25.6.17

Capítulo 42


Delegacia de Nova York, 18:00PM


   - A escolha é sua. – O coldre sustentava as duas pistolas, uma no lado direito outra no lado esquerdo da silhueta do detetive. Chris buscou por uma das pistolas e a descarregou chamando a atenção de Jake. Fazia mais de uma hora que o então suspeito do assassinato  de Jason Gyllenhaal estava sendo interrogado. E até então Jake não colaborava. – Eu vou perguntar de novo. – Colocando a pistola no coldre e as balas no bolso, Chris caminhou pacientemente até que se escorou em um dos poucos objetos da sala: a mesa ficando de frente para Jake. – Quem é a mulher do vídeo? – Perguntou sustentando o rosto de Jake com uma mão já que ele estava cabisbaixo e não podia fazer muita coisa já que as algemas não deixavam.

   - O que eu ganho com isso? – Ele ousou em sustentar o olhar frio do detetive e Chris cerrou o maxilar deixando transparecer que a paciência estava acabando.

    - Você é o principal suspeito do assassinato do seu avô. Me ajude a te ajudar, a sua pena pode ser reduzida. – Jake arqueou uma sobrancelha e engoliu seco perdendo a pose. Até quando as pessoas pensariam que ele tinha assassinado Jason?

   - Eu jamais tocaria num fio de cabelo do vovô. – Ele disse horrorizado só de pensar na ideia de machucar Jason. – A Demi é o meu álibi e o meu prédio tem as filmagens daquela noite. Eu não saí do quarto para nada. – A polícia já tinha constatado aquele fato, porém existiam mais provas que ligavam Jake ao assassinato.

   - Antes de encontrar a senhorita Lovato, você estava com outra mulher num carro. O mesmo carro que as câmeras das saídas da Gyllenhaal filmaram. Quem é a mulher? – Chris perguntou curto e grosso sustentando o olhar de Jake que tombou a cabeça para trás e respirou fundo.

   - Eu quero um acordo. Te dou um nome em troca da minha liberdade. – Jake sentiu as mãos suarem e o rosto empalidecer quando Chris o olhou detalhadamente enquanto carregava a pistola.

   - Nós toleramos assassinos, ladrões, trapaceiros e outros do gênero. – Começou a dizer limpando a pistola no pano da camisa azul clara. – O que você filmou é nojento e doente. – Chris adentrou o cabelo com as mãos e coçou a barba antes de olhar para Jake. – Lá fora não tem espaço para doentes sexuais. Jamais vou deixar um maníaco em liberdade. Você filmou mulheres inocentes e as expos. Eu vou perguntar de novo. Qual o nome da mulher! – A voz de Chris soou alta e cheia de raiva. Porém Jake não fez nada além de sorrir debochado e quando o detetive partiria para cima dele, a porta da sala foi aberta bruscamente por mais policiais que assistiam ao  interrogatório.

   - Já chega por hoje, Pine. – A tensão entre os dois era quase que papável. Chris sustentou o olhar de Jake por mais alguns segundos antes de empurrar o colega e sair da sala às pressas.

***


   - O que você está fazendo? – Joe aproveitou que o carro estava parado no sinal vermelho para olhar para Demi. Ela estava envolvida demais com o celular e consequentemente estava calada, o que era muito estranho.

   - Conversando com a Sel. – Disse lançando um rápido olhar para o namorado para que pudesse voltar a digitar furiosamente uma mensagem para Selena. – O que foi? – Perguntou segundos mais tarde quando Joe deu partida no carro.

   - Eu não sei como chegar à pizzaria do André. – Joe sentiu a mão de Demi em sua coxa e ele mordeu o lábio inferior quando ela o arranhou ali, mas como ele estava de calças jeans, não tinha o machucado. – E eu tenho que abastecer o carro, você conhece algum posto por aqui? – Perguntou mais focado no carinho que recebia da mão de Demi do que no trânsito.

   - Tem um pertinho da pizzaria. – Joe levou uma mão sobre a dela e enlaçou os dedos, o que fez Demi rir.

   - Você não estava conversando com a Selena? – Joe a olhou, mas logo voltou atenção para o trânsito. Demi estava bonita demais e ele dirigindo o carro de Ed, o que não era uma combinação muito boa.

   - Ela foi tomar banho, e como sempre, vai chegar atrasada. – Demi sorriu quando desenlaçou os dedos dos dele e o acariciou na coxa como queria guiando as cariciais pra lá... Ela só gostava de ver como Joe ficava excitado e sem jeito, e era justo já que ela estava a um passo de atacá-lo. Ele estava tão bonito vestido com camisa polo preta, a calça jeans também escura assim como as botas. O cabelo estava arrepiado e Joe tinha decidido não usar os óculos de grau para terminar de matá-la de tesão.

   - Dem. – A voz dele soou rouca e baixa, Joe respirou fundo e levou a mão para junto da dela impedindo que ela continuasse o apertando como fazia. – Amor, não é uma boa ideia. – Ele parou o carro poucos minutos depois quando encontrou um sinal vermelho, e durante todo o tempo a mão de Demi ainda estava lá junto a dele.

   - Só me dá um beijo. – Pediu e Joe se curvou para beijá-la na boca no mesmo instante.

   - Ainda temos o resto da noite para namorar. – Ele disse nos lábios dela os beijando logo em seguida. – Quando nós chegarmos em casa prometo que vou te fazer gozar muito. – O coração de Demi quase saiu pela boca e as bochechas coraram bruscamente. E não era porque ela estava com vergonha, jamais! Ouvir aquelas palavras da boca de Joe sussurradas em seu ouvido e sentir os lábios dele num beijo quente atrás da orelha era demais! E quando ele a olhou antes de voltar a dirigir? Diabos! Os olhos dele eram lindos demais mesmo com a pouca luz no interior do carro. Ele não era tímido? Demi choramingou baixinho sentindo o sexo despertar e desejar o homem que dirigia aquele carro com todas as suas forças. Cada dia que se passava Joe a surpreendia mais na cama e fora dela. Durante o caminho ao posto de gasolina Demi preferiu ficar quieta deixando com que Joe brincasse com os seus dedos com os dele. E quando ele parou para abastecer depois de dar um beijo na bochecha dela, ele voltou para o carro com dois batons de chocolate branco que tinha comprado na lojinha de conveniência.

   - Quer ficar no carro ou esperar a Sel e o Ed? – Joe tinha acabado de estacionar o carro nas proximidades da pizzaria. Demi olhou para dentro do estabelecimento já lotado e olhou para o namorado.

   - Ficar aqui com você. – Ela sorriu e tirou o cinto de segurança para que pudesse ficar mais à vontade.

   - Então. Você está se sentindo bem? – Joe deitou a cabeça no recosto do banco e olhou para Demi. Os dedos ainda estavam enlaçados aos dela e ele gostava de olhá-la porque ela era tão bonita e apenas dele.

   - Estou. Pensei que depois de ontem o meu mundo desabaria, mas eu me sinto feliz. – Ela disse o olhando nos olhos e os dois sorriram depois da frase. – Obrigada por hoje, foi tão bom. – Joe só desviou o olhar do dela porque a ideia de ligar o rádio baixinho pareceu muito boa. E foi o que ele fez, sincronizou o rádio numa estação que tocava música e abriu as janelas do carro as deixando pela metade.

   - Nós fizemos muitas coisas hoje. – Ele disse relembrando a melhor parte do dia: o sexo de reconciliação. – E nós temos que brigar mais vezes. – Demi riu e se curvou para beijá-lo na boca e na bochecha.

   - Você está ficando muito safado. – Disse o olhando nos olhos e Joe deu de ombros encostando a testa a dela.

   - Eu não tenho culpa se fazer amor com você é a melhor coisa que existe. – Ele acariciou a bochecha dela e sorriu fitando os lábios bonitos da namorada. – Anjo, você é a melhor coisa que já me aconteceu. – Ah, ela estava pouco se importando para o batom. Os lábios se juntaram aos de Joe no beijo mais intenso que eles poderiam trocar no momento. Foi tão bom e intenso que quando eles separaram os lábios, estavam ofegando.

   - Você também Joe. – Como era manhosa, Demi deitou a cabeça no ombro de Joe dando um jeitinho de ficar o mais agarrada possível a ele. E enquanto eles curtiam aquele momento, o rádio tocava baixinho You’re Beautiful do James Blunt.

   - Essa música é tão antiga. – Joe observou Demi de olhos fechados e acariciou a bochecha dela antes de beijá-la na testa.

   - É nostálgica. – Ela sorriu lançando um rápido olhar para ele e voltou a se aninhar a ele porque aquele momento estava fantástico. Ouvir aquela sequência de músicas de alguns anos atrás era como estar no colegial de novo, era como ser a adolescente apaixonada que Demi sempre foi.

Quando Selena enviou mensagem dizendo que já estava a caminho, Demi e Joe resolveram que era hora de procurar por uma mesa na pizzaria já que o lugar só ficava mais movimentando ao decorrer dos minutos. Quem os atendeu foi um garçom e a mesa que eles escolherem ficava mais recuada onde poderiam conversar sem que o barulho os atrapalhasse.

   - Amor, o Batman vai pedir a mulher gato em casamento na próxima edição. – Demi revirou os olhos e deu um leve tapa no ombro de Joe.

    - Joseph, nada de spoilers. – Murmurou manhosa e ele riu enlaçando os dedos aos dela.

   - Você acabaria sabendo de qualquer forma, está no jornal e nos sites de fofoca. – Disse tirando o anel de compromisso do dedo de Demi para analisá-lo. – O Bruce comprou um anel com diamantes para Selina. Um dia eu ainda vou comprar um para você. – Joe colocou o anel no dedo de Demi e ela o beijou na bochecha porque ele era a coisa mais fofa do mundo.

   - Não quero um anel com diamantes. – Disse enlaçando os dedos aos dele e Joe encostou a cabeça no ombro dela. – Só quero ficar com você. – Ele sorriu e a beijou na testa.

   - Eu poderia te pedir em casamento como o Bruce pediu a Selina. – Começou a dizer observando os dedos dela nos dele. – No terraço de um prédio à noite. O céu estaria limpo e estrelado, e você ficaria emocionada quando eu me agachasse e te pedisse em casamento.

   - Depois nós poderíamos fazer amor sobre as estrelas. Seria fantástico. – Concluiu e Joe assentiu imaginando cada detalhe assim como Demi. – Você estaria vestido com a fantasia do Batman? – Perguntou curiosa e Joe franziu o cenho.

   - Talvez, e você estaria vestida com a roupa da mulher gato? – Perguntou se erguendo para olhá-la nos olhos.

   - Talvez. – Os dois acabaram sorrindo e trocando um longo olhar apaixonado que terminou num beijo nenhum pouco discreto. Sorte era que as pessoas estavam envolvidas demais em suas próprias vidas para notá-los.


   - Boa noite para vocês! – O beijo que Joe e Demi trocavam se desfez porque os dois sorriram quando ouviram a voz de Selena. Demi deu um selinho molhado nos lábios do namorado antes de abrir os olhos e se levantar ansiosa para abraçar Selena. E quando ela o fez, até mesmo sentir o perfume de Sel a fez sorrir. – Eu senti a sua falta, Dem! – Disse Selena ainda envolvida no abraço apertado de Demi.

   - Eu também senti a sua falta, Sel. – Elas se olharam e tornaram a se abraçar por mais alguns segundos. – Boa noite Ed. – Demi olhou para Ed e sorriu recebendo um breve e apertado abraço do amigo, e bem, para surpresa dela, Mary também estava presente. – Oi, boa noite. – Não custava nada ter educação. Ela não estragaria o dia se estressando com nada. Demi sorriu para Mary e mesmo sem jeito, trocou um breve abraço com a amiga de Selena.

   - Eu só passei mesmo para dizer um oi. – Disse Mary arrumando a bolsinha no ombro e colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.

   - Fica com a gente. As meninas disseram que aqui tem a melhor pizza de Nova York. – Disse Joe a Mary. Tudo bem, ela não ficaria com ciúme, ficaria? Demi assentiu sem muita escolha incentivando Mary a ficar com eles. A situação entre as duas era estranha justamente por causa de Joseph e do beijo que ele tinha trocado com Mary. Aliás, eles passaram alguns dias juntos como um casal e Demi simplesmente não conseguia aceitar Mary mesmo depois de ela ter aberto o jogo entre elas. Existia um clima estranho entre as duas impedindo que uma amizade surgisse entre elas.

   - Obrigada pelo convite Joe, mas eu realmente tenho que ir. – Mary sustentou o olhar de Joe por alguns segundos e Demi a olhava atentamente esperando por qualquer gesto estranho que ela pudesse usar para convencer Selena a abrir mão daquela amizade sem sentido. – Eu só queria ter certeza que você está bem, fiquei preocupada quando soube que você passou mal. – Ah, tudo bem! Aquilo ela não poderia deixar passar. Demi trocou um breve olhar com Selena e no mesmo instante ela flagrou Ed coçando a nuca porque ele também tinha percebido.. – A Demi disse que estava tudo bem, e é isso. – Mary sorriu cabisbaixa e colocou uma mecha do cabelo liso atrás da orelha. – Tenho que ir, agora que o Jake não está mais na presidência da empresa, tudo está uma bagunça e eu tenho que resolver algumas coisas do trabalho em casa.

   - Tem certeza? – Joe olhava para Mary e ela assentiu timidamente como de costume. – Eu te acompanho. – Ele tinha feito certo? Demi se acomodou na cadeira onde estava sentada antes de Selena chegar e fingiu estar bem com o que estava acontecendo.

   - Eu não quero atrapalhar. Boa noite pessoal. – Mary apenas se aproximou de Selena para abraçá-la e sussurrar alguma coisa no ouvido dela fazendo Sel sorrir e Demi cerrar os olhos não gostando nada do que estava acontecendo.

   - Eu já volto. – Ele ainda tinha beijado a bochecha dela antes de sair às pressas atrás de Mary. Diabos, diabos e diabos! Demi desbloqueou o celular sem muita paciência. Não estrague o seu dia. A consciência a alertou e aos poucos ela respirou fundo para controlar o surto de ciúmes.

  “Vou levar a Mary em casa, é aqui perto. Estou de volta em menos de dez minutos. Amo você gatinha.” – Joseph. A mensagem de Joe a irritou tanto que Demi apenas o respondeu com um breve “Ok.”.

   - Eu não sabia o que vestir, então a Mary me ajudou a escolher alguma roupa legal. – Disse Selena e Demi a olhou por alguns segundos sem dizer nada e assentiu. Ed que observava tudo riu discretamente fingindo que estava lendo o cardápio.

   - Você não falou que estava com ela quando a gente conversou mais cedo. – Comentou Demi sem muito humor deslizando o dedo na tela inicial do celular só porque não tinha nada melhor para entretê-la.

   - Por que você é tão possessiva? – Selena não estava falando sério, o tom dela estava mais para brincadeira, mas mesmo assim Demi continuou na defensiva. – Eu estou brincando, ok? Não falei nada porque nós estávamos conversando sobre outra coisa. – Disse se sentando a cadeira de Joe para que pudesse deitar a cabeça no ombro de Demi.

   - Pensei que a Mary ficaria para comer com a gente. – Disse voltando a atenção para Selena e guardando o celular na bolsa.

   - Ela tem trabalho para fazer, então é complicado. – Ed passou para cadeira onde Selena estava sentada para que pudesse mostrar o cardápio.

   - Vamos esperar o Joe para pedir. – Comentou Selena e Demi assentiu. Ela queria tanto puxar a orelha de Joe e castigá-lo, mas no fundo a consciência pesou porque Joe estava sendo apenas um bom amigo. Deixar Mary ir para casa sozinha à noite era perigoso. E ele só iria levar Mary, não faria nada mais. Faria? Demi franziu o cenho ignorando as besteiras que começava a pensar. Joe não iria traí-la, ela confiava nele de olhos fechados!

  - Será que eles fazem pizza para diabéticos? – Perguntou Demi quebrando o silêncio. – Ainda não vi o André. – Disse depois que os amigos assentiram e ela aproveitou para olhar para a direção da qual Joe chegaria.

   - Nós o encontramos na entrada, ele disse que passaria aqui mais tarde. – Demi assentiu fitando brevemente os olhos de Ed. Ela estava começando a ficar entediada e era inevitável não pensar em besteiras envolvendo Joe e Mary. Os dez minutos passaram tão rápido, e nada de Joe. Demorou mais dez minutos para que ele surgisse no meio daquele tanto de gente e arrancasse um sorriso de Demi mesmo chateada.


   - Desculpem a demora. – Disse Joe se acomodando a mesa ao lado de Demi. – A casa da Mary é um pouquinho longe daqui. – Explicou-se e Demi assentiu. Ela não podia impedi-lo de ter amigas, era errado. – Vocês já pediram? – Perguntou enlaçando os dedos aos da namorada e se acomodando melhor a cadeira.

   - Nós estávamos esperando por você. – Disse Selena já que Demi estava calada e Ed um grude com a cabeça apoiada no ombro de Sel. – Tem ideia do que vai querer? – Perguntou Selena empurrando Ed que revirou os olhos se erguendo.

   - Alguma coisa de trigo integral com queijo branco, milho, brócolis, abobrinha e bastante cebola. – A careta de Demi o fez rir com vontade. Ele sabia que ela não era fã de cebola e não tinha nada melhor que quebrar o gelo do que provocá-la.

   - Cebola Joseph? Sério? Não vou te beijar tão cedo. – Resmungou manhosa e ele sorriu se curvando para beijar a bochecha dela. – Você me deixou sozinha, faminta e com muito frio. Não sei se você merece um beijo. – Selena estava distraída com Ed e Demi com Joe. Ela o olhou nos olhos e tentou manter a pose de chateada, mas foi impossível. Joe a beijou no queixo e em ambas as bochechas, roçou o nariz dela com o dele e fez a melhor cara de cachorrinho carente.

   - Agora eu estou com você, prometo te abraçar até você ficar quentinha e nós vamos comer a melhor pizza de abobrinha com queijo e brócolis dessa cidade. – Ela fez careta, mas o beijou o abraçando com vontade.

