19.12.18

Capítulo 18 - Parte I/II


Tarde da noite não tinha como resolver muita coisa. Havia farmácias que funcionavam por vinte e quatro horas e que até faziam entregas, mas quando Demi se acomodou aos braços da mãe deitada ao sofá, Dianna decidiu que era melhor deixar a filha descansar.

Com a hora avançada, o aquecedor ligado numa temperatura deliciosa e o silêncio, só restava dormir para encarar o novo dia. Mas o sono de Demi por um pouco não veio. Os olhos estavam arregalados e se mover era muito estranho porque existia aquela possibilidade de estar grávida que a deixava incomodada e assustada. Dianna dormiu e Joseph estava tranquilo dormindo que chegava a suspirar. Quem diria que ela ficaria acordada por tanto tempo? Geralmente era a primeira a ceder e dormia até suspirar.

Acontecia que a mente já estava uma bagunça antes mesmo de saber se o enjoo era ou não fruto de uma gravidez.

Abandono materno e paterno, conviver com a prostituição, família de baixa renda, escola, faculdade, trabalho, relacionamentos fracassados. E se ela fosse uma mãe tão ruim quanto a que tinha? E se ela estragasse a vida de um inocente com traumas e humilhações como estragaram a dela? E se.. E se Joe partisse e a deixasse com um bebê? Foram tantos pensamentos que era o suficiente para Demi até mesmo imaginar um bebezinho de olhos verdes chorando num berço enquanto ela o olhava sem saber o que fazer.. Mas de partir o coração foi imaginar um dia chuvoso, um caixão preto e uma lápide o esperando para guarda-lo para toda eternidade. A alma ficaria partida e com uma feriada incurável. Jamais se recuperaria, jamais seria capaz de amar e sequer poderia respirar. Como viveria se ele ousasse em partir? As lágrimas rolaram com tanta intensidade ao observar Joe dormir.


 Demi tinha o olhado por tanto tempo, estudou a beleza do rapaz mais tarde já calma, pensou em milhares e milhares de situações que a levou a chorar e sorrir. O sono a tomou quando ficar de olhos abertos era uma missão difícil, pois as pálpebras estavam cansadas e toda hora fechavam mesmo contra vontade da moça.

Só foi uma pena que o sono não durou nem duas horas. Quando se ergueu, a cabeça pareceu pesar quilos e quilos! Demi franziu o cenho se sentindo tonta e cansada. Dormir com Dianna era muito bom, mas a posição que escolheram no sofá estava muito longe de ser confortável, o que certamente resultaria em muitas dores no corpo no decorrer do dia.

   - Mãe? – Chamou quando sentiu no couro cabeludo o leve carinho dos dedos da mãe. – Tem muito tempo que você está acordada? – Perguntou se aninhando mais a Dianna e numa ação automática, fechou os olhos porque era o que ela geralmente fazia: voltava a dormir quando acordava, mas depois que se lembrou dos acontecimentos da noite passada, dormir era a última opção, e agora os olhos castanhos de Demi demonstravam tanta atenção quanto os de uma coruja.

   - Alguns minutos. Você estava muito inquieta. – Disse Dianna impassível a olhando e observando. – Enjoada? – Aquele assunto.. Demi sentiu o coração bater mais rápido e ao sustentar o olhar da mãe, foi demonstrando medo e receio conforme assentia negativamente.

   - Eu vou lavar o rosto e escovar os dentes. Preciso ir à farmácia agora mesmo. – A roupa do dia passado não estava ruim. Demi só a incrementaria com um cachecol e touca, pois as manhãs eram tão frias quanto às noites. Erguendo-se, com muito receio espreguiçou o corpo, bocejou e franziu o cenho pronta para ficar em pé.

   - Não quer comer primeiro? – Perguntou Dianna e Demi negou no mesmo instante se lembrando de como Anna estava enjoada, até a pasta de dente provocava enjoos. Ela esperava que não sofresse o mesmo, e nem que ficasse mole e enjoada deitada numa cama.

Muita calma. Muita calma e tranquilidade. Respirar fundo estava ajudando a não surtar. Ao chegar ao banheiro, Demi se olhou no espelho enquanto respirava fundo. Era como se dissesse a si mesma que tudo estava bem e que não precisava ter medo e muito menos ficar apavorada. Assim cada etapa foi feita: o rosto foi pacientemente molhado ajudando-a despertar, uma escova para dentes foi improvisada com nada mais que o dedo, e na hora de fazer xixi, Demi franziu o cenho porque ela não tinha o costume de fazer aquele tanto.

   - Vai acordá-lo? – Era uma boa pergunta. Demi olhou para mãe e depois para Joe. Tudo seria diferente quando o namorado estivesse acordado e ciente do que acontecia. Talvez fosse melhor não contar nada enquanto não havia certeza...

   - Não. Ele precisa descansar. – Mesmo tensa, Demi sorriu porque até dormindo Joe conseguia ser um amor. Ele era todo grandão, as bochechas carregavam o leve rubor de sempre, o cabelo um charme bagunçado e o sofá era um pouquinho pequeno para abriga-lo. – Amo você. – Disse quando estava sozinha com o rapaz. Ela se agachou em frente ao sofá e sorriu arrumando a coberta ao corpo de Joe para depois beijá-lo demoradamente na bochecha e roubar um selinho.

Se fosse positivo, ele ficaria com ela? Ele amaria o bebê? Eles seriam uma família? Demi franziu o cenho observando Joe. Em teoria era muito fácil, já na prática.. Tudo mudaria e nas atuais circunstâncias, seria sofrido. A cabeça sempre estava cheia de complexos e incertezas. Os dedos deslizaram para dentro das mechas do cabelo curto e Demi observou Joe franzir o cenho, mas não foi nada que o fez despertar. Um bebê. Menino ou menina? Falaria papai ou mamãe primeiro? Era confuso! Simplesmente confuso! Ao mesmo tempo em que estava assustada e não aprovava a ideia, queria muito que fosse verdade.

   - Vamos? – A voz de Dianna a pegou de surpresa porque a mente a levava para outra dimensão. Ao assentir, Demi beijou a bochecha de Joe, o que o fez ronronar o nome dela. – Vocês são colados. – Comentou Dianna assim que fechou a porta do apartamento.

   - Nós passamos boa parte do tempo juntos. – Seria bom se distrair, mas o assunto não a ajudava a parar de pensar no enjoo da noite passada. – Eu estou preocupada. – Disse um pouco impaciente esperando pelo elevador e Dianna franziu o cenho quando a olhou.

   - Independente do resultado, eu vou estar com você. – Eram palavras simples que toda mãe dizia a filha, mas para Demi ouvir aquela frase a emocionou e o coração bateu mais rápido porque era a primeira vez que Dianna dizia palavras de mãe.

***

 O dia não tinha começado caindo neve e de tempo fechado, o sol estava brilhando timidamente no céu e os raios emitidos pela estrela iluminavam e irradiavam um calor delicioso de sentir. Nova York era uma vista maravilhosa com ou sem neve, e naquela manhã estava agradável caminhar pelas ruas da cidade permitindo que os passos fossem mais lentos, assim foi a ida de Demi e Dianna à farmácia. Estavam de braços dados, demoraram-se nos passos porque conversavam sobre a Inglaterra, o tempo de Nova York e Dianna arriscou perguntar sobre o relacionamento de Demi com o Joe mesmo com a menina extremamente envergonhada.

