18.10.14

Capítulo 26

A expectativa crescia entre a plateia furiosa por informação. Todos estavam impacientes por conta da demora da ilustre Demi Lovato, a cada segundo que se passava os múrmuros frustrados aumentavam. Mais minutos de espera e então o silêncio foi absoluto conforme a imagem da bela mulher de cabelos vermelhos se aproximava com os dedos enlaçados aos de Joe. O barulho dos saltos de Demetria ecoava a cada passo firme e seguro, as mechas graciosas dos cabelos dançavam suavemente em seus arredores, acenando e sorrindo, Demi chamava toda a atenção apenas para ela. Recebida por uma enxurrada de cliques e flashes, Demi acomodou-se no assento reservado a ela junto de alguns dos seus representantes. O cumprimento simpático foi revidado causando um barulho ensurdecedor. Mais flashes e cliques e um dos representantes começou a discursar sobre o que a "Srta. Lovato" poderia responder. Os sussurros indiscretos surgiram entre os representantes quando Joe pronunciou-se corrigindo o Srta. Lovato por Sra. Jonas, o que causou alvoroço. Largando os dedos dele entrelaçados aos seus, Demi evitou olhá-lo, ergueu os ombros e resolveu ficar calada enquanto a confusão era cessada. Infelizmente e felizmente Joe tinha aquela péssima mania. O nome artístico incluía o apelido e o sobrenome da família Lovato e Demi jamais se interessara em trocá-lo pelo Jonas.
   - Por favor, vamos manter o foco. - Pronunciou-se John com a voz grave enchendo o local. - A Srta. Lovato responderá o máximo de perguntas cabíveis. - A ênfase a Srta. Lovato causou uma breve polêmica e trocas de olhares nada discretos entre Joe e John.
   - Joseph, por favor, comporte-se, caso contrário você será convidado a se retirar. - Disse Demi o olhando sobre o ombro. Santo Deus, Joe perdeu a cor, estava pálido e completamente sem graça. A cena seria motivo de gozação pelos próximos meses, Demi apostaria que seria, mas ela não permitiria que as coisas fugissem do controle, a coletiva de imprensa tinha como objetivo responder as perguntas dos jornalistas e as dos fãs, e não causar mais polêmica com uma futura briga entre Joe e John. - Nós podemos começar? - Perguntou Demi tanto para os representantes quanto para os jornalistas. Odiando os sussurros que se alastravam novamente pela multidão, Demi pediu que todos ficasse em silêncio, caso contrário ela responderia a nenhuma pergunta.
   - As fotos vazadas são verdadeiras? - Perguntou um dos jornalistas que estava mais próximo a bancada.
   - Apesar de não me lembrar de nada, acredito que as fotos sejam realmente verdadeiras. - Depois da declaração o alvoroço começou junto com os flashes cegantes. Por minutos Demi abaixou as pálpebras revirando os olhos mentalmente, aquilo era tão entediante.
   - Como Daniel e Elizabeth reagiram as fotos? Eles sabem sobre as drogas e o álcool? - Demi olhou para John por alguns segundos e depois para a multidão. Não esperava que aquela pergunta fosse feita, ao menos não agora..
   - Daniel e Elizabeth estão cientes de tudo que aconteceu. - Limitou-se a dizer.
   - Você não tem medo de ser uma má influência para os seus filhos? - Gritou um jornalista no meio da multidão. Movendo-se desconfortavelmente, Demi fez uma pequena pausa apenas para escolher as palavras certas.
   - Não, eu não tenho medo. Nós temos que ter em mente que o que aconteceu está no passado, eu era apenas uma adolescente reprimida e cheia de problemas, os meus filhos são maduros o suficiente para me entender - Começou a dizer determinada em colocar um ponto final naquela história. - Não existe mais nada em mim que me aprisione ao meu antigo eu, então eu não tenho que ter medo. - E não teria.
   - No seu discurso sobre drogas, álcool e estar bem consigo mesmo você disse coisas positivas, mas nas fotos mostrava as coisas completamente contraditórias, como você pretende reconquistar o seu público? - Revirando os olhos mentalmente, Demi bateu a ponta dos dedos sobre o tampo do balcão onde se encontrava os microfones e fitou os olhos do jornalista antes de dizer:
   - Acho que, em primeiro lugar, as pessoas precisam entender que aquelas fotos são de dezessete anos atrás, não vejo o porquê de tanto alvoroço, todos com quem trabalho e com que me relaciono na minha jornada de trabalho têm em mente o que fiz e quem eu era no passado. - Disse calmamente. - Essa questão está morta para mim há anos. - Houve múrmuros pela multidão e então John a cutucou por baixo da mesa.
   - Há boatos de um vídeo de sexo, é verdade? - Demi tornou a revirar os olhos por milhares de vezes. Noventa e nove por cento daquelas pessoas eram homens e mulheres que certamente praticavam sexo como qualquer outra pessoa normal, porque eles tinham tanta curiosidade de vê-la no seu ápice? Diabos! - Joe Jonas ou Wilmer Valderrama? - Demi não precisou olhar para o lado para saber que Joe certamente estaria vermelho de raiva.
   - Próxima pergunta. - Não hesitou em dizer causando tumulto.
   - Quem a Srta. Lovato acreditar que esteja vazando o material? - Demi percebeu o olhar maldoso da repórter sobre Joe, provavelmente ela tinha o intuito de incluí-lo numa futura confusão da qual geraria dólares e mais dólares para a sua conta bancária.
   - Nós temos uma pessoa que está trabalhando especialmente nesse caso, entretanto não temos nomes na nossa lista. - Não sabia o porquê de preservar Alex, mas não queria ampliar o caso, e se citasse o nome de Alex automaticamente o faria trazendo uma velha rixa à tona.
   - A senhora era representante do grupo de apoio à pessoas com problemas mentais, mas depois do escândalo os grupos de apoio não se pronunciaram a respeito da sua permanência nos grupos, qual será o seu feito para permanecer nos grupos? - Como tinha experiência com transtorno bipolar, problemas com alimentação, álcool e drogas desde que era uma menina, Demi foi convidada aos vinte e três anos para ser mentora de várias pessoas que passavam pelos mesmos problemas que ela passara. Ela era uma das mentoras mais jovens com o currículo mais sujo e apropriado para lidar com aquelas pessoas.
   - A informação que tenho é que ainda continuo no mesmo posto de sempre, nada foi ou será alterado, pois não há motivos para tal ação. - Disse já cansada da mesma conversa monótona. Não tinha cabimento tal coletiva.  
   - Joseph, o que você acha da foto da Srta. Lovato nua abraçada com modelo? - Gritou alguém do meio da multidão. Eram mais que sussurros, a confusão realmente começara, as perguntas seguiam umas piores que as outras.
   - Por favor! - John pediu freneticamente tentando manter a ordem. - Demi irá responder a todos apenas quando vocês se organizarem! - Aproveitando o momento de nervoso de John, Demi olhou discretamente para trás e acenou ao ver Daniel, Elizabeth, Eric, Anne e Dianna focados na coletiva. Era tão constrangedor ser alvo de uma enxurrada de perguntas embaraçosas na frente daquelas pessoas que ela tanto amava, se o passado pudesse ser diferente.. Mas às vezes Demi pensava que aquele era o destino traçado para ela, que se ela não tivesse passado por tantas coisas, se não tivesse chegado ao fundo do poço como chegara anos atrás, ela não seria quem era hoje.
   - Há quase uma semana a senhorita tem sido fotografada na casa dos seus pais, por quê? - Perguntou uma das jornalistas baixinhas da primeira fileira de cadeiras.
   - Próxima pergunta. - Disse Demi nenhum pouco contente com o rumo da coletiva.
   - Joe Jonas! Srta. Lovato não está em casa? - Perguntou um amigo da baixinha jornalista e Demi cerrou os olhos ao fitá-los e ao fitar Joe, que engoliu seco. Os sussurros, malditos sussurros, começaram a preencher o ambiente, todos os analisava da forma mais precisa tentando buscar um detalhe que os desmascarasse.
   - Demi, Joseph! Vocês foram fotografados no estacionamento do Aon Center discutindo, por isso que estão separados? - Demi encontrou o olhar de Joe sobre si quando olhou para o lado. Quase tivera pena.. Joe tinha aquele olhar de quem era culpado que Demi conhecia muito bem, mas dessa vez ele não sairia ileso.. - Joe, a Srta. Lovato foi fotografada chorando enquanto você a puxava pelo braço levando-a para o seu carro, o que você tem a dizer? - Cerrando os olhos, Demi desviou o olhar de Joe sobre si e fitou aquela multidão monstruosa de jornalistas e paparazzis, tornara a cerrar os olhos novamente e se levantou bruscamente assustando a todos da bancada da mesa.
   - A coletiva está encerrada. - Disse tão fria mal se importando com a feição pálida de John e dos outros representantes.
   - Joseph está te agredindo? Srta. Lovato! - Gritou uma mulher causando novamente aquele alvoroço de perguntas que mais pareciam um trem desgovernado prestes a atropelá-la. 
   - Demi, sente-se. - Joe disse calmo olhando-a.
   - Eu estou farta dessa palhaçada, a vida é minha e eu não devo satisfação a ninguém. - Dando as costas a Joe e aquele terror de gente, Demi sentiu o coração partir. Até quando ela iria se sentir como a pior mãe do mundo? Aquelas feições assustadas e confusas de Dan e Lizzie partira seu coração, eles pareciam tão deslocados com a repentina e brusca informação.
   - Mãe. - Elizabeth soltou-se dos braços de Eric e ficou a fitar a mãe com os olhos marejados - Então foi por isso que você saiu de casa? - Perguntou a menina aproximando-se.
   - Meu amor.. - Demi a abraçou. - Não acredite nessas bobagens. - Disse para acalmar a menina.
   - O papai está te agredindo? - Demi engoliu seco ao fitar os olhos de Daniel. Estavam carregados de fúria e raiva.
   - Foi apenas um mal entendido, seu pai nunca me agrediu. - Disse tentando manter toda a tranquilidade do mundo. Joe nunca a agrediu.. Não propositalmente, no dia da reunião ele apenas a segurou pelo braço com força porque estava fora de si.
   - Demetria! - Demi arregalou os olhos ao olhar para trás e encontrar um John descabelado e vermelho. - Você tem noção da confusão que está lá fora? Volte para a coletiva. - Demi fitou os olhos escuros de John por segundos, fitou Joe que estava ao lado de John tão sem jeito.
   - A coletiva está encerrada. - Tornou a dizer mantendo a postura firme diante daqueles homens que comandavam a sua carreira. - Eu realmente não devo satisfação da minha vida a aquelas pessoas. A carreira é minha e eu faço o que eu quiser com ela, se vocês insistirem nessa merda de coletiva, estão despedidos, os dois. - Demi estava definitivamente cansada daquela perseguição absurda, a mídia estragara uma vez a sua vida e estava tentando estragar de novo. Na época que fora internada a perseguição e as falsas informações sobre a vida pessoal estava estampada todos os dias nos jornais, a mídia simplesmente criara uma imagem completamente distorcida do verdadeiro problema.
   - Responda apenas algumas perguntas Dem. - Pronunciou Joe fitando Lizzie em seus braços e Daniel ao seu lado. - Eu prometo que tudo ficará bem. - Cerrando os olhos, Demi balançou a cabeça negativamente. Ela conhecia aquelas palavras perfeitamente.
   - Eu já disse para você não prometer o que não pode cumprir. - Demi não ousou em desviar o olhar intenso de Joe de peito estufado determinada a enfrentá-lo.
   - Vamos? - Disse Joe olhando para Elizabeth e logo para Dan. Ora, ela sabia que ele iria fugir..
   - Nós não vamos com você.. - Pronunciou-se Daniel atraindo olhares apenas para ele. - Eu e Lizzie queremos ficar com a mamãe. - Demi arregalou levemente os olhos completamente surpresa. Quando resolvera dar um tempo no relacionamento com Joe pensara apenas em sair de casa sozinha, tudo que Dan e Lizzie precisavam estava em casa, e Demi pensara que alterar a rotina adepta por eles os prejudicaria. - Nós podemos ir com você? - Sussurrou Daniel sem jeito.
   - Podemos? - Lizzie perguntou a olhando com aqueles grandes olhos cor de mel idênticos aos do pai. Demi olhou para Dianna e logo para os filhos assentindo.
   - Vocês estão me deixando? Os três? - Joe adentrou os cabelos com os dedos e suspirou fundo não acreditando no que estava acontecendo. Não tinha sido intencional perder o controle da situação, mas ele infelizmente o perdera e a cada dia que se passava, quando ele acordava e encontrava sua cama vazia, quando ele não encontrava a mulher de pantufas de orelhas de coelho na cozinha oferecendo aquele lindo sorriso de bom dia, a consciência pesava cada vez mais.
   - Quando eu era pequeno, você sempre dizia que se um dia eu encontrasse uma mulher como a mamãe eu seria o homem mais sortudo do mundo. - Disse Daniel com um pequeno sorriso triste nos lábios. - Não existe outra mulher como ela, você é o cara que a tem e não a valoriza. - Demi interrompeu aquela troca de olhares fulminantes masculinos suspirando pesadamente, puxou Daniel pelo braço e virou as costas para Joe.

