27.4.14

Mini Fic - Capítulo 10

Demi odiava aquele frio no estômago. Não era um encontro. Era só um jantar... com um cara muito lindo. Eles falariam sobre Summer, o estado das pistas, as descidas favoritas para esquiar. E então ela buscaria a filha do passeio de trenó. Nada mais do que duas pessoas que já tinham se encontrado o suficiente para aceitarem que seriam somente amigos. Ela alisou o vestido de lã verde-escuro de manga comprida que havia colocado dentro da mochila no último minuto. Não era nada da moda, mas, pelo menos, ela se sentia bonita. E, às vezes, uma garota precisava de uma armadura para conseguir sair ilesa de uma noite, e era por isso que tinha retocado a maquiagem depois de tomar um banho rápido.
— Você está linda, Demi.
— Obrigada. — Ela deu uma olhada no jeans e na camisa azul-escura de manga comprida dele. 

— Você também. - O calor que crescia nos olhos dele era suficiente para ela perceber que já havia saído daquela coisa de “somente amigos”. Ela colocou a mão sobre a barriga. 
— Estou morrendo de fome. Vamos comer! — Sim; talvez esse comentário estivesse muito cheio de animação e talvez ela não estivesse com fome de verdade depois de ela e Summer terem comido salgadinhos e snacks a tarde toda no carro. Mas manter as coisas totalmente assexuadas era a chave para sair ilesa do jantar. Sim, ela podia fazer isso. Mas que droga! No fim da tarde tinha prometido ganhar o prêmio por ser a mulher menos sensual do planeta. Joe seguiu-a pelo restaurante, onde falou para o maître:
— Mesa para dois em nome de Jonas. - A voz baixa e levemente rouca deixou a pele dela toda arrepiada. Infelizmente, foram levados para uma mesa em um canto na penumbra. Um lugar obviamente preparado para o romance, com uma flor e uma vela. Geralmente, não ligava para os lugares onde se sentava em restaurantes, mas não se controlou e procurou outra opção. Como era de esperar, todas as outras mesas estavam ocupadas. Demi percebeu, um pouco tarde, que Joe havia puxado a cadeira para ela e estava esperando, com um sorrisinho, que ela se sentasse. Ela achou que ele sabia exatamente o que ela estava pensando, especialmente quando ele disse, em voz baixa, logo depois de ela finalmente se sentar:
— Não se preocupe, vou manter minha promessa. - O rosto dela ruborizou enquanto a jovem garçonete esperava Joe se sentar. Ela entregou-lhes os cardápios e descreveu os pratos do dia. A garota estava quase saindo, quando Demi agarrou-lhe o braço. 
— Espere, preciso de uma bebida, por favor. — Forçando o cérebro a pedir algo com uma tonelada de álcool, ela acabou pedindo um chá gelado Long Island.
— OK, tudo bem — respondeu a garçonete, e Demi percebeu, horrorizada, que ainda segurava o braço dela.
— Me desculpe! - A garota deu de ombros. 
— Vou avisar ao maître que você está com sede. - Demi sentia calor por todo o corpo, não o tipo bom de calor, mas sim um calor de vergonha por estar bancando a idiota perto de Joe.
— Quer dizer que gosta de beber, hein? - Ela olhou para ele surpresa, antes de perceber que estava brincando com ela.
— Não. — Ela lambeu os lábios e se forçou a encarar aquele olhar maravilhoso dele. Ela se enrolava cada vez mais ao tentar agir como se esse jantar não fosse grande coisa para ela. Ao tentar fingir não desejá-lo.
— Só bebo quando estou nervosa.
— Eu deixo você nervosa? - Ela se recusou a desviar o olhar.
— Você sabe que sim. - Ele também não desviou o olhar.
— Se faz você se sentir melhor, saiba que você também me deixa nervoso. - Mal. Muito mal. Os dois estavam indo na direção errada. Assim, mesmo tendo dificuldade em dar o próximo suspiro, ela disfarçou:
— Fale-me sobre a neve. Como estava hoje? - Ele continuou a fitá-la por algum tempo. Por favor, ela rezava, silenciosamente, por favor, livrai-me da tentação. Ambos sabiam que o amor platônico era a única coisa que fazia sentido. Finalmente, ele respondeu:
— A neve está boa. A textura está ótima depois da tempestade recente. Amanhã as condições estarão perfeitas para a prática de snowboard.
— Por falar nisso. Foi muita gentileza de sua parte concordar em ensinar Summer...
— E você...
— E a mim a praticar snowboard. Mas sei que veio aqui para...
— Me divertir com os amigos na montanha. É isso que faremos amanhã. Ser amigos, nos divertir. - Mas, pensou Demi, um pouco afoita, e se ela se divertisse demais? E se perdesse todo o controle e não aguentasse ser só sua amiga nem mais um segundo? A garçonete trouxe a bebida dela e anotou os pedidos. Assim que a jovem saiu, Demi sabia que era hora de dizer:
— Estou assustada com o que Summer fez. Ainda não descobri como ela conseguiu saber de sua viagem para cá. Se estiver chateado conosco, entendo completamente. - Ele deu de ombros, sem parecer muito preocupado com as maquinações de uma garotinha de 7 anos que sofria por idolatrar um herói.
— Tenho certeza de que me ouviu conversando com alguém na festa. E não estou chateado por ver vocês.
— Mas ela não deveria ter feito isso, não deveria ter nos metido em suas férias desse jeito.
— Ela é uma criança muito legal.
— Eu sei, mas... — Ela balançou a cabeça. — Summer é muito nova para entender os motivos por que duas pessoas não quererem ficar juntas.
— Acha que ela está querendo que você e eu comecemos a namorar? - Demi sentiu o rosto ruborizar de novo. 
— Receio que sim. Ela já acha você a melhor coisa do mundo depois daquela boneca bombeira e do dálmata que mandou para ela de aniversário. Mais até que a boneca Rapunzel com o cabelo...
— ... comprido — ele terminou a frase. — Tive duas irmãs pequenas, então sei mais sobre contos de fadas do que qualquer cara deveria saber. - Ele era tão charmoso que ela precisou limpar a garganta para retomar as rédeas da difícil, porém necessária, conversa que estavam tendo. 
— Bem, encontrarei uma maneira de explicar a ela que você e eu vamos ser somente amigos. Só queria me desculpar por atrapalharmos suas férias. Juro que não fazia ideia de que estaria aqui e já decidi que Summer ficará de castigo pelo resto da vida quando voltarmos para casa.
— Demi.- Ela abaixou os olhos para o colo no final da frase, mas o jeito que ele pronunciara seu nome a fez levantar o olhar até o rosto dele.
— Estou feliz por você estar aqui.
— É muito gentil de sua parte dizer isso, mas...
— Muito feliz. - O muito a fez parar de protestar de uma vez por todas. Ele não parecia ser o tipo de homem que mentiria para não ferir os sentimentos dela. E, claro, ela gostou muito disso, de saber que ele estava feliz por estarem em Lake Tahoe. Teria sido tão mais fácil se ele tivesse ficado irritado por elas o estarem seguindo ou algo do gênero. Se fosse assim, poderia se livrar delas em vez de fazer convites para jantar e se oferecer para levá-las para praticar snowboard na manhã seguinte.
— Mesmo assim — ela precisou dizer —, gostaria que Summer tivesse sido honesta comigo sobre o que estava fazendo.
— Nesse caso, teria vindo? - Demi acabou sorrindo e admitindo:
— Não. Com certeza não teríamos vindo.
— Devia ter visto as coisas que eu aprontava quando tinha 7 anos. - Feliz por ele ter desviado do assunto, ela tomou um gole da bebida e relaxou um pouco.
— Não consigo nem começar a imaginar... uma pessoa tão aventureira como você, cercado por cinco irmãos mais velhos que, imagino, não eram exatamente uns anjinhos.
— Você trancaria Summer no quarto até ela fazer 18 anos se eu te contasse algumas das coisas que aprontamos. — Ele ergueu o copo de cerveja. 
— Que tal um brinde a uma garotinha brilhante de 7 anos que sabia exatamente o que queria e armou tudo sem pestanejar? - Mesmo balançando a cabeça, Demi não pôde deixar de rir ao perceber quanto ele estava certo, considerando que os dois estavam ali, tendo uma noite “romântica” juntos. Demi levantou o copo. 
— Ela é bem espertinha, não é? - Brindaram, ainda rindo enquanto bebiam. O álcool, que já tinha atingido a corrente sanguínea de Demi, esquentava-lhe todo o corpo. Sentia a pele muito sensível enquanto se mudava de lado na cadeira e o vestido de lã se mexia sobre sua pele. O olhar de Joe sobre ela só aumentava o calor que ela sentia. Fazia muito tempo que não se sentia apenas como mãe ou como contadora. Sob aqueles olhos esverdeados lascivos e com mais outros goles daquela bebida forte dentro dela, Demi não conseguia fazer nada a não ser sentir-se mulher. A lembrança clara do toque dos braços dele ao redor dela, bem como da pressão dos lábios de Joe quando a boca dele encobriu a dela tomando os beijos que ela estava desesperada para lhe dar, não estava ajudando em nada. Mesmo assim, antes que pudesse perceber, estavam comendo e rindo enquanto Joe lhe contava algumas das histórias sobre crescer entre um dos seis irmãos que primeiro aprontavam para depois pensar. Talvez ela devesse fingir que as coisas estavam bem, mas fingir nunca tinha sido o seu forte. Nunca havia entendido os “como” e os “porquês” de ser alguém que não era.
— Não deveria estar me divertindo tanto com você.
— Ouvi dizer que sou irresistível — ele brincou. Maldito seja ele pelo jeito que sempre a fazia sorrir. Obviamente, se os sorrisos fossem tudo o que existiria entre eles, então tudo estaria bem. Sabendo que não valia a pena argumentar essa afirmação tão verdadeira, em vez disso ela completou:
— Deve ser por isso que você não tem uma namorada ou uma esposa, não é? Tantas mulheres e tão pouco tempo. - Ela esperava que ele risse desse comentário, mas, ao contrário, a expressão dele se fechou.
— Não sou santo, Demi, mas também não sou o demônio.