   - Quando eu estava grávida de você, nos dois primeiros meses eu sentia muito enjoo e sonolência. – Comentou Dianna como se fosse ajudar Demi a distrair, e tudo que ela fez foi franzir o cenho e murmurar um tanto agoniada. – Ei, espera. – Demi estava ansiosa demais, toda hora murmurava e refazia as contas do período menstrual contando nos dedos pensando que o aplicativo tinha algum erro, então por isso quase não prestava atenção na mãe e estava ansiosa para fazer o teste mesmo que o resultado a mataria do coração. Antes que Demi abrisse a porta, Dianna a segurou pelo braço e a olhou nos olhos. – Não tenha medo, meu anjo. Ter um bebê é difícil, mas é a melhor coisa que pode acontecer com uma pessoa. O Joe te ama, vocês estão juntos e nada vai dar errado. Vocês são totalmente capazes de cuidar de outra vida. Vocês estão melhores que eu e o seu pai, não precisa ter medo. – Demi queria dizer que o medo de perder Joe era maior que qualquer desejo, que o medo de não ser uma boa mãe a assustava, mas tudo que ela conseguiu fazer foi envolver Dianna num abraço apertado.

   - Eu espero que sim. – Disse a olhando nos olhos e segundos depois voltou a atenção para porta abrindo-a.

   - Demi? – A voz de Joe foi o suficiente para o coração de Demi ir à boca por conta do nervoso. E quando o rapaz se ergueu ainda sonolento, tudo que Demi fez foi sorrir porque não queria que Joe percebesse o quão tensa ela estava. – Onde vocês estavam? – Perguntou se espreguiçando ainda sonolento. A sorte era que elas tinham passado numa padaria para comprar pães e o bolo que Demi tanto tinha insistido para o café da manhã.

   - Comprar pães. – Para esconder o nervoso, Demi sorriu e se acomodou ao sofá porque queria abraçar o namorado e beija-lo na bochecha. – Você está quente. – De certa forma ficar perto de Joe a acalmava, mesmo com todo nervoso. Demi o abraçou pela cintura e o beijou no ombro, mas logo Joe a abraçou forte e a beijou na bochecha.

   - Bom dia Dianna. – Concentrar-se em algo diferente que o calor delicioso que emanava do corpo dele com o de Demi, foi difícil. Joe queria poder voltar a dormir numa cama espaçosa e confortável e Demi estaria abraçada a ele, nua e manhosa.

   - Bom dia, Joseph. Dormiu bem? – Dianna sorriu simpática, e imaginou que se o rapaz dissesse que o sofá era confortável, ele estaria mentindo porque o espaço era pequeno para um homem grande.

   - Não foi ruim, só um pouquinho dês..desconfortável. – Vermelho ele estava porque tinha decidido que não iria mentir para sogra, e resultado disso foi quase uma gagueira que o deixaria constrangido, caso a fala embolasse mais. Acontecia que quando as mulheres tinham a atenção focada toda nele, Joe sentia um nervoso incomum que o atrapalhava de ter uma linha de raciocínio contínua e coerente. Sorte era que a pior parte daquela fase já tinha passado.

   - Dá próxima vez que você dormir aqui, nós organizamos o quarto da Demi. – Dianna os olhou e sorriu um pouco ansiosa com a ideia de ser avó. Analisou a filha nos braços do namorado e a vontade de chorar quase falou mais alto. Será que era como diziam? “O meio faz a pessoa?”. Demi sempre foi rodeada de maus exemplos, influenciada a entrar no mundo da prostituição, mas resistiu e conseguiu ser uma pessoa melhor. Observando como o casal tinha sincronia e que claramente se amava, a felicidade tomou conta do coração de Dianna porque a filha tinha um caminho fantástico a seguir, fosse amoroso, familiar ou profissional. – Vamos tomar café? – Perguntou gentilmente olhando para Joe para depois para Demi focando o olhar no dela por um tempo há mais.

   - Podem ir na frente, eu preciso ir ao banheiro. – Quem disse que Demi conseguiu olhar para Joe ou para Dianna? O nervoso a pegou de jeito e a ansiedade poderia mata-la a qualquer momento. O coração batia tão rápido que a incomodava. Quando começou a se sentir sufocada e zonza, Demi rompeu o abraço de Joe e se levantou um pouco atordoada olhando para o chão.

   - Dem, eu posso lavar o rosto antes de você entrar? – Lavar o rosto e improvisar uma escova para os dentes. Joe nem percebeu o estado de Demi porque se acomodou ao sofá sentado para poder calçar o tênis e vez ou outra arriscava olhar para Demi, mas como ela estava de costas, não dava para perceber o quão estranha ela estava, só a tensão.

   - Tudo bem. – Não foi como o de costume, nem mesmo tinha um sorriso pequeno que mostrava como ela estava feliz por tê-lo por perto. Joe interpretou o comportamento estranho como vergonha de Dianna, já Demi teve que se concentrar para respirar fundo e ficar calma quando o rapaz virou as costas caminhando à direção do banheiro.

   - Você quer um copo com água? – Perguntou Dianna preocupada a segurando nos braços ao perceber como os lábios mudaram do avermelhado para o esbranquiçado em pouco tempo, a face estava pálida e a respiração de Demi tentava ser mais eficiente em vão. – Respira fundo e fica calma. – Pediu tentando não ficar desesperada porque só atrapalharia. A primeira ideia foi acomodar a filha ao sofá e abana-la usando a capa de uma agenda. Sorte foi que surgiu efeito. Aos poucos a menina voltou à cor normal e parecia mais calma.

   - Ele está me deixando nervosa. – Ronronou Demi cobrindo o rosto com as mãos. A ideia era tentar parecer normal, mas o desespero estava atrapalhando tudo e só de olhar para Joe, a imagem de um bebê vinha a mente junto a toda bagunça feita pelos pais. – Mãe, e se eu realmente estiver? – Perguntou deitando a cabeça na almofada do sofá para olhar para cima.

   - Será uma nova etapa na sua vida, e tudo ficará bem. – Dianna a puxou para os braços e gentilmente a beijou na testa. – Eu vou estar aqui, prometo que não vou a lugar nenhum e não vou ser a mãe chata que sempre fui. – O olhar que trocaram foi sincero, e através dele Demi soube que não existiam falsas promessas.

   - Eu vou precisar muito de você. – Quando a primeira lágrima rolou, Demi a limpou rapidamente e beijou a bochecha da mãe para que pudesse ficar quietinha se sentindo segura nos braços da mulher que mais amava em todo o mundo.

   - Eu não sabia que estava tão tarde. A tia Laura deve estar preocupada. – Por que ele era tão fofo? Demi demorou um pouco a processar as palavras de Joe. Olhou-o nos olhos sentindo o coração bater mais rápido de paixão.

   - Você vai ao hospital que horas? – Perguntou Demi tentando disfarçar a tensão, mas quando se acomodou ao sofá, Deus! Era uma mistura louca de sentimentos. O medo de estar grávida, o medo de perder o homem que amava, a paixão misturada ao amor que sentia por Joe. Ele não podia abala-la daquela forma! O suéter verde moldado ao corpo forte, o cabelo não tinha tomado forma com os dedos molhados e então estava um pouco bagunçado.