Continua... Oi! Tudo bem? Hum.. Eu realmente não estou no meu período de escrever fics.. Isso está uma droga, as ideias estão presas e eu não consigo desenvolvê-las.. Esse capítulo ficou pequeno e estranho. Não sei o que fazer, sinceramente..Agora imaginem o que a imprensa não faz na vida real da Demi.. Deve ser horrível ser famoso por conta disso. Eu queria que a Demi sambasse no Joe, mas infelizmente não aconteceu e foi a vez do Dan sambar um pouquinho, eu acho.. Mas vamos ver o que sai né? Espero que vocês gostem do capítulo, talvez não esteja tão ruim como eu estou imaginando :/
Obrigado pelos comentários e comentem mais e mais :)
ps. não vou desativar para comentar no anonimo, jamais, está tudo bem, ok? O último post (aviso) não era para reprimir ninguém ou algo do tipo, eu só tive a ideia de explicar o que estava se passando e o porquê da minha "demora" :) 

17.10.14

Aviso

Boa noite meninas, como vocês estão? Eu estou bem. Então, resolvi criar esse post para dar uma "palavrinha" com algumas de vocês.. Olha, anônimo, eu realmente gostaria de postar logo, gostaria de postar essa fic por completa, mas acontece que eu não tenho os capítulos prontos, está tudo na minha cabeça e não salvo no word. Eu sei que muitas de vocês estão ansiosas por novos capítulos, eu também fico muito ansiosa para ler os capítulos dos blogs que sigo, porém quero pedir apenas que tenham um pouquinho de paciência comigo, o capítulo vinte e seis é complicado e eu estou o desenvolvendo, acontece que esta semana é a semana de prova na faculdade e eu tenho que estudar. Tem apenas dois dias que postei o capítulo atual, então não é sacanagem coisa nenhuma minha não atualizar o blog com um capítulo novo. Eu não estou a uma semana, duas semanas ou três meses sem postar, são apenas míseros dois dias. Sem contar que os capítulos são trabalhosos, e não aquela coisa que o Chico Xavier fazia. Então ok né? Eu estou tentando escrever o melhor para vocês, a fic está entrando numa parte delicada demais. Beijos e não se sintam ofendidas, eu só estou explicando como estão as coisas. Se tudo der certo devo postar amanhã ou sábado, não prometo, mas vou tentar. Abraços. 