   - Nada de pizza de abobrinha. – Murmurou nos lábios dele e então repousou a cabeça no peito de Joe concentrando no carinho que ele fazia no braço nu dela e nas costas. – Vocês vão querer o que? – Perguntou fitando Selena que estava do mesmo jeito que ela: aninhada nos braços do namorado.

   - Calabresa. – Ed e Selena trocaram um sorriso cúmplice e Demi revirou os olhos quando eles se beijaram. – E vocês? – Ed perguntou a olhando.

   - O Joe quer pizza de abobrinha e eu a mesma que vocês. – Qual era o problema com a pizza de abobrinha? Joe deu de ombros quando Ed o olhou com uma sobrancelha arqueada.

Como o assunto era pizzas, eles conversaram sobre os tipos mais inusitados do alimento enquanto os pedidos eram preparados. Estar com Ed e Selena era muito bom e o dia estava realmente perfeito. Demi se sentia relaxada e feliz como se nada tivesse acontecido no dia passado. Ela simplesmente se sentia leve e tranquila ao lado das pessoas que amava. Já Joe, Selena e Ed compartilhavam o mesmo sentimento: alivio e gratidão por ver Demi interagir tão normalmente. Ela conseguia surpreendê-los com as coisas mais improváveis. As  pizzas ficaram prontas dentro de trinta minutos e as bochechas de Joe realmente coraram quando os amigos e a namorada riram de como a pizza de abobrinha era estranha, porém no final das contas Demi experimentou um pedaço e quando ela pediu por mais um, ele arqueou as sobrancelhas e riu junto com Ed e Selena. A noite estava sendo realmente divertida e convenhamos, a pizza de André era fantástica!

   - Nós temos que caminhar Demetria. – Disse Selena que estava ao lado de Demi. As duas estavam na mesa sozinhas já que Joe e Ed pagavam as pizzas no caixa. – Pizza é a melhor comida do mundo, e ultimamente nós estamos abusando das comidas pesadas e estamos nos esquecendo das nossas caminhadas semanais. – Demi franziu o cenho mais concentrada em fitar Joe. Ele estava envolvido conversando com Ed e André, porém estava bonito demais e chamava a atenção das mulheres.

   - Eu estou queimando as minhas calorias com o Joe. – O sorriso malicioso estava lá e ela não fazia questão de escondê-lo. – Nós amanhecemos o dia fazendo sexo e fizemos de novo à tarde depois que discutimos por causa da Rose. – Selena arregalou os olhos e logo os cerrou.

   - Vocês brigaram por causa da Rose? – Perguntou tão surpresa e Demi franziu o cenho, mas assentiu.

   - Nós discutimos. – Corrigiu porque brigar era um verbo forte demais e quem ouvisse poderia pensar outra coisa. – Tudo começou quando acordei sozinha e nua. – Ela tinha que contar aquele detalhe só para ver Selena revirando os olhos. – Eu o procurei no quarto e não o encontrei. Ele estava na sala conversando com a avó e a tia, e eu o abracei. – Demi assentiu quando Selena arqueou as sobrancelhas em surpresa. As bochechas dela ainda coravam com a lembrança. – Ele me apresentou e eu conversei um pouco com elas. A família dele é muito grande, Sel. Isso me assusta um pouco.

   - Você vai ter que se acostumar, Dem. E um dia ele vai querer que você conheça o pessoal. – Disse Selena observando Joe e Ed. Eles eram a visão do paraíso juntos.

   - Eu sei. São cinco tios e três tias. Fora os primos e primas. – Resmungou chorosa e Selena riu. Demi era comunicativa e muito simpática, porém quando se tratava da família dos namorados, bem, ela sempre ficava tensa e não sabia exatamente como se enturmar. – E tem a Rose. Nós discutimos por causa dela. – Disse e respirou fundo porque por mais que o assunto estivesse encerrado, de certa forma Rose a preocupava. – Foi ela quem contou para ele sobre os vídeos. A tia dele sabe de toda a repercussão com o Jake. O Joe disse que ela não deixará a Rose contar nada para Clara, a avó dele. Mesmo assim estou preocupada Sel, e se essa menina fizer a cabeça dele? Ele disse que sabe sobre os sentimentos dela, mas não faz nada porque os respeita. Eu estou preocupada.

   - Dem, é bom você ficar de olho, mas não discuta por conta disso. Ele disse que respeita os sentimentos dela, e isso é bom. Mostra que ele não é um idiota. Tem tantos caras por aí que aproveitariam da situação, e o Joe não. É tão fofo quando ele fala sobre a prima, da para perceber que ela é especial para ele como uma irmã. – Selena tinha razão como sempre. Demi fez careta, mas admitiu para si mesma que Sel estava certa. Joe não era um idiota, e respeitar os sentimentos de Rose era uma das maiores provas.

   - Eu só não quero que eles pensem que eu não sou boa o suficiente para ficar com o Joe. – Ela o olhou e sorriu quando ele acenou sorrindo. Ele era tão especial e bom. Joe e Ed já tinham pagado a conta e agora conversavam com André escorados no balcão principal. – E a Rose pode envenená-los, ela já me bloqueou nas redes sociais. Era o sinal que eu precisava para saber que ela não aprova o meu relacionamento com o Joe.

   - Ela está apaixonada por ele. Ela jamais aprovaria. Quando nós estamos apaixonadas, nós sempre alimentaremos a esperança de ter a pessoa que amamos independente das circunstâncias. – Selena a olhava daquele jeito que Demi conhecia muito bem. E quando ela revirou os olhos, Sel riu. Aquilo era tão ela quando adolescente. Geralmente Demi sempre estava apaixonada e quando não era correspondida, bem, ela não ficava nenhum pouco feliz com a vida amorosa do cara que gostava. – Vamos ao banheiro? Aproveitamos para puxar os meninos pela orelha. Está ficando tarde e eu não desisti da ideia da gente assistir qualquer coisa juntos. – Demi assentiu buscando pela bolsa. Estava realmente ficando tarde e consequentemente frio. A pizzaria ainda continuava como mais cedo: cheia. Passar por todas aquelas mesas e garçons foi complicado, mas no momento que elas passaram, Demi envolveu Joe com os braços o abraçando por trás já que ele estava de costas para a mesa que elas estavam sentadas.

   - Oi coisa linda. – Disse toda sorridente quando ele se virou sorrindo e a abraçou pela cintura. – Está na hora de ir para casa, não acha? – Ela levou as mãos para o cabelo da nuca dele e o puxou levemente.

   - Está tão bom aqui. – Comentou Joe antes de dar um selinho nos lábios dela. – Estou ansioso para ir para casa com você. – Ele aproveitou para sussurrar aquelas palavras quando a abraçou e Demi sorriu o olhando nos olhos.

   - Vou ao banheiro com a Sel, volto num minuto, ok? – Ela não queria soltá-lo e muito menos que ele a soltasse. Joe sempre a abraçava com firmeza e segurança, o que era tão bom. – Comporte-se. – Quando ele assentiu esboçando aquele sorriso de menino, Demi teve vontade de mordê-lo e distribuir muitos beijinhos pelo rosto de Joe, mas como eles estavam em publico, só restou a ela dar um rápido selinho nos lábios dele antes de ser praticamente arrastada por Selena em direção ao banheiro.

   - Juro que eu queria ser uma mosquinha para saber o que elas fazem juntas. – Ed bebericou o suco de laranja e olhou para André e logo para Joe. – Até no banheiro elas estão grudadas. – Complementou e André riu assentindo.

   - Desde adolescentes elas são amigas, e a amizade delas é quase um casamento. Você não vai conseguir entender, é melhor desistir. – Comentou André e Ed fez careta.

   - Elas não têm nada, Ed. – Disse Joe trocando um sorriso com André já que Ed olhava em direção ao banheiro intrigado para saber o que acontecia lá dentro com Demi e Selena.

   - Você pode resolver o problema? – Perguntou André voltando ao assunto antes de Selena e Demi aparecerem para tirar a atenção deles.

   - Eu posso olhar a rede, mas preciso de tempo. – Disse Joe. Seria uma honra ajudar André com a rede da pizzaria depois de tudo que ele e a noiva tinham feito para ajudar. – Nós podemos marcar essa semana, pode ser? – Perguntou Joe já que durante a semana ele não teria nada para fazer e passar o dia trancado no apartamento não era uma opção. Sair faria bem e ele poderia distribuir currículos.

   - Claro, amanhã à tarde estarei aqui. Você pode vir quando estiver disponível. Com licença. – André era muito requisitado pelos funcionários, mas daquela vez ele sumiu para dentro da cozinha deixando Joe e Ed a espera de Demi e Selena.

   - Elas estão demorando. – Joe revirou os olhos e resolveu checar as mensagens no celular. Além das de Laura, havia algumas de Rose que ainda insistia para que ele falasse com ela. Estava desgastante e Joe não queria discutir com a prima, por isso que preferiu não respondê-la e focar o pensamento em qualquer outra coisa.

Eram tantas pessoas naquela pizzaria. Joe olhou para algumas mesas observando discretamente e assim foi até que ele se perdeu em meio a tantos rostos e formas. Ele sentia curiosidade quando encontrava casais com seus únicos filhos porque de alguma forma a lembrança dos pais o atingia em cheio. Ao fitar as mesas mais próximas a ele, as bochechas do rapaz esquentaram bruscamente quando o olhar foi retribuído. Geralmente ele não olhava para as mulheres porque sentia muita vergonha, mas dessa vez Joe sustentou o olhar da loira de olhos azuis assim como ela sustentava o olhar dele. Será que ela estava flertando? Joe observou a outra mulher ao lado da loira olhá-lo e cochichar alguma coisa com a amiga e as duas sorriram o olhando. Diabos! Ele esboçou um pequeno sorriso de volta sem saber como continuar a olhando.

   - Joseph! – Infelizmente a voz não pertencia a Ed. Joe sentiu os pelinhos dos braços arrepiarem e quando ele olhou para o lado, engoliu em seco. – Estou atrapalhando alguma coisa? – A voz de Demi não estava alterada, na verdade estava calma demais, o que não era um sinal nada bom. Porém o olhar dela dizia tudo. Ele seriamente encrencado.

   - Demi, eu.. eu.. – Não era hora para gaguejar, mas o que ele faria? Demi o olhava séria esperando por uma resposta e o pior aconteceu.

   - Com licença, você trabalha aqui? – O clima literalmente tinha fechado! Joe quase caiu da cadeira quando a loira entrou na frente de Demi e disse aquelas palavras o olhando nos olhos. E a mulher era tão bonita que ele estava todo vermelhinho sem saber exatamente o que fazer. Por que diabos Ed não tinha comentado nada a respeito? O que ele faria agora?

   - Na.. Na.. Não. – Ele umedeceu os lábios e engoliu em seco desviando o olhar da mulher para flagrar Demi, que estava tão nervosa que as bochechas chegavam estar coradas.

   - Pra mim já deu. – Demi passou como um furacão empurrando a mulher e foi no mesmo instante que André voltou para o balcão sem entender nada do que estava acontecendo.


   - Ele é comprometido. – Ele deveria ter dito que era comprometido, não Ed. Aliás, ele não deveria nem mesmo ter retribuído o olhar sinuoso da loira. Ela deveria ter visto o anel no dedo dele, com certeza viu, porém Joe era inocente demais para flagrar aqueles detalhes. Ed tomou frente esboçando um sorriso educado e puxando Joe pela mão para longe da mulher já que ela não tomaria uma atitude e muito menos Joe. – Joseph! Você está maluco?! – O rapaz disse e Selena que estava ao lado revirou os olhos e caminhou para fora da pizzaria a procura de Demi.

   - Eu só estava olhando. – Disse Joe tão inocente e André riu e Ed levou a mão à testa.

   - Cara, você tem que aprender que quando se tem uma namorada, e principalmente quando ela está com você, as outras mulheres não existem. – Disse Ed desesperado por Joe que assentiu balançando a cabeça.

   - É melhor você ir atrás da Demi, ela está brava, e se você demorar mais, ela ficará mais brava ainda. – Disse André. Ele conhecia Demi como a palma da própria mão. E uma coisa sobre ela era certa: quando Demi ficava brava, a coisa ficava feia.


   - Demi, qual é?! – Quando saiu da pizzaria Selena a início se assustou porque não havia rastros de Demi. Ela olhou em ambos os lados da rua pensando que a amiga tinha pegado um táxi para ir embora, mas depois de analisar bem a rua, Selena avistou Demi escorada no carro de Ed já no final do quarteirão. – Ele não fez nada. – Apressou a dizer se escorando ao lado de Demi que a olhou de olhos arregalados como se o que Selena tivesse dito fosse um completo absurdo, e era.

   - Você viu o tamanho do vestido que ela estava usando? – Começou a dizer exageradamente e Selena teve que assentir. – Se eu não tivesse aparecido.. Sabe, eu estou cansada de homens! Sério! Eles só sabem nos tirar do sério o tempo todo! – Selena não disse nada e muito menos Demi. Elas ficaram caladas e quando Sel avistou Joe na entrada da pizzaria ao lado de Ed aparentemente preocupado, ela resolveu abrir o jogo com Demi.

   - Não seja injusta com ele. – Disse Sel e Demi franziu o cenho sem entender. – Nós duas sabemos que o Joe é um bom rapaz e jamais te trairia. – Demi arqueou uma sobrancelha e Selena balançou a cabeça em negação. – Você e o Chris. Não pense que eu não percebi Demetria. – Demi arregalou os olhos, abriu a boca para começar a falar, mas a fechou porque não adiantava discutir com Selena principalmente quando ela estava certa. – Confesso que também olhei para o detetive. Espero que você tenha entendido o recado. – Quando Joe se aproximou, o perfume dele a atingiu em cheio. Para não olhá-lo, Demi fitou o céu escuro estrelado e por alguns segundos permaneceu daquele jeito nem percebendo que Selena tinha caminhado até Ed e o abraçou a deixando sozinha com o namorado.

   - Desculpa. – A voz de Joe soou firme quebrando o silêncio. Ele começou a dizer sem saber se poderia se aproximar, então preferiu ficar parado a pouquíssimos metros de Demi cabisbaixo porque ele estava com vergonha. – Minha intenção não foi te desrespeitar, jamais. Eu só estava olhando as pessoas e.. – Ele corou bruscamente e arriscou olhar para Demi, que também o olhava curiosa para saber o que ele diria. – E ela olhou para mim e sorriu. Apenas sorri de volta. Não me pergunte o por que. Não vou te trocar por ela, e nem por outra mulher. Desculpa por ser idiota e um completo cafajeste insensível. Se você não quiser falar comigo ou me castigar, eu juro que vou entender. – Como não perdoá-lo? A cara de culpa dele era simplesmente a coisa mais fofa que Demi já tinha visto. Joe estava mais tímido que o normal, a voz soava baixinha e ele às vezes arriscava olhá-la com cara de cachorrinho carente, o que foi suficiente para Demi surpreendê-lo com um abraço apertado e um beijo na bochecha.

   - Você não é um cafajeste insensível. – Disse Demi o acariciando no rosto e Joe franziu o cenho não concordando com o que ela tinha dito. – Acontece, só não faça mais. – As palavras de Selena realmente fizeram efeito. Demi se sentia culpada por ter admirado Chris e até mesmo permitido que um clima surgisse. – Só não quero te perder. – Disse desfazendo do abraço para olhá-lo nos olhos e Joe assentiu roçando o nariz ao dela.

   - Eu também não quero te perder. – Ele roçou os lábios num rápido selinho e fitou os olhos da amada pensando no quão importante ela era para ele. – Estou perdoado? – Perguntou sério fitando os olhos dela.

   - Está. – Demi sorriu roubando um selinho e aproveitou para beijar o queixo de Joe gostando de sentir a barba dele pinicá-la nos lábios. – Amor, me abraça. – O pedido foi atendido com todo o carinho que Joe podia oferecer. Ele abraçou o corpo de Demi e sorriu lindamente quando a olhou nos olhos. – Você é tão bonito. – Disse puxando o cabelo dele da nuca e Joe sorriu pensando o mesmo sobre ela. – Não posso te deixar sozinho. – O momento dos dois foi quebrado quando Selena e Ed se aproximaram para pirraçá-los quando perceberam que tudo já estava bem. E a próxima parada foi a casa de Selena para que pudessem assistir a algum filme juntos.

***


Ficar sem fazer nada pela manhã era algo que Joe desconhecia, tanto era que o rapaz estava incomodado e se sentindo estranho. À noite com Demi e os amigos tinha sido divertida e acabou quando Ed os deixou em casa já tarde depois de assistirem ao filme que passava na televisão. Só deu tempo de alimentar Lucy e namorar um pouquinho. Joe adormeceu que nem tinha notado assim como Demi.

Quando amanheceu, o despertador tocou vinte minutos mais cedo que o habitual e foi uma luta para Demi acordar, e quando ela finalmente estava de pé, ela agilizou o café da manhã e saiu às pressas porque tinha que se arrumar para trabalhar.

Agora, sentado a cama, Joe não sabia o que ele poderia fazer. Quando criança ele estudava pela manhã, então no período da faculdade era necessário que ele estivesse presente em turno integral, começando da manhã até à noite. Nos dias livres ele estava acordando junto com o nascer do sol para trabalhar na fazenda com a avó e os tios. O que ele poderia fazer com a manhã livre? O apartamento estava todo organizado, Joe só levantou mesmo para arrumar a cama e depois que o fez, sentou-se nela pensando no que ele poderia fazer.