   - Depois do almoço. – Não era hora para pensar em como queria agarrar Joe e fazer amor com ele. Demi assentiu e desviou o olhar porque a preocupação e a lembrança que Dianna estava ali com eles a deixou envergonhada.

 - Vão adiantando o café da manhã. – Sorte que a sacola era de papel. Quando segurou o teste, a sensação era a de estar com uma bomba em mãos. Demi saiu o mais rápido possível da sala, e quando chegou em frente a porta do banheiro teve que respirar fundo e se recostar a parede.

Era uma loucura! A cada segundo os pensamentos ficavam mais embaralhados com as lembranças da infância, o medo de perder Joe e a falta de amor de Dianna durante vinte e três anos. O choro veio quando a imagem de Inácio veio a mente. Por que tinha que ser confuso? Por que tinha que ser difícil? A emoção estava a flor da pele e Demi não conseguia se conter sozinha, tudo que precisava era dos braços de Selena para ampara-la. Pensar em tudo que tinha acontecido não a levaria a lugar algum porque não tinha como alterar o passado.  

A coragem para entrar no banheiro surgiu do nada, mas já era meio caminho andado. Demi fechou a porta e se sentou a tampa do vaso sanitário. Iria ficar louca se continuasse pensando e morreria de ansiedade se não soubesse o que estava acontecendo com o corpo.

Tirar o teste de gravidez da sacola de papel custou muito! As mãos estavam altamente trêmulas que se alguém a visse, pensaria que era algo como Mal de Parkinson. Que imagem estúpida! Quem diabos ficaria feliz fazendo um teste de gravidez? Demi franziu o cenho observando o design da caixa. Uma mulher sorridente segurando aquela coisa que mais parecia um termômetro. Era a primeira vez que ela comprava um teste de gravidez, a primeira vez que chegava a suspeitar que estava grávida. Como aquilo foi acontecer? Bem.. Demi revirou os olhos com o próprio pensamento. Talvez se ela tivesse um pouquinho de juízo e não agarrasse Joe o tempo todo... E o maldito anticoncepcional. Talvez se os dois fossem menos empolgados e mais prudentes com o sexo, a situação não aconteceria tão cedo.

Demi enrolou o máximo que pode. Leu todo o conteúdo das instruções, verificou a data de validade e a de fabricação, e a cada palavra que lia, a ansiedade fazia com que a barriga doesse um pouco mais. Quando a mente a levou longe com a imaginação do design na caixa do teste de gravidez, Demi franziu o cenho porque ela até se imaginava editando aquela imagem e colocando todas aquelas letras cor de rosa bonitas e discretas com as palavras “Pregnancy Test”.

Fazer o teste que era bom, nada! O máximo que Demi conseguiu foi tirar o teste da caixa e deveria ter quinze minutos que ela o olhava e tremia a perna esquerda ansiosamente.

   - Dem, você está bem? – Era a voz de Dianna depois de duas batidas à porta. Demi levantou num pulo e abriu a porta para a mãe.

   - Eu não tenho coragem. – Disse tão nervosa que sentiu todo o corpo ficar mole de ansiedade. – Eu estou com medo. – Resmungou chorosa e Dianna a abraçou forte.

   - Quando eu encostar a porta do banheiro você vai fazer esse teste, meu anjo. E independente do resultado, nós vamos ficar juntas. – Dianna sustentou o olhar de Demi até que a mesma assentiu balançando a cabeça para depois abraça-la com força. – Vamos, Dem. Vai ficar tudo bem. – Dianna não queria dizer a Demi que estava feliz com a ideia de ser avó porque sabia que só deixaria a filha mais atordoada.

   - Mãe? – O lado criança sempre falaria mais alto que o adulto. De olhos marejados, Demi olhou para mãe. Era como uma súplica para que Dianna não a deixasse novamente e tudo que ela fez foi dizer “Eu vou estar aqui do lado de fora te esperando, meu amor”. O olhar não negava. Demi assentiu segundos depois e chorosa começou a se preparar para fazer o teste no Box.

Diga-se de passagem.. Aquele teste foi um desastre! Demi tropeçou no tapete e quase caiu sobre o Box, tinha dado muito trabalho para tirar a calça e o frio a incomodou. Depois de feito, tudo que podia ser ouvido eram as batidas fortes e rápidas do coração que pareceu vir à garganta. E a coragem de olhar o resultado? Demi se vestiu e quando pegou o teste no chão, quase desfaleceu porque havia duas fitas. Duas fitas!

Ela iria morrer! O choque da confirmação foi tão grande que se não tivesse se sentado ao vaso, cairia no chão. A visão até ficou turva e a audição estranha por alguns segundos, Demi se sentiu enjoada e muito fraca, fraca a ponto de não ter força nos membros.

Era muita responsabilidade! Muita responsabilidade para quem não tinha maturidade para determinadas situações. E se ela ficasse sozinha? O choro ficou mais alto quando Dianna adentrou o banheiro, e se a porta não tivesse sido fechada, Joe viria correndo para saber o que estava acontecendo.

   - Vai ficar tudo bem. – Disse Dianna a abraçando. Ao contrário de Amélia, tudo que ela faria seria dar apoio e suporte a Demi. Estaria sempre presente e cuidaria da filha como nunca tinha feito.

 Demi não conseguiu dizer nada, só deixou que a mãe a confortasse e a protegesse naquele abraço especial que parecia ter o poder de melhorar o dia de qualquer pessoa. Estar nos braços de Dianna recebendo o carinho e todas as palavras carinhosas era tão bom e tinha o poder de acalma-la.

   - Não tenha medo, eu tenho certeza que você será a melhor mãe de todo o mundo. – Foi um choque de realidade. Demi sustentou o olhar da mãe e não conseguiu retribuir ao sorriso. Melhor mãe de todo o mundo.

   - Dem? – Era a voz de Joe e Demi ficou alarmada ao ouvi-la pensando na possibilidade de o namorado descobrir o que estava acontecendo. – Está tudo bem? – Perguntou e Demi franziu o cenho sem saber o que dizer.

   - Está.. Eu..eu..eu.. só estou conversando com a Selena, já vou sair. – Era a melhor desculpa que Demi poda inventar. Ela olhou para Dianna e deu de ombros porque jamais contaria naquele instante.

   - Ele estava preocupado. – Disse Dianna a olhando. Demi sabia que sim. Joe era muito prestativo e observador. Um homem cuidadoso e muito atencioso que sempre se preocupava com ela. E deveria ter quase uma hora que ela estava no banheiro.

   - Eu sinto que vou surtar a qualquer momento. – Resmungou abrindo a torneira porque precisava lavar o rosto para tentar amenizar o rosto inchado do  recente choro.

   - Filha, você não precisa. Não tem como reverter essa situação. D’agora para frente, tudo que nós temos que fazer é seguir em frente. Você tem a mim, o seu pai, as suas irmãs, a Selena e principalmente o Joe. Ele é um homem e vai estar com você. – Dianna a observou atentamente lavar o rosto e respirar fundo várias vezes.

