26.1.18

Capítulo 3 - Parte Dois


Deveria ter quase duas horas que Inácio foi embora do apartamento de Demi. Durante todo o tempo que passaram juntos no supermercado, Demi tentou se mostrar animada, mas não deu muito certo, Inácio logo percebeu e perguntou o que a incomodava. Resumidamente e sem cita-lo, ela contou que tinha brigado com Joe e foi daí que surgiu a conversa sobre relacionamento e como era complicado manter um. Em nenhum momento Inácio demonstrou implicância com Joe, na verdade ele não o citava muito, e quando fazia era o chamando de “Garoto”. Demi queria corrigi-lo porque Joe não era um garoto, ele estava longe de ser, mas ela deixou passar porque estava chateada. Chegando ao apartamento, tomaram café da tarde e conversaram sobre assuntos aleatórios que incluíram Dianna e o futuro escritório de Demi. Depois que Inácio foi embora, Demi se sentiu péssima e chorou agarrada a gatinha de pelúcia que tinha ganhado do namorado.

Onde estava o ânimo para continuar? O corpo estava cansado, os olhos inchados e avermelhados e os lábios mais rosados que o normal. Demi assoou o nariz e voltou a limpar o banheiro. O apartamento não era desorganizado, longe disso. Sempre estava limpo, mas como receberia visitas, checar o banheiro e os demais cômodos não faria mal. O som ligado baixinho tocando Human Nature, era só para que ela não se sentisse mais sozinha e abandonada. Joe nem mesmo tinha enviado uma mensagem ou ligado, e ela também não o faria porque era orgulhosa e estava muito chateada.

Quando o celular tocou, Demi não ouviu, mas as batidas à porta, ela só ouviu porque estava a caminho da área de serviço onde lavaria o pano de chão e organizaria as roupas que tinha lavado mais cedo. O coração bateu mais rápido com a possibilidade de ser Joe. Demi engoliu em seco e antes de abrir a porta, passou a mão no cabelo o arrumando.

Selena sempre foi uma mulher muito bonita naturalmente, e quando se arrumava, o que sempre acontecia, ficava deslumbrante, e ali em pé com um sorriso no rosto, ela estava radiante! O que tinha de diferente? Demi até sorriu observando a amiga. A cor do cabelo e da pele parecia mais viva e impecável. E o conjunto de moletom com all star ficava tão bem em Sel! Demi não esperou ouvir reclamações da melhor amiga, envolveu-a num abraço apertado e nos braços de Sel, se sentiu bem e segura.

- Você está linda. – Murmurou Demi contra o pescoço de Selena que sorriu se aconchegando mais ao abraço.

- Você está péssima, Dem. – Selena colocou uma mecha do cabelo de Demi atrás da orelha quando ela a olhou nos olhos. – Eu queria te odiar porque você atendeu o celular mais cedo quando estava dando para o seu namorado e porque não respondeu as minhas mensagens e nem atendeu a minha ligação agora, qual o seu problema Demetria? Mas eu só quero te abraçar e te proteger porque eu conheço essa cara de choro, o que aquele idiota aprontou? – Demi fez careta quando pegou as duas bolsas de Selena e as colocou no sofá. Uma grávida não deveria carregar tanto peso.

- Ai Sel. – Choramingou manhosa abraçando Selena quando elas já estavam dentro do apartamento. – Eu senti tanta saudade do seu abraço. – Demi a beijou no pescoço como costumava fazer e encostou a testa a de Selena. – Na verdade a culpa é minha e dele, eu acho.

- Você dá tanto trabalho, Dem. – Resmungou Selena guiando Demi para o quarto. – É por isso que eu sempre fico no seu pé. – Disse se deitando a cama e abraçando Demi por trás.

- Eu sei. Desculpa por não responder as suas mensagens e por ter atendido o celular quando estava transando com aquele grosso. – Selena riu quando Demi fez biquinho se virando para abraça-la. – Eu não ouvi o meu celular tocar agora.

- Grosso? – Demi revirou os olhos, mas riu sentindo as bochechas corando. – Eu senti sua falta. – Disse Sel fitando os olhos de Demi com amor e carinho.

- Eu também. – Antes que Demi começasse com os abraços exagerados, Selena tirou o all star para se acomodar melhor a cama. – Quero que você saiba que eu não deixei de te amar só porque agora eu tenho uma família. Eu te amo muito e preciso que você faça parte desse momento importante. Você é minha irmã e eu não me imagino sem você.

- Dem, eu estou grávida, ok? Não me faça chorar. – Tarde demais. As lágrimas rolaram que Selena nem percebeu e quando a viu chorar, Demi também chorou se enroscando a Sel da melhor forma que podia.

- Como está o meu bebezinho? – Perguntou manhosa levando a mão à barriga de Selena. – Você está cuidando dele direitinho? – Sel sorriu quando teve a barriga revelada para que Demi pudesse beija-la.

- Estou. E ele não cresceu esse tanto, na verdade é torta de chocolate. – Demi revirou os olhos, mas riu voltando a abraçar Selena exageradamente se deitando sobre ela para beija-la no pescoço e se aninhar.

- Eu nem estou mais triste. – Disse manhosa quando Selena começou  acaricia-la na nuca. – Eu queria ficar agarrada com você para sempre.

- Eu também queria, nós estamos bem aquecidas e podemos viver muito bem sem homens para nos perturbar.

- O que o Ed fez? – Perguntou Demi se deitando a cama e puxando Selena para abraça-la de lado.

- O meu anjo não fez nada. O problema é o meu pai e a cabeça dura dele. – Resmungou de olhos fechados porque Demi a acariciava na cintura. – Dem, ele queria me casar com o Ed hoje à tarde no cartório. Isso não tem cabimento! Eu quero um casamento grande, não me importo se vou ao altar com a barriga gigante.

- Ele só está preocupado com você, mas eu tenho certeza que ele vai melhorar quando perceber que o Ed não vai fugir. – Selena franziu o cenho quando olhou nos olhos de Demi. – Você já pensou em como ele se sente porque a única garotinha dele está grávida? Ele quer te proteger, Sel. É o que os pais fazem.

- Não justifica me levar para o cartório de moletom, que coisa mais cafona e machista. – Resmungou se deitando para que Demi pudesse abraça-la de conchinha.

- O Ed já disse alguma coisa sobre casamento? – Perguntou colocando uma perna entre as de Selena.

- Já. Ele está muito animado e feliz. E as crianças também. Nós já somos uma família, e sinceramente, eu não me importaria se não tivesse casamento agora. Poderíamos casar bem depois, qual o problema?

- Você está com febre? – Demi riu quando levou a mão à testa de Sel e ela revirou os olhos. – Eu pensei que você queria um casamento pra ontem que até seria transmitido na televisão com direito a um desfile e banda ao vivo.

- Eu quero, como quero, porém o mais importante é a saúde do meu bebê. – Selena arregalou os olhos quando Demi começou a distribuir beijos exagerados no rosto e no torso.

- Você disse “meu bebê”! Foi tão fofo, não pude resistir. – Disse envergonhada porque ela dado um acidental selinho nos lábios de Selena.

- Tudo bem. A senhorita não tem visitas, uma história para me contar sobre o seu namorado grosso e comida para me alimentar? Eu estou faminta e curiosa!

- Você está zombando? – Demi estreitou os olhos e os revirou quando Selena sorriu. – Eu só vou te alimentar porque eu estou pensando na saúde do meu sobrinho, ok? – Selena assentiu com certa descrença e Demi a acertou com um tapa no bumbum quando a amiga se levantou.

- Estou ouvindo tudo, gatinha. – Depois da piscadela, Sel correu para cozinha com Demi atrás, ambas rindo e animadas.

Selena era um caso de amor e ódio, mais amor que ódio.. Demi só conseguiu começar a contar o porquê que tinha brigado com Joe quando serviu Sel com duas fatias exageradas de bolo de banana e uma xícara de chocolate quente mais biscoitos de baunilha com canela.

- É muita informação para apenas uma mulher grávida. – Selena bebeu um pouco do leite e Demi franziu o cenho porque nunca tinha a visto comer dois pedaços enormes de bolo sem lamentar que ganharia peso ou passaria mal. – Eu não posso negar que estou com ciúme, mas você também está pisando na bola. – Disse séria limpando os lábios com um guardanapo. – Dem, o Joe está com medo do seu pai porque ele não quer perder você. Ele não está confortável com essa situação porque ele já recebeu puxões de orelha do seu pai quando você ainda não sabia da verdade. Agora é oficial, você sabe que tem uma família. O Joe me contou sobre o Augusto, eles são amigos... Isso não quer dizer nada para você? – Demi segurou a mão de Selena pensando naquelas palavras.

- Eles são amigos e provavelmente o Augusto conta sobre o que ele já passou com o meu pai? – Selena assentiu prontamente.

- Dem, o namoro do Augusto com a Hannah é proibido, esse rapaz não deve ter muitas coisas boas para falar sobre o seu pai. – Disse Selena colocando uma mecha do cabelo de Demi atrás da orelha.

- Eu sei, Sel. Na verdade as meninas sempre ficam com receio quando o assunto é namoro. Bella namora escondido e a Hannah também, só não diga nada sobre porque ela me pediu segredo. – Selena arqueou uma sobrancelha e fitou Demi sem conseguir esconder o ciúme. – Estou falando sério! Não quero que ela pense que eu sou fofoqueira.

- Mas você é, Demetria. – Demi revirou os olhos e cruzou os braços fitando os olhos de Sel. – Estou brincando, ok? Eu não estou acostumada a te dividir com esse tanto de gente. Eu já não gostava da ideia de te dividir só com o Joe, e agora tem mais sete pessoas. Se coloque no meu lugar, e eu ainda estou supersensível.

- Enfim, Srta. supersensível. Eu o entendo até esse ponto mesmo não conseguindo enxergar motivo para ele não gostar do meu pai. O que mais me incomoda é como ele me julga! Selena, eu estou errada em ter receio sobre a família dele?

- Você só não deveria deixá-lo nervoso, Dem. Chamar o lugar de roça? Que preconceito bobo. – Demi respirou fundo quando fitou os olhos de Selena. Era inevitável! Quando ela percebia, já tinha dito o que não deveria porque Joe também a deixava nervosa.

- Selena, não é preconceito, ok? Foi da boca pra fora, nem pensei direito. – Murmurou envergonhada. – Acontece que.. – Quando o lábio inferior foi mordido, Demi fitou o prato onde o bolo redondo estava e respirou fundo. – Que ele me deixa muito nervosa porque ele não me entende! Eu sou muito insegura, eu preciso que a família dele goste de mim, entende? Isso é importante para nós dois. Imagina só se eles não gostarem de mim? Como vai ser quando nós tivermos filhos? Como vai ser no aniversário dele? Como vai ser quando ele quiser visitar o lugar onde cresceu e tudo virar uma confusão? Eu estou pensando nisso, você me entende? – Demi fitou os olhos de Selena e sentiu a cabeça dar um nó porque ela não queria ter aquela conversa, elas deveriam estar animadas, não conversando sobre a briga que nem deveria ter acontecido.

   - Eu entendo, meu amor. – Sel sorriu e quando Demi deitou a cabeça no ombro, ela levou a mão ao rosto da amiga para acaricia-lo. – Você realmente precisa se preocupar com isso. É importante que um casal tenha boas relações com as famílias, só que Dem... – A geleia no queixo de Demi não passou despercebido. Selena sorriu achando fofo e pegou um guardanapo para limpar. – Você está começando errado. Já pensou que você também está os julgando? – Demi franziu o cenho se erguendo e Selena assentiu. – Você não conhece ninguém da família dele, além da avó e tia, e você só as conhece pela internet.

   - Sel, você esqueceu a Rose? – Resmungou irritada. – Esqueceu que ela mandou o link dos vídeos para o Joe e que me detonou no celular dele? Ela acha que eu sou uma puta destruidora de lares. Eu estou preocupada é com ela! Isso que me deixa nervosa e mais insegura que o normal. – Selena assentiu mordendo o lábio inferior.

   - Dem, nós já conversamos sobre isso e você sabe muito bem a minha opinião sobre julgar as pessoas sem conhecê-las ou por um boato. – Demi assentiu prontamente e quando o celular vibrou sobre a mesa, era uma mensagem de Megan avisando que elas chegariam às seis. – Mas lembre-se: não é possível agradar a todos, e o que realmente importa é o seu relacionamento com o Joe. Já pensou? Você está preocupada com o que uma menina apaixonada de dezesseis anos pode ter falado sobre você e de repente algum parente dele não gosta de você por causa do seu jeito ou das suas ideias, ou do seu sotaque nova-iorquino completamente diferente do texano .

   - Você não está ajudando Selena, só está me deixando mais paranóica e eu não tenho sotaque. – Sel riu das bochechas coradas de Demi e as apertou sem dó e piedade.

   - Meu amor. – Disse a olhando nos olhos e Demi resmungou um palavrão. – Não tem como não gostar de você, Dem. – Selena sorriu quando Demi revirou os olhos. – Olha só para essas sardinhas fofas? E esse sorriso maravilhoso? Só um louco não gostaria de uma gracinha como você! – Demi só sorriu quando Sel a beijou na bochecha logo a olhando nos olhos. – Dem, só seja você mesma que será o suficiente, me promete? – Perguntou a olhando nos olhos e segundos depois Demi assentiu entendendo o recado.

   - Eu amo muito vocês. – Sorrindo, Demi levou a mão a barriga de Selena para acaricia-la e abraçou a amiga carinhosamente.

   - Nós também amamos muito você, Dem. – Selena sorriu fitando os olhos de Demi pensando em como ela tinha sorte de ter a conhecido. – Sobre bebês, porque você está sendo malvada com o Joe? – Perguntou e Demi franziu o cenho.

   - Eu não estou sendo malvada, só não estou preparada para ser... mãe, não depois do vídeo que você me enviou. – Demi fitou os dedos e discretamente engoliu em seco. Os motivos ultrapassavam a barreira do parto, dor e toda aquela tensão física. O maior medo era frustrar uma pessoa como Dianna fez com a falta de carinho, preocupação e afeto. – Eu só tenho medo de ser uma péssima mãe, nem um bebê eu sei segurar. – Murmurou se lembrando de como ela ficava desesperada internamente quando tentava pegar Alicia no colo. Isso porque a menina já tinha dois anos, imagina só um bebê recém nascido e completamente dependente dos pais? Só de pensar, Demi já ficava agoniada.

   - Essa é a desculpa mais esfarrapada que eu já ouvi em toda a minha vida! Você é uma mulher, você já nasce preparada para encher o mundo de alegria! – Demi franziu o cenho quando fitou Selena. Aquela não era melhor amiga que ela conhecia! – Dem, quando eu descobri que estava grávida, fiquei um pouco assustada, mas quando entendi o que significava, eu sinto que comecei a ser feliz de verdade só porque tenho um bebezinho aqui dentro. – Mesmo receosa, Demi sorriu observando Selena levar a mão ao ventre o olhando com orgulho e amor. – Eu não estou com medo do parto porque apesar de doloroso, eu sei que é através dele que eu vou conseguir trazer o meu bebê ao mundo para ama-lo e me dedicar para cuidar dele e garantir que ele seja feliz. Nós estamos simplesmente felizes, eu, o Ed e as crianças. Nós somos uma família, não uma família perfeita, mas uma família que se ama e que se protege. Você não quer ter a sua família com o Joe? Já observou como ele gosta de crianças?

   - Ele segurou Alicia ontem, foi tão fofo, eu só queria aperta-los e mima-los. – Demi sorriu se lembrando de como ela tinha se derretido de paixão quando viu a pequenina nos braços do namorado. E não demorou nada para que a menina fosse conquistada por Joe. – Eu quero ter a minha família com ele. – Ela sorriu sem jeito e para pirraça-la, Selena arqueou uma sobrancelha e sorriu sapeca.

   - Pensa com carinho, ele quer muito ter uma família com você, e eu muitos sobrinhos para brincar com o meu bebê. Imagina só como eles vão ser fofinhos? O meu bebê e o seu brincando. – As duas imaginaram a cena. Selena com um sorriso de orelha a orelha e Demi com o cenho franzido, mas acabou se rendendo a um pequeno e tímido sorriso. – Eu já vou avisando que quero três sobrinhos, ok? Duas meninas e um menino. Vocês vão dar conta do recado.

   - Selena! Três crianças? É muito exagero. – Resmungou e novamente Selena a fez rir quando a cutucou na barriga fazendo cócegas. – Para com isso. – Ela riu alto e só não fez cócegas em Sel porque tinha medo de machucar o bebê.

   - Agora falando sério. – Sel beijou a bochecha de Demi e a abraçou de lado toda manhosa. – O Joe é órfão e seria muito importante se você considerasse ter um bebê, sabe? Formar uma família com ele, e você poderia engravidar agora para me acompanhar, o que você acha? – Demi fez careta e negou balançando a cabeça.

   - Deixa de conversa e vamos cozinhar mamãe.  As meninas estão quase chegando.

***



Bagunça, converseiro, risadas exageradas. Selena e Demi estavam agarradas, trocavam carinho quando podiam e conversavam tantas besteiras enquanto cozinhavam. Ninguém sabia ao certo se o cheiro delicioso era do molho de cachorro quente, dos pasteis de Selena que estavam assando ou dos cupcakes que estavam na responsabilidade de Demi.

   - Qual é a melhor coisa sobre estar grávida? – A panela com o resto do chocolate derretido era uma tentação! Demi chegava fechas os olhos enquanto se deliciava com o chocolate, ela até tinha se lembrado de Joe e de como ele a olharia com desaprovação.

   - Hum.. – Murmurou Sel abaixando o fogo da chama do fogão para depois se encostar ao balcão ao lado de Demi com uma colher para ajudar a amiga com o chocolate. – Ser mimada é muito bom. – Elas trocaram olhares feios quando levaram a colher a mesma área onde tinha mais chocolate, e Demi cedeu porque Sel estava grávida. – Nesses últimos dias o sexo está me deixando louca. Sempre que eu olho para o Ed, penso em agarra-lo, rasgar as roupas dele e fazer muitas coisas proibidas. – Demi gargalhou quando Selena mordeu o lábio inferior e respirou fundo. – Se eu estou assim, imagina se você engravidasse, pobre Joseph. – Era para ela ter revirado os olhos com o comentário de Selena, mas acabou rindo.