   - O que foi Lucy? – Perguntou assim que a cadelinha empurrou a porta do quarto encostada para conseguir adentrá-lo e se esfregar na perna de Joe pedindo por carinho. – Você tem alguma ideia do que a gente pode fazer? – Perguntou Joe todo carinhoso pegando Lucy no colo e a abraçando como quem abraça um ursinho de pelúcia. – Que tal se a gente caminhasse um pouquinho, o que você acha? – Ele sorriu quando Lucy latiu se apoiando nas patinhas da frente no peito dele. Ela estava crescendo, já não era mais aquele filhotinho indefeso de quase um mês atrás. – E quando nós voltarmos, você vai tomar banho. – Por algum tempo Joe brincou com Lucy deitado na cama. Era divertido ver a pequenina tentar mordê-lo e se esfregar nele toda manhosa. Então quando era mais tarde, Joe se vestiu e colocou Lucy na coleira. A pequena estava tão ansiosa para sair, que se Joe não fosse forte o suficiente, ele não teria conseguido segurá-la já que Lucy puxava a guia com bastante força em direção a porta do apartamento. Bem, a culpa não era de Lucy. Joe se sentiu culpado por não levá-la para passear todos os dias como deveria ser. – Um minuto e a gente já vai, ok? – Disse gentilmente a Lucy soltando a guia para que pudesse pegar os envelopes em frente a porta.


O coração de Joe quase parou quando ele se sentou ao sofá e abriu um por um dos envelopes. As contas tinham chegado e junto a elas uma intimação. Ele não tinha condições de pagar nenhuma delas e muito menos um advogado. O que tinha sobrado do salário passado era tão pouco que não deveria dar para comprar uma pipoca no parque. Sem contar que o aluguel do apartamento venceria dentro de uma semana. Joe levou a mão à testa, massageou o cenho e fitou a papelada novamente. O que ele iria fazer? Arrumar um novo emprego era a solução, mas o que ele precisava era de dinheiro o mais rápido possível, não de ter que esperar correr trinta dias para receber.

   - Meu Deus! – Joe tombou a cabeça para trás e cobriu o rosto com as mãos. Era muito dinheiro para quem não tinha um emprego. Na Gyllenhaal eles pagavam muito bem e como sempre, Jake estragou tudo e ainda não tinha retirado à queixa. Razão da qual a intimação estava entre os envelopes. Eram tantas coisas para resolver e parecia que tudo ficava mais complicado a cada dia. – Nós já vamos. – Lucy não tinha culpa dos problemas dele. Joe acariciou as orelhinhas dela e forçou um sorriso olhando para os olhos cor de mel da cadelinha. Ele tinha que procurar um emprego com urgência porque não queria que a pequenina passasse dificuldades.

Como fazia calor naquela manhã, Joe buscou por um boné no closet, uma garrafa com água na cozinha e saiu com Lucy. Ficar dentro de casa não resolveria nada e ele não conseguiria arrumar um emprego. O jornal que o porteiro o ofereceu chamou a atenção do rapaz enquanto ele caminhava pela calçada sem muita pressa e às vezes até parando para esperar por Lucy. Havia anúncios e uma pequena chama de esperança se reacendeu conforme Joe lia sobre as vagas de emprego.

“Almoça comigo? Eu estou sentindo a sua falta amor. Ansiosa para te dar um beijo”-Demi.

O celular tinha vibrado no bolso da bermuda e Joe sorriu enquanto lia a mensagem de Demi. Ela era a única capaz de fazê-lo sorrir naquela altura do campeonato, aliás, ela e Lucy. Caminhar com a pequenina até o Central Park não foi uma tarefa simples e exigiu muita paciência e cuidado do rapaz, principalmente quando Joe verificou se o asfalto da rua estava quente e então ele teve que pegar Lucy no colo já que ela poderia queimar as patinhas. O resultado foi uma verdadeira bagunça, a cadelinha queria caminhar e socializar com os outros cães, e até chegar ao parque foi uma confusão.

***

   - Pensei que ouvir as conversas do papai às escondidas era coisa da Amber. – Isabella quase caiu para trás quando ouviu a voz de Anna.  Ela olhou para irmã vestida de branco da cabeça aos pés e voltou a atenção para conversa do pai.
   - Pensei que você estivesse na faculdade. – Sussurrou mais focada em ouvir o que Inácio discutia com o irmão e a misteriosa mulher loira que tinha aparecido pela terceira vez naquela semana.

   - Estou quase saindo. Você sabe como a Hannah fica quando está naqueles dias... Ela não queria ir para escola, mas a convenci e agora ela está se arrumando. – Isabella assentiu e só depois de alguns segundos que ela olhou para a irmã gêmea. Elas eram parecidas, não idênticas. Anna era alguns centímetros mais alta, tinha o rosto mais cheio e bem, elas eram mais diferentes do que iguais. Enquanto Anna era delicada e apaixonada por medicina, Isabella gostava de ler e ensinar. Elas não gostavam das mesmas músicas, nem das mesmas cores, porém as diferenças não tinham sido o suficiente para desuni-las.

   - Eu odeio ter que fazer isso. – Disse Isabella puxando a irmã pelo braço em direção a sala. – Eu só queria saber o que está acontecendo com ele. – Disse se sentando ao sofá e a irmã assentiu colocando uma mexa do cabelo longo atrás da orelha. – Eu nunca vi o papai tão nervoso como ontem, e essa mulher? – Ela se acomodou ao sofá e massageou o cenho sem saber o que fazer.

   - Você acha que ele está com ela? – Anna se sentou ao lado da irmã e depois que ela tinha dito aquilo, o silêncio pesou entre elas. – Quer dizer... Ela é muito bonita e não é só porque... – Ela não precisou completar para que Isabella entendesse.

   - Vocês não estão pensando nisso, estão? – Amber era a mais sensível de todas as irmãs. E estar na puberdade não ajudava em nada. Isabella olhou para Anna e as duas fitaram as três: Amber, para depois fitar Hannah e Megan.

   - Amber. – Hannah a repreendeu e elas simplesmente ficaram caladas quando ouviram o barulho de passos e de repente Inácio, Dianna e David surgiram na sala tão surpresos quanto elas.

   - Vocês ainda não foram para escola? – Inácio não perdeu a pose. E como sempre, Anna revirou os olhos porque era ela quem era responsável de levar as irmãs para escola. – Anna? – Megan, Hannah e Amber caminharam em direção a garagem depois de se despedirem do pai e do tio com um beijo na bochecha, e então Anna fitou Dianna e depois Inácio de sobrancelha arqueada.

   - Estou indo. – Disse pegando a bolsa e os livros sobre a mesinha de centro. – Você sabe que pode nos contar qualquer coisa, não sabe papai? – Não tinha como aquilo soar mais direto. Dianna umedeceu os lábios e mordeu o lábio inferior para controlar o sorriso. Anna e Isabella eram parecidas com o pai, assim como as outras garotas, mas elas tinham muito da falecida mãe..

   - Eu sei. Não deixe as suas irmãs esperando. – Inácio beijou a testa da filha e a observou sair às pressas.

   - Eu vou cuidar da Alicia. Mais tarde nós visitamos o vovô, ele não para de perguntar por você. – Isabella beijou a bochecha do pai e sorriu para o tio e Dianna. Ela não tinha nada contra um possível novo relacionamento do pai. – Com licença. – Então os três adultos estavam sozinhos e receosos. Dianna analisou a sala com um pouco de tudo: chupeta, cadernos, livros, controle de videogames e uma série de coisas que pertencias as garotas. A cozinha estilo americana não estava um caos, porém tinha tanta comida e tudo aquilo era tão.. tão.. coisa de família. Ela jamais poderia viver num lugar daquele e só de estar ali ela se sentia estranha.

   - Posso te levar até o seu apartamento. – Sugeriu Inácio e ela assentiu ansiosa para ir embora. – Daqui a pouco eu estou de volta. – Disse a David que assentiu se apressando a voltar para o escritório para resolver alguns problemas de Dianna.

   - Seis garotas. Como você tem paciência? – Perguntou Dianna caminhando ao lado de Inácio em direção à garagem.

   - Quando você ama ter paciência é o de menos. – Disse abrindo a porta do suv preto para que Dianna pudesse adentrá-lo. – Minhas garotas são tudo o que eu tenho. – Ele disse quando adentrou o carro. – E Demetria também. – Dianna franziu o cenho enquanto colocava o cinto de segurança. Ela preferiu observar como a casa de Inácio era bonita e aconchegante enquanto ele guiava o carro para fora da garagem. Ela jamais teve condições de dar um lar, amor e carinho para Demi. E só de pensar que quando Demi soubesse a verdade sobre o pai, ela a perderia de vez, Dianna franziu o cenho e só não se permitiu derramar lágrimas porque não queria chorar na frente de Inácio e nem borrar a maquiagem.

   - Você não a conhece. – Comentou fria e fitando a rua para não fitar os olhos de Inácio.

   - Dianna, você pode se abrir comigo. – O clima pesou de tal forma quando Inácio levou a mão para sobre a de Dianna. – O que há de errado entre você e Demi? Não pense que eu não percebi. – Aos pouquinhos Dianna deu um jeito de se livrar da mão dele. Inácio estava concentrado no transito e só tinha levado a mão a dela em um gesto gentil, porém Dianna não estava acostumada com gentilezas... Não vinda de homens... – Ela é uma boa garota, e muito educada. Você fez um bom trabalho. – Disse e aquilo a atingiu em cheio. Demi praticamente se criou sozinha e com a ajuda dos Gomez..

   - Você já conversou com o advogado? – Perguntou mudando de assunto e Inácio assentiu de cenho franzido.

   - Ele estará a sua disposição quando você precisar. – Ótimo, era tudo que ela precisava ouvir já que precisaria de um bom advogado caso Jake resolvesse envolvê-la na morte do avô. – Você já falou com ela? Estou ansioso para conhecê-la e eu tenho certeza que as garotas vão adorá-la. – Aquilo não aconteceria tão cedo se dependesse de Dianna.

   - Demi está brava com algo que fiz.. – Disse sem querer entrar em muitos detalhes. Contrariar Inácio não seria nada inteligente, não quando ela precisava de dinheiro e uma boa defesa contra Jake. E se Inácio soubesse de todas as coisas que ela tinha feito Demi passar, seria um inferno! – É melhor esperar, ela não está num bom momento com o namorado. – Mentiu e Inácio a olhou com cara de poucos amigos.

   - Você não deveria deixá-la namorar sério. – Ora, ela já tinha até mesmo vendido a própria filha..

   - Pelo amor de Deus, não seja um homem das cavernas. – Resmungou. – Demi tem vinte e três anos e já é uma mulher independente. Ela nunca me ouviu e namora desde adolescente. – Disse e no fundo era verdade. Demi era cabeça dura e lutava pelo que queria passando por cima de tudo.

  - Eu ainda não acredito que você me escondeu essa garota. – Comentou Inácio parando o carro em frente ao prédio onde Dianna morava. – Você ainda não me respondeu o porquê de não ter me contado sobre a gravidez. – Anos e anos tinham se passado e desde então, foi a primeira vez que Dianna sentiu o coração bater acelerado quando ela olhou para Inácio. Quando adolescente, ele era lindo. Alto e moreno de intensos olhos marrons, inteligente e engraçado. Agora ele era um homem completo e maduro, e mesmo grisalho, continuava sexy.

   - Inácio. – Ela colocou uma mecha do cabelo loiro atrás da orelha louca para fugir daquele carro e do único homem que tinha amado em toda a vida. – Eu não tive a oportunidade.  – Disse o olhando nos olhos sem conseguir esconder a dor que sentia por tudo que tinha passado e tinha feito. – Eu estava apenas visitando a chácara. E você caiu de paraquedas na minha vida, nós passamos semanas namorando e quando eu descobri que estava grávida, no dia seguinte acordei com a notícia que você seria pai de gêmeos. – Disse o olhando nos olhos e Inácio engoliu em seco.

   - Eu não fiquei com você e Caroline ao mesmo tempo. – Defendeu-se. – Caroline foi apenas um caso de uma noite um mês antes de te conhecer. – Dianna assentiu e não disse mais nada porque Inácio sabia o que tinha acontecido... – Você conseguiu registrar a garota com o meu sobrenome e o usa até hoje. – Disse de sobrancelhas arqueadas e Dianna deu de ombros.

   - Minha mãe tinha muitos contatos.. Demi não podia ser registrada sem o sobrenome do pai, e nós precisávamos de um nome de peso e influencia para conseguirmos viver sozinhas e com um bebê. E o seu pai permitiu. – Eles trocaram um olhar cheio de pesares. Inácio assentiu se sentindo horrível pelo que tinha acontecido com Dianna.

   - Eu não tenho coragem de confrontá-lo. Ele está morrendo numa cama, e eu estou sentindo tanto ódio. Não quero as minhas garotas perto dele. – Ele adentrou os cabelos grisalhos com os dedos e umedeceu os lábios sem saber o que fazer. – Eu realmente sinto muito por tudo Dianna, de todo o meu coração, eu sinto muito por.. – Dianna não deixou que ele continuasse, e para isso ela roçou brevemente os lábios nos dele sentindo o coração revirar no peito.

   - Só não diga, por favor. – Disse envergonhada e Inácio assentiu a olhando com curiosidade. – Isso ainda dói e.. – Ela olhou para os lados sem saber direito o que sentir. Tinha sido há vinte três anos, mas parecia que tinha sido ontem. A dor ainda era a mesma. – Quando Demi souber sobre você, por favor, dê muito amor para ela. Ela precisa disso e eu.. Eu não vou conseguir fazê-la feliz. – Inácio assentiu e Dianna abriu a porta do carro porque as lágrimas começavam a rolar.

***


   - Não vai muito longe, mocinha. – Joe soltou Lucy da guia com o coração na mão. Eles tinham caminhado em algumas áreas do Central Park, porém Lucy ainda continuava ansiosa para correr e super animada para se enturmar com os outros cachorrinhos. – Pronta? – Perguntou acariciando as orelhinhas de Lucy antes de mostrar a ela que a guia já tinha sido tirada. E bem, Lucy correu feliz em direção aos outros cães para brincar com eles. Joe se acomodou no banquinho de madeira e tomou um gole d’água abrindo o jornal para examinar melhor as vagas de emprego. Não tinha nada na área dele, porém as vagas expostas no jornal não requeriam formação. Ele poderia trabalhar como vigilante enquanto não houvesse algo na área de TI. Aliás, era um emprego como qualquer outro e era digno. As vagas de programador também pareciam interessantes. Joe buscou pelo celular no bolso da bermuda e fez notas das vagas que o interessava.

   - Joga a bola! – Foi impossível não se lembrar do primeiro beijo com Demi. Tinha sido no Central Park e o acertaram com uma bola, a única coisa que mudava era que a bola tinha parado nos pés dele.

   - Ei cara, foi mal. – Joe assentiu chutando a bola para o rapaz sem camisa. – Você quer jogar? Nós estamos precisando de um substituto já que o Mike está machucado. – O que ele diria? Joe fitou Lucy brincando e depois fitou os olhos do rapaz que tinha o mesmo porte físico que ele. – Augusto. – Apresentou-se estendendo a mão e Joe a apertou um pouco tímido. – E aí? Você vai jogar? – Perguntou. Por que não? Pensou Joe.

   - Joseph. – Ele tinha apenas assentido balançando a cabeça. Jogar um pouco não faria mal a ninguém. Joe acompanhou Augusto em direção ao grupo de rapazes e ele cumprimentou cada um deles com um toque de mãos. Eram no total sete e Joe se sentiu deslocado e envergonhado quando eles dividiram os grupos e ele ficou com os sem camisa.

   - Você pode deixar o celular com as meninas. – Rick, o loiro disse e Joe assentiu sem saber exatamente o que fazer, mas ele se aproximou das três garotas sentadas sobre a grama. O pessoal parecia ser legal e jogar com o celular no bolso não resultaria em nada bom.

   - Você é? – A moça parecia um tanto familiar, Joe fitou aqueles olhos castanhos e franziu o cenho.

   - Joseph. – Ele sorriu educado entregando os pertences a moça mesmo sem jeito.

   - Prazer, Hannah. – Joe a olhou com curiosidade, e assentiu envergonhado. – Luana e Sara. – Hannah apresentou as amigas e Joe não soube fazer nada além de sorrir envergonhado.

   - É, vocês podem olhar minha cadelinha? Ela está brincando e eu não queria perdê-la de vista. – Disse e as garotas assentiriam. Joe chamou por Lucy e ela veio correndo animada, tomou um pouco de água e só voltou para brincar quando Joe a liberou.


***

   - O que foi? – Selena tirou o blazer o colocando na cabeceira da cadeira e se acomodou ao lado de Demi, que estava inquieta toda hora olhando para trás e checando o celular.

   - O Joe. Nós combinamos de almoçar juntos e ele ainda não chegou. – Disse olhando para trás e quando Ed puxou a cadeira ficando em frente a ela, Demi o olhou com a esperança que fosse Joe. – Você tem notícias do Joe? – Perguntou para Ed. – Já liguei e mandei mensagens para ele e nada, estou ficando preocupada.

   - Também já liguei, ele não atende. – Disse o rapaz e Demi quase passou mal por pensar que alguma coisa de ruim tivesse acontecido a Joe.

   - Meu Deus! E se ele desmaiou no apartamento? Estou preocupada. – Disse Demi prestes a ter um ataque e Selena pediu que o garçom trouxesse um copo com água.

   - Dem, calma, ok? Vai ver que o celular dele descarregou. Acontece. – Disse Selena e Ed assentiu, mas no fundo ele também estava preocupado. Joe não era de ficar sem responder as mensagens por muito tempo e muito menos não atender as ligações.

   - Eu vou esperar por mais trinta minutos, se ele não aparecer, vou ao apartamento dele. – Disse e Selena assentiu agradecendo ao garçom pelo copo com água. – Deixei mensagem para ele passando o endereço do restaurante.

   - Ele está bem, não ficar preocupada. – Disse Ed e Demi deu um gole na água torcendo para que Joe realmente estivesse bem. Se pudesse, ela iria para casa ficar com ele. Trabalhar na Gyllenhaal naquela manhã não estava sendo fácil, bem pelo contrário, ouvir as piadinhas das colegas tinha sido horrível e por um pouco Demi perdeu a paciência, mas Selena estava lá para apoiá-la.

   - Ele só esta vinte minutos atrasado. – Resmungou Demi para si mesma. – Vamos montar os nossos pratos? Ou vocês preferem esperá-lo? – Perguntou colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.

   - Você quem sabe. – Disse Selena trocando um breve olhar com Ed.

