alargou no momento em que Joe a abraçou por trás. Ah! O que ela poderia fazer? Naquela tarde eles estavam um grude! Trocavam beijos e carinhos sempre que surgia a possibilidade.

   - Tem crianças aqui. – Selena sorriu verdadeiramente se sentindo emocionada e feliz. Demi trocava um beijo com Joe de tirar o fôlego. Era perceptível que o casal estava mais próximo e apaixonado, os beijos e carinhos que eles tinham trocado no caminho até o estúdio eram a prova viva.

   - Calma, ok? – Demi umedeceu os lábios e sorriu olhando nos olhos de Joe. Se pudesse, ela iria beija-lo sem parar porque vontade não faltava. – Vai pegar as coisas com o Ed. Só não pegue peso. – Disse o olhando nos olhos e o tocando nos braços.

   - Não vou pegar. – Joe não faria nada que o colocaria em risco. O cuidado que ele deveria ter com a saúde era redobrado porque a saúde deveria estar boa para que fosse possível o acompanhamento da gravidez de Demi. Joe não queria perder um único minuto. – Cuidado com o nosso filhote. Não faça esforço físico, está bem? – Ele disse baixinho só para ela a olhando atentamente nos olhos e Demi assentiu colocando-se na pontinha da bota para tentar beijar os lábios do namorado.
           
   - Vou ter cuidado. – Disse Demi o abraçando forte depois que conseguiu beija-lo na boca com um selinho demorado. – Amo você. – Joe segurou a mão dela e não queria solta-la, ele já estava pronto para buscar as tantas roupas e apetrechos para a sessão de fotos.

   - Eu amo vocês. – Disse o rapaz sorrindo porque Ed tinha o abraçado por trás e o envolvido numa chave de braço. Eles sempre tinham aquelas brincadeiras porque gostavam de medir quem era o mais forte e de boa resistência. Ed não percebeu o plural da palavra você. Apenas Selena.

   - O que ele quis dizer? – Perguntou Sel se aproximando chamando a atenção de Demi que olhava na direção de onde Joe tinha caminhado aos risos com Ed.

   - Ele não quis dizer nada. – Fato era: Demi não conseguia mentir para Selena. Geralmente elas mantinham contato visual quando conversavam, e só porque Demi desviou o olhar que Selena soube que havia algo errado. – Ele não quis dizer nada. – Repetiu voltando a olhar a amiga e Selena umedeceu os lábios.

   - Dem? – Selena tinha arqueado uma sobrancelha e a olhava. O planejado era contar mais tarde quando as duas estivessem sozinhas, mas agora não tinha jeito de enganar Selena. Demi umedeceu os lábios observando os sobrinhos de Ed brincando, olhou para os dois rapazes adentrando ao estúdio carregando as maletas de maquiagem e as malas com as roupas que usariam no ensaio de fotos.

   - Eu descobri ontem.. Eu não fazia ideia que engravidaria.. E.. – Demi olhava para os lados envergonhada, somente o abraço caloroso de Selena a fez sorrir verdadeiramente.

   - Eu estou muito feliz por vocês! – Disse Selena um pouco alto demais chamando a atenção de Joe e Ed.

   - Obrigada, Sel. – Resmungou Demi trocando um breve olhar com Joe, que sorriu tímido porque ele sabia o que tinha acontecido. – Por favor, não comenta com ninguém ainda. Só você, minha mãe e o Joe sabem. – Pediu baixinho e Selena assentiu toda sorridente envolvendo Demi noutro abraço.

   - Não vou conseguir parar de sorrir tão cedo. – Demi também sorriu se sentindo feliz e acolhida por Selena. Uma das melhores coisas no mundo era saber que havia pessoas boas para apoiá-la, e Selena era uma delas. – Eu estou tão apaixonada por tudo isso. – Disse Selena a envolvendo num outro abraço apertado. – Estou feliz por estar grávida e feliz por estar louca organizando um casamento que acontecerá em menos de duas semanas. Agora estou mais feliz ainda porque vou ser Titia. – Demi assentiu sorrindo. Se ela parasse para pensar, também estava feliz. Havia os problemas que a preocupava como a saúde de Joe e a situação financeira, mas para bloquear a negatividade causada por eles, Demi tentava o máximo possível pensar positivo.

   - Tem muita coisa acontecendo na minha vida, Selena. – Demi desfez do abraço para segurar as mãos da amiga, mas teve que interromper o ato porque precisava enxugar as lágrimas de Sel e beija-la carinhosamente na bochecha. – Mas eu estou feliz. – E novamente elas se abraçaram demonstrando como se amavam e se sentiam seguras uma na presença da outra. – Prometo que vamos organizar o melhor casamento para você. O seu ensaio vai ficar incrível. – Disse a olhando nos olhos e Selena assentiu sorrindo.

   - Você não quer aproveitar para casar com o Joe? Nós podemos fazer uma cerimônia só. Seria lindo. – Selena estava animada demais, e tudo que Demi fez foi arquear uma sobrancelha e negar prontamente. Era literalmente muita informação para processar, e um casamento dentro de duas semanas a deixaria completamente louca.

   - Não.. De jeito nenhum. – Resmungou coçando o cabelo da nuca porque o comentário de Selena a obrigou a imaginar o próprio casamento. – Eu não quero casar agora. Talvez daqui alguns meses. Eu e o Joe temos muitas coisas para resolver. Ele nem me pediu em casamento.. Oficialmente. – Disse de cenho franzido. – Não insista. – Murmurou quando flagrou o olhar sapeca de Selena. Aquela mulher conseguia o queria, mas Sel não iria força-la a casar. – Eu não quero agora. Não estou com pressa. Nossos casos são diferentes, meu pai não vai me forçar a casar como o seu fez. – Será? No mesmo instante que disse a frase, Demi desviou o olhar do de Selena sentindo o rosto empalidecer. Lidar com Inácio seria uma tarefa extremamente cansativa e quase impossível.

   - O seu pai não vai te forçar.. Provavelmente ele vai exigir, melhor: ele vai levar você e o Joe para o cartório assim que você contar. – Disse Selena logo em seguida rindo, até porque só estava pirraçando Demi. Só que se tratamento de Inácio.. Hum.. Estava valendo tudo.

   - Parem de fofocar vocês duas. Bella e Hannah acabaram de chegar. – Gritou Ed com um belo sorriso distraindo as duas amigas. Era o ensaio fotográfico de um casamento, então não havia reforço melhor que Isabella para cuidar da aparência de Selena, Demi para tirar as fotos e organizar os convites e Hannah daria todo o suporte necessário.

Ed estava animado. O rapaz organizou todo o espaço da melhor forma que podia porque queria que Selena se divertisse naquela tarde. Os sofás encostados nos cantos da parede foram puxados para o meio da sala onde as crianças brincavam, o som foi ligado num volume moderado com músicas divertidas e também havia comidas. Algumas fotos foram feitas fora do ambiente profissional próximo às janelas com a incrível vista do Central Park, e as demais no andar de cima onde havia o ambiente adequado para fotos de melhor qualidade. Tirar todas aquelas fotos foi uma canseira que só! Selena mudou de roupa por inúmeras vezes e estava com as ideias a mil. Só na primeira hora da sessão, Demi tirou por volta de duzentas fotos e já estava cansada.

   - Quando quiser ir para casa é só falar. – Joe aproveitou que Demi estava distraída passando as fotos da câmera para o notebook enquanto Selena trocava de roupa junto com Bella e Hannah. – Você está bem? – Perguntou a abraçando por trás e a beijando no pescoço.

   - Estou bem. – Foi um sorriso forçando e um ronrono porque Demi estava arrepiada com o toque dos lábios e a respiração quente no pescoço. – Contei a Selena. – Murmurou tentando não se deixar levar pelos carinhos de Joe, mas ela não podia negar que estava ansiosa para virar e beija-lo na boca. – Na verdade ela descobriu. – Certificando-se que as crianças estavam distraídas demais jogando no celular de Ed, Demi se virou e juntou os lábios aos de Joe.

   - Estou ansioso para ir para casa dormir com você. – Disse Joe a olhando nos olhos para depois beija-la na testa e apalpar as bochechas da namorada como se ela fosse uma criança bochechuda. – Estou cansado. – Ele disse a abraçando e Demi umedeceu os lábios preocupada.

   - Está sentindo alguma coisa? – Perguntou o olhando atentamente procurando por algum visível desconforto, mas Joe parecia normal: a carinha sempre mostrando como ele era um homem doce, fofo e gentil.

   - Só carência. E você é a minha cura. – Os dois até poderiam trocar alguns beijos significativos e toques mais ousados, porém a presença de Selena os desconcentrou totalmente. – Vou esperar lá em baixo com as crianças. – Disse a Demi roubando um selinho.

Aquela era a hora de Selena e Ed serem fotografados. Demi achou que os beijos do casal foram exagerados e não economizou a feição de descontentamento, mas gravar o momento numa fotografia dava uma ideia completamente diferente. Ed e Selena estavam lindos, a foto inspirava amor! Eles mereciam o momento. A química entre os dois era natural e autêntica.

O tempo não ficou apenas em função do ensaio de fotos de Selena. As risadas e os sorrisos felizes também estavam inclusos mostrando como todos estavam felizes com o momento. As meninas dançaram conforme a música da vez, as crianças, Harry e Ana, estavam radiantes envolvidas no clima de festa. Corriam pelo espaço, cantavam e dançavam de um jeito desastroso e engraçado com Ed, e Demi fez questão de capturar o momento porque a alegria era espontânea.

No sofá tinha certo rapaz não tão enturmado como os outros meninos, Ed e Harry. Joe estava quieto acomodado ao sofá branco se sentindo confortável pelo estofado macio. E a mente o distraia. A cada dois segundos o rapaz pensava a mesma frase “Eu vou ser papai”, então o olhar caía Demi. Um olhar carente e apaixonado. E daí: “Eu vou ser papai”. Era muita mistura de felicidade, medo e muita preocupação. Joe pensava em todas as estratégias que poderia trilhar para conseguir se recuperar do problema de saúde, pensava se as atitudes dele com Demi estavam corretas, mas tinha certeza que levá-la ao hospital e providenciar todo conforto e segurança era o mínimo que ele deveria fazer. O que mais o preocupava era a saúde e providenciar o quanto antes um lar para a família que ele tinha acabado de construir.

   - Olha Harry, o tio Joe está no mundo da lua. – Ed estava radiante, não era segredo para ninguém. O rapaz estava vestido socialmente numa calça preta e camisa branca de botões, tinha o sobrinho nos braços e se deitou de qualquer jeito ao sofá para tentar incluir Joe as brincadeiras sem nenhum sucesso. – Ou no mundo da Demi. – Ed ergueu o sobrinho o segurando por baixo da curva do braço e depois fingiu ataca-lo com mordidas, o que levou o garotinho a rir da brincadeira. – Terra para Joseph, Terra para Joseph. – Disse Ed colocando Harry no chão para que o garotinho pudesse correr feliz para os braços de Selena chamando-a de mamãe.

Desviar o olhar de Demi era difícil porque Joe imaginava diversos momentos junto da amada e do bebê, então ele só desviou o olhar minutos depois ainda para olhar Ed se sentindo um pouco confuso e intrigado. – Eu confesso que ela é linda, mas isso é estranho Joe! Você parece um cara obcecado, parece até o Joe de YOU. – O cenho franzido de Joe já era previsível, então Ed se acomodou melhor ao sofá, olhou para Demi e depois para Joe. – YOU é um livro que virou série da Netflix. O psicopata filho da puta se chama Joe. – Explicou Ed e Joseph arqueou uma sobrancelha.