   - Eu não dou sossego para ele, e é tão bom. Sempre que eu olho para o Joe, eu penso em acabar com toda a inocência dele de vez. Ele evoluiu muito desde a nossa primeira vez, mas quando as bochechas dele ficam coradas, eu me sinto muito malvada. – Selena arqueou uma sobrancelha e riu. – Hoje à tarde ele estava todo gostoso e fofo me provocando enquanto eu falava no celular com você.

   - Não me obrigue a imaginar vocês dois. – Resmungou um pouco cansada e Demi franziu o cenho a olhando.

   - Você deveria descansar. – O sorriso que Selena esboçou não foi o suficiente para que Demi acreditasse que ela estava bem, pelo contrário. – Eu estou te sobrecarregando. – Murmurou se sentindo culpada pegando das mãos de Selena a colher e a panela para levar a pia.

   - Dem, eu estou bem! Relaxa. – Selena a abraçou por trás, e mesmo assim Demi continuou de cenho franzido. – É só preguiça, nesses dias que nós estamos de atestado, o que eu mais faço é dormir depois de comer. Passo a maior parte do tempo dormindo porque o Ed cuida das crianças e não me sobra muita coisa para fazer, ele não deixa.

   - Justamente, ele sabe que você precisa dormir. Mulheres grávidas sentem muito sono no começo da gestação, não? – Pouquíssimos eram os detalhes que Demi sabia sobre gravidez. Ela não costumava ler sobre o assunto e Sel era a primeira grávida que ela tinha contato.

   - Sentem, mas eu estou bem e muito animad... – Selena arregalou os olhos com o som das batidas à porta e Demi a olhou sorrindo. – Eu estou nervosa para conhecê-las. – Murmurou Sel passando a mão no cabelo e Demi se aproximou para limpar o cantinho esquerdo dos lábios da amiga com um guardanapo.

   - Você não tem que ficar nervosa. – Disse enlaçando os dedos. – Elas são legais e eu tenho certeza que vocês vão ser amigas. – Não funcionava daquele jeito, mas Selena assentiu sustentando o olhar de Demi. – Vamos abrir a porta? – Perguntou porque passaria mais tempo e elas ainda estariam ali na cozinha decidindo o que deveriam fazer. Quando Sel assentiu, Demi segurou a mão dela com a esquerda e as guiou para a sala.

   - Ora, ora, ora, você beijou a minha namorada, Demetria! – Ed estava bravo ou achava a situação interessante? Ele largou as duas caixas com o colchão inflável e o mini compressor de ar, puxou as mangas do suéter e fitou os olhos de Demi, que soltou a mão de Selena sentindo as bochechas corarem. Uma coisa era ela comentar com Sel a respeito do beijo, ou até mesmo com Joe, porém jamais deveria acontecer com um terceiro por perto. – O que você tem a dizer? – Ed fechou a porta do apartamento e quando ficou em frente a Demi, cruzou os braços e tentou fazer a melhor cara séria que conseguia, porém sem sucesso. – Vamos, baixinha. – Quando Demi olhou para os lados corada, Ed riu e a puxou para um abraço. – Só vou perdoar porque é você. – Ele disse todo carinhoso a olhando nos olhos e Demi assentiu ainda sem jeito.

   - Querido, não seja bobo. – Selena estava tão sem jeito quanto Demi, e quando Ed a abraçou de lado e a beijou no topo da testa, ela trocou um breve olhar com a amiga.

   - Eu sempre soube! Está estampado na cara de vocês que tem algo a mais rolando. – Demi franziu o cenho e Selena revirou os olhos desfazendo do abraço de Ed. – Vocês não fizeram nada além de trocar beijos, fizeram? – Os olhos verdes de Ed demonstravam como ele estava curioso para ouvir a resposta.

   - Nós não fizemos. – As duas murmuraram ao mesmo tempo e foi aí que Ed ficou mais interessado na história.

   - Aliás, o que você está fazendo na noite das garotas? – Demi perguntou arqueando uma sobrancelha e sustentando o olhar de Ed de cabeça erguida porque ele era consideravelmente maior que ela no quesito altura.

   - Estou indo ao apartamento do Joe para ajuda-lo com a roupa de hoje à noite, passei aqui para conferir se está tudo bem com a minha princesa e o meu bebê, e para marcar o meu território. – Demi revirou os olhos e deu um tapa no braço de Ed que riu, mas ela não conseguiu se concentrar na brincadeira porque de cenho franzido pensava no porque de Joe ir ao jantar com ela, Anna e Rick.

   - Para onde ele vai? – Perguntou Demi trocando um rápido olhar com Selena.

   - Jantar com você e a sua irmã? – Ed franziu o cenho um tanto quanto confuso e Demi assentiu. – Ah, entendi! – Ele murmurou e Demi tornou a assentir. – Brigaram?

   - Brigamos. – Murmurou Demi manhosa. Ela queria que Joe estivesse ali com ela para poder abraça-lo como Sel fazia com Ed.

   - Aposto que ainda hoje vocês se resolvem. – Disse Ed e Demi assentiu com descrença. – Eu deixo você beijar a minha namorada como recompensa. – Era apenas uma brincadeira e Ed arregalou os olhos quando recebeu olhares mortais. – Ou eu te dou uma barra de chocolate. – Murmurou envergonhado coçando a nuca e Demi negou balançando a cabeça.

   - Eu estou brava com ele, Ed. E eu tenho certeza que ele está bravo comigo, não foi como uma das nossas brigas bobas. – Ed assentiu com um suspiro pesado.

   - Vocês vão ficar bem. Eu já estou indo, não quero atrapalhar a noite de voc.. Hum, que cheiro maravilhoso é esse? – Ed nem esperou ser convidado para adentrar a cozinha seguindo o cheiro estonteante que vinha de lá. – Vocês não podem me convidar? – Ele perguntou todo manhoso e Selena riu o abraçando.

   - Na nossa festa do pijama, só é permitido garotas. – Disse Selena fitando os olhos de Ed, que para convencê-la, tinha feito o melhor bico. – Não podemos permitir garotos, querido. – Demi se virou de costas quando as mãos de Ed estavam sobre o bumbum de Selena o apertando e o beijo que eles trocaram não foi nada discreto.

   - Por favor, parem com isso. – Disse Demi envergonhada e sem jeito ouvindo os grunhidos de Ed e os de Selena. – Eu estou aqui. – Ela disse um pouco desesperada e as gargalhadas de Selena e Ed foram o suficiente para acalma-la por saber que eles não estavam fazendo nada demais.

   - Você mereceu Dem. Você e o Joe sempre ficam se agarrando e fazendo Deus sabe lá o que no meu carro. – Disse Ed esboçando um sorriso sapeca e Demi revirou os olhos.

   - E nós deveríamos fazer algo bem pior. Amor, você acredita que ela atendeu o celular enquanto estava dando para o seu melhor amigo? – Demi cerrou os olhos quando olhou para Selena e nem sequer teve coragem para fitar os olhos de Ed.

   - Hum.. – Ed sorriu logo mordendo o lábio inferior fitando os olhos de Selena. – Foi na primeira ou na segunda ligação que você estava nua e sentada no meu colo, princesa? – Demi gargalhou alto com o olhar feio que Selena lançou a Ed, então ela o atacou com tapas, mas os três acabaram rindo. – Garotas lindas, tenho que ir e eu adoraria que vocês deixassem cachorro quente para mim. – De um lado Ed abraçava Demi e do outro lado Selena. – Daqui a pouco eu estou de volta para conhecer as suas irmãs. – Disse a Demi. – E dar um beijinho em você e no nosso bebê. – Disse a Selena. – Algum recado para o Joe? – Ed perguntou e Demi murmurou um “não”.

   - Não precisa olhar assim para gente. – Murmurou Selena quando Ed analisou a ela e Demi.

   - Não se beijem! – Disse Ed depois de dar um selinho em Sel. – Mas se vocês resolverem.. Eu mereço ao menos uma foto. – Antes que elas o atacassem com tapas, Ed destrancou a porta do apartamento e a abriu rapidamente. – Eu estou brincando! – Disse erguendo as mãos e aos pouquinhos ele se aproximou de Selena para beija-la na barriga e conversar baixinho com o bebê. – Só para lembrar: nada de beijos! – Ed era tão bobo! Demi revirou os olhos e Selena cerrou os dela quando viu o futuro marido sair correndo do apartamento.

   - Não dê importância, ele só está nos pirraçando. – Disse Selena fechando a porta do apartamento logo a trancando. Depois da péssima experiência com Jake e Mary, Sel sempre ficava mais atenta com a questão da segurança... – Elas já estão chegando? – Perguntou sustentando o olhar da amiga, e Demi assentiu se acomodando ao sofá.

   - Ele vem, Sel. – Demi choramingou no ombro de Selena. Ela não queria brigar com Joe, mas também não queria ceder porque o que ela tinha dito para ele era o que ela sentia.

***
Algumas horas mais tarde...

   - Vocês não sabem para onde vão? – Ed estava sentado na poltrona do closet do quarto de Joe e a pequena Lucy estava nos braços do rapaz o mordendo e brincando.

    - Não. – O cabelo sempre dava trabalho! Joe não sabia como poderia pentea-lo e nem mesmo se tirar a barba tinha sido uma boa escolha. Ele já não se via mais sem ela, mas decidiu raspa-la porque quando estava no banheiro se organizando para tomar banho, a lembrança dos dias no Texas o levou a franzir o cenho. Naquela época ele era tão vergonhoso que nem mesmo barba usava, assim como era mais calado e isolado. Como as pessoas reagiriam ao novo Joe? Ele tinha mudado muito naquele tempo que estava em Nova York, já não era mais vergonhoso e se socializava. Deveria ser a tensão para voltar para casa que estava o reprimindo, só podia ser! A imagem no espelho foi o motivo para o suspiro fundo. Joe franziu o cenho se sentindo irritado.

   - Qual é, Joe? – Percebendo como o amigo estava pra baixo, Ed colocou a pequena Lucy no sofá recebendo algumas lambidas nas mãos e se aproximou de Joe. – Desde que cheguei, você só é suspiros e olhares vagos. – Comentou levando as mãos aos ombros de Joe podendo sentir como os músculos estavam rígidos de tensão e o olhando nos olhos. – Seu cabelo não é o problema dessa tristeza toda, é? – Perguntou sustentando o olhar de Joe.

   - Eu não queria ter brigado com a Demi. – Disse relaxando o corpo. – Eu a entendo, Ed. Eu sei que é importante que a minha família goste dela e que ela goste deles. O que não suporto é que ela pense que, se ninguém gostar dela, o que acho impossível, que eu vou larga-la. Isso está fora de cogitação! Eu a amo com a minha alma! Agora ela não vai para o Texas comigo. Eu estava pensando em pedi-la em casamento lá, seria romântico e eu ficaria feliz, acho que ela também, mas agora... – Ele chegou a franzir o cenho preocupado com a situação. – Quando nós discutimos, eu a machuquei mais do que ela me machucou. Eu disse que ninguém precisava fazer a minha cabeça para eu desistir do nosso relacionamento, que ela tinha conseguido sozinha.


   - Você está falando sério? Iria pedi-la em casamento? – Perguntou fitando os olhos de Joe que assentiu prontamente. – Você estava nervoso. – Ed pegou o pente da mão de Joe para tentar pentear o cabelo do amigo de um jeito que o agradaria. – Ela é insegura, Joe. A Demi é uma mulher forte e admirável, ela conquistou muitas coisas porque é determinada e inteligente, mas dentro dela ainda existe uma garotinha frágil que precisa de carinho e muita atenção. Ela cresceu sem amor e praticamente sozinha, é por isso que ela é tão frágil e carente, mas ela te ama! Eu a conheço desde que ela começou a trabalhar na Gyllenhaal, nós ficamos bons amigos em pouco tempo e eu nunca a vi tão feliz como ela está com você. E olha que a Demi já saiu com muitos caras. – Joe fez careta, mas assentiu pensando nas palavras de Ed.

   - Eu estou entendendo, e eu me odeio por machuca-la e por vê-la triste, me sinto um lixo! E agora a culpa é toda minha! – Resmungou e Ed teve que segura-lo para conseguir pentear o cabelo.

   - Não se culpe, você só ficou assustado porque o pai dela está dando pressão. – Joe assentiu. Inácio era um homem admirável e que Joe gostaria muito de ter como amigo, o único problema era que não dava para saber se ele estava sendo testado ou não. – Cara, hoje foi a primeira vez que eu fiquei com medo de outro homem. Eu me senti ameaçado! O Sr. Gomez quase me matou quando a Sel contou que está grávida. Ele queria nos levar ao cartório, se a Mandy não tivesse o acalmado, eu seria um cara casado.

   - Você não quer casar? – Joe estreitou os olhos ao olhar para Ed e cruzou os braços. – Eu até gosto de você, mas a Selena é minha amiga e eu te quebraria se você a deixasse. – Ed franziu o cenho e do mesmo jeito que Joe estava, ele também ficou.

   - Ora, ora, ora. – Ele se agachou e fitou Lucy que rosnava para ele claramente defendendo Joe. – Você é uma tapinha, Lulu. – Ed riu de Lucy tentando mordê-lo quando ele tentou acaricia-la atrás das orelhas. – Eu também te quebraria se você machucasse a Demi. – Disse se levantando e sustentando o olhar de Joe, mas os dois acabaram rindo. – É claro que eu quero. Antes mesmo de ela ficar grávida eu já queria, agora eu tenho mais um motivo para ficar mais feliz com a ideia de casar. A Selena é a mulher da minha vida e provavelmente nós ficaremos noivos nesse final de semana ou no próximo.

   - Eu também iria pedir a Demi em casamento esse final de semana, não sei exatamente se seria nesse final de semana, mas seria na nossa viagem. Eu pensei muito sobre o anel e me lembrei que a minha avó tem o anel que o meu pai pediu a minha mãe em casamento. É um anel único, bonito e tem um valor sentimental muito grande para mim, ele está na família do meu pai há gerações. Você acha que a Demi se importaria? – Perguntou com receio. O anel era perfeito e Joe já tinha passado boas tardes e noites o admirando e pensando nos pais.

   - Eu acho que se você usasse esse anel para pedi-la em casamento, ela se sentiria muito honrada porque ela sabe como o anel é importante para você. – Ed tinha razão. A joia era especial e com o ato, Demi entenderia que as intenções de Joe eram puras e verdadeiras. – E provavelmente mostraria ao pai dela que você é um cara sério e não um moleque que está se divertindo com a filha dele. – Joe assentiu, e por mais que tinha medo de Inácio, iria enfrentá-lo e apresentar as intenções com Demi.

   - Eu vou falar com ele. Sinto que estou preparado para ter uma família com ela. – Quando os olhos fitaram os ponteiros do relógio de pulso, Joe pegou o pente de Ed para terminar logo de pentear o cabelo, se ele atrasasse, seria mais um motivo para Demi ficar brava. – Está bom? – Disse pegando a jaqueta para depois arrumar o suéter ao corpo e a gravata no colarinho da camisa social.

***

   - Está tudo ok, Srta. Preguiça. – Mesmo com a insistência de Demi para que ela descansasse, Selena ajudou a organizar o apartamento. Estava tudo impecável. Os colchões infláveis estavam preparados na sala para a noite do pijama, os pratos cheiravam tão bem que Selena se segurou para não comer tudo sozinha. – Dem, que cara é essa? – Perguntou quando Demi se deitou no colchão de qualquer jeito e suspirou.

   - Cara de quem precisa de forças para continuar vivendo essa vida cruel. – Resmungou e riu quando Selena assentiu negativamente.

   - Tem o próprio apartamento, uma melhor amiga muito gente boa, um namorado gostoso, uma família enorme, está de folga e tem dinheiro para abrir o próprio escritório. É uma vida muito cruel. – A cada item citado, Selena contava nos dedos e Demi sorria toda sapeca e preguiçosa.

   - Não me lembro dessa melhor amiga muito gente boa. – Pirraçou se arrastando para ficar pertinho de Selena no sofá. – E tira o olho do meu namorado gostoso. – Demi sustentou o olhar de Sel até que sentiu as bochechas corarem. – Eu estou brincando! As suas mudanças de humor de grávida são terríveis. – E realmente eram. Às vezes Demi flagrava Sel a fuzilando sem ao menos ter motivos.

   - São, Dem. – Selena fechou os olhos quando sentiu o ventre ser acariciado por Demi, que deitou a cabeça ali mesmo para poder conversar com o bebê. – Parece que nos conhecemos ontem na escola. – Demi ergueu a cabeça para fitar os olhos de Selena e assentiu se lembrando de como a vida tinha melhorado depois que ela conheceu Sel.

   - Nós crescemos juntas e agora você está grávida e eu vou ser a melhor tia desse universo. – Sel assentiu sorrindo.

   - Eu também gostaria muito de ser a melhor tia desse universo. – Demi revirou os olhos, mas sorriu imaginando um bebê com os olhos verdes como os do pai. – Você vai consid... – O sorriso de Demi foi de orelha a orelha e o coração de Selena acelerou. O interfone tinha acabado de tocar e dessa vez eram as irmãs de Demi. – Demetria, eu estou nervosa! – Disse Selena e Demi se apressou para se levantar.

   - Não fica, eu prometo que vocês serão amigas! – Não tinha muito o que fazer. Selena engoliu em seco e Demi se apressou para atender o interfone permitindo a entrada.

   - Dem, e se elas não gostarem de mim? – Selena nervosa e fazendo aquela pergunta, era uma cena tão rara que Demi franziu o cenho.

   - É impossível não gostar de você. – Disse a olhando nos olhos. – Vai ser incrível, ok? – Demi a abraçou e quando Selena a olhou nos olhos, ela soube que poderia se esforçar para fazer aquilo por Demi, que se mostrava tão feliz e empolgada.