   - Vou fazer um prato com batata frita e pedir o garçom para servir suco natural, o que vocês acham? – As duas assentiram e antes que Ed saísse para buscar o pedido, ele beijou nos lábios de Selena.

   - Você não acha que está pegando pesado demais com o Joe? – Perguntou Selena observando Demi enrolar uma mecha do cabelo no dedo indicador e depois soltá-la como se fosse a coisa mais interessante do mundo.

   - Pesado? Jura Selena? – Disse sem muita paciência. – Eu só estou preocupada. Por mais que eu tenha me certificado de fazê-lo tomar a insulina e alimentá-lo, ele realmente pode ter passado mal. A saúde dele é tão delicada que eu fico preocupada Sel, não quero perdê-lo. – Selena assentiu porque Demi estava sendo sincera.

   - Tudo bem, você está certa. – Disse Selena. – Dem, só entenda uma coisa: ele ainda é muito inocente em todos os aspectos. Não exija muito, às vezes você tem que ser mais compreensiva. Aos pouquinhos ele vai aprender. Lembre-se que relacionamentos são feitos, na maioria das vezes, à base de sacrifícios. – Mesmo sem entender exatamente o que Selena queria dizer, Demi assentiu. Ela só queria cuidar de Joe e amá-lo.

   - Você e o Ed estão bem? – Perguntou curiosa observando Ed conversar com a atendente no balcão onde pesava o prato carregado de batata frita.

   - Estamos. Pensei que as coisas seriam mais complicadas, não que não tenham sido, mas nós estamos bem. Eu, ele e as crianças. – Disse apaixonada observando o namorado caminhar na direção da mesa. E quando Ed flagrou o olhar dela, Selena sorriu lindamente para ele assim como ele sorriu para ela.

   - Estou feliz por vocês. – Demi beijou a bochecha de Selena e mordeu o lábio inferior para conter um sorriso e abaixou a cabeça quando Ed colocou o prato sobre a mesa e se curvou para trocar um beijo terno e inofensivo com Selena. Enquanto isso Demi aproveitou para checar o celular na esperança de ter uma mensagem de Joe ou qualquer coisa que o envolvia, mas não tinha nada.

   - Obrigado. – A voz de Ed agradecendo o garçom tirou Demi do transe e por minutos ela relaxou comendo fritas e tomando suco de laranja. A conversa fluiu e foi tão divertida. Demi até tinha esquecido que Joe estava super atrasado.

***

   - Ela tem quanto tempo? – Perguntou Hannah. Aquela manhã tinha sido a mais divertida de todas! Joe sorriu observando Lucy na guia e depois olhou para Hannah e as garotas.

   - Eu e a minha namorada a encontramos em um beco à noite. Tem um mês que estou com ela, então eu não sei ao certo quanto tempo ela tem. Mas não passa de quatro meses. – Ele teve que se agachar para pegar Lucy no colo já que ela estava cansada. Os dois tinham tido uma manhã agitada e estavam cansados, porém Joe sabia que era melhor carregar Lucy a deixá-la caminhar até o apartamento.

   - Ela está uma gracinha e gordinha. – Joe assentiu rindo. Lucy estava realmente muito bonitinha e ele não negava que tinha ciúmes da cadelinha. – Droga! São quantas horas Augusto? – Hannah abraçou o namorado de lado e sorriu entre o selinho que recebeu de Augusto.

   - Duas horas. – Disse o rapaz e Hannah arregalou os olhos.

   - Eu tenho que ir, se eu não estiver na escola quando a Anna voltar, o meu pai vai me matar! – Inácio era um bom pai, mas sempre quando se tratava dos namorados das filhas, bem, não resultava em coisa boa.

   - Eu posso falar com sua irmã. – Disse Augusto, porém Hannah negou balançando a cabeça enquanto buscava na bolsa os pertences dos amigos.

   - Anna vai me matar se souber que matei aula, e eu já tenho que pagar vinte dólares para Amber e para Megan em troca do silêncio delas. – Disse entregando os pertences de Joe para depois os das amigas. – A gente se vê, ok? – Joe franziu o cenho observando Hannah trocar um breve beijo com Augusto. Ela parecia familiar, tão familiar que o deixava intrigado. Ele só desviou o olhar do casal quando sentiu o celular vibrando.

“Joseph! Onde você está? Eu estou preocupada!” – Demi.

Mil vezes droga! A mensagem era de uma hora e meia atrás e não havia só aquela. Ed e Selena também tinham enviado mensagem a procura dele. E havia mensagens de Laura. Ele optou por responder Demi primeiro para depois responder as outras mensagens enquanto caminhava com o pessoal.

   - Eu viro aqui. Moro perto do Rockefeller. – Disse a Augusto e os outros rapazes.

   - Aparece no parque mais vezes, nós costumamos jogar toda manhã. – Disse Augusto e Joe assentiu trocando um toque de mãos com ele. – Não se esqueça de enviar o currículo, conheço um lugar que pode te contratar. – Joe assentiu sem saber como se despedia das meninas, mas ele acabou recebendo beijos na bochecha e não foi tão ruim.

   - Isso! Não esqueça o currículo, meu pai pode arrumar um emprego para você na empresa dele. – Disse Hannah apressada para voltar para escola e Joe assentiu. – A gente se vê! – Ela despediu dos amigos e antes de sair correndo deu um rápido beijo na bochecha de Joe.

   - Até mais Joe! – Joe sorriu um pouco envergonhado, mas acenou virando a rua na esquina que o levaria para o prédio em que morava. Tinha sido muito divertido jogar com o pessoal e até mesmo conversar com as garotas, tão divertido que ele tinha perdido a hora e Demi o mataria!

Ela realmente ficaria muito brava. O rapaz resmungou baixinho sem saber o que diria para namorada. Bem, ele contaria a verdade e torceria para que Demi não resolvesse partir para cima dele. Joe só não esperava que ela estivesse no lado de fora do prédio o esperando.

   - Joseph! – Ele mal tinha chegado à entrada do prédio e Demi correu para abraçá-lo. – Onde você estava? Eu estava preocupada! – Disse o olhando nos olhos e Joe sentiu as bochechas corarem quando o porteiro do prédio avisou ao pessoal da segurança que ele estava bem.

   - Fui levar a Lucy para caminhar. – Disse a Demi a olhando nos olhos e então ele engoliu em seco quando ela se afastou já que ele estava todo suado, porém mesmo assim Demi enlaçou os braços na cintura dele e olhou para cima para fitar-lhe os olhos. – Desculpa princesa. – Apressou-se em dizer porque, de fato, ele se sentia muito culpado. – Eu conheci um pessoal e os rapazes estavam jogando, eles me convidaram para jogar com eles e eu perdi a hora. – Disse envergonhado e Demi franziu o cenho, mas assentiu o abraçando. – Dem, eu estou muito suado.

   - Eu realmente não me importo. – Disse Demi e só restou Joe abraçá-la. – Fiquei preocupada. – Ela sorriu fitando Lucy que tinha apoiado as patinhas na perna dela pedindo por atenção. E Demi acariciou as orelhinhas da cadelinha.

   - Desculpa, sério, eu deveria ter avisado. – Ele disse fitando os olhos de Demi e em troca ganhou um selinho. – Você já almoçou, certo? E você não deveria estar na Gyllenhaal?

   - Almocei com o Ed e a Sel. – Disse Demi desfazendo do abraço para dar atenção para Lucy. – Eu estava preocupada com você, Joseph. Eu não poderia voltar para empresa sem saber se estava tudo bem. – Disse o olhando e Joe respirou fundo.

   - Eu não quero causar problemas para você. – Disse e Demi negou balançando a cabeça.

   - A Sel e o Ed estão tomando conta do departamento. – Ela o olhou e arqueou uma sobrancelha. A pele morena dele chegava estar com a cor mais viva e as bochechas estavam rosadas. – Você já almoçou? – Perguntou e quando Joe negou balançando a cabeça, Demi cerrou os olhos. Ela chegaria tarde ao trabalho, mas não deixaria aquele homem nenhum minuto a mais sem comer.

***


   - O que você tem? Você está muito calado. – Já era noite e o quarto estava iluminado apenas com a baixa luz do abajur. Na cama, Demi estava deitada ao lado de Joe e ela não aguentava mais ficar em silêncio. Eles tinham trocado alguns beijos mais cedo interrompendo o filme que assistiam, e acabaram na cama, porém apenas se deitaram.

   - Eu só estou pensando em algumas coisas. – Joe forçou um sorriso quando a olhou. Ela estava simplesmente linda! O cabelo estava solto e a cada vez que Demi se movimentava, ele ficava encantado com o movimento das mechas marrons. E a melhor parte era que ela só usava lingerie preta, o que se destacava bastante na pele alva.

   - Pensando em que? – Perguntou passando para cima dele e Joe sorriu quando ela se sentou sobre aquele local e levou as mãos aos ombros dele os massageando. – Você está tenso. – Disse se curvando para beijá-lo no pescoço e Joe umedeceu os lábios levando as mãos à cintura dela e dando uma bela olhada nos seios acomodados no sutiã rendado.

   - Gatinha.. – Ele adentrou o cabelo dela com as mãos e os puxou levemente para trás fazendo Demi tombar a cabeça dando espaço para que ele pudesse beijá-la na garganta. – Eu só estou pensando. – Disse a deitando na cama e passando por cima dela.

  - No que você está pensando? – Perguntou Demi controlando a respiração por que Joe a beijava com fome no pescoço e logo nos seios se livrando do sutiã para que pudesse tomar os mamilos nos lábios e apertá-los como ele gostava de fazer. – Jamais mate uma mulher de curiosidade, Joseph. – Disse quando ele a olhou nos olhos antes de beijá-la na boca.

   - Acho que é melhor a gente não falar sobre isso agora. – Demi não esperava por aquilo e quando Joe se curvou para continuar distribuindo beijos no pescoço dela, ela o empurrou.

   - Do que você está falando? – Perguntou séria cobrindo os seios com a coberta e Joe respirou fundo se acomodando melhor a cama.

   - Vem cá. – Ele a chamou e mesmo séria, Demi deixou que ele a guiasse para que ela deitasse a cabeça no peito dele. – Eu só não consigo parar de pensar em arrumar um emprego. – Disse e Demi respirou fundo o olhando. – Encontrei algumas vagas no jornal, amanhã vou às empresas entregar o meu currículo. – Demi assentiu deslizando os dedos pelo abdômen dele observando como Joe era bonito até mesmo ali, e os carinhos dela refletiram lá.

   - Vagas de? – Perguntou erguendo a cabeça para olhá-lo e ela sorriu quando Joe se curvou para depositar um selinho molhado nos lábios dela. – Você é a visão do paraíso, Joseph. – Demi deslizou a mão do abdômen ao peitoral gostando de como os pelos davam um ar masculino a Joe, e dali mesmo ela adentrou a bermuda que ele usava com a mão e também a cueca.

   - Demi. – Ele a chamou de cenho franzido levando a mão para sobre a dela impedindo que ela o movimentasse. – Eu não vou conseguir conversar com você, se você.. – As bochechas dele coraram e Demi gargalhou escondendo o rosto no peito dele, mas não deixou de apertá-lo.

   - Concentração, ok? Você pode falar comigo enquanto eu.. – Ela esboçou um sorriso malicioso para ele e Joe engoliu em seco deixando que ela continuasse o movimentando devagar.

   - O que você está fazendo? – A respiração de Joe estava pesada e ele não gostou nadinha de quando Demi parou de movimentá-lo para que pudesse puxar o velcro da bermuda e abaixar a cueca da forma que podia.

   - Segura minha mão. – Pediu abraçando a ereção com a mão e Joe o fez sem pensar duas vezes. – Agora conversa comigo, amor. – Por que diabos ela era tão sexy? Joe fitou os olhos marrons de Demi e depois as mãos dos dois sobre o membro dele se movimentando para baixo e para cima. Aquilo era.. quente e o coração dele estava para sair boca a fora.

   - Vagas de programador. – Murmurou de olhos fechados e Demi sorriu levando a mão livre ao abdômen dele para deslizar as pontas dos dedos nos pelinhos da região. – E vagas de segurança. – Ele franziu o cenho quando sentiu os lábios dela envolta do mamilo direito, e quando ele a olhou, Demi tinha os olhos fechados e o lambia devagar.

   - O que mais querido? – Joe negou balançando a cabeça mais concentrado nos movimentos das mãos dela do que na conversa sobre o emprego. – Joe, você é tão inocente. E eu me sinto péssima por ter muitos pensamentos pecaminosos com você. – Os olhos dele continuavam fechados e os lábios entreabertos, Demi sorriu o sentindo duro como uma pedra e o beijou no peito e se curvou para dar um beijo na cabeça do membro dele e lambê-lo da base até o topo. – Você pode fazer isso sozinho pensando em mim, ok? Prometo que vou fazer pensando em você. – Quando ele a olhou, as bochechas dela coraram tanto que o coração de Demi disparou no peito e ela parou de movimentá-lo. Era sexy provocá-lo e até mesmo divertido, porém Joe sabia revidar como ninguém. E o fato dele não ter a mínima ideia de como a excitava com toda aquela inocência, só deixava as coisas melhores.

   - Confesso que eu passo maior parte do dia pensando no seu bumbum e relembrando o dia que você ficou de quatro pra mim. Não sou tão inocente princesa. – Demi engoliu em seco e por algum tempo ela ficou de olhos fechados e choramingou baixinho sentindo o íntimo contorcer. Ele não podia fazer aquilo com ela! Era demais.

   - O que você vai fazer, Joseph? – Perguntou quando ele gentilmente afastou a mão dela que estava sobre o membro. E Joe sorriu tirando a bermuda e a cueca box.

   - Deita de bruços. – Droga! A voz dele tinha que soar rouca e sexy? Demi franziu o cenho, e como ela não iria deitar, Joe a abraçou por trás esfregando a ereção no bumbum feminino e a beijou atrás da orelha. – Deita de bruços gatinha. – Pediu e só depois de beijá-lo na boca que Demi se deitou. – Você pode me ajudar? – Ele perguntou buscando por um travesseiro livre e Demi assentiu erguendo o quadril para que Joe pudesse colocar o travesseiro e ela se deitar por cima do mesmo.

   - Joseph? – Ela gemeu manhosa sentindo as mãos dele acariciá-la desde as costas até o bumbum. – Lá não, ok? – Joe riu assim como ela e aos pouquinhos ele se deitou sobre o corpo de Demi a abraçando.

   - Um dia você deixa? – Perguntou a olhando nos olhos e Demi corou bruscamente, e assentiu de olhos fechados gostando de como as mãos dele, grandes e másculas, massageavam os ombros dela. – Eu quero tudo com você. – Disse entre o beijo que depositava na linha da coluna e então as mãos dele repousaram sobre a cintura delicada. – Você está muito ansiosa gatinha. – Ele tinha adentrado a calcinha dela com a mão e sorriu embrenhando os dedos no íntimo o sentindo quente e molhado.

   - Você está me torturando. – Reclamou quando sentiu o membro roçar o bumbum e as mãos de Joe apertá-la na cintura. – Eu preciso de você, agora. – Pediu arqueando o quadril para cima e Joe mordeu o lábio inferior porque o coração dele estava a ponto de parar.

Como tinha que se livrar da calcinha, ele a puxou e a deslizou com toda paciência do mundo só para ver Demi se contorcer e resmungar palavras que ele não entendia. E bem, ele também aproveitou para beijá-la no bumbum e apertar as coxas como gostava, até que a calcinha estava jogada num lugar qualquer do quarto.

   - O que você quer Demi? – Ele perguntou porque tinha a penetrado apenas uma vez e foi o suficiente para Demi arquear o corpo contra o dele e gemer muito alto.

   - Eu quero você – Disse de olhos fechados o sentindo invadi-la em todos os sentidos. E quando Joe se moveu mais uma vez se deitando sobre ela, foi simplesmente inevitável não gemer alto o chamando.

   - O que você quer gatinha? – O beijo que ela ganhou atrás da orelha foi quente e causou arrepios no corpo todo. – Levanta dos braços princesa – Demi não entendeu bem o que ele quis dizer, então deixou que Joe a guiasse. Ele a ajudou dobrar o braço e a se acomodar melhor na posição que estava. E em todo o processo ela sentia o membro ereto roçar o bumbum. – Vamos, o que você quer gatinha? – Sussurrou no ouvido dela aproveitando para segurar os seios com as mãos já que Demi estava como ele queria: com as mãos acima da cabeça, o que o permitia acariciá-la.

   - Eu quero você amor. - Choramingou porque ela mal tinha terminado a frase e ele já estava lá a preenchendo.

Dominá-la era tão bom que Joe a torturou por longos minutos perguntando o que ela queria e a penetrando uma vez por resposta, porém chegou um ponto em que nem ele aguentou. Joe só abraçou o corpo de Demi de forma que ele conseguia segurar os seios e a penetrou incansavelmente até que o orgasmo veio para devastá-los.

   - Tudo bem com você? - Joe se deitou ao lado de Demi porque era um pecado ficar deitado sobre o corpo delicado dela. - Ei, tudo bem amor? - Perguntou se aproximando e Demi sorriu de olhos fechados.

   - Na próxima vez, dê tapas no meu bumbum. – Disse sapeca se agarrando a ele  e Joe riu mesmo corado. – Eu te amo Joe. – Demi disse o olhando nos olhos e com toda a sinceridade e paixão.

   - Eu também te amo, muito! – Não tinha coisa melhor que fazer amor e ficar agarrado a Demi debaixo da coberta. Ele gostava tanto de sentir os seios dela roçando o peito dele, e ela gostava de como Joe era protetor e a abraçava pela cintura.

   - Então quer dizer que você pensa no meu bumbum? - Demi sorriu quando ele assentiu a beijando na bochecha. – Eu poderia passar minha vida toda na cama com você. – Disse manhosa deitando a cabeça no peito dele e o abraçando pela cintura.

   - Eu também, seria fantástico. – Joe beijou a testa de Demi e apenas a abraçou descansando por algum tempo.

   - Eu estou faminta amor.  – Resmungou fazendo biquinho quando o olhou e Joe sorriu acariciando a bochecha esquerda dela.