13.10.14

Capítulo 25

Demi nunca pensou que chegaria a aquele ponto.. Mas para a própria surpresa tinha chegado. Ela deveria confessar que estava bastante assustada consigo mesma.. Como a boa música que era, admitia que ele era realmente bom. Emocionante, tocara o seu coração quebrado.. A voz rouca do live acústico soou pela milésima vez nos headphones assim como os acordes do violão.. Demi encolheu-se abraçando os próprios joelhos e cantarolou os primeiros trechos de Never Let You Go do Justin Bieber
"They say that hate has been sent.. So let loose the talk of love before they outlaw the kiss baby give me one last hug."
Por que Joe tinha que estar em todos os seus pensamentos? Quase uma semana se completou desde que o deixara, e no decorrer de todos aqueles dias que pareciam intermináveis ela chorava de raiva, chorava de saudade e se culpava com todas as suas forças por estar longe dele. Definitivamente não se importava se Joe tinha sido ou não um idiota, doía mais estar longe do calor dos braços dele. As poucas notícias que tinha sobre o marido era Lizzie que a informava. A menina chegara balançar a cabeça em descrença quando falava do estado do pai. Dissera que Joe mal saia do escritório, mal comia, mal sorria. Pelo visto ele não estava muito diferente dela. Estar sobre os mimos da mãe a irritava. Agradecera diversas vezes Dianna por ser tão cuidadosa e preocupada, mas tudo que ela queria era estar sozinha no interior do seu quarto debaixo das suas cobertas escutando never let you go até se cansar.
Mas que diabos era aquilo? Onde estava a penumbra do quarto? Por que tudo estava de repente tão... claro? Demi sentia-se como um vampiro sobre a luz do dia. Ah não! Ela não iria sair debaixo do cobertor quentinho por nada desse mundo, encolhera-se na cama para se proteger de uma futura tentativa de tirá-la dali.
   - Santa mãe de Deus.. - O resmungo ultrapassou a voz do Bieber nos headphones e então ela tinha sido puxada pelos pés. Lutara! Ai diabos! Perdera a meia quentinha, mas voltara para debaixo das cobertas. - Demetria! - Demi choramingou mentalmente, enfiou a cabeça entre os travesseiros e grunhiu irritada quando os headphones foram arrancados com fúria. - Quem é você? E que merda você fez com a minha melhor amiga? - Tudo estava explicado! Rangindo como um bicho selvagem, Demi cerrou os olhos ao encontrar a loira e as duas morenas olhando-a. De um lado da cama estava Miley com os seus lindos olhos azuis cerrados fuzilando-a. Do outro lado da cama estava Selena claramente preocupada na pose com as mãos na cintura. E bem, sobrara Anne ao lado de Selena que tinha as sobrancelhas arqueadas e aquele sorrisinho de "Eu avisei".
   - Fechem as persianas, desliguem a luz, devolvam o meu iphone e a minha coberta. - Vociferou. - Ah! E eu quero a minha meia! - Disse tão irritada quanto antes.
   - O dia está tão lindo lá fora, você precisa tomar um pouco de sol. - Comentou Selena tão assustada com a palidez da amiga.
   - Demi não sai do quarto há quase três dias. - Cerrando os olhos, Demi reuniu todas as suas forças, venceu a preguiça e acertou Anne com um travesseiro.
   - Vamos Demi, levante-se. - Implorou Miley impaciente. - Nós não queremos que você fique doente, estamos tentando te ajudar. - Completou adentrando os cabelos loiros mel com os dedos.
   - Eu estou bem. - Murmurou sentindo aquela dor infinita do coração partido matá-la mais um pouquinho. Percebera que sem ela as coisas seriam melhores para as pessoas que ela mais amava. Elas não teriam problemas, viveriam uma vida feliz e sem stress. O plano era passar o resto da vida debaixo das cobertas até que..
   - Demi, pelo amor de Deus. - Selena sentou-se na beirada da cama. - Você precisa reagir, ninguém suporta mais esse seu estado deplorável. Mostre ao mundo que você é melhor que isso, tenha fé que as coisas vão melhorar. Mas para que elas melhorem você tem que dar o seu melhor, não tenha medo. Você já passou por coisas bem piores e vai deixar que uma besteira do passado estrague toda a sua felicidade? - Percebendo que o pequeno discurso fizera efeito, Selena arriscou tocá-la no braço um tanto aliviada por conseguir vencer as barreiras impostas por Demi.
   - Você sabe que dia é hoje? - Perguntou Miley sentando-se na beirada da cama oposta a de Selena. - Não será fácil, mas nós estamos aqui para ajudá-la. - Demi apertou as pálpebras com força quando a cabeça deu um verdadeiro giro. Como se esquecera? A coletiva de imprensa estava marcada para aquela tarde. Maldita tarde! Ela o veria. Mas não tinha condições de fazê-lo. Fingir diante das câmeras que tudo estava bem seria pior que arrancar o próprio braço. Teria que dar satisfações de algo que ela mal se lembrava. Aquilo era tão injusto. Por que ela tinha que falar em público sobre seus antigos relacionamentos? Aquilo fazia parte da sua vida pessoal e deveria estar sobre sigilo ou ao mesmo respeito. Milhares de pessoas de todo o mundo já namoraram mais de uma pessoa, ninguém era santo e porque ela tinha que dar satisfações sobre aquelas fotos? Ah sim! Esquecera-se do ponto principal. Ela era uma celebridade mundialmente conhecida, movia milhares de dólares a cada segundo. Quando ela falasse sobre as drogas e o álcool o rosto estaria estampado em vários jornais, revistas e websites. A jogada de marketing era justamente para causar mais polêmica e acumular mais dólares nas contas das empresas das quais ela tinha contrato. Capitalismo idiota. Pessoas idiotas. Grunhiu irritada.
   - Eu só preciso ficar sozinha. - Murmurou quando os olhos arderam anunciando a chegada das lágrimas. Estava tão cansada de chorar, mas sempre acabava mergulhada em lágrimas. Aquela vida era desgastante, jamais conseguia ter um pouco de paz, qual era o problema em ser feliz? Por que as pessoas não se conformavam com a própria vida?
   - Ânimo! - Miley sorriu para Demi numa tentativa falha de conseguir um sorriso. - Você já passou tempo demais trancada nesse quarto, vamos, eu quero aquele lindo sorriso no rosto. - Forçando um pequeno sorriso, Demi arrancou vivas animados que a fez rir. Talvez elas tivessem razão.. Ela só precisava esquecer de tudo.
A água morna parecia mais água encanada diretamente do polo norte. Demi tremia debaixo do jato de água que banhava o seu corpo, mal conseguia ensaboar-se ou lavar os cabelos. O queixo começara a tremer sozinho quando era mais tarde e ela sentada na cadeira enfrente a penteadeira. Tinha Selena de um lado e Miley de outro puxando, secando e escovando os cabelos. Anne cuidava da maquiagem escolhendo atentamente cada cor.
   - O que você vai vestir? - Perguntou a irmã olhando-a.
   - Nada extravagante. - Murmurou de cenho franzido mal aguentando o puxa puxa de cabelo. Em questão de segundos Anne selecionara algumas calças jeans de lavagem clara e escura junto com possíveis blusas e camisas que apostaria que Demi adoraria.
Os sorrisos não saiam dos rostos femininos enquanto Demi se olhava no espelho analisando o serviço das amigas e da irmã. O cabelo vermelho estava brilhante, macio e liso-ondulado do jeito que ela gostava, algumas mechas caiam sobre os ombros e as costas. Acabara escolhendo uma camisa branca de botões que lhe caia bem, era acinturada e valorizava o tamanho médio dos seios. A calça era de lavagem clara e combinava perfeitamente com o scarpin preto camurça. Anne investiu em tons neutros de sombra, alongara os cílios e delineara os olhos. As sardas estavam perfeitamente cobertas e nas maçãs do rosto havia um discreto corado diferente dos lábios que estavam cobertos de um rosa puxado para o papaia. Era incrível como um pouco de positividade, sorrisos sinceros e pessoas que realmente se importavam poderiam mudar as coisas. Começara o dia quase numa depressão, mas as amigas e a irmã insistiram e estavam ajudando-a da melhor forma possível. Demi não podia negar que uma pequena faísca de alegria acendera no peito, ela realmente se sentia bem e confortável com o próprio reflexo.
   - Brincos e pulseiras. - Anne sorriu satisfeita com o resultado final. Nos últimos dias estivera tão preocupada com a irmã que tivera que pedir a ajuda das amigas da mesma. Relacionar-se com a irmã mais velha fazia seu coração acelerar a cada segundo, Demi era como um modelo a ser seguido, era a sua inspiração.
   - Meninas? O almoço está pronto. - Dianna parecia satisfeitíssima ao ver Demi interagindo normalmente com todos, nos últimos dias tinha sido difícil manter até mesmo uma conversa agradável com a filha, os únicos que realmente conseguiam quebrar o gelo eram Daniel e Elizabeth.
Entre risos e brincadeiras a cozinha estava marcada pela presença de quatro mulheres, o que deixara Eddie intimidado, mas não impediu que ele participasse daquela mini festinha de risadas gostosas e piadas de tirar o fôlego. Há tempos Dianna não sabia o que era ver Demi, Miley e Selena juntas. Quando adolescentes as três viviam grudadas, mas depois de engatarem em seus relacionamentos super-apaixonados e construírem a própria família, cada uma seguiu seu rumo. Demi logo engravidou nos primeiros meses de casada, Miley não tinha sido diferente e Selena.. Bem, Selena continuava a mesma de sempre. Tudo parecia bem, mas Dianna sentia falta de Lizzie, Dan e Joe. Sem eles a família não era a mesma coisa. Caso Joe estivesse com eles, com certeza ele estaria bolando alguma forma de tocar Demi. Era sempre assim. Nos jantares de família Demi e Joe viviam flertando, trocavam caricias "discretas" e sempre que tinham uma oportunidade escapuliam.. Daniel era um bom degustador de pratos de chocolate.. Por mais que fosse discreto e um pouco tímido, Dan sempre cativava todos com as mais simples ações. E Elizabeth.. Céus! Lizzie poderia seguir carreira de atriz. A menina era tão argumentativa, insistente e sentimental. A verdadeira cópia da mãe. Eram figuras ilustres. A personalidade exclusiva de cada um formava aquela família bagunçada e extremamente feliz.
   - Demi, Joe chega hoje? - Perguntou Eddie depois de um gole de suco. Olhando discretamente para a mãe, Demi assentiu timidamente. Infelizmente mentira para o pai. Dissera que Joe estava em Nova York a trabalho, caso Eddie descobrisse sobre a briga deles, Joe seria um homem morto.
Quando mais tarde o carro guiado pelo motorista cruzava as ruas de Los Angeles ao som de Maroon 5. "Beauty queen of only eighteen. She had some trouble with herself. He was always there to help her. She always belonged to someone else." Demi cantarolava calmamente sentindo-se estranhamente confortável. Para um artista a coletiva de imprensa funcionava como uma forca, pois era mais que óbvio que a coletiva nunca seria cem por cento voltada para um assunto. Erguendo a cabeça, Demi encontrou o olhar preocupado de Selena sobre si e sorriu mostrando que as coisas estavam sobre controle.
Talvez escutar Never Let You Go do Bieber repetidas vezes fizera a consciência acordar mostrando a ela que era impossível ficar qualquer tempo longe de Joe. Tinha sido tão imprudente de sua parte sair de casa, mas na hora do nervoso não pensara nas consequências. Houve uma mistura de vozes que a fez despertar, Miley cantarolava distraída observando as ruas, Selena cantarolava fitando as próprias unhas e Anne era uma típica imagem de uma adolescente perdidamente apaixonada. Cutucando a mãe, Demi arqueou as sobrancelhas em "direção" a Anne, as duas sorriram ao ver a garota suspirar. Anne estava perdidamente apaixonada por Bryan e não se importava em demonstrar para quem quer que fosse. Flagrada, Demi desviou o olhar de Anne, mas depois a olhou sorrindo.
   - Tudo bem? - Anne perguntou um pouco tímida.
   - Você é apenas um neném, e nenéns não se apaixonam. - Disse Demi despertando a atenção das amigas.
   - Bem.. - Corando com o olhar de Miley, Anne moveu-se desconfortavelmente e murmurou: - Eu o amo. - Gargalhando dos suspirou em grupo, Demi curvou-se e beijou a testa da irmã, deitou a cabeça no ombro da mesma e ficou a pirraçá-la deixando Anne mais vermelha que um pimentão.
Infelizmente o momento descontraído fora tomado pelo nervoso de Demetria, a limousine tinha sido estacionada no estacionamento e então a porta fora aberta. Demi recebeu abraços calorosos e conselhos do que deveria ou não falar. Saltara do carro com ajuda do motorista e logo estava sendo escoltada por seguranças, este último vê-se armários.. John a recebeu com um abraço assim como alguns de seus assessores mais íntimos.
   - Daqui a meia hora a coletiva começa. - Disse John enquanto caminhavam pelos corredores dos bastidores. - Você pode descansar no seu camarim. Tente relaxar, nós precisamos do seu melhor para fazermos uma boa coletiva. - Demi estranhou o barulho que vinha detrás da porta de madeira clara, mas preferiu não questionar. Abraçou John e guiou a mão até a maçaneta da porta. O coração quase parou de bater, parara por milésimos.. Avistara as araras com algumas peças de roupas, a penteadeira com o espelho moldurado. Na poltrona estava Elizabeth rindo tão confortável e descontraída. E lá estavam eles.. Em pé e de costas para a porta, Joe ria enquanto segurava os socos do filho. Ambos estavam sem camisa e descalço, pareciam tão confortáveis envolvidos com aquela brincadeira boba. Mordendo o lábio inferior, Demi sorriu nervosamente ao encontrar os olhos verdes de Daniel sobre si. E então ela recebeu mais olhares e logo dois abraços calorosos.
   - Você está tão linda. - Elizabeth disse mais que encantada com a beleza da mãe.
   - Elizabeth! Ela também é a minha mãe. - Daniel cruzou os braços sobre o peito fingindo estar chateado, mas logo riu quando foi acolhido no abraço. - Você está linda. - Disse o garoto beijando a bochecha da mãe. O sorriso mal cabia no rosto, chegara fechar os olhos enquanto era abraçada e mimada nos braços dos seus pequenos.
   - O que eu já disse sobre ficar sem camisa. - Demi deu dois tapinhas no peito de Dan brincando. Daniel simplesmente adorava ficar sem camisa, e Demi sempre dizia que ele provavelmente apanharia caso ficasse resfriado, pois ela, como a mãe protetora que era, dizia que não queria que ele pegasse friagem.
   - Culpa do papai, nós estávamos brincando. - Coçando a nuca um tanto sem graça, Dan lembrou-se que os pais estavam brigados. - Ah.. Eu.. - Demi olhou para Daniel, não para repreendê-lo, bem pelo contrário, lançou um simples olhar dizendo que tudo estava bem. E então o olhara. A vontade de correr e jogar-se nos braços dele para beijá-lo furiosamente a deixou arrepiada. Demi fitou os olhos de Joe e a timidez tomou conta de si. Aliás, Joe também estava tímido. Murmuraram um "Oi" enquanto se fitavam. Ele não poderia estar mais lindo. O peito largo e nu amostra, a calça jeans perfeitamente moldada à cintura fina e bem.. Um pequeno sorriso nasceu nos lábios ao ver os pés tortos. Enterrar os dedos nos cabelos dela e beija-lhe a boca era o que Joe mais queria. Tinha sido um idiota e admitia, nada importava além de tê-la. Ignoraria os motivos ridículos e pediria perdão de joelhos. Nos últimos dias, quando aquelas fotos foram vazadas, a confusão e o medo o assombrou. Todos os dias era uma batalha a ser vencida, Joe era ciente dos problemas de Demi e fazia de tudo para que eles não a vencesse, tivera medo e deixara os sentimentos negativos dominá-lo. Estava chateado por conta das fotos e naquele mesmo dia Demi foi a reunião com aquele vestido curto, então a confusão de sentimentos começara. Joe estava cansado do trabalho frenético, chateado com a invasão da privacidade de Demi e com a provocação da esposa ficara ciumado e fizera o que fez. Perder Demi para aquela confusão não estava em seus planos, e não a perderia.
   - Dan, o que acha de tomarmos um café? - Elizabeth arqueou as sobrancelhas sugestivamente para o irmão que franziu o cenho.. - Daniel! - Cutucando-o, Lizzie alcançou a camisa de Dan na poltrona e o puxou pelo braço deixando os pais a sós.
   - Como você está? - Perguntou Demi surpresa consigo mesma, de onde tirara a coragem para falar com ele? Houve alguns minutos de silêncio e então Joe esboçou o seu sorriso de menino dando um passo em direção a mulher que amava.
   - Eu estou bem. - Ah como ela queria abraçá-lo. Às vezes Joe era tão tímido, o que o deixava tão fofo. - E você? - Perguntou com um pequeno sorriso.
   - Bem. - Demi retribuiu o sorriso de Joe um tanto corada. O silêncio voltara, mas não os deixara constrangidos, apenas sem jeito.
   - Nervosa? - Demi tinha a sensação que o peito largo de Joe estava mais próximo a cada segundo.. Não era uma sensação.. Ao olhar para cima pode encontrar os olhos maravilhosos dele a poucos centímetros dos seus.
   - Você sabe como a imprensa é. - Mordendo o lábio inferior com força para conter um sorriso, Demi olhou para os lados sentindo-se cada vez mais encolhida.
   - Dem.. Eu queria ped.. - Antes mesmo que Joe pudesse terminar a frase a porta abriu-se os assustando.
   - Querida, faltam cinco minutos! - Disse a moça que fazia parte da assessoria. Respirando fundo Demi assentiu maneando a cabeça.
   - Você pode abotoar a minha camisa? - Pedira antes de calçar os sapatos apenas para sentir os dedos dela roçarem o seu peito enquanto cada botão era devidamente integrado a sua pequena casa. Joe quase perdera o fôlego e a agarrara, mas preferiu apenas observá-la com um pequeno sorriso nos lábios satisfeito por tê-la a poucos centímetros de seu corpo. - Obrigado. - Curvando-se, ele beijou o canto esquerdo da boca de Demi fazendo-a sorrir.
Faça alguma coisa, só não seja um idiota, pensou Joe num estado de nervoso absurdo. Tomando coragem, ele impediu que Demi se virasse segurando-a delicadamente pelo braço. - Demi, nós ainda temos cinco minutos. - Disse tão sem jeito. Afastando a mão do braço dela, Joe viu-se completamente perdido no brilho dos olhos de Demi. Na última vez que fitara aqueles olhos o coração partira-se, eles mostravam o quão magoada ela estava, a magoa tinha substituído todo o brilho inigualável dos olhos de Demi e Joe sabia que a culpa pertencia exclusivamente a ele. - Eu quero consertar as coisas. - Demi mal teve tempo para respondê-lo, a obrigação a chamava. A porta tinha sido novamente aberta e um funcionário da equipe avisara que ela estava atrasada, mas o atraso não impediu que 
os dedos se juntassem aos de Joe e que Demi caminhasse pelos corredores com o coração quase saindo pela boca, estava tão nervosa. Estar exposta aos malditos jornalistas e paparazzis não seria fácil, mas ter Joe ao seu lado a ajudaria.