   - Eu não sou um psicopata. – Resmungou emburrado. Oh, ele estava longe de ser um psicopata. Os únicos seres vivos que Joe costumava matar eram as malditas baratas. Quando Demi fazia escândalos por conta das lagartixas, o rapaz matava o pobre bichinho se sentindo culpado.

   - Eu sei. Só estou brincando. – Ed o empurrou sutilmente e sorriu olhando Selena, Ana e Harry fazendo poses para as fotos. – Você é muito quieto e tímido, mas hoje está demais. Não está se divertindo? – Perguntou Ed se virando para observar bem as feições de Joe. – Ou está sentindo alguma coisa?

   - Eu.. – Joe queria gastar todas as energias com Demi. Queria mima-la e descansar ao lado dela num lugar silencioso e tranquilo, de preferência na cama onde os dois ficariam bem aquecidos. – Ela está grávida. – Não tinha problema dizer a Ed, os dois eram bons amigos. Joe umedeceu os lábios olhando para Demi. Ela estava simplesmente linda vestida com jeans, botas e uma camisa de super herói. – Descobri ontem e eu.. – Joe sorriu um tanto sem jeito retribuindo ao abraço de Ed com direito a tapinhas nas costas e tudo mais.

   - Isso é maravilhoso, Joe. – O sorriso de orelha a orelha de Ed mostrava como ele estava feliz. – Bem vindo ao clube! – Disse o rapaz envolvendo Joe num abraço todo desjeitoso.

   - Ainda é segredo, só você, a Selena e a Dianna sabem. – Disse baixinho porque Isabella e Hannah não sabiam e Demi não tinha comentado se iria contar para as irmãs. – Nós ainda vamos decidir o momento de contar para todos.. E o Inácio. – Joe franziu o cenho assentindo quando Ed murmurou “Você está muito ferrado”. Era um fato incontestável! E ferrado era pouco! Inácio ficaria uma fera porque Anna também estava grávida.

   - Que gatinho lindo. – Aos poucos Demi se aproximou registrando a reação de Joe pela lente da câmera. Ela o fotografou em tantos cliques, e em cada um deles o coração se aquecia em amor. – Ei, bonitão, sorria. – Quem sorria de orelha a orelha era ela. Não existia outro homem que poderia conquista-la da forma que Joe o fazia. Ele era tímido, fofo e um amor. Demi sorriu quando ele sorriu envergonhado encostando a mão no lábio inferior para depois cruzar os braços murmurando “Dem, você sabe que eu não gosto de foto”. E mesmo assim ela continuou o fotografando, dando closes nos olhos verdes e no sorriso tímido mais lindo de todo o mundo. – Hum.. Eu quero te guardar num potinho só para mim. – Ronronou Demi entregando a câmera para Ed e se sentando ao colo do namorado. – Eu amo você, meu gatinho. – Demi o beijou nas bochechas, e, de olhos fechados, Joe se sentiu mais feliz que um ganhador de loteria.

   - Eu também amo você, gatinha. – Ele disse num ronrono a abraçando e descansando a cabeça no tórax com todo cuidado para não machuca-la nos seios.

   - Digam xis, gatos no cio. – Demi sorriu largamente para a câmera apontada por Ed. – Vocês só não são mais fofos que filhotes de gato. – Não foi um comentário inteligente, mas Demi soube que Ed sabia da gravidez depois de trocar um demorado olhar com o rapaz.

   - O que foi? – Perguntou Joe todo paciente olhando para Demi. – Está com algum desejo? – Perguntou preocupado a observando e Demi negou para depois beijá-lo na boca.

   - Meu Deus! É muito grude, eu estou enjoado. – Ed não tinha parado de fotografa-los, então fez careta porque Joe e Demi ainda se beijavam.

   - Você deveria ser fofo igual o Joe. – O comentário de Selena foi motivo para riso, até entre Joe e Demi. – O que o Joe tem de fofo, você tem de pirracento. – Comentou abraçando Ed de lado.

   - Todo homem deveria ser fofo como o Joe. – Disse Hannah se acomodando ao braço do sofá perto do cunhado.

   - Ele é realmente muito fofo. – Disse Demi dando um beijinho na bochecha de Joe e ele ficou todo vermelho de vergonha porque todos olhavam para ele. Mesmo morando em Nova York, mais familiarizado com mulheres, Joe ainda se sentia atordoado quando tinha muita atenção feminina.

   - Ok, nada de olhar para o Joe. – Disse Selena percebendo o quão corado o rapaz estava. – Agora nós vamos, só as meninas, para o Central Park. Eu vou vestir um dos meus vestidos de noiva, e você não pode ver, querido. – A ideia de fazer fotos no Central Park foi de Hannah, e tinha agradado muito a todas porque o parque era cercado pela natureza e mesmo tendo neve em boa parte, o lugar continuava lindo.

   - Você para o Central Park vestida de noiva de baixo de toda essa neve? – Reclamou Ed e Selena o olhou com uma sobrancelha arqueada. – Ótimo.. – Resmungou porque sabia que Selena estava com os hormônios a mil, e ela jamais escutaria e faria algo que ele sugerisse só para implicar. – Bem.. É bom porque eu e o Joe temos que planejar a minha despedida de solteiro. – Caramba! Ed nunca ficava vermelho e sem jeito, e o motivo para ele ter ficado daquela vez era porque Selena o olhou atentamente, umedeceu os lábios e arqueou uma sobrancelha.

   - Despedida de que, Eden? – Perguntou tão ameaçadora sem ousar em desviar o olhar do de Ed.

   - Minha despedida de solteiro. – Foi um murmuro. Ed pareceu uma criança medrosa, o que foi motivo para riso. Era engraçado assisti-los brigar porque não havia aquele clima tenso, só uma clara implicância de Selena com o namorado.

   - Eu vou fingir que não ouvi o que você disse. – Resmungou Selena mal humorada olhando para Demi. – É bom que nós já planejamos a minha despedida de solteira. – Agora era a vez de Ed fazer careta, mas ele nem mesmo podia sonhar em implicar com Selena porque ela o colocaria para dormir no sofá. E estava nevando!

   - Deixem de coisa, vocês se amam. Os dois vão ter despedida de solteiro, mas não quer dizer que vocês vão fazer besteira. – Disse Demi. Joe entendeu o recado através do olhar cerrado da namorada. Ele não podia julga-la. Nos últimos dias havia motivos para Demi não confiar nele.

***

    - Dá para acreditar que o Ed está pensando em despedida de solteiro? – Reclamou Selena. Desde que elas tinham ido ao Central Park tirar fotos, Selena não parava de falar sobre a maldita despedida de solteiro. No começo até foi engraçado, mas Demi estava começando a se sentir irritada com o assunto.

   - Deixa o Ed. – Reclamou Demi tirando fotos, e ela teve o descontentamento de fotografar Selena de cenho franzido e muito irritada. – Selena, colabora! – Murmurou de cenho franzido. Demi já estava em pé tinha um bom tempo, havia milhares de coisas a serem feitas ainda naquele dia e o sono estava a incomodando junto as reclamações de Sel.

   - Eu estou colaborando. – Reclamou Selena tão cansada quanto Demi.

   - Vocês duas estão impossíveis hoje. – Disse Isabella se aproximando de Selena para arrumar a roupa. – O Ed não vai fazer nada demais na despedida de solteiro, Sel. Ele só vai se divertir com os amigos. E você também fará o mesmo. – Isabella sempre conseguia acalmar os ânimos de todos em situações eufóricas, deveria ser o jeito tranquilo da moça e a paz de espírito que vinha dela.

   - Ok! Deixem de coisa e vamos tirar mais fotos, estou morrendo de frio. – Ah, era o ciúme! Demi não conseguia controla-lo, ainda mais com Bella tão próxima a Selena ajudando-a com a roupa.

   - Esse ciúme é mesmo sério? – Hannah perguntou tremendo os dentes. A menina estava bem agasalhada numa jaqueta jeans com revestimento felpudo, usava toca, luvas, jeans e botas. – A Bella não vai roubar a Sel de você, Dem. – Disse a irmã a abraçando de lado e Demi retribuiu ao abraço.

   - Eu sei, é só que eu não consigo evitar. – Ronronou Demi manhosa como sempre. – Estou um pouco cansada e com sono, quando estou assim, fico irritada. – Explicou-se se aconchegando ao abraço da menina.

   - Estou percebendo, só fica tranquila, daqui a pouco nós vamos para casa e você vai poder dormir bastante. – Demi quis apertar as bochechas de Hannah porque a menina era um amor. – Você vai dormir com a gente hoje? – Perguntou fazendo um pequeno biquinho e Demi riu.

   - Hoje eu estou muito corrida. Tenho que organizar essas fotos para os banners e retratos, montar o layout do convite. Preciso organizar tudo isso ainda hoje porque a Sel tem que mandar os convites para imprimir na gráfica o mais rápido possível para entregar ainda amanhã. – Demi assentiu quando Hannah franziu o cenho. Eram muitas coisas para fazer ainda naquele dia, então dormir estava realmente fora de cogitação. Demi se perguntava como ela iria conseguir ficar acordada até tarde da noite se já estava quase dormindo em pé enquanto tirava fotos de Selena.

A sessão de foto seguiu no Central Park, cada foto tirada era um sacrifício porque teve uma hora que o vento gelado doeu na alma e todo aquele frio incomodava, não sendo páreo nem mesmo para as pessoas de roupa de frio. Demi pensou no bebê. Se ela ficasse resfriada seria horrível, e se tivesse começo de pneumonia, o caso seria ainda mais grave. Demi já estava perto de sugerir que elas fossem embora, até porque Selena também estava grávida. Quem sugeriu que elas voltassem para o estúdio foi justamente Sel, e pelo comportamento atordoado da amiga, Demi julgou que alguma coisa tinha acontecido porque Selena não era de ficar assustada fácil.

***
  
 - Relaxa querido, a nossa noite também vai ser divertida. – Demi aproveitou que Joe tinha estacionado o carro na garagem subterrânea do prédio onde ela morava para beija-lo na bochecha e depois na boca.

   - Demi, eu só estou com vontade de ficar com você. – Ele disse tirando cinto de segurança e desligando o carro. – Não tenho nada contra o Ed ou a Selena. Eu só sinto a necessidade de ficar sossegado com você por perto. – Explicou-se a olhando. A ideia de chamar Ed e Selena para passar a noite com eles não tinha agradado em nada a Joe, e ele não conseguia disfarçar o descontentamento. – Eu queria ter apenas três dias sozinho com você e focando nossa atenção toda no bebê e no que temos que fazer d’agora em diante. – De certa forma Joe tinha razão. Uma vida estava a caminho e para recebê-la bem, eles tinham que administrar toda a situação de forma sábia dividindo o tempo e o dedicando a ideias inteligentes. Joe já tinha até pensado na casa que ele compraria, só não sabia se seria em Nova York ou no Texas.

   - Joseph, a Selena está precisando da minha ajuda. Eu devo isso a ela. Pelo menos por essa noite faça esse sacrifício por mim. Preciso ajuda-la com o casamento e tudo mais. – Demi o entendia, mas sabia que Selena estava contando com a ajuda dela e que a amiga precisava de ajuda porque era muita coisa para duas pessoas resolverem sozinhas.