   - Eu só não quero que ele ou ela passe por tudo que passei. E eu não sei se posso garantir isso. O Joe está doente. Eu estou desempregada e cheia de traumas por culpa sua e do meu pai. Não posso suportar a ideia de alguém viver o mesmo que vivi. – Não era para ter soado agressivo, e de certa forma não soou. Demi nem percebeu o que tinha dito já que a cabeça estava em outro lugar, já Dianna perdeu todo o ânimo e por um pouco não chorou. – Minha cabeça está uma bagunça. – Resmungou se recostando a pia e olhando para o teste de gravidez largado no chão.

   - Não, meu anjo. Nada do que aconteceu com você vai acontecer com o seu filho porque você é uma mulher forte e batalhadora. – O sorriso de Dianna foi fraco, mas sincero. – Não esconda do Joe. Ele precisa saber o quanto antes. – Não houve mais tempo para mais conversa. Dianna abriu a porta do banheiro e esperou por Demi do lado de fora, que só jogou o teste de gravidez no lixo comprovando mais uma vez que eram duas fitas.

   - Está tudo bem? – Aflito. Joe sentia que tinha algo de errado desde que Dianna o deixou sozinho na cozinha para ir buscar algo no quarto. Agora Demi tinha a ponta do nariz vermelha e não o olhava nos olhos. O rapaz repassou mentalmente tudo que tinha feito nas últimas vinte e quatro horas procurando por um erro que tinha magoado a namorada, mas não justificava toda a impassibilidade de Demi. – Tudo bem? – Tornou a perguntar de cenho franzido porque Demi não tinha o respondido. – Dem? – Chamou um pouco desesperado e só depois que Demi ergueu a cabeça para olha-lo e assentiu.

   - Compramos pão misto para você. – A tentativa de Dianna era amenizar o clima estranho que os envolviam, e maior parte dele vinha de Demi que não dizia uma palavra, mas estava tão tensa que era contagioso.

   - Eu não posso comer sem aplicar insulina antes e esperar uma hora. – Disse Joe de cenho desviando o olhar da namorada com muito custo para olhar Dianna. – Eu passo mal. – Explicou rapidamente porque ele estava curioso para saber o porquê de todo o mistério de Demi. – Vou para casa, a minha tia está me esperando para o exame de agora à tarde. Ela deve estar preocupada. – Estava estranho e desconfortável. Joe observou a reação de Demi, que continuava impassível como se nem mesmo tivesse ouvido o que ele tinha dito.

   - Eu não queria que a sua primeira vez aqui em casa fosse tão desastrosa. – Joe era um bom rapaz e Demi era apaixonada por ele, então Dianna queria que o rapaz se sentisse em casa e fosse bem recepcionado. – Da próxima vez, nós vamos arrumar o quarto da Demi e você lembra de trazer insulina. – Gentilmente Dianna sorriu quando o rapaz assentiu se levantando.

   - Está tudo bem. Eu não tinha planejado passar a noite aqui, mas não foi nada desastroso. – A noite não foi como ele tinha planejado, mas também não tinha sido ruim. Joe passou a maior parte do tempo sentado ao sofá observando Demi interagir com a mãe toda sorridente sem esconder como estava feliz, então já era o suficiente para que ele ficasse feliz também. – Nós ainda teremos muitas oportunidades. – Frisou desviando o olhar de Dianna brevemente para Demi. – Vamos marcar um almoço no meu apartamento para você conhecer a minha tia. – Se ele estava conversando com Dianna, o foco deveria ser ela. Joe se sentiu um mal educado, mas não podia ser diferente. Demi conseguia roubar toda atenção dele com aquele jeito estranho.

   - Combinado. Só me avise antes porque quero preparar um prato para levar. – O sorriso de Dianna foi realmente sincero porque ela estava gostando de ter uma vida diferente e que não incluía a prostituição. Conhecer a tia de Joe a deixaria mais próxima ao rapaz, assim como ele também ficaria a Demi.

   - Eu ligo avisando. – As bochechas de Joe ficaram coradas quando ele sorriu cabisbaixo por que sempre ficaria envergonhado. – Dem, você vem comigo? – Chamou à namorada porque se ele se lembrava bem, Demi tinha dito que o acompanharia a consulta.

   - Demi? – Foi Dianna que a chamou. Demi arregalou os olhos ao olhar para a mãe. A mente estava em outro lugar que Demi nem mesmo sabia do que a mãe e o namorado estavam falando porque simplesmente não tinha escutado nada.

   - Eu estou indo embora. Tenho que me alimentar e me organizar para consulta hoje à tarde. Você vem comigo? – Joe foi o mais paciente possível. Ele sempre era porque não conseguia ficar bravo com Demi. Nem mesmo quando ela o tirava do sério.

   - Eu.. – A primeira coisa que Demi fez foi olhar para Dianna como se perguntasse se ela poderia ir com Joe. Estava sendo infantil, mas se não fosse, também não seria ela. – Vou ficar com a minha mãe, mas vou com você ao hospital. – No momento tudo que Demi queria era sumir porque não sabia o que pensar e muito menos o que iria fazer a partir daquele dia.

   - Então eu já vou. – Joe esperou que Demi tomasse algum partido, mas quando ela não se levantou, ele franziu o cenho e depois forçou um sorriso para Dianna quando a flagrou o olhando. – Até qualquer dia, Dianna. – Disse gentilmente a olhando e quando Dianna o abraçou, só restou abraça-la de volta.

   - Até, querido. Vai ficar tudo bem com a sua saúde, estou torcendo por você. – Joe assentiu sorrindo e olhou para Demi na esperança que ela também estivesse o olhando.

   - O Joe está de saída, Demi. Você não vai leva-lo a porta? – Disse Dianna porque ela tinha percebido que Joe estava ansioso para falar com Demi a sós. – Demi! O Joe está indo. – Tornou a dizer e Demi assentiu rapidamente se levantando.

   - Você está bem? – A porta do apartamento mal tinha sido fechada e Joe fez a pergunta concentrado em Demi.

   - Estou. – Não adiantava mentir para ele. Demi olhou para os lados incomodada com o olhar intenso de Joe. Ela sabia que ele não desistira enquanto não descobrisse o que estava acontecendo. – Estou um pouco tensa, hoje é a apresentação do TCC da Anna, tem a sua consulta. Muitas coisas estão acontecendo rápido demais. Acho que não estou conseguindo acompanhar. A Selena casa em menos de duas semanas. – “Eu estou grávida.” Era realmente muita informação para processar em menos de uma semana. E a mais importante de todas tinha a chocado num nível que Demi jamais imaginou. – E.. estou preocupada com você. – Não era mentira. Demi o olhou nos olhos pela primeira vez com sinceridade e derramou uma lágrima quando Joe a abraçou forte pela cintura.  

   - Amor, não precisa ficar preocupada comigo. – As mãos apertaram levemente a cintura feminina e Joe encostou mais os corpos. – Odeio quando você fica distante. Eu estou me cuidando e estou confiante que não vou precisar de um transplante, mas se eu precisar... Sei que vou conseguir. Eu só preciso que você fique comigo agora Dem, por favor. Quando você fica estranha, eu não sei o que fazer. – As sobrancelhas de Joe estavam franzidas mostrando claramente o semblante preocupado do rapaz.