Continua.. Oi. Bem, espero que vocês gostem desse capítulo, Jemi ainda não voltou, mas eles perceberam que não é possível um viver longe do outro.. Obrigado pelos comentários cabritada! Espero que comentem mais, quero saber qual é a opinião de vocês :) Beijos lindas. ps. Não estou respondendo os comentários porque minha internet é muito lixosa, até para postar tá uma coisa.. tô só com 3g :'(

Jéssie, oi menina! você no meu blog :') <3 Eu curso Engenharia da computação :) beeeijos e posta mais \o/ 

10.10.14

Capítulo 24

Dirigir estava fora de cogitação, mas de qualquer forma teria que conduzir o carro. Os pensamentos estavam longe do trânsito conturbado de Los Angeles, Demi poderia bater o carro a qualquer segundo. Pensava em Joe e no quão inconsolável ele estava quando ela saiu de casa. Tinha sido difícil, mas seria impossível conviver com ele depois dos últimos acontecimentos. Não podia negar que estava magoada com as atitudes dele, estava confusa e com medo de que as coisas piorassem e eles se afastassem. Por isso preferiu sair de casa, era melhor passar um mês ou um dia longe ao invés de perder tudo que construíram nos vinte anos que estavam juntos. Os pneus cantaram quando fizera a curva longa e então o airbag a engoliu. Ah diabos! Demi xingou socando a bolsa de ar freneticamente. Não demorou muito para que ela virasse uma bagunça de lágrimas, airbag e palavrões mais que grotescos. A luz amarela refletiu no para-brisas cegando-a, houve uma pequena batida no vidro da janela da porta do motorista e Demi revirou os olhos irritada ao ver o homem de camisa xadrez esperando pacientemente que ela desse sinal que estava viva.
   - Tudo bem senhora? - O sotaque sulista encheu-lhe os ouvidos quando abriu a porta.
   - Não aconteceu nada grave. - Demi arregalou os olhos ao ver o tamanho do bigode do senhor. Sentou-se no banco com os pés sobre o asfalto da pista e repousou as mãos no rosto para respirar fundo e acalmar-se.
   - A senhorita não quer ir ao hospital? - Demi forçou um sorriso para mostrar que estava bem.
   - Eu só preciso tomar um ar. - Aceitando a mão que o homem oferecia, Demi teve medo de ficar de pé, as pernas estavam bambas e o coração acelerado. Agradeceu ao Senhor por livrá-la do pior, caminhou por poucos minutos aos arredores do carro enquanto o homem gentil verificava se o carro não tinha sido danificado. Discou o número que sabia de cor e segundos depois a voz doce da mãe preencheu seus ouvidos. Avisou que estava a caminho e um sorriso triste nasceu em seus lábios quando Dianna disse que assaria biscoitos e bolo de chocolate com cobertura de morango apenas para ela. Quando desligara o telefone agradecera o senhor que ficara tão preocupado com ela e partiu dirigindo devagar e tranquilamente. Tudo que ela mais queria no momento era estar aquecida e protegida nos braços da mulher que a gerou e lhe deu amor durante toda a vida. Não iria pensar em Joe e nada que o envolvia, queria apenas ter paz por míseros segundos. Respirou fundo procurando a coragem em algum lugar de si mesma, tocou a campainha e segundos depois Dianna abriu a porta e a recebeu com um abraço apertado.
   - Como você está minha menina? - Perguntou a mãe beijando-a no rosto. 
   - Bem mãe. - Disse sorrindo nervosamente. Não resistindo, Demi a abraçou com força e adorou sentir o cheiro inebriante de chocolate e morango impregnado no avental de Dianna. - Eu estava com saudade. - Murmurou. Demi desviou o olhar de Dianna. Ela conhecia muito bem aquele olhar de mãe porque sempre fazia o mesmo com Dan e Lizzie quando sabia que eles não estavam bem.
   - E os meus netinhos e Joe? - Demi coçou a nuca enquanto seguia Dianna para a cozinha.
   - Eles estão na casa de Denise e Joe está em casa. - Sentando-se a mesa, Demi respirou fundo e o estômago praticamente gritou pelo bolo de chocolate.
   - Está com fome? O bolo ficará pronto em cerca de meia hora. - Disse Dianna sentando-se a mesa ao lado de Demi. Conversaram sobre as fotos e o namoro das filhas. Anne com Bryan e Lizzie com Eric, Demi agradeceu Dianna mentalmente por não tocar no assunto das fotos, que graças a Deus ela conseguiu esquecer.
   - Adivinha quem é. - Demi riu da voz "misteriosa" e tateou os dedos delicados de Anne que impediam sua visão.
   - Eu não faço ideia de quem quer que seja. - Depois de segundos trocando risinhos, Demi ergueu os braços para abraçar a irmã e beijá-la no rosto.
   - Por que você não me disse que iria vir? Eu tenho tanta coisa para te contar. - Recebendo o olhar de censura da mãe depois do risinho malicioso, Demi piscou para Anne fazendo a menina corar.
   - Por que a senhorita não me contou que está namorando o meu afilhado? - Demi fitou os olhos azuis da irmã e riu quando a mesma desviou o olhar sugestivo mais vermelha quanto um pimentão.
   - Eu estava de castigo. - Murmurou fazendo careta e Demi voltara no tempo. Anos e anos atrás quando ainda era uma menina, Demi passara por uma brusca mudança no visual nos estúdios da Disney, iria estrelar um filme adolescente ao lado dos Jonas Brothers. E então ela o conheceu, a início o achara um completo enxerido, Joe era um galã adolescente chato que ficava o dia todo no seu pé, até que um dia ele a beijou e tudo começou. Dianna e principalmente Eddie não apoiaram o namoro e assim que Demi contou que tivera a primeira noite de amor com o namorado brigara com a mãe e saíra de casa por pura rebeldia.
   - Vocês duas não têm juízo. - Demi quase saltara da cadeira de susto, Deus! Eddie faria uma senhora confusão quando soubesse da mais nova traquinagem de Joe. Pobre Joe..
   - Eu também te amo. - Demi riu enquanto abraçava o pai. Sabia que Eddie tinha apenas medo de que algum garoto machucasse as suas meninas, por isso que era um pai super protetor. Minutos mais tarde o bolo finalmente estava pronto e eles o banquetearam enquanto conversavam animadamente, Demi ignorou as chamadas de Dan e Lizzie para enviar uma mensagem dizendo que os antederia daqui a alguns minutos, ela ainda precisava conversar com Dianna.
   - Mais bolo Demi? - Perguntou Dianna distraída enquanto cortava mais uma fatia de bolo para Eddie e Anne.
   - Não obrigada.. Eu queria falar com a senhora. - Murmurou envergonhada e Dianna assentiu. Pedindo licença ao pai e a irmã, Demi levantou-se e seguiu a mãe para longe da cozinha.
   - Eu sabia que tinha algo de errado. - Dianna acariciou o rosto da filha e segurou-lhe as mãos esperando pacientemente Demi começar a contar o que tinha acontecido.
   - Nós brigamos. Eu estou tão cansada. - O choro compulsivo não deixou que ela concluísse a fala, Dianna a puxou para o colo e a confortou nos braços por minutos e mais minutos até que o choro finalmente cessasse. - Joe está tão bravo por causa das fotos. Ontem na hora do jantar ele começou a me ignorar, mas nós acabamos.. juntos. Pensei que tudo estava bem entre nós, mas hoje pela manhã ele estava tão frio e distante. - Demi respirou fundo enquanto revivia a reunião.. - Eu resolvi dar o troco e vesti o vestido mais curto e decotado do meu closet para ir a reunião, ele me obrigou a vestir o paletó na frente de todos e nós brigamos quando chegamos em casa. Eu preciso de um lugar para ficar, não quero voltar para casa. - Dianna arregalou os olhos por breves segundos absorvendo toda aquela história.
   - Demi.. - Disse enquanto escolhia cada palavra cautelosamente. - Você sabe que aqui também é a sua casa, mas você tem certeza do que está fazendo? - Perguntou.
   - Eu o amo e sei que ele me ama, mas nosso relacionamento desabou do nada, eu não quero me machucar e não quero machucá-lo, preciso de tempo para organizar a minha vida. - Organizar a bagunça que Alex fizera.. Aquelas fotos só trouxeram confusão tanto para a sua vida pessoal quanto para a profissional.
   - Elizabeth e Daniel? Como eles ficam no meio dessa bagunça? - Ora, ela ainda não resolvera esta questão.
   - Eles não sabem que eu e Joe estamos brigados. - Murmurou. - Vou buscá-los na casa de Denise e aproveito para explicar. - Houve silêncio a princípio, mas logo o suspiro pesado de Dianna e o barulho do beijo estalado que dera na testa de Demi preencheu o local por breves segundos.
   - Você está casada há quase dezessete anos. Espero que saiba o que está fazendo. - Erguendo-se, Demi fitou os olhos da mãe e enlaçou os dedos aos dela com mais força. - Demi, escute o que vou te dizer. Hoje vocês jovens não dão importância às coisas realmente valiosas, só pensam em diversão e sexo. Pense bem na sua decisão, o que você e o Joe têm é raro demais para ser jogado no lixo de um minuto para o outro, não deixe que a raiva momentânea influencie nas suas decisões. Não tem vinte e quatro horas que as coisas desmoronaram entre vocês e você está fugindo de casa. - Dianna poderia ter razão em alguns pontos.. ou em todos, mas a situação era um tanto diferente de como ela imaginava.
   - Eu não pretendo me separar dele. Só preciso de tempo para organizar as coisas na minha cabeça sem que eu possa machucá-lo. Eu o amo demais para deixar que um problema meu afete mais o nosso relacionamento. - Tempo era o essencial para que as coisas se resolvessem naturalmente, claro que Demi teria que controlá-lo antes que fosse tarde demais...
   - Não pense só em você, lembre-se de Daniel e Elizabeth, eles também estão envolvidos nessa bagunça. São adolescentes e estão entrando nesse mundo complicado dos adultos. Você como mãe e o Joe como pai são as grandes influências e exemplos  para vida deles. - Demi só queria evitar o pior tanto para o relacionamento com Joe quanto para o relacionamento com os filhos.
   - Eu.. vou explicar tudo para eles. - O telefone começou a vibrar no bolso chamando-lhe atenção, Demi o buscou e respirou fundo um tanto nervosa ao ver o nome de Dan na tela. - Oi bebê, estou a caminho. - Demi sorriu ao escutar a voz manhosa de Elizabeth. A garota ligara do celular do irmão porque o dela estava descarregado, Lizzie fazia tanta manha via telefone e Demi sabia o porquê.. - Vou buscá-los. - Disse a Dianna. - Os pais de Eric convidaram Beth para conhecer a casa de praia da família no final de semana, mas Joe não permitiu. - Na verdade nem a própria Demi concordava em deixar Lizzie passar o final de semana com o namorado.
   - É melhor passar um final de semana na casa de praia com a família do rapaz ao invés de passar uma semana inteirinha sumida com o namorado Demetria! - Demi corou bruscamente, mas riu. Dianna era uma mãe tão traumatizada.. E fazia questão de lembrá-la de todas as travessuras que aprontara quando era adolescente. - Vou cortar algumas fatias de bolo para os seus bebês. - Abraçando a mãe de lado, Demi agradeceu por ser acolhida.
   - A senhora pode separar algumas fatias para o Joe, ele adora bolo de chocolate. - O rosto ardeu ainda mais quando Dianna arqueou as sobrancelhas.
   - Pensei que estivessem brigados, mas vou pensar no seu caso Sra. Jonas. - Demi fez careta, mas seguiu Dianna para a cozinha. Agora era a hora que ela precisava de uma boa dose de coragem.
(...)
A noite caíra em um piscar de olhos. O clima estava agradável, nem tão quente, nem tão frio. Era uma das vantagens de morar na Califórnia, a temperatura nunca era um problema. Refrescando-se com a leve brisa que beijava seu rosto e roçava seus cabelos graciosamente, Demi dirigia com prudência pelas ruas de Los Angeles em direção a casa de Denise onde estavam os filhos. Estava tão nervosa e novamente com medo da reação deles. Pensara que dessa vez a reação deles seria pior, e de fato seria. O passado conturbado era completamente diferente de "Dar um tempo" no relacionamento com Joe até porque estando na posição que Daniel e Lizzie estavam, o medo da possível separação dos pais os engoliria, pois eles viveriam aquilo, esse era o principal ponto que diferenciava "Dar um tempo" da história de vida de Demi. Acalme-se. Disse a si mesma lembrando-se do susto de mais cedo. Deus a livrou. A curva era perigosa e Demi dirigia impacientemente em alta velocidade, jogara o volante para a esquerda e freara o carro bruscamente fazendo com que os pneus derrapassem na pista causando um barulho ensurdecedor. Tinha sido um susto! Mas graças a Deus ela estava bem. Não tão bem.. porém viva e cheia de saúde. Dizendo um rápido "Cheguei" assim que recebera outra ligação do celular de Daniel, Demi livrou-se do cinto de segurança e apalpou o volante constantemente tentando se livrar daquele friozinho chato que estava instalado um pouco acima de seu ventre. Abrira a porta decidida a ficar o mínimo de tempo possível na casa de Denise, a mãe de Joe. Tocara a campainha e depois de alguns minutos a porta se abriu. Demi sorriu aliviada e abraçou Nick.