Desde quando a subida até o apartamento de Demi era tão rápida? A batida à porta foi o motivo para que Selena respirasse fundo se sentindo nervosa e Demi sorriu de orelha a orelha se apressando para abrir a porta se deparando com Inácio segurando Alicia nos braços e as cinco meninas ao lado do pai sorridentes.

   - Sejam bem-vindos ao meu apartamento. – O sorriso de Demi foi de orelha a orelha e ela sentiu o coração disparar no peito de tanta felicidade ao receber os abraços das irmãs. – Essa é minha irmã de coração, Selena Gomez. Sel, essas são as minhas irmãs e o meu pai. – Não era hora para chorar! Selena sorriu de orelha a orelha e por mais que se controlou, os olhos marejaram! Ela não sabia se era porque estava feliz pela forma que Demi a apresentou ou se era porque ela estava demasiadamente orgulhosa e feliz porque Demi finalmente tinha conhecido a família.

As apresentações foram calorosas e nada saiu errado, foi até melhor do que Demi tinha imaginado. Sel se enturmou com tanta facilidade, até mais rápido que ela no jantar dois dias atrás. Segurar Alicia sempre arrancava um sorriso de Demi, e quando ela o fez, não foi diferente. A pequena a chamou pelo nome e como a maioria das crianças de dois anos, começou a falar sobre assuntos aleatórios.

   - Pluto mordeu o gato e ele gritou. – Demi franziu o cenho, mas sorriu fitando os olhos de Alicia. – Pluto chorou muito. – A voz era tão delicada e manhosa, as bochechinhas coradas e os olhos castanhos. Demi fitou a menina com tanta admiração e quando Inácio a abraçou de lado, ela sorriu fitando os olhos do pai.

   - Alicia e as histórias dela. – Disse Inácio tocando a ponta do nariz da pequena que sorriu sapeca o olhando. – Como você está anjo? – Perguntou colocando uma mecha do cabelo de Demi atrás da orelha.

   - Estou bem, e você? – Elas sempre fariam muito barulho, principalmente quando conversavam ao mesmo tempo. Demi sorriu em meio ao cenho franzido ao flagrar como Selena estava à vontade conversando com as meninas como se elas já se conhecem há anos!

   - Bem e preocupado em deixar vocês sozinhas. Eu quero que vocês entrem em contato caso aconteça alguma coisa. – Disse fitando os olhos de Demi e ela se perguntou se Anna ou uma das meninas tinha comentado sobre o encontro com Rick.

   - Nós vamos ficar bem. – Disse ao pai. – Você vai deixa-la? – Perguntou fitando a Alicia para depois beija-la na bochecha.

   - Alicia é um bebê, ela precisa dormir cedo. – Fazer biquinho resolveria alguma coisa? Inácio riu e abraçou Demi de lado e a beijou na testa. – Outro dia eu a deixo passar o dia com você, combinado?

   - Combinado. – Murmurou Demi. – Você quer comer? Nós fizemos cachorro quente, cupcake e salgados. – Inácio não podia demorar porque ele ainda estava resolvendo coisas do trabalho, então ele e a pequena Alicia foram embora poucos minutos depois.

Sete garotas juntas era o suficiente para muita conversa, risadas e diversão. Não demorou nem dez minutos para que o closet ficasse uma verdadeira bagunça! O objetivo era arrumar Demi e Anna para o encontro daquela noite, e as encarregadas eram Selena e Bella, que por sinal tinham gostos parecidos e faziam as mesmas exigências, claro que Bella era mais sutil e paciente que Sel. Megan, Amber e Hannah estavam encarregadas da votação do melhor look sentadas no carpete e comendo pipoca.

   - Particularmente, eu acho que é um pouco ousado. – Quando as bochechas de Anna coravam, ficava perceptível. Ela analisou o vestido preto e justo com abertura dos dois lados exibindo as coxas e negou. Deveria? Não mesmo! As reclamações foram tantas que Anna franziu o cenho em desespero.

   - Annie, pelo amor de Jesus Cristo! Você está linda e aquele babaca vai ficar maluco! Não jogue fora a sua chance de fisgar o Rick. – Disse Megan recebendo o apoio necessário para deixar Anna dividida entre a vontade de vestir algo mais comportado e usar aquele vestido que nunca tinha usado justamente por ser mais curto que as roupas que ela costumava usar.

   - Eu não quero passar frio. Está nevando. – Argumentou se virando para fitar o bumbum e as pernas nuas.

   - Se ele for cavalheiro, vai te oferecer um casaco. – Disse Hannah e foi motivo de mais conversa.

   - Eu já sei. – Selena era boa em combinar roupas, não era à toa que ela estava nos principais desfiles de moda e vivia pesquisando na internet sobre o assunto. – Meia calça, vestido, blazer e o poderoso salto quinze que jamais deve faltar na vida de uma mulher. – Ninguém discordou, e quando Anna analisou o tamanho do vestido e já iria argumentar, Bella e empurrou para o banheiro.

   - Eu acho que se a Annie fosse escolher, ela iria com uma burca e colocaria óculos escuros para proteger os olhos mesmo com a rede que eles colocam para poder enxergar. – O comentário de Megan foi motivo para risos e a menina deu de ombros.

   - Ela só está nervosa e tímida, mas vai melhorar. – Disse Bella pensando na conversa que ela tinha tido com Anna mais cedo. Por um pouco Anna desistiu do encontro de tão ansiosa e nervosa que estava.

   - É inevitável, mas tem tudo para dar certo. Eu tenho certeza que ele entendeu o recado, ele não conseguia parar de olha-la. – Selena estava no colo de Demi e por conta do traço do delineado, Demi não podia olhar para Bella.

   - O Rick foi lá em casa. – Disse Amber e Megan ao mesmo tempo atraindo olhares. – Ele foi buscar o Pluto e perguntou se a Anna estava, foi quando ela estava no hospital. – Continuou Amber.

   - Por que vocês não contaram mais cedo? – Perguntou Bella preocupada. Se Rick desmarcasse ou faltasse sem avisar, Anna ficaria acabada! – Vocês sabem que a Anna vai ficar mal se ele não for. – Disse as mais novas.

   - A culpa é toda minha, eu e Amb ensaiamos a tarde toda e depois assistimos desenho com Alicia e o papai. – Disse Megan.

   - Se ele tivesse desistido, teria ligado para Anna ou enviado mensagem. – Disse Demi. Ela esperava que Rick não fosse um cafajeste ou um idiota que estava brincando com os sentimentos de Anna, mas julgando pelo interesse que ele demonstrou no dia passado, Demi estava dando uma chance a ele. Uma hora mais tarde o closet estava mais bagunçado, porém Anna estava impecável com a roupa que Selena tinha combinado e agora a maquiagem era finalizada.

   - Você está linda, não precisa ficar nervosa. – Segundos depois Anna assentiu fitando os olhos de Selena pelo espelho. – Demetria, o que você está fazendo? – Foram quarenta minutos para a maquiagem ficar perfeita e mais uma hora para Demi escolher o que vestir. Se ela estragasse a maquiagem ou a roupa com molho de cachorro quente, Selena surtaria.

   - Eu estou com fome. – Murmurou Demi um pouco envergonhada, mas não deixou de dar mordidas generosas no pão com molho de salsicha. Selena sabia exatamente o que ela estava fazendo. Em nenhum momento Demi tinha demonstrado entusiasmo sobre o encontro porque ela não queria sair com Joe.

   - Se você se sujar ou manchar a roupa, você já sabe. – Comentou Selena apenas para Demi que se encolheu. Se antes Selena já se comportava como uma mãe autoritária, agora estava mil vezes pior. – Você me usou como desculpa para marcar um encontro, e se você e o Joe estragarem o momento com brigas idiotas, eu vou puxar a sua orelha e a dele e amarrá-los até que vocês parem com essa bobeira. – Resmungou. Demi revirou os olhos no mesmo instante, mas assentiu prontamente porque o olhar que recebeu de Selena não era nada agradável. – Passa o cachorro-quente! – As sobrancelhas de Demi arquearam quando Sel comeu o resto do cachorro-quente em questão de segundos. Se Sel estivesse sã, ela jamais o faria! – O que? – Perguntou e Demi negou forçando um sorriso, foi aí que o celular vibrou no bolso do moletom. – Os meninos estão chegando.

Não era Joe quem não gostava de neve? Ed tinha que arrastar o amigo pelo braço para que Joe desse apenas um passo! A situação já começava a chamar a atenção das pessoas na rua e Ed a perder a paciência, coisa que raramente acontecia.

   - Joseph! – Reclamou o empurrando. As mãos estavam nos ombros de Joe e as botas de Ed estavam soterradas na neve! – Eu não estou te entendendo. – Desistiu cansado e se ele não tivesse segurado Joe pelo braço, ele teria fugido.

   - Eu não quero ir. Ela vai brigar comigo. – Joe tremia a ponto de bater os dentes, mas naquele momento estava preferindo passar frio a enfrentar Demi.

   - Ela não vai brigar com você. – Pegar Joe desprevenido não adiantou nada. Ed tentou força-lo a caminhar, mas era impossível! Parecia que Joe estava plantado no chão e sequer movia um músculo. – Cara, você está sendo infantil. – Ed cruzou os braços e respirou fundo. – Eu estou congelando aqui. E já avisei a Selena que nós estamos chegando.

   - O que eu vou dizer a Demi? Se ela brigar comigo na frente das irmãs, eu não vou saber o que fazer e vou ficar todo corado e sem jeito. – Disse envergonhado.

   - Joe, são sete e quarenta! Se você atrasar, aí que ela vai brigar com você. – Ao menos Joe deu um passo! Porém não foi o suficiente para que eles chegassem ao prédio de Demi. – Eu vou ter que te levar pela orelha? – Ed franziu o cenho e não perdeu a pose séria.

   - Se ela brigar comigo, a culpa vai ser toda sua. – Murmurou Joe caminhando sem vontade e se Ed não tivesse o puxado pelo braço, ele seria atropelado.

   - Deixa de ser infantil. Você é um cara de vinte e três anos, não um moleque. Você vai subir, cumprimentar a todos e vai a esse encontro com a Demi, na volta vocês vão civilizadamente conversar como adultos. – Já estavam na porta do prédio e não tinha como voltar. Que Demi não brigasse com ele na frente das irmãs! Era tudo que Joe queria e enquanto eles subiam para o andar onde ela morava, Joe torcia para que o pedido fosse concedido. – Seja mais confiante. – Disse Ed o olhando para depois bater à porta. – Fica aqui comigo. – Murmurou porque só ele que estava em frente a porta, Joe estava recostado na parede do corredor porque seria impossível vê-lo.

   - Boa noite meninos. – O sorriso de Selena se iluminou mais quando ela olhou para Ed que sorriu igualmente para ela.

   - Vamos Joseph, entra. – Ed tinha os dedos enlaçados aos de Selena e já estava dentro do apartamento enquanto Joe estava todo sem graça fitando os próprios pés.

   - Você pode chamar a Demi? – Perguntou a Selena sem olhar para Ed porque ele sabia que receberia uma bronca.

   - Posso. – Se fosse para gritar Demi, Joe mesmo teria o feito. Então restou a ele ficar cabisbaixo porque as bochechas estavam coradas. – Tem alguém querendo falar com você. – Não demorou muito para que Demi viesse do closet às pressas com medo de Selena estar passando mal ou algo do tipo. Demi fitou Joe cabisbaixo e sentiu o coração acelerar.

   - Tudo bem. – Disse a Sel, mas com o foco todo em Joe. Ele estava tão bonito vestindo suéter sobre a camisa social com direito a gravata e tudo mais. – Vem. – A voz de Demi soou tão baixinha. Ela segurou a mão de Joe e o guiou para cozinha onde teriam mais privacidade. – Então. – Colocar a mecha do cabelo atrás da orelha foi porque ela estava nervosa. E só piorou quando Joe ergueu a cabeça para olha-la. Ele estava barbeado e Demi nunca tinha visto um homem ficar tão bonito usando óculos de grau como Joe ficava.

   - E..eu n..não falei s..sério mais cedo. – Custou muito para que ele conseguisse dizer aquela frase porque quando Demi usava preto, ela ficava absurdamente linda. O vestido era curto, preto e um pouco decotado. A meia calça preta assim como o sapato de salto alto que dava bons centímetros a Demi. – Eu não pensei em terminar com você. – Disse depois de contar de um a dez mentalmente para conseguir se acalmar. – Eu só estava nervoso. – Ele não desviou o olhar do dela, e foi motivo para que o coração batesse mais rápido. – Você está muito bonita. – Elogiou não para melhorar a situação para ele, era porque ele precisava dizer como ela estava linda.

   - Nós podemos conversar mais tarde? Ainda temos que decidir para onde vamos. – Ao menos ela não estava brava. Era um bom sinal, não era? Joe assentiu prontamente se sentindo mais aliviado, porém também frustrado. Ele ficaria mais à vontade se tivesse a segurança que eles estavam bem. – Você está de carro? Nós já estamos prontas.

   - Estou com o carro do Ed. – Seria muito ruim se ele a beijasse? Quando Demi virou as costas, Joe engoliu em seco e com muita coragem puxou a namorada gentilmente pela cintura para os braços dele. Ele a abraçou por trás guiando as mãos para enlaçar os dedos aos dela e por minutos se concentrou em sentir o cheiro do perfume de Demi. O que ele poderia dizer? Faltaram palavras para ajuda-lo quando Demi se virou ficando de frente a ele, mas se ela tivesse o olhado feio ou se esquivado, seria muito pior. – Eu gosto da sua maquiagem. – Foi tudo que ele conseguiu dizer por que estava nervoso, mas não era mentira. Demi ficava bonita com aquele tipo de maquiagem com sombra preta esfumada.

   - Eu estou chateada, mas não quer dizer que eu vou te morder. – Ela sabia exatamente o que ele queria. Um beijo não faria mal e nem mudaria a situação. Demi o envolveu pelo pescoço com os braços e com a ajuda de Joe, conseguiu selar os lábios num selinho demorado que virou um beijo quente quando ela entreabriu os lábios. – Agora nós temos que ir. – Homens! Demi teria gargalhado se a situação fosse diferente. Joe assentiu prontamente e ela sabia que ele faria tudo que ela quisesse se continuasse o beijando naquela forma. – Gostei da gravata, querido. – Para terminar de provoca-lo com chave de ouro, Demi o beijou na bochecha no canto direito da boca e arrumou a gravata ao colarinho. – Vamos? – Joe estava um pouquinho aéreo e as bochechas dele estavam coradas, mas não era de vergonha... Demi o puxou pela mão e sorriu vitoriosa quando Ed a olhou. Ele estava na sala sozinho.

   - A Selena me largou. Quando vou poder conhecer as suas irmãs? – Perguntou ansioso e Demi revirou os olhos para Ed que olhava para Joe enquanto falava com ela.

   - Agora mesmo, vou chama-las. – Ed só esperou Demi sumir pelo corredor para falar baixinho:

   - Cara, limpa a bochecha! – Joe estava em outra dimensão! Só podia! Ed o acertou um o leve soco no braço para tentar desperta-lo e quando Joe o olhou confuso, ele repetiu. – Limpa a bochecha! Está suja de batom. – Ele ainda era lerdo. Ed assentiu negativamente enquanto Joe limpava a bochecha com as mãos. – Como foi com ela?

   - Ela disse que nós vamos conversar mais tarde. – Murmurou Joe fitando o corredor na esperança de ver Demi novamente.

   - Joseph, me escuta. – Para que Joe o olhasse, Ed levou as mãos aos ombros do amigo e o sacudiu. – Eu sei exatamente o que a Demi quer fazer com você. – Murmurou para que não corresse o risco de alguém escutar, principalmente Selena. – Elas usam esse truque para te convencer de alguma coisa, a Selena faz comigo direto e eu tenho que ter muita força de vontade para não ceder.

   - Do que você está falando? – Perguntou Joe confuso.

   - Mulheres! A Demi vai te seduzir para conseguir o que quer, vai por mim. Ela já começou na cozinha e vai terminar mais tarde. – Disse o olhando nos olhos e Joe negou balançando a cabeça. – É claro que é. Ela sorriu para mim, e eu conheço aquele tipo de sorriso. Você não pode ceder cara, você não pode ceder! – Não era para o rosto estar tão próximo ao de Joe. Ed arregalou os olhos quando olhou para o lado e flagrou Selena o olhando com certo deboche e as irmãs de Demi também estavam com ela!

   - Querido? – Selena arqueou uma sobrancelha e Ed se atrapalhou todo, mas se levantou e espantou a vergonha. Ele nunca ficava envergonhado.

   - Olá meninas! Ed Metcalfe. Vocês são parecidas. – Tudo que Ed tentava era descontrair o clima constrangedor entre ele e Joe. Então apertar a mão das irmãs de Demi e cumprimenta-las com um beijo na bochecha não foi nada mal. – Não é o que você está pensando. – Murmurou para Selena que acabou rindo junto com Demi. – Você não pode rir, Selena. Você está grávida de um bebê meu. – Tornou a murmurar e Selena revirou os olhos.

   - Oi meninas. – Disse Joe tão envergonhado que as bochechas coraram. – Você está muito bonita, Anna. – Ele podia elogia-la, certo? Demi não o mataria, ou mataria? Joe não a olhou, sorriu para Anna e tentou relaxar.

   - Obrigada Joseph. – Anna olhou para Demi e se sentiu aliviada quando a irmã sorriu e a abraçou de lado.

   - Vamos? Não podemos atrasar. – O sorriso dela não queria dizer boa coisa, Demi mordeu o lábio inferior e olhou para as irmãs. – Por favor, cuidem da Sel e o meu afilhado, daqui a pouco eu estou de volta. – Demi riu das bochechas coradas de Anna enquanto elas caminhavam na direção da porta. – Eden, você vai descer agora, é a noite das garotas. – Disse quando percebeu que Ed estava quieto como quem não queria nada aproveitando que elas estavam distraídas para se infiltrar na festa.