   - Desculpa, Joseph. Eu só estou muita desgastada com tudo isso. É muita coisa. – Demi o abraçou para não mostrar como estava abalada. E sentir o abraço de Joe a confortou de uma forma quase mágica, era como se através daquele gesto toda energia negativa evaporasse. – Diz que me ama. – Pediu entre lágrimas porque ela precisava ouvir, precisava sentir e confirmar que Joe a amava.

   - Ei. – O nariz foi roçado ao dela, os lábios brevemente selados para depois Joe colocar uma mecha do cabelo longo atrás da orelha e secar as lágrimas de Demi de cenho franzido. – Eu amo você. Amo você. – A voz soou firme e grossa. Os olhos estavam fixos aos dela, mas Demi desviava o olhar a todo o momento claramente assustada. – O que foi, gatinha? – Ele a beijou na bochecha com muito carinho, abraçou Demi contra o peito e deixou que ela chorasse. – Meu amor, você não vai me perder. Eu prometo que vou ficar aqui por um bom tempo. Não fica assim, você parte o meu coração. – Quando desfez o abraço, Joe limpou as lágrimas de Demi e arriscou beija-la na boca começando com leves selinhos. – Vamos, eu quero um sorriso e ouvir que você me ama. – Se fosse outra pessoa, Demi jamais iria sorrir, era que Joe conhecia muitos artifícios para quebrar todo aquele gelo. – Um sorriso coisa gostosa. – Ele a beijou na curva do pescoço, e mesmo assim Demi continuou rígida de tensão, mas quando ouviu os múrmuros do namorado sobre como ela era linda, o sorriso aos pouquinhos foi surgindo. Era muito bom ser mimada com beijinhos distribuídos por todo o rosto, ter os dedos enlaçados e poder sentir o calor do homem que ela amava tanto envolvê-la. – Eu estou esperando o meu eu te amo. – Disse quando fingiu que iria beija-la e Demi fez careta quando ele afastou a cabeça a deixando na vontade.

   - Eu amo você, Joseph. – Nem na ponta dos pés Demi conseguia ficar alta suficiente para beija-lo na boca, sempre era preciso que o rapaz se curvasse. E foi o que ele fez. Primeiro a beijou na testa, na ponta do nariz e então a atiçou com um selinho demorado.

   - Amo você. – Quando a voz de Joe soava rouca, Demi jurava que poderia derreter. Ele ficava sério e absurdamente sexy. O beijo que trocaram pareceu leva-los a outra dimensão. Joe envolveu as mechas do cabelo marrom de Demi com os dedos e a encostou contra o batente de madeira escura da porta. Beijaram-se trocando toques nas costas, cintura e teve uma hora que uma mão de Joe apertou o traseiro de Demi sobre o jeans.

   - Joseph. – Aquele tipo de beijo era o que os levavam a cama. Era o tipo que fazia com que toda realidade sumisse por horas e horas. E atingida pela realidade, Demi preferiu interromper a troca de carinhos para abraçar Joe pensando no bebê que carregava no útero.

   - Hoje você vai dormir comigo? – Perguntou Joe um pouco ofegante. Ele não podia negar que estava ansioso para ter Demi por uma noite só para dar atenção para ele. A noite que planejava para os dois envolvia pétalas de rosas, chocolate, luz de velas e músicas românticas.

   - Eu.. – Tinha o que inventar como desculpa? O tempo que sustentou o olhar de Joe a fez se sentir mal só por pensar que estava cogitando dar um bolo no rapaz. – Nós vamos dormir juntos hoje. – Não tinha como negar e muito menos inventar algo. Mais cedo ou mais tarde, ela teria que contar, e talvez seria naquela noite.

   - Eu te amo! – O selinho foi tão delicioso. Demi sorriu porque Joe também sorria de orelha a orelha a olhando. – Nós precisamos de um momento só nosso, está muito chato ter que te compartilhar o tempo todo. Estou começando a sentir ciúmes. – Resmungou manhoso a abraçando forte contra os braços e Demi fez careta, mas também quis morder as bochechas de Joe. – Vou roubar você só para mim, princesa. – Ele sempre era carinhoso e um amor. Demi o beijou no peito e quando descansou a cabeça ali, respirou fundo.

   - Eu sinto a sua falta, Joe. – As conversas durante as madrugadas, as noites de amor, as risadas por conta das brincadeiras de Lucy, assistir desenho animado pela manhã. Não tinha nada melhor a fazer, e só era bom porque era com Joe. Demi envolveu o pescoço dele com os braços e respirou fundo quando o olhou nos olhos.

   - Vem para casa comigo? Nós podemos assistir desenho juntos e descansar do almoço agarrados nos sofá. – Demi riu de como ele soou manhoso. Olhou-o nos olhos e depois que teve um beijo roubado, ela assentiu sentindo um senhor frio na barriga.

   - Eu só vou avisar a minha mãe que vou com você. – Se ele a deixasse caminhar, é claro. Demi fechou os olhos quando foi abraçada por trás e beijada atrás da orelha esquerda... – Eu já volto. – O selinho a fez sorrir. Demi olhou para Joe, sorriu e adentrou o apartamento porque iria acabar fazendo uma besteira se sustentasse o olhar dele por muito tempo.

   - É incrível como esse rapaz tem o dom de te fazer feliz. – Não tinha como esconder o sorriso. Demi sentiu as bochechas corarem e pôs-se cabisbaixa. – Contou para ele? – Perguntou Dianna desviando o olhar do celular para ter a atenção única e exclusivamente para Demi.

   - Não. Estou melhor, mas ainda em choque. Estou pensando em contar hoje à noite, se eu não surtar antes de contar. – Demi nunca perderia a oportunidade de se aninhar a Dianna, então quando a mãe se acomodou ao sofá, ela deu um jeitinho de se roçar a ela porque era muito manhosa.

   - Um bebê é uma novidade de deixar qualquer um surpreso. – Os dedos na região do ventre foi o suficiente para Demi arregalar os olhos e perder a cor porque tocar a região deixava tudo mais real. – Mas vocês dois trabalharam nisso juntos, ele precisa saber o mais rápido possível. – Demi fez careta ao ouvir o comentário da mãe, mas acabou rindo mesmo envergonhada. Se tinha um trabalho que ela levava muito a sério, era fazer amor com Joe em todo tempo que os dois tinham livre. – Estou mentindo? – Dianna riu junto com a filha, e Demi assentiu risonha. – Eu acho que você deve contar para ele antes de contar para as suas irmãs e a Selena. Ele não deve ser o último a saber. – Joe não era do tipo que ficava chateado, mas ele sempre mostrou tanto interesse por ser pai, que talvez ele realmente ficasse chateado caso fosse o penúltimo a saber, porque o último sem sombra de dúvidas seria Inácio.

   - O meu pai vai ser o último a saber. – Resmungou Demi de cenho franzido pensando em todo o drama que o pai faria. – Eu vou pensar no que vou fazer, só vim avisar que estou indo com o Joe. – Disse se erguendo para beijar a bochecha da mãe e depois abraça-la com força.

   - Deixa o seu pai comigo. – Demi fez careta olhando para Dianna porque o ciúme falou um pouco mais alto. – Você vai ficar bem? – Perguntou preocupada a olhando e Demi franziu o cenho porque não podia prometer nada a mãe naquelas circunstâncias.