   - Vamos fazer assim, eu vou a cozinha preparar o melhor lanche da madrugada pra gente, e você vai ficar aqui descansando para o segundo round. – Demi gargalhou, mas não negou. Ela o abraçou pelo pescoço quando Joe passou para cima dela para distribuir beijinhos no pescoço e no colo.

   - Eu já disse que te amo hoje? – Perguntou sorridente bagunçando o cabelo dele e encantada com a beleza de Joe. O cabelo dele estava engraçado porque os fios  escuros lisos e grossos estavam despenteados apontando para todos os lados. A barba não estava cheia, era uma série de fios grossos e marrons que deixava Joe ainda mais sexy. E os olhos verdes? Mostravam como Joe estava feliz  e eram simplesmente lindos!

   - Já, mas você pode dizer de novo e de novo. – Ela sorriu e distribuiu muitos beijinhos pelo rosto dele.

   - Te amo, te amo e te amo muito coisa fofa! – Joe sorriu tímido e roçou o nariz ao dela antes de beijá-la apaixonado.

   - Eu também. – Disse a olhando nos olhos e Demi sorriu o abraçando. – Prometo não demorar, ok? – Ele roçou o nariz ao dela várias vezes e por fim beijou o queixo de Demi tomando coragem para deixar a cama. – Tem preferência? – Perguntou se levando e buscando pela cueca.

   - Me surpreenda. – Ela sorriu sapeca se cobrindo com a coberta e Joe revirou os olhos, mas se curvou para beijá-la na boca.

   - Volto num segundo princesa. – Ele conferiu a hora no celular e antes de sair se curvou para beijá-la mais uma vez.

Demi se espreguiçou e bocejou. Ela estava cansada e literalmente faminta, porém a ideia de ficar com Joe mais uma vez a agradava tanto que Demi nem queria saber de dormir. Quando ela foi buscar o celular sobre o criado-mudo, os olhos arregalaram levemente quando ela percebeu que o celular de Joe estava desbloqueado. Será? Demi umedeceu os lábios incerta do que faria. Ela olhou para porta do quarto e concentrou-se para ouvir Joe. Ele conversava alguma coisa com Lucy e com certeza não voltaria tão cedo. O que Rose disse para ele? Demi umedeceu os lábios e engoliu em seco. Quando ela percebeu já era tarde demais! O celular dele estava em mãos e por alguns minutos Demi passou os aplicativos só para distrair enquanto ela pensava. Ela confiava em Joe e sabia que ele era fiel, porém era Rose que a deixava desconcentrada de ciúmes. Em pouquíssimos segundos ela abriu o aplicativo de mensagens e procurou pela conversa com Rose. O contato estava salvo como Ro e tinha um emoji de coração que a fez revirar os olhos com vontade. Como eram muitas mensagens, Demi copiou o máximo que conseguiu e enviou para o contato dela salvo como Gatinha e dois emojis de coração. Até mesmo as mensagens de voz estavam inclusas.

   - Demi? - No instante que Joe abriu a porta do quarto, Demi quase teve um infarto e cobriu o celular dele com a coberta o mais rápido possível. – Você está bem? Está um pouco pálida. – Perguntou preocupado e Demi assentiu balançando a cabeça. – Tem certeza? – Tornou a perguntou e foi constrangedor quando o celular dela começou a vibrar incansavelmente.

   - Tenho. – Disse se erguendo para beijá-lo. – O que foi? – Perguntou para distraí-lo e Joe a olhou.

   - Você gosta de cebolinha verde? – Perguntou e Demi fez careta. – Princesa, acho que preciso de ajuda na cozinha.

   - Vou num minuto, só preciso me vestir. – Disse um pouco sem jeito e Joe arqueou uma sobrancelha e sorriu.

   - Você está com vergonha? – Ele riu quando as bochechas dela coraram bruscamente.


   - Talvez! Eu preciso me trocar. - Resmungou manhosa e ele saiu do quarto depois de beijá-la na boca. Só deu tempo de fechar o aplicativo e Joe a chamou de novo.



Continua... E aí, o que vocês acham que vai acontecer depois que a Demi ler as mensagens da Rose? O Joe vai descobrir, é só questão de tempo até ele abrir o aplicativo e olhar a conversa com ela.. Falando no Joe, o que vocês acharam da postura dele nesse capítulo? Ele vacilou algumas vezes com a Demi.. Então. Desculpem pelo tempo que eu passei sem postar, acontece que eu estava em semana de provas e foi uma loucura! Prova no sábado, duas provas e projeto na segunda. Ficou muito embolado e tirou todo mundo do sério. Agora eu estou de férias e as coisas vão melhorar,espero! Desculpem! Espero que vocês estejam gostando da fanfic, sei que demorar para postar tira toda a graça da história e pode ser que não dá nem vontade de ler. Posso tentar postar com mais frequência, porém os capítulos não serão grandes. Tipo, esse capítulo 42, tirando a nota final, tem trinta e nove páginas no word. É muita coisa! E os outros capítulos seguem nessa mesma faixa de número de páginas. Eu só consigo fazer assim. Vou estudar uma forma de quebrar esse número para ter mais capítulos para vocês. Mas se optarem por ficar assim, tudo bem. Muitíssimo obrigada pelos comentários, respostas AQUI

6.6.17

Capítulo 41



Estava tarde, e como estava. À noite começava a ser engolida pelo sol e o frio era um fato. No interior do quarto o silêncio só era quebrado pelo sutil ruído do cooler do notebook sobre o colo de Joe. A luz do equipamento iluminava o rosto do rapaz que tinha os olhos vidrados no que ele estava trabalhando. Ah, e tinha uma linda mulher dormindo na cama tão serenamente que às vezes Joe parava o que estava fazendo para sorrir observando Demi dormir. Como alguém podia ficar tão bonito usando apenas uma camisa larga e calcinha? O cabelo dela estava levemente bagunçado tomando boa parte do travesseiro com as mechas castanhas pesadas, os lábios estavam entreabertos e a pele clara de Demi estava rosada na região das bochechas. Joe sorriu a olhando e se curvou para dar um leve beijinho na testa da amada e aproveitar para arrumar o cobertor ao corpo dela.

Quando voltou a olhar para o computador, os olhos lacrimejaram e arderam; O clarão aos poucos diminuiu restando apenas a imagem da tela do notebook quando os olhos de Joe se adaptaram novamente. Aquele deveria ser o site pornográfico que ele visitava de qual número? Joe tinha passado praticamente toda a noite desde que Demi tinha dormido trabalhando em tirar os malditos vídeos do ar. E ele estava conseguindo. Primeiro ele entrou em contato com os administradores de alguns sites solicitando a remoção do conteúdo, em alguns casos ele teve que apelar para métodos mais específicos de programação... E em outros ele ainda esperava a resposta dos sites. Mas uma coisa era certa: boa parte dos sites, pelo menos os mais populares, tinha removido os vídeos íntimos de Demi. O cansaço bateu com força e Joe sentiu as costas doeram e a mesma dor irradiar pelos braços em direção as mãos e as pernas. A cela da cadeia da delegacia não oferecia conforto e ele passou todo o tempo sentado no chão frio esperando que alguma coisa acontecesse, até que Jéssica Orlando, a noiva de André, o salvou daquele castigo. Ele estava cansado, estava, mas ainda sim a preocupação com Demi era maior. Depois da conversa no carro, ela tinha abaixado a guarda e chorado muito, chorado a ponto de o nariz ficar vermelho e ter soluços. Tinha sido de partir o coração e Joe não podia continuar sem fazer nada, era a razão de ele estar acordado dando o melhor de si para defender a namorada.

O relógio correu por mais meia-hora e Joe deixou que o cansaço o vencesse. Era quase quatro horas da manhã e dormir naquele horário acabaria com o resto do dia. Como estava no próprio apartamento já que Demi tinha decidido ficar lá com ele, Joe acendeu o abajur e desligou o notebook e o guardou na gaveta da cômoda do closet. O rapaz bocejou se espreguiçando e aproveitou que estava no closet para vestir uma camisa já que ele vestia apenas calça de moletom. Será que não era melhor vestir Demi com uma calça de moletom como a dele? Joe a observou da porta do closet e decidiu que era melhor deixá-la dormir em paz, ela merecia descansar assim como ele.

 Apagando a luz do abajur, Joe finalmente se deitou a cama sentindo o corpo todo relaxar. Deu trabalho para conseguir um pouquinho da coberta, Demi estava envolta nela e tão quente que quando Joe a abraçou por trás quando conseguiu puxar um pouquinho da coberta, ele sorriu repousando a cabeça no ombro da amada. E o cheiro dela? Era tão suave e delicioso que aos pouquinhos ele se deixou levar pelo momento e a beijou no pescoço gostando de como a pele era delicada e macia.

   - Joe? – Não, o objetivo dele não era acordá-la. Joe sorriu um pouco sem jeito quando ela se virou ainda sonolenta e o abraçou repousando a cabeça no ombro dele. – Joe? – Chamou novamente manhosa e foi impossível não sorrir adentrando o cabelo dela da nuca com as mãos para acariciá-los gentilmente.

   - O que foi princesa? – Ele disse todo carinhoso e sorridente adorando a forma como Demi se aninhava a ele e o tocava na cintura. – Desculpa se eu te acordei. – Ele disse quando passou alguns segundos e ela ainda não tinha o respondido. – Ei, você está aí? – Perguntou levando a mão para o queixo dela para ergue-lhe o rosto. E como ele já estava acostumado com o escuro, enxergar os olhos marrons dela não foi um problema. – Fala comigo. – Disse depositando um beijinho carinhoso no nariz de Demi que sorriu ainda sonolenta.

   - Obrigada por me acordar. – Ela disse devagar porque estava quase dormindo. – Eu estava tendo um sonho estranho. – Disse levando uma das mãos para o peito dele e Joe a puxou pela cintura repousando a mão ali para que pudesse compartilhar do calor dela.

   - Um pesadelo gatinha? – Perguntou pacientemente brincando com a mão na curva da cintura dela sobre a camisa e Demi franziu o cenho, mas assentiu desviando o olhar do dele.

   - Um pesadelo, amor. – Disse baixinho. – Ele estava te machucando e eu não conseguia fazer nada para te defender. Eu gritava e tentava impedi-lo, mas era como se eu não estivesse ali com vocês. – Jake a perturbava até mesmo em sono! Joe a abraçou forte e quando a olhou, ele limpou a lágrima que rolava pelo rosto de Demi. Ela estava tão assustada e com medo que dava para ver nítido nos olhos dela, e era de partir o coração.

   - Foi só um pesadelo, eu estou aqui e não vou deixar que ele faça nada contra nós. – Demi assentiu o olhando nos olhos e aos pouquinhos eles voltaram a transmitir a típica tranquilidade, paixão e carência. – Tudo bem? – Perguntou e ela o respondeu com um leve beijo na boca.

   - Tudo bem. – Ela disse o olhando nos olhos e por quase um minuto eles não ousaram em interromper aquela conexão aproveitando para trocar carinhos, Demi no peito de Joe e ele na silhueta dela. – Me beija. – Não foi um pedido. Primeiro Joe guiou a mão para o rosto dela tocando com cuidado a bochecha e depois levou o polegar até os lábios femininos os entreabrindo.  E o melhor, ele a olhava nos olhos o tempo todo mostrando como a amava. O beijo foi mais intenso do que ambos esperavam, tão intenso que quando Joe deu por si ele já estava sobre Demi a beijando com toda paixão que nutria e sendo correspondido na mesmo proporção. – Amor, me ajuda a esquecer. – Ela não precisou dizer muito para que ele entendesse. Joe se ergueu para tirar a camisa e quando ele o fez, Demi se ergueu também se preparando para tirar a camisa, mas quando ela levou as mãos à barra, o rapaz intercedeu.

   - Eu quero fazer isso. – Se eles continuassem trocando beijos intensos como aqueles, a última coisa que Joe faria era tirar a camisa de Demi. Foi simplesmente maravilhoso roçar a língua a dela e saborear dos lábios femininos. – Não quero parar de te beijar. – E ela também não queria parar de beijá-lo. Joe mal tinha concluído a frase e Demi o beijou com vontade, também puxando o cabelo dele e o abrigando entre as pernas. – Ei, você tem certeza? – A respiração estava descontrolada e então ele ofegava, as mãos estavam na cintura dela respeitosamente sobre a barra da camisa esperando que Demi desse sinal verde.

   - Tenho. – Ela disse levando as mãos para os antebraços dele os acariciando podendo sentir como ele era forte e as veias grossas eram sexy. – Eu confio em você. – Disse quando ele começou a subir a camisa fixando o olhar dos olhos verdes nos dela. – Você é a melhor coisa que me aconteceu. Acho que eu nunca te disse isso. Obrigada por me amar e por me fazer querer ser alguém melhor. Se não fosse você, eu teria desistido de tentar ser feliz. – Joe umedeceu os lábios. Os olhos estavam marejados e o coração acelerado. Ele a olhou e se curvou para beijá-la na boca simples e sem delongas.

   - Você é a melhor coisa que me aconteceu. – Disse as mesmas palavras que ela a olhando nos olhos e Demi o beijou o acariciando nas costas nuas e no cabelo da nuca. Eles ficaram grudados e trocando beijos. E quando os primeiros raios de sol começaram a adentrar a janela do quarto, os corpos se fundiram e de tão cansados que estavam, eles se moveram sem muita pressa. Trocaram mais carinhos e gemeram baixinho abraçados até que adormeceram quando já não aguentavam mais.


***

Quando adormeceu, Joe estava cansado a ponto de não perceber quando dormiu. E com Demi não tinha sido diferente, o único detalhe que mudava era que ela tinha adormecido primeiro. E de tão cansado que Joe estava, quando o despertador tocou as sete e quarenta da amanhã com um toque bastante alarmado que não parou pelos próximos dez minutos, o rapaz sentiu a cabeça pesar horrores contra o travesseiro. Ele mal conseguia abrir os olhos porque também os sentia pesados e ardendo. Por que o celular de Demi tocava tanto? Demorou um pouquinho para que ele pudesse associar que já era dia e que Demi trabalhava pela manhã.

   - Droga.. – Murmurou levando as mãos ao rosto e respirando fundo. Ele estava zonzo e queria muito voltar a dormir, mas o celular tocou de novo e ele teve que se levantar para desligar aquela coisa. O porcelanato estava tão gelado e Joe descalço, ou melhor, ele estava nu, porém exageradamente com sono para sentir vergonha. O celular de Demi estava na bolsa na poltrona do quarto e o zíper resolveu emperrar quando Joe o puxou pelo pingente do chaveiro. Podia ficar pior? Murmurando algo sem sentido, Joe tentou puxar o zíper algumas vezes, e quando ele conseguiu, as bochechas coraram porque ele estava “mexendo” na bolsa de Demi. Era errado? Ele franziu o cenho e olhou para cama encontrando a namorada dormindo pesadamente sem se importar com o celular. Era só para desligar o despertador do celular dela, não era nada demais. Depois que o fez, um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Joe quando ele se ajeitou a cama ao lado de Demi. Ela estava quentinha e nua como ele. Tinha coisa melhor que dormir com ela? Não mesmo. O rapaz abraçou a namorada por trás e colocou a cabeça perto da orelha dela aproveitando para dar um beijinho ali. Ele gostava muito de como o cabelo de Demi cheirava frutas e a pele era gostosa de beijar.

Faltava muito pouco para ele voltar a dormir feliz. E quando os olhos já estavam fechados, o celular dele tocou. Dava para ser mais azarado? Joe franziu o cenho e como ele estava frustrado, fitou o teto enquanto se controlava para não surtar. Era apenas um despertador. Foi naquela linha de pensamento que ele ergueu o braço e buscou pelo celular antes que Demi acordasse. Ela merecia descansar em paz. Ele aproveitou para cobri-la melhor com a coberta quando o celular já estava no silencioso. Eram quase oito horas da manhã e Joe resolveu que mandaria mensagem para Selena avisando que Demi não iria trabalhar. Ela não tinha dito nada a respeito, era apenas o melhor a se fazer. Mais coisa estava a caminho e eles mereciam tirar pelo menos aquele dia de descanso.

A barra de notificações estava cheia! Joe ignorou boa parte delas e abriu o aplicativo para enviar mensagem para Sel. Rose tinha deixado algumas mensagens e Derick também. O que diabos estava acontecendo?

“Foi mal Joseph, sério! Eu não fazia ideia que a Rose pegaria o meu celular para te enviar esse vídeo. Desculpa. Você sabe como ela pode ser impossível quando quer.” – Derick.

Joe não tinha pensado sobre a mensagem de Derick, porém agora fazia sentido. O rapaz jamais enviaria aquele tipo de conteúdo para qualquer pessoa. Derick era um bom rapaz, estudioso e quase tão tímido quanto Joe. Rose era a comunicava do trio, ela sempre estava à frente tentando resolver as coisas colocando os dois rapazes mais velhos no bolso.

Além das mensagens de Rose e Derick, Joe franziu o cenho quando enviou a mensagem para Selena e viu que uma de suas tias tinha deixado mensagem na noite passada.

“Boa noite Joseph. Como você está? Estamos preocupados com você. Você sabe como a mamãe fica quando o assunto é você. Ontem ela estava tão nervosa com a falta de competência do novo funcionário da fazenda que quando tocamos no seu nome na hora do lanche da tarde, ela passou mal e chorou porque você não ligou para avisar se estava tudo bem como tinha prometido fazer antes de ir embora. Entre em contato. Nós solicitamos uma torre de sinal de celular melhor para a região e os serviços melhoraram consideravelmente depois que o pessoal mandou um técnico. Você sabe os horários que a Dona Clara está disponível, ela só te ama muito, meu amor. Também estou preocupada com você, li o jornal online e as notícias estão cabeludas.. Não comentei nada com a mamãe e não deixarei que a Rose a estresse mais com perguntas sobre você. Estamos esperando a sua ligação. Boa noite querido.” – Tia Laura.