   - Eu só quero um cachorro-quente e um cupcake, prometo que vou embora depois de comer, eu estou grávido e com desejo! – Ed até abraçaria Selena se ela não tivesse o acertado com um tapa no braço, o que foi motivo para risos.

Antes de sair de braços dados com Demi e sentindo o coração quase rasgar o peito, Anna ficou de bochechas coradas ao ouvir as piadas de duplo sentido e os calorosos: Boa sorte.

   - Ele confirmou, certo? – Demi perguntou a Anna já em frente ao elevador. As duas estavam de braços dados e Joe estava logo atrás completamente sem jeito. A única vantagem era que ele tinha a vista maravilhosa do bumbum da namorada, e dessa vez não se sentiu culpado por olha-lo.

   - Ele me enviou mensagem perguntando se o nosso encontro ainda estava de pé, então eu confirmei e falei o horário. – Anna não parava de sorrir e Demi estava feliz por estar ajudando.

   - Para onde nós vamos? – Perguntou Joe tentando se encaixar na conversar e Demi o olhou sobre o ombro esboçando um sorrisinho malicioso.

   - Eu acho que nós poderíamos fazer um programa mais descontraído. Nós marcamos com ele no shopping em um restaurante ou se vocês preferirem num fast food. Então nós pegamos a sessão das nove. – Disse Demi mais para Anna do que para Joe.

   - Você vai me deixar sozinha com ele? – Anna perguntou um pouco receosa e Demi assentiu sorrindo.

   - Eu e o Joe vamos sair mais cedo, talvez nos primeiros minutos do filme. Se você não ficar à vontade com a situação, é só mandar mensagem que nós voltamos para te buscar. – Disse a Anna. A conversa só fluiu entre as duas, Joe já tinha desistido de tentar se enturmar porque ele estava começando a ficar com medo de Demi e do que ela faria. No caminho para o shopping, a única coisa que Joe disse foi uma pergunta a Anna sobre qual música eles poderiam ouvir. Então seguiram o caminho ao som de Coldplay. O trânsito naquele horário não estava muito conturbado porque a maioria das pessoas preferia ficar dentro de casa onde era quente e longe da neve.

   - Eu vou ligar para o Rick avisando. – Demi assentiu e aproveitou que a irmã estava distraída para focar a atenção em Joe. Ele estava sem jeito e observava o movimento no shopping tão alheio a ela.

   - Joseph. – Chamou se aproximando até que tinha o abraçado de lado. Não era porque eles estavam brigados que o deixaria de lado, principalmente num lugar tão movimentado. Quando Joe a olhou, Demi parou de caminhar e tentou se esticar o melhor possível para beijar os lábios do namorado, e ele a ajudou quando se curvou. – Fica perto, não vou dividir você com outra mulher. – Joe franziu o cenho, mas assentiu passando o braço direito sobre os ombros de Demi a abraçando. Toda vez que eles iam ao shopping, Demi ficava mais agarrada a ele e com os sentidos aguçados a procura de alguma mulher que poderia se interessar por Joe.

   - Tudo bem? – Demi perguntou a Anna quando a viu de cenho franzido fitando o celular.

   - Ele não está atendendo. – Os olhos castanhos estavam marejados! Anna sentiu o coração despedaçar e Demi xingou Rick de todos os nomes ruins que conhecia.

   - Não quer dizer que ele não vem, talvez o celular dele descarregou ou está num lugar onde não tem sinal. – Era uma possibilidade. E Demi esperava que realmente fosse um problema com o celular. – Vamos procurar um restaurante, daí você envia mensagem explicando onde nós estamos e tenta ligar novamente. – O melhor lugar que encontraram era um restaurante chamado Little Muenster que ficava na praça de alimentação Hudson Eats do shopping Brookfield Place. De onde estavam, tinham a vista para o rio Hudson e o Battery Park.

   - Vou pedir suco natural de laranja, vocês aceitam? – Perguntou Joe todo educado e quando as duas assentiram, ele se levantou para caminhar na direção do balcão.

   - Não fica nervosa, Annie. – Demi estava começando a ficar preocupada com toda a ansiedade de Anna. Ela tinha o olhar distante e batia a ponta dos dedos na mesa.

   - É que eu já cruzei uma barreira que não deveria. As pessoas vão falar se descobrirem que eu estou saindo com meu orientador e supervisor. – Explicou-se fitando os olhos de Demi. – Eu quero que essa noite seja especial. Não quero me arrepender de mostrar o meu interesse por ele. O Rick é inteligente e ele sabe exatamente o que nós pretendíamos quando fizemos o convite. Se nós vamos correr esse risco, eu quero que valha a pena. – Dentro de menos de um mês ela estaria formada e jamais admitiria que alguém a desvalorizasse só porque Rick era mais que um supervisor e orientador.

   - Vai dar certo, eu sei que vai. – Demi enlaçou os dedos aos dela e sustentou o olhar de Anna. Elas se conheciam tinha pouco tempo, mas parecia que tinha anos! – Você vai ficar bem quando ficar sozinha com ele? – Perguntou a olhando nos olhos.

   - Eu estou me disciplinando para não surtar ou passar vergonha. – As bochechas de Anna coraram, mas ela sorriu mesmo sem jeito. – Eu já o beijei, aliás, ele me beijou, e desde então, é a única experiência que eu tive com um homem. – Demi tinha percebido que Anna era inexperiente, só não esperava que Rick fosse realmente o único cara na vida da irmã. Ela era tão bonita e por mais discreta, Anna era o tipo de mulher que chamava atenção dos homens.

   - Eu não consigo acreditar. Você é bonita, inteligente e está na faculdade. Geralmente é nessa época que nós temos mais contato com os garotos. – Demi sorriu se lembrando de como a época na faculdade tinha sido intensa e cheia de garotos bonitos, mas também não teve um bom resultado no último período.

   - Eu sei. Alguns caras tentaram, mas eu sempre coloquei a faculdade em primeiro plano. E depois que a mamãe fa..faleceu, eu me isolei e dediquei o meu tempo a ajudar pessoas. – Demi abraçou Anna de lado quando ela deitou a cabeça no ombro esquerdo tendo todo o cuidado para não tocar no braço machucado e feri-lo.

   - Eu sinto muito, Anna. – Não era uma boa hora para tocar naquele assunto, mas quando Anna se ergueu um pouco emocionada e sorriu, Demi soube que estava tudo bem.

   - Eu estou dando o meu melhor para ser como ela. A mamãe ajudava as pessoas e eu quero fazer o mesmo. – Aquele sorriso de orelha a orelha era para ela? Demi franziu o cenho e olhou na mesma direção que Anna e no mesmo instante se sentiu aliviada. Rick era um homem bonito e perigosamente charmoso. Não dava para se decidir entre o cabelo despojado e o sorriso impecável.

   - Boa noite. – Os olhos castanhos dele tinham o olhar fixo em Anna, Demi até recebeu um beijo na bochecha, mas nada comparado ao que a irmã recebeu. As bochechas de Anna até coraram e ela sentiu o corpo esquentar ao fitar os olhos dele. – Desculpem o atraso. – Rick se acomodou a cadeira vazia ao lado de Anna ainda a olhando. Como Anna não tinha surtado? Tinha uma tensão sexual tão forte os envolvendo que Demi não teria aguentado conviver anos com Rick como amiga e com os demais laços acadêmicos.

Olhá-los não era uma boa opção. Demi franziu o cenho sentindo a falta de Joe e olhou em todas as direções o procurando. O que tinha de tão demorado em fazer o pedido de três copos de suco natural? Ah... Então era aquilo? O sangue ferveu nas veias. O emocional foi tomado pela raiva e ciúme, e se não fosse o restinho de sanidade, ela arremessaria o sapato de salto na direção de Joe e o xingaria até que as veias do pescoço saltassem.

   - Demi? – Anna a chamou e Demi demorou a olha-la porque ela analisava o micro vestido da ruiva que conversava com Joe escorada no balcão. O que era tão engraçado?

   - Desculpa, eu estava distraída. – Ela ainda deu uma última olhada no namorado para depois olhar para Anna.

   - Sua amiga vem? – Rick tinha um pequeno sorriso nos lábios e se largou quando Demi ficou completamente surpresa com a pergunta.

   - Nós conversamos mais cedo, até então estava tudo certo. Vou ligar para perguntar. Com licença. – Assim que ela se levantou, o olhar foi direcionado para Joe assim como os passos. Demi pegou o celular na bolsa e discou o número de Selena. Um toque, dois toques, três toques, caixa postal. Ela tornou a ligar para Sel e o melhor foi que já estava próxima o suficiente de Joe.

   - Demi? Você está aí? – Selena.

   - Sabe o que eu acho engraçado? A pessoa levanta para pedir três copos de suco de laranja e fica encalhado no balcão. Será que foi plantar laranja para esperar ela crescer para depois fazer o suco? – Ele tinha entendido, Joe não era lerdo aquele ponto e ela estava escorada no balcão ao lado dele. – Vocês podem levar o cardápio a minha mesa, por gentileza? – Perguntou a atendente discretamente empurrando o braço no de Joe. Ele tinha ficado tão sem graça que estava de bochechas coradas e desfocado da conversa.

   - Demi? – Selena.

    - O seu amigo está aqui conversando com uma ruiva e esqueceu que tem namorada. – Disse Demi com tanto desgosto caminhando em direção a mesa a passos lerdos para não estragar o clima entre Anna e Rick com todo o repentino mau humor. – Você tinha que ver o tamanho do vestido, mas é bom! Só assim que nós conseguimos identificar as piranhas, elas não sentem frio nem quando está caindo neve do céu.

   - Você não vai fazer um escândalo, vai? – Perguntou Selena porque ela sabia que Demi podia ser muito exagerada quando estava com ciúme. – Vai ver é só uma amiga ou conhecida.

   - Me poupe Selena! – Ralhou irritada porque Joe tinha se aproximado a abraçando de lado. – Depois nós conversamos. – Murmurou para Selena desvinculando do abraço de Joe.

   - Ela trabalha comigo. – Disse Joe logo atrás e Demi se fingiu de surda de nariz empinado e se controlando para não xinga-lo. – Demi! Ela é professora da matéria que eu dou reforço. – Joe odiava quando Demi disparava na frente e o deixava sozinho. E o pior era que eles estavam num local público.

   - Eu falei com a Sel. Ela está enjoada e não poderá vir. – Demi se acomodou a mesa ao lado de Anna e lançou um breve olhar para Joseph que estava envergonhado. – Rick, esse é o Joseph. – Disse apenas por educação e porque jamais estragaria a noite de Anna.

   - É um prazer reencontra-lo. – Disse Rick apertando a mão de Joe que disse um tímido “Igualmente”.

   - Vamos pedir? – Se não fosse a conversa agradável administrada por Anna, Demi sabia que não conseguira esconder como estava estressada e chateada com Joe. Ela até pensou em excluí-lo da conversa com indiretas que o deixaria sem graça, mas não o fez porque sabia que estaria sendo imatura.

Nas especialidades do restaurante, o queijo era indispensável nos pratos ricos em culinária e de dar água na boca. Enquanto escolhiam o que iriam comer, Demi e Joe com um cardápio e Anna e Rick com outro, foi o único momento que Demi deixou a raiva de lado para policiar Joe na escolha de um prato que não o prejudicaria. Até quando eles fizeram o pedido, Demi alertou o garçom sobre o excesso de sal e outros que poderiam elevar a pressão arterial de Joe.

   - Está muito tarde para pegarmos a sessão das nove? – Perguntou Demi. Eles tinham acabado de sair do restaurante e a noite estava sendo divertida demais para acabar cedo.

   - O que você acha, Anna? – Perguntou Rick a olhando nos olhos e Anna assentiu nervosa.

   - Eu estou por fora do que está passando no cinema. – Qual tinha sido a última vez que ela tinha ido ao cinema? Anna franziu o cenho tentando se lembrar, mas apostava que fazia quase dois anos e provavelmente foi em um aniversário das irmãs ou com a falecida mãe.

   - Vocês tem sugestões? – Demi quis sorrir quando Rick abraçou Anna de lado e as bochechas dela ficaram coradas. Ela deveria abraça-lo também, mas aparentemente Anna estava em estado de choque.

   - Joseph? – Perguntou Demi a Joe. Ele caminhava ao lado dela completamente alheio, o olhar estava perdido nas pessoas e na beleza do shopping enquanto Joe pensava em como acalmaria Demi. – Joseph! – Chamou-o novamente e quando ele a olhou, Demi discretamente cerrou os olhos. – Você sabe algum filme bom em cartaz? – Perguntou e Joe arqueou as sobrancelhas.

   - Achei interessante O Rei do Show. E se vocês preferirem fantasia, está passando Sobrenatural A última Chave. – Os dois filmes dividiram opiniões. Demi até adoraria assistir filme de terror, mas sabia que não ajudaria em nada Anna a relaxar e curtir a noite quando estivesse sozinha com Rick. Eles nem mesmo conseguiriam se beijar com assombrações passando na tela gigante do cinema.

   - Por favor, vamos assistir O Rei do Show. – O comentário de Anna foi motivo de risada e ela acabou abraçando Rick de lado repousando discretamente a mão nas costas largas.

   - Eu e o Joe concordamos. – Porque eles não assistiram ao filme. Demi nem olhou para Joe e se o fizesse, mostraria língua porque ele não tinha direito de fazer aquele bico.

   - Vamos comprar os ingressos? – Rick perguntou a Joe, que assentiu prontamente prevendo que se ele ficasse sozinho com Demi, ela o faria ficar vermelho de vergonha. – Vocês cuidam da pipoca?

   - Nós ficamos com a pipoca e vocês com os ingressos. – Disse Anna antes que Rick pegasse a carteira no bolso de trás da calça.

   - Vocês são lindos juntos. – O sorriso de Demi foi de orelha a orelha ao flagrar Anna olhando Rick caminhar ao lado de Joe.

   - Obrigada! – A voz soou tão feliz e para que  juntas pudessem caminhar em direção a fila da pipoca, Anna enlaçou o braço ao de Demi. – Por que você está brava com o Joe? – Perguntou com receio e Demi franziu o cenho e negou balançando a cabeça.

   - Nós brigamos mais cedo e eu fiquei muito brava porque ele estava conversando com uma.. uma.. uma mulher no balcão do restaurante. Por isso ele demorou. – Resmungou ranzinza.

   - Por que vocês brigaram? – O que ela deveria responder? A conversa perdeu foco quando foram atendidas. Ao saírem, os baldes de tamanho médio e com o logotipo do cinema estavam carregados de pipoca e para se acalmar, Demi comprou chocolate e algumas balas.

   - Bem.. – Começou a dizer Demi ao perceber que Anna ainda esperava a resposta da pergunta que tinha feito mais cedo. – É uma história muito longa, e não é a primeira vez que nós brigamos. Prometo contar depois. – Não teria como fugir, Anna sabia o motivo dos ferimentos e consequentemente sabia que a irmã era ex-funcionária da Gyllenhaal. Então para ligar um ponto no outro era muito fácil.

   - Eu vou cobrar. Se você tivesse dito mais cedo, nós teríamos cancelado. – Anna se acomodou numa das cadeiras das mesas da praça de alimentação e fitou os olhos da irmã.

   - Está tão óbvio assim? – Mesmo naquele horário, a praça estava cheia e o barulho obrigava as pessoas a falar mais alto.

   - Geralmente vocês estão sorrindo um para o outro, trocando beijos e olhares apaixonados. – Demi sorriu quando ouviu o comentário de Anna.

   - Brigar uma vez ou outra faz parte. Eu o amo e tenho certeza que vou perdoa-lo depois que eu descontar o meu ciúme nele. – Não tinha como ficar muito tempo brava com Joe. O ciúme ainda estava a sufocando, mas não impediu que um sorriso apaixonado se formasse nos lábios de Demi quando ela viu Joe caminhar ao lado de Rick. Eles estavam conversando e parecia que se entendiam. – Balas são sempre bem-vindas quando vamos ao cinema com algum garoto. – Disse a Anna antes que Rick e Joe se aproximassem.

As poltronas foram escolhidas por Demi. O lugar era completamente estratégico e reservado para evitar olhares curiosos. A sala não ficou completamente cheia, boa parte das poltronas estava ocupada pelo público adulto. As luzes foram apagadas e então os trailers dos filmes que seriam lançados prenderam a atenção de Joe. Principalmente Vingadores: Guerra Infinita. Os olhos do rapaz até brilhavam e Demi não estava muito atrás, ela só não comentou animada com Rick como Joe tinha feito.

   - Vou embora depois dos dez primeiros minutos. – Sussurrou Demi para Anna.

   - Assiste ao menos uma hora, o filme parece interessante. – Sussurrou Anna.

   - Meia hora. – Os sussurros já estavam se tornando suspeitos. Anna acabou assentindo sem muita saída e tentou o máximo se acomodar a poltrona e relaxar. Já Demi estava cansada, com raiva e sono. Usar o braço de Joe para descansar a cabeça não foi uma ideia ruim, foi melhor ainda quando ele relaxou o corpo tornando o contato entre eles mais aconchegante.

Nos primeiros minutos do filme, Demi focou toda atenção na tela e não disse nada quando Joe cobriu a mão dela com a dele e a beijou na testa. Ela estava exagerando? Joe era um homem gentil apesar de tímido, e muitas vezes as pessoas acabavam confundindo com algum tipo de interesse romântico. O filme já não prendia mais a atenção de Demi. Ela observou Joe pensando nos bons momentos que já tinha vivido com ele e analisou o porquê que tinham brigado mais cedo. Ela tinha sido infantil, mas não podia discordar que tinha razão. Era muito importante que a família de Joe a aceitasse.

   - Você está com frio? – Joe perguntou baixinho para não incomodar o resto do cinema e Demi assentiu o olhando nos olhos. A jaqueta dele estava quentinha e perfumada. Demi se sentiu protegida e não recuou quando Joe sutilmente se curvou para beija-la na boca. Ela correspondeu a altura, mas não deixou que o beijo durasse por muito tempo.