— Não quis dizer isso — ela corrigiu rapidamente —, apenas consigo entender por que um cara como você sai com todo mundo.
— Um cara como eu? — As sobrancelhas dele arquearam-se, questionadoras, e ele abaixou os talheres para recostar-se na cadeira e observá-la enquanto aguardava uma explicação. Ela tentou manter a voz mais baixa possível enquanto explicava:
— Como você mesmo disse, você é um tanto quanto irresistível e...
— Mas você está firme e determinada a resistir a mim, não é? - O comentário dele a fez parar.
— Você também está firme e determinado a resistir a mim — ela o lembrou.
— E eu certamente não consigo me lembrar jamais de alguém me dizendo que sou irresistível, então, ambos sabemos quem dá as cartas aqui. - Ela colocou o dedo indicador sobre o peito. 
— Eu. - Demi estava tão envolvida no próprio discurso que levou alguns segundos para perceber o quanto se fizera de idiota. Graças a Deus, nesse momento, o alarme do telefone tocou. Ela empurrou a cadeira para trás.
— Preciso ir buscar Summer. - Joe também se levantou e agarrou-lhe a mão antes que ela pudesse fugir pelo restaurante para recuperar o fôlego. Quando a puxou para si, Demi quase pôde sentir o gosto daquela boca, sabia que não resistiria ao beijo dele. Mas, quando estavam mais perto, em vez de beijá-la, ele simplesmente disse:
— Não sou eu quem está tentando feito louco resistir a você, Demi. - Só mais alguns centímetros e ele seria dela. Ela poderia colocar a culpa no álcool, poderia dizer que estava fora de controle. No entanto, enquanto titubeava prestes a deixar as barreiras desabarem para ter o que queria tão desesperadamente, ela ouviu Summer chamar.
— Mamãe! Joe! - Ela desvencilhou-se de Joe tão rápido que bateu contra outra mesa.
— Me desculpe — ela disse ao casal sem nem mesmo olhar para ele, e então se virou para Summer. — E aí, querida, como foi o passeio de trenó?
— Maravilhoso! Vocês já pediram a sobremesa? Estou morrendo de fome. - Após trinta longos minutos durante os quais Summer falava sobre as crianças que havia encontrado no passeio de trenó, duas delas de seu time de futebol, e todas as outras coisas divertidas que tinha feito nas últimas duas horas, eles finalmente saíram do restaurante. Demi sentia-se como uma esponja de lavar louças que acabara de ser torcida. E bem torcida. Estavam quase se afastando da maior e mais perigosa tentação que ela já teve na vida quando Summer disse:
— Que horas vamos nos encontrar amanhã de manhã para praticar snowboard?
— Que tal às dez?
— Ótimo. - Enquanto Summer saía correndo em direção ao quarto e a porta do elevador se
 fechava diante do lindo rosto de Joe, meia dúzia de palavras, opostas a ótimo, passavam repetidamente pela cabeça de Demi. Se jantar com Joe tinha quase acabado com ela, como sobreviveria a um dia todo com ele, no lindo Lake Tahoe? Na tarde seguinte, depois de Demi ter caído pela centésima vez, ela deitou-se na neve, rindo de si mesma.
— Se tivesse uma bandeira branca, eu a levantaria agora mesmo. - Joe caiu de joelhos para ajudá-la a se levantar e, quando ergueu os óculos, ela pegou-se mergulhada naqueles olhos sorridentes dele.
— Você quase pegou o jeito.
— Você é um péssimo mentiroso. — Ela estava tão exausta e com tantas dores por todo o corpo que não conseguia fazer mais nada além de balançar a cabeça em direção a Summer, que tentava fazer algumas manobras no final de uma rampa que o resort havia montado para os praticantes de snowboard brincarem. 
— Sinto dizer que Summer será a única praticante de snowboard em nossa família. — Ela lançou um olhar atravessado para as lâminas acopladas às grandes botas que havia alugado para aquele dia. 
— Espero que meus esquis me perdoem por eu ter pregado uma peça neles. - Ele ajudou-a a sentar-se. Juntos, eles observavam Summer passar de uma manobra a outra, como um pequeno furacão de energia sobre uma prancha de snowboard que parecia muito grande para ela.
— Essa sua filha leva jeito para a coisa.
— Eu sei. Ela leva jeito para tudo. -Joe olhou-a, intrigado.
— Você não parece muito feliz com isso. - Ela mordeu o lábio, sabendo que já tinha deixado escapar muita coisa. Mesmo assim, apesar de todas as quedas e xingamentos que tinha feito por ter caído de cara na neve, ela tinha realmente gostado de passar o dia com Joe. Felizmente, tinha sido mais fácil ignorar todas as coisas que seu corpo ansiava por fazer com ele quando estavam todos cobertos de roupas de snowboarding, gorros e óculos. Ela simplesmente tinha se permitido curtir aqueles momentos junto com Joe. Ele tinha sido paciente com ela e com Summer, e sabia exatamente quando estimular a filha a dar o próximo passo... e deixar Demi parar enquanto ainda conseguia se arrastar, inteira, para fora da montanha.
— Ela é tão audaciosa, sempre indo atrás de aventuras, sem pensar nas consequências de seus atos. — Ela não conseguia parar de falar. — É a fotocópia do pai. Herdou dele bem mais do que aquele cabelo louro.
— É engraçado — comentou — porque, quando olho para ela, tudo que vejo é você. - Surpresa, ela olhou para aqueles olhos esverdeados. 
— Quando ela nasceu, parecia tanto com ele que me lembro de pensar se alguém acreditaria que eu tivesse alguma participação naquele pequeno milagre em meus braços. E, então, à medida que foi crescendo, foi sempre tentando subir um pouco mais alto e ir um pouco mais longe, e correr um pouco mais rápido... bem, às vezes me preocupo com ela. Fico preocupada se um dia exagerar e for muito longe ou muito rápido de uma vez só. Como o pai dela fez com o avião... - Demi engoliu o restante da frase com um suspiro, enquanto assistia a uma manobra particularmente audaciosa de Summer com seu snowboard. Com uma aterrissagem triunfal, Summer olhou para onde eles estavam sentados e acenou. Com o riso engasgado, Demi fez o sinal de positivo para a filha. Então, Joe alcançou-lhe a mão. E, embora ambos estivessem usando luvas grossas, ela jurou sentir o calor dele através das camadas de tecido e do forro térmico.
— Há uma diferença entre se arriscar com esperteza e fazer besteira. Você a criou para ser esperta, Demi. — Ela não conseguiu fazer outra coisa a não ser se perder nos olhos dele, enquanto Joe continuava: — E nem todo risco é ruim. - As palavras dele foram do cérebro até as partes do corpo dela que, de repente, gritavam pelo toque dele novamente. Ela sabia que ele estava falando de Summer, sobre os medos dela como mãe... mas e se não fosse só isso que ele estivesse querendo dizer? E se estivesse dizendo que havia mudado de ideia? E se estivesse dizendo a ela que queria se arriscar? Com ela. E que gostaria que ela também se arriscasse? Com ele.
— Mamãe, olhe só quem está aqui! Eu disse para a Karen que provavelmente estaríamos por aqui hoje e que ela nos procurasse. - Demi puxou suas mãos das de Joe tão rápido que suas luvas quase ficaram nas mãos dele. Uma das garotas do time de futebol de Demi ergueu os óculos.
— Olá, Sra. Lovato. - A mãe da garota veio atrás dela minutos depois, ainda com seus esquis, e depois de Joe ajudá-la a se levantar, Demi rapidamente fez as apresentações. Por sorte, sabia que Julie era feliz no casamento; assim o brilho de admiração nos olhos dela ao ver Joe não passava da reação de uma mulher normal. Maldito. Demi tinha de admitir que ele era realmente irresistível, lindo tanto em roupas de snowboard quanto em jeans ou com seu equipamento de bombeiro. Ela não conseguia parar de pensar em quanto ele seria lindo sem nada.
— Karen não parou de falar o dia inteiro sobre a ideia de chamar a Summer para dormir com ela. - O cérebro de Demi se afastou da figura imaginária de Joe nu para o que Julie tinha acabado de dizer. 
— Dormir com a Karen?
— Me desculpe — a outra mulher explicou —, deveria ter pedido antes. Existe alguma chance de roubar sua filha por uma noite, para ficarem acordadas até tarde e comer um monte de porcariadas em nosso chalé? Tenho certeza de que as garotas adorariam. - Normalmente, Demi não teria nem piscado com o pedido. Summer e Karen se davam muito bem e, mesmo não conhecendo muito Julie, não se preocupava em deixar Summer com ela por uma noite. No entanto, ela se preocupava em passar a noite sozinha de novo. E não só algumas horas. A noite inteira, ela sozinha em seu quarto, com Joe a um andar de distância completamente sozinho no quarto dele. Era a receita do caos.
— É muito gentil, mas... - A essa altura, Summer e Karen já tinham entrado na conversa e os pedidos irresistíveis e combinados de “Por favor, por favor!” das garotas não eram algo que Demi pudesse ignorar por egoísmo, só porque não confiava na própria capacidade de fazer alguma besteira com aquele homem maravilhoso ao lado dela.
— Sabe de uma coisa? Não vou conseguir fazer nada além de ficar de molho na banheira hoje à noite — afirmou, apontando para a prancha de snowboard nos pés. — Tenho certeza de que as garotas vão se divertir muito. - Depois de combinarem de Julie e Karen pegarem Summer às cinco horas, e Summer segui-las até a montanha, Demi estava se preparando para uma última descida pela montanha quando Joe perguntou:
— Quer dizer que planejou passar uma noite maravilhosa na banheira? - Demi não pôde deixar de notar a rouquidão na voz dele, especialmente quando ele tirou a luva e esticou a mão para tirar uma mecha de cabelo que havia lhe caído sobre a boca. E, ao tremer com o toque dele, Demi imaginou rapidamente que seria mais seguro se jogar montanha abaixo de snowboard do que se arriscar a deixar que Joe lhe tocasse dessa forma de novo. Ou, pior ainda, implorar por mais.