   - Estou de saída, Mama está te esperando na cozinha para tomar café. - Demi fez careta e assentiu causando riso no cunhado.
   - Diga para Miley que eu preciso falar com ela. - Dando outro abraço em Nick, Demi tornou a respirar fundo sabendo que Denise a esperava.. E se Joe tivesse dito algo sobre a briga para a mãe? Não seria nada interessante discutir com Denise. Demi conhecia perfeitamente aquele rapaz de costas. Por um momento viu-se assustada com o quão rápido tinha sido o crescimento de Daniel, parecia que ontem ele era um bebê e hoje era quase um homem. Abraçando-o por trás, Demi beijou-lhe as costas da camisa xadrez azul e branca e logo foi envolvida pelos braços do garoto recebendo um beijo carinhoso na bochecha.
   - Você demorou baixinha. - Daniel sorriu daquele jeito galanteador tão semelhante ao pai. - Eu estava preocupado. - Sorrindo timidamente, Demi o abraçou com força quando o medo da reação dele sobre a briga e a decisão repentina de sair de casa veio.
   - Eu estava na casa da sua avó. - Disse um tanto tensa ao perceber o olhar de Denise e Lizzie sobre si. - Boa noite. - Tentou dizer da forma mais simpática e educada possível. 
   - Boa noite. - Lizzie e Denise disseram em uníssono tão simpáticas quanto Demi. Elizabeth caminhou até ela, tomou-a dos braços do irmão e a envolveu num abraço caloroso. - Você demorou. - Sussurrou e logo sorriu para a mãe.
   - O dia foi corrido, passei na casa da sua avó. - Comentou sentando-se no banco do balcão para tomar uma xícara de chá com a sogra.
   - Joseph não está com você? - Perguntou Denise tombando a chaleira que derramava o chá que preenchia milímetro por milímetro da xícara de porcelana.
   - Ele está em casa. - Murmurou e logo bebericou o chá arrependendo-se, pois engasgara com a bebida quente e precisava de tapas nas costas. Que vergonha! - Desculpe. - Sussurrou envergonhada e tão vermelha..
   - Você está bem? - Elizabeth perguntou com a mão sobre o ombro de Demi esperando pacientemente pela resposta.
   - Sim.. Por que vocês não vão se despedir do vovô? - Sugeriu forçando um sorriso e então Lizzie e Dan assentiram caminhando para fora da cozinha conversando sobre algum assunto da escola. - Nós brigamos. - Sussurrou quebrando o silêncio agradável da cozinha. Era melhor contar ao invés de deixar aquele assunto virar uma completa bola de neve, Denise não era muito gentil quando se tratava de defender os filhos. E Demi entendia, amor de mãe é inexplicável.
   - O que aconteceu? - Perguntou Denise aproximando-se tão preocupada.
   - As coisas fugiram do nosso controle. - Limitou-se a dizer. Por mais que Joe tinha culpa, não iria culpá-lo ou detoná-lo para a própria mãe até porque ela jamais faria algo do tipo. - Eu vou passar alguns dias na casa da minha mãe para organizar as coisas, é melhor assim. - Concluiu bebericando o chá.
   - Daniel e Elizabeth? - Demi agradecera por Denise não questioná-lo ou tentar mudar as coisas. Se ela mesma resolvera dar um tempo no relacionamento com Joe, era porque sabia que seria o melhor para eles.
   - Tenho que conversar com eles. - Disse olhando para trás verificando se ainda estavam sozinhas. - É melhor eu ir, está ficando tarde. - Comentou. Ainda teria que conversar com Daniel e Elizabeth, levá-los para casa e ainda tinha Eddie, que com certeza faria um escândalo quando descobrisse o que Joe fizera. 
   - Humm.. - Murmurou Daniel puxando o cinto de segurança do banco traseiro do carro da mãe. Há minutos atrás ele tivera a impressão que Demi e Denise guerreariam a qualquer minuto, as duas estavam tensas e mal se despediram, uma mais orgulhosa que a outra.. Entretanto Demi continuava tensa, e ainda estavam na rua da casa da avó porque a mãe não ligara o carro, apenas estava parada e no mundo da lua. - Lizzie. - Daniel cutucou a irmã e a mesma olhou para a direção que ele apontava.
   - O que foi? - Disse Elizabeth num sussurro fitando os olhos verdes do irmão sobre a pouca luz do interior do carro.
   - Mamãe está estranha. - Comentou sussurrando de volta. Depois de minutos observando-a fitar o volante, Daniel a cutucou e a chamou, e só depois Demi o olhou ainda em outro planeta. - Está tudo bem? - Perguntou com os olhos fixos nos dela.
   - Vocês querem ir para casa? - Demi engoliu seco quando os dois assentiram. Deveriam estar cansados, estavam na casa de Denise há horas e horas. Então ela finalmente deu partida no carro pensando em como contaria que não passaria aquela noite em casa, a próxima noite.. e certamente as futuras noites.. Pare! Disse a si mesma. Acabaria causando um acidente, estava dirigindo e deveria estar concentrada em guiar o carro com o máximo de atenção para que todos estivessem seguros. Não adiantava.. A tensão crescia mais e mais conforme o velho caminho os levava cada vez mais para a casa da família, lá estaria Joe tão deprimido quanto ela o deixou quando saiu mais cedo..
   - O que foi? - Elizabeth perguntou de cenho franzido quando o carro morreu a poucos metros do portão de casa.
   - Nós precisamos conversar. - Movendo-se desconfortavelmente, Demi guiou o carro para perto da calçada deixando-o estacionado lá.
   - Da última vez que nós três tivemos uma conversa dentro de um carro, a senh.. você estava de turnê marcada. - Disse Daniel rindo nervosamente. Ficar um ano longe da mãe não tinha sido brincadeira, mantinham contato via internet e telefone, viram-se poucas vezes durante todo um ano em datas como aniversários e festas natalinas, tinha sido horrível.
   - Não bebê. - Demi forçou um sorriso enquanto desprendia o cinto de segurança e a lembrança do airbag colidindo contra o rosto da deixou atordoada. - Quero que vocês me escutem com atenção. - Disse colocando uma mecha teimosa do cabelo atrás da orelha. - Eu e o pai de vocês.. Nós não estamos num bom momento do nosso relacionamento.. - O nervoso a impedia de expressar-se da forma correta, não era fácil estar diante das duas pessoinhas que ela tinha gerado e cuidado durante toda a vida, doía o coração só de pensar em vê-las sofrer. - Nós não nos entendemos hoje, acabamos discutindo e.. - Não iria dizer o que realmente tinha acontecido, por mais que estivesse chateada com Joe, não iria deixá-lo mal na fita. - Estamos chateados um com o outro e achamos melhor dar um tempo para que as coisas se ajeitem. - Demi os olhou e pudera ver o coração dos pequenos carregado de angústia e os olhos cheios de medo. - Eu vou ficar na casa da vovó Dianna. - Os olhares sobre ela passaram a ser mais assustados quando dissera que saíra de casa. Estava sendo bem pior que imaginara.
   - Você está nos deixando? - Murmurou Elizabeth com os olhos tão marejados. Demi a olhou e foi o suficiente para que o coração se despedaçasse. - Por quê? Eu não quero que você nos deixe. - Disse a menina tão desesperada.
   - Lizzie. - O instinto protetor não falhava, Daniel a abraçou quando viu que a irmã estava desabando aos poucos. Aninhara-a no peito e a protegera com os braços. Lizzie era tão sensível, mas ele confessara que também era. As lágrimas rolaram pelo rosto quando os olhos encontraram os da mãe. Ela parecia tão desesperada e desprotegida, mas como ele iria a proteger se quem o protegia era ela?
   - Por favor. - Soluçou Demi repetidas vezes. - Eu jamais os deixaria, vocês podem vir comigo. - Disse desesperada. As mãos chegavam tremer, o peito subia e descia denunciando o quão nervosa ela estava. - Não fiquem chateados com a mamãe, por favor, eu estou tentando consertar as coisas. - As lágrimas salgadas molhavam o rosto e roçavam os lábios freneticamente. Como o coração iria sobreviver depois de presenciar as pessoas mais importantes de sua vida acabar em choro? Tinha sido tão difícil arrumar as malas e deixar Joe com um beijo de adeus. Agora estava cada vez mais impossível sobreviver ao choro compulsivo de Elizabeth e as lágrimas solitárias de Daniel.
   - Consertar as coisas? Como nós vamos viver com você e o papai separados? - Disse Daniel de cenho franzido tão atordoado por ver a irmã desesperada. - Vocês se amam! - Disse como se Demi não se lembrasse daquele amor arrebatador.
   - Nós só brigamos, não significa que não nos amamos. - Preencheu o silêncio que os envolvia há minutos. - Por favor, quero que vocês prestem bastante atenção. - Finalmente Elizabeth estava mais calma, assim como Daniel. Demi respirou fundo lutando contra as lágrimas que ameaçavam molhar o rosto pela milésima vez naquele dia. - Eu não vou deixar o pai de vocês, eu o amo com todo o meu ser e não vai ser uma briga que vai nos separar. - Vendo que estavam mais calmos e aliviados com a breve declaração, Demi tornou a respirar fundo para prosseguir. - Todo casal briga, e algumas brigas se resolvem com beijos apaixonados ou com buquês de flores gigantescos, mas tem brigas que não se resolvem de um jeito fácil. Eu estou chateada com o pai de vocês e ele está chateado comigo. Então ficar na mesma casa não nos ajudará em nada, nós vamos brigar cada vez mais e.. Eu não quero perder o que nós temos, por isso vou ficar na casa da vovó até que nós dois fiquemos calmos para tentarmos nos resolver. - Demi viu-se aliviada ao perceber que Dan e Lizzie estavam mais calmos.
   - Por que vocês brigaram? - Perguntou Elizabeth. Os olhos de Demi flagraram os dedos de Dan enlaçados aos de Lizzie e um pequeno sorriso nasceu em seus lábios. Seus pequenos se desentendiam várias vezes durante o dia, mas eles eram tão unidos.
   - Não foi nada demais.. - Mentiu. Não precisava que Lizzie ou Dan se envolvesse mais naquela confusão, não queria traumatizá-los com a verdade.
   - Ninguém briga por nada. - Disse Daniel de cenho franzido esperando por uma resposta convincente.
   - Eu não quero conversar sobre isso. - Disse incomodada. - Quero que vocês prometam que vão obedecer o pai de vocês enquanto eu estiver fora. - Demi sabia o quão desobediente e insistentes eles poderiam ser, principalmente uma mocinha chamada Elizabeth.. Quando Lizzie queria ela deixava todos loucos. - Não quero bagunça senhor Daniel, e Elizabeth, pelo amor de Deus não deixe o seu pai comprar comida instantânea. - A casa ficaria de pernas para o ar, Demi já poderia prever tudo. - Eu.. Eu preciso ir. - Disse depois de uma rápida espiada no telefone. Houve múrmuros tristonhos e cenhos franzidos.
  - Mãe.. - Daniel a olhou com aqueles grandes olhos verdes carregados de lágrimas e Demi se lembrou de quando ele era um bebezinho chorão. Movendo-se para o banco de trás, Demi deixou-se ser abraçada calorosamente por eles. Disse que os amava por várias vezes e também os beijou entre suspiros e lamentações.
   - Vão para casa, eu prometo voltar logo. - Na hora que o sereno da noite roçou os corpos quentes, as lágrimas brotaram nos olhos de Demi na hora de dizer adeus, os abraçou mais uma vez e deixou-se quase ser esmagada no abraço de Dan e Lizzie. - Cuidem de Joe. - Disse quando quebraram o abraço. Vê-los se afastar cada vez mais do seu campo de visão a deixou angustiada, eles estavam indo para casa, para a casa onde era o seu lugar.