   - Você promete que vai ficar só comigo amanhã? – Perguntou a olhando nos olhos e guiando as mãos a cintura da namorada. – Só nós três, por favor. – Sussurrou e a beijou no pescoço.

   - Amor, não prometo o dia todo, eu tenho que ajudar a Sel. – Disse Demi o tocando no rosto e o olhando nos olhos e nos lábios. – Mas à noite eu prometo que vamos passar juntos. – Beijar Joseph nunca era a mesma coisa. Cada beijo despertava um novo sentimento bom. E daquela vez não foi diferente. Os lábios tocaram os dele sem nenhuma pressa, roçaram-nos e então Demi encostou as testas e sustentou o olhar do namorado. – Obrigada por.. Por cuidar de mim e do nosso bebê. – O coração bateu rápido e os olhos marejaram. O jeito calmo, inteligente e sereno de Joe era o que Demi precisava para acalmar aquela criança carente e cheia de traumas que era uma parte dela.

   - Eu amo vocês e sempre vou fazer o impossível para que vocês fiquem bem e seguros. – Joe sorriu colocando uma mecha do cabelo de Demi atrás da orelha. Ele planejava beija-la, mas o celular começou a tocar para atrapalha-lo.

   - Joseph! O que aconteceu para você não atender ao celular? Eu estou preocupada, quase liguei para polícia! Tem horas que estou te ligando. – Laura. Por aquela, Joe não esperava. Ele tinha esquecido o celular no carro e Demi não tinha tido tempo para mexer no celular, que estava dentro da bolsa.

   - Desculpa. Uma amiga nossa está de casamento marcado para daqui a duas semanas e estamos ajudando. Hoje à tarde fomos tirar fotos para o convite, foi tudo muito corrido. Esqueci o celular no carro e a Dem estava tirando as fotos. – Explicou-se o rapaz se sentindo mal por deixar Laura sem notícias. Ele só tinha mandado mensagem no início da amanhã antes de sair para o hospital com Demi.

   - Não fica sem dar notícias. Eu estou aqui na portaria do apartamento da sua namorada. Eu posso ao menos te ver? – Disse Laura sem esconder como estava chateada.

   - Claro que sim. Acabamos de chegar. Já estou indo. – Joe encerrou a chamada desbloqueando o celular. Eram muitas chamadas de Laura perdidas e mensagens.

   - Eu não tinha a intenção de preocupa-la. – Comentou Joe quando sentiu o beijinho de Demi no ombro direito.

   - Eu sei, a culpa é minha. Você deveria ficar em casa descansando. – Disse Demi o olhando. Joe não tinha comido nada à tarde, estava quieto e ela suspeitava que ele poderia estar sentindo dor ou algum incomodo, por isso frequentemente perguntava se ele estava bem.

   - Não aconteceu nada demais hoje à tarde. Passei maior parte do tempo sentado. Só foi irresponsabilidade minha, eu deveria ter mandado mensagem avisando onde estava. – Ele disse olhando a hora no painel do carro. O relógio iria marcar oito e meia da noite. Era muito tempo sem dar notícias. – Ela está me esperando na portaria. Vamos lá? – Eles trocaram um breve selinho antes de descer do carro e caminharam até a recepção abraçados.

   - Joseph. – Laura o envolveu num abraço que durou mais que o de costume. Ela o olhou de cima a baixo, focou o olhar no do dele e respirou fundo. – Não faça isso comigo nunca mais! – Disse de cenho franzido e impassível sustentando o olhar dele. Joe nunca tinha visto Laura séria e impassível daquela forma, e ele se sentia péssimo por ter ficado sem dar notícias.

   - Desculpa, sei que fui errado. – Ele disse envolvendo a tia noutro abraço. – Eu estou bem. – Só não tinha se alimentado como deveria, mas estava de pé...

   - Você vem para casa? – Laura perguntou desviando o olhar do de Joe para  cumprimentar Demi com um breve abraço, então a atenção estava toda focada no sobrinho novamente.

   - Eu.. Eu vou ficar por aqui. A amiga que falei vai passar a noite com a gente.  – O motivo de Joe querer passar a noite com Demi não envolvia Selena e muito menos o casamento, ele só queria estar por perto caso Demi precisasse.

   - Joseph. – Disse Laura de cenho franzido e Demi umedeceu os lábios começando a se sentir desconfortável.

   - Joe, é melhor você ir para casa. Eu vou ficar bem com a Selena e o Ed. – Disse Demi olhando para o namorado.

   - Escuta a Demi. Ela tem razão. Você precisa ir para casa descansar, amanhã nós temos consulta pela manhã. – Disse Laura. Joe franziu o cenho sem saber o que fazer. Ele olhou para Demi e depois para Laura. Talvez se ele dissesse o motivo que tinha para ficar perto de Demi, Laura o entenderia. Ah, e ele também tinha que prometer que não faria nenhuma estripulia.

   - Amor, você pode subir e preparar alguma coisa para a gente comer? Eu estou faminto. – Ele não costumava solicitar aquele tipo de coisa a Demi. Só o fez porque queria conversar com Laura sozinho.

   - Vocês não querem subir? É bom que você conhece o meu apartamento. – Disse Demi a Laura esboçando um sorriso gentil. Então ela só entendeu o que Joe queria no segundo seguinte.

   - Fica para uma outra hora, meu amor. – Laura a tocou no braço direito e sorriu. – Desculpa se estou sendo chata. Só estou preocupada com esse menino. – Disse a Demi. O comentário não agradou a Joe, tanto que Demi nem precisou olha-lo para saber que o namorado tinha ficado chateado.

   - Eu vou subir então. O convite ainda está de pé. – Disse a Laura e depois voltou a atenção a Joe. – Vou preparar uma sopa cheia de legumes, vocês comem comigo e depois vão para casa. A Lucy precisa de atenção. – Com muito custo Joe assentiu e se despediu de Demi com um selinho nos lábios.

   - Podemos conversar? – Disse Joe umedeceu os lábios e sustentando o olhar de Laura que assentiu. – Olha, eu sei que agi mal em não ter entrado com contato. – Eles se acomodaram nos banquinhos da portaria e pela porta de vidro era possível ver o movimento da rua. – Mas eu estou bem. – Joe desviou o olhar do de Laura porque queria ter a certeza que podia contar a ela sobre o bebê.

   - Está perdoado, só não faça novamente. – Disse Laura guiando as mãos a dele. – Eu estou aqui com você para garantir a melhora da sua saúde. Não para pegar no seu pé ou implicar com o seu namoro. Entenda, Joseph. Se a gente seguir todo o protocolo médico corretamente, você vai ficar bom logo. Para isso eu preciso que você repouse, esteja preparado para todos os exames e focado exclusivamente na sua saúde. Mas você está distraído e ignorando tudo que falo.

   - A Demi está grávida. – Escapou que ele só se deu conta do que tinha dito no seguindo seguinte. – Eu quero muito ficar novo em folha o quanto antes, mas eu também quero estar presente com ela.. – A reação de Laura não era a que Joe esperava. Onde estava o sorriso e os parabéns? A mulher parecia mais preocupada que feliz, aliás, ela não parecia nada feliz. – Ela descobriu ontem e me contou à noite. Eu estou feliz, realmente feliz. Agora eu quero descobrir o que tem de errado comigo e focar na minha família. – E novamente Laura não tinha sorrido.

   - Eu.. Joe, vocês deveriam ter esperado um pouco mais! – Soou um pouco mais alto do que deveria chamando a atenção das outras pessoas, então Laura massageou as têmporas e sustentou o olhar chateado do sobrinho. – É uma notícia fantástica e eu estou feliz por vocês.. É só que o momento... Tem tanta coisa acontecendo entre vocês, principalmente com você, eu só acho que deveriam ter esperando um pouco mais. – Laura tentou selecionar as melhores palavras para não magoar o sobrinho. E ela estava certa. Um bebê a caminho era uma notícia deliciosa de ouvir, mas não era numa boa hora porque se tornava uma preocupação a mais. E com certeza para todo futuro papai e mamãe, ouvir aquelas palavras, por mais verdadeiras, machucava.

   - Talvez. Mas já aconteceu. – Ele disse indiferente. – Não precisa ficar preocupada, eu vou seguir os exames corretamente e cuidar da minha namorada. – Murmurou se levantando. – Vou passar a noite aqui. Cuida da Lucy e fica tranquila, amanhã cedo volto para casa para a gente ir ao hospital. – Ele estava chateado e não negaria caso alguém perguntasse.

   - Tudo bem, você sabe o que faz da vida. – Disse Laura se levantando. – Só tenha cuidado, você precisa ficar forte agora que vai ser papai. – Ser chamado de papai desarmou todas as defesas de Joe e ele sorriu orgulhoso.

   - Eu vou ficar forte. Prometo que vou. – Era obrigação dele ficar bem e saudável porque o bebê que estava a caminho não cresceria sobre nenhuma hipótese sem a mãe ou o pai.

Continua... Prestem atenção nos detalhes!!! Beijos no core e obrigada pelo carinho!


18.1.19

Capítulo 19


   - Você? – Os olhos verdes de Joe estavam atentos, e quando o sussurro de Demi soou quase que sem som nas palavras “eu estou grávida”, o rapaz piscou por muitas vezes, franziu o cenho e soltou a respiração sem saber o que estava acontecendo. – Você disse que está grávida? – Perguntou de sobrancelha arqueada.

   - Estou. – A cabeça estava baixa como se estar grávida fosse algo ruim que ela tinha feito. “Ao menos ele não está bravo”. Os pensamentos eram distintos, e seguir qualquer um deles a deixaria maluca com teorias que jamais aconteceriam. Não havia motivo para Joe estar bravo, até porque a responsabilidade era dele também. Metade dela e metade dele.

 Acontecia que Demi estava fragilizada o bastante para cogitar todo o tipo de situação: medo do namorado ficar bravo e indiferente, medo de a palavra aborto ser dita em voz alta e considerada como uma opção, medo de ser abandonada, medo de ser uma péssima mãe, medo de não ter condições de cuidar de um bebê. Para o momento, havia uma frase que se encaixava perfeitamente: Ninguém tem medo das mudanças, as pessoas tem medo de serem mudadas. Era o que estava acontecendo, a realidade tinha mudado e Demi não sabia o que poderia esperar do futuro porque ter um bebê no momento nunca foi planejado.

Voltando a realidade, Joseph estava em si? O cenho estava franzido, o olhar perdido num ponto do quarto que não fazia sentido olha-lo. A postura rígida, vez as pálpebras piscavam, mas a expressão de Joe era apenas aquela: chocado. Ficar dez minutos em silêncio foi completamente desconfortável, mais tempo se passou e ninguém tinha noção se ficaram em silêncio por cinco minutos ou por uma hora.

Ficar em silêncio era cansativo, e a cada minuto Demi sentia os olhos arderem e o corpo pedir por descanso. Ainda de toalha, ela caminhou para o closet e escolheu por um conjunto de moletom e meias para aquecê-la. Engraçado como tudo estava tenso. O ar parecia fortemente carregado e pesado, Demi se olhou no espelho sem muita vontade para pentear o cabelo e durante todo o tempo que escovou as mechas castanhas, foi se olhando. Logo ela seria mãe! Quem diria.