Continua... E agora? Demi está louca por ele.. 

26.4.14

Mini Fic - Capítulo 9

— Mamãe, qual é o nome daquele lugar onde esquiamos no ano passado? — Summer perguntou, enquanto se sentavam com duas tigelas de cereais na manhã seguinte.
— Heavenly. — Demi gostaria de ir esquiar de novo neste ano, mas as coisas haviam sido tão loucas desde o incêndio que ainda não tivera a oportunidade de fazer planos para os feriados.
— Adoro neve.
— Eu sei.
— Quer dizer, eu adoro muito, muito, a neve! E gostaria de ver um pouco de neve logo! - Demi sorriu para a filha. Summer não adorava só a neve; ela adorava o sol, o vento e a chuva. Era uma garota que gostava de ficar ao ar livre, qualquer que fosse a estação, apesar de Demi, mais de uma vez, achar que sua filha preferisse temperaturas extremas, só pelo puro prazer. Por causa do incêndio e do tempo que tinha levado para encontrar outro apartamento e se mudar, tiveram de cancelar a festa de aniversário de Summer. Tinham chamado alguns amigos para comer pizza, mas Demi sabia que não era a mesma coisa de uma festa completa com jogos e bolo feito em casa. Ela não poderia organizar uma festa em tão pouco tempo, mas não tinham nada programado para os próximos dias. Uma viagem-surpresa para esquiar seria o presente de aniversário perfeito. Além disso, de repente passou pela cabeça de Demi que, se elas não saíssem da cidade, Summer poderia pedir para ir novamente ao quartel do Corpo de Bombeiros para ver Joe. E Demi definitivamente não queria vê-lo tão cedo. Pelo menos não até retomar as rédeas do autocontrole. Apesar de ser alta estação em Lake Tahoe, Demi achou que talvez tivessem um pouco de boa sorte. Ela pegou o telefone. Summer observou-a com olhos arregalados e cheios de animação enquanto ela ligava para o Heavenly Ski Resort.
— Olá. Sei que está em cima da hora, mas gostaria de saber se teriam um quarto disponível. — Ela fez o sinal de positivo para a filha. — Acabaram de ter um cancelamento para hoje à noite? E amanhã à noite também? Fantástico! - Enquanto passava as informações do cartão de crédito para a pessoa responsável pela reserva, Summer correu para o quarto e começou a juntar suas novas roupas de inverno. Demi parou em frente à porta e disse:
— Era isso que você estava querendo? - A filha quase a derrubou com um abraço.
— Sim, sim, sim! - Que engraçado, Demi pensara, enquanto abraçava a filha de volta, Summer nunca tinha ficado tão animada para esquiar antes.
— Ah, não. — Demi pensou em voz alta. — Esqueci totalmente o pneu. Duvido que tenha algum lugar aberto para consertá-lo em pleno domingo. — O sorriso de Summer desapareceu tão rápido que Demi sabia que teria de encarar a segunda parte do chilique parcial do dia anterior. — Espere aí. Zach disse que podia consertá-lo. - Ela não tinha a intenção de ligar para ele vir consertar o pneu, apesar de ele ter oferecido mais de uma vez. Agora, ela se viu pegando a bolsa para encontrar o número do celular dele. Como, ela pensou, tinha saído de zero Jonas em sua vida para três, em questão de dias? Cinco horas depois, quando estacionavam no resort de esqui, Demi não conseguia parar de pensar quanto essa ideia de viajar foi boa. No percurso da cidade até ali, elas cantaram juntas as canções do rádio e finalmente tiveram a oportunidade de conversar sobre os professores, sobre os amigos do primeiro ano de Summer e até mesmo sobre os garotos. Enquanto faziam o check-in, Summer ficou observando o hotel, mas não sabia o que estava procurando.
— Veja! — exclamou, quando o homem atrás do balcão da recepção trocou o quarto do segundo para o primeiro andar e então lhe forneceu a agenda de atividades —, tem um passeio de trenó puxado por cavalos hoje à noite, às seis. — Já estava tarde, quase na hora de as pistas fecharem, e os esquiadores pareciam extasiados e exaustos depois de um dia na neve. 
— Isso vai ser tão divertido!
— É só para crianças, mamãe. - Demi franziu o cenho.
— Ah, não tinha percebido. Bem, talvez possam abrir uma exceção para mim. - Por um momento, Summer não disse nada, mas observou mais ainda o hotel. Depois de muito tempo, Demi reconheceu que havia algo estranho. Já não notara que alguma coisa estava acontecendo?
— Summer, o que você está me escondendo? - A filha apertou os lábios, mostrando que não diria nada. Decidiu que tudo se esclareceria assim que se acomodassem, Demi estava prestes a pegar as malas e ir em direção ao elevador quando ouviu uma voz conhecida. A mesma voz com a qual sonhara o dia todo.
— Demi? Summer? - Ai, meu Deus. Agora sabia o que estava acontecendo. Demi não teve nem tempo de olhar para Summer antes de virar para Joe.
— Oi. - Ela queria matar a filha! Ele estava claramente surpreso ao vê-las paradas ali no saguão do hotel. Tão surpreso quanto ela. Summer, por outro lado, não parecia nem um pouco surpresa. Aliviada seria a palavra mais apropriada.
— Oi, Joe! - Ele transformou a expressão sisuda em um sorriso para a garotinha.
— Oi, lindinha. Vai esquiar amanhã? - Ela concordou, toda feliz. 
— Na verdade, estava querendo aprender a fazer snowboard. - Era a primeira vez que Demi a ouvia falar sobre isso. — Você sabe? — Summer lhe perguntou. Ah, não, Demi já sabia onde isso ia dar. Ela tentou dar uma olhada para Joe, para dizer que não deveria concordar com nada e que, a essa altura, um simples sim já seria muito. Mas ele já estava concordando com tudo. — Pode me ensinar? - Não, está muito ocupado com as férias de inverno. Há muitos professores de snowboard que podem ser pagos para ensiná-la. Quando Joe olhou para ela, Demi usou cada gota de telepatia mental que podia. Ele parecia estar bolando alguma coisa, como se estivesse pesando os fatos antes de tomar uma decisão. Ao dar-lhe um sinal positivo com a cabeça, ela ficou aliviada, achando que ele tivesse entendido.
— Com certeza.
— O quê? — Demi perguntou diretamente antes que percebesse. Virou-se para a filha. 
— Joe não vai lhe ensinar a fazer snowboard.
— Mas ele acabou de dizer que queria! — O queixo de Summer estava para cima agora, a perfeita figura da teimosia. Demi colocou as mãos nos quadris. 
— Em primeiro lugar, você nem mesmo me perguntou se podia fazer snowboard. E segundo... — Ela estava prestes a dar uma bronca na filha por ter organizado esse encontro “acidental” com Joe quando se deu conta de quanto Summer ficaria envergonhada. É claro que ela não ia deixar a filha sair ilesa dessa, mas não precisava fazer nada na frente de Joe. Ou em frente da recepção, para todo o hotel escutar.
— Demi, concordo que Summer deveria ter lhe pedido permissão antes — ele reconheceu, com uma voz absolutamente sensata —, mas se você não se importar, gostaria de ensiná-la a praticar snowboard. - Summer praticamente se iluminou diante das palavras dele. Demi não via esse brilho desde que David estava vivo, quando ela ainda era um bebê. Como ela adorava o pai! E esse brilho foi a única razão para Demi finalmente dizer:
— Tudo bem. - Ela não estava preparada para a pergunta de Joe:
— E você? Sabe praticar snowboard?
— Não. - Joe abriu um sorriso lento e muito poderoso, fazendo o coração dela disparar. Ele não deveria olhar para ela dessa maneira, depois de terem concordado em dar aquele último beijo, na frente do apartamento dela, na noite passada. Eles concordaram, mas que droga!
— Quer aprender? - Alguém tinha de ser a voz da razão ali. Alguém tinha de ser firme e refletir sobre as coisas. Mas por que tinha que ser ela? E por que ele tinha de beijar tão ridiculamente bem? Ela fez a palavra “Não” sair de seus lábios. Entretanto, por algum motivo, as repetidas respostas secas dela não estavam surtindo nenhum efeito sobre ele. Ele não deveria continuar sorrindo para ela, não deveria concordar, como se soubesse exatamente o que ela temia. Não de aprender um novo esporte, mas de ficar o dia todo com ele. Como se ele soubesse que ela não teria forças para se controlar e não resistiria à vontade de beijá-lo o dia inteiro nas montanhas. Ela não deveria ter considerado isso um desafio. No entanto, a filha não tinha aquela personalidade à toa. Demi era tão teimosa quanto ela. Que droga! Aquela teimosia era, em grande parte, a razão de elas terem superado tão bem a morte de David, a razão de terem perdido tudo no incêndio e retomado a vida normal com relativa tranquilidade. E era por isso que nada podia impedi-la de levantar o próprio queixo e dizer:
— Quer saber? Tenho certeza de que fazer snowboard não é lá grande coisa. — Assim como resistir a Joe também não era grande coisa. Sem problemas. Ela só teria de blindar cada parte feminina dela, cada célula ligada à atração e excitação, e estaria bem. Uma jovem começou a tocar o sino no saguão onde ficava a grande lareira.
— As crianças vão se encontrar aqui para o passeio de trenó em cinco minutos. - Summer agarrou a mão de Demi.
— Mamãe, por favor, posso ir? - Ela ainda estava extremamente irritada com a filha por ter orquestrado toda essa viagem só para ver Joe de novo. Só que não fazia sentido passar os próximos dois dias punindo-a por querer estar perto daquele homem tão agradável que lhes salvara a vida. Realmente, como poderia culpar Summer só por que Joe era irresistível a garotas de todas as faixas etárias? Especialmente para mães de 27 anos, sem marido e desconfiadas.
— Pode dar uma olhada nas nossas coisas por um minuto? — ela pediu a Joe, antes de pegar na mão de Summer e levá-la até o monitor do grupo de crianças. Depois de garantir que Summer a encontraria às oito horas em ponto, naquele mesmo lugar em frente à lareira, ela deu-lhe um beijo e então voltou para onde estavam as malas. E Joe.
— Você não vai ao passeio de trenó também?
— É só para crianças. — Ela apontou para as coisas delas. — Obrigada por olhar nossas coisas. Vou subir para meu quarto agora. — Ela pediria serviço de quarto e compraria um livro em seu e-reader. Algo matemático e seco. Seria 
uma noite bem tranquila; estava realmente esperando por isso. Sério. Seria ótimo.
— Venha jantar comigo, Demi. - Jantar com Joe era a última coisa que deveria fazer. Bem, pelo menos depois de praticar snowboard com ele no dia seguinte.
— Veja — ela disse, com um tom de voz que esperava soar amigável e normal —, nós dois sabemos que é melhor não. - Quando ele não se mostrou convencido, ela disse:
— Nós combinamos, lembra?
— Não vou lhe dar um beijo no meio de um restaurante lotado, Demi. - Ela perdeu o fôlego, os lábios formigando só por ouvir a palavra beijo saindo da boca de Joe. Enquanto tentava encontrar uma maneira de respirar normalmente, ele continuou:
— E nós dois precisamos comer.
— Você deve ter amigos para se encontrar hoje à noite.
— Não, eles vão esquiar à noite — ele respondeu. E então continuou: — Vamos conversar. Só isso. E amanhã vamos nos divertir na montanha. Quando o oxigênio finalmente entrou em seus pulmões, Demi percebeu o quanto estava ficando maluca. Ainda mais quando ele, no ápice de sua sensatez na verdade precisou lembrá-la de que não a jogaria em cima da mesa de um restaurante lotado e a atacaria. Que droga! Ele fazia parecer que esse tipo de
pensamento nem lhe passara pela cabeça. Só comida e snowboard; era só nisso que estava pensando.
— Tudo bem. Que tal me encontrar aqui embaixo em meia hora?
— Em meia hora, então. - Ela estava prestes a pegar as duas sacolas que ela e Summer tinham trazido — a roupa de neve delas tinha se queimado no incêndio e elas iam ter de alugar outras nos próximos dois dias — quando Joe as pegou.
— Pode deixar — ela disse a ele. - Ele respondeu sem soltar as malas:
— Pode deixar comigo. - Ela achou que pudesse ver naquilo algo machista da parte dele. Entretanto, em vez disso, percebeu que eram simplesmente boas maneiras. Ele ia em direção aos elevadores, quando ela avisou:
— Estou no primeiro andar. - Ele franziu o cenho por um momento antes de concordar e segui-la em direção ao quarto. Ela se recusava a ficar nervosa por estar sozinha em seu quarto de hotel com Joe pelos poucos minutos que ele levaria para colocar as malas lá dentro. Ele a ajudaria com a bagagem, ela tomaria um banho para descansar da viagem e eles teriam um jantar absolutamente platônico, seguido por um dia amigável na montanha coberta de neve no dia seguinte. Mesmo assim, era incrivelmente estranho que tivessem vindo para o mesmo resort de esqui, no mesmo dia que ele. De algum modo, Summer deve ter descoberto os planos dele para os feriados de fim de ano na noite anterior. Demi estava prestes a dizer isso quando um grupo de adolescentes barulhentos passou, empurrando-os. Momentos depois, eles estavam dentro do quarto dela. Não era um quarto pequeno, mas ela não pôde evitar de pensar que não era grande o suficiente para ela e Joe ao mesmo tempo.
— A cama é boa — ela confirmou, tentando impedir que seus pensamentos voltassem para onde tinham ido na noite anterior, quando não conseguia parar de fantasiar sobre como seria ir para a cama com um lindo bombeiro. Ela deu-lhe um sorriso radiante. 
— Vejo você lá embaixo daqui a pouco. - Ele ficou olhando para ela mais do que deveria, antes de concordar e fechar a porta atrás de si. Joe era conhecido no Corpo de Bombeiros por sua determinação. Ele sempre levou jeito para analisar a informação rapidamente e tomar decisões sensatas durante os resgates. Só que, agora, pela primeira vez na vida, sentia-se como se estivesse em um trem descontrolado no qual via Demi pela janela e pulava a bordo sem pensar. Demi era, sem dúvida, sua maior tentação. E ele não era tão tolo a ponto de imaginar que resistiria ao encanto dela por muito mais tempo. Por sorte, tinha prometido a ela que não a beijaria no restaurante. E passar uma cantada nela e frente da filha, nas montanhas, estava fora de cogitação. A combinação dessas duas coisas significava que ele não estaria sob pressão. Pelo menos não por enquanto. No entanto, Joe sentia que, se um dia perdessem o controle da situação, assim como as faíscas elétricas de um ponto de incêndio, a força da atração deles estava fadada a destruir as boas intenções para ficarem distantes um do outro. Fatos eram fatos: ele não deveria tê-la convidado para jantar esta noite. Aulas de snowboard para ela e Summer também não eram a melhor coisa a fazer. A situação já tinha sido combinada com antecedência; eles tinham colocado as cartas na mesa na noite anterior; deveriam ficar longe um do outro. E, mesmo assim, cada vez que tinha a chance de se afastar, acabava tendo de chegar mais perto dela.

Continua... Já disse que vocês são incríveis? Garotas, valeu pelos comentários e as tantas visualizações.. A Summer é uma apestada, né? Só digo uma coisa.. Isso não vai prestar.. Haha! Então, perguntaram quantos capítulos esta mini fic tem, bem, tem 27.. Só estou postando agora porque estou sem tempo para escrever LSS por que tenho que estudar bastante, mas não vou deixar de postar LSS, ok? Eu até estou escrevendo um capítulo agora.. E quem sabe eu ainda não posto hoje ou amanhã? Beijos!
 