O sono que antes o atormentava tinha sumido num piscar de olhos. Joe fechou os olhos e se xingou mentalmente. Ele tinha prometido que iria ligar para Clara uma vez por semana. E só tinha ligado uma vez desde que tinha chegado à Nova York. A intenção não era preocupá-la, tudo tinha sido corrido e turbulento. Em menos de uma semana ele tinha conhecido Demi e se apaixonar por ela foi maravilhoso, porém turbulento.  A culpa também não era dela. Joe a olhou e se curvou para depositar um beijinho carinhoso na bochecha rosada. Ela tinha sido a melhor coisa que tinha acontecido na vida dele.

“Bom dia! Vou ligar para ela. Está tudo bem, não acredite nas notícias online, eles estão inventando muita coisa.” – Joseph.

“Bom dia, você pode ligar agora. Estamos na cidade e a mamãe ficaria muito feliz em falar com você. Eu sei querido. Aposto que a maioria das notícias são falsas. A sua namorada é muito bonita e eu sei que ela é especial, se não fosse, você não estaria com ela. Já amo essa garota.” – Tia Laura.

O sorriso dele foi de orelha a orelha. Ele tinha sorte por ter bons tios e tias, porém Laura era uma exceção. Ela era a tia mais próxima e quem ajudava Joe a imaginar como os falecidos pais eram. Ela simplesmente ajudava Clara a cuidar do menino e da fazenda. Ter a aprovação de alguém da família era muito bom, principalmente de alguém tão importante como Laura. Pensando nas palavras da tia, Joe se levantou e caminhou apressadamente para o closet a busca de uma camisa, cueca e shorts. Como Demi estava dormindo e a coisa mais fofa do mundo, Joe preferiu ir para sala onde poderia conversar à vontade com a avó e a tia sem atrapalhar o sono da namorada.

“Obrigado! Ela é muito especial e você vai amar conhecê-la. Vou ligar agora.” – Joseph.

“Tenho certeza que é. Faça uma chamada de vídeo. Falei para sua vó que estou falando com você e ela quer te ver.” – Tia Laura.

De repente um sorriso estava nos lábios de Joe. Ele se acomodou no sofá e preparou o celular para iniciar a chamada de vídeo. A saudade da avó era tanta. Ela era a única mãe e pai que ele conhecia, ela sempre tinha sido paciente, cuidadosa e amorosa. Ela tinha o educado e mostrado todo o mundo que ele conhecia.

   - Laura, cadê o Joseph? – Não, ele não iria chorar! Joe sorriu quando ouviu a voz da avó e a viu na tela do celular ao lado da tia segundos depois. Elas estavam na lanchonete de costume e foi tão nostálgico quando ele observou a garçonete de sempre passando logo atrás carregando uma bandeja com xícaras com café e biscoitos. Os clientes pareciam ser os mesmo e a mesa em que Laura e Clara estavam sentadas era a mesma que Joe costumava ficar.

   - Ele está aqui mamãe. – Joe sorriu quando a avó sorriu olhando para a tela do celular e depois olhou para Laura como se não acreditasse que era ele.

   - Sou eu vovó. – Ah! Ele estava emocionado e o coração parecia que iria sair pela boca. Clara era a sua mãe e seu pai, a mulher que tinha o criado com muito amor e sabedoria. De todos os dias que estava em Nova York, àquele instante que Joe viu a avó pelo celular, foi exatamente o primeiro que o fez querer voltar para o Texas. Ele se sentiu como um menino carente de atenção. A saudade era tão grande que o coração apertou.  – Eu sinto a sua falta. – Disse esboçando o seu melhor sorriso.

   - Eu também sinto a sua falta, meu anjo. – Clara tinha o dom de fazê-lo sorrir independente da situação e a forma que ela o olhava com tanta paixão e admiração às vezes deixava Joe sem graça. – Você não pode ficar esse tanto de tempo sem ligar, Joseph. Quero conversar com você todos os dias. Saber se você está tomando a insulina e seguindo as prescrições médicas. Eu fico daqui preocupada com a sua saúde, com o que você está comendo e convivendo. Está tudo bem? – Existia uma grande diferença agora. Joe tinha mudado. Ele não era mais o menino que viajou sozinho para trabalhar em Nova York. Agora ele era um homem completo e independente que sabia se virar sozinho.

   - Está.. Lucy, calma. – Ele sorriu quando Lucy veio correndo da cozinha e se espreguiçou próximo do sofá e quando já estava pronta, a pequenina pulou no colo dele e desejou um feliz bom dia com muitas lambidas. – Estou bem. Não precisa ficar preocupada, vovó! Não quero que você fique pensando bobeiras, eu estou me cuidando e prometo que vou ligar mais vezes. – Disse a avó. Ele mostrou à pequenina e sorriu para a câmera observando a reação delas. – Essa é a Lucy, a minha cadelinha. – Disse acariciando a barriguinha de Lucy que tentava mordê-lo nos dedos em forma de brincadeira. – Eu a encontrei na rua e resolvi ficar com ela. – Ele sorriu corado observando Clara. Ela nunca tinha o deixado criar o próprio cachorro porque a casa já era movimentada demais e o trabalho na fazenda era árduo.

   - Ela é um filhote. – Comentou Laura e Joe assentiu acariciando as orelhinhas da cadelinha que o lambeu no peito.

   - Eu fico feliz, ao menos você não fica o tempo todo sozinho. – Disse Clara e foi impossível não corar. – Você está se alimentando direto? E a insulina? – Era claro que ela ficaria preocupada. Joe resolveu que não contaria sobre às vezes que ele tinha parado no hospital porque só preocupada Clara e a tia. Ele explicou sobre a alimentação regulada e contou que tinha comprado uma nova caneta já que Clara disse que ele tinha esquecido a antiga no Texas.


Como a avó era preocupada e exigente, ela pediu que Joe mostrasse cada lugarzinho do apartamento para saber se o lugar era bom o suficiente para o seu menino viver. E o rapaz o fez. Ele começou pela área de serviço e riu quando a avó o repreendeu por conta da bagunça que Lucy tinha feito ali. Clara estava realmente preocupada, mas Laura sempre dava um jeito de ajudar Joe a escapar das broncas e sermões.

   - Joseph, onde estão os seus óculos? – Perguntou Clara. Joe tinha acabado de mostrar a cozinha com Lucy a sua cola, mas na verdade a pequenina estava ansiosa para o café da manhã.

   - Mãe, deixe o menino! Ele está em casa. – Joe sorriu quando Laura e Clara trocaram aquele olhar que ele conhecia muito bem. Laura era definitivamente a filha mais próxima de Clara e a única que tinha coragem de enfrentá-la.

   - Eu acabei de acordar. – Ele não queria que as duas brigassem. Quando viu que as elas assentiram, Joe sorriu envergonhado pensando em qual parte do apartamento ele mostraria. O lugar era pequeno, porém bastante confortável. A paisagem pareceu ser uma boa opção e Joe se aproximou da janela da sala que proporcionava a vista exclusiva do Central Park. – Às vezes eu caminho com a Lucy no final da tarde. – Comentou filmando o parque.

O coração de Joe quase saiu pela boca quando ele voltou a câmera para o ângulo que o capturava porque foi exatamente no mesmo instante que ele sentiu os braços de Demi envolverem a cintura e os lábios dela depositarem um beijinho nas costas. – Amor, volta para cama comigo. – Ela estava tão manhosa porque tinha acabado de acordar que a fala tinha soado embolada o suficiente para que Laura e Clara não entendessem.

   - Dem, bom dia. – As bochechas dele estavam quentes a ponto de estarem rosadas e Joe engoliu em seco quando Laura sorriu e Clara arqueou uma sobrancelha. Aquilo era definitivamente complicado. – Hum.. Dem? É.. – Ele abaixou a cabeça e piscou algumas vezes. – Vovó, tia Laura. Essa é a Demi, a minha namorada. – Ele acabou sorrindo quando abraçou Demi de lado e ela estava com tanta vergonha que não olhou para câmera. – Ei, eu estou falando com a vovó e a tia Laura. – Disse a Demi que o olhou como se pedisse desculpa por ter invadido a conversa daquele jeito.

   - Bom dia Demi. – Laura resolveu quebrar o momento constrangedor e mesmo envergonhada Demi olhou para a câmera. Deus! Ela deveria estar uma bagunça.

   - Bom dia. – A voz soou baixinha, mas foi o suficiente para ser ouvida. Demi engoliu em seco e olhou para baixo e logo voltou a olhar para câmera. – É um prazer conhecê-las. – Todo mundo da família de Joe tinha os olhos verdes? Laura era muito bonita, tinha a pele branca, cabelo escuro e lindos olhos verdes. Ela deveria ser a cara da mãe quando mais velha já que as feições eram semelhantes as de Clara, a única coisa que as diferenciava era a idade.

    - O prazer é todo nosso. – Laura sorriu e fitou Clara que analisava o casal. – A mamãe só é apegada demais com esse menino, ela também gostou de você. – Demi riu um pouco mais à vontade. Ela tinha o foco divido entre Laura e Clara, e Joseph. Ele a abraçava gentilmente de lado e ela podia ouvir o coração dele batendo absurdamente rápido.

   - É claro que eu gostei. É um prazer conhecê-la, Demi. – Joe estava tão corado e sem coragem para mover um dedo. Ele sorriu observando Laura. Era muito bom saber que a tia o apoiava, as coisas seriam menos dramáticas com Rose e toda a repercussão com o nome de Demi. E agora que Clara tinha dito aquelas palavras, Joe se sentia melhor. ­– Demi, você sabe que o Joe tem a saúde frágil, por favor, cuide bem dele. Todos os dias eu fico preocupada com esse menino, e de longe é impossível cuidar dele. – Demi sorriu assentindo, ela fitou Joe e riu de como ele estava corado.

   - Eu vou cuidar dele, prometo.Como Joe e Demi estavam tímidos, manter uma conversa foi complicado, então Laura despediu-se poucos minutos mais tarde. – Desculpa, sério. Eu não fazia ideia que você estava no celular. – Demi recostou no batente da janela para fitar a cidade já que ela estava com vergonha de Joe.

   - Não tem motivo para pedir desculpa. – Ele também estava sem jeito, mas se recostou ao batente da janela ao lado de Demi. – Eu fiquei com vergonha, com muita vergonha. – Disse chamando a atenção de Demi e eles trocaram um rápido olhar. – Não de você. Estou muito feliz que a vovó gostou da minha namorada. Ela sempre quis que eu tivesse uma. – Ele sorriu fitando Demi. O cabelo dela estava um pouco bagunçado, porém simplesmente bonito. O marrom chocolate estava mais vivo e brilhante por conta da luz do sol. – Não fiquei com vergonha de você, fiquei com vergonha porque elas sabem que nós dormimos juntos. – Joe olhou para Demi no mesmo instante que ela o olhou. Eles sorriram quando se lembraram da noite passada. – Bom dia princesa. – Ele não tinha resistido. Levou as mãos à cintura dela e a virou para que ela ficasse de frente a ele. – Você dormiu bem? – Perguntou a encostando na parede e Demi se esforçou para conseguir envolver o pescoço dele com os braços ficando na pontinha dos dedos para a boca ao menos alcançasse o queixo barbado.

   - Senti sua falta e estou com sono. – Joe sorriu a olhando e se curvou para dar um beijinho nos lábios dela.

   - Acordei quando o seu celular despertou. – Ele disse acariciando a bochecha direita de Demi com o polegar. – Quando peguei o meu celular para mandar mensagem para Selena avisando que você ficaria em casa, eu vi a mensagem da minha tia. A minha vó estava preocupada comigo e passou mal ontem porque eu não estava ligando todos os dias como prometi quando vim para Nova York. Fiquei preocupado e resolvi ligar. – Demi assentiu o beijando nos dedos.

   - Você não pode ficar sem ligar, nem que seja por cinco minutinhos, ok? – Ele assentiu se curvando para beijá-la brevemente nos lábios. – E como eu prometi, vou cuidar de você. – Ela deu um selinho nos lábios dele e sorriu fitando os olhos de Joe que fitavam os dela. Ah! Ele era tão bonito e apaixonante. – Vamos preparar o café da manhã? Você não pode ficar sem comer. – Joe assentiu mais interessado em beijá-la na boca e Demi cedeu deixando-o beijá-la e acariciá-la como ele queria. – Joe! – Chegou num momento que Demi teve que repreendê-lo porque ela mal conseguia caminhar em direção a cozinha porque Joe a abraçava por trás e não parava de beijá-la por um segundo no pescoço.

   - O que foi? – A carinha de dúvida dele era tão fofa que Demi sorriu quando ele a virou e a abraçou repousando as mãos um pouco acima do bumbum.

   - Café da manhã, agora! – Ela espalmou o peito dele e o abraçou olhando para cima. – Nada de ficar emburrado. – Disse quando ele se curvou para dar um selinho nos lábios dela.

   - Vou tomar a insulina, gatinha. – Disse e tornou a beijá-la fazendo Demi sorrir de orelha a orelha porque ele tinha roçado o nariz dela com o dele. – Já volto para a gente preparar o café da manhã. – Ele a beijou novamente, só que dessa vez foi Demi quem prolongou o beijo.

   - Vou te esperar, ok? – O beijo foi a resposta de Joe. Ele apressou o passo em direção ao quarto e Demi se acomodou no banquinho do balcão esperando pelo namorado enquanto brincava com Lucy. O dia passado tinha sido péssimo. Demi umedeceu os lábios e cobriu o rosto com as mãos quando se lembrou de tudo de uma vez só. O que aconteceria dali em diante? Joe estava desempregado, Jake suspeito de matar o avô e com problemas na delegacia por assediar as mulheres que trabalhavam na Gyllenhaal. Será que ela continuaria empregada? E os vídeos? Eram tantas coisas para processar que Demi franziu o cenho quando sentiu o toque de Joe em seu ombro esquerdo.

   - Tudo bem? – Ele perguntou a analisando e Demi não assentiu, ela forçou um sorriso porque não queria estragar o café da manhã. Joe precisava comer e descansar, ele tinha saído do hospital no dia anterior e passado um bom tempo preso. Dramatizar a situação não faria bem para ele.

   - Vamos preparar o café da manhã. – Disse tentando parecer animada, porém não funcionou. Joe cruzou os braços se escorando no balcão.

   - Você não está bem. – Pelo tom de voz dele Demi soube que Joe não deixaria aquilo passar, e ele conseguia ser muito insistente quando queria. – Você sabe que pode falar comigo. Não é sempre que vou te dar os melhores conselhos, mas eu posso te ouvir sem te julgar e te oferecer o meu ombro para você chorar. – Ela cobriu o rosto com as mãos para que ele não a visse chorando. Ele era bom, tão bom que Demi sentia que não o merecia. – Amor, o que foi? – Perguntou Joe descobrindo o rosto de Demi e quando viu todas aquelas lágrimas, ele puxou a namorada para um abraço forte. – Eu sei que as coisas estão difíceis para você, mas vai passar. Tudo vai ficar bem, olha para mim. – Pediu erguendo o rosto dela. Vê-la chorar era de machucar a alma. – Vou te proteger e te fazer muito feliz, eu prometo. – Para selar a promessa, Joe encostou os lábios dela para depositar um selinho e só afastou o rosto quando Demi selou os lábios nos dele segundos depois.

   - Eu só.. – Demi respirou fundo levando as mãos dos bíceps de Joe para o cabelo da nuca dele. – Acho que ontem eu estava em estado de choque. Agora a ficha caiu e eu sinto meu coração sangrando. – Ela deixou que as lágrimas rolassem porque o coração doeu covardemente. – Você perdeu o emprego e o Jake não vai deixar passar o que aconteceu na delegacia. E agora? Você está se prejudicando por culpa minha. Isso não é inteligente Joe. – Demi o olhou nos olhos quando disse aquelas palavras como se tentasse convencê-lo a fazer a coisa certa, mas tudo que Joe fez foi franzir o cenho e negar balançando a cabeça.

   - Emprego eu vou arrumar outro. – Ele disse sem ousar em desviar o olhar dos olhos dela. – Não importa em qual área, desde que seja digno. E eu já disse: Não vou desistir de você. Por favor, Demetria, não desista de mim. Eu não suportaria. Eu não estava exagerando quando disse que você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. – Não teve como não sorrir. Demi umedeceu os olhos quando Lucy latiu atraindo olhares. A pequenina apoiou as patinhas na perna esquerda dela e Joe a olhou todo apaixonado. – Você não é um problema, não se enxergue assim. – Disse limpando as lágrimas dela. – Você não tem culpa do que aconteceu com a sua mãe, do que aconteceu com a Selena ou comigo. Tudo que eu consigo enxergar é uma mulher linda e inteligente tentando ser feliz. E você merece ser feliz, meu anjo. – O coração dela bateu mais rápido porque as palavras tiveram poder o suficiente para impactá-la a ponto de revelar toda a dor e culpa que ela sentia. – Repita comigo: eu não sou culpada. – Demi desviou o olhar dele com tanto desespero, ela umedeceu os lábios e tentou se soltar dos braços dele. – Dem.. Não faz isso amor. – Ele a segurou gentilmente na cintura e esperou que ela se acalmasse.

   - Joe. – Ela apoiou as mãos no peito dele e aos pouquinhos tomou coragem para olhá-lo nos olhos. E como ele tinha dito, ele não a julgava, estava apenas a esperando tomar uma postura diferente daquela vulnerável. Ele tinha razão. Ela não tinha culpa das coisas ruins que tinham acontecido as pessoas que amava. Uma parte era completamente ciente, porém a outra a destruía devagar. – Eu não sou.. Eu não sou culpada. – Disse baixinho fitando o peito dele e um peso tão grande saiu dos ombros dela.

   - De novo. – Ele ergueu o rosto de Demi com a ponta dos dedos e sorriu a olhando. – De novo linda.

   - Eu não sou culpada. – Disse firme o olhando nos olhos e com certeza aquele sorriso que Joe esboçou foi o mais bonito que Demi já tinha visto.

   - Não, você não é! E agora que você sabe disso, você vai ganhar um beijo especial. – Os papeis estavam realmente invertidos. Demi corou e Joe sorriu sapeca se curvando para beijá-la com paciência e paixão.