   - Demi.. – A voz de Joe soou assim que Demi apareceu na porta do closet pronta para levar a toalha à área de serviço. Pelo menos agora Joe parecia normal. Ele a olhou sem conseguir esconder como estava angustiado e preocupado, levantou-se fazendo o máximo possível para manter o olhar fixo ao dela. – Vem cá. – Mais cedo Bella tinha mostrado a Demi que abraços eram milagrosos, e eles realmente eram quando sinceros. Aquele não foi diferente. A segurança, o amor, o apoio foram transmitidos através do simples gesto que era o abraço. – Tudo vai dar certo com.. com nós três. – O choro tornou a voz de Joe falha e carregada de emoção, o que resultou nas várias lágrimas de Demi e nos soluços. – Es..pe..pere um pou..pou..co prince..sa. – Rapidamente Joe levou a toalha para área de serviço e voltou ao quarto com dois copos com água.

   - Eu vou ficar enjoada. – Disse Demi baixinho colocando o copo sobre o criado-mudo e Joe não soube o que dizer, ele bebeu a água doutro copo e depois o olhou com curiosidade. Era possível alguém ficar enjoado tomando água?

   - Eu acho que nós vamos ficar mais confortáveis debaixo das cobertas, está tarde. – Disse Joe. Deveria ser por volta de quatro da manhã, o dia passado foi cansativo tanto física quanto mentalmente.

O silêncio foi interpretado como resposta positiva. Demi puxou as persianas para escurecer o quarto porque sabia que não iria conseguir dormir com tudo claro, e Joe foi buscar pelas cobertas. Duas cobertas para aquecê-los. O pouco diálogo que tinham tido pareceu ter quebrado mais a tensão enquanto arrumavam a cama, tanto que Demi se deitou primeiro acendendo a luz do abajur e Joe foi se deitar logo em seguida porque fora usar o banheiro e escovar os dentes.

   - Quando você descobriu? – Ele perguntou quando percebeu que olha-la estava começando a ficar constrangedor para ela.

   - Ontem depois que você dormiu, eu vomitei e minha mãe perguntou se existia a possibilidade de eu.. – Demi só interrompeu a frase porque sentiu a mão de Joe envolver a dela. O gesto a aqueceu e transmitiu a segurança que ela não estava sozinha. – de eu estar grávida. De manhã fiz o teste e deu positivo. – Disse cautelosamente o olhando percebendo o quão atento e envolvido Joe estava.

   - Eu não pensei que isso fosse acontecer agora. – Confessou soltando a respiração. – Nós vamos ser papai e mamãe. – Demi se envolveu de bom grado no abraço de Joe, e quando a vontade veio, ela o beijou na boca. – Eu amo vocês. – Três palavrinhas e um gesto não poderiam levar uma mulher a tantas lágrimas. Demi encostou o topo da cabeça ao queixo de Joe e guiou a mão para se juntar a dele no ventre.

   - Eu também, Joseph. Eu vou fazer de tudo para ser uma boa mãe. – As lágrimas de Demi eram tantas que a fronha do travesseiro estava molhada, assim, Joe virou a face molhada para o colchão e conduziu a namorada a deitar a cabeça ao peito dele.

   - Você vai ser uma mãe incrível. – Ele disse tentando acalma-la com o carinho dos dedos no couro cabeludo. – Nosso bebezinho vai ser muito amado e nada faltará para ele ou ela, Dem. – Disse mais tarde quando Demi já não chorava. – Você vai casar comigo, nós teremos uma casa boa e espaçosa, vamos ter boas condições financeiras, seremos pais amorosos. Tudo vai dar certo, só temos que ficar juntos. – Demi assentiu o beijando no peito esquerdo. – Eu estou feliz, só estou muito surpreso e assustado para deixar a minha felicidade transparecer. – De tão agitado que Joe estava, ele deitou Demi e se deitou sobre ela para beija-la na boca e acaricia-la no bumbum. – Estou falando muito também. – Murmurou a beijando no queixo.

   - Eu não sei o que dizer e nem o que sentir. – Disse Demi adentrando o cabelo dele com os dedos para acaricia-los. – Estou com medo e preocupada, Joe. Muito medo. – Disse baixinho e acabou ganhando um selinho. – Mas eu acho que estou feliz. – Se não estivesse feliz, quando alguém a tocasse na barriga, o coração não viria quase a boca e o frio na barriga não a incomodaria tanto. Foi o que aconteceu quando Joe espalmou a região abaixo do umbigo e repousou a mão ali no intervalo de tempo que ela falava.

   - É confuso, mas nós vamos nos adaptar juntos. – Disse abraçando-a por trás e deixando a mão sobre a barriga feminina. – Dorme, mamãe. Você precisa descansar bastante. Está tarde. – A voz soou suave e o beijo que ele deu atrás da orelha de Demi a fez fechar os olhos.

   - Eu amo você, querido. – Disse Demi se permitindo relaxar nos braços dele pela primeira vez ao dia. O corpo chegou a amolecer de tão tranquila e segura que ela se sentia nos braços de Joe, e só não ouviu-o dizer que também a amava porque dormiu.

                                       ***

Quem disse que existia lugar para o sono quando a mente estava fértil produzindo muitos pensamentos? Joe se sentia ansioso, preocupado e muito ativo. Imaginar o futuro o fascinava e entristecia. Pai! Ele seria pai e não acreditava que estava acontecendo, por isso sempre se aninhava mais a Demi e a acariciava no ventre ao mesmo tempo em que sentia o coração quase saltar para fora do peito. Joe garantia que todos seriam felizes: a criança, Demi e ele. Seria uma família que se amaria e protegeria, com o passar dos anos crescia unida e feliz. O que acabava com o sonho do rapaz era a doença. Agora estava muito mais sério, viver não era apenas por ele, era por aquela sementinha que estava enraizada e protegida pela amada.

Por algumas vezes Joe se levantou para se sentar a cama porque o simples ato de respirar o incomodava, e quando juntou com a ansiedade? Pobre rapaz! Tomar um pouco de água o ajudou, assim como caminhar pelo apartamento de Demi pela madrugada como se fosse algo normal. Quando tudo já estava claro, o primeiro bocejo acendeu a chama de felicidade do rapaz, que caminhou para cama.

   - Ei, me abraça. – Não tinha como dormir sem os braços de Joe a rodeando pela cintura e o corpo quente a aquecendo. Demi franziu o cenho e se virou para procurar por Joe. Ele estava quase na beirada da cama, mal coberto e o peito nu estava gelado. Por que diabos aquele homem dava tanto trabalho quando o assunto era saúde? Lá fora estava nevando! Por mais que o aquecedor manteria a temperatura dentro do apartamento agradável, era recomendado se agasalhar. – Joe. – Murmurou o abraçando por trás e o cobrindo. O peito nu estava gelado, até mesmo as orelhas de Joe estavam. Demi o beijou no ombro e o acariciou na extensão do peito.

Onde estava o sono? Demi ainda conseguiu cochilar por volta de vinte a trinta minutos sempre dando um jeitinho de se agarrar mais a Joe, tanto que conseguiu leva-lo para o centro da cama e fazer com que ele a abraçasse. O que ela podia fazer se era bom demais dormir com a cabeça encostada num peito largo? Ter uma perna entre as dela e uma mão grande sobre o bumbum?! Hormônios, hormônios! Demi se moveu contra perna de Joe e ronronou alto o beijando no peito e depois na garganta.

   - Ei.. – Disse de cenho franzido e olhos fechados o chamando. – Joe, acorda. – Resmungou se erguendo. Vontades de grávidas eram mesmo reais? Se estivesse normal, tudo que ela faria no momento seria acordar o namorado para fazer sexo com alguns puxões de cabelo e muitas mãos bobas, depois os dois voltariam a dormir como se nada tivesse acontecido. Mas lá estava a estranha vontade de sorvete de uva e baunilha. Diabos! Ela nem mesmo sabia qual era o gosto exato de uma baunilha. E claro que não tinha no congelador. – Joseph. – Chamou o sacudindo levemente com a esperança que Joe acordaria no mesmo instante. – Joe. – Foram precisas quatro vezes para que Joe começasse a corresponder aos chamados. – Amor. – Ronronou manhosa porque adorava quando Joe a apertava contra o peito, deitava-a a cama e a abraçava de lado.

   - O que foi? – Abrir os olhos era demais para Joe. O cansaço estava instalado em cada pedacinho do corpo e o sono não queria compartilha-lo nem mesmo com Demi, mas mesmo assim Joe fez um bom esforço para corresponder ao chamado da namorada.

   - Eu acho que estou com.. – As bochechas de Demi coraram e ela aproveitou que Joe ainda não tinha aberto os olhos para preparar para se esconder quando ele a olhasse. Nem ela acreditava no que iria dizer. – Estou com um desejo. – Foi exatamente como o pensado e Demi se escondeu debaixo da coberta quando Joe se ergueu e a olhou de cenho franzido.

   - Um desejo de grávida? – O rapaz perguntou tentando se manter firme em estar acordado e espantar o sono. A cabeça chegava estar pesada e os olhos ardendo. – Demetria. – Reclamou puxando a coberta para encontrar a namorada corada e encolhida como se ele fosse um monstro que a assustava. – O que é o seu desejo? Vou realiza-lo. – Bem, o rapaz esperava que não fosse nada impossível. Como Demi estava grávida de um bebezinho dele, Joe sorriu mesmo estando sonolento e fez o melhor que podia para ser uma pessoa agradável, ainda que estivesse morrendo de sono. Se fosse noutra situação, ele não acordaria sobre hipótese alguma.

   - Eu quero muito soverte de baunilha e uva. – Ronronou Demi o abraçando e quando o olhou, ele riu. Só mesmo uma grávida para ter desejo de sorvete em pleno inverno e pela manhã.

   - E tem que ser exatamente agora? – Perguntou levando os dedos para o couro cabeludo dela o acariciando gentilmente arrancando um gemido manhoso de Demi. – Não pode ser um pouquinho mais tarde? – Ele sabia que a mão no ventre a intimidava, mas mesmo assim o fez puxando Demi mais para o corpo e a abraçando com o braço livre.

   - Não, Joe. Eu só quero sorvete de baunilha e uva, por favor. – Resmungou Demi se deitando sobre o rapaz para beija-lo no queixo e por toda extensão do maxilar. – Só tem duas coisas que eu quero fazer agora: comer meu sorvete e transar com você. – Murmurou para depois mordê-lo na orelha e ronronar manhosa sentindo as mãos grandes apertando-a no traseiro.

   - Então, eu prometo o sorvete gatinha. – Só Demi conseguia induzi-lo a sorrir mesmo estando caindo de sono. E também era muito bom se sentir desejado. – Mas o sexo só depois que a gente conversar com o nosso obstetra. – A reação de Demi foi motivo do riso de Joe. Ela o olhou de cenho franzido e depois arqueou uma sobrancelha como se tivesse escutado um verdadeiro absurdo.

   - Joseph?! – Demi não pensou duas vezes antes de guiar a mão para dentro da calça de dormir do namorado, e por não encontra-lo pronto, ela fez careta começando a se sentir irritada, tão irritada que poderia esbofetear Joe só poder ele estar rindo.

   - É para o bem de vocês. Só vamos fazer quando tivermos a certeza que não fará mal para o bebê. – Joe não esperava por um tapa no braço só porque ele estava rindo. Acontecia que a gravidez tinha fases delicadas que só um profissional poderia dizer o que a grávida deveria ou não fazer.

   - Isso é horrível. – Demi só entendeu a gravidade do assunto quando se sentiu ansiosa a ponto do coração bater muito rápido assustando-a. – Você tem razão. É que sexo para mim é tão natural quanto respirar. – Resmungou descansando a cabeça no peito dele e Joe assentiu se lembrando de que Demi tinha a vida sexual ativa desde os dezesseis anos.