Mini Fic - Capítulo 8

Ele deveria ter se afastado dela; ela devia ter se soltado dos braços dele. Mas nenhum dos dois se mexeu. Sem ter certeza a quem estava tentando convencer, Joe explicou:
— Não saio com pessoas que salvo de prédios em chamas. - Quase antes de ele terminar de falar, ela deu o próprio parecer:
— Não posso ficar com alguém que pode morrer a qualquer instante. - Foi um momento de pura honestidade, o primeiro. Não, Joe admitiu rapidamente. Aquele beijo fora o primeiro momento verdadeiro deles. Paixão sincera... desejo à flor da pele. Quando ela finalmente saiu de dentro dos braços dele, e ele se mexeu para deixá-la ir, Demi continuou:
— Depois da maneira que o pai de Summer morreu, eu simplesmente não posso. - Ele deveria estar saindo, deveria ter ido embora cinco minutos antes, assim nada disso teria acontecido. Mas, santo Deus, ele nunca se arrependeria daquele beijo avassalador. E queria entender as razões de Demi tanto quanto as próprias.
— Como ele morreu?
— Ele era um piloto de guerra.
— Da Marinha? - Ela concordou, parecendo destruída, e Joe teve um momento de puro ciúme de um homem morto. O que estava acontecendo com ele?
— Não saio com homens como você, com profissões como a sua. Nunca mais. Summer era só um bebê quando David morreu, mas, mesmo assim, sentiu muito. Se eu a deixasse perto de outro homem com um trabalho como aquele e um dia ele não voltasse para casa... - Ela pareceu perceber que dissera muito de si mesma e rapidamente virou a pergunta de volta para ele.
— E tenho que acreditar que você não sai com as mulheres que salva porque...
— Nunca dá certo. — Ele a ouviu falar sobre não se envolver com um cara em seu perigoso ramo de trabalho, mas ainda podia sentir o sabor daquele beijo, ainda podia ouvir seus gemidinhos sexies enquanto suas línguas se entrelaçavam e escorregavam uma na outra. De novo, ele não sabia se era para ela ou para ele mesmo que estava falando:
— Não é um jeito comum de duas pessoas se conhecerem. Gera expectativas. Algumas que não podem ser cumpridas no dia a dia, na vida real. - Percebendo que era ele quem estava falando demais agora, ficou feliz quando ela deu outro passo para trás e disse:
— OK. - Ela deu-lhe um sorriso estremecido no canto da boca. 
— Fico feliz por termos colocado tudo isso para fora. — Ela lambeu os lábios. — Está tudo certo entre nós. - Ele não deveria estar ali em pé, pensando no quanto ela ficava linda quando estava nervosa, mas, que merda, era exatamente o que estava fazendo. E não deveria, nem de longe, estar prestes a alcançá-la para beijar aqueles lábios doces novamente. Joe enfiou as mãos nos bolsos para evitar tocar de volta naquelas curvas maravilhosas. Precisava ir embora, o mais rápido possível. Ela faria o café. Ele beberia. E então ele diria adeus e voltaria para casa e não pensaria mais nela. Se tivesse conseguido se ater ao plano original de ficar longe dela o máximo possível... Mas ela já tinha ido à casa da mãe dele; já conhecera sua família. Ela era amiga da irmã dele, a mesma irmã que claramente tinha planos para que eles ficassem juntos. Como se também precisasse de algo para fazer com as mãos, Demi pegou o pacote que ele derrubara no balcão e despejou os grãos na máquina de café.
— A Sophie é sua amiga e estamos fadados a nos encontrar de novo... 
— ... Então concordaremos em sermos amigos — Demi disse, terminando a frase dele.
 — Sem problema. — Ela lhe deu um daqueles sorrisos forçados enquanto apertava o botão da moedora. Quando os grãos estavam prontos para serem colocados na máquina de café, pegou-os com uma concha e disse:
— Ou seja, agora nós dois sabemos a posição um do outro, correto? - Ainda desejando-a mais do que jamais desejou outra mulher, Joe concordou.
— Correto. - Ela parecia elétrica; enquanto arrumava uma pilha de desenhos do Frosty, o homem da neve que ela e Summer deveriam estar desenhando, escolheu uma travessa bonita e colocou alguns biscoitos em formato de flocos de neve dentro dela. Ele nunca havia namorado alguém que tivesse filhos. Não, ele lembrou a si mesmo, ele e Demi não estavam namorando. No entanto, era a primeira vez que via alguém, com exceção de sua mãe, fazer malabarismos para cuidar da vida de outra pessoa. Ela passou a xícara de café para ele.
— Por que não sentamos um pouco? - Ele a seguiu até a pequena sala de estar do outro lado da cozinha conjugada, notando que ela, de forma inteligente, escolheu sentar--se na pequena cadeira forrada de veludo em vez de juntar-se a ele no sofá. Ela tirou os sapatos de salto e colocou os pés para cima à sua frente, esfregando-os com a mão livre.
— Esses saltos altos estavam acabando com meus pés. - Joe nunca se considerou um homem muito fã de pés. Pés eram só pés. Entretanto, os dedos pintados de rosa de Demi eram incrivelmente sexies. Ele queria tirar a mão dela e colocar as dele no lugar. Já sabia quanto os lábios dela eram doces, como os cabelos dela eram macios. E como seria sentir a pele dela com suas mãos? Ele já estava jogando por água abaixo a questão do “apenas amigos”. E o pior de tudo era que ele não só não queria se apaixonar por Demi, assim como ela também não queria se apaixonar por ele, mas também entendia os motivos dela. Demi tinha todo o direito de querer ficar com um homem que, dessa vez, não morresse de repente. E ele obviamente não se encaixava nesse quesito. Havia uma escrivaninha no canto da sala de estar, junto com alguns armários de arquivos e uma prateleira que, em vez de livros, parecia guardar manuais de referência. Acompanhando o olhar dele, ela comentou:
— Trabalho em casa. Sou contadora. - Antes dessa noite, Joe teria pensado que todos os contadores eram pessoas insensíveis, seres esquisitos grudados em calculadoras e planilhas. Demi com certeza não era uma pessoa insensível.
— Gosta de ser contadora?
— Gosto. — Ela tomou um gole do café. — Gosto do jeito que os números se completam. Gosto da combinação e da lógica, da maneira que eles sempre fazem sentido e, quando há uma discrepância, sei que, desde que tente bastante, no final sempre descobrirei qual é o problema. E poderei resolvê-lo. — Ela piscou para ele com aqueles lindos olhos amarronzados. — Imagino que você adore ser bombeiro.
— Quando era criança, nunca conseguia ficar quieto. E costumava brincar com fósforos mais do que deveria. O fogo sempre me fascinou.
— Sua mãe devia adorar isso — ela ironizou. Ele concordou.
— Nem tanto.
— Acho que a fascinação com o fogo faz sentido — comentou, devagar, como se considerando a ideia pela primeira vez. — Do contrário, você não teria tanta vontade de correr na direção dele em vez de fugir, como o resto de nós tenta fazer. - Será que ela sabia que ele também era fascinado por ela? Que, mesmo sabendo que deveria se afastar, tudo o que queria era chegar mais perto dela?
— Você tem uma família maravilhosa, mas tenho que admitir que alguns de vocês devem ter dado muito trabalho. Tiro o chapéu para sua mãe. E — ela completou, com ar questionador — seu pai?
— Ele morreu quando eu tinha 5 anos. Ela nos criou sozinha. - A morte do pai dele fora o outro motivo de ter escolhido essa profissão. Como também era paramédico, muitas das chamadas às quais atendia eram médicas. Ele não podia salvar o pai, ou a mãe, ou o filho de todo mundo, mas queria saber, pelo menos, que tinha feito tudo o que podia.Os olhos de Demi se arregalaram. 
— Oito filhos, sozinha? — Ela colocou a mão no coração, num gesto de clara simpatia pela mãe dele. — Metade do tempo em que cuido da Summer, já acho que é muita coisa para eu cuidar sozinha.
— Você é uma mãe maravilhosa. - Ela sorriu diante do comentário dele.
— Obrigada. Não tenho tanta certeza de que diria a mesma coisa se me visse gritando com ela por causa da lição de casa ou das roupas no chão ou por ficar muito tempo ao telefone com as amigas. - Ele não deveria querer ver essas coisas, não deveria querer se aproximar mais de Demi ou da filha dela. Quanto mais ficava ali sentado com ela, porém, conversando sobre família, mais essa vontade crescia. O restante do seu café terminou rapidamente, e ele levantou-se e colocou a xícara vazia sobre a mesa de centro. Notou que a janela da cozinha tinha uma fresta e que uma brisa gelada estava entrando.