   - Mãe, eu não sei se vou ficar bem. Tem muita coisa acontecendo na minha vida agora. – Foi a primeira vez que Demi conseguiu controlar o choro. Chorar não adiantaria nada, e não tinha nada a fazer a respeito. – Eu estou desempregada, o Joe está doente, eu estou tentando me acostumar em ter você, o papai e as meninas. Isso nem me preocupa tanto, eu só não quero perder o Joe, e agora com um bebê, eu não posso perdê-lo de forma alguma, mas não tem nada no mundo ao meu alcance que eu possa fazer para reverter essa doença. Me sinto impotente e com muito medo por essa pessoinha que está a caminho. – Um bebê. Aliás, o bebê dela e Joe. Era inacreditável! Eles sempre discutiam o assunto e agora era real. Quando o coração bateu um pouco rápido, Demi se sentiu assustada. O sentimento era diferente e ela teve vontade de chorar, mas não porque tinha medo...

   - Eu entendo. Vamos pensar sempre positivo. O Joe vai ficar bem, você vai abrir o seu escritório, nós vamos organizar uma festa de casamento para você e tudo estará nos conformes para recepcionarmos essa pessoinha daqui a nove meses. Eu não fui uma boa mãe antes, mas agora eu estou determinada a ser e quero que tudo na sua vida seja lindo e feliz. – A mão de Dianna estava novamente a acariciando no ventre e Demi observou o carinho com certa curiosidade. Engraçado era que ela sempre estava fazendo o mesmo com Selena e só agora tinha notado como podia ser estranho. – Fica tranquila e conversa com o Joe. – Dianna a beijou na testa e Demi assentiu a envolvendo num abraço.

   - Obrigada mamãe. – Murmurou manhosa distribuindo beijinhos pelo rosto de Dianna para depois sussurrar que a amava.

   - Eu também amo você. – Toda vez que Demi ouvia aquelas palavras o sorriso ia de orelha a orelha e ela se sentia mais sortuda que uma pessoa que tinha ganhado na loteria. – Não faça estripulias e cuida muito bem do meu netinho, Demetria! – Demi não soube se sorria ou chorava. Abraçou a mãe e assentiu ronronando. – E não é para você sumir. Quero ver você pelo menos uma vez ao dia, mocinha. – Era tão bom ouvir aquelas palavras, e principalmente saber que Dianna estava mudada para muito melhor do que Demi poderia sonhar. – Amo você bebê. – O apelido fez Demi rir sapeca gostando muito de receber os beijos da mãe.

   - Eu também mamãe. Mais tarde nós conversamos. – Uma hora elas tinham que desgrudar, mas estava tão bom todos aqueles abraços que Dianna resolveu levar Demi até a porta e só entrega-la nos braços de Joe. – Amo você. – Disse Demi mais uma vez porque nunca se cansaria de dizer e ouvir aquelas palavras.

   - Cuida muito bem da minha princesa. – Disse Dianna a Joe e o rapaz assentiu todo sorridente porque os braços estavam rodeando a cintura de Demi e ele não poderia estar mais feliz.

   - Eu vou cuidar. – Disse aproveitando para beijar a bochecha de Demi e abraça-la com um pouquinho de mais força.

Quem disse que Demi queria desgrudar da mãe? Aconteceu que quando ela se lembrou que ficaria sozinha com Joe, automaticamente ficou desesperada. Sem auxílio, Demi não sabia como agir porque a situação era muito diferente das quais ela já estava acostumada. Mas não teve jeito, ela teve que se despedir de Dianna para seguir o dia ao lado de Joe.

   - Não gosta mais de Coldplay? – Perguntou Joe estranhando o comportamento de Demi. Ela tinha trocado The Scientist, Yellow e agora nem mesmo deu oportunidade para Fix You.

  - Estou enjoada dessas músicas. – Se Demi dissesse que choraria horrores ao ouvir aquelas músicas, seria motivo para suspeitas.

   - Você é linda, sabia? – Demi não esperava o elogio, mas sorriu de orelha a orelha quando Joe se curvou para beija-la no pequeno intervalo de tempo que tiveram no sinal vermelho. – Preciso da chave do seu apartamento. – Joe voltou a dirigir concentrado em guiar o carro com segurança, e Demi arqueou uma sobrancelha olhando o movimento naquela manhã. Não estava tão frio como alguns dias atrás. O sol tinha aparecido naquela manhã e agora quebrava mais aquele gelo deixando um tempo até agradável. A desvantagem era que um pouco da tonelada de neve esparramada pela cidade estava derretendo e tudo virava uma bagunça quando aquilo acontecia.

   - Por quê? – Joe nunca tinha pedido a chave do apartamento dela, e não tinha nenhum problema, era que Demi era curiosa demais e queria saber o que o namorado faria.

   - A nossa noite. Eu acho que é melhor ser lá.. Teremos mais privacidade já que a tia Laura e a Lucy estão no meu apartamento. – Joe a olhou brevemente e buscou a mão esquerda de Demi para enlaçar os dedos aos dela sobre a marcha do carro.

   - Quando nós chegarmos do TCC da Anna, eu entrego a chave. Tudo bem? – Perguntou observando os dedos enlaçados aos dele e Joe assentiu.


Laura estava brava, o que resultou numa bronca que deixou Joe de bochechas coradas e todo sem jeito, mas logo a tia já tinha esquecido o acontecido e preparava o almoço. Daquela vez Demi não tinha insistido para cozinhar, e tão pouco quis ficar com Joe no quarto porque sabia que o rapaz a seduziria muito fácil. Resultou que os dois ficaram deitados no sofá da sala assistindo desenho animado com Lucy entre eles.

Cheiros e comida. Era o que mais preocupava Demi. Na hora do almoço, se tinha uma colher média de arroz no prato era muita coisa, então os outros alimentos foram ainda mais restritos, o que resultou numa refeição simples e muito questionável. Joe não entendeu, e quando Laura insistiu que Demi colocasse mais comida, difícil foi inventar uma desculpa que não magoasse o ego da mulher.

   - Você está bem? – Quantas vezes Laura já tinha feito a pergunta? Demi olhou brevemente a mulher nos olhos, assentiu e desviou o olhar puxando a respiração fundo. Por algumas vezes a tontura a incomodou, os cheiros estavam começando a incomoda-la e que sono era aquele? Se bobeasse, Demi dormiria escorada a porta do carro. A verdade era: os sintomas da gravidez estavam presentes comprovando mais uma vez que o teste de farmácia não tinha falhado e um bebezinho viria ao mundo dentro de oito meses e alguns dias.

   - Está bem mesmo? – Perguntou Joe do banco de trás se curvando para conseguir ficar pertinho de Demi que estava acomodada no banco do carona. Laura dirigia a caminho do hospital para que o sobrinho pudesse fazer mais um dos exames necessários para aferir o estado de saúde, e daquela vez Joe faria uma prova de função pulmonar.

   - Estou bem. Só com um pouquinho de sono, não dormi direito essa noite. – Não era mentira. Demi tinha passado boa parte da noite acordada pensando na gravidez, na saúde do namorado, no emprego e consequentemente no futuro. – Querem que eu feche a janela? – Carro novo possuía cheiro forte, e com o de Joe não tinha sido diferente. Até o momento Demi não tinha sentido enjoo, mas também não deu nenhuma brecha para o sintoma, assim, a janela do carro estava um pouco acima da metade.