   - Obrigada por ser tão especial. – Demi o abraçou apertado e franziu o cenho quando Joe retribuiu o abraço. – Joe! Não me esmaga. – Pediu manhosa e ele riu quando ela olhou para cima para que pudesse olhá-lo nos olhos.

   - Você vai cozinhar pra gente? Nós estamos com muita fome, certo Lucy? – A cadelinha latiu como se entendesse o que ele queria dizer. Bem, pelo menos Lucy ela entendeu e Demi sorriu quando a pequena se esfregou nas pernas dela e nas de Joe antes de ficar em pé nas patinhas traseiras. – E a gente te ama muito! – Disse por ele e por Lucy arrancando um sorriso e lágrimas de Demi. Junto eles formavam uma pequena e feliz família.

***

   - Lucy, depois. – Era a terceira vez que ele pedia, porém Lucy não obedecia. – Eu não estou brincando. – Na sala do apartamento Joe fazia flexões abdominais há pouco mais de meia hora. As forças estavam todas concentradas no exercício, e até mesmo o cenho do rapaz estava franzido e o corpo suado por conta do esforço. – Lucy, qu.. – Joe umedeceu os lábios quando Demi passou para o sofá com um potinho de iogurte em mãos. O problema era: ela vestia apenas calcinha e uma camisa dele. Se exercitar era pedir demais? E por que ele estava distraído deitado no chão olhando para o bumbum de Demi que arrumava as almofadas do sofá, Lucy lambeu o rosto dele do nariz até a boca. – Eu desisto! – Ele tinha conseguido chamar atenção das duas quando se levantou bruscamente. Lucy balançou o rabinho com a língua de fora e Demi arqueou uma sobrancelha e esboçou um sorriso porque Joe estava sexy vestido apenas com calção.

   - O que foi? – Demi lambeu a colher o olhando e riu quando as bochechas de Joe ficaram coradas.

   - Eu preciso me exercitar, estou perdendo massa. – Ele disse se sentando no sofá e Demi o olhou das coxas até o peito. Ele estava muito bem! E como estava...

   - Você está muito gostoso, como sempre. – Dessa vez ele não corou, olhou para ela da mesma forma que ela o olhou e foi sexy quando ele sorriu de lado.

   - Você também está muito gostosa. – Ele tinha piscado para ela? Demi engoliu em seco porque aquilo não se fazia! Ela estava tão sem palavras e afetada a ponto de sentir aquele calor familiar lá em baixo. – Quer tomar banho comigo? – Tinha como dizer não? O olhar dela foi diretamente para os lábios dele antes de fitar os olhos verdes penetrantes. Ela queria tomar banho e fazer muitas coisas com ele...

   - Quero. – Demi lambeu a colher do iogurte o olhando como tinha feito da primeira vez. A única diferença era que ela se demorou em cada pedacinho.. Começando pelas coxas grossas dele, logo veio o calção, o abdômen sarado e o peito coberto por uma leve camada de pelos. – Quero. – Repetiu largando o iogurte para passar para cima de Joe. – Você é tão sexy. – Disse o olhando com atenção e Joe sorriu levando as mãos à cintura dela a impedindo de se esfregar no corpo dele.

   - Demi, eu estou suado. – Ele disse com aquele ar divertido porque era interessante a forma que Demi o olhava. – E a Lucy me lambeu na boca.

   - Eu realmente não me importo. – Joe negou balançando a cabeça e antes mesmo que Demi pudesse protestar, ele se levantou com ela no colo. – Eu estou te abraçando. – Demi riu sapeca quando sentiu as mãos de Joe acariciá-la no bumbum conforme ele caminhava em direção ao quarto porque ela tinha sido obrigada a enlaçar o quadril dele com as pernas.

   - Banho bebê. – Ela sorriu de orelha a orelha descansando a cabeça no ombro dele. Não demorou nada para chegarem ao banheiro, e quando eles já estavam lá, Demi calçou os chinelos que Joe usava para tomar banho e sorriu para ele quando levou a mão à barra da camisa para tirá-la.

   - Não vai tirar a roupa? – Perguntou Demi assim que tinha tirado a camisa a jogando junto da roupa suja.

   - Depois que você tirar a calcinha. – Ele lambeu os lábios arrancando um sorriso de Demi que levou as mãos em direção aos lados da calcinha para descê-la da forma mais provocante que podia. – Isso foi excitante. – Demi sorriu quando ele sorriu ansioso fitando os seios dela para depois olhá-la nos olhos enquanto abaixava o calção junto da cueca.

   - Você está perdendo a vergonha. Eu adoro quando suas bochechas ficam rosadas. – Joe sorriu um pouco sem jeito e Demi teve vontade de mordê-lo.

   - Dem, você acha que eu ainda sou um menino? – Demi não entendeu muito bem o que ele queria dizer. Ela o guiou para o box e quando Joe ligou o chuveiro, ela buscou pelo sabão e bucha para começar a lavá-lo.

   - Um menino? – Perguntou deslizando a bucha pelo peito dele e Joe assentiu observando as mãos femininas o tocando no peito. – Você não é um menino Joe. – Disse o tocando lá embaixo e Joe sorriu sem jeito porque ela o ensaboava... – Você é um homem inteligente e muito corajoso. Às vezes você se comporta como um menino, mas faz parte amor. – Demi fez careta quando o cabelo começou a molhar, não estava nos planos lavá-lo. – Se você está me perguntando isso por causa da sua avó, amor, ela sempre vai te enxergar como um menino. Ela te viu bebê e cuidou de você. – Joe assentiu virando-se de costas para Demi ensaboá-lo ali.

   - Estou perguntando por que tenho a sensação que eles não acreditam que eu sou capaz de construir a minha vida longe do Texas. – Era aquele o ponto. Joe franziu o cenho e respirou fundo organizando os pensamentos. – Eles pensam que eu não sei como o mundo funciona, é como se eu precisasse de proteção o tempo todo. – Quando ele se virou ficando em frente a ela, Demi o olhou nos olhos com bastante atenção.

   - Não fica chateado. Eu tenho certeza que tudo que a sua avó faz é para o seu bem. Coloque-se no lugar dela. – Disse e Joe assentiu pensando nas palavras dela. – Viu? Ela é pai e mãe, ela só está garantindo que nada falte a você.

   - Eu entendo e sou muito grato por tê-la, mas.. – Demi assentiu porque ela o entendia perfeitamente. Ele queria ter o pai e mãe assim como ela, a diferença era que os pais de Joe estavam mortos.. Já os de Demi era um caso complicadíssimo. – Eu não vou contar que estou desempregado. – Disse pegando a bucha e o sabão das mãos dela para começar a ensaboá-la. – Eles vão querer que eu volte para casa, e eu não quero voltar.

   - Você pode ficar comigo. Eu sei que pode ser precipitado pra gente, mas eu adoraria ter você em casa. – Demi mordeu o lábio inferior sem coragem para olhar Joe nos olhos. Era realmente precipitado, porém era uma opção.

   - Obrigado pelo convite. – Ele passou a bucha no queixo dela para que ela o olhasse e Demi sorriu feliz. – Eu vou procurar outro emprego, o jornal deve estar cheio de anúncios. Posso trabalhar de vigia ou qualquer outra coisa. Se apertar muito, eu fico com você. – Demi assentiu sorrindo sapeca porque Joe a ensaboava nos seios e na barriga fazendo cócegas.

   - Vou te contratar para ser o meu gogo boy particular. – A cara dele foi a melhor. Demi o abraçou forte e o beijou repetidas vezes no peito. A essa altura do campeonato ela já estava uma bagunça de sabão e o cabelo estava todo molhado assim como o de Joe. – Pensando bem, você daria um bom gogo boy. É uma pena que você tem uma namorada muito ciumenta que jamais vai te compartilhar com outra mulher. – Joe sorriu descendo as mãos com o sabão e bucha pelas costas femininas até o bumbum.

   - Não precisa se preocupar com isso. – Ela tinha o beijado no mamilo e apesar de estranho, foi muito bom sentir os lábios macios envolverem aquela parte do corpo dele e os dentes mordiscá-lo levemente. – É muito complicado te ensaboar, você não fica quieta. – Ela tinha beijado o outro mamilo dele e olhado para cima. Os olhos castanhos dela eram lindos e o fato de Demi estar toda molhada grudada a ele era excitante. Joe se curvou para beijá-la aproveitando para acariciá-la da melhor forma que podia no bumbum e nos seios.

   - A gente vai acabar com toda água do mundo. – Era muito bom ser beijada debaixo do chuveiro. A água estava morna e causava uma sensação ainda melhor. – Joe, a sua família é muito bonita. – Ela comentou quando ele voltou a ensaboá-la nos ombros e atrás da nuca já que namorar ali ficaria inviável. – Todo mundo tem os olhos verdes? – Perguntou fazendo careta porque as mãos dele não estavam no corpo dela já que Joe buscava pelo vidro de xampu.

   - Não exatamente. – Ele nunca tinha parado para pensar naquela questão. E quando se lembrou da família, notou que os olhos verdes era uma característica bastante comum entre a família da mãe. – Só um dos meus tios que puxou o vovô e tem os olhos castanhos. – Ele disse forçando a memória. – Alguns primos têm olhos verdes, só a Rose que não. – As bochechas dele coraram com tanta violência e não deu para disfarçar. Demi tinha percebido e Joe umedeceu os lábios quando se lembrou de tudo que a prima tinha feito nos últimos dias. – É porque ela não é minha prima de sangue.. – Ele tornou a umedecer os lábios e colocou um pouco do xampu no cabelo de Demi.

   - Eu vi suas fotos com ela. – Disse direta e Joe assentiu concentrado em massagear o cabelo dela. – Ela é apaixonada por você? – Por que diabos ela tinha que perguntar aquilo. Joe franziu o cenho, arqueou uma sobrancelha e quando olhou para Demi, ele tinha uma senhora cara de culpado.

   - Nunca correspondi e nem dei esperanças para os sentimentos dela. – Começou a se justificar e Demi o acertou com um tapa na cintura. – Dem, você não vai ficar chateada, vai? – Ela já estava chateada. Joe a conduziu para que ela ficasse onde tinha mais foco de água para tirar o xampu do cabelo ainda sem receber a resposta que tanto esperava.

   - Acho que isso justifica o porquê dela ter me bloqueado. – Ela sabia que garotas de dezesseis anos podiam ser perigosas. Principalmente as apaixonadas.

   - Vamos com calma, ok. – Ele buscou pelo condicionador e aos pouquinhos conseguiu se aproximar de Demi sem que ela o acertasse com tapas como queria. – A Rose realmente gosta de mim, não correspondo os sentimentos dela, mas eu os respeito. – Quando viu que Demi prestava atenção no que ele dizia sem tomar qualquer atitude precipitada, Joe deixou que ela continuasse com o condicionador para que ele pudesse lavar o cabelo dele. – Quando nós postamos a nossa foto no restaurante, ela ficou muito brava e enviou muitas mensagens. Eu não quero entrar em detalhes porque eu sei que você vai ficar chateada. Só que eu quero que você entenda que a Rose não é um monstro, ela é uma boa garota e só está com o coração partido. Vocês duas são importantes para mim e eu não quero que vocês briguem porque preciso das duas.

   - O que ela disse, Joe? – Demi massageou as têmporas e como já tinha terminado o banho, buscou pela toalha e se enrolou a ela sem muita paciência. – Ela sabe sobre o Jake e as merdas que ele gravou, não sabe? Foi ela que contou para você? Por que eu tenho certeza que o Ed não foi, e a Selena estava comigo o tempo todo! Isso não vai funcionar! – De tanta pressa que estava para alcançá-la, Joe acabou deixando cair xampu nos olhos e ardeu como o inferno. Como ardeu! O rapaz fez careta quando desligou o chuveiro e se apressou para pegar uma toalha e sair do banheiro.

   - Por que você sempre diz que não vai funcionar? Não tem dois dias que nós estamos juntos de verdade e você sempre tenta encontrar alguma coisa para nos separar! – Ele tinha acabado de adentrar o closet às pressas e estava impaciente com a situação.

   - Joseph, deixa de ser inocente! Você não consegue enxergar o que vai acontecer?! – Demi se ajeitou para secar o corpo o mais rápido possível já que ela não estava de brincadeira. Rose conseguia deixá-la nervosa e sem paciência. E olha que ela nem conhecia a menina pessoalmente. – Essa garota deve estar me detonando para sua família nesse exato momento. Garotas com o coração partido são capazes de tudo!

   - Tia Laura não vai deixar que ela faça nada. – Ele murmurou um pouco mais calmo porque não queria brigar com Demi.

   - Então você concorda? – Demi arqueou uma sobrancelha e esboçou um sorriso irônico procurando pelas roupas que ela tinha no closet dele. – E o que a sua tia vai fazer para impedir a internet, os jornais, a televisão? Está em todos os lugares e eles vão me odiar!

   - Você não pode parar de pensar no que os outros vão pensar? – Ele pediu se aproximando. – É a minha vida e sou eu quem toma as minhas decisões, não me importo com o que a minha família vai pensar, eu conheço você e sei o que é verdade. Você não percebe que só me machuca quando diz que o que temos não vai funcionar? Por que você precisa da aprovação das pessoas para ser feliz? – Porque ela era carente de atenção. Joe entendeu em questão de segundos do que se tratava e Demi também. E tinha quem dizia que o amor não fazia diferença na construção de uma pessoa.

***


A escada de madeira tabaco estava polida a ponto de brilhar. E em cada um dos oito degraus tinha uma garota. Todas elas tinham uma característica semelhante: pele clara com sardinhas na região do nariz acima das bochechas, algumas delas tinham o cabelo liso e outras ondulado, porém a cor era a mesma, pelo menos das seis irmãs já que as outras duas eram primas, o cabelo era marrom chocolate assim como os olhos.

   - Amber! O que você está fazendo? – Amber estava na faixa dos onze anos e tentava espiar pelo buraquinho da maçaneta o que acontecia no escritório do pai.

   - Fala baixo, Hannah! – A pequena Amber sussurrou tentando ouvir o que o pai falava com a misteriosa moça loira.

  - Isabella! – Elas tinham que fazer o máximo de silêncio, porém eram garotas curiosas e inquietas. – Amber, é melhor você descer antes que o papai nos pegue. – Anna tinha os seus vinte e três anos e era quarenta minutos mais nova que Isabella. Em resumo eram: As gêmeas Isabella e Anna de vinte e três anos, Hannah de dezessete, Amber com os seus onze, Megan com quatorze e a bebêzinha de dois anos, a pequena Alicia. Ângela e Isla eram filhas do tio David.

   - Megan, tira essa música desse jogo idiota! – Amber tinha falado alto demais, em questão de segundos a escada estava vazia e David abriu a porta do escritório para saber o que estava acontecendo.


   - David, peça que as gêmeas cuidem das garotas. Amber não vai se arrumar sozinha para o balé, e pelo amor de Deus não deixe que Megan passe o dia todo jogando videogame. – Inácio andava de um lado para o outro ansioso. Era coisa demais para resolver. Depois que a esposa faleceu de câncer de mama no início do ano, cuidar de seis garotas tinha se tornado a missão mais difícil que um homem poderia enfrentar. Sorte era que David o ajudava no que podia. – Peça Hannah para cuidar da minha pequena Alicia, até a hora da escola eu já terminei. – Ele lançou um olhar duro a Dianna e David assentiu deixando a sala. Inácio era um homem inteligente, dedicado e tinha trabalhado duro para dar uma boa vida para as filhas. O campo tinha lhe dado bons frutos durante anos e anos, e foi o suficiente para que ele continuasse com o negócio do pai e construísse sua pequena empresa na Filadélfia dez anos atrás.

   - Por que você não para de me olhar assim? – Dianna cruzou as pernas e enlaçou os dedos. Pela pose dos dois, parecia que quem era dono de tudo era Dianna. A mulher estava bem maquiada como sempre, se vestia bem e não perdia a oportunidade.

   - Você me escondeu uma criança por vinte e três anos! Como você quer que eu te olhe? – O homem era alto, forte por conta do trabalho braçal e mesmo grisalho, ainda era de tirar o fôlego de muita mulher. – O que você tem na cabeça Dianna? – Ele tinha se aproximado e se curvado para olhá-la nos olhos. E os olhos dele eram marrons como os de Demi sem tirar e nem por.

   - É melhor você abaixar esse tom de voz! – Dianna sustentou o olhar dele e se levantou para enfrentá-lo. – Você acha que eu tive saída? Nada foi fácil para mim! Nunca foi! – Pela primeira vez ela tinha deixado transparecer o que sentia, os olhos marejaram e Dianna umedeceu os lábios.

   - Você não disse que estava grávida. O que tinha de complicado nisso? – Inácio a ajudou a sentar no sofá e se sentou ao lado dela.

   - Eu juro que não foi a minha intenção, as coisas só foram acontecendo e eu perdi o controle. – As lembranças doíam na alma. Dianna deixou que as lágrimas rolassem e que Inácio a consolasse com um abraço gentil. Ele era um bom homem, sempre tinha sido e ela se arrependia de tudo que tinha feito para esconder de Demi o pai maravilhoso que ela teria.

   - Se você tivesse me contado que estava esperando uma criança minha, eu teria ficado com você. – Ele disse minutos mais tarde quando Dianna se afastou já mais calma. – Teria poupado tanto sofrimento. Demetria não cresceria sem pai. – Dianna o olhou e negou balançando a cabeça.

   - Nós estávamos tão apaixonados. – Ela começou a dizer relembrando a adolescência. Amar Inácio tinha sido a melhor coisa que ela já tinha sentido em toda a vida.


   - Você sabe, as estrelas são esferas de plasma luminosas. As que brilham no céu provavelmente já morreram, o que nós vemos é apenas o brilho delas porque elas estão a milhares e milhares de metros do nosso planeta. – Dianna riu alto, mas não discordou de Inácio. Eram jovens sonhadores e estavam apaixonados. Ela tinha chegado a Filadélfia há três semanas e estava instalada na Chácara da família do rapaz junto com Amélia.. – O que você quer ser quando crescer? – O rapaz a abraçou de lado e Dianna sentiu as bochechas corarem porque ela estava nua e Inácio também. Eles tinham fugido no meio da noite para entre as árvores do bosque mais alto da região. A toalha de piquenique estava estendida e eles tinham feito amor sobre o céu estrelado pela segunda vez naquela semana.