   - Obrigada. – A intenção não era olha-los. Aconteceu quando ela se ergueu para colocar o cabelo para fora da jaqueta. Rick e Anna trocavam um beijo que a fez sorrir de orelha a orelha feliz. – Vamos? – Sussurrou para Joe e quando ele olhou, negou balançando a cabeça. – Nós assistimos outro dia, Joseph. – Tornou a sussurrar lutando contra a curiosidade. – Nós combinamos que não ficaríamos muito tempo.

   - Ah, Demi! – Murmurou como uma criança teimosa e Demi riu baixinho. Mais dez minutos não faria mal a ninguém.

Cochilar no cinema deveria ser crime, mas mesmo assim Demi o fez. Não era porque o filme era ruim, estava longe de ser, só que o cansaço a tomou e estava ficando tarde. Os dez minutos viraram quase quarenta longos minutos. Nem mesmo a pipoca era o suficiente para animar a Demi, não quando o assunto era dormir.

   - Anna. – Chamou a irmã depois de se certificar que Rick não estava a beijando, ele só a abraçava de lado e Anna estava aconchegada a ele. – Eu vou embora, estou com sono. Você pode me ligar se precisar ir embora ou qualquer outra coisa. – Disse baixinho.

   - Tudo bem. Nos encontramos no seu apartamento. – Demi assentiu e sorriu para irmã. Inventar uma desculpa para Rick não foi nada complicado porque o rapaz tinha entendido exatamente o objetivo do encontro.

   - Manda a localização para Anna que eu a levo. – Estava tudo saindo muito bem e Demi se sentia orgulhosa e feliz por estar ajudando Anna. E lá estava Joe a esperando. Demi respirou fundo e se levantou segurando a mão do namorado por conta do sapato de salto. A ajuda de Joe foi necessária durante todo o processo de descer a escada, que mesmo com os leds vermelhos de segurança na borda dos degraus, ainda era um perigo.

   - Eu tenho a impressão que eles vão embora antes do filme acabar. – Comentou Demi. Quando ela olhou na direção da irmã, flagrou-a aos beijos com Rick.

   - O seu plano deu certo. – O excesso de luz do corredor das salas do cinema foi o suficiente para fazer Demi franzir o cenho e fechar os olhos e abri-los aos poucos conforme se acostumava com a claridade.

   - É, deu certo. – Murmurou largando a mão de Joe para abrir a barra de chocolate. As mordidas exageradas no chocolate ajudavam aliviar o stress. – Aceita? – Perguntou ao notar o olhar curioso de Joe, que negou balançando a cabeça.

O olhar de Joe julgando a forma que ela comia chocolate não foi o único, mas Demi nem se importava. Continuou degustando o chocolate durante todo o caminho para fora do prédio e só parou ao perceber que a barra já estava na metade e não dava para continuar comendo porque ela precisava de atenção redobrada no trânsito.

   - A Anna vai voltar para casa com o Rick? – Joe sabia a resposta, só estava tentando puxar assunto. Demi não o respondeu, e não era porque ela estava cochilando, bem pelo contrário! Ela estava com a cabeça encostada na janela do carro e observava o movimento da cidade naquele horário.

O silêncio de Demi não era um bom sinal! Joe engoliu em seco e para melhorar o clima entre eles, ligou o som do carro. Quanto ironia! Please Forgive Me do Bryan Adams começou a tocar e quem mudou a música foi Demi. Ela não ficou nenhum pouco feliz com o repertório. Logo veio Angel e Hole In My Soul do Aerosmith, Wish You Were Here do Pink Floyd, The Scientist e Fix You do Coldplay, Hurt do Johnny Cash e a música que Demi escolheu foi I Kissed a Girl da Katy Perry. Até um pedaço da música Demi cantarolou e Joe se manteve firme, sério e focado no trânsito. Se ela queria ignora-lo, ele também podia ignora-la.

   - Adivinhem?! O plano deu certo e quando eu saí do cinema, o Rick estava beijando a Anna! – Anna ouviria a mensagem de voz porque ela também estava no grupo. E os áudios que chegaram? Demi os executou e sorriu porque as meninas faziam uma série de perguntas e comemoravam como se fosse a vitória de uma guerra. 

   - Eu quero ouvir Bon Jovi. – Disse Joe quando Demi nem deu chance Bed of Roses, ela tocou no touchscreen no botão para trocar de música o ignorando. – Demi?! – Chamou já irritado. – Por favor, briga comigo, me bate, qualquer coisa! Só não me ignora. – Ele não alterou o tom de voz porque não era necessário.

   - Vamos conversar sobre laranjas, o que você acha, querido? – Joe respirou fundo ignorando o tom irônico da namorada porque era ele quem estava dirigindo, e todo cuidado era pouco.

   - Nós também podemos conversar sobre imaturidade, insegurança e infantilidade, o que você acha, querida? – O carro foi estacionado na primeira vaga que Joe encontrou, ele nem sabia onde estavam, só queria resolver logo aquela situação com Demi.

   - Eu acho perfeito! – Demi respirou fundo e tirou o cinto de segurança para que pudesse ficar mais à vontade e pronta para atacar Joe com tapas, caso fosse necessário. – Sabe o que eu acho engraçado? Você fica de papo com aquela vadia ruiva de popa da bunda de fora nesse frio e eu tenho que perdoar?! Você acha que eu sou trouxa? Às vezes seu posso ser imatura, insegura e infantil, eu só não vou ser corna!

   - Você está nervosa, eu não vou discutir com você.

   - Eu não estou nervosa! – Joe franziu o cenho e riu encostando a cabeça no volante. Ela ficava fofa quando estava toda corada de raiva. – Para de rir, seu idiota! – Demi o encheu de tapas nas costas se esquecendo que a mão esquerda estava machucada.

   - Ei, para com isso. – Mais paciente que Joe? Impossível! Aos poucos ele conseguiu abraçar Demi a acalmando com o carinho que fazia na nuca. – Deixa eu te contar uma coisa. – Demi já se esforçava para conseguir sair do abraço dele, mas Joe a abraçou e a olhou nos olhos. – Emily é casada com outra mulher.  – Joe assentiu quando Demi arqueou uma sobrancelha.

   - E como vou saber se é verdade? Você pode ter inventado para livrar o seu traseiro.

   - Eu sou seu namorado, você deveria confiar em mim. – Murmurou magoado buscando pelo celular no bolso. – Ela é casada e tem uma filha, viu? – Demi pegou o celular das mãos dele e só assentiu depois que tinha visto as fotos no instagram de Emily.

   - Você tem razão. – Disse Demi se acomodando ao banco e fitando o movimento da rua. – Desculpa, sei que exagerei e prometo que não vou mais bater em você. – Admitir em voz alta era pior! Demi fechou os olhos e murmurou um palavrão.

   - O que você acha da gente conversar? – Foram minutos em silêncio, ambos relaxados no banco do carro observando o movimento da rua.

   - Sobre mais cedo? – Perguntou Demi de olhos fechados.

   - Sim, sobre mais cedo. – Joe tirou os óculos de grau e afrouxou a gravata. – Prometo que vou te ouvir e respeitar, mas se você ofender o lugar que nasci, eu vou ficar bravo. – Ele sorriu para descontrair o clima e Demi assentiu.

   - Desculpa, eu estava nervosa, não pensei antes de falar. – Joe assentiu sustentando o olhar dela.

   - Eu também estava, terminar com você nem passou por minha cabeça. – Aos poucos ele conseguiu envolver dos dedos da mão direita aos da esquerda dela. – Eu não quis assusta-la.

   - Eu sei. – O beijo foi a oferta de paz perfeita. Demi roçou os lábios e juntos eles apreciaram um beijo puro e inocente. – Você quer começar? – Perguntou com os lábios próximos aos dele.

   - Começa você. – Ele precisou de muito autocontrole para não fazer daquele beijo algo mais quente e intenso. – Seja sincera. – Pediu roçando os lábios aos dela por uma última vez.

   - Então. – Demi se deitou no banco e fixou o olhar ao de Joe. – Tenho certeza que é muito importante para nós que a sua família goste de mim. Estou insegura por causa da Rose. Ela não gosta de mim porque ela queria estar no meu lugar. Eu estou imaginando que ela falou coisas desagradáveis ao meu respeito para a sua família. Não estou pensando exatamente que você vai me largar, só que se eles não gostarem de mim, vai ser difícil e constrangedor. Ter uma família é muito importante Joe. Antes de a vovó falecer, a minha família se resumiu na minha mãe e nela. Nós não tínhamos bons momentos, então eu sei como é desagradável passar por esse tipo de situação e não quero passar de novo e nem que você passe o mesmo. Entende? – Os dedos tocaram o queixo dele onde Demi arranhou levemente. – Joe, eu não quero sobe hipótese alguma inimizade entre você e o meu pai. Vocês são importantes para mim e assim como eu não quero inimizade com a sua família, eu não quero que você tenha inimizade com a minha. Eu finalmente encontrei alguém que eu quero passar a minha vida toda e depois de tudo que passei com a minha mãe, eu descobri que tenho uma família linda. Eu preciso de vocês juntos para fazer isso funcionar!

   - Eu gosto da sua família, Dem. De verdade. As meninas são incríveis e tão carinhosas com você. Admito que tenho medo do seu pai, ele me intimida e eu não gosto de fazer papel de bobo na sua frente. – Joe fez o mesmo carinho que tinha recebido nela. Acariciou-a no queixo e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.

   - Eu sei que é chato, mas eu o entendo. Ele tem receio porque a Bella teve um namorado que a enganou e a machucou muito quando ela era mais nova, depois disso, ele tem cuidado redobrado com as meninas e agora comigo. – Joe franziu o cenho, mas assentiu. – Tente entendê-lo, sei que você consegue, hum? – Joe sorriu quando Demi fez biquinho antes de morde-lo no lábio inferior. – Aposto que você vai ser um pai ciumento com a nossa menininha. – Era tiro e queda! Os olhos de Joe brilharam de paixão e Demi sentiu o coração acelerar e um frio estranho na barriga. Ela também queria ter filhos com ele.

   - Eu vou fazer o impossível para ser o melhor pai desse mundo. – O sorriso foi tão bonito que Demi também sorriu abraçando Joe da melhor forma que podia. – Vou cuidar de você e dos nossos filhos, prometo. – Foi complicado puxa-la para o colo, Joe só conseguiu depois que moveu o banco do carro para trás e o inclinou para baixo.

   - E eu vou cuidar de vocês e ama-los com a minha vida. – Ali mesmo ela podia dormir quente e protegida. Quando Demi o beijou no peito, Joe a abraçou pela cintura e fechou os olhos como ela.

   - Dem. – Chamou baixinho a acariciando no queixo. – Eu sei que é complicado, mas você não tem que ser insegura e muito menos se importar com a opinião das pessoas. Não tem como agradar todo mundo, faz parte da vida. O que importa é que você é mais que boa para mim. – Disse a olhando nos olhos.

   - Eu vou tentar. Podemos ir para casa? – Estava tão bom nos braços de Joe que Demi continuou quieta e preguiçosa.

   - Você vai para o Texas comigo? – Perguntou sustentando o olhar dela.


   - Minha resposta ainda é não. Talvez seja melhor assim, posso visitar a sua cidade em outra ocasião. – Joe respirou fundo e assentiu frustrado. – Vou pensar melhor e falo com você, combinado? – Ainda havia esperanças! E até o final de semana muita coisa poderia acontecer.


Continua... Oi! Boa tarde, como vocês estão? Eu estou bem! Demorei a postar porque fiquei sem saber exatamente o que poderia escrever, mas acabei gostando do resultado. Espero que vocês gostem também! Obrigada pelos comentários e visualizações, abraço e até o próximo capítulo! 

15.1.18

Capítulo 3 - Parte Um


Será que havia espaço para ele no sofá? Joe sorriu de orelha a orelha de coração disparado de amor. Tinha mulher mais fofa que a dele? As sardas salpicadas na região do nariz até as bochechas davam a Demi um ar eterno de menina. O moletom grande pertencia a ele, e Joe riu porque o cabelo de Demi estava bagunçado, mas ainda sim a deixava fofa. Nos braços da namorada, Lucy estava dormindo que nem tinha notado a presença do dono, o que não acontecia com muita frequência. As duas estavam dormindo no sofá, Demi tinha a cadelinha encostada ao corpo e a abraçava de modo que só dava para ver a cabeça de Lucy fora da coberta. Ele tinha que ficar ali aquecido junto com elas! Ansioso, Joe descalçou o tênis e estudou como faria para se juntar a elas. Era quase onze da manhã e Demi ainda dormia enquanto ele já tinha saído para resolver alguns problemas para o chefe e devolver o carro para Ed.


Lucy foi a primeira a acordar quando a coberta foi puxada, ela ergueu o tronco e com cara de sono bocejou olhando para o dono. Demi nem mesmo se mexeu quando Joe a empurrou para se deitar de forma que conseguia abraça-la por trás. Na noite passada quando eles chegaram em casa, Demi tinha falado tanto sobre as irmãs e o pai, ela não parava de sorrir e acabou adormecendo no sofá abandonando o namorado e o filme que eles tinham combinado assistir. A vontade de Joe era outra, ele queria namorar, conversar e dormir mais tarde, porém entendia que o dia tinha sido cansativo e que a namorada precisava descansar.

Acomodado ao sofá, Joe abraçou Demi pela cintura e no mesmo instante fez careta porque Lucy o lambeou na mão antes de voltar a se aninhar. Tudo que vinha de Demi era bom. Joe a mordiscou na orelha aproveitando para sentir o cheiro maravilhoso que vinha dos cabelos castanhos e que o fez sorrir e roçar mais o corpo ao dela aproveitando para fechar os olhos. Onde estava o sono? Será que era porque estava muito claro na sala? Ele só conseguiu descansar pensando em como Demi era dorminhoca. Eram doze horas de sono? Como alguém podia ser tão preguiçoso? Quando eles estivessem no Texas, Clara acordaria Demi no nascer do sol. Era daquela forma que funcionava, quando a avó estava de pé para começar o trabalho na fazenda, os adultos também deveriam acordar. Só os doentes e as crianças que eram poupados e presenteados com mais uma hora de sono e nenhum mais um minuto, no caso dos pequenos.

- Preguicinha, está na hora de levantar. – Sussurrou quando Demi murmurou enlaçando os dedos aos dele, mas nem deu sinal que iria acordar. – Anjo, acorda. – Os lábios dele foram selados atrás da orelha direita, os dentes mordiscaram-na ali e a mão grande adentrou a blusa de moletom para tocar a curva da cintura e então abraçar um seio como Joe sabia que Demi gostava. – Acorda, vamos. – Ronronou a beijando ainda atrás da orelha e puxando vagarosamente o mamilo o sentindo endurecer entre os dedos logo lhe cutucando a palma da mão que abraçou o seio. – Acorda, princesa. – Nem sempre uma atitude agravada a todos. Lucy fez careta quando foi praticamente expulsa do sofá e Joe sentiu o corpo literalmente esquentar porque Demi tinha se virado para abraça-lo colocando uma perna entre as dele e descansando a cabeça no peito.

- São quantas horas? – Ronronou Demi de olhos fechados. A perna foi empurrada contra a ereção involuntariamente, e aos pouquinhos o corpo se acomodou ao de Joe que chegou a fechar os olhos se sentindo ansioso para tê-la.

- Dá última vez que olhei, eram quase onze horas. – O que Joe mais gostava no inverno era justamente de fazer amor com Demi. Parecia que o sexo ficava melhor e mais apaixonado por conta da necessidade que o casal tinha de continuar aquecido, e entre ele e Demi funcionava muito bem. A respiração de Joe ficou mais pesada quando ele guiou as mãos para o bumbum da namorada e o apertou sutilmente deixando um pequeno suspiro escapar de entre os lábios.

- Eu preciso de mais quinze minutos. – Era inacreditável o que ele tinha acabado de ouvir! O cenho de Joe até franzido ficou. Demi não tinha sacado o que ele queria? Ela era tão esperta quando eles começavam a trocar carinhos, se fosse a namorada de alguns dias atrás, ela teria se erguido para olha-lo e esboçado um pequeno sorriso carregado de muitas más intenções e também devolveria o carinho de forma ousada, talvez roçando a perna mais a ereção ou simplesmente adentrando a calça para começar a brincar com ele sobre a roupa íntima.

- Você está bem? – Perguntou desanimado, mas ainda havia a esperança de Demi ataca-lo, e era acreditando naquela teoria que Joe ainda tinha as mãos no bumbum o acariciando.

- Estou. – Murmurou Demi o beijando no peito para depois abrir os olhos. – Você escutou o meu celular tocar? – Perguntou de cenho franzido e Joe negou balançando a cabeça. – Eu estou com tanto sono. Nós voltamos para casa tão tarde, mas eu adorei passar o dia com as minhas irmãs. – Joe assentiu sem muita vontade. Ele tinha ouvido tantas histórias sobre aquelas garotas.

- Nós não voltamos tão tarde. – Disse adentrando a blusa de moletom para toca-la nas costas. – Você dormiu não tinha quinze minutos de filme, e era onze horas. Tem certeza que está com sono? – As mãos dele alcançaram o fecho do sutiã e sem dificuldade, Joe o abriu.

- Absoluta, vou dormir na cama, ok? – O que diabos ele tinha feito? Joe ficou completamente boquiaberto quando Demi o beijou na bochecha e se levantou levando a coberta junto com ela em direção ao quarto. Aquilo estava errado, muito errado! Ele desabotoou o sutiã, e ela deixou! Tinha que significar alguma coisa. Levando a mão a testa, Joe choramingou frustrado.

- Por que garotas são tão complicadas? – Perguntou quando Lucy apoiou as patinhas na barriga dele e balançou o rabo ao receber carinho atrás das orelhinhas. O que ele deveria fazer? O frio começou a incomoda-lo minutos depois. Joe cerrou os dentes e franziu o cenho ao se levantar. – Vai para sua caminha, vou ver o que está de errado com a minha princesa. – Disse a Lucy e ela não o obedeceu, subiu no sofá e se acomodou fechando os olhinhos. Joe a acariciou e para que a Lucy não passasse frio, ele tirou a jaqueta e gentilmente a cobriu.