   - Não temos experiência com gravidez, Dem. Temos que conversar com um especialista. Aos poucos vamos nos adaptar, não quer dizer que não faremos sexo nesse período. – Joe mordeu o lábio inferior pensando no que tinha acabado de falar. E se eles realmente tivessem que dar uma pausa no sexo? – Vamos procurar um médico agora? – Perguntou assim que teve a ideia. Era o mais adequado a fazer.

   - Você não acha que é muito cedo? – Demi olhou brevemente para Joe, e depois respirou fundo porque não sabia o que fazer. Provavelmente procurar um médico ajudaria a esclarecer todas as dúvidas do que deveria ser feito durante os próximos nove meses.

   - Não. Você precisa fazer muitos exames para sabermos se está tudo bem com o seu corpo para uma gestação saudável. – Eram muitos exames que deveriam ser feitos. Não só os exames, mas tinha muita coisa para fazer! Joe franziu o cenho sentindo o coração bater mais rápido, tudo motivo da repentina ansiedade. – O seu pai vai me matar. – Não era para ser dito em voz alta, mas Joe só foi perceber quando já tinha dito. Tudo virou uma bagunça porque a preocupação se juntou a ansiedade e a falta de descanso, o que levou o rapaz a procurar por apoio porque a visão estava começando a ficar escura e os músculos fracos.

   - Joseph?! – O repentino susto fez com que o coração de Demi batesse rápido a ponto de que ela pudesse ouvi-lo. – Ei, Joe! – Chamou um tanto agoniada quando Joe se deitou e fechou os olhos. – Joseph?! – Ela se apressou em pegar o celular no criado-mudo e já estava discando o número da emergência quando ouviu a voz de Joe.

   - Estou bem. Foi só um mal estar. – Ele disse abrindo os olhos e respirando fundo. – Eu estou bem, não preciso ir ao hospital. – Disse se erguendo e Demi o olhou preocupada. – Estou bem. – Tornou afirmar guiando a mão esquerda para direita dela como se através daquele contato encontrasse forças.

   - Nós vamos para emergência. – Demi franziu o cenho quando Joe pegou o celular da mão dela e quando ela o olhou, ele negou balançando a cabeça.

   - Estou bem. Confia em mim, ok? – Pediu sem deixar de olha-la nos olhos. Demi iria contestar com o clássico mas, então ele disse: - Não consegui dormir assim que deitamos. Só agora pela manhã. Tenho a impressão que não dormi meia hora e você me chamou. – Joe assentiu fechando os olhos quando Demi o beijou no ombro esquerdo e depois o abraçou de lado sussurrando um pedido de desculpa. – A última vez que comi foi o nosso jantar. Estou com fome e muito surpreso com tudo. Estou tentando manter o pensamento positivo, mas sobre o seu pai.. Aaah Dem! Ele vai me matar. – Não tinha argumentos para defender Inácio. Demi sabia que a bronca seria feia, e que Joe não seria poupado.

   - Minha mãe disse que vai acalma-lo. – Não era como se Dianna pudesse impedir cem por cento da bronca, mas se ela pudesse controlar Inácio de não gritar e ficar super nervoso já era um alívio. – Eu não vou deixar ele brigar com você, Joseph. Entendo a preocupação dele como pai, mas eu já sou uma adulta completamente independente. – Ela não precisava ser acolhida debaixo de um teto porque já tinha o próprio. Já tinha uma profissão e sabia se virar sozinha. Ninguém morreria de fome e nem passaria frio. Demi só precisava encontrar um emprego porque o dinheiro que tinha já estava comprometido com o escritório que pretendia montar.

   - Eu sei. Vou tentar dizer para ele que não faltará nada para vocês. – Demi assentiu o beijando no peito e depois olhou para o rosto de Joe. A palidez não combinava com a pele morena dele que ficava com uma aparência de doente. Os olhos verdes mostravam como Joe estava cansado e abatido. – Amor, eu vou comprar o seu sorvete depois de comer. Estou me sentindo fraco por falta de alimentação. Você procura um médico obstetra e tenta marcar a consulta ainda para hoje? – Perguntou todo carinhoso roçando o nariz ao dela e roubando um selinho.

   - Você vai ficar quietinho na cama, Joseph. Eu vou cozinhar para você, depois de comer você vai dormir e à tarde nós procuramos um médico para.. para mim. – Demi o beijou na testa, ela até iria sorrir, mas a mão de Joe a tocando na barriga foi uma surpresa.

   - Quando você acha que aconteceu? – Ele perguntou a olhando e Demi umedeceu o lábio inferior sustentando o olhar.

   - Eu não faço ideia, amor. Nós transamos todos os dias, às vezes mais de uma vez no dia. – Demi riu das bochechas coradas de Joe, e daquela vez não significava que o rapaz estava envergonhado. Ele sorriu todo sapeca e a beijou na bochecha. – Talvez foi naquela tarde que a Selena me ligou quando nós dois estamos.. – Demi só sabia que esteve com Joe durante manhãs, tardes e noites na cama, no sofá e durante o banho. Quando ela engravidou? Era uma pergunta difícil de responder.

   - Eu não faço ideia de quando foi. – Joe sorriu quando a pequena mão feminina se juntou a dele sobre o lugarzinho onde os dois pensavam que o bebê estava. – Nós amamos você. – Um beijo na barriga era demais. Os olhos de Demi marejaram quando ela encontrou os de Joe a olhando. Ele estava lá: o queixo encostado no cós da calça de moletom e um pequeno sorriso nos lábios.

   - Vem cá. Preciso de um abraço. – Disse quando se sentiu sozinha e desolada. O abraço de Joe levou para longe todos os sentimentos negativos e o calor dele a aqueceu. Era bom demais estar acolhida entre aqueles braços grandes que a envolviam com firmeza.

   - Você vai ama-lo. Vai ser uma boa mãe. A melhor mãe de todas. Nada de ruim vai acontecer com a nossa família. Nós vamos ficar bem e juntos, eu prometo. – Joe sabia quais eram os medos de Demi por conta dos traumas que ela tinha enfrentado. E tinha quem dizia que a atitude de um pai e uma mãe não podia influenciar no filho, ou simplesmente fazê-lo temer ser igual aos seus protetores. O caso de Demi era o último, mas o que ela não sabia era que não tinha nenhum traço de personalidade da mãe. A vida que tinha era a prova viva que Dianna não era uma influencia, bem pelo contrário. Para Demi a mulher era um exemplo a não ser seguido.

   - Eu vou precisar muito de você, então não me deixa, ok? – O choro e a emoção eram motivo da gravidez. Pelos próximos minutos Joe abraçou a namorada e a acalmou fazendo carinho no cabelo e gentilmente a tocando nas costas num carinho gostoso que ajudava Demi a relaxar.

Ficar deitado debaixo de cobertas pesadas nos braços da pessoa amada onde um não tinha dormido à noite e o outro estava com os hormônios a mil só resultava numa coisa: sono. Joe dormiu que chegou suspirar e Demi cochilou por pouco mais de uma hora. Por bons minutos ela admirou a beleza do namorado, e de coração partido o acordou para tomar a insulina.

Improvisar café da manhã para um diabético era um tanto complicado, então Demi recorreu a frutas e biscoitos integrais que sempre comprava para Joe. Um homem daquele tamanho deveria comer com certa frequência, e quando não houvesse o curto prazo, ele deveria comer em boa quantidade quando tivesse a oportunidade. Joe era do tipo que comia pouco e em longo prazo. Se deixasse, nem por comida ele procuraria. Uma hora mais tarde Demi o acordou e exigiu que o namorado comesse tudo que ela tinha preparado, o que não foi problema. Depois de alimentado até as bochechas dele estavam mais coradas e a cor da pele mais viva. Só não deu tempo de advertir Joe porque ele deu um jeito de colocar a bandeja no chão ao lado da cama e a puxou para dormir agarrada a ele.

***

   - Tem pouco mais de duas semanas e meia. – Disse Adam. O médico obstetra era um homem maduro de pele morena e cabelo escuro curtinho que deveria estar na faixa dos quarenta e poucos anos. Demi não tinha prestado muita atenção nas palavras. Joe só assentiu, mas com toda atenção voltada para a tela onde mostrava a ultrassom. Não dava para entender nada, eles só sabiam que o pontinho acinzentado dentro de uma machinha preta era o bebê deles. – Vocês tem preferência do sexo? Vamos descobrir a partir do terceiro mês. – Joe olhou para Demi e sorriu. Ele estava radiante! Não havia nenhuma preocupação, medo ou receio. Aquele momento era apenas dele e da amada.

   - Quero uma menininha linda igual a mãe. – O comentário de Joe resultou num sorriso lindo de Demi. O médico até pediu licença para deixa-los mais à vontade naquele momento único. – Você está feliz? – Perguntou enlaçando os dedos aos dela depois de fotografar o ultrassom e Demi assentiu olhando para a imagem do bebê que ainda era uma sementinha.

   - Estou muito assustada e com medo, mas estou feliz. – A lágrima solitária não significava tristeza. Demi sorriu de orelha a orelha quando Joe a abraçou de lado e a beijou na testa.

   - Eu também, mas estou com você. Isso já me deixa seguro e confiante que tudo vai dar certo. – Demi deu uma série de selinhos no queixo barbado até que Joe finalmente a beijou na boca.

   - Eu amo você. – Ela sorriu e só não retribuiu ao beijo com um mais apaixonado porque o médico adentrou a sala depois de duas batidinhas à porta.

   - A senhorita pode se limpar no banheiro logo à esquerda. – Disse Adam, e Demi assentiu se erguendo da maca e descendo com a ajuda de Joe que insistia em se fazer presente em todos os momentos da consulta, mas Demi seguiu sozinha para o banheiro para se organizar.

   - Estou preocupado com os enjoos. – Comentou Joe olhando brevemente para o médico para depois na direção do banheiro no final da sala.

   - É normal até por volta do terceiro mês, depois melhora. – Disse o médico o olhando gentilmente. Joe respirou fundo e assentiu. Os pensamentos eram muitos desde os bons aos ruins. Ruins no sentido que ele se sentia na obrigação de ficar saudável, pois Demi precisaria dele. Ela e o bebê.

   - A senhorita tem uma lista de exames para fazer. – Demi e Joe estavam acomodados às cadeiras esperando as orientações do médico. No início da consulta apenas passaram os dados pessoais e teve o ultrassom. – Vocês conseguem fazer tudo dentro de duas semanas? – A lista de exames na tela do computador possuía pelo menos 15 tópicos. Era exame de sangue para diagnóstico de anemia, tipagem sanguínea, glicemia, teste de coombs, algumas sorologias, exames para identificar doenças sexualmente transmissíveis, exame de fezes e urina junto a outros que retornariam ao médico o resultado da saúde de Demi para garantir o sucesso de uma gestação saudável tanto para mãe quanto para o bebê.

   - Conseguimos. – Disse Joe guiando a mão para a de Demi, pois ela parecia assustada com a quantidade de exames exigidos.