Continua.. Oi. Tudo bem com vocês? Infelizmente demorei a postar porque tive alguns problemas no decorrer da semana, aqui na cidade está muito frio e como sou uma pessoa que tem uma saúde de ferro acabei pegando uma senhora gripe e para a minha felicidade a tpm me pegou junto com uma provinha prática da faculdade, dai deu no que deu. Sem citar a minha falta de criatividade >< Bem, mais um capítulo desse drama todo, talvez demore para que as coisas voltem ao normal.. talvez não demore.. ou talvez elas não voltem.. Não sei né? :) Quem ai concorda com a Demi? Eu concordo.. Vocês acham que a Demi tem que sofrer mais um pouquinho? O Joe vai aprontar mais alguma coisa? E a 
Alex..? Taaaaalvez eu dê algum spoiler para vocês no próximo capítulo.. Vou tentar postar com mais frequência, ok? Desculpem pela demora, beijos e comentem muito e muito :D
ps. Meninas que tem blog, vocês podem divulgar o meu blog por favor *-* 

5.10.14

Capítulo 23

Lá fora as crianças corriam felizes pelo gramado verde, gargalhavam e sorriam até mesmo com o soprar do vento que tocava o rosto. Logo atrás o casal de velhinhos caminhavam de mãos dadas em completa paz e harmonia, trocavam olhares cúmplices e sorrisos tímidos. Demi encostou a cabeça contra o vidro da janela do carro e fechou os olhos sentindo o nó se formar na garganta. Planejara envelhecer ao lado dele, superar cada dificuldade e amá-lo para todo o sempre. Ansiara em viver o dia que iria ganhar os seus netinhos e mimá-los junto com Joe. Os primeiros fios de cabelo branco.. Quando a voz começaria falhar.. O dia que ela se sentaria numa cadeira de balanço para tricotar por toda tarde enquanto Joe ensinava os filhos de Dan e Lizzie tocar violão. Então no final da tarde ela assaria biscoitos e fornadas e mais fornadas de pão de queijo, se deitaria para dormir mais cedo e descansaria em paz nos braços do homem que amava. Uma lágrima solitária rolou pelo rosto e Demi apressou-se em limpá-la enquanto a imagem daquela família era deixada para trás conforme o carro guiado por Joe seguia caminho. O final feliz era aquele. Viveriam um dia de cada vez, superariam cada dificuldade juntos e jamais deixariam que o amor acabasse até que a morte os separasse. A dor no peito parecia sem fim, mais lágrimas rolaram com força e determinação, e Demi as limpou antes que o homem furioso que dirigia o carro perguntasse da forma mais grotesca o motivo do choro. Talvez ele notara que ela chorava e preferiu deixá-la sofrer sozinha. No fundo ela sabia que a culpa era apenas de um deles. Sentia-se culpada. E infelizmente ela era a culpada. Se ela não fosse tão fraca no passado aquelas fotos não existiriam e Joe não estaria uma fera. Fraca, culpada e suicida. Alex tinha razão. Demi acabaria se destruindo de tanta culpa que sentia. Malditas condicionais. Se ela fosse. Se ela não fizesse. Se, se, se e se! Mas o passado era um fato e um fardo pesado prestes a esmagá-la. Tudo estava voltando. A Demi que não se sentia bem com a própria aparência; A Demi que se sentia culpada; A Demi que pensava que se ela não existisse o mundo seria um lugar melhor. Aquela mulher inquebrável estava quebrada. Quebrada em milhares de pedaços.

Olhando para o lado, Demi deparou-se com os olhos esverdeados de Joe sobre ela. Estremeceu, engoliu seco e preferiu voltar a pensar na vida sem manter contato visual. Minutos mais tarde a roseira lhe parecia familiar. Fitara cada detalhe daquela perfeição e o jardim que estava plantada. Só aí percebeu que aquela era a sua casa. Livrara-se do cinto de segurança e em questão de segundos estava fora do carro.

   - Demi. - O sussurro a paralisou. Baixara as pálpebras e mais lágrimas rolaram. Sentiu o toque gentil queimar em seu braço, o perfume masculino que tanto gostava envolvê-la cada vez mais. - Eu não quero brigar. - A voz pesarosa de Joseph estava tão próxima e denunciava que ele estava tão machucado quanto ela. Por mais que a dor fosse absurda Demi preferiu esquecer que ele existia e seguiu caminho quebrando-se cada vez mais. Não disse um oi para aquelas bolinhas de pelos tristonha, subira cada degrau da escada em seu limite. Não tinha como fugir. Eram casados, dividiam o mesmo teto e consequentemente a mesma cama.

Desabotoando botão por botão do paletó, Demi o deslizou pelos braços fazendo com a peça caísse no chão. Descalçara um pé e logo o outro. A cama estava perfeitamente da mesma forma que a deixara. Com os lençóis brancos amarrotados e com o cobertor desdobrado. O calafrio percorreu todo o corpo ao se lembrar da primeira noite de amor naquela cama/naquele quarto. Retomara o namoro com Joe por insistência dele na festa de noivado de Miley e Nick. Ela deveria ter seus dezoito e Joe os seus vinte e um anos. O dia tinha sido agitado e cheio de emoções. O medo de não ser aceita depois que todos os seus segredos foram revelados ao mundo era imenso, Demi voltara aos palcos depois de quase quatro meses longe deles. No mesmo dia do show, que era também o dia do aniversário de Joe, ele a levou para jantar numa casa incrível, que Demi veio descobriu que pertencia a eles, e a pediu em casamento. Foi naquela noite que eles fizeram amor pela primeira vez naquela cama. Era engraçado como as coisas mudavam de uma noite para o dia. Aquela cama tinha sido palco das noites mais intensas de toda a sua vida, ali fizera promessas e saciara os desejos mais insanos e apaixonados que um homem e uma mulher poderiam sentir. Adentrara os cabelos com os dedos lutando mentalmente contra aquelas lembranças indesejadas. Houve um suspiro pesaroso e o nó formara-se na garganta. Lá estava ele, parado perto da porta do quarto olhando também para a cama.

   - Sobre ontem.. - Sussurrou Joe olhando para ela. - Demi.. - Tudo que Demi fez foi espalmar o peito dele e empurrá-lo quando ele se aproximou.

   - Ontem Joseph.. Não passou de sexo, apenas sexo. - Tomara distância dele, não sabia ao certo do que era capaz.. - Você está furioso, eu sei. Está cansado e tudo que eu faço é nos envolver em confusão, eu sei. - A voz dela soara tão calma assumindo toda a culpa.

   - Você não entende. - Murmurou Joe passando as mãos no rosto. - Eu não estou furioso com você, é apenas.. Essa merda toda. - Atropelara palavra por palavra. Enquanto dirigia o nervoso passara e a consciência pesara. - Perdi a cabeça quando vi aquelas fotos, eu não suporto a ideia de que você já foi de outro cara, você é minha Dem. - Não.. Demi conhecia muito bem aquele lado possessivo de Joe.

   - Joseph! - Exaltou irritada. - Eu não me lembro de nada, eu estava chapada, você entende? - As veias saltaram e ela ofegara. - Não use essas desculpas esfarrapadas para livrar a sua pele. O seu comportamento hoje pela manhã não se justifica. Você mal falou comigo, mal olhou em meus olhos. Sabe como eu me sinto? Eu me sinto usada. - O estoque de lágrimas deveria estar esgotado, mas lá estavam elas brotando nos olhos e rolando pelo rosto. - Você era a única pessoa no mundo que eu pensava que poderia confiar, mas na primeira oportunidade você me abandonou. - Rangendo, Demi limpou o rosto molhado com as mãos com força, mas de nada adiantara.

   - O que você faria se fotos minhas com outra mulher caísse na rede? Eu pensava que você tinha sido apenas minh.. - Joe fechou os olhos com força lutando contra a raiva que o invadira. Ela não tinha sido apenas dele, tinha Wilmer.. O homem da foto.. - Você apareceu com essa roupa e todos te olhav.. - Demi simplesmente o acertou com o sapato.

   - Você só pensa em sexo? Qual a parte da porra do eu te amo que você não entendeu até hoje Joseph? - O mundo estava prestes a esmagá-la e tudo que Joe pensava era naquela questão ridícula.

   - Você não entende. - Murmurou folgando a gravata impaciente.

   - Você deveria ter se casado com uma dessas beldades de Hollywood. Garanto para você que era só estalar os dedos que você meteria nela a noite inteira. - Gritou o acertando com o outro sapato. - Eu sou problemática demais para você. - Enxugando as lágrimas, Demi levou a mão ao peito esquerdo quando o mesmo doeu.

   - Você é perfeita demais para mim. - Num impulso Joe a envolveu com os braços. O coração quase saltara para fora do peito apenas porque tinha ela nos braços. - Você é uma mulher incrível. Eu sou o único errado dessa história. - Era quase impossível raciocinar quando fitava aqueles olhos intensos. Os lábios dele cobriram os dela rapidamente e então eles se fitaram durante minutos e mais minutos procurando a solução um no outro.

   - Se você soubesse como eu me sinto. - A culpa o atingira com toda força. Tinha sido tão grosso com ela. Onde ele estava com a cabeça? Era Demi, a sua pequena. Ela era tão frágil e sensível, e ele quebrara seu coração; Demi era tão delicada e ele a tocou da pior e mais suja forma possível. Demi estava machucada e a culpa era dele. - É horrível Joe. Dói tanto. É como se existisse um buraco interminável de dor no meu peito, eu não consigo acreditar que eu sou boa o suficiente. - Era mil vezes mais doloroso escutar aquelas palavras e saber que era por causa dele.