— Você quer ficar com a janela aberta?
— Não, está emperrada — ela respondeu, voltando para a cozinha com a xícara de café ainda pela metade. — O proprietário disse que tentaria passar por aqui nesta semana para ver se consegue arrumá-la. - Para evitar que ela passasse frio e pagasse pelo aquecimento que estava escapando, Joe puxou a janela com a mão. Mas nada aconteceu.
— Você tem uma chave de fenda? - Ela tirou uma de dentro de uma gaveta bem organizada.
— Aqui. - Não levou muito tempo para que ele resolvesse o problema.
— Devia ter um pouco de cola ou tinta presa debaixo do metal. - Enquanto devolvia a chave de fenda, ele disse:
— Seu antigo apartamento devia ter uma vista maravilhosa.
— Foi por isso que comprei aquele apartamento. Sabia que era um prédio antigo, mas achei que a vista valia a pena. — Os olhos dela escureceram. — Mas nunca pensei na questão da segurança durante um incêndio.
— Mas ter uma boa vista ainda está no topo da sua lista para uma casa nova, não é? Juntamente com um quintal para um braseiro?
— As vistas não valem mais tão a pena quanto antes — ela comentou com voz tenra. — E também não tenho certeza se um braseiro seria uma boa ideia. - Apesar de toda a força que Demi demonstrava, pela maneira que ela, tão jovem, havia passado pela perda do marido, pela capacidade de recuperar-se do incêndio em sua casa, Joe, de repente, conseguia ver como era vulnerável. Além de todos os outros medos que ela tentava tanto esconder. Como se subitamente percebesse que estava permitindo que Joe pudesse ver tão profundamente, ela agradeceu:
— Bem, obrigada por consertar a janela. E pela carona. - Ela estava certa. Ele precisava ir embora antes que a beijasse de novo. Demi caminhou na frente dele até a porta. Abrindo-a, ela ficou parada lá enquanto ele saía, bem perto. Muito perto. Ele deveria ter continuado andando pelo corredor até o carro sem olhar para trás ou dizer mais nada, mas, da mesma maneira que estar no apartamento dela, colocar Summer na cama e tomar café parecia se encaixar perfeitamente, ir embora parecia ser a coisa errada a fazer.
— Diga a Summer que me diverti brincando de esconde-esconde de lanterna com ela. - Ele estava perto o suficiente para sentir o perfume dela, algo floral e suave que o fazia querer enfiar o nariz na curva de seu pescoço até descobrir exatamente qual era o cheiro.
— Pode deixar. - Aquelas palavras saíram quase entrecortadas e, pela maneira que os olhos dela olhavam para os lábios dele, Joe sabia que a vontade dela também estava no limite. Só um beijo. Isso era tudo o que ele queria. Tudo de que precisava. Joe tinha quase se convencido de que não faria mal nenhum, que ele poderia parar no só mais um, quando ela, de repente, retirou o olhar e deu um passo para trás, inspirando profundamente.
— Apenas amigos. — Ela balançou a cabeça. — Gosto muito de você, Joe, e aquele beijo na cozinha... — Balançou de novo a cabeça. — Bem, precisamos esquecer aquele beijo. Porque concordamos que é assim que as coisas têm que ficar. Mesmo que não seja fácil, precisamos manter as coisas totalmente platônicas. - Quando terminou de lembrar todas as regras, Demi colocou os dedos sobre a boca, como se quisesse se segurar para não ultrapassar o solado da porta entre eles e beijá-lo. O problema era que nem todo o bom senso do mundo seria capaz de negar o magnetismo que os atraía. Tentando ser tão honesto quanto tinha sido na cozinha, depois de eles terem cedido um pouco ao desejo, ele disse:
— Quero você. E, se fosse outra pessoa, não estaria indo embora agora. — Os olhos dela se arregalaram diante da declaração sem rodeios. — Mas já conheço e gosto o bastante de você e de Summer para saber que não podemos dormir juntos.
— Não — ela respondeu rápido, ainda mais sem fôlego. — Não podemos. - Com a vontade aumentando a cada palavra que trocavam sobre o sexo quente que não teriam, ele decidiu:
— É melhor eu ir embora.
— É — ela murmurou —, você deveria ir. - Mas então, em vez de ir embora, Joe a alcançou e puxou-a contra ele, passando as mãos sobre os lábios dela. — Um último beijo.
— Ai, meu Deus — ela resfolegou. — Só mais um. - E então os lábios deles se encontraram e ele colocou-a contra a porta aberta, empurrando-se contra o calor suave do seu corpo, tomando-a, recebendo e mergulhando cada vez mais fundo no feitiço que Demi jogara sobre ele desde o primeiro momento em que a vira. Ela tinha um sabor viciante, tão doce que ele não conseguia parar de ir cada vez mais fundo, de ir do lábio de baixo para o de cima, de puxá-la para tão perto até poder sentir seus mamilos pressionando contra o peito dele, apesar das camadas de roupas. Ela abriu as pernas para ele, e Joe mexeu-se entre suas coxas, pressionando-a ainda com mais força contra a parede, e os quadris dela se mexiam sobre o membro dele, deixando-o tão excitado quanto jamais conseguia se lembrar de ter ficado em toda a sua vida. Ali. Poderia possuí-la bem ali. Erguer a sua saia, descer o zíper de sua calça e penetrar-lhe em segundos, as pernas dela enroscadas na cintura dele. Um barulho vindo do final do corredor dissipou a nuvem de desejo lhe encobrindo o cérebro. Ele estava ciente de que era melhor não fazer um show público de sexo com Demi sabendo que a filha dela estava só a alguns metros de distância. Em sincronia, afastaram-se, ambos ofegantes.
— Este foi o último — sussurrou com a voz trêmula. — Realmente o último beijo que podemos dar. - De algum modo, ele conseguiu se virar e sair andando. Entretanto, a cada passo que se distanciava dela, Joe sentia que não beijar Demi de novo seria a coisa mais difícil de fazer. Demi fechou a porta e recostou-se nela, fechando os olhos enquanto tentava processar o que acabara de acontecer. Ela levou os dedos de volta aos lábios ainda formigantes, queimando por causa dos beijos dele. Ela não conseguia se lembrar de querer tanto alguém quanto o queria. Tinha tido alguns amantes desde que David morrera cinco anos antes, mas nenhum deles tinha deixado tanta marca em seu corpo quanto Joe. Na verdade, de repente, percebeu que os rostos de seus antigos amantes estavam embaralhados em sua memória. Depois de David, não aconteceu que um dia ela sentou-se e tomou a decisão de ficar longe de homens com profissões perigosas e que corriam risco de morte. Na verdade, ela nem pensava mais em homens. Tentava criar a filha com um salário, com apenas algumas horas livres para tirar o diploma de contadora. Conforme saía do luto, percebia cada vez mais que não poderia passar por tudo aquilo de novo. Sim, ela sabia que um executivo poderia sofrer um acidente de carro e morrer. Mas era uma mulher que entendia de números e não precisava de um mestre em estatísticas para calcular que as probabilidades de uma morte repentina eram muito mais baixas para um homem atrás de uma mesa, das nove às cinco, do que para um piloto de guerra. Ou para um bombeiro. Mesmo assim, não conseguia fazer outra coisa a não ser pensar no jeito que ele carregara Summer do porão da casa da mãe dele e, depois, até o apartamento, um pouco depois. Tinha sido absolutamente diferente da maneira que carregara a filha para fora do prédio em chamas. Lá, ele tinha sido 100 por cento bombeiro. Esta noite, ele parecia mais um pai tomando conta da filha enquanto dormia. As mãos dela estavam um pouco trêmulas quando trancou a porta da frente e apagou as luzes da cozinha e da sala antes de ir em direção ao banheiro para aprontar-se para dormir. Sabia que não deveria imaginar Joe como nada além de um simples bombeiro que tinha passado dos limites. Eles não deveriam ter se beijado. Mas, já que se beijaram, tinham sido inteligentes o suficiente para parar. Minutos mais tarde, enquanto se acomodava na enorme cama vazia, ela se recusava a deixar-se imaginar como seria ter Joe ali com ela, com aqueles músculos fortes pressionando-a sobre o colchão enquanto ia para cima dela. Para dentro dela. Não, pensou, enfiando a cabeça sob o travesseiro, tentando evitar aquelas imagens fortes; não podia se permitir pensar nisso.