Não tinha nada de errado com ele, tinha? Ele não cheirava mal e não estava com mal hálito. Estava tudo certo como sempre. Ao encarar a porta do quarto, Joe se sentiu nervoso, porém também decidido a saber o que estava acontecendo com Demi para que ela ficasse com tanto sono como dizia. Só que foi uma pena ao adentrar o quarto. Demi estava bem longe de aparecer alguém que estava com sono. Ela tinha acabado de sair do banheiro, e porque as sobrancelhas estavam bem penteadas e o começo do cabelo da testa com algumas gotinhas de água, Joe percebeu que ela tinha lavado o rosto.

- Oi. – Quando ela sorriu, Joe entendeu que estava tudo bem e se aproximou para abraça-la por trás.

- Oi querido. – Aos pouquinhos Joe conseguiu vira-la e a beijou na boca sem muita pressa aproveitando para levar as mãos a cintura e depois escorrega-las na direção do bumbum onde ele apertou com vontade, o que foi motivo para Demi sorrir entre o beijo, e quando eles terminaram, ela deu um selinho nos lábios dele e se deitou na cama.

O celular estava plugado no carregador conectado a tomada. Demi se deitou no lado dele digitando agilmente assim que desbloqueou o celular e vez ou outra ria. Nem mesmo quando Joe se deitou a cama bruscamente, não o fez de proposito, Demi o olhou. Ela estava concentradíssima no celular! Joe se acomodou ao lado dela de braços cruzados e sem olha-la. Era o que ele fazia quando ficava emburrado, eram os sinais que Demi precisava para começar a mima-lo para descobrir o que o incomodava, porém nada! Ela riu e continuou a digitar.

- Com quem você está conversando? – Perguntou Joe soando amigável e Demi não o respondeu. – Demetria. – Chamou de cenho franzido e quando Demi o olhou, ela perguntou esboçando um sorrisinho sapeca:

- O que?

- Com quem você está conversando? – Tornou a perguntar sem intimida-la, ele jamais o faria. Demi tinha toda a liberdade para conversar com quem desejasse mesmo que não agradasse a Joe.
- Com as meninas. – Era claro. Com quem mais ela estaria conversando? Os olhos marrons não fitaram os dele depois daquela frase, estavam com o olhar fixo na tela do celular.

Foram minutos e mais minutos ouvindo as risadas de Demi sem que elas nem mesmo fossem destinadas a ele. Será que era egoísmo querê-la apenas para ele? Joe franziu o cenho e discretamente observou como Demi estava feliz e animada conversando no celular com as irmãs. Ela merecia ser feliz e ter aquelas pessoas para ama-la, mas não era justo que ele ficasse de lado. Selena também estava reclamando quando mandou mensagem para ele na noite passada.

- Demi. – Chamou puxando a coberta para cobri-lo também. – Ei. – O corpo dele abraçou o dela por trás e os lábios mordiscaram o pescoço. – Eu estou aqui. – Joe tinha decidido que não iria confronta-la, pois não era necessário. Ele e Selena deveriam entender que Demi estava feliz por ter a família que sempre sonhou, era completamente normal que ela ficasse envolvida e diminuísse um pouquinho da atenção que estava acostumava a oferece-los, não significava que ela não gostava mais deles, caso fosse assim, ela não teria recusado o convite das irmãs para passar mais uma noite com elas.

- Eu sei, Joseph. – Murmurou desconcentrada na conversa deles para continuar ativíssima na conversa com as irmãs no aplicativo do celular. Todas estavam online e faziam planos para aquela noite que passariam juntas no apartamento de Demi.

- Eu estou aqui. – Sussurrou quando arqueou a pélvis contra o bumbum. Ele não tinha mais vergonha entre quatro paredes. Demi tinha o ensinado que eles só desfrutariam do prazer se fossem sinceros sobre o que queriam. E ali estava Joe procurando por um pouquinho de afeto e carinho da namorada que nem mesmo tinha notado que o “Eu estou aqui” foi uma frase com duplo sentido.

O que mais era agonizante: a forma que os dedos de Demi se moviam agilmente na tela do celular, o barulho irritante que o aparelho emitia ao ser tocado ou o fato dela ignora-lo completamente? Quando Joe rolou para longe dela, a coberta foi junto e Demi só o olhou para puxar a coberta de volta o deixando com frio, frustrado e excitado.

- O que você tem? – Demi perguntou quando Joe puxou a coberta para ele. E o tamanho daquele bico?

- Não é só você que pode ficar com a coberta. Ela também é minha. – Ele disse sem deixa-la puxar a coberta só para ela. Diferente de Demi, Joe sabia compartilhar, já ela só pensava em se aquecer.

- Tudo bem. – Eles não iriam brigar? Acontecia algumas vezes. Relacionamentos não eram perfeitos, e o deles estava muito longe de ser. Tinha dia que se tratavam tão bem, namoravam e faziam inúmeras declarações, mas também tinha Aquele dia. O dia. Tudo virava motivo de briga. Quem iria usar a tomada perto da cama, qual episódio das aventuras do batman iriam assistir, quem seguraria a guia de Lucy, quem ficaria por cima na hora do sexo e muitas outras coisas. – Você está estranho. – Foi o que ela disse e nem mesmo se esforçou para saber o porquê que Joe estava estranho, virou as costas e continuou no celular.

- Você me ignora e eu estou estranho? – Era para ter soado mais baixinho, e foi o que chamou a atenção de Demi que se virou para olha-lo. – É. Você está me ignorando. – Ele sustentou o olhar dela até que Demi o desviou.

- Eu não estou ignorando você. – Disse normalmente e até de cenho franzido estava sem entender a situação.

- Ah, você está sim. Desde ontem no carro você está estranha. – A voz não estava alterada por mais chateado que Joe estava, ele tinha muita paciência para administrar aquele relacionamento e só explodia quando Demi passava dos limites ou quando ele passava.

- Eu estou? Joseph, eu acho que nós tínhamos nos resolvido ontem, eu não estou estranha e muito menos ignorando você.

- E por que você não está conversando comigo? Nós estamos sobre o mesmo teto e acomodados na mesma cama tem minutos! E tudo que eu ouço são as suas risadas. Você não perguntou como foi a minha manhã, não me deu o meu beijo e muito menos bom dia. Está colada nesse celular e eu estou aqui pior que alguém sozinho. – Tudo bem, ele não podia negar que estava com uma pequena pontada de ciúme, mas também tinha razão. Demi era carinhosa, grudenta e toda manhosa quando estava com ele, razão pela qual estavam sempre trocando beijos e carinhos, conversando e namorando.

- Desculpa, bebê. É que eu estou tão animada. – Para desmanchar o bico que Joe fazia, Demi o beijou uma vez nos lábios e como viu que não teve resultado, começou a distribuir beijinhos pelo rosto do namorado até que ele sorriu. – Só vou me despedir das meninas. – Joe assentiu esboçando o sorriso de menino dele. O coração até mais rápido batia de felicidade porque teria Demi só para ele.

- Hum, ah como eu amo você. – Quase não deu para Demi colocar o celular sobre o criado-mudo. Joe a puxou para os braços e a abraçou apertado.

- Bom dia querido. – O sorriso dela foi de orelha a orelha quando Joe a acomodou na cama, deitou-se com cuidado cobrindo-lhe o corpo e puxou a coberta para protege-los do frio.

- Bom dia, amor. – Ele fechou os olhos quando o cabelo da nuca foi puxado devagar e as pontas dos dedos começaram a massageá-lo no couro cabeludo. – Como foi a sua manhã? – Perguntou afastando as pernas para que Joe pudesse ficar entre elas.

- Não muito cansativa. – Os lábios foram pressionados nos dela conforme os corpos se encaixavam. – Mas eu senti a sua falta. Estou acostumado a ficar com você, e odeio quando nós ficamos separados. – Ele era grande e másculo demais para ser manhoso e fofo. Os dedos de Demi tocaram a barba do queixo para depois o lábio inferior.

- Nós não estamos separados e nem vamos ficar. – Os olhos dele eram lindos demais. O verde predominava, mas aos arredores da pupila, estava o marrom claro sendo um detalhe tão bonito. Demi fitou os lábios dele e voltou para os olhos indecisa, e os sentimentos que ela sentia por aquele homem guiaram-na à boca. Os lábios dela foram umedecidos antes de serem selados aos dele num rápido toque. Olharam-se nos olhos e repetiram o toque dos lábios até que Joe entreabriu os dele começando um beijo quente e molhado, deixando que o corpo descansasse sobre o da namorada e as mãos apertassem o corpo dela com cuidado. – Bom dia. – Demi sorriu de olhos fechados, deu um selinho nos lábios de Joe e ele a mordiscou no queixo.

- Eu amo o seu queixinho. – Disse a mordendo exatamente ali e quando Demi sorriu, Joe suspirou porque o sorriso dela era fantástico. – E o seu sorriso também. – Onde os lábios queriam selar primeiro, Joe não sabia. Talvez ele a beijaria na boca novamente, ou continuaria mordiscando-a no queixo. Mas também tinham as bochechas, o nariz para ser roçado, o tórax e os preciosos seios onde Joe fazia questão de se demorar. – Eu amo você. – Ele descansou o corpo sobre o dela tendo cuidado para não exagerar porque Demi era delicada e pequena, diferente dele que era grande e forte.

- Tem alguém aqui muito carente. – Tinha sorriso mais bonito que o dele? Demi murmurou um palavrão antes de beijar os lábios de Joe levando as mãos para acariciá-lo nas costas. – Meu garotão está carente. – O melhor de tudo era quando as bochechas dele ficavam coradinhas. Não importava o quão íntimos eram, Joe sempre coraria quando ela o chamasse de garotão o apertando na ereção. – Ei, vem cá. – Os olhos dela ficaram um pouquinho arregalados quando Joe a beijou no pescoço e com uma mão, acariciou o bumbum para que pudesse roçar o membro contra ela.

- Posso tirar o meu moletom? – Demi não entendeu a pergunta e Joe franziu o cenho, mas sorriu apontando para o moletom que ela usava. – O meu moletom que alguém não sai de dentro. – Ele arqueou uma sobrancelha e Demi sorriu dando de ombros.

- Você já deveria ter tirado. – Quando ela piscava para ele, o coração de Joe ia a mil! Ele a beijou na boca e quando foi empurrado, fez careta. – Pensei que você tiraria o seu moletom. – Os dois riram da confusão que foi para que Joe entendesse o que Demi de fato dizia. – Que eu estou usando. – Ele assentiu sorrindo e se ergueu a puxando para os braços.

- Adoro a sua tatuagem. – Os lábios dele foram selados aos pulsos onde Joe tocou com cuidado examinando a tatuagem. Ele sabia que já estava cicatrizada, mas ainda sim optava por ser mais cuidadoso naquela área do corpo da namorada, e agora principalmente no pulso esquerdo onde estava tatuado Stay.

Demi sabia que ele não queria uma das típicas rapidinhas que aconteciam nos momentos mais inesperados do dia. Os toques dele estavam mais demorados e firmes, o jeito que ele a olhava e suspirava excitado também o entregava. O beijo intenso comprovou a teoria de Demi, e ela não resistiu, se entregou apaixonada que até gemeu entre o beijo quando sentiu as mãos grandes acariciá-la no bumbum para depois adentrarem o moletom para subi-lo devagar.

- Joe, amor. – Chamou o acariciando no músculo dos braços e o mordendo no lóbulo da orelha esquerda. – Antes de começarmos, eu só preciso mandar uma mensagem para Sel, tudo bem? – Ele estava tão envolvido em tocar as mechas do cabelo e beijá-la no pescoço que assentiu subindo um pouco mais o moletom.

Alcançar o celular deu trabalho, e desbloqueá-lo foi pior porque as mãos de Demi estavam um pouco trêmulas e de quebra Joe ergueu o moletom, abaixou o sutiã e tomou os mamilos dela nos lábios logo adentrando a calça de moletom para afastar o fundo da calcinha e começar a tocá-la. Os beijos e toques quentes impediram que Demi conseguisse formular uma mensagem lógica para Selena, tudo que ela precisava era convencer Sel a passar aquela noite com ela e as irmãs, e se avisasse ainda mais tarde, Selena a mataria sem pensar duas vezes.

- Você pode tirar o meu moletom, Joseph. – Ter as mãos dele vagando pelo corpo a levava para outra dimensão. De olhos fechados, Demi umedeceu os lábios e gemeu. Estava frio e ficar nua não era uma boa opção, mas quando a peça de moletom foi jogada para fora da cama junto com o sutiã, as mãos grandes de Joe aqueceram-na a apertando no quadril, os dedos foram deslizados na silhueta e nos seios até que eles foram cobertos e gentilmente massageados.

Os beijos e toques não davam muita oportunidade as palavras. Demi foi acomodada a cama por Joe, que a deitou com cuidado enquanto a beijava na boca e a acariciava. No instante que ele a olhou nos olhos quando se ergueu para tirar a camisa, foi como se ele fosse o cara mais sortudo de todo o mundo por ter uma mulher tão especial como aquela. Joe a beijou no queixo e suspirou apaixonado.

Eram peças e mais peças! Que Demi conseguiu contar, havia um suéter, duas blusas de manga e uma regata, mas talvez ela perdeu a conta porque o volume na região do zíper da calça jeans era o suficiente para estimular sonhos que ela gostaria que virassem realidade, porém não deu muito tempo de pensar em como seria bom dançar para Joe ou ser amarrada por ele… Os lábios foram beijados com calor, as mãos dele exploraram o corpo dela concentrando na maior parte do tempo nos seios e no bumbum. Demi não perdeu tempo e adentrou a calça jeans para movê-lo entre a cueca e o corpo o sentindo ficar cada vez mais excitado e pulsante por ela.

- Eu amo você, minha menina. – Não tinha sensação melhor que saber que ela também o amava. Demi não precisava dizer, bastava ela sorrir para ele.

Tinha tempo demais que eles estavam apenas nos beijos, para se livrar das calças, foi trabalhoso, mas o frio foi o estimulante perfeito para que agilizassem o processo. Ele a penetrou de uma vez só e Demi gemeu alto o abraçando pelo pescoço. Nos primeiros minutos ambos estavam incontroláveis e barulhentos, principalmente Demi que arranhavam as costas do namorado com as unhas e mantinha os olhos fechados o sentindo entrar e sair do corpo. O frio não durou nada. Joe era quente e Demi se agarrava a ele provocando mais calor e o excitando com beijos longos e gemidos demorados.

Ouvir o som do toque do celular não estava nos planos de Demi, nada além de tocar o peito de Joe e empurrar o corpo na direção do corpo dele estava. Ele estava fabuloso e tão lindo corado e suado se movendo constantemente, Demi o beijou no maxilar e o agarrou pelo bumbum fechando os olhos para senti-lo. Ela não podia mover um músculo porque ele tinha acertado em cheio num lugarzinho sensível que estava a enlouquecendo.

- Vai parar de tocar. – Disse Joe sussurrado no ouvido dela. Demi roçou a bochecha a dele e descansou a cabeça na curva do ombro satisfeita e feliz por tê-lo. – Eu estou te machucando? – Tudo bem que ele era um cara grande e pesado, mas era tão bom tê-lo sobre o corpo, poder tocá-lo nos músculos do braço e espalmar as costas largas!

- Não amor, eu gosto muito de ter você por cima. – A mão grande a apertando na coxa e a forma que Joe se concentrou em entrar e sair a olhando nos olhos foi o suficiente para fazer Demi piscar os olhos e morder o lábio inferior para se controlar, mas não deu certo, ela gemeu alto e amou ainda mais quando Joe se curvou para beijá-la na boca sem mudar o ritmo.

O celular tocar uma vez era normal, mas quando tocou pela segunda vez, Demi cravou mais as unhas nas costas de Joe e franziu o cenho. E se fosse algo importante? Talvez fosse Dianna! Erguer o braço foi difícil porque ela estava longe do criado-mudo e porque Joe a abraçava contra o corpo e estava concentradíssimo no sexo.

- Joseph. – Chamou e acabou gemeando alto. – Joe, um minuto. – O cenho franzido dele era com razão. Demi o acalmou com beijinhos, só que o resultado foi pior. Se rápido já a deixava em exstasse, devagar a mataria! E para completar Joe estava de olhos fechados, o peso do corpo era responsabilidade dos braços fortes dele e olhar para aquele peito com uma camada escura de pelos não era uma boa opção. Demi o beijou ali mesmo e choramingou quando ele a penetrou devagar e gemeu tombando a cabeça para baixo.

Selena estava encrencada, aliás ela que estava encrencada por ter recusado sem querer a ligação! Demi mordeu o lábio inferior com força e xingou a amiga mentalmente. Pela notificação do celular era possível ler as mensagens de Sel porque elas não eram longas.

- Joseph, colabora. – Choramingou quando ele acertou em cheio e ela quase chegou ao orgasmo. – Meu Deus, você vai me matar Joe. – Se ele ficasse parado, também não adiantaria. Demi choramingou novamente empurrando o namorado para fora do corpo, se ela não atendesse o celular, Selena ficaria chateada para o resto da vida.

- Por favor, fala rápido! – Disse Demi ao celular e para pirraça-la, Joe deixou o peso do corpo cair sobre o dela e ah.. Ele sorriu quando Demi engoliu em seco quando ele roçou a cabeça do membro na entrada dela.

- Você me envia mensagens uma hora dessa avisando que vai ter uma festa do pijama na droga do seu apartamento em menos de cinco horas e ainda com gente que eu não conheço? – Selena.