   - Eu juro que vou fazer a dor passar. - Usando todas as forças, Demi desfez o abraço para se afastar dele.

   - Não me prometa mais nada, você não tem palavra. - Não ousaria em se arriscar a passar o que passara durante todo aquele dia. Joe tinha prometido que tudo ficaria bem, mas nada estava bem. - Eu só não entendo. Por que você não confia em mim? Eu confesso que estou usando esse vestido para te enlouquecer de ciúme, você me agrediu quando me arrastou para o seu carro, você me ignorou praticamente o dia todo. Se eu transei com outro cara, juro que não me lembro. As fotos não são prova de nada e você fez o que fez. - Olhando nos olhos dele Demi disse cada palavra se controlando para não desmoronar diante dele. - Eu não posso confiar em você. - Dito isto, Demi caminhou para o banheiro e trancou a porta. Não podia acreditar que Alex estava vencendo aquela palhaçada. Era a sua vida que estava sendo destruída a cada passo da Short. Talvez se ela tivesse contado sobre as fotos na noite passada Joe não teria surtado, foi um erro não contar. Demi só queria estar pronta para fazê-lo, mas a mente nesses últimos três dias estava exausta, o medo a assombrava e virara realidade. Destrancando a porta, Demi ignorou Joe sentado na cama cabisbaixo. Adentrou o closet e começou a busca por seus objetos pessoais e algumas mudas de roupas.

   - Demi, o qu.. - Joe arregalou os olhos ao ver a mala sobre a poltrona e a dona dela preenchendo-a ferozmente. - Demi, meu Deus! - Sentia que a qualquer momento iria ter um infarto ou algo do tipo. Novamente Demi o ignorou e continuou a encher a mala com seus pertences. - Você está me deixando? - Perguntou boquiaberto.

   - Eu preciso de um tempo. - Parando para olhá-lo, Demi sentiu um aperto no peito ao vê-lo pálido e sem reação. - Amor, não. - Caminhando até ele, Demi o abraçou com força mesmo contra a vontade. - Eu não quero me machucar e te machucar. - Disse enquanto limpava cada lágrima que rolava pelo rosto dele.
   - Você está me deixando.. - Soluçou com pesar.

   - Eu.. Joseph, eu estou tentando salvar o que nós temos. - Seria melhor manter distância por um tempo ao invés de piorar as coisas. - Por favor, entenda. Nós só vamos nos machucar se continuarmos juntos. - Joe parecia tão inconsolável. Era tão estranho, há horas ele estava frio e distante, grosseiro, furioso e agora chorava.

   - Demi, por favor, eu prometo que vou me comportar, prometo que vou controlar o meu ciúme, eu prometo. - Abraçando-a, Joe a beijou delicadamente como se o beijo fosse despertá-la de um sono profundo.

   - Joseph. Não prometa o que você não pode cumprir. - Demi tentou desfazer dos braços dele em sua cintura, mas Joe apenas a apertou contra o peito e soluçou entre o choro.

   - O que vai ser de mim sem você? E as crianças? - Demi fechou os olhos com força pensando se era realmente o que iria fazer. Eles iriam entender.. Ela tinha certeza que entenderiam. Não era uma decisão definitiva, ela só precisava de tempo para tentar consertar as coisas, para não se machucar e machucar aqueles que ela tanto amava.

Continua... Ok. Não foi uma senhora treta, mas foi triste. O que vocês acham que vai acontecer agora com Jemi? Lizzie e Dan? Próximo capítulo.. Obrigado pelos comentários! Beijos e até o próximo