Continua... Oi! Se vocês piraram com o beijo, imagina.. Ok! Comentem, certo? Beijos!
 

25.4.14

Mini Fic - Capítulo 7

À medida que a festa dos Jonas ficava mais tranquila, a maioria dos irmãos de Joe gravitava um em volta do outro, reunidos ao redor do fogo. Normalmente, Joe ficaria junto com eles, mas Sophie puxara Demi para ficar com o grupo e ele ainda não conseguia se controlar muito bem quando estava perto dela. No entanto, não havia nada entre eles. E também não haveria nada no futuro. Além disso, de vez em quando é bom ter uma folga de alguns olhos questionadores, que podiam ver o que ele não queria que vissem. Joe manteve-se ocupado brincando de barco pirata com as crianças na casa da árvore, depois de esconde-esconde com lanternas no quintal, até que sua mãe o chamou avisando que colocara um filme no porão para eles assistirem. A essa altura, Joe tinha de encarar o que estava fazendo. Ao longo dos anos, podia ter sido chamado de muitas coisas, mas tinha certeza de que nunca fora chamado de covarde. Dani estava bocejando quando ele chegou ao braseiro.
 — Desculpe-me por ir embora bem quando você está chegando — ela disse a ele com cara de sono, e Kevin se levantou. — Não sei por que, mas estou exausta. - Depois do irmão e da noiva se despedirem e de ele sentar-se em um dos lugares vagos, o amigo deles, Jake McCann, juntou-se ao grupo e ocupou o outro lugar.
— Ei, Jake. — Lori Jonas, a gêmea de Sophie, deu uma olhadela por sobre o ombro dele. — O que aconteceu com sua convidada? - Jake sorriu para a mulher que havia tratado como uma irmãzinha durante os últimos vinte anos de convivência na casa dos Jonas. Um dia, quando estavam no quarto ano, Zach o trouxe para casa e a piada era que ele se tornara o nono Jonas. Nos últimos seis meses, Jake saíra do estado para trabalhar em uma rede de pubs irlandeses; então, era a primeira vez que os via depois de muito tempo.
— Tive que enfiá-la em um táxi. - Lori revirou os olhos. 
— Você tem um péssimo gosto para mulheres — ela brincou com ele. E então disse: — Vamos brincar de verdade ou desafio. Vamos lá, brinque com a gente. - Não fazia diferença que fossem todos adultos agora; as brincadeiras não mudaram. Todo Dia de Ação de Graças eles ainda brincavam de futebol americano e, a cada ano, as garotas davam golpes cada vez mais fortes nos irmãos; e, no Natal, todos ainda queriam saber os segredos uns dos outros. Lori jogou um marshmallow por cima do fogo para a irmã. 
— Sophie, por que você não começa? - Sophie pegou o pedaço de doce um pouco antes de tocar-lhe o rosto, olhando para Lori enquanto o atirava para dentro do fogo. Enquanto as chamas sibilavam, ela disse:
— Verdade. - Há tempos o relacionamento entre as irmãs não ia bem. Ninguém sabia por que, e, apesar de a mãe estar muito preocupada, nem Lori nem Sophie diziam o que tinha acontecido. Mesmo brigando, eram fiéis na solidariedade para manter as coisas só entre elas. Elas eram uma unidade fechada na qual nenhum deles jamais conseguiu penetrar, nem mesmo Joe, que era o mais próximo em idade e passara mais tempo com elas do que todos os irmãos, exceto Nick, que basicamente as criou desde pequenas.
— Por que estava se escondendo esta noite? — Lori perguntou à gêmea. Os olhos de Sophie estavam arregalados, preocupados, enquanto concentrava-se nas chamas. Ela nunca fora boa em esconder os sentimentos, por isso o apelido de Boazinha, enquanto Lori, que adorava confusão, era a Mazinha. Finalmente, Sophie disse com voz reticente:
— Eu não estava me escondendo. - Lori estreitou os olhos. 
— Vi você saindo da casinha de jardinagem da mamãe.
— Foi culpa minha — Demi explicou, com voz animada. — Estava procurando Summer e sem querer fui parar lá. - Tendo a primeira vítima salva pelo gongo, Lori se voltou para Jake.
— Verdade ou desafio? - Ele balançou a cabeça lentamente enquanto esticou as mãos em direção ao fogo para aquecê-las. 
— Se você é quem está lavando a roupa suja hoje, Mazinha, vou escolher verdade, obrigado. - Ela deu-lhe um sorriso malicioso antes de colocar os cotovelos sobre os joelhos, apoiar o queixo nas mãos e inclinar-se para a frente.
— Algum dia já se apaixonou, Sr. McCann? - Joe notou que Sophie tremia ao lado dele.
— Está com frio, irmãzinha?
— Não. — Ela balançou a cabeça com força. - Ele fez uma expressão de desconfiança. Certamente, alguma coisa estava acontecendo com ela aquela noite, mas ele estivera tão focado em Demi que não conseguiu descobrir com o que Sophie estava preocupada. A risada de Jake ressoou no pátio frio. 
— Apaixonado? — ele repetiu. — Nem perto disso. E não vejo isso acontecendo num futuro muito próximo. - Claramente desapontada por não ter tirado mais segredos sujos de Jake, Lori virou-se para encarar Joe.
— Sua vez. - A última coisa no mundo de que ele estava a fim era desse jogo, mas geralmente era mais fácil dançar conforme a música de Lori.
— Desafio. — Deus sabia que a verdade não era uma opção aquele dia, não com Demi sentada tão próxima, tão linda sob a luz da fogueira. Lori deu um sorriso levemente maldoso.
— Cante uma canção de acampamento. - Nick gemeu e pôs as mãos sobre os ouvidos de Miley.
— Pedir ao Joe para cantar é judiar do resto de nós. - A namorada pop star de Nick tirou as mãos dele de seus ouvidos e sorriu para Joe.
 — Adoro quando outras pessoas cantam. - Em vez de ficar bravo com Lori, Joe concluiu que, apesar de tudo, deveria agradecer à irmã pelo pedido, pois, depois de ouvi-lo cantar, não haveria a menor chance de acontecer qualquer coisa entre ele e Demi. Ele começou a cantar uma versão de “Home of the range”, que fez todos os gatos e cachorros que estavam por perto o acompanhar. Diante do sorriso incerto de Miley, Joe resolveu soltar a voz, e logo ela mesma tinha as mãos sobre os ouvidos. Nick, cuja voz era tão ruim quanto a de Joe, juntou-se a ele em uma “harmonia” atroz, e todos riram muito, inclusive Demi, que, por um minuto, Joe se esqueceu de não ficar olhando para ela na frente de todos. Sim, ela era uma mulher maravilhosa, mas também era divertida e se encaixava perfeitamente na família dele. Que merda! Os olhares deles se encontraram e ambos pararam de rir. Ela empurrou a cadeira para trás abruptamente.
— Já passou muito da hora de Summer dormir. - Joe ficou em pé também.
— Eu levo vocês de volta para a cidade. - Enquanto se despediam, ele rezava para que ninguém dissesse nada que deixasse Demi constrangida por irem embora juntos. Estavam quase de volta a casa quando Zach gritou:
— Não se esqueça de ligar quando acordar amanhã, Demi, e eu darei uma passada para consertar o pneu furado. Tem meu celular, não tem? - Joe já subira e descera inúmeras vezes ao longo dos anos centenas de degraus com visibilidade zero. Ouvir que seu irmão já tinha combinado de ver Demi de novo — usando a desculpa de ajudá-la com o carro —, porém, o deixou com o nó preso no peito. Sabia que não precisava ficar tão transtornado com isso. Se ele era metade do homem que achava que era, ficaria feliz que seu irmão finalmente tivesse escolhido uma garota legal. Afinal, ele mesmo não acabara de reconhecer o quanto Demi se encaixava bem entre seus irmãos e irmãs? Entretanto, nada disso ajudou a soltar o nó no estômago enquanto ele e Demi iam em direção ao porão, onde encontraram Summer dormindo em frente da velha TV. Algumas das crianças mais velhas ainda estavam acordadas vendo um filme da Disney, mas ela estava toda enrolada no velho sofá que a mãe dele cobrira com a mesma manta de lã de quando ele era pequeno. Demi foi pegá-la, mas ele disse “Deixe-me fazer isso”, em voz baixa, para não acordar Summer, e tirou a garotinha do sofá. Enquanto Demi agradecia e se despedia da mãe de Joe, ele acomodou Summer gentilmente no andar de cima e foi buscar a caminhonete. Quando ele voltou, elas o estavam esperando na calçada, Summer nos braços da mãe, do mesmo jeito que ele as tinha encontrado. Summer não era grande para a idade dela, mas ele sabia que era pesada para Demi. Joe saiu para ajudá-la a colocar o cinto no banco de trás da caminhonete, usando um moletom como travesseiro. Na escuridão da autoestrada de volta a São Francisco, nem ele nem Demi falaram, uma repetição da viagem de ida. À noite, um pouco mais cedo, ele ficara feliz com as perguntas frequentes de Summer e a conversa para preencher o espaço, para que não cometesse o erro de chegar mais perto de Demi. Deveria estar feliz com o silêncio dela agora também. Mas por que não estava? Por que, em vez disso, gostaria de conhecê-la melhor? Um pouco mais tarde, ao estacionar em frente ao prédio de Demi, ele tirou o cinto de segurança de Summer e carregou-a para dentro do apartamento. Enquanto ela acendia várias luzes para ajudá-lo a encontrar o caminho através dos ambientes pequenos, ele notou o quanto a casa dela era confortável. Ela estava lá havia apenas dois meses e ele sabia que era temporário. Mesmo assim, Joe pegou-se gostando de estar ali. A casa de Joe tinha uma localização maravilhosa, com muito sol e vista belíssimas dos quartos do último andar. Mas ele nunca se sentiu tão à vontade. Não como ali.
— Muito obrigada pela carona — Demi agradeceu, enquanto puxava as cobertas suavemente sobre a filha, beijava-lhe o rosto e fechava a porta do quarto. Na sala de estar, as luzes da pequena árvore de Natal piscavam atrás dela, iluminando-a feito um anjo. Ela parecia um pouco nervosa. Era a primeira vez que estavam juntos sozinhos. Summer não contava. Considerando que ela não havia se mexido nem uma vez durante todo o percurso do porão até o carro e, depois, até o apartamento, sabia que ela não acordaria tão cedo.
— Gostaria de tomar um café? - Qualquer um com sangue nas veias teria percebido que a oferta fora por educação, nada mais. Ele sabia o que tinha que fazer: ater-se ao seu modus operandi e sair de perto dela o mais rápido possível. Sem grandes conversas, sem baixar a guarda. Mas, mesmo com toda a sua força de vontade e com todo o seu autocontrole, esta noite Joe não conseguia ir embora. Não agora, quando finalmente tinha Demi só para ele. Tudo bem, então ele ainda não iria embora. Mas usaria os próximos poucos minutos como a forma perfeita para provar que podia se controlar perto dela... e que ela não era uma tentação tão grande assim.
— Claro — disse, com voz tranquila —, um café seria ótimo. - Demi pareceu momentaneamente surpresa por ele ter concordado. Não à toa, já que ele não tinha se esforçado para ser amigável com ela. Não tanto quanto Zach ou Ryan foram na festa.
— Vou demorar só um minuto; sente-se, se quiser. - Joe estava puxando um banco do balcão da cozinha quando ela pegou um saco de grãos de uma pequena despensa no caminho e chacoalhou, para descobrir que estava quase vazio. Ela deu-lhe um olhar consternado e ele ficou imaginando se fora causado somente pela falta de grãos de café ou se tê-lo ali, no espaço dela, era a verdadeira razão.
— Tenho mais grãos de café — disse — em algum lugar. — Ela virou-se e começou a procurar no resto dos armários antes de admitir: — Ainda não me acostumei direito com o novo apartamento. Às vezes, tenho certeza de que tenho alguma coisa e então me dou conta de que foi destruído pelo fogo e eu nunca repus. - Joe praticamente teve de sentar em cima das mãos para evitar puxá-la para seus braços e consolá-la. Em vez disso, ele disse:
— Demora um pouco para processar o que aconteceu, Demi. - Ela suspirou.
— Nunca achei que fosse me sentir tão perdida e sem chão sem as minhas coisas. Porque são só coisas, sabe? — Ela balançou a cabeça e sorriu para ele.
— Summer e eu estamos bem e é isso o que importa. - Mais uma vez, ele ficou estupefato ao ver quanto ela exigia de si mesma para ser forte, e queria falar algo mais, dizer a ela que não tinha problema passar pelo luto da perda, mesmo que fosse de pequenas coisas, quando Demi estalou os dedos e exclamou:
— Sei onde está o pacote de grãos de café! — Ela apontou para um armário que ia até o teto. — Lá em cima. - Ela estava pegando um banco que ficava entre a geladeira e o balcão, quando ele ofereceu:
— Eu pego para você. - Ele conseguia alcançar facilmente o pacote de grãos de café na última prateleira, mas não percebera quanto a cozinha era pequena para duas pessoas. E, de alguma forma, quando se virou, Demi ficou presa contra as prateleiras da despensa.
— Obrigada.
— De nada. - Entretanto, ela não pegou o pacote, nem ele o entregou para ela. Em vez disso, ficaram se olhando fixamente. Quando viu o desespero dos seus olhos refletidos nos olhos dela, Joe largou o pacote de café sobre o balcão atrás dele e pegou o rosto dela entre as mãos. Ele abaixou a cabeça e, ao mesmo tempo, ela ficou na ponta dos pés, enlaçou os braços em volta do pescoço de Joe e levantou o rosto até o rosto dele. Seus lábios se encontram momentos depois, quentes e famintos, muito além da delicadeza e da doçura. Era um beijo que esteve prestes a acontecer mais de uma vez e que agora estava completamente fora de controle. Demi tinha gosto de açúcar e champanhe e algo mais que era só dela. Os cabelos macios enroscados nos dedos dele e os gemidinhos de prazer que ela fazia em sua boca enquanto se beijavam o deixavam louco. Ele passou a língua sobre os lábios carnudos dela, fazendo-a derreter-se ainda mais dentro dele, enquanto explorava suas curvas tão macias e doces, sentindo o sabor do canto de seus lábios antes de mergulhar novamente dentro da boca de Demi, enroscando novamente suas línguas. Assim como o beijo tinha ido de zero a cem em uma fração de milésimo de segundos, também o desejo de Joe aumentara na mesma proporção. Rápido e vigoroso de pé contra a parede, as portas da despensa batiam, enquanto ele se esfregava nela para desfrutar o intenso prazer desse primeiro beijo, que já se revelava muito promissor. Mesmo assim, por mais que a desejasse, Joe sabia que tinha que parar por ali — e rápido. Entretanto, no momento em que começou a se afastar, as mãos de Demi saíram abruptamente de seu pescoço e se colocaram sobre o peito dele, para que pudesse se desvencilhar de seus braços. As palavras “Não devia estar beijando você” saíram dos lábios dela ao mesmo tempo em que ele disse “Não posso fazer isso”.