   - Ótimo. Nós já vamos começar com o ácido fólico. Seiscentos microgramas ao dia até completar o terceiro mês da gestação. – Disse Adam os olhando e quem assentiu foi Joe, já que Demi ainda estava impactada com a quantidade de exames que deveria fazer. Eram mais exames do que ela já tinha feito durante toda a vida! – Para os enjoos vou recomendar dramin B6. Não é para tomar em todo caso de enjoo, nós podemos evita-lo controlando a alimentação. É bom evitar comer alimentos com alto teor de gordura. Coma de três em três horas, mas não para ficar com o estomago completamente cheio. Não abra mão do repouso e evite stress. – Demi só deixou de olhar para os olhos castanhos do médico para os verdes de Joe. E ele sorriu para ela mostrando como estava animado para ajuda-la a seguir todas as recomendações que eram anotadas pelo médico. – Caminhadas podem ajudar, mas nada exagerado. Agasalhe-se bem e dê uma volta no quarteirão no começo da manhã ou no final do dia. Recomendo que vocês procurem um nutricionista para planejarem uma dieta saudável. – Era muita coisa a ser feita. Demi só conseguiu pensar no gasto que teriam com médicos e alimentos especiais, e a fez lembrar que estava desempregada.

   - Como ficará a minha rotina? Posso trabalhar normalmente? – Perguntou Demi diretamente para o médico e Joe a olhou com certa surpresa porque ele não esperava pela pergunta.

   - Nada de esforços físicos. Evite ambientes sobrecarregados de stress, com resíduos de poeira ou outros fragmentos e cheiros fortes. No mais, se o seu ambiente de trabalho for aconchegante, não há problemas em manter a atividade. – Era naquelas horas que Demi agradecia a profissão que tinha. O escritório era mais uma formalidade, pois tudo que ela precisava para trabalhar era um bom computador e muita criatividade.

   - Enquanto a nossa vida sexual? – Bem, alguém tinha que perguntar! Demi se arriscou mesmo de bochechas coradas. Ela ficou sem graça quando o médico sorriu, mas mesmo assim manteve a postura.

   - Sexo é bem vindo, desde que não exija esforço físico. Sempre optem pelas posições mais confortáveis. Se houver algum incomodo, interrompam o ato e procurem por atendimento médico o quanto antes. – Por mais tímidos, os dois prestaram bastante atenção naquela parte porque ela era importante. – Tem gestante que prefere interromper o sexo pelo simples fato de não ter mais desejo, acontece também com os papais. Cabe a vocês decidirem.  – Joe assentiu corado. Ele não era completamente leigo no assunto gravidez, mas em sexo ainda possuía certa inocência. – Mais perguntas? – A verdade era que o casal queria encher o médico com perguntas, mas eram tantas que não faziam ideia de onde poderiam começar. E por hora, o que sabiam já era suficiente.

 O bom da popularização da tecnologia era que os serviços estavam ficando cada vez mais modernos e de fácil acesso, então se tivessem alguma dúvida, era possível entrar em contato com o médico responsável pelo pré-natal de Demi através de uma chamada de voz ou vídeo. Em emergências o doutor Adam também estava disponível, o que deixou Joe muito aliviado porque ele sabia que seria o tipo de pai que levaria a mãe do filho ao hospital por causa de um simples “ai”.

***

   - Princesa, parar de comer não é a solução. – Joe era exagerado. Sim, ele era e muito! As sacolas que carregavam comida estavam ali de prova viva. Depois da consulta com o médico, o rapaz dirigiu diretamente para o supermercado. Dois carrinhos de compras cheios de mantimentos era muito para duas pessoas. A geladeira de Demi estava cheia! Os armários estavam carregados de cereais e outros. – Você ouviu o que o médico disse: comer de três em três horas. Não é para ficar completamente satisfeita, só com o estomago parcialmente cheio de alimentos leves e saudáveis. – Ele disse se acomodando numa cadeira ao lado de Demi. Finalmente as compras estavam organizadas. Quem tinha ficado com aquela tarefa foi Joe enquanto Demi aproveitava para degustar do sorvete de baunilha e uva diretamente do pote.

   - Eu sei que vou vomitar todo esse sorvete, Joe. – Murmurou toda manhosa franzindo o cenho porque ela não se lembrava de sorvete ser tão delicioso como aquele. – Só estou comendo porque.. porque está fantástico. – O que estava acontecendo com ela? Fazer sons enquanto comia não era de costume, mas era algo que Demi sequer percebia. Ela estava tão empolgada com as colheradas de sorvete que só restava a Joe sorrir satisfeito admirando a namorada num moletom muito largo devorar o sorvete do pote sozinha em pleno inverno.

   - Nós temos o dramin e todas as dicas do médico para seguir. – Ele disse pegando a caixinha do remédio dentro da sacola sobre a mesa. – Vamos ter que procurar um nutricionista para você, pode ajudar. – Comentou e riu porque Demi assentiu lambendo os lábios lambuzados de sorvete.

   - Amor. – Desconcentrar do sorvete deu muito trabalho! Demi aproveitou as últimas colheradas como se não fosse existir o amanhã, então se levantou para se acomodar ao colo de Joe o pegando de surpresa. – Amor. – Ronronou o beijando na curva do maxilar perto da orelha. Joe quase pulou da cadeira porque os lábios de Demi estavam gelados e ele super concentrado em ler a bula do medicamente que ajudaria com os enjoos.

   - O que foi, gatinha? – Perguntou ajustando os óculos de grau ao rosto porque ele precisava saber se não existia alguma contraindicação para grávidas. Era preciso ter muito autocontrole para não agarrar Demi pela cintura e usar aquela mesa para...

   - Estou preocupada com todos esses gastos. – Disse Demi tomando a caixinha do remédio junto à bula das mãos de Joe para aguarda-los dentro da sacola. – Eu.. Estou desempregada. Você tem as suas coisas e... Não quero que tenha despesas comigo. – Era realmente estranho ter alguém para encher a casa de mantimentos. Quando morava com a mãe, Dianna dificilmente fazia compras. Dentro de casa a comida era pouca, pois a mãe e a avó preferiam fazer as refeições em restaurantes de luxo. Já sozinha, Demi era quem ficava responsável por escolher o que comer, então a responsabilidade era exclusivamente dela.

   - Ei.. – Joe franziu o cenho quando a olhou nos olhos intrigado com o que tinha acabado de ouvir. – Um cuida do outro, lembra? Nossa vida mudou completamente. Eu vou dar o meu jeito por esses meses até ganharmos o nosso bebê. Quando você se recuperar e estiver à vontade, você pode voltar a trabalhar. – O olhar de Demi se fechou em receio e preocupação. E ela não conseguiu esconder a feição de descontentamento. Aquilo não podia estar acontecendo. – Não vai faltar nada para vocês. – Disse Joe na frustrada tentativa de tentar melhorar o repentino clima pesado. Mal sabia ele que Demi era dona da própria independência.

   - Joseph.. Eu vou trabalhar nesses próximos meses. Vou abrir o meu escritório, começar a pesquisar sobre a minha pós-graduação. Quero seguir com a minha vida e os meus sonhos. Eu estou grávida, não impossibilitada.  – Demi não quis soar grossa. Em todo momento ela sustentou o olhar do rapaz e tentou manter a voz num tom diferente do que realmente poderia soar: ofendido.

   - Eu não disse que você está impossibilitada. – Joe piscou por algumas vezes pensando bem no que poderia dizer. – Você está desempregada e grávida de um filho meu. Eu tenho dinheiro suficiente para cuidar de nós três. Só me deixa tomar conta de vocês durante esse tempo que você está desempregada? Não é nada demais, e eu vou ficar muito feliz e satisfeito em te ver bem. – As palavras dele soaram gentis e calmas revelando a real intenção do rapaz: cuidar da amada e do bebê.

   - Você pode fazer isso com o seu salário? – Demi perguntou cheia de receio e Joe umedeceu os lábios logo respondendo:

   - Estou ganhando pelo que faço, é pouco. Mas eu tenho a minha herança. – Os dois ficaram em silêncio. Demi porque se sentia envergonhada e preocupada com o futuro, e Joe tinha parado para pensar que era a primeira vez que ele estava usando o dinheiro dos pais. – Confia em mim. Eu amo você e só quero te proteger e te dar amor. – Joe roçou a bochecha de Demi com a dele e aos pouquinhos rodeou a cintura da namorada com os braços. – Vamos, gatinha. Vai ficar tudo bem. – Disse a beijando na ponta do nariz quando Demi o olhou como um cachorrinho carente e assustado. – Não quero que tenhamos lembranças ruins da gravidez do nosso bebê. Sei que não foi nada planejado, nós nem casamos ainda, mas vamos tentar curtir esses nove meses? Ficar juntinhos esperando a chegada do nosso bebê. Quero que seja um momento bom e saudável para nós. – Demi só cedeu minutos mais tarde no momento em que Joe a beijou no queixo. Ele tinha toda razão. O momento era exclusivamente deles.

   - Vamos deixar acontecer. – A frase quase não saiu com clareza porque Demi tinha os lábios abaixo do queixo de Joe o beijando e o mordiscando do jeito que ela tanto gostava.

   - Eu acho que nós dois podíamos ir para o sofá brincar um pouquinho, o que você acha, Dem? – O sussurro seguido da leve mordida no lóbulo da orelha esquerda aqueceu todo o íntimo de Demi.

   - Estou ansiosa para brincar com você. – Ela o beijou na boca e usou as mãos para toca-lo nas costas e arranhar abaixo do umbigo aproveitando para puxar os pelinhos da região.

   - Segura firme que eu vou te levar para o sofá. – Disse Joe sorrindo todo sapeca porque as mãos tocaram o traseiro de Demi e desceram um pouco mais para baixo ficando nas coxas onde ele conseguiria sustentar o peso do corpo sem deixar a namorada cair.

   - Amor, a gente não pode brincar com o sorvete? – Perguntou Demi toda manhosa se segurando firme no abraço no pescoço de Joe quando ele ficou em pé. – Eu, você e o sorvete? – Ronronou o beijando na bochecha e depois na ponta do nariz.

   - Não vou te dividir com um pote de sorvete. – Disse Joe esboçando um sorriso tímido para depois beija-la a garganta.

   - Então me deixa guardar o meu sorvete. – Será que ela estava falando realmente sério? Joe franziu o cenho e gemeu emburrado quando Demi desfez do abraço deles porque iria guardar o sorvete na geladeira. Mas será que o pote seria guardado? Demi pareceu esquecer o que eles iriam fazer quando abrir o pote cor de rosa, pegou a colher que tinha usado mais cedo e voltou a comer o sorvete.

   - Demi.. – Joe reclamou a abraçando por trás empurrando levemente o quadril contra o bumbum da namorada e a beijando no pescoço. – Vamos? – Chamou rodeando os braços na cintura dela e Demi gemeu baixinho com a boca cheia de sorvete.

   - Só mais uma colherad.. – Joe não soube o que fazer quando Demi se virou de vez e o beijou na boca. O gelado da língua e dos lábios resultou um frio de ansiedade na barriga junto a uma sensação eletrizante. Contribuiu para a excitação dele que só ficava mais rígida conforme a boca era devorada pela feminina e o corpo acariciado por aquelas mãos.. Até que ele atingiu um ponto que não dava mais para aguentar ficar sem o calor escorregadio. – O que você está fazendo? – Perguntou de cabelo assanhado e todo excitado sem entender o porquê de Demi empurra-lo contra a mesa. Só que diferente dele, Demi não estava interessada em conversa. Ela o fez sentar na beiradinha da mesa, o mordeu no queixo e no pescoço, apertou o pênis sobre a calça pegando o rapaz completamente desprevenido.