2.10.14

Capítulo 22

Seja forte. Seja forte em todos os momentos, não se deixe abalar por nada e por ninguém. Não perca quem você é, lute para manter a sua essência. Fique forte. Iria esquecer, fingir que aquilo não tinha acontecido. Doía, não podia negar, mas não iria se deixar abalar por ele. De todas as pessoas Joe era a última delas que um dia Demi pensara que poderia machucá-la, ele era parte de si, a melhor parte. Seu primeiro amor, o homem da sua vida, o pai de seus filhos. Ele não hesitou em machucá-la. Engolira o choro, encolhera-se na cama ainda nua abraçada ao travesseiro dele. Maldito! Não conseguia sentir raiva ou qualquer sentimento negativo por ele, era apenas aquele amor forte e vivo que saltitava no peito. Estava tão envolvida mergulhada em seus problemas que assustara-se com o latido e então o cobertor fora puxado.
   - Buffy, vá brincar. - Choramingou cobrindo-se novamente. Demi o olhou e franziu o cenho quando ele também a olhou. Buffy tinha as duas patinhas apoiadas na cama, as orelhas franzidas como se ele estivesse em sinal de alerta e a língua para fora da boca. - O que você quer? - Perguntou quando Buffy começou a choramingar. Lembrara-se de quando ele era apenas um filhote. Presenteara Daniel com o pequeno Buffy, o único filhote de pelagem branca de Elvis, o golden retriever de Nick. Viajara todo o dia para o Tennessee para buscar o presente de aniversário de Dan, mas a satisfação quando entregou a caixa para o pequeno e ele sorriu bobo com o filhote que brincava com ele o tempo todo era inigualável. Buffy era parte da família. - Está com fome? - Rendera-se ao charme, Buffy ficara cada vez mais manhoso conforme Demi o acariciava na cabeça. - Eu vou tomar banho, depois nós podemos ir para a cozinha. - Incrível era a forma que Buffy entendia cada palavra dita por Demi. Lambera-a no rosto antes de sair do quarto animado. Demi sabia que ele estaria na cozinha a espera dela.
Quase não se levantara por conta da preguiça e cansaço, mas tivera que se levantar. O reflexo no espelho chamou-lhe a atenção. O pescoço estava marcado assim como os seios e algumas regiões do tronco. A marca dele.. Olheiras! Diabos! Ela tinha olheiras, tudo culpa das noites mal dormidas. Preferiu não se olhar por muito tempo no espelho.. Nunca era bom quando o fazia. Ligara as torneiras da banheira. Buffy iria esperar, o banho de banheira era mais que merecido. Uma vez que a banheira estava cheia, Demi adentrou-a e relaxou sentindo a água morna neutralizar o corpo. Não pudera se esquecer a cada vez que deslizava a esponja pelo corpo dos braços de Joe a envolvendo quando tomaram banho juntos no dia passado. Ele a protegeu e prometeu que tudo ficaria bem, mas quebrara a promessa quando também quebrara seu coração. Esqueça. Disse a si mesma. Era melhor tentar esquecer ao invés de lembra-se e perder o controle..
   - Coma tudo. - Disse quando era mais tarde. Buffy tinha um belo pedaço de bolo de chocolate na tigela e filhotes animados por um pedacinho do alimento. Pegando o prato com uma fina fatia de bolo, Demi encostou-se no balcão para beliscar os pedacinhos do bolo rindo das confusões caninas. Iria sentir falta daquelas pestinhas, se pudesse iria criá-los, mas eram seis filhotes e um cão adulto. Era cachorro demais para aquela casa. - Leve os seus garotos para passear no jardim. - Disse acariciando a cabeça de Buffy quando ele apoiou as patinhas em sua perna para "agradecê-la" pela fatia de bolo. - Você é um bom garoto. - Depois do cafuné atrás da orelha, Buffy partiu para o jardim sendo seguido pelos pequenos. O silêncio repentino foi quebrado pelo toque do celular, seria ele? Demi hesitou em buscar o telefone sobre a mesa, mas o buscara. Daniel. Graças a Deus não era Joe.
   - Bom dia meu amor. - Disse fingindo uma alegria inexistente.
   - Bom dia. - Disse o garoto tímido. - Eu não te acordei, acordei? - Perguntou preocupado e Demi sorriu de orelha a orelha. Daniel era um amor.
   - Eu estava comendo bolo de chocolate com Buffy e a gangue. - Demi riu junto com o garoto. Aquelas pestinhas realmente formavam uma gangue.
   - Você vem nos buscar na escola? - O coração encolheu ao escutar a voz esperançosa de Dan. Dizer não a eles era praticamente impossível. - Papai está uma fera com Elizabeth. - Comentou.
   - Por quê? O que aconteceu? - O instinto e a adrenalina correram em suas veias. Deus! Que todos brigassem com ela, mas com os seus pequenos a coisa era completamente diferente.
   - A família de Eric convidou Lizzie para passear no final de semana na casa de praia deles, mas o papai não quer que ela vá. - Hum.. A raiva passara. Era um passo grande demais para pouco tempo de namoro. E por mais que Lizzie fosse persistente demais, Demi não achara motivo para Joe estar uma fera com a menina.
   - Seu pai está preocupado, vou conversar com ele. - Deveria manter aquela máscara que mostrava que estavam bem, não queria que o seu mau relacionamento com Joe os influenciasse. - Tenho reunião à tarde, mas vou tentar buscá-los na escola. - O suspiro frustrado de Dan partira o seu coração. 
   - Tudo bem. - O que ela não fazia por eles?
   - Vou dar o meu jeito. - Disse e pudera imaginar o garoto sorrir.
   - Preciso de um favor..
(...)
Atrasada! Muito atrasada. Dispensara o carro que Joe mandara e não atendera a ligação dele. Joe que se f... Se ele queria gelo ela daria o todo o polo norte e o polo sul exclusivamente para ele. Cílios alongados, confere. Maquiagem impecável, confere. Batom vermelho, super confere. Vestido branco curto e decotado, confere. Sapato branco de salto de solado vermelho, confere. Cabelo preso num coque casual, confere. Iria matá-lo de ciúmes e não se sentia nem um pouco culpada. Deus! Arregalara os olhos. Como iria sair com o belo chupão no pescoço? Maldito Joseph! Tivera que desfazer o coque para deixar os cabelos soltos, caso um paparazzo fotografasse aquele chupão ela seria capa das próximas edições de jornais, revistas e websites. Quando o cabelo finalmente estava pronto procurara pelos óculos ray ban pretos e os pusera.
   - Lady, comporte-se mocinha. – Observando a cadelinha cor de champagne olhá-la um tanto confusa, Demi esboçou um pequeno sorriso e a pegou no colo. – Você vai sentir falta dos seus irmãos? – Disse mimando-a. – Dan encontrou um lar para você menina. – Pusera lacinhos cor de rosa nas orelhinhas de Lady e escovara o pelo champagne, tudo porque Daniel pediu. – Está preparada? – Erguendo as orelhas, a cadelinha a olhou tão confusa e Demi a segurou firmemente nos braços enquanto elas caminhavam para a garagem. Foram cercadas por filhotes tristonhos e confusos com a repentina partida da irmã quando saiam, Demi resolveu dar alguns minutos para que eles se despedissem da pequenina e então elas partiram no conversível.
   - Está chegando? – A voz de Daniel soou pelos alto-falantes chamando a atenção de Demi e da pequena Lady. Era engraçado como ser mãe tornava as coisas completamente diferentes. Mesmo chateada e cheia de medo, Demi não deixava de sorrir tomando a leve brisa da manhã no rosto. Daniel e Lizzie tinham o dom de fazê-la sorrir por qualquer besteira. E a ansiedade de Dan a deixara ansiosa e com aquele típico frio na barriga... Olhara-se no retrovisor diversas vezes procurando algo de errado desde a hora que chegara na escola e estacionara o carro no estacionamento.. Mas tudo estava em seu devido lugar. Frustrada, olhara para a pequena Lady sentada de perna de índio no banco do carona olhando vez ou outra para os lados tão confusa por estar num lugar que não conhecia. Acariciou-lhe a cabeça e a cadelinha pulara e aconchegara-se em seu colo. Rindo, Demi descansou a cabeça no encosto do banco satisfeita pela serena música que tocava no rádio. Cantarolara preguiçosamente assim como os dedos adentravam o pelo macio de Lady que chegara fechar os olhos com a caricia que recebia. As pálpebras caíam preguiçosamente, não era tão ruim estar de castigo no banco do motorista.. O sono que vinha era gostoso e envolvente. Demi pensara seriamente em cochilar, mas a risada familiar atingiu seus ouvidos e ela despertou do pré-sono.
   - Ei, oi. – Daniel adentrou o carro agilmente sentando-se no banco do carona. – Gostei dos lacinhos. – Dan riu quando a pequenina pulou em seu colo e pediu por carinho balançando o rabinho freneticamente. – Eu não estou me precipitando? – Demi fitara os olhos verdes do garoto por breves segundos e balançou a cabeça negativamente.
   - Dan, você é um garoto incrível, Jenny irá adorar Lady. – Quando mais cedo o garoto ligara para pedir a ajuda da mãe. Pensara em presentear Jenny com Lady já que descobrira que a garota adorava cães.
   - E se ela não gostar? – Envergonhado, Dan pôs-se cabisbaixo sobre o olhar da mãe.
   - Confie em mim, eu sou uma garota e se um menino bonito como você me presenteasse com um filhote de golden retriever eu surtaria. – Demi riu dos olhos verdes arregalados de Daniel. Homens não conheciam as mulheres de forma alguma.
   - Eu acho que o papai surtaria. – Mexendo-se desconfortavelmente, Demi assentiu um tanto séria. Não queria pensar em Joe.
   - Eu estou esperando no carro. Procure Lizzie e não demore. – Os olhos encheram-se de lágrimas quando despediu-se de Lady com um abraço apertado e cafunés quase que intermináveis. Iria sentir falta daquela pestinha de lacinhos cor de rosa.
(...)
Deixara Daniel e Lizzie na casa de Denise e partira para o local marcado. A tensão 
assumira o seu ser. Respirara fundo por diversas vezes durante o percurso. Ela teria que enfrentá-lo. Tudo seria mais fácil se aquela noite não tivesse acontecido.. Mas Joe resolvera seduzi-la com beijos e caricias por toda a noite e no dia seguinte estava completamente diferente deixando-a nua e implorando pela atenção dele. Não sabia o que estava por vim e o porquê daquela reunião, mas de qualquer forma não era a pior parte. A pior parte era ter que estar com Joe naquelas circunstâncias. Conferira a maquiagem e o cabelo no retrovisor e gostara do que via. O assédio começara. Sim, assédio. Atravessara a rua sobre o concentro de cantadas sem graça e assovios de homens que a olhava com malícia. Quase não conseguira respirar conforme se aproximava do ilustre edifício onde ocorreria a reunião. Será que exagerara? A água doce era apenas três por cento de toda a massa líquida que recobria a terra, e Demi tinha certeza que o jardineiro que a olhara embasbacado segurando a mangueira desperdiçara ao menos metade da água doce. Diabos! Ela já poderia perver o surto de Joe. 
O elevador pareceu mais um cubículo e Demi se sentia como uma formiga rodeada de homens vestidos com seus ternos elegantes olhando-a indiscretamente. Pedira licença quando a porta do elevador abrira-se no andar onde iria ficar desejando sair o mais rápido daquela espécie de forno-cubículo. Depois do episódio frustante do elevador apertado cheio de homens gigantes que a chamara de princesa, caminhara pelo corredor. O terno preto, o corte do cabelo, as costas largas, a postura tensa e os sapatos negros bem polidos. Ela conhecia aquele homem de pés tortos! Joe estava de costas e Demi podia reconhecê-lo perfeitamente.
Toc, toc, toc! O som dos saltos colidindo contra o piso bem polido fora o suficiente para que todos se voltassem a ela com olhares curiosos. Oferecera um pequeno e tímido sorriso ao aproximar-se dos homens e mulheres que Joe conversava, seu grupo de empresários e alguns representantes da acessória.
   - Você está atrasada, atrasada. - Gargalhar. Demi queria gargalhar das feições incrédulas de Joe. Ele a fitara de cima para baixo; de baixo para cima diversas vezes não acreditando no que via. Um a um, babaca! Pensou Demi mal dirigindo a palavra a ele. Cumprimentara todos educadamente desculpando-se pelo atraso de mais de horas, explicara o motivo do atraso e então anunciara que a reunião poderia começara. - Demi! - Demi fixou os olhos onde a mão dele a apertava no braço e olhou nos olhos.
   - Você está me machucando. - Observando cautelosamente se a equipe adentrara a sala, Demi puxou o braço da mão de Joe sem obter sucesso.
   - Vista o meu paletó. - Largando o braço dela ao perceber que o local começara a ficar rosado, Joe desabotoou os poucos botões habilmente e ofereceu a peça para Demi que apenas o olhou com desdém e adentrou a sala. - Demi! - Sussurrou, mas queria gritar. Adentrou a sala ferozmente e puxara a mulher que vestia o microvestido pelo braço chamando a atenção de todos. - Vista o meu paletó. - Sussurrou engolindo seco largando o braço dela. Uma vez ficara traumatizado quando a imprensou contra a bancada da cozinha depois de uma briga e a atacou com beijos urgentes e agressivos enquanto Demi pedia para que ele parasse, no dia seguinte as marcas estavam roxas e a culpa por machucá-la o corroía.
   - Sente-se Joseph. - Disse Demi sustentando o olhar dele. Observou-o engolir seco e vestir o paletó completamente sem graça. Sentara-se apenas quando ele se sentara do outro lado da mesa.
   - O motivo de nos reunirmos nesta tarde está claro para todos? - Demi assentiu negativamente diante do discurso de John, um de seus empresários mais experientes. - Joseph não a informou? - Demi assentiu sem olhá-lo, mas percebeu o olhar confuso de John sobre Joe. - As fotos não param de vazar, precisamos de um posicionamento sobre o caso e procurar saber que está nos prejudicando. Hoje pela madrugada recebemos um e-mail de uma suposta sex tape. - O comportamento de Joe fazia sentido.. Olhando-o discretamente, Demi pode perceber o quão desconfortável ele estava. Mas ainda sim não justificara o comportamento frio dele naquela manhã. John prosseguiu com o discurso sobre o quão prejudicial aquele material vazado na internet era. O clima ficara cada vez mais pesado e tudo piorara quando ela tivera que sentar-se com um agente do FBI para tentar reconhecer as fotos. Mas como ela iria reconhecê-las se nem se lembrava de quando estava drogada? Demi se lembrara do esquema para receber e usar as drogas, depois não se lembrava de mais nada. Sabia que a possibilidade das fotos serem verdadeiras era grande, mas também sabia que com a tecnologia as fotos poderiam ser facilmente manipuladas.
   - Você se lembra desta foto? - Perguntou o agente. A foto que ela estava nua da cintura para cima e abraçada ao rapaz que não fazia ideia de quem era. - Ele é modelo e disse que vocês tiveram um breve romance. - Demi franziu o cenho vasculhando a memória a procura daquele sujeito.
   - Eu deveria estar muito chapada para não me lembrar dele. - Murmurou e o clima tenso da sala foi preenchido por risos descontraídos. - Eu realmente não me lembro de nada. - Disse pela milésima vez. Não adiantava, ter drogas e álcool na veia durante horas era como dormir e sonhar que estava cometendo uma loucura e não se lembrar de nada quando lúcido.
   - Estamos pensando em um show beneficente e uma coletiva de imprensa. - A ideia de estar sentada rodeada de paparazzis e jornalistas com direito a perguntas ousadas a deixava enjoada.
   - Você tem em mente quem pode estar vazando estas fotos Srta. Lovato. - O murmurou de Joe, "Senhora Jonas" chamou a atenção de todos, mas ele pareceu não se importar e cerrou os olhos para Demi. - Sra. Jonas. - Corrigiu o agente do FBI um tanto sem jeito.
   - Alex Short. - Houve um silêncio agoniante e olhares tensos sobre Demi. - Na noite do meu discurso Alex aproveitou que eu estava sozinha no banheiro para invadi-lo e confessar ter vazado as fotos e avisar que vazaria mais. - Demi mal podia olhá-los, estava constrangida por ter a privacidade invadida e exposta. Ter que justificar seus atos diante de várias pessoas, incluindo o homem que amava, não era estar confortável. - Alex era a mulher que estava me seguindo. - Murmurou lançando um rápido olhar para Joe.
   - Era a Alex? - Demi fitou os olhos dele e assentiu. - Nós vamos à delegacia prestar queixa. - Levantando-se determinado, Joe continuou a fitar os olhos de Demi esperando por uma resposta.
   - Eu não quero me envolver com a polícia. - Disse Demi incomodada com o olhar dele.
   - Como não? - Joe adentrou os cabelos com os dedos e logo cruzou os braços. - Eu não quero a minha esposa num vídeo de sexo circulando em todos os sites pornográficos. - Demi o olhou como se não acreditasse no que acabara de ouvir. E não acreditava. Ajeitara a bolsa sobre o ombro e dissera que a reunião estava encerrada. Toc, toc, toc.. Os passos rápidos de Demi ecoaram pelo corredor junto com os de Joe.
   - Qual o seu problema? - Disse pausadamente virando-se bruscamente para olhá-lo. - Você não me conhece, lembra? Fique longe de mim! - Exasperou gesticulando as mãos tão irritada chamando a atenção de todos.
   - Vista essa porra de paletó. - Vendo que ela não vestiria a peça, Joe tomou-lhe a bolsa do braço e a forçou vestir o paletó sem se importa se estavam ou não sobre olhares curiosos de todo aquele andar do edifício. - Eu vou te levar para casa. - Joe enlaçou os dedos aos dela mesmo sabendo que Demi estava a passo de esbofeteá-lo.
   - Eu vou para casa sozinha! - Exclamou emburrada quando adentrou o elevador. O clima tenso intensificava-se cada vez mais. Demi estava quieta e não o olhava, apenas cruzara os braços e esperava ansiosamente que o elevador chegasse ao térreo. - Você poderia parar de me olhar? - Disse irritada ao perceber que ele não tirava os olhos dela.
   - Você está quase nua, como não olhar? - Retrucou sorrindo cinicamente e então o silêncio voltara. Quando as portas se abriram Demi apressou o passo e seguiu caminhando com determinação até o estacionamento sendo seguida por Joe e por várias cantadas indiscretas .
   - Dá para você me deixar em paz? - Os olhos de Demi estavam marejados, a voz irritada denunciara que ela iria desabar a qualquer minuto. - Joseph! Me solta. - As primeiras lágrimas rolaram quando Joe a puxou bruscamente pelo braço, o passos apressados denunciaram a fúria e o ciúme dele. - Você está me machucando. - Disse entre soluços e então Joe abriu a porta da Mercedes preta bruscamente assim como a fez adentrá-la.
   - Dê-me suas chaves do carro Demetria. - As mãos dela tremiam o suficiente para que não conseguisse abrir a bolsa. Irritado, Joe buscou as chaves na bolsa e as entregou para os seguranças que cercavam o carro. - Levem o carro da Sra. Jonas. - Disse tão ríspido. Abraçara o volante com as mãos e arrancara com bravura. - Você passou dos limites! - Demi mal podia conter as lágrimas intermináveis que molhavam o rosto. Joe a deixara completamente assustada.

Continua... Oi! Lascou. hsuahsa Até o próximo e obrigado pelos comentários.
ps. Demi está com o cabelo azul de novo, por que senhor? O que essa quenga tem contra a cor vermelha? </3
                                                                 dlç