Mini Fic - Capítulo 6

Por que Joe estava olhando para ela daquele jeito? Demi sentia-se um pouco zonza por conta do champanhe que tomara rápido demais, mas estava longe de estar bêbada. Então, por que tremia sobre os saltos enquanto Joe atravessava por entre as pessoas na sala de estar e vinha na direção dela e do irmão dele? Ela sentia que ele a observava conversando com Zach e Ryan — e talvez tivesse gargalhado um pouco mais alto do que o normal, só para fazê-lo pensar que ela não estava nem um pouco interessada nele.
— Me ligue amanhã e eu consertarei o pneu furado para você — Zach Jonas disse aquelas palavras com um sorriso que a fez corar. Não porque estivesse atraída por ele. OK, ela era humana e, de todos os homens da família Jonas, Zach era, sem dúvida, o mais bonito dentro de uma escala técnica que media a altura dos ossos da mandíbula e a distância entre os olhos. A questão era que, o que quer que fosse aquela sensação borbulhante proveniente da completa atenção de Zach, agora havia um terremoto acontecendo dentro dela, apenas pelos lindos olhos de Joe, do outro lado da sala, cortando-a ao meio. Um terremoto que a sacudia, ameaçando revelar partes dela que jurava estar escondidas. Ela abriu a boca para agradecer Zach pela ajuda, mas, antes de conseguir fazer isso, Joe se colocou no meio deles.
— Saia daqui, Zach. - Zach quem? Demi não conseguia tirar os olhos daquele bombeiro maravilhoso.
— Onde está a Summer? — ele perguntou. Apesar do champanhe, a boca de Demi estava muito seca para responder.
— Sua mãe a apresentou a outras crianças. Acho que estão dando uma olhada na sala de jogos no porão.
— Que bom. Precisamos conversar. — Ele apontou para o quintal. — Algum lugar com mais privacidade seria melhor. - Apesar de sempre estar relaxado ao lado da filha dela, Joe era sempre muito tenso perto de Demi. Mesmo assim, agora ele parecia mais sério que o normal. Havia alguma coisa errada, ela tinha certeza disso, mas não sabia dizer o quê. É claro que ela não o conhecia o suficiente ainda. Ela passou pelas portas de vidro que davam no pátio vazio, seguida tão de perto por Joe que podia sentir seu calor enquanto saíam no ar frio. Ela caminhou ainda mais para dentro da escuridão, longe dos convidados que bebiam, comiam e riam ao mesmo tempo. Ele tirou a jaqueta de couro.
— Aqui está. - Não havia nada gentil ou romântico em suas palavras bruscas ou em seu tom de voz. E, mesmo assim, quando ele colocou a jaqueta sobre os ombros dela, antes que ela pudesse recusar, nada pôde fazer a não ser sentir-se tocada por aquele gesto. Ela adorava o cheiro de Joe, o jeito que o odor de fumaça parecia sempre estar impregnado nele, um perfume absolutamente exclusivo.
— Sobre o que precisa falar comigo?
— Apagar incêndios é o meu trabalho, Demi — ele começou sem preâmbulos, sem jogar conversa fora. — Sou treinado para lidar com situações perigosas e até mesmo fatais. Quando os bombeiros se machucam, ou é porque não tomaram as providências necessárias ou é por causa da força natural do fogo, que não se pode controlar. — Ele observou o rosto dela e, quando não viu o que estava procurando, ele disse: 
— Não deveria ficar se desculpando com a minha mãe pelo que aconteceu comigo. - Ela não conseguiu disfarçar a surpresa. 
— Mas é verdade. Se eu tivesse... - Ele a interrompeu. 
— Eu deveria ter carregado dois pesos mortos fora dali, mas você não desistiu em nenhum momento. Em nenhum momento, até saber que sua filha estava em segurança. -  A luz vinda das lanternas decorativas penduradas nos galhos dos carvalhos lhe permitia ver a expressão no rosto dele. Puro respeito. Por ela.
— Você foi maravilhosa, Demi. E não quero que se sinta culpada pela minha participação no incêndio. Jamais. - Mais do que surpresa, ela finalmente disse:
— Obrigada por dizer isso, apesar de achar que não consigo mudar o que estou sentindo.
— Nem eu. - Eles se olharam fixamente, o ar entre eles provocando faíscas e correntes elétricas. De repente, ela não sabia se ainda estavam falando do incêndio... ou da tensão sensual no ar.
— Não deveria ter trazido você aqui fora — ele disse de repente. — Está muito frio aqui sem uma lareira. Vejo você lá dentro daqui a pouco, depois que conseguir acender o braseiro. - Claramente, esta era a maneira de ele se livrar dela. E Demi sabia que deveria ser inteligente para ir embora antes que qualquer das faíscas entre eles pegasse fogo. Mas que droga! Ela não gostava de sair concordando com todos os termos dele. E ela definitivamente não gostou quando ele se afastou como se ela já tivesse saído e começou a encher os braços com a madeira que estava por perto. Nenhuma mulher gosta de pensar que poderia ser esquecida tão facilmente. Mesmo uma que jurara não querer a atenção do homem em questão. Sabendo que sua teimosia a prejudicava, ela foi em direção à pilha de madeira e pegou vários pedaços que pareciam bons. Joe não parecia feliz ao ver que ela ainda estava lá.
— Você não vai entrar? - Demi imaginou que a maioria das mulheres com quem Joe saía provavelmente obedecia prontamente às ordens daquela boca linda, e ajoelhou-se ao lado do braseiro embutido que ele estava destampando.
— Achei que pudesse ajudar a acender o fogo. — Ela admirou a estrutura de tijolos. — Isso é fantástico. A Summer vai me implorar por um desses em nosso quintal. Ela é uma grande fã de sanduíches de biscoito com marshmallow e chocolate.
— Seu apartamento tem quintal? - Ela balançou a cabeça. 
— Não o apartamento temporário em que estamos agora. Mas, assim que encontrarmos um novo lugar, é provável que tenha. — No entanto, mesmo enquanto falava, já sabia que nunca faria isso, pois ficaria muito preocupada com o fogo se espalhando do braseiro para o prédio.
— Espero que encontre logo um lugar ideal, Demi. — Ele ficou em silêncio por um momento antes de continuar: — Já estive em milhares de incêndios em milhares de casas, mas não é a mesma coisa de ter acontecido comigo. Sinto muito por tudo o que deve ter perdido. - E não ergueu os olhos dos pedaços de lenha com os quais fazia uma pirâmide perfeita.
— Eu também. - Ela não queria dizer isso a Summer; em vez disso, acreditava que a filha precisava que ela fosse forte. Não queria que seus clientes se preocupassem com o fato de ela não poder administrar a carga de trabalho; então, simplesmente garantiu a cada um deles que manteve seus arquivos de backup em lugar seguro e à prova de fogo. Independentemente do que ela dissesse, os pais dela se preocupariam; assim, obviamente manteve a boca fechada em relação a seus sentimentos também. E, quanto às amigas, a verdade era que, com o trabalho e os cuidados com Summer, ela não tivera muito tempo para sair com elas. Algumas das outras mães da escola eram simpáticas, mas não sentira uma conexão forte com nenhuma delas. E por isso foi tão bom ter reencontrado Sophie.
— Por sorte, a maioria das nossas fotos ainda está em meu HD, mas as coisas que tinha guardado de quando Summer era bebê, do primeiro dia dela na escola, o primeiro dentinho... Gostaria que todas essas coisas não tivessem se perdido. — Ela obrigou-se a dar de ombros e a colocar um sorrisinho no canto dos lábios enquanto pegava os fósforos que ele lhe entregava.  
— Mas elas se foram e vai ficar tudo bem. Tive muita sorte com a minha filhinha. - Ele concordou e olhou para o fogo que ela acabara de acender, dizendo:
— Teve mesmo. - O fogo acendeu e Joe sorriu para ela.
— Por falar nisso, bom trabalho com o fogo. - Ele já havia sorrido para Summer várias vezes, mas não diretamente para ela. A força daquele sorriso, tão absolutamente verdadeiro, sem nenhum dos truques conhecidos que seus irmãos Ryan e Zach aplicavam, a fez querer dar mais dois passos para perto e beijá-lo. Como se ele pudesse ouvir os desejos silenciosos dela, o sorriso desapareceu em um instante e os olhos se escureceram, enchendo-se daquele calor do qual ela não conseguia se desvencilhar, do calor que a deixava morrendo de vontade de se aproximar, para ver se conseguia esquentar todos aqueles lugares dentro dela que estiveram frios por tanto tempo.
— Preciso voltar lá dentro e ver se está tudo bem com a Summer. - Os olhos dele ainda ferviam intensamente quando concordou.
— Vá. - Ela estava a meio caminho das portas de vidro quando percebeu que ainda usava a jaqueta de Joe. Ela virou-se, voltou até onde ele a observava fixamente e a tirou dos ombro
— Obrigada. - As pontas dos dedos se roçaram, e ela estava feliz pelo clima frio servir de desculpa para os arrepios que lhe percorriam a pele. Só ela precisava saber que não fora a temperatura que os provocara. Ela não esperou que ele dissesse “De nada”. Simplesmente se virou e deu meia-volta em direção a um terreno mais seguro. Quando as crianças descobriram que havia um braseiro no pátio, todas correram para pegar gravetos no quintal para os marshmallows que a Sra. Jonas colocara sobre uma mesa perto dali. O açúcar derretido na ponta do graveto, porém, não era a única surpresa maravilhosa que as aguardava.
— Tem uma casa em cima de uma das árvores — Summer disse a Demi, os olhos arregalados e cheios de animação. A festa claramente estava tão divertida quanto ela imaginara. — Joe disse que vai nos levar lá em cima para mostrá-la, se nossos pais deixarem. Ignorando a voz dentro de sua cabeça, que dizia Eu também quero brincar na casa da árvore, Demi passou a mão sobre o cabelo macio e brilhante da filha.
— Claro que você pode ir. Só tenha cuidado para não cair. - Summer revirou os olhos. 
— Não sou um bebê. - Demi puxou-a para um abraço. — Você é meu bebê.
— Mãe! — Summer se desvencilhou da mãe. — Preciso pegar uma lanterna antes que peguem todas. - Ela atravessou o gramado até onde Joe esperava com as lanternas, e Demi tentou não sentir o nó no estômago ao vê-lo sair para se aventurar com as crianças, rindo e fazendo piadas com aquele grupo cheio de energia. Ela nunca tinha visto um homem tão à vontade com crianças. Mas era mais do que isso, percebeu rapidamente. Ele gostava de crianças; simples assim. Até mesmo o pai de Summer, ainda que adorasse sua garotinha, não sabia muito bem o que fazer com ela. E Demi sempre teve a sensação de que David contava os minutos para a soneca, assim ele poderia fazer algo mais empolgante. Quando viu Sophie caminhando rapidamente pelo pátio, saindo, em um momento, de um canto escuro para a luz antes de seguir em direção à lateral da casa, Demi chacoalhou a cabeça e achou melhor não comparar David com Joe. Ela procurou Sophie quando chegou, mas não conseguiu encontrá-la para colocarem o papo em dia. Haviam tentado manter contato nos últimos dias, mas, com a agenda ocupada de Sophie na biblioteca e os feriados de inverno de Summer na escola, chegaram à conclusão de que a festa seria o melhor momento para bater papo. No entanto, agora, em vez de querer ter uma conversa de mulher com alguém de quem ela sempre gostara, Demi estava um pouco preocupada. Sabendo que Summer estava em boas mãos com Joe, Demi seguiu o caminho que Sophie havia feito ao lado do quintal até chegar a uma pequena casinha. Abrindo-a devagar, ela olhou para dentro e encontrou a amiga sentada sobre um vaso virado de boca para baixo.
— Sophie?
— Ah! — Sophie começou a levantar-se quando percebeu quem era. — Oi, Demi. — Ela parecia um pouco tímida por ter sido pega na casinha onde guardavam material de jardinagem, mas sorriu e convidou:
— Gostaria de se juntar a mim? - Demi sorriu para a velha amiga, fechando a porta atrás dela. Havia uma lâmpada no teto que iluminava o interior apertado, permeado com o cheiro de terra.
— Está tudo bem? - Sophie soltou uma respiração trêmula. 
— Alguma vez já quis muito algo que não deveria querer? - Demi ficou pasma com a pergunta franca da amiga. Não havia falsidade em Sophie; nunca houve. Essa era uma das coisas que a levaram a se aproximar da amiga. Assim, mesmo tentada a fugir da pergunta, Demi assentiu, pois esperava que pudessem recuperar a boa e velha amizade que começaram na faculdade, especialmente agora, morando tão perto uma da outra.
— Sei exatamente o que é isso — disse, pensando em quando estava no quintal com Joe e sentiu um calor que não tinha nada a ver com o fogo aceso no braseiro. No entanto, concordar com isso não pareceu fazer Sophie sentir-se melhor. Quando a amiga olhou para as mãos, Demi acompanhou o olhar até as unhas bem cortadas e sem esmalte. Sophie usava um vestido de malha azul, que lhe cobria os braços e quase toda a perna. Ela não estava usando maquiagem, nem joias e, mesmo assim, em uma situação na qual outras mulheres pareceriam sem graça, Sophie estava inegavelmente linda. Depois de gastar uma boa meia hora arrumando o cabelo e a maquiagem, sem falar que experimentara todos os vestidos novos que comprara desde o incêndio, Demi sentiu que havia exagerado um pouco. Ela achou um vaso e virou-o de cabeça para baixo, sentando-se de frente para Sophie. 
— Você quer conversar? - Não precisava ser um gênio para perceber que Sophie estava chateada por causa de um homem. Mas Demi estava um pouco envergonhada de não saber quem era, já que, a noite toda, não fora capaz de se concentrar em ninguém mais além de Joe. Sophie balançou a cabeça e olhou em volta da casinha.— Me desculpe, Demi. Acho que sou a pior amiga do mundo, convidando você para uma festa e então sumindo para dentro de uma casinha de jardinagem para ficar me lamentando. - Demi teve que rir da expressão engraçada no rosto de Sophie.
— Sempre gostei de jardinagem.
— Vamos — Sophie convidou, ficando em pé e estendendo a mão para Demi. — Vamos tomar uma taça de champanhe e você me conta tudo sobre os últimos sete anos. - Demi podia ver que Sophie não havia superado o que a tinha feito esconder-se na casinha de jardinagem, mas claramente não queria falar sobre aquilo. Pelo menos ainda não. Talvez, quando tivessem um pouco mais de intimidade, ela contasse. No entanto, de novo, Demi sabia exatamente o que era ter uma queda secreta por alguém totalmente inalcançável. Independentemente do quanto a amizade dela e Sophie aumentasse, Demi jamais admitiria que ficava toda arrepiada e sem fôlego toda vez que Joe estava por perto. Se é que serviu para alguma coisa, a curta conversa que tiveram fora mais do que suficiente para reforçar o que ela já sabia: que se entregar aos sentimentos que tinha por Joe só acabaria partindo seu coração. Ou, pior ainda, o coração de sua filha.

Continua.. É, vocês estão gostando mesmo dessa fanfic.. Comentem e comentem, ok? Se comentarem bastante, aqui na mini e em LSS faço maratona, ok? 