   - Eu não sei.. – Ela disse tímida porque sabia que a vida que tinha em Nova York era muito diferente da de Inácio. – Talvez trabalhar com moda, eu gosto de roupas e combinar cores. Seria um sonho realizado desenhar uma coleção para uma cantora famosa. – Ela sorriu com o beijo que recebeu no ombro e fitou o céu pensando no que Inácio tinha dito sobre as estrelas.

   - Aposto que a Madonna pagaria uma nota para usar roupas desenhadas por você. – Os dois riram e se beijaram sentindo os corações baterem com força.

   - A Madonna não compraria nada desenhado por uma garota de dezessete anos. – Dianna disse enlaçando os dedos aos de Inácio que negou rindo.

   - Se as suas roupas forem terríveis, nós podemos vendê-las para o Kansas. – Dianna riu alto e o rapaz também. Eles estavam tão apaixonados e despreocupados com tudo que tinham feito. Prova disso era a falta do preservativo.

   - Você é o único garoto de dezenove anos que eu conheço que gosta desses velhos. – Ela corou quando sentiu a mão dele examiná-la no seio e logo descobri-lo. Inácio a olhou e sorriu logo depositando um beijo apaixonado nos lábios dela.

   - E eu também sou o único que você conhece que está perdidamente apaixonado por você. – Eles se olharam e trocaram um beijo apaixonado. Como eram jovens, deixaram-se levar pelo momento e quando Inácio se ajeitou para ajudar a deitá-la, Dianna arregalou os olhos quando viu o pai do menino ali perto os olhando.


   - Nós passamos duas semanas namorando naquele mesmo lugar. – Dianna fitou a estante cheia de livros e a mesa de vidro impecável. – Lembro que não demorou mais de três semanas para que eu descobrisse que estava grávida. Comecei a sentir enjoos e a minha mãe percebeu. Eu iria contar na manhã seguinte, mas a notícia que você seria pai de gêmeos foi a primeira coisa que ouvi quando acordei. – Ela respirou fundo sentindo o terror invadi-la porque não era aquela a pior parte. Ou melhor, o coração tinha sido partido em milhares de pedaços, mas o que aconteceu logo em seguida tinha lhe roubado a alma. – No mesmo dia o seu pai veio falar comigo. Ele disse que sabia de tudo que acontecia entre a gente. Ele me violentou no banheiro do quarto e me expulsou da Chácara junto com a minha mãe.


***


   - A gente já brigou demais por hoje. – Os dedos de Demi estavam enlaçados aos de Joe que pagava o sorveteiro. Era uma tarde bonita e não tinha motivo para não aproveitar. A cidade estava linda como sempre e Demi gostava de admirar as árvores e a beleza dos arranha-céus. E era melhor ainda ao lado de Joe.

   - Nós brigamos, mas nos resolvemos. – Ele sorriu fazendo Demi sorrir de orelha a orelha. Sexo de reconciliação era muito bom e Joe estava pensando em simular uma brigar só para fazer de novo... Demi tinha o arranhado muito nas costas e o acertado com tapas. As bochechas do rapaz coraram quando ele relembrou a tarde afirmando mais uma vez que era maravilhoso estar com aquela mulher. – Se alguém disser alguma coisa, eu vou quebrar em dois, ok? – Demi lambeu o sorvete e assentiu. Eles tinham conversado mais sobre os vídeos e Demi estava aliviada porque Joe tinha tirado boa parte do ar, mas mesmo assim ela ainda estava com vergonha porque não tinha como apagar a memória de quem tinha assistido..

   - Eu quero fazer uma coisa diferente hoje. – Ela estava tão linda vestida com um vestido soltinho e usava jaqueta porque logo anoiteceria. Joe a olhou e sorriu colocando uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.

    - O que você quer fazer? – Ele parou de caminhar para limpar a ponta do nariz de Demi suja de sorvete. – Você está linda, gatinha. – Aproveitando a proximidade, Joe se curvou e beijou os lábios dela ali mesmo na calçada em meio ao fluxo de pessoas.

   - Eu te amo. – Ela disse dando um selinho nos lábios dele para finalizar o beijo e Joe disse que a amava também antes de enlaçar os dedos aos dela e voltar a caminhar. – Quero visitar a minha avó, tudo bem? – Perguntou um pouco sem jeito e Joe assentiu prontamente. – Eu tenho costume de visitá-la. Sei que não é comum, mas eu gosto de levar flores para ela. – Joe a observou lamber o sorvete e tornou assentir. Enquanto Demi tinha o costume de visitar a falecida avó, ele não tinha sequer coragem de visitar os pais. Já tinha tentado, mas sempre acabava arrasado em lágrimas.

O cemitério não ficava longe de Manhattan. Amélia descansava no Brooklyn e a viagem de táxi até lá foi rápida e tranquila. - O Ed mandou mensagem falando que a Sel pediu para você respondesse a mensagem dela. – Disse o rapaz e Demi assentiu buscando o celular na bolsinha que carregava no ombro esquerdo.


Eu estou morrendo de saudade de você! Hoje na empresa foi horrível! Parecia que o tempo não iria passar, resumindo: foi um tédio! Vamos sair hoje à noite? Por favor?! A gente pode comer uma pizza lá no André com os meninos e depois assistir alguma coisa, o que você acha? ps. Eu te amo! – Selena.

Demi sorriu ao ler a mensagem de Sel. Ela também tinha sentido muita falta da amiga. Ficar sem Selena era muito ruim! Demi encheu a conversa com corações e emoji de olhinhos apaixonados porque era a forma exagerada que ela tinha encontrado de demonstrar que amava aquela mulher.

   - Amor, quer comer pizza hoje com a Sel e o Ed? – Perguntou a Joe e ele assentiu mais concentrado em observar o cemitério. O local era enorme, gramado e tinha algumas árvores e outras plantas. E eram tantas lápides que o rapaz engoliu em seco.

Tudo bem. Mais tarde! Também te amo, com a minha vida. ps. Estou contando os segundos para te ver. – Demi.

   - Joe? – Demi tinha acabado de guardar o celular na bolsa e flagrou Joe tão sem expressão. Ele fitava tudo um pouco tenso e concentrado. – Ei, tudo bem? – Perguntou atraindo a atenção dele depois que enlaçou o pescoço do mesmo com os braços e puxou o cabelo da nuca.

   - Dem, eu.. – Ele a olhou e depois olhou para o lugar. – Só fiz isso uma vez e doeu tanto. – Oh! Demi o abraçou com força e se sentindo péssima por levá-lo para aquele lugar.

   - Nós podemos ir embora, desculpa, não sei onde eu estava na cabeça quando tive essa ideia. – Joe negou engolindo em seco. Ele fitou o lugar mais uma vez e respirou fundo.

   - Não pode ser tão ruim. – Disse para si mesmo. – Vamos visitar a sua avó, ok? – Ele disse oferecendo a mão a Demi que franziu o cenho sem saber se segurava a mão dele ou não.

   - Você tem certeza? – Ela perguntou e Joe assentiu envolvendo os dedos dela com os dele. Demi comprou as flores preferidas de Amélia e uma bela rosa que tinha lhe chamado atenção para Jason. E Joe aos pouquinhos se acostumou com o local conforme caminhava com Demi ouvindo os pássaros cantarem e o silêncio. A paz daquele lugar era tão grande. Não tinha as buzinas dos carros, pessoas falando alto, música, não tinha perturbação urbana, era apenas o silêncio e a paz. Quando visitaram o túmulo de Jason, Demi chorou porque se sentia profundamente triste por ter perdido o amigo e porque Jason não merecia morrer daquele jeito. Já estava no entardecer e o sol brilhava laranja no horizonte, mas ainda sim iluminava todo o local com os seus bravos raios. Demi abraçou Joe de lado e conforme caminhavam, eles cumprimentaram as pessoas que também visitavam os seus entes queridos.

   - É aqui. – Era um sorriso triste, mas ainda sim era um sorriso. Joe não disse nada, ele observou Demi se agachar para colocar as flores perto do nome de Amélia e tirar algumas folhas secas. Por alguns minutos Demi permaneceu agachada pensando na avó e como às vezes que Amélia tinha dado carinho a ela tinha sido importante. Independente do que tinha acontecido, Demi tinha uma certeza: Ela amava muito Amélia e sempre iria amar. – Acho que ela iria gostar muito de você. – Limpando uma lágrima, Demi sorriu para Joe e o abraçou quando se levantou.

   - Só um sorriso. – Joe não queria falar muita coisa porque ele estava respeitando o tempo de Demi, porém vê-la chorar doía na alma. Quando ela sorriu em meio as lágrimas, ele sorriu também e a beijou na testa a abraçando contra o peito. Ele estava tão envolvido com Demi, que quando olhou para o caminho que cortava o cemitério, avistou Dianna caminhando com um homem na direção do túmulo de Amélia. O que aconteceria agora? Dianna parecia que não tinha os visto já que ela estava envolvida em conversar com o homem ao lado, que era Inácio. Depois de revelar o que tinha acontecido anos atrás, Inácio quis saber mais sobre a vida de Demi e o que tinha acontecido no passar dos anos com Dianna. Então eles tinham visitados vários lugares enquanto conversavam e a ideia de visitar Amélia surgiu aleatoriamente.

   - Joe? – Demi o chamou e Joe a olhou sem conseguir disfarçar, então ela olhou para Dianna e não soube o que fazer já que ela estava perto e já tinha notado a presença dela. – O que eu faço? – Perguntou baixinho o olhando e Joe mordeu o lábio inferior tentando pensando em alguma coisa.

   - Nós podemos agradecer por ela ter nos ajudado. – Era uma boa ideia e depois que eles agradecessem, poderiam ir embora o mais rápido possível.

   - Demetria. – O tom de Dianna não carregava raiva ou qualquer outro sentimento negativo. Demi sustentou o olhar da mãe por alguns segundos e repreendeu a vontade de abraçá-la.

   - Mãe. – O “mãe” sempre saía sem que ela percebesse. Teve uma época que Demi decidiu que a chamaria de Dianna, mas não tinha durado muito tempo. – Olá. – Ser educada não custava nada. Demi desviou o olhar de Dianna e esboçou um pequeno sorriso para Inácio. Já ele, Deus! O homem estava emocionado e sorriu de volta estendendo a mão para que Demi a apartasse.

   - Demi? – Disse Inácio quando Demi apertou a mão dele sem entender muito bem o que estava acontecendo. Ultimamente Dianna andava com pessoas estranhas.. – Prazer em conhecê-la. In.. – Antes mesmo que ele concluísse a frase, Dianna interveio porque sabia que não era o momento certo para apresentá-los como pai e filha.

   - Edward, essa é minha filha. – Disse Dianna. Por que aquilo estava estranho? Demi franziu o cenho e sorriu um pouco sem graça puxando a mão já que o homem insistia em segurá-la.

   - Joseph, mamãe. Mamãe, Joseph. – Joe apertou a mão de Dianna educadamente e a de Inácio que o observava com certa resistência. Então aquele era o namorado.. Não era à toa que as gêmeas tinham problema para arrumar namorado. – Eu trouxe flores, as preferidas dela. – Disse para Dianna que também arrumava as flores que tinha trago junto com as de Demi. E quando Inácio se curvou para colocar a rosa branca perto do nome de Amélia, Demi franziu o cenho. – Amor, vamos? – Ela perguntou a Joe que mesmo sem saber se era certo assentiu. O clima estava começando a ficar constrangedor e Demi não queria estragar o dia brigando com Dianna.

   - Nós estamos de carro, podemos tomar um café ou o que você quiser. O que você acha Dianna? – Definitivamente estranho. Demi arqueou uma sobrancelha que não passou despercebido por Dianna que estava quase perdendo a paciência com Inácio. Ela não tinha contado o que tinha aprontado com Demi...

   - Fica para outra hora, os meus amigos estão me esperando. – Demi enlaçou os dedos aos de Joe e forçou um sorriso. – Obrigada pelo convite. – Ela já iria virando as costas, mas pensou no que Joe tinha dito minutos atrás. – Mãe! – Chamou e Dianna a olhou com atenção e certa emoção. – Obrigada por ter me ajudado com o Joe no restaurante. – Disse e Dianna assentiu observando o rapaz ao lado da filha.

   - Está tudo bem? – Dianna perguntou e Joe assentiu um pouco envergonhado. – Qualquer coisa, vocês podem falar comigo. – Os dois assentiram calados e Demi segurou a mão de Joe finalmente caminhando para longe dali, e quando ela arriscou olhar para trás, teve que acenar para o tal de Edward que não tirava os olhos dela. E ele não a olhava como os amigos de Dianna.. Tinha alguma coisa especial sobre aquele homem. Demi olhou para trás novamente e dessa vez ela sorriu tornando a acenar para Inácio.

***

  - Volta dez segundos... – Sexo, sexo e sexo! O que Jake Gyllenhaal tinha na cabeça? Eram horas e horas de filmagem de cenas explícitas de sexo e conteúdos relacionados a ele. Porém a cena que mais intrigava o detetive Pine era a da mulher que usava colar de joaninha.

- Jake, com força! – Era tudo que a mulher dizia. A voz delicada, o torço claro, os seios delicados. E o maldito colar de joaninha na Gyllenhaal. – Quem é você? – Chris pausou o vídeo e bebericou o café para tentar ajudar a clarear os pensamentos. Colar de joaninha. Pele clara. Escritório. O que aqueles vídeos queriam dizer além de Jake ser um maníaco sexual?

   - Detetive, você precisa ver essas fitas. – Como o conteúdo era longo, intenso e repugnante, assistir todas as fitas tinha sido inviável para um homem só, então Chris ficou com uma parte e o ajudante com outra.

   - Não me diga que é mais fitas sobre a tal Srta. Gomez. – Chris murmurou porque era insuportável a quantidade de vezes que Jake falava sobre Selena e a vontade que ele tinha de levá-la para cama junto com Demi.

   - Essa é a do colar de joaninha. – Agora as coisas ficaram interessantes. Chris tirou os pés da mesa e se ajeitou na cadeira. Jake tinha filmado Demi, filmado Selena às escondidas assim como as outras funcionárias da empresa, Dianna e até mesmo a própria esposa.

- Você sabe que eu te amo, não sabe? – A câmera filmava da boca da mulher para baixo. Estavam no interior de um carro e estava escuro, por isso a filmagem estava ruim. – Eu conheço uma puta gostosa, o que você acha de nós três mais tarde? – Diabos! Ele tinha filmado o rosto da mulher, mas estava escuro demais, só foi possível ver o sorriso dela.

   - Acho que a gente pode testar as molas desse carro. – Jake largou a câmera de qualquer jeito e como sempre: sexo.

   - Você está falando sério? – Chris afrouxou a gravata sem muita paciência. Jake só era mais um idiota no mundo!

   - Espera só. – O rapaz acelerou o vídeo e quando houve um corte, a velocidade voltou ao normal. A filmagem começava ainda de dia, Demi tinha adentrado o escritório de Jason e alguns minutos saiu de lá assim como as várias pessoas que apareceram na fita. Mais um corte aconteceu e já era noite. Quem adentrou o escritório de Jason foi Jake, ele demorou pelo menos uma hora lá dentro com o avô, então os dois saíram e depois Jason voltou sozinho para o escritório. Mais alguns minutos e quando Jason saiu, a imagem da câmera falhou.

   - Ele mentiu. – Disse Chris sobre o depoimento de Jake. Aquilo queria dizer muita coisa. – Mas ele tem a Srta. Lovato como álibi, e as câmeras do prédio confirmam. – Seja o que Jake tinha feito, ele estava muito encrencado.


Continua.. Oi! Tudo bem com vcs? Demorei para postar, certo?! Reta final de semestre, eu já passei em algumas matérias e é por isso que fiquei longe do blog porque tive que me dedicar às provas e trabalhos. Agora acho que ficará mais "tranquilo", e depois do dia vinte eu estou de férias! Quem vai ver a Demi em Goiânia?! Eu vou e estou tão ansiosa! Sobre o capítulo, apesar da falta de tempo, eu também enfrentei crise de criatividade e até ontem eu estava quase desistindo dessa coisa de fanfic, sério. Eu estava sentindo a minha escrita muito presa e sei lá, só não estava harmônico(não sei se agora está, porém está muito melhor que antes). Insisti e insisti para ver se funcionava, e só melhorou hoje depois que eu escrevi sobre a Dianna. Eu realmente gostei muito de escrever essa parte e eu fiquei emocionada por pensar que há milhares de mulheres que já passaram o que ela passou. O Inácio não é um cara mau como estava previsto. Ele não machucou a Dianna e será um ótimo pai para Demi. E as meninas? Elas são seis! Confesso que eu gostava mais da ideia de ter oito, mas achei MUITO exagero.. Vamos ver o que acontece daqui pra frente. Quando comecei a escrever esse capítulo, na verdade quando terminei o Capítulo 40, eu estava focada em trabalhar a Rose em mais uma encrenca, mas não rolou, não diretamente... É como o Joe disse, a Rose não é um monstro. Ela é uma menina boa e só está com o coração partido. Não quero que a personagem seja algo fútil ou mais um draminha, ela é importante para o Joe e vocês vão compreender melhor os sentimentos dela daqui alguns capítulos. Fiquei animada depois que escrevi sobre a Dianna e o Inácio. Espero que vocês estejam gostando, sei que tem muitos furos e que esperar esse tanto de tempo é horrível, porém é o que eu consigo fazer. Muito obrigada por todo carinho e compreensão, eu amo ler os comentários de vocês e vou respondê-los e postar o link das respostas nos comentários nesse capítulo. Se vocês quiserem dar alguma sugestão, corrigir algum erro ortográfico ou qualquer coisa, não hesitem. Obrigada meninas! Boa noite/Bom dia/Boa tarde para vocês, beijos!