- Sel.. – Morder o lábio inferior de propósito foi a pior ideia que Demi já teve, aliás, a pior foi atender ao celular, mas já era tarde demais, a única coisa que ela não podia fazer era gemer o nome da amiga. – Sel. – Corrigiu e puxou o cabelo de Joe para fazê-lo parar de provocá-la, mas não deu certo. – Só confirmei agora pouco. Você vem, certo? – Olhá-lo feio não adiantou nada! Demi entreabriu os lábios num gemido mudo quando Joe a penetrou fundo e sorriu a olhando nos olhos.

- Está gostando, gatinha? – Quem era aquele Joe e o que ele tinha feito com o menino corado dela? Demi o socou nas costas, e se arrependeu amargamente porque ele sabia exatamente o ponto fraco dela.

- Eu vou te matar. – Disse para Joe se esquecendo da chamada de Selena.

- O que diabos você está fazendo? Tem um cachorro ofegando aí? – Sel.

- Eu estou.. Estou brincando com a Lucy. – Demi puxou o cabelo de Joe com força e o mordeu no ombro para evitar um gemido alto. – E com o cachorro do vizinho. É um cachorro grande e inquieto. – Agora ele ria? Demi tentou belisca-lo com a mão direita, mas Joe foi mais rápido e a colocou a cima da cabeça da namorada.

- Eu nem sei porque diabos eu estou falando com você, nem as minhas mensagens você responde direito. – Selena.

- Não vai ter festa sem você, meu anjo. Desculpa se estou sendo uma idiota, é que tudo está corrido e novo para mim. Eu só preciso de tempo para me adaptar, mas também quero que você faça parte desse momento importante da minha vida. – Ao menos Joe estava parado. Ele tinha descansado a cabeça no ombro dela e ficou tão quietinho que Demi sorriu levando a mão boa para acaricia-lo na bochecha.

- Tudo bem, eu só vou porque contei para os meus pais que estou grávida, não foi ruim, mas meu pai não reagiu muito bem e o clima está estranho entre ele e o Ed. Eu até entraria em mais detalhes, mas você está ocupada. Quando você terminar de transar com o seu namorado, retorna a ligação Demetria! Eu ainda tinha esperança na sua inocência, Joseph! Que pouca vergonha. – Selena.

- Ela desligou. – Disse Demi a Joe, e os dois riram. – Eu amo muito você. – O sorriso de Demi foi de orelha a orelha ao ver o dele. O celular ficou ali mesmo na cama, e Joe se deitou em cima dele sem querer quando inverteu as posições.

- Eu também te amo. – Trocaram sorrisos e beijos urgentes conforme os corpos se moviam com precisão. Quando a coberta foi puxada por Demi, tudo ficou ainda mais envolvente por conta do calor delicioso que os envolveu.
***


- Eu não te alimentei hoje. – Os óculos de grau era a marca registrada de nerd de Joe. Se não fosse a barba por fazer, ele estaria a cara do Joe tímido e que gaguejava ao falar com qualquer mulher.

- Eu estou bem, coisa fofa. – As bochechas dele coraram quando elas foram apertadas. – Nosso almoço está quase pronto. – As panelas estavam a fogo baixo e Demi aproveitou para se acomodar no colo do namorado que a acolheu de bom grado.
- Você comeu? – Perguntou a acariciando na bochecha esquerda e Demi fez biquinho pedindo por um beijo.

- Aham, alguns biscoitos com leite. – A melhor coisa em descansar a cabeça no peito esquerdo de Joe era que Demi conseguia ouvir o coração dele batendo. Era tão bom que os olhos dela marejaram e no peito, Demi o beijou voltando a abraça-lo.

- Acho que a melhor coisa sobre o inverno é poder namorar. – E realmente era. Joe se sentia sufocado com toda aquela neve e frio, não tinha um momento agradável além de namorar com Demi. Sair de casa se transformava num pesadelo e dormir sozinho era horrível! – No Texas é tão quente, é o meu primeiro contato com neve de verdade. – Demi franziu o cenho arrumando a touca na cabeça do namorado. Ele ficava tão fofo e beijável com aquela touca de pompom.

- Esse ano até que não nevou muito, já enfrentamos invernos rigorosos. – Abraça-lo era bom porque Joe era naturalmente quentinho e com aquele tanto de roupa, ficava ainda melhor. – Onde você mora? – Perguntou um pouquinho envergonhada brincando com os dedos no cabelo da nuca dele.

- Em Marble Falls no condado de Burnet, não é grande comparado a Nova York. – Eles não tinham nem dez mil pessoas, segundo o censo. A cidade era pequena e ficava no coração do Texas. – Aliás, nem se compara a Nova York. Aqui é tão agitado, para todos os lugares que você olha há pessoas e lojas, é tão barulhento e poluído. – Joe deu de ombros quando Demi arqueou uma sobrancelha.

- Eu não consigo pensar numa cidade diferente da minha. Estou acostumada com toda essa correria. Acho que vou estranhar conhecer a sua cidade. – O toque suave na bochecha foi para colocar uma mecha do cabelo dela atrás da orelha, Joe a olhou e sorriu logo a beijando brevemente nos lábios.

- Você vai gostar de desacelerar um pouquinho. – Ele tornou a beija-la na boca e quando a vontade veio, Joe a abraçou descansando a cabeça no peito. – Nós não moramos na cidade, a fazenda é trinta minutos de carro da cidade. – Demi franziu o cenho fitando os olhos de Joe com curiosidade.

- E.. O que tem para fazer na fazenda? – Perguntou com um pouco de receio de magoa-lo.

- Muitas tarefas, o trabalho nunca para. – O dia de Joe costumava ser tão absurdamente cansativo. Começava com a alimentação dos animais, às vezes ele colhia os ovos das galinhas, guiava o rebanho no pasto e ainda tinham as plantações! Sem contar às vezes que ele tinha que fazer entregas aos mercados da cidade e cuidar da vida pessoal, aliás, dar aulas de matemática e geometria na escola principal. – Nós acordamos no nascer do sol e dormimos cedo, no final do dia tudo que você quer é deitar e dormir.

- Parece.. Legal. – Dormir cedo? Até que tudo bem, agora acordar no nascer do sol?! Demi desviou o olhar de Joe e engoliu em seco. Nem precisava ir para Marble Falls para saber que ela literalmente não se encaixava. – An.. Hum.. Onde você estudava? – Perguntou porque pela forma que Joe contava, parecia que naquela cidade não havia nem mesmo chegado energia elétrica a casas.. E ele ainda por cima morava na fazenda.

- Em Austin. Quatro horas de carro de casa a faculdade. – Demi tentou disfarçar a careta e Joe riu a abraçando. – Olha para mim. – Pediu todo sorridente a olhando e quando Demi o fez, ela forçou um sorriso. – Não somos caipiras, temos tudo que você tem aqui, só que no campo. – A risada dele soou tão feliz no momento em que Demi relaxou. – Você vai gostar, prometo. Vou te levar em todos os meus lugares favoritos e nós podemos passar uma noite na minha casa na árvore. – Aos menos ela sorriu com alguma coisa que ele tinha dito sobre o Texas.

- Eu sempre quis uma casinha na árvore. – Comentou toda sonhadora. Seria gratificante se ela tivesse uma casa na árvore no quintal de uma casa grande com pais amorosos e muitos irmãos como ela tinha.

- Eu tenho, e nós podemos ficar lá olhando as estrelas e fazendo amor, o que você acha? – Demi assentiu o beijando nos lábios.

- Você acha que os seus amigos vão me deixar entrar na casa na árvore para ficar com vocês? – Ela umedeceu os lábios quando Joe a abraçou mais contra o corpo.

- A casa é minha. – Disse a beijando no queixo. – E eu não quero ficar na casa na árvore com os meus amigos, quero ficar só com você. – Aqueles beijos sempre terminavam na cama, começava com Demi tirando os óculos de grau de Joe e ele a tocando por baixo da blusa, precisamente nos seios.

- Almoço, querido. – Se ela não tivesse se levantado do colo dele, em questão de segundos o apartamento estaria incendiado do cheiro de queimado da fumaça de arroz com verduras. – Pega os pratos. – Reclamou quando ele a abraçou por trás. Se ela deixasse, Joe passaria o dia a beijando e a acariciando.

- Amor, nós temos que ir ao aeroporto. – Joe franziu o cenho quando esbarrou em Lucy. Ela tinha aquele péssimo hábito de ficar perambulando na cozinha de olho no que os donos faziam, então todo cuidado era pouco para não tropeçar na pequena. – Falei com a vovó mais cedo, houve um mal-entendido na hora de comprar a minha passagem, eles venderam uma poltrona já reservada. Eu vou trocar aqui porque agora também temos que trocar a sua poltrona. – Demi assentiu o servindo exageradamente quando Joe se aproximou com o prato. Ela tinha aquela mania de querer o entupir de comida toda vez que tinha a oportunidade. – Está bom. – Reclamou porque três colheradas de caldo de abóbora era o suficiente! Ainda tinha o arroz com verduras, brócolis e bifes de carne. – Vamos depois que almoçarmos? – Perguntou a ajudando com o prato e Demi tornou a assentir. Ela não conseguia parar de imaginar em como era onde Joe morava e principalmente se as pessoas gostariam dela.
- Vamos. – Para ela a comida era pouco. Joe revirou os olhos e se acomodou na cadeira ao lado da que Demi se sentaria. – Eu vou aproveitar para depositar dinheiro para minha mãe e ir ao mercado comprar as coisas para hoje à noite. – Joe arqueou uma sobrancelha e Demi deu de ombros o olhando. – Eu não sei como ela está e jamais vou deixa-la passar dificuldades. Eu a amo e vou cuidar dela sempre.

- Eu não disse nada. – Para descontrair o clima, Joe a beijou na bochecha e sorriu. – Eu gosto muito da forma que você cuida dela. Não importa o que ela faça, você fica brava, mas sempre está a protegendo e a amando. – Demi nunca tinha parado para pensar no que Joe tinha acabado de dizer. E quando ela refletiu a respeito, assentiu um pouco corada.

- Eu a amo e hoje, consigo entender algumas das coisas que ela fez. – Ele odiava quando Demi sorria triste. O sorriso dela era bonito demais para ser por um motivo triste. – Tudo bem, amor. – Disse quando ele a beijou na bochecha demoradamente.

- Então, o que você está planejando para hoje à noite? Eu vou poder ficar com você? – Mais carente que ele não existia! Demi sorriu e distribuiu beijinhos pelo rosto dele.

- Hum.. – Ronronou porque ela queria provar do caldo de abóbora antes que esfriasse. – Nós dois vamos sair com a Anna e o Rick, mas não vamos ficar muito tempo com eles. Enquanto isso, a Sel ficará no meu apartamento com as meninas para a noite das garotas.

- E o que vocês vão fazer na noite das garotas? Eu vou poder ir? – Se ele não começasse a comer, Demi bateria nele, Joe tinha certeza que ela o faria sem pensar duas vezes.

- Não tem garotos na noite das garotas. Nós vamos conversar, brincar, comer besteiras, assistir filmes e fazer muitas coisas legais. – A cada coisa que ela dizia, Joe ficava mais indiferente só para implicar.

- Ah, eu e o Ed também vamos fazer.. – Ele franziu o cenho, mas não cedeu ao sorriso de Demi. – Nós vamos sair para fazer coisas de garotos. – Murmurou um pouco envergonhado e Demi riu alto.

- Tipo o que? – Perguntou de sobrancelha arqueada.

- Tipo ir ao bar tomar cerveja amanteigada. – Demi tornou a rir e ele ficou corado.

- E vocês vão ao Três vassouras tomar cerveja amanteigada com o Harry, o Rony e a Srta. Granger? – Joe revirou os olhos e foi inevitável não corar mais com a gargalhada de Demi. – Amor, cerveja amanteigada só existe no universo da série Harry Potter. – Explicou e Joe deu de ombros.

- Eu já vi receitas na internet, ok? – Murmurou focado em tomar o caldo de abóbora misturado ao arroz.

- Está bem, amor. Você pode tomar cerveja amanteigada com o Ed, só não sei se eles vendem para trouxas tão trouxas como vocês dois e ainda por cima na América. – Joe cerrou os olhos ao olha-la.

- Você é tão chata quando quer. – Tornou a murmurar. – Então nós vamos tomar cerveja comum num pub com música ao vivo.

- Amor, você é diabético e vai por mim, cerveja só presta gelada, e está tão frio que ir a um pub é uma péssima ideia. – Demi o tocou no ombro e sorriu amigavelmente.

***

Estava mesmo frio? Ou era a cantoria dentro do carro que os aqueciam? A soneca depois do almoço foi tão deliciosa que quando o celular tocou, não queriam levantar. Deveria ser o pijama quentinho, a coberta pesada e grossa ou o fato de estarem abraçados e preguiçosos, mas agora... Demi nunca tinha visto Joe cantar até perder o fôlego. Ele estava tão feliz e ela não ficava para trás. Teve uma hora que os dois cantaram Take a Bow da Rihanna e o engraçado era que a voz de Demi sempre abafava a de Joe, que mesmo se esforçando para cantar bem, a voz soava tímida e tão tranquila. Quando paravam no sinal vermelho, Demi o enchia de beijos no rosto até que o namorado sorria de olhos fechados sentindo o carinho que recebia.

Agora, o coração de Demi estava batendo mais rápido e ela quieta, o celular em mãos com o instagram aberto na câmera. Custava acreditar que aquele homem lindo estava apaixonado por ela! Demi sorriu de orelha a orelha e não limpou a lágrima que rolou. Ela poderia passar mal ou qualquer coisa senão controlasse as batidas do coração, mas era possível? Joe era um cara muito prudente no trânsito, mas como a movimentação naquela área da cidade estava tranquila, vez ou outra ele olhava para ela enquanto cantava acompanhando a música no rádio.

- Your hand fits in mine like it’s made just for me.. (Sua mão se encaixa na minha como se tivesse sido feita só pra mim) – Ele estava envergonhado, mas enlaçou os dedos aos de dela e determinado, continuou a cantar da melhor forma que podia Little Things do One Direction. – But bear this in mind: it was meant to be.. (Mas coloque isso na cabeça era para ser assim) – E aquele sorriso? Demi sorriu de orelha a orelha e por um pouco o abraçou apertado. – And I'm joining up the dots with the freckles on your cheeks, and it all makes sense to me (E estou ligando os pontos junto com as sardas em sua bochecha e tudo faz sentido para mim) – Os dedos dele tocaram sutilmente o rosto dela na região do nariz, e Demi sorriu alcançando a mão para beija-la e segura-la. No resto da música, Demi aproveitou que Joe estava mais focado no trânsito e pegou o celular para filma-lo. O fato dele estar com a inseparável touca de pompom e com o suéter verde que ela tanto amava o deixava mais fofo e beijável. Durante todo o processo do vídeo, Demi sorria apaixonada, e quando Joe percebeu que estava sendo filmado, ele sorriu envergonhado e continuou cantando.

- Eu te amo, eu te amo muito Joseph! – A caminhonete tinha acabado de ser estacionada numa das vagas do Aeroporto Internacional John F. Kennedey no Queens, e Demi se livrou do cinto de segurança com tanta pressa porque ela precisava passar para cima de Joe para enchê-lo de beijos e abraça-lo.

- Eu também amo você, coisa gostosa. – Demi jamais se cansaria de olhar para os olhos de Joe admirada. Eram tão lindos! Encostando as testas, as mãos de Demi tocaram o rosto barbado e as dele descansaram nas costas quando ele puxou mais a namorada para o corpo. – Você me faz o homem mais feliz desse mundo. – Como respondê-lo se ele tinha a beijado na boca devagar e intenso a apertando com vontade e firmeza na cintura? Demi se derreteu nos braços do namorado, ofegou quando ele deixou os lábios dela para beijá-la no lugarzinho próximo no pescoço que o cachecol não protegia.

- Você também me faz feliz, meu nerd gostoso. A mulher mais feliz e sortuda por ter um namorado tão fofo e beijável. – Quando Demi o mordeu, Joe fez careta, mas sorriu quando foi beijado com carinho nos lábios. – Eu não quero sair dessa caminhonete, está tão gostoso ficar assim com você. – A cabeça estava encostada no peito dele e novamente naquele dia, Demi se concentrou em ouvir as batidas do coração.

- Eu também não. – Disse minutos mais tarde. Ele tinha fechados os olhos e Demi também. – Mas nós temos que sair. Para não passarmos frio, nós podemos caminhar abraçados, o que você acha? – O murmuro manhoso dela foi tudo que Joe precisava ouvir para saber que Demi concordava.
- Vamos tirar uma foto? – As mãos tocaram o peito dele e Demi se aconchegou manhosa gostando de sentir o calor envolvê-la quando Joe a abraçava e beijava.

- Vamos. – Joe não pegou o celular dela jogado no banco do carona. Ergueu-se com um pouco de dificuldade e apanhou o celular no bolso traseiro da calça.

- Eu não sabia que você e a Selena conversavam. – Havia dez mensagens de Selena.

Quando Joe fitou os olhos de Demi, que não desviavam o olhar dele, restou apenas dar de ombros. A verdade era que Selena estava uma confusão de sentimentos e ela não estava sabendo como administrá-los, então o humor variava com muita facilidade e Sel tinha dito para Joe como ela estava chateada com Demi por deixa-la de lado.

- Nós conversamos. – Disse a olhando nos olhos. – Somos amigos como você e o Ed.

- Eu não troco muitas mensagens com o Ed.

- Você está com ciúme? – Joe sorriu de lado quando Demi se ergueu, umedeceu os lábios e mordeu o inferior.

- Estou. – O sorriso dela era tão lindo que Joe roubou um breve beijo. – Na verdade, eu não sei se eu estou com ciúme de você com ela, ou dela com você. – O primeiro pensamento de Joe foi sobre os beijos que Demi tinha trocado com Selena. Ele a olhou nos olhos, arqueou uma sobrancelha e franziu o cenho.

- Às vezes o Ed tenta me convencer que vocês duas são um casal. Vocês não são, eu acho. Ou são?
- Nós não somos. – Joe não parecia muito convencido, mas quando Demi tirou os óculos dele para usa-los e riu, ele revirou os olhos e a abraçou forte. – Nós somos melhores amigas, e nós gostamos de trocar carinho, mas não somos um casal.