24.4.14

Capítulo 33

   - Aonde você vai? - Joe franziu o cenho quando Demi ajeitou a bolsa no braço e saiu pisando duro deixando todos confusos.
   - Vou prestar queixa. - Disse como se fosse óbvio. - Alex me difamou na frente de todos, me assediou com palavras sem o meu consentimento. Se ele te denunciou por agressão, posso denunciá-lo e processá-lo por difamação e assédio verbal. - Disse olhando diretamente para Helena que aos poucos ia perdendo a pose.
   - Por favor, não vamos levar a coisa tão a sério. - Protestou Papa Jonas.
   - Desculpe, mas se o Alex pode dar queixa por algo que ele mesmo pediu, também vou prestar queixa. - Disse pisando duro. Era justo, e Alex era o culpado de tudo. Fora ele quem provocara Joseph e difamara Demetria na frente de todos. Sentira-se humilhada.
   - Olha aqui. Vocês dois que estavam se pegando na cachoeira e o meu irmão que é o culpado? - Helena quase gritou avançando para cima de Demetria.
   - Claro que é. Ele quem veio procurar confusões. - Disse sustentando o olhar de Helena. - E é melhor você não gritar comigo. - Antes que Demi pudesse partir para cima de Helena, Joe a abraçou impedindo-a de se mover.
   - Vocês duas! Já chega de confusão por hoje Demetria. - Demi arregalou os olhos ao escutar a voz de Dianna. Dificilmente ela ficava brava. - Olha, eu não vejo a necessidade de chamar a polícia. E você está grávida, não deveria se estressar. - Disse calmamente.
   - Joe, me solta! - Disse irritada. Ora, ela não estava procurando nenhuma confusão. - Joseph! Me solta. - Aos poucos Joe foi a soltando com o maior cuidado do mundo, ele sabia que se Helena provocasse Demi iria atacá-la como uma leoa.
   - Helena, Dianna tem razão. Vamos deixar isto quieto. É o melhor para o meu filho e para Alex. - Demi odiava como eles queriam colocar pano quente em cima de tudo. Se ela pelo mesmo conseguisse conversar com seus advogados Alex já estaria na cadeia, e se possível ela iria processar Helena apenas por existir.
    - Denise, Alex está machucado. - Era engraçado como ela piava fino quando falava com Denise. - Joe o agrediu, não tem nada mais justo do que ele pagar pelo feito. - Disse calmamente. Discretamente Joe envolveu os braços à cintura de Demi prendendo-a.
   - Alex quem procurou encrenca. - Demi suspirou cansada. A cabeça ainda doía e estava chateada com tudo que acontecera. - Por favor, por que não nos deixa em paz? - Disse em um fio de voz.
   - Retire a queixe Helena, caso contrário você e Alex estão despedidos da fazenda do meu pai. - O silêncio era horrível. Mesmo na pose séria, Miley parecia radiante. Demi não tinha nada contra Helena, só não entendia o porquê de tal implicância. Ela só correspondia a Helena dando-lhes o troco. Mas não queria que ninguém perdesse o emprego por sua culpa. Iria se sentir culpada pelo resto da vida.
   - Está bem. - Helena olhou de cima a baixo para Demi como se estivesse a fuzilando e saiu pisando duro.
   - Obrigado. - Murmurou para Miley.
   - Você está bem? - Joe abraçou-a rapidamente e ficou a fitá-la, nunca vira Demi tão cansada e irritada. - A cabeça ainda está doendo? - Joe acariciou o rosto da amada e depositou um selinho carinhoso nos lábios dela.
   - Demi, Dan está com fome. - Demi sorriu para Dani e pegou o bebê dos braços dela sobre os olhares curiosos de todos.
   - Mamãe está com saudades de você meu anjo. - Aquele pequeno fazia tudo melhorar. Era incrível como um sorriso de Daniel podia mudá-la completamente. - Você estava brincando com a sua tia e  Anne? - Dan ficava tão fofo quando tentava falar, ele olhava atentamente para a mãe com os enormes olhos verdes brilhando. As bochechas coradas e os cabelos castanhos. Oh Deus! Os cabelos dele estavam grandes, caiam pela testa e começavam a cobrir a orelha em fios lisos e castanhos. Ele era a combinação exata do pai e da mãe.
   - Vocês não vão brigar com ela, vão? - Perguntou Joe apreensivo olhando para Denise e para Dianna. Demi estava envolvida com Dan e nem iria prestar atenção na conversa deles.
   - Brigar não. - Disse Dianna olhando para a filha. - Vocês podiam ser mais responsáveis. E se alguém os filmasse? - Joe engoliu seco, estava tão afoito para transar com ela que nem pensou nas consequências.
   - A culpa foi minha. Mas eu só quero que vocês não briguem com a Demi, ela já está constrangida demais. - Coçou a nuca sorrindo amarelo.
   - Tudo bem Dianna. Eles são jovens e estão com os hormônios a mil. - Denise curvou-se para beijar a testa de Joe e abraça-lo. - Não é só porque você está casado e tem um filho que vai deixar de levar broncas. - Joe revirou os olhos. - Nada de sexo em locais abertos mocinho. - Joe corou bruscamente quando Kevin e Nick gargalharam. - Isto serve para vocês dois também. - Joe sorriu amarelo e caminhou em direção a Demi e Dan.
   - "Papa" - O pequeno sorriu. Aquele sorriso mais inocente que ele um dia vira. Abraçou Demi por trás e beijou a bochecha do bebê. - "Papa". - Tornou a dizer rindo.
   - Papai está aqui. - Joe riu quando Dan começou a fazer aquele barulho de hélice de helicóptero com a boca que ele tinha o ensinado. - Ele está animado. - Comentou observando o pequeno brincar com os dedos da mãe tentando tirar a aliança.
   - E faminto. - Sorriu para o bebê. - Está tudo bem? - Demi encolheu os dedos para que Dan não pegasse a aliança, ele iria leva-la para boca e tudo que ela menos queria agora era mais um problema.
   - Conversei com minha mãe e a sua. Só levei uma pequena bronca, mas está tudo bem. - Sorriu para ela.
   - Nós podemos dormir? Eu estou cansada. - Demi aquietou Dan nos braços o aninhando como fazia quando ele era bem pequeno, mas ele era tão ativo que pensara que ela estava brincando e tentava erguer-se. - Daniel! Fica quieto. - Disse enquanto arrumava os cabelos dele. Como Dan era inquieto, os cabelos dele viviam desarrumados.
   - Pode ir para o quarto, vou procurar um remédio de dor de cabeça para nós dois. - Joe curvou-se e roçou os lábios aos dela. Demi agradeceu a Deus por finalmente estar livre daquela confusão, tudo que mais queria era cair na cama e dormir por horas e mais horas.
   - Demi! - Miley a chamou antes que a amiga entrasse no quarto. - O que a sua cria tem? - Franziu o cenho ao ver Dan tentar se soltar dos braços de Demi para ficar de pé.
   - Ele quer mamar e está louco para tentar ficar de pé. - Dan levava a sério a história de querer andar aos nove meses, ele era inquieto demais. Tinha muita energia para gastar e queria aprender andar logo para começar a correr pelos corredores da casa atrás daquela coisa peluda que pegara seu patinho, queria andar para procurar a mãe quando ela sumia ou quando ficava até tarde da noite tocando aquela coisa grande que ele não sabia o nome, mas que gostava do som. Era revoltante. Ele queria andar para aprender a chutar aquela coisa redonda que o pai sempre tocava com o pé e vinha para nos pés dele.
   - Ele é hiperativo? - Perguntou enquanto acariciava os cabelos macios do bebê.
   - Não, é só inquieto mesmo. - Demi o pôs em pé no colo e deu-lhes um leve tapa na bunda. - Não é bebê? - Dan deitou a cabeça no ombro da mãe e ficou a fitar os olhos azuis de Miley.
   - Positivo, deu positivo. - Sussurrou sorrindo timidamente. Demi abraçou-a calorosamente, estava tão feliz por Miley e Nick.
   - Parabéns! - Disse toda sorridente. - É a melhor coisa do mundo. - Demi sorriu para Miley e logo para Dan que a olhava sem entender nada. Aquele pequeno era simplesmente a melhor coisa que tinha acontecido em toda sua vida. Ele tinha consigo um pedaço do seu coração.
   - Obrigado. Eu estou feliz, muito feliz. - Sorriu abobalhada. - Só não sei como vou contar para o Nick. - Suspirou frustrada.
   - Ele vai ficar feliz, Miley. Eu tenho certeza que vai. - Demi abraçou a amiga mais uma vez e Dan murmurou alguma coisa. Ele estava sendo sufocado com aquele tanto de abraços! 
   - Eu sei, amanhã conto tudo. - Disse rapidamente ao ver que Joe e Nick estavam se aproximando. - Obrigado, boa noite. - Miley beijou a bochecha de Demi e a de Dan.
   - Como está meu afilhado? - Perguntou Nick assim que se aproximou com Joe.
   - Inquieto como sempre. - Demi franziu o cenho quando Dan ergueu os bracinhos para que Joe o pegasse. Ela sabia porque Dan queria ficar com o pai. Joe iria agitá-lo pelo resto da noite e ela iria colocá-lo para dormir como um anjinho. Por isso que Dan queria ficar com Joe.
   - O que nós vamos fazer? Papai pode te ensinar a arremessar objetos. - Demi bufou irritada, Joe era mesmo sem juízo. - Ou podemos fazer guerra de bolinha de papel, mas você vai ter que aprender arremessar objetos primeiro. - Dan gargalhou e gritou animadamente. Seria uma noite longa.
   - Boa noite. - Disse Nick rindo da situação que Demi se encontrara.
   - Joseph! Nada de guerra de bolinha de papel e nem de ensiná-lo a arremessar objetos. - Disse assim que fechara a porta do quarto.
   - Por quê? Ele está tão animado. - Joe e Dan já estavam jogados na cama. Dan adorava ficar brincando daquelas coisas malucas com o pai.
   - Joe, ele é pequeno demais. - Demi sentou-se na beirada da cama e o pequeno engatinhou até ela. - O que foi meu anjo? - Demi o deitou no colo, sabia o que ele queria. - Por que você não ensina outra coisa para ele? Arremessar objetos parece perigoso. - Demi passou a mão pelos cabelos de Joe e ficou a fita-lo enquanto Dan mamava.
   - Só um pouco. Acho que ele iria gostar de ver os filhotes do Elvis. - Demi tinha certeza que Dan iria adorar. Ele gostava muito de animais e especialmente da natureza.
   - Nós podemos leva-lo amanhã cedo, o que acha? - Demi deitou-se ao lado de Joe com o bebê nos braços.
   - Por mim tudo bem. - Sorriu para ela e Dan. - Eu trouxe o remédio. - Joe mostrou a cartela com os comprimidos.
   - Trouxe água? - Demi arqueou a sobrancelha e riu quando ele franziu o cenho. - Vá buscar, é rápido. - Joe amarrou uma carranca, mas levantou-se e foi buscar a água. - O que acha de dormir hoje com a mamãe e o papai? - Perguntou para o pequeno que mamava avidamente. Ajeitou o bico do peito na boca de Dan e o pequeno tornou a sugá-la com força. Dan cobria o mamilo com a boca e segurava o seio com a mão. Às vezes ele dormia mamando, mas não soltava o peito. Mas ele costumava mamar olhando para os olhos de Demi, ele sempre parava a mamada para sorrir para ela ainda com o bico do peito na boca. Dan era tão sorridente, era como se ele fosse o bebê mais feliz da face da terra.
   - Demorei? - Joe adentrou o quarto com certa dificuldade, carregava dois copos d'água.
   - Não. - Demi mordeu-lhes o lábio inferior assim que ele curvou-se para beija-la. - O que acha de Dan dormir aqui com a gente? - Roçou os lábios aos dele por uma última vez e Joe sentou-se ao seu lado.
   - Se ele não roncar igual a mãe, por mim tudo bem. - Disse rindo.
   - Eu não ronco! - Deu-lhes um tapa.
   - Estou brincando, claro que pode. - Joe sorriu para o bebê. Praticamente uma hora depois, tinham tomado banho os três juntos e se trocado. Foi mais divertido do que mais cedo. Dan parecia se divertir muito, ele sorria a cada gargalhada de Demi e as caretas de Joe.
   - Dan, nada de colocar o dedo do pé na boca. - Ele sempre fazia aquilo. Sempre. Dan e Joe estavam na cama a espera de Demi. - É hora de dormir meu amor. - Demi o pegou no colo e deitou-se ao lado de Joe.
   - Boa noite meu amor. - Joe curvou-se e beijou a testa de Dan carinhosamente. Conforme Demi brincava com os cabelos do bebê, ele fechava os olhos começara a dormir serenamente nos braços dela.
   - Onde ele vai ficar? - Sussurrou para não acordá-lo.
   - No meio. - Demi o deitou cuidadosamente na cama e o cobriu com a coberta de ursinhos. - Mamãe te ama. - Sussurrou depois de depositar um beijo carinhoso na testa de Dan.
   - Demi, vem cá. - Joe era tão manhoso. Demi sorriu e engatinhou até ele no outro lado da cama.
   - O que foi? - Perguntou depois de um certo tempo que se fitavam. Joe tinha uma pequeno sorriso nos lábios e a abraçava possessivamente contra ele.
   - Eu te amo, ok? - Demi não precisava dizer nada, ele sabia que ela o amava. Selou os lábios aos dela em um beijo carinhoso. Era tão bom poder ficar com ela. - Está tudo bem? - Perguntou acariciando os cabelos dela.
   - Acho que está. Eu só preciso descansar. - Demi aninhou-se ao peito de Joe e ficou a brincar com os pelos do peito.
   - Desculpe pelo que aconteceu no jantar, eu não deveria perder o controle como perdi. - Joe gemeu baixinho quando Demi tocou o local machucado. Sentia-se culpado, se ele tivesse a escutado não teriam passado por aquele constrangimento.
   - Eu não quero que você faça mais o que fez, certo? Eu odeio violência. - Demi fitou os olhos dele e franziu o cenho. - Me prometa Joseph! - Por Deus! Ela não queria nem pensar no que poderia acontecer se Miley não estivesse ali.
   - Prometo. - Suspirou cansado. Demi voltou a deitar no peito dele apenas sentindo o carinho nos cabelos.
   - Eu quero ir para casa. - Ergueu-se para fitá-lo. - Vamos para casa Joe. - Droga! Ela ameaçava a chorar como Dan fazia quando queria uma coisa que não podia ter.
   - Demi.. - Joe respirou fundo e deitou-a de lado. - É melhor você descansar, foi um dia muito cansativo. - Sim, fora bem cansativo. Mas ela só queria ir para casa.
   - Eu quero ir para casa! Lá nos vamos estar longe de confusões, e não vai ter ninguém querendo nos separar. - Joe sentiu o coração partir quando a primeira lágrima escorreu pelo rosto de Demi. - Eu estou com vergonha. Nem sei como olhar para sua mãe, e tenho medo de onde isto tudo pode chegar. - Sentia-se mal. Se pudesse ficaria o dia todo trancada dentro do quarto longe de todos.
   - Eu também estou com vergonha. Mas tenho certeza que tudo vai ficar bem. - O bom de estar com Demi, era que ele podia ser ele mesmo. - Você confia em mim? - Perguntou acariciando o rosto dela, e Demi assentiu. 
   - Confio. - Sussurrou o abraçando.
   - Vamos tentar ficar pelo menos mais um dia, se você não se sentir bem nós vamos para casa. - Joe ficara aliviado quando ela sorriu. Aquilo era bom. - Agora vá se deitar, precisamos descansar. - Demi assentiu selando os lábios aos dele. Engatinhou para o outro lado da cama e desligou o abajur depois de conferir se Dan estava bem agasalhado.
   - Boa noite. - Sussurrou embrulhando-se nas cobertas. Tudo que precisava era descansar e esquecer tudo que tinha acontecido. Eles iriam ficar bem, ela tinha certeza que tudo iria dar certo.

Continua... Oi! Como vocês estão? Eu to doente </3 Mas enfim... Espero que vocês gostem deste capítulo, ainda vai ter mais tretas... Talvez mais tarde eu posto um capítulo da mini fic se vocês comentarem aqui e lá.. Beijos! 
**Mini Fic - Capítulo 5 aqui