   - Eu adoro como você é todo gostoso e só meu. – Ronronou Demi o mordendo na orelha e lambendo o pescoço. – Tira essa camisa. – Pediu toda autoritária cuidando de tirar os óculos de grau de Joe para coloca-los sobre a mesa e desafivelar o cinto da calça jeans e abrir o botão. – Joe.. – De cenho franzido Demi se encostou a parede e o observou.

O jeans apertado mostrava como as coxas de Joe eram grossas e as pernas longas. A lavagem clara estava marcada pelo volume da ereção grossa que deveria ter por volta de dezoito centímetros. A calça era a medida perfeita na cintura que se abria mais para cima num peito largo e braços grandes. Demi queria chupar os mamilos pequenos e lamber sobre a região das costelas, roçar o rosto contra o peito largo e lamber abaixo do umbigo.

   - Se toca para mim. – Nos pensamentos só havia algo: sexo. Demi ronronou quando olhou Joe nos olhos. Ele estava corado e não parava de olha-la por um minuto, e aquele olhar sempre carregava inocência não importava o que eles fizessem juntos. – Por favor, se toca para mim. – Pediu adentrando a calça do moletom com a mão esquerda.

Ela estava tão pronta! Encharcada e muito ansiosa. Demi murmurou o nome de Joe e mordeu o lábio inferior trabalhando um dedo sobre o íntimo. Ela até fechou os olhos por alguns segundos e quando os abriu, o coração veio a boca. Joe estava sério. O cenho franzido e o olhar exclusivamente focado no dela. Ele tinha abaixado a calça de qualquer jeito até que estava embolada nos joelhos junto com a cueca. Demi só conseguia manter o olhar sobre duas perspectivas: o olhar intenso de Joe e a mão dele num vai e vem em volta da ereção como ela tinha ensinado para ele.

Ela não aguentou dez minutos porque o dedo entrando e saindo do íntimo junto a visão de Joe se masturbando levaram-na ao paraíso. Demi tombou a cabeça a parede e respirou fundo de olhos fechados se concentrando para ter fôlego porque os dois só estavam começando.

   - Vem cá gatinha. – Não! Ele não poderia atingi-la daquela forma. A voz grossa não carregava nenhum carinho e nem a típica inocência de Joe. Havia malicia e desejo. Demi choramingou se sentindo mole e muito ansiosa para subir em Joe e fazer muito barulho. – Vem gatinha. – Demi se aproximou sustentando o olhar dele, e assim que estava entre as pernas masculinas, juntou a mão a de Joe que abraçava o membro. Foram minutos naquela brincadeira. Trocavam olhares e se tocavam porque Joe tinha deixado que ela o masturbasse para fazer o mesmo com ela.

   - Espera.. Eu quero sorvete. – Era uma frase muito estranha para ser dita durante sexo. Demi só tinha dito por que o pote de sorvete ao lado de Joe não passou por despercebido. – Joseph. – Resmungou o empurrando e Joe a olhou todo carrancudo.

   - Você está mesmo falando sério? – Perguntou Joe abaixando o cós da calça de Demi e em troca ela o empurrou e riu. – Dem.. – Grunhiu tentando beija-la, e pelo menos o beijo Demi aceitou.

   - Esse sorvete só não é mais gostoso que você. – Disse Demi depois de uma colher cheia de sorvete de baunilha. Ela sorriu e se espreguiçou toda manhosa. – Está muito delicioso, Joe. – A intenção não era levar a colher carregada de sorvete para boca dela. Demi escorregou o floco de sorvete para fora da colher e fez a melhor cara de surpresa quando o sorvete caiu no peito de Joe. – Ops.. – Ela mordeu o lábio inferior e deu de ombros esboçando um sorrisinho culpado. – Você quer que eu limpo? – O murmurou de Joe a fez rir, mas no instante seguinte a língua trabalhava em lamber cada gotícula do sorvete.

Foram pelo menos três colheres de sorvete, e Joe achou que iria morrer ali mesmo nu e super excitado. Ele não tinha resistência psicológica para a língua de Demi nos mamilos e nos gominhos do abdômen, e cada vez que ela chegava mais perto do umbigo, o rapaz perdia o fôlego.

Eram os hormônios de grávida! Só podia ser! Joe fechou os olhos e comprimiu a barriga como se tivesse acabado de ser atingido com um chute entre as pernas, mas o que sentia não era dor. Ele estava todo envolto na boca quente, tinha sido coberto de beijos e lambidas e agora estava lá.. Os grunhidos e múrmuros eram inevitáveis. Joe sentia que perderia o controle da situação a qualquer instante, aliás, ele já tinha perdido desde que Demi se escorou a parede e se masturbou o olhando. Estar sendo sugado para dentro do calor quente e receber lambidas era demais.

   - Não, vem. – Infelizmente para ele era difícil se controlar por muito tempo, por isso os braços envolveram as pernas de Demi para coloca-la sobre o ombro. Joe só se lembrou de que deveria ter mais cuidado com a namorada quando a deitou na cama às pressas. Ela estava grávida! – Você está bem? – Perguntou depois de beija-la na boca e Demi sorriu de orelha a orelha assentindo com a cabeça. Agora ela ficava mais calma? A mulher iria enlouquecê-lo com todas as bipolaridades.

Mesmo que estava para explodir e a ansiedade o corroia, Joe tocou Demi com carinho e a beijou em cada pedacinho do corpo, mesmo com a namorada ronronando sobre os seios estarem sensíveis. Joe os beijou e chupou com muito cuidado, deslizou as mãos pela silhueta do corpo feminino e beijou a barriga sussurrando algo para o bebê.

Definição de tarde melhor que aquela não existia. As cobertas estavam lá para mantê-los aquecidos. O silêncio do apartamento só era quebrado pelos sussurros apaixonados e os grunhidos de prazer.  Por boa parte do tempo Demi esteve sobre Joe se movendo com tanto cuidado, ela se encaixou ao amado de todas as formas que desejou enquanto o olhava nos olhos e confirmava consigo mais uma vez: ela finalmente tinha encontrado o amor que sempre sonhou.

***

Dormir era a melhor coisa que existia! Mas dormir agarrada a Joe era tão bom que Demi dormia com uma carinha inquestionável de felicidade. Só que a felicidade não era apenas por conta do sono e do sexo. Envolvia a segurança que Joe tinha oferecido, e o cuidado e o amor com o bebê. Mesmo preocupada e pensando sobre muitas coisas, Demi estava feliz porque ela não estava sozinha. Uma hora mais tarde o celular tocava alto, o que a despertou. Engraçado que não havia mal-humor como acontecia sempre que algo interrompia o sono. Demi simplesmente se ergueu ainda zonza de sono e atendeu ao celular descansando o corpo sobre as costas largas de Joe.

“Hum?” – Demi. Foi um murmuro sonolento. Ela sequer tinha visto quem ligava e não se importava em atender ao celular com um murmuro porque só quem ligava era Selena e a família.

“Demetria, é a mamãe. Você não deu notícias durante todo dia, não atendeu ao celular mais cedo e nem respondeu as mensagens, tive que vir sem avisar para saber se está tudo bem. Estou na portaria.” – Dianna. Demi sorriu mesmo sonolenta. O que mais de bom poderia acontecer naquele dia? Ela tinha ficado agarrada a Joe e recebendo o carinho dele, e agora lá estava Dianna para mima-la mais um pouco.

“Vou liberar a sua entrada e você sobe”. – Demi. Depois da ligação com Dianna, Demi ligou para portaria do prédio e libertou a entrada da mãe. Meses atrás ela tinha pedido para não deixar Dianna subir sobre nenhuma hipótese, e agora tinha que liberar a entrada.

Demi não pensou muito na bagunça que estava no apartamento e nem que estava nua, nos poucos segundos que tinha bloqueado o celular, ela se aninhou a Joe o beijando no ombro e automaticamente fechou os olhos. O cochilo só não foi para frente porque a batida à porta a fez lembrar que Dianna estava a esperando.

   - Meu Deus, Demetria! – Quando a porta foi aberta, Dianna riu da situação da filha. O cabelo de Demi estava bagunçado que tinha até mesmo alguns nós, a cara da menina era de sono e o moletom enorme! – O que aconteceu com você, meu amor? – Dianna a beijou na bochecha e retribuiu ao abraço de Demi se sentindo radiante de felicidade.

   - Eu estava dormindo com o Joe. – Ronronou Demi puxando a mãe para dentro do apartamento para que elas pudessem ficar quentinhas e longe dos fofoqueiros. – Você está muito bonita. – Demi não podia se lembrar de um dia que Dianna não estava arrumada. O cabelo loiro tinha cachos nas pontas, a maquiagem estava discreta e por baixo do trench coat preto Dianna usava um elegante conjunto de saia secretaria e camisa de botões. Tinha até um colar de pérolas.

   - Você está uma bagunça bonitinha. – Dianna tocou a ponta do nariz da filha e observou com atenção os olhos marrons de Demi. – Ele já sabe que será pai? – Perguntou baixinho e Demi assentiu.

   - Ele preparou o nosso jantar ontem. – Disse Demi cruzando as pernas no sofá para ficar mais à vontade. – Nos divertimos bastante ontem à noite, só que chegou a um momento que eu tive que contar porque não estava mais aguentando suportar toda a pressão sozinha. Fiquei muito aliviada quando ele disse que estava feliz e que nós seriamos uma família. – A lágrima rolou que Demi percebeu só quando a mãe a limpou. – Fomos consultar com um obstetra no início da tarde. Tem realmente um bebê na minha barriga. – Demi sorriu pegando o celular no bolso para mostrar a foto do ultrassom. – Não dá para entender nada, mas esse pontinho é o bebê. – Era a real verdade sobre o ultrassom. Ninguém entendia nada, só um profissional que tinha estudado a respeito. E mesmo com uma foto que não fazia nenhum sentido, as pessoas choravam. Não foi diferente com Demi e nem com Dianna.

   - Estou muito feliz por você. – Disse limpando as lágrimas e guiando a mão para acariciar Demi na barriga. – Parece que foi ontem que você era uma bebê fofinha que não queria largar o peito, e agora está grávida. – Toda vez que Dianna contava sobre os momentos da infância Demi ficava emocionada.

   - Mãe! – Resmungou abraçando a mãe e Dianna a abraçou apertado.

   - Amo você com toda a minha vida. – Disse para Demi e a menina assentiu dizendo que também a amava. – Vou pegar um copo com água. – Para desfazer o abraço deu trabalho, como deu! Dianna riu de todo o grude de Demi e se levantou para buscar a água. – Eu estava com o seu pai. Fomos tomar café hoje à tarde. Ele queria subir, mas como eu estava preocupada com você e o bebê, dei um perdido nel.. – Ouch! Por que a cozinha tinha que estar daquele jeito? Demi mordeu o lábio inferior quando a mãe a olhou de sobrancelha arqueada. O pote do sorvete ainda estava sobre a mesa junto aos óculos de grau de Joe. Havia uma camisa jogada no chão ao lado da mesa e do outro lado da cozinha estava à calça com a cueca e o cinto de Joe. Como tinha parado justamente ali? Mistério! Ah! O sapato dele também estava lá, um pé perto da mesa e o outro no lado oposto a mesa perto da geladeira.

   - Não repara a bagunça. – As bochechas de Demi estavam coradas e ela não soube se deveria olhar para Dianna ou dizer mais uma palavra enquanto pegava as roupas de Joe. Só que a gargalhada a pegou de surpresa.

   - Você está vermelha. – Disse Dianna sorrindo e Demi nem mesmo a olhou. – Não precisa ter vergonha. Eu estou feliz por você. – Mesmo com as palavras da mãe, Demi ficou calada. – Ei, o que tem de mais? – Dianna só estava tentando descontrair o clima.