   - Sim. – Só ela que não sentia aquele frio?! Joe e Laura estavam congelando com a janela entreaberta, e Demi revirou os olhos ao fecha-la porque aqueles dois nunca se acostumariam com a temporada de inverno nova-iorquina. Agora era controlar o organismo, se fosse possível, para não vomitar com o próprio cheiro.

   - Como você está se sentindo? – Perguntou Demi ao sentir os dedos de Joe a tocando no ombro como ele fazia quando queria enlaçar os dedos aos dela.

  - Me sinto ótimo. – Talvez fosse um pouquinho de exagero. As palpitações eram assustadoras quando surgiam do nada, ficar deitado por muito tempo estava começando a resultar em falta de ar e apesar de não estar desmaiando com frequência como nos meses anteriores, Joe se sentia indisposto a praticar exercícios, a fraqueza não o encorajava a se exercitar.

   - Ótimo? – Demi sorriu o olhando. Ele realmente parecia bem como dizia. A pele morena possuía um leve corado, os olhos verdes estavam brilhantes e cheios de inocência misturada a felicidade, e a sombra de um sorriso sempre estava nos lábios do amado. Existia homem mais fofo? Demi olhou para trás e sorriu quando ele sorriu todo tímido. Joe ficava muito bonito vestindo camisa social e gravata, e ainda por cima o trench coat preto ficou muito bem no corpo atlético.

   - Ótimo. – Se ele não a beijasse, não seria ele. Foi um selinho, aliás, uma série de selinhos molhados nos lábios de Demi, que sorriu de olhos fechados.

   - Os pombinhos podem deixar isso para depois? – Laura os deixou tão sem jeito! E claro que estavam corados, porém sorridentes, principalmente Joe que não conseguia parar de pensar na noite que passaria com Demi. Ele já estava cheio de planos e queria desfrutar do momento da melhor forma possível.

   - Nós vamos jantar juntos hoje. – Disse o rapaz para tia antes que ela inventasse de prendê-lo em casa para que ele ficasse deitado o dia todo como se estivesse seriamente doente..

   - Eu jamais pensei que você fosse dar trabalho depois de grande. – Comentou Laura. Tudo que ela queria era que Joe ficasse onde poderia vê-lo e socorrê-lo caso algo acontecesse, então se Joe não ficasse em casa ficaria complicado ajudar o sobrinho porque Nova York era grande e tinha um trânsito péssimo. – Nós vamos conversar com o médico sobre o que você pode ou não fazer. – Não teve como o comentário soar de outra forma, o que acabou deixando muito explícito que o que Laura queria dizer era sobre sexo. O clima no carro só não foi desastroso porque quando Joe murmurou um “Ouch” claramente emburrado, foi motivo de riso.

   - Não precisa ficar preocupada, eu vou cuidar desse menino e não vou deixar que ele faça traquinagens. – Demi sorriu ao olhar para trás. Joe estava todo corado e sem jeito que nem tinha sustentado o olhar dela.

   - Já está chegando? – Murmurou Joe observando o movimento dos carros e pessoas naquela tarde. Estava nevando fraquinho, mas ainda sim a cidade estava carregada de neve em cada pedacinho.

   - Segundo o GPS, faltam apenas três metros. – Disse Laura e Demi assentiu. O caminho era muito familiar pelas vezes que Joe já tinha sido internado às pressas e pelo histórico daqueles últimos seis meses. Até mesmo Demi tinha passado mal, foi àquele mesmo hospital com Selena para descobrir o sexo do bebê e foi onde também ficou internada quando Mary a agrediu.

   - Nós nem chegamos e eu já quero ir embora. – Disse Joe olhando para o teto do carro, para depois os bancos novinhos em couro ainda com o plástico de fábrica. O espaço era confortável e aconchegante, dava até para dormir tranquilamente. Melhor ainda seria se ele pudesse estrear o carro com Demi. O pensamento até o fez sorrir e todo curioso ele observou a namorada. Ela sempre era tão bonita. Maquiada ou de cara lavada, usando roupas arrumadas ou pijamas, de cabelo penteado ou parecendo um ninho de passarinho.

   - Você vai fazer todos os exames, Joseph. – Laura soou séria. E não era para menos, ela não deixaria que Joe fugisse de forma alguma ou que ele burlasse alguma regra. Já Demi observou a mulher ao lado e depois Joe pelo retrovisor. Ele precisava ficar bem porque o bebê que estava por vir exigiria muito de ambos.

   - Eu vou fazer todos os exames. – Resmungou o rapaz entediado, mas logo forçou um sorriso quando encontrou o olhar da tia pelo retrovisor. – Prometo que vou me cuidar. – Não era para soar tão descontente. Era que fazer exames era muito chato, tomar remédios e seguir normas médicas era ainda pior. Já não bastava a diabetes junto à hipertensão para deixa-lo de cabelo em pé...

   - Será rápido e para o seu próprio bem. – Não demorou nada para o carro estar estacionado. Laura foi a primeira a sair. Joe agilizou o passo e antes que Demi pudesse abrir a porta, ele já o fazia por ela.


   - Eu odeio isso. – Resmungou Joe de cenho franzido observando a arquitetura do hospital. E se ele tivesse que tirar sangue de novo? Só de sentir aquele cheiro de metálico e desinfetante hospitalar Joe perdia o ânimo. Era tão triste ter que sentir o diafragma gelado do estetoscópio nas costas e no peito praticamente todo mês, e a picada das agulhas que nem incomodava mais o perfurando nas veias.

   - Eu estou com você. – Estava difícil manter o sorriso e tentar parecer com ela mesma. A cabeça processava muitas informações ao mesmo tempo, maioria delas era irrelevante e só tinha como objetivo enlouquecê-la. – Só temos essa saída, então vamos fazer tudo da melhor forma. – Demi sustentou o olhar de Joe e quando ele suspirou cansado assentindo, ela o abraçou pelo pescoço. – Eu estou com você. – Tornou a dizer o olhando nos olhos. – E preciso que você esteja comigo, por favor. – Se Joe soubesse o que aquelas palavras realmente significavam, ele teria a abraçado com mais garra e a beijado com mais paixão.

   - Eu estou com você, princesa. Sempre vou estar. – Joe a beijou gentilmente na testa e quando a abraçou foi procurando se sentir mais seguro e encorajado a entrar naquele hospital para enfrentar um monstro de sete cabeças que se regeneravam. – Eu amo você. – Era tão ruim ficar longe dos braços dela. Olhou-a curioso porque Demi era muito baixinha perto dele, o salto não tinha ajudado muito a deixa-la maior.

   - Eu também amo você. – Por um pouco as lágrimas rolaram. Demi teve que disfarçar com um sorriso de orelha a orelha, mas quando Joe se curvou para beija-la nos lábios, foi como tomar um choque que a fez se sentir mais viva e apaixonada.

   - Vamos? – Demi o olhou e assentiu envolvendo os dedos aos dele. Assim, caminharam lado a lado em direção a Laura que os esperavam na recepção com um pequeno sorriso nos lábios porque não tinha como olhar para aquele casal e não pensar em como eles eram feitos um para o outro.

   - O médico já está esperando. – Disse Laura.