- Tudo bem, meu anjo. Vamos tirar a nossa foto? – Assim como Demi postou o vídeo, Joe postou a foto no instagram e tinha planos para que ela se tornasse o seu novo papel de parede.

Diferente do interior do carro onde estava quente, o tempo no estacionamento do aeroporto era frio e o único ponto positivo era que a neve tinha sido removida para não atrapalhar o trânsito e nem as pessoas, então não deu muito trabalho para caminhar. Joe abraçou Demi de lado para aquecê-la e porque ele não queria ficar longe dela.

- O que nós vamos fazer primeiro? – O aeroporto estava lotado! Era tanta gente que Joe se sentiu um pouco sufocado. Em Nova York tudo era em excesso e costumava ser muito barulhento, diferente do lugar onde ele tinha crescido.

- Eu não sei, o que você quer fazer primeiro? – Perguntou Demi enlaçando os dedos aos do namorado.

- Vamos trocar as passagens? Se não formos logo, corremos o risco de não conseguirmos poltronas vizinhas. – Se continuasse nevando e as nevascas piorassem, eles não conseguiriam partir para o Texas a tempo da formatura de Rose. Demi não disse muitas palavras a Joe enquanto ele resolvia com o gerente da companhia sobre a troca de poltronas. Mesmo que eles tinham conversado sobre ir ao Texas, ela continuava insegura e considerando a possibilidade de ser rejeitada pelos parentes dele. Mas não diria nada, Joe estava animado e feliz com aquela viagem.

- Acho que tem um caixa eletrônico por aqui. – Como ela disfarçaria o desanimo? Demi sentia que Joe a olhava diferente estudando a reação dela, mas ele também não disse nada, assentiu a abraçando de lado para que eles pudessem caminhar juntos.

- Nós conseguimos um bom lugar. – Comentou Joe para descontrair o clima entre eles.

- Conseguimos. – Tirando a família, Demi estava ansiosa para conhecer cada pedacinho da cidade de Joe com ele. – Estou ansiosa para conhecer a sua casa na árvore. – Ela sorriu quando ergueu a cabeça para olha-lo, e o clima entre eles mudou para algo mais agradável quando Joe também sorriu.

- Você vai gostar da minha cidade. – Ela esperava que sim. Encontrar um caixa eletrônico não foi um problema, eles esperaram pouco tempo na fila e logo era vez de Demi.

De uma coisa Demi não podia reclamar sobre a Gyllenhaal: eles pagavam muito bem. Ela tinha uma boa quantia no banco, pois não tinha muito com o que gastar, além das despesas domésticas. Transferir um pouco do salário para conta de Dianna acontecia desde que Demi tinha conseguido um emprego, antes ela não podia ajudar a mãe porque o salário de garçonete já estava todo comprometido antes mesmo de recebê-lo. Quinhentos dólares era o que costumava transferir, mas como não sabia onde Dianna estava e se estava tudo bem, Demi dobrou o valor e ainda se sentiu péssima por não poder ajudar mais. Ela não se perdoaria se algo de ruim acontecesse a Dianna por falta de dinheiro.

- Eu realmente espero que ela esteja bem. – Comentou com Joe sem conseguir esconder como estava preocupada.

- Ei, vem cá. – Ele teve que puxá-la pela mão para um banco onde eles poderiam conversar sem que alguém ouvisse. – Você está a ajudando como pode, ok? E eu tenho certeza que ela está com dinheiro para conseguir se manter. Ela não viajaria sem economias.

- Joe, a minha mãe é a mulher mais compulsiva que eu conheço. – Os gastos de Dianna eram absurdos! Ela não tinha prudência quando o assunto era dinheiro. – Ela não fica com dinheiro parado e ela não compra qualquer coisa. Ela quer o melhor e o mais caro nem que ela fique meses pagando.

- Dem, ela vai ter que aprender a economizar. – Joe estava tão sem jeito por tocar naquele assunto. Ele já tinha notado que Dianna era uma mulher extravagante, mas pelo jeito que Demi tinha dito, parecia ser pior do que ele tinha imaginado. – Ela está em outro país. Nós não sabemos onde ela está vivendo, mas com certeza, ela precisa administrar bem o dinheiro.

- Eu não deveria ter me demitido para começar algo que eu nem sei se vai dar certo. – Com as mãos, ela cobriu o rosto e respirou fundo pensando na decisão que tinha tomado. – Minha mãe precisa de mim, Joseph. O que eu vou fazer no mês que vem? Ninguém abre escritório do dia pra noite!

- Dem.. – Ele a abraçou de lado. – Talvez ela consiga um emprego. – Tinha situação mais constrangedora? Demi o olhou de cenho franzido e Joe sentiu as bochechas corarem. – Querida, ela pode trabalhar numa lanchonete, escritório...

- Ou ela pode voltar a se prostituir. – O coração dele se partiu em tantos pedacinhos quando Demi o olhou nos olhos triste e preocupada.

- Ela disse que queria ser feliz longe desse mundo da prostituição, Dem. Por isso ela foi embora. – Disse a olhando nos olhos. – Mas amor, nós podemos cuidar dela. Eu não sou um cara rico.. mas posso te ajudar a enviar dinheiro para ela.

- Você é incrível, sabia. – Demi o abraçou se sentindo feliz e segura por ter Joe para cuidar dela. – Eu vou dar meu jeito, obrigada amor. – O sorriso foi tão forçado que Joe não o retribuiu, acariciou-a no rosto colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.

- Quando você está triste, eu fico acabado. – O suspiro dele só confirmava a tristeza e desanimo por vê-la triste. – Nós vamos dar um jeito, bebê. Só sorria, eu estou aqui e te amo muito. – Não foi o sorriso de orelha a orelha que ela costumava esboçar, mas também não foi triste.

- Só vou ficar feliz porque você está comigo. – Disse manhosa o abraçando. – E também porque eu tenho bons amigos e a melhor família do mundo.

- Você merece, querida. – Joe a beijou na testa e depois nos lábios. – O que nós vamos fazer agora? Quer ir para casa? Tomar um café? – Perguntou enlaçando os dedos aos dela.

- Amor, você sabe que eu não gosto muito de café, prefiro chá. – Murmurou manhosa. – E nós temos que ir ao mercado, lembra? Hoje à noite nós vamos sair com a Anna e o Rick, ao mesmo tempo em que estará rolando uma festa do pijama no meu apartamento.

- São tantas coisas para lembrar. – Disse se levantando e oferecendo a mão para que pudesse ajudar a Demi. – Eu só queria ficar sozinho com você o resto do dia. Hoje mais cedo foi tão bom. – Se não estivessem em público, Demi o esbofetearia de brincadeira porque ela conhecia muito bem aquele sorrisinho safado.

- Sabe o que eu acho engraçado, é que você não quer nem saber de ler HQ e assistir desenho animado depois que nós começamos a namorar. – Controlar a vontade de mordê-lo era missão muito difícil, então Demi o abraçou forte e sorriu lindamente o olhando.
- Eu tenho você e eu quero passar o meu tempo só com você, seja lendo HQ, assistindo desenho ou fazendo amor para te pirraçar no celular. – Os lábios se encaixariam num beijo de tirar o fôlego, mas o celular de Demi começou a tocar e ela sorriu de orelha a orelha ao ver o nome na tela “Pai”.

- Eu amo você querido. – Disse antes de anteder ao celular. – Boa tarde, papai! – O sorriso não saía dos lábios de Demi, e Joe se sentiu mal porque ele não ficava nenhum pouco animado quando o assunto era Inácio. Na noite passada, o jantar não foi ruim, ele recebeu olhares intimidantes de Inácio e a única companhia para conversar era Augusto, que estava tão intimidado quanto ele.

- Boa tarde, meu anjo. Como você está? – Inácio.
- Estou bem, e você? – Demi.

- Muito bem e com saudade de você pequena. Hoje à noite, suas irmãs vão ao seu apartamento para festa do pijama? – Inácio.
- Eu também estou com saudade. É, nós só confirmamos hoje mais cedo. Quero apresentá-las a Selena de uma forma mais descontraída, tudo bem? – Demi.
- Tudo bem. Querida, eu pensei que nós poderíamos ir ao mercado. Eu sei como funciona uma festa do pijama e eu tenho sete garotas. – Inácio.

- Está tudo bem, eu estou com o Joe no John F. Kennedey. Não precisa ficar preocupado, eu vou providenciar tudo. – Demi.

- Aeroporto? Fala para o garoto que eu mandei um oi. Não senhora, espere um pouco... Pronto. Você está desempregada e eu não quero que faça gastos. Eu posso comprar o que vocês precisam para hoje à noite, não tem problema. – Inácio.

- Papai mandou oi. – Disse Demi a Joe e ele forçou um sorriso e murmurou “Oi para ele também”. Foi tão desanimado que Demi cerrou os olhos ao olha-lo. – O Joe mandou oi. Nós tivemos problema com as poltronas, mas está tudo bem, vamos para o Texas no sábado à noite. Eu não acho necessário. Eu as convidei.

- Vamos conversar sobre essa viagem. Estou esperando no Walmart perto do aeroporto. Tenha cuidado no trânsito, beijo querida. – Inácio.


- Ele desligou. – Demi respirou fundo e fitou os olhos de Joe. – Ele disse que está nos esperando no Walmart. – Disse sustentando o olhar de Joe, que não parecia nada feliz, e não se forçava para esconder. – Você não gosta do meu pai. – Quando ele ficou calado, ela revirou os olhos e começou a caminhar na frente.

- Dem, espera! – Por que diabos ela sempre tinha que sair disparada na frente quando estava chateada? Joe apressou o passo, e quando esbarrou em algumas pessoas, teve que pedir desculpas. – Demi, espera! – Tornou a chamar quando ela passou pelas portas de vidro com tanta pressa que ele quase se chocou com tudo na porta porque não prestava atenção no caminho que fazia. – Ei! – Disse a olhando nos olhos porque finalmente tinha conseguido alcança-la e para ela não fugir, a mão abraçou-a no braço direito com firmeza. – O que foi isso? – Perguntou e Demi expirou cansada.

- Você não gosta do meu pai. – Disse erguendo a cabeça para olha-lo nos olhos.

- Eu acho que você está confundindo as coisas. Ele que não gosta de mim. – Joe sustentou o olhar dela e a soltou porque não queria que as pessoas percebessem que eles estavam a ponto de ter uma briga explosiva e nem que o julgassem como um cara agressivo.

- Ele foi duro, mas não te maltratou e em nenhum momento disse que não gostava de você. Você tem que entender que ele só quer me proteger. – Quando ele assentiu sorrindo, Demi se controlou para não ataca-lo com tapas.

- Quer saber? Eu estou cansado! – Agora foi ele quem começou a caminhar em direção ao carro e Demi teve que se esforçar para conseguir acompanhar os passos largos. – Desde que você está com eles, eu tenho que implorar a sua atenção porque você só tem tempo para as suas irmãs e o seu pai. Ontem foi a noite mais desconfortável de toda a minha vida! Primeiro você jogou um balde de água fria no meu sonho de ser pai, depois você destratou o meu estado e me deixou durante todo o dia. À noite no jantar, você não estava nem se importando se eu estava bem ou não! – A porta da caminhonete foi aberta tão bruscamente que quase arranhou e amassou o carro vizinho. – E não me olha com essa cara! A Selena também está chateada com toda essa indiferença da sua parte. Você não responde as mensagens dela e nem dá um pingo de atenção para ela. Agora tudo é o seu pai e as suas irmãs. – Se ele ficasse mais nervoso, era certeza que passaria mal. Joe respirou fundo para se controlar e evitou olhar para Demi quando ela adentrou a caminhonete.

- Você está exagerando! Eu não disse: Amor, nós não vamos ter filhos. Eu só não estou preparada para ser mãe agora, entendeu?!

- Você queria filhos alguns dias atrás, e do nada mudou de ideia. – Murmurou cansado.

- Eu só não estou preparada. E eu fiquei preocupada com você, mas não foi pra tanto. Não aconteceu nada demais no jantar, em nenhum momento o meu pai apontou uma arma para sua cabeça ou algo semelhante. Vocês tem que entender que eu quero aproveitar a família que eu nunca tive. – Não era intencional dar prioridades para uns e deixas os outros para segundo plano, e Demi sentia que não o fazia.

- Nós entendemos perfeitamente, só não queremos ser segunda opção! – Disse fitando o volante. – Ele está jogando indiretas o tempo todo e não perde uma oportunidade de me fazer de trouxa, como ontem quando pediu a minha habilitação e me interrogou na frente de todos como se eu fosse um moleque vagabundo que está se aventurando na cidade com um carro roubado. E agora ele está nos esperando na droga do Walmart para terminar de me humilhar pagando a conta porque ele acha que o meu emprego é brincadeira.

- Você é um idiota. – Murmurou nervosa. – E a sua prima? Aposto que ela está ansiosa para contar para todo mundo sobre a merda dos vídeos e que a minha mãe é uma prostituta, aliás, eu acho que ela já contou e quando nós chegarmos na sua roça, todas vão rir da minha cara e fazer a sua cabeça para terminar comigo. Se já não estão fazendo... – Era só ela tocar no nome Texas com desprezo, que Joe virava uma fera, e dessa vez não foi diferente. Ele a olhou com raiva e umedeceu os lábios.

- Eu prefiro morar na minha roça do que viver no seu mundinho moderno cheio de tanta gente mesquinha, fútil e.. e.. superficial. – Disparou nervoso. – De novo com essa história, Demetria! – Disse um pouco alto e levou as mãos ao rosto. – Por que você precisa da opinião de outra pessoa para ser feliz? Eu estou cansado de fazer essa pergunta! Qual o motivo? Por que diabos você precisa que as pessoas olhem para você sempre com aprovação e orgulho? Por que você quer que elas fiquem te bajulando o tempo todo? Você não consegue viver sem se importar? Parabéns, ninguém precisou fazer a minha cabeça para cogitar a ideia de terminar com você.

- Você está terminando comigo? – Durante os quase dez minutos que se passaram, Joe guiou o carro para o Walmart e Demi quase perdeu a fala porque ela não acreditava no que tinha ouvido.

- Não estou terminando com você. – Como o supermercado não ficava longe do aeroporto, não demorou nada para que chegassem.

- Eu não vou para o Texas, e pode ficar despreocupado, você não vai ficar no prejuízo. – Desde quando ela descia do carro sem beijar os lábios de Joe, abraça-lo e dizer um caloroso eu te amo? E ele deveria chorar? A vontade de Joe era de correr atrás de Demi e pedir desculpa por ser tão inseguro quanto ela. Ele estava com medo de Inácio e assumia que tinha ciúme das irmãs. Mas quando o carro de trás buzinou, Joe teve que avançar com a caminhonete limpando uma lágrima e desviando o olhar da namorada que caminhava com pressa para longe dele.


Continua... Oi, tudo bem com vocês? Passei para deixar uma parte do capítulo, eu gostaria de posta-lo todo, mas iria ficar muito grande! Era para eu ter postado ontem, só que a internet daqui de casa deu um probleminha e eu estou dependendo da internet do meu tio :/ Enfim, espero que vocês gostem do capítulo! Comentem a opinião de vocês! Obrigada pelos comentários e visualizações, abraço para vocês e até o próximo capítulo!



12.1.18

Aniversário do Blog


   Olá! Tudo bem com vocês? Eu estou bem! Hoje faz cinco anos que criei esse blog (Vocês encontrarão as primeiras postagens apenas no mês de fevereiro de dois mil e treze, é que a minha primeira fanfic - que é HORRÍVEL - eu movi para o rascunho :D). O plano era postar o Capítulo 3 para vocês hoje, mas eu estou doente, gripada, tentei escrever o Capítulo 3 para posta-lo hoje, mas não rolou, meu corpo está doendo e minha cabeça ruim, o que posso dizer é que o capítulo está bem adiantado e eu vou tentar postar antes do domingo ou no domingo. Bem pessoal, obrigada por cinco anos de blog, não é apenas uma página da web. Aqui, ainda há esperança do amor e de um casal que fez o nosso coração bater mais rápido. Eu adoro escrever fanfics Jemi, e principalmente escrever para vocês! É tão bom ler os comentários entusiasmados e os mais discretos, por mais que na maioria das vezes eu não os respondo, eu fico tão feliz em saber a reação de vocês. Obrigada por cada comentário e visualização, e também por ter tido a oportunidade de conhecer histórias fantásticas, vocês tem um lugarzinho especial no meu coração! 

   Bem, sobre o que eu comentei de parar de escrever fanfics. Não é uma decisão definitiva, eu realmente gostaria de escrever, só que eu estudo - para quem não sabe, engenharia de computação e vou cursar o oitavo período agora no primeiro semestre do ano - e meu curso é uma caixinha de problemas beeeeem cabeludos, traduzindo: é muito difícil, assim como a maioria das graduações. Então, como eu estou indo cursar o oitavo período, tenho que me dedicar muito mais do que eu já me dedicava. Não sei como vai ser, mas imagino que bem complicado. Esse é o real motivo de eu ter dito que Em busca do amor é a minha última fanfic, pois na metade do ano vou começar a cursar o nono período, e é aí que começo o tcc e estágio. Eu já odeio ter que ficar duas semanas sem postar para vocês, imagina se eu ficar mais tempo? É péssimo, eu já passei por isso e sei como é horrível você querer ler um capítulo de uma fanfic e o autor(a) não postar, ou simplesmente cancelar a fanfic. Mas vamos ver né, posso tentar, posso fazer adaptações de histórias e postar para vocês no tempo que eu não puder escrever a minha própria história ou eu também posso fazer parcerias com outras escritoras, isso seria muito bom!

   É isso, fiz esse post para me explicar e agradecer vocês por todo carinho! Nunca parem de acreditar no amor e nem que o mundo pode ser um lugar bem melhor! Um abraço e um beijo, vocês são incríveis! - Amanda

Aaaaah, eu amo muito e muito essas pessoas <3