   - Eu sei.. – Resmungou Demi pegando o sapato de Joe. – Você só não precisava saber que eu estava fazendo amor com o Joe. – Então lá estavam às bochechas coradas novamente, a vergonha só foi embora quando Demi se lembrou do que Dianna tinha dito. – Você estava com o meu pai? – Perguntou e Dianna assentiu prontamente.

   - Estava, pequena ciumenta. – Dianna riu do bico de Demi e a esperou levar as roupas de Joe para o quarto para continuar contando a história. – Você não atendeu as ligações dele, e nem das suas irmãs. Ele estava quase chamando a polícia, então eu tive que acalma-lo. – Disse se acomodando a mesa e Demi guardou o sorvete.

   - Como assim? – Demi não escondia que sentia ciúmes, e sempre era o mesmo dilema: Ela estava com ciúme de Dianna com Inácio, ou de Inácio com Dianna?

   - Chamei o seu pai para tomar café para conversarmos sobre você. Estou tentando dizer a ele que você é adulta e independente já para prepara-lo para notícia que ele será vovô. – Bem, Dianna podia até aliviar para Demi, mas com Anna também grávida Inácio só iria surtar. Era uma das certezas que todas as meninas tinham.

   - Ah, mãe! Eu não quero que ele fique bravo com o Joe. Se ele ficar, eu acho que vou brigar com ele. – Sim, ela iria ficar muito brava com o pai caso ele resolvesse bancar o protetor com Joe. Eles já tinham tantos problemas, arrumar mais um por nada não era inteligente.

   - Você sabe que ele vai ficar, Demi. Se não ficar, não é o seu pai. – Dianna tinha razão. Demi a olhou e resmungou baixinho tendo que concordar com a mãe. – Então está tudo bem? – Perguntou segurando a mão esquerda da menina e Demi assentiu.

   - Acho que sim. A minha maior preocupação era o Joe.. não querer o bebê. – Ela tinha dito baixinho a última parte da frase porque não queria correr o risco de Joe ouvir. – Já comecei a tomar o ácido fólico. Seiscentos microgramas por dia. Tenho mais de dez exames para fazer dentro de duas semanas. O médico receitou dramin se o enjoo ficar muito forte. – Demi olhou para os armários e depois para a mãe. – Fomos ao mercado. Ele insistiu em encher os armários porque não quer que falta nada para mim. – Era muito bom saber que Joe era cuidadoso e preocupado. Só que Demi não estava acostumada com atitudes como as do rapaz porque ela sempre cuidou de si mesma.

   - Ele está tentando cuidar de você. Isso é bom. – Dianna enlaçou mais os dedos aos de Demi e sorriu quando a filha assentiu um pouco sem jeito. – Como ficarão os exames? Eu estou vendendo algumas peças de roupa. Posso ajudar a pagar e te fazer companhia. – Demi a olhou um tanto surpresa. Para Dianna estar desfazendo das roupas de grife, algo muito sério deveria ter acontecido.

   - Não precisa se preocupar. Basta a sua companhia e eu já vou me sentir segura. O que aconteceu com as suas roupas? – Perguntou um tanto curiosa observando a mãe.

   - Tem algumas que são exageradas. Não faz mais o meu estilo. – Dianna tinha desde blazers elegantes a casaco de pele legítimo, vestidos longos a calças jeans de marca. A mulher tinha bom gosto. – Estou querendo mudar. – Disse para a surpresa de Demi, e pelo olhar da filha, Dianna continuou: - Eu vou ser avó. Não quero que o meu neto ou neta saiba das coisas que fiz para viver. Vou vender as peças de roupa mais caras e investir em algo como um.. um negócio. – Impossível foi não arquear uma sobrancelha. Se fosse há três meses, Demi iria rir e dizer que era uma boa piada. Só que agora era verdade. – Estou até pensando em vender o apartamento e me mudar para uma casa pequena. – Dianna ficou tão sem jeito quanto Demi, desviou o olhar da filha e tomou um pouco d’água.

   - Ninguém pode te julgar pelo passado porque ninguém sentiu o que você sentiu e nem passou pelo que você passou. – Demi apertou a mão a da mãe e franziu o cenho. – Eu não tenho vergonha de você. Mas estou muito vez que você quer ser uma pessoa melhor. – A melhor coisa de tudo aquilo era que Dianna queria mudar por causa dela. Por causa do bebê que estava por vir. Demi jamais imaginou que a mãe um dia abriria mão de todo luxo que tinha conquistado com sexo.

   - Eu quero ser uma boa avó. Vai ser difícil deixar o nosso apartamento porque ele me lembra a sua avó, mas ela sempre vai estar nos nossos corações. – A falecida Amélia geralmente não era assunto porque sempre resultava em choro. Demi abraçou a mãe e também foi abraçada com carinho.

   - Acho que a vovó ficaria feliz de saber que você quer ser uma pessoa melhor. – A verdade era que nenhuma das duas sabia o que Amélia iria querer de verdade, mas mesmo assim Dianna sorriu limpando as lágrimas.

   - Talvez depois de uma bronca. – Comentou e as duas riram ainda abraçadas. – Então é isso, bebê. Eu vou me mudar, vou arrumar um emprego, quem sabe até estudar e tentar viver a minha vida e cuidar de você. – Demi assentiu prontamente e beijou a bochecha da mãe porque estava muito feliz de finalmente poder chamar Dianna de uma verdadeira mãe.

   - Você tem o meu apoio. Você é jovem, inteligente e linda, merece ser feliz. – O momento até seria bonito se a maçã na fruteira não chamasse a atenção de Demi. – Você está com fome? – Perguntou ainda olhando a maçã e Dianna riu porque sabia que a filha queria devorar a fruta.

   - Estou bem. Comi bolinho com o seu pai e tomei café. – Disse Dianna observando como Demi era parecida com as irmãs. Elas até tinham as sardas no rosto e os mesmos olhos marrons marcantes.

   - Você e o meu pai. – Resmungou depois de uma senhora mordida na maçã. Ela só esperava não ficar enjoada. – Eu tenho a impressão que vocês estão namorando escondido. – Disse se acomodando ao lado da mãe na cadeira e Dianna arqueou uma sobrancelha.

   - Estamos nos conhecendo melhor, conversando sobre coisas de adultos e sobre a nossa filha. – Dessa vez quem arqueou a sobrancelha foi Demi na parte “coisas de adultos”. – Ele está solteiro e eu também. Não estou quebrando nenhuma regra. – Não, daquela vez Dianna estava jogando limpo. Demi só não sabia se tinha estrutura psicológica para um namoro entre os pais depois de tudo que tinha acontecido.

   - O que seriam coisas de adulto? – Perguntou curiosa. – Mãe?! – Reclamou porque Dianna mexia no celular como se fosse mais importante que ouvi-la.

   - Estou dizendo para o seu pai que você está bem, e mandando mensagem para um amigo taxista vir me buscar. – Disse segundos depois bloqueando o celular e Demi fez careta. – Coisas de adulto que tem mais de quarenta anos e que estão cogitando a ideia de arrumar novos parceiros. – Dianna sabia que Demi faria exatamente aquele biquinho mostrando como estava emburrada.

   - Vocês já se beijaram? – Mesmo extremamente envergonhada ela arriscou a pergunta por que queria saber em que nível os pais estavam no então namoro.

   - Algumas vezes. – Disse Dianna sustentando o olhar da filha.

   - E? – Demi tentou não corar, mas não era algo que ela conseguia controlar. Apenas tentou parecer séria e intimidante perguntando a mãe se ela já tinha feito sexo com Inácio.

   - Não chegamos nessa parte. – Dianna sorriu arrumando o cabelo de Demi atrás da orelha mesmo ele estando bagunçado. Com vinte e três anos, formada e dona do próprio apartamento, Demi ainda era tão jovem e quase uma menina.

   - Você quer fazer amor com ele? – Perguntou depois de morder a maçã.

   - Sim, Demi. Eu quero fazer amor com ele. – Não era o que Demi esperava ouvir? Dianna umedeceu os lábios pensando em como poderia explicar para filha o que realmente sentia por Inácio. – Ele foi o único homem que amei. A última vez que fiz amor com alguém foi há vinte e três anos. Desde então o que aconteceu foram momentos vazios. Eu quero ser amada e amar. – Disse tentando não desviar o olhar mesmo se sentindo vulnerável.

   - Tudo bem! Eu vou tentar não ficar com ciúmes de vocês dois. – Resmungou Demi. – Não prometo nada. – Tornou a dizer mordendo a maçã e Dianna riu porque sabia que a filha estava com os hormônios a mil. – Espero que você consiga realmente controlar o papai, ele vai muito ficar bravo. – Disse e Dianna assentiu.

   - Seu pai tem o coração gigante. Ele tenta ser durão, mas não me engana. – Demi franziu o cenho quando Dianna se levantou e a beijou na testa. – Estou indo. Tenho algumas clientes para ver as roupas. Eu vou ligar mais tarde e amanhã quero ver você.

   - Ah mãe! Você mal chegou. – Ronronou Demi se levantando para abraçar a mãe.

   - Só passei para saber se está tudo bem. Dê noticiais, Demetria. Sei que você estava ocupada com o Joe, mas não custa nada mandar uma mensagem dizendo que está bem. – Não era à toa que o celular de Demi sempre ficava com muitas notificações de mensagens e chamadas perdidas quando Joe estava por perto. Mas o que ela podia fazer se a atenção estava voltada toda para o namorado?

   - Tudo bem, mãe. Eu prometo que vou dar notícias. – Demi só acompanhou Dianna até a porta, pois o táxi estava esperando então não dava tempo de trocar de roupa.

“Dem, cadê você? Estou tentando te ligar desde mais cedo e você não atende, por favor, responda as minhas mensagens, estou preocupada!” – Selena.

“Eu não estou querendo ser chata e nem quero te pressionar. Preciso de uma resposta sobre os convites. Você vai mesmo fazer? Se estiver apertado, eu vou procurar outra pessoa. É que isso é importante. O casamento é em nove dias..” – Selena.

Demi mordeu a maçã, olhou para Joe sorrindo porque ele era simplesmente lindo dormindo nu. As costas e os braços fortes estavam descobertos, e o rapaz suspirava tranquilo durante o sono. Espreguiçando-se na cama, Demi fechou os olhos se sentindo muito preguiçosa e feliz, então voltou a atenção para o celular respondendo unicamente Selena: “Não se preocupa. Faremos tudo hoje! Ainda está cedo, o que você acha de sair eu, você e os meninos para tirarmos algumas fotos para o casamento?” – Criatividade era o que não faltava porque naquela tarde Demi se sentia muito inspirada.

Continua... Olá!! Tudo bem com vocês? Eu estou bem! O que acharam do capítulo? Não entendam mal as mudanças de humor da Demi, ela está realmente confusa entre se sentir feliz com a gravidez e assustada com tudo que já tinha vivido. Quem vai ser o melhor pai do mundo? Se chutaram o Joe, acertaram! Ele é um amor e sempre vai fazer de tudo para cuidar da Demi e do bebê. Deixa eu correr para escrever o próximo capítulo, acho que ele vai ficar gigante porque tem muuuuita coisa para acontecer! Quem aí está ansiosa para a reação do Inácio quando descobrir sobre essas meninas grávidas? Um beijo e um abraço, obrigada por todo carinho!!