O fato era: ninguém sorria ao ouvir aquele tipo de frase. Joe tentou não parecer tão desanimado e desencorajado como se sentia. Ele olhou para tia, depois para Demi e esboçou um sorrisinho sem graça, em troca recebeu sorrisos largos e palavras encorajadoras que realmente fizeram efeito quebrando aquele clima tenso que estava prestes a engoli-lo.




Surpresas nem sempre eram bem recebidas, mas aquela foi um tanto interessante. Ao entrar no consultório médico, esperavam encontrar um médico, como tinha sido informado e era de costume. Mas lá estava uma senhora sorridente e baixinha que se apresentou como Dra. Thaís.

   - Você é a mãe desse rapaz? – Os fios de cabelo escuro batiam na altura dos ombros em cachos grandes e bonitos. Os óculos tinham a armação vermelha e curiosamente combinavam com o batom. A mulher deveria ter por volta de sessenta anos, possuía pele de um marrom escuro, olhos castanhos cor de mel e um sorriso largo e contagiante nos lábios. Era baixinha mesmo usando scarpin negros.

   - Tia. – Aliviada, Laura retribuiu ao sorriso por encontrar uma profissional de bom humor e estava fazendo daquele momento o mais simples e descontraído possível. Joe precisava de pessoas com bom humor e que o tratasse bem, não o contrário.

   - Então é de família esses olhos magníficos? – Perguntou a doutora. Joe assentiu corado se deixando guiar pela mulher que olhou para Demi procurando por alguma característica que a encaixaria como membro da família Jonas, mas a moça era muito diferente de Laura e Joe. – Vocês são namorados? – Perguntou a procura do estetoscópio e quem assentiu foi Demi sempre simpática. – Querido, não precisa ficar tenso. O procedimento é simples, você já será liberado. – Dessa vez não houve o tom descontraído, e no lugar dele só o gentil e atencioso. Joe assentiu olhando para Laura como uma criança assustada. – Vocês vão ter bebês lindos. – Se não fosse o batom, os lábios de Demi mostrar-se-iam esbranquiçados, tão pálidos quanto a pele da moça no momento ao ouvir a frase. O coração até bateu mais rápido e saltava demasiadamente a ponto de Demi pensar que ele poderia rasgar o peito. Sorte foi que o desconforto com o comentário não foi perceptível e Demi até estava sentada quando a tontura veio por conta da preocupação. – Eu quero saber mais sobre você. Pode me contar enquanto tira a parte de cima para que eu possa examiná-lo? – Corado. Como alguém podia corar daquela forma? Joe assentiu com um aceno e começou a se despir começando pelo trench coat com ajuda de Laura para depois desabotoar os botões da camisa social.

   - Meu nome é Joseph, mas gos..gos.to de ser cha..cha..chamado de Joe. – Ele não se sentia o mesmo Joe de sempre porque estava com medo, e era muito difícil ficar aliviado nas circunstâncias atuais da saúde. Joe se sentia tão intimidado que se não se controlasse, a gagueira o pegaria de jeito e ele voltaria a ser aquele mesmo rapaz extremamente tímido de meses atrás. – Sou texano, órfão, diabético, hipertenso e formado em análise de redes. – A careta dele e o murmuro foi por conta do diafragma do estetoscópio tocando as costas. Estava tão quentinho e confortável, e o aparelho gelado o fez arrepiar!

   - Respira fundo. – Pediu Thaís e Joe o fez começando a se sentir nervoso. – Continue contando. – Foi depois que o rapaz respirou fundo algumas vezes e a doutora anotou os dados no prontuário.

   - Estou morando em Nova York tem seis meses. – Dizer aquela frase foi como assistir um filme de tudo que tinha acontecido naquele tempo em terras nova-iorquinas. E automaticamente Joe olhou para Demi pensando que ela tinha sido a melhor coisa que o aconteceu, ela e Lucy. – Eu tenho uma cadelinha chamada Lucy, estou namorando a Demi praticamente desde que cheguei. – Os dois sorriram. Joe e Demi. Aquele comecinho do relacionamento foi uma descoberta deliciosa para ambos. Para Joe, era o primeiro contato com uma mulher, e para Demi, era o primeiro contato com um homem que não tinha nenhuma experiência e era completamente diferente de todos os outros que ela conhecia.

   - Já temos planos para o casamento? – O sorriso de Thaís foi contagiante. Joe sorriu corado, e assentiu olhando para namorada.

   - Eu tenho alguns problemas de saúde. Agora estou tentando ficar saudável porque quero casar o quanto antes. – Não existia um homem mais sonhador e de coração puro. Joe foi tão feliz nas palavras que usou, e os olhos dele miravam Demi com paixão. E para ela, ouvi-las causou uma mistura de felicidade e medo. Felicidade porque Joe sempre demonstrava que o queria com ela era sério e verdadeiro. Medo porque ela estava grávida e naturalmente pensava que poderia ser abandonada.

   - Esse tipo de rapaz é muito raro, Demi. – Sorrindo, Demi assentiu olhando para Thaís e quando ela fitou Laura, sentiu as bochechas corarem porque a tia de Joe a olhava com curiosidade, mas sorriu gentilmente. – Pode vestir a camisa, querido. Nós já vamos começar a prova de função pulmonar. – Quando Thaís se aproximou de Laura para trocar algumas informações, Demi se aproximou de Joe e sorriu quando ele o fez.

   - Você está bem? – Ela perguntou guiando os dedos a barba por fazer para acaricia-lo na bochecha e no queixo.

   - Estou, acho que a pior parte ainda está por vir. – Aqueles olhares sempre prometiam. E para não ficar constrangedor, caso os dois fossem flagrados, Joe começou a se vestir.

   - Eu vou estar aqui com você, não vai ser ruim. Se você sentir medo, pode apertar a minha mão. – A emoção a faria chorar. Estava acontecendo como se fosse algo normal. Demi envolveu os dedos aos do namorado, olhou-o nos olhos e não conseguiu fitar nada mais que o verde lindo dentro dos sessenta segundos. O impacto das palavras dela o tocou na alma, Joe se sentiu acolhido e protegido, e muito amado. Por isso que ele se curvou para beija-la na boca mostrando como a amava e apreciava o apoio de Demi, porque sem ele, tudo seria mais difícil.

Continua... Oláa! Quanto tempo! Não desisti do blog, acontece que eu acabei ficando numa prova final, que foi ontem e agora está tudo bem! Então eu não tinha conseguido desenvolver o capítulo até onde eu gostaria de postar, mesmo que esteja dividido, até esse ponto dá para vocês entenderem, e também tem a parte mais legal de todas! Espero que vocês estejam gostando, a fanfic não vai ficar parada, tem muita coisa para acontecer! Obrigada pelo apoio de vocês, até qualquer hora <3 

2.12.18

Aviso


Boa tarde! Tudo bem com vocês? Eu estou bem! Passei para avisar que vou demorar um pouco mais a postar o próximo Capítulo de Em busca do amor - Segunda Temporada. É que essa semana é a última semana de aula - amém - e consequentemente a de provas e trabalhos, termino tudo dia 08, daí vou desenvolver o resto do Capítulo e posto. Espero que estejam gostando da história.. Se bem que eu acho que ninguém curtiu muito o fato da Demi estar grávida hahaha Se tiverem sugestões, por favor, fiquem à vontade! Beijo no core e uma excelente semana para